O encontro de presidentes e representantes dos sindicatos rurais de Roraima aconteceu durante a programação da 10ª Festa da Banana, no município de Caroebe, com o objetivo de fortalecer a integração das lideranças que colaboram para o desenvolvimento agro no estado.
No evento também foram elencados assuntos como quais ações foram realizadas ao longo de 2024, programas de capacitação, assistência técnica e programas de promoção social.
Segundo o presidente do FAER/SENAR – junção administrativa de duas instituições que trabalham para melhorar a vida de quem vive no campo -, Sílvio de Carvalho, foi satisfatório reunir os líderes em prol de melhorias da classe.
Foto: Reprodução/YouTube – Amazon Sat
“Por três dias estamos aqui. Nós conseguimos reunir de todos os municípios os nossos diretores e presidentes de sindicatos, que acaba sendo uma grande integração do setor agro, além do Senar que tem realizado um grande trabalho aqui”, declarou.
A federação de Roraima ainda listou os principais assuntos discutidos durante o evento:
– Estratégias para aumentar a produtividade agrícola em Roraima;
– Infraestrutura e logística para escoamento da produção;
– Políticas públicas de apoio ao pequeno e médio produtor rural;
– Incentivo à adoção de tecnologias no campo para melhorar a competitividade.
Houve, também, avaliação da evolução do setor agro em Roraima, com o consenso de que o setor agropecuário está em crescimento constante, especialmente em culturas como a banana e a soja.
Foto: Reprodução/YouTube – Amazon Sat
A federação também tornou público as carências de benfeitorias necessárias no setor agro, como a necessidade de melhorias em infraestrutura rodoviária para facilitar o transporte de insumos e produtos; a ampliação do acesso à irrigação e sistemas hídricos em áreas rurais; além de investimentos em formação técnica e capacitação de trabalhadores; e o fortalecimento da segurança no campo.
Principal dificuldade
Quanto as dificuldades enfrentadas, os líderes relataram o acesso ao crédito rural, principalmente para pequenos produtores; e problemas recorrentes com a regularização fundiária e ambiental, que por vezes impede muitos produtores de obterem financiamentos.
Lançada do mês de novembro, a websérie ‘Árvores Gigantes da Amazônia‘ é um convite para uma jornada única pela Amazônia Brasileira. Em um território ainda pouco conhecido, na fronteira entre os estados do Pará e Amapá, é encontrada uma quantidade impressionante de árvores de grande porte, que ultrapassam os 70 metros de altura.
A websérie narra a história de um projeto de conservação com foco nesses espécimes gigantescos da natureza amazônica, cujas circunstâncias de existência na floresta ainda intrigam a ciência. A partir de uma aliança entre governo, instituições de pesquisa e organizações socioambientais, foi possível expandir o conhecimento sobre uma região com grande concentração de árvores gigantes, como o angelim-vermelho (Dinizia excelsa) e fornecer subsídios para a criação da nova área de proteção integral, um Parque Ambiental com cerca de 560 mil hectares, gerido pelo governo paraense.
A iniciativa de conservação é liderada pelo Governo do Pará, por meio do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio) e conta com a parceria do Instituto Federal do Amapá (IFAP), Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e financiamento do Andes Amazon Fund (AAF).
“O Parque tem uma importância muito grande, não só para o estado do Pará, mas também para toda a Amazônia, porque ele vai proteger ainda mais um santuário de árvores gigantescas. Acreditamos que esse Parque vai trazer não só a proteção do meio ambiente para essa região, mas principalmente desenvolver uma atividade turística baseada em ciência e conservação. Ou seja, essas atividades a serem permitidas nesse novo desenho de área protegida vão trazer ganhos sociais, econômicos e ambientais para o território”, ressalta Victor Salviati, superintendente de Inovação e Desenvolvimento Institucional da FAS.
Websérie traz imagens inéditas da biodiversidade da Amazônia
A série audiovisual é repleta de registros do novo Parque Ambiental, localizado no Oeste do Pará, e da diversidade biológica da região. As imagens foram captadas durante a mais recente expedição técnico-científica no território das árvores gigantes, realizada no primeiro semestre de 2024.
Em quatro episódios, a produção narra a trajetória do projeto, desde a descoberta de um angelim-vermelho de 88,5 metros na área, registrado como a maior árvore da América do Sul e a quarta maior do mundo.
Ao redor dele, já foram identificadas também, ao menos, 38 árvores de grande porte, duas delas com mais de 80 metros. Trata-se da maior incidência de árvores gigantes na Amazônia, um indicador da rica biodiversidade do território, o que o torna prioritário nos planos de proteção do bioma amazônico.
As árvores gigantes da Amazônia representam também um papel-chave na manutenção da biodiversidade e no equilíbrio ecológico do bioma. Esses espécimes de grande porte atuam na regulação do clima, absorvendo grandes quantidades de carbono da atmosfera e ajudando a mitigar os impactos da crise climática.
“O Parque Estadual das Árvores Gigantes é um passo importante para a proteção das florestas, da biodiversidade e de suas funções climáticas. Ao criar essa área protegida, o estado do Pará está preparando o caminho para sediar o evento climático mais importante do mundo, a COP 30. Com essa nova área protegida, o estado dá um forte sinal de sua liderança e de seus compromissos ambientais”, afirma Enrique Ortiz, Diretor Sênior de Programas do Andes Amazon Fund (AAF).
O ‘Concerto de Natal‘, idealizado pelo tenor Miquéias William, promete encantar o público de Manaus (AM) no dia 21 deste mês, com apresentações emocionantes de artistas da música clássica e da Música Popular Amazonense (MPA). Esses músicos e intérpretes proporcionarão uma noite inesquecível, repleta de talento e emoção. O evento acontecerá no Largo São Sebastião, no Centro, a partir das 18h, integrando a programação ‘O Mundo Encantado do Natal’, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC), com entrada gratuita.
Uma das apresentações que devem encantar o público será a interpretação de ‘The Prayer’, por Miquéias William e a soprano Dhijana Nobre, acompanhados pela Orquestra Passione e o Coral MW Ópera Studio. ‘The Prayer’ é uma balada poderosa, que mistura elementos de música clássica e pop, sendo famosa nas vozes de Celine Dion e Andrea Bocelli. A letra é uma oração, pedindo orientação, força e proteção, com versos que expressam o desejo de encontrar a paz e a sabedoria para enfrentar os desafios da vida.
“Cantar ‘The Prayer’ com a Dhijana será um momento muito especial. A canção traz uma mensagem de paz e orientação, e espero transmitir toda a serenidade que ela oferece ao público. A música tem o poder de unir as pessoas, e o Natal é a época perfeita para celebrarmos a vida e a esperança”, comenta Miquéias William.
Outro ponto alto da noite será a performance de ‘You Raise Me Up’, também será interpretada por Miquéias, acompanhado dos tenores Everaldo Barbosa e Cristiano Silva. Essa canção foi regravada por vários artistas ao redor do mundo, sendo a versão de Josh Groban a mais famosa. A composição fala sobre a ideia de ser levantado, inspirado e fortalecido por alguém que oferece apoio emocional e espiritual, especialmente em momentos difíceis.
Toque amazônico
O grupo Gaponga, conhecido por suas influências regionais e pelo resgate da música popular amazônica, também trará momentos inesquecíveis no concerto. Os músicos apresentarão canções como ‘Natal Ribeirinho’ e ‘Canoa de Luz’, que unem a celebração do Natal com a identidade cultural da região Norte. Além disso, Miquéias terá um momento especial com o grupo, para interpretar ‘Pai Nosso’, do Padre Marcelo Rossi. “Esta é uma canção profunda, de grande significado espiritual, e dividir esse momento com o Gaponga vai ser muito emocionante”, afirma Miquéias William.
Grupo Gaponga. Foto: Divulgação
Além disso, o evento contará com uma intervenção poética de Celdo Braga, integrante do Gaponga. Ele apresentará a poesia autoral “Jesus Caboclo”, uma reflexão sobre o Natal sob a perspectiva da religiosidade amazônica. A poesia, que originalmente fez parte do álbum “Natal Amazônico” (2010), do extinto grupo Imbaúba, trará um toque sensível e introspectivo à noite, enriquecendo a experiência do concerto com uma mensagem de união e fé.
Os integrantes do Imbaúba, como Celdo Braga, João Paulo Ribeiro e Sofia Amoedo, deram origem ao Gaponga, perpetuando sua contribuição para a música e cultura amazônica.
Gostinho de Natal
Para quem deseja entrar no clima da apresentação, a canção “Noite Santa”, que fará parte do repertório do evento, está disponível nas plataformas de streaming de música Spotify e Amazon Music, com a interpretação de Miquéias William. Para encontrá-la, basta pesquisar pelo nome do tenor nas buscas dessas plataformas.
O Governo Federal instituiu no dia 5 de dezembro o programa ‘Inglês para Jovens Líderes Indígenas‘ com o objetivo de promover a capacitação linguística básica em inglês de jovens lideranças indígenas. A portaria que cria a iniciativa foi assinada pela ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, e publicada no Diário Oficial da União.
O programa vai desenvolver competências de comunicação em inglês, para participação em fóruns internacionais relacionados à governança ambiental, climática e direitos humanos — como a COP30, das Nações Unidas, que será realizada em novembro de 2025, em Belém (PA) —, além de outros temas de interesse dos povos indígenas no âmbito das relações internacionais.
Público-alvo
Os beneficiários da iniciativa serão estudantes selecionados para participar do Programa Kuntari Katu: Líderes Indígenas na Política Global, os servidores indígenas do Ministério dos Povos Indígenas, com idades entre 18 e 40 anos, e lideranças indígenas da mesma faixa etária, a serem selecionadas por edital. O intuito é capacitar pessoas sem conhecimento prévio de inglês, com exceção de habilidades básicas adquiridas no ensino fundamental ou médio.
Metodologia
O foco do curso de língua inglesa será no desenvolvimento de competências e habilidades em leitura, escrita, escuta e fala em nível básico, tendo como meta o acompanhamento de negociações internacionais, por meio de aulas ao vivo à distância, com metodologia interativa e levando em consideração a interculturalidade da relação de aprendizagem estabelecida.
Parceria
O programa será implementado por meio de parceria com a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, como uma das ações componentes do U.S.-Brazil Joint Action Plan To Eliminate Racial and Ethnic Discrimination and Promote Equality (Japer), ou Plano de Ação Comum Brasil-EUA para Eliminar a Discriminação Racial e Étnica e Promover a Igualdade. A Embaixada arcará com as despesas do programa, por meio da contratação de uma instituição prestadora do serviço.
*Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidênciada República
Pesquisadores do Reino Unido e do Brasil investigaram a domesticação de cultivos amazônicos, incluindo mandioca, pupunha, pimenta, urucum, biribá e piquiá, além de documentar a domesticação da paisagem florestal na bacia do rio Madeira, no Amazonas e em Rondônia. O estudo, apoiado pelo Programa Fundo Newton – RCUK, via Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), é fruto da parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e o Conselho de Pesquisa do Reino Unido (RCUK).
A pesquisa intitulada ‘As origens da domesticação de plantas na bacia do alto rio Madeira’, coordenada pelo doutor em Horticultura e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Charles Roland Clement, compreende que a domesticação de plantas começou na paisagem florestal, como um pequeno conjunto de práticas simples: proteção, cuidado, liberação de concorrência, dispersão de propágulos (sementes de plantas ou plântulas) e seleção humana.
Anteriormente ao estudo, era de conhecimento geral que a mandioca e a pupunha começaram a ser domesticadas no alto rio Madeira e também era provável que outros cultivos foram domesticados, uma vez que as terras pretas mais antigas da Amazônia são da mesma região, o que demonstra a presença de assentamentos humanos de longa duração. As espécies arbóreas, como pupunha, urucum, biribá e piquiá, poderiam ter sido selecionadas inicialmente nas paisagens florestais, enquanto a mandioca provavelmente nos assentamentos.
“Análises genéticas demonstraram que o biribá foi domesticado no oeste da Amazônia e o piquiá no leste da Amazônia, e apenas o urucum podia ser confirmado como originário do alto Madeira”, explicou.
Segundo o pesquisador Charles Roland Clement, estes estudos em ecologia histórica têm importância também na atualidade. Com a expansão das mudanças climáticas, faz-se necessária a adaptação das plantas cultivadas e dos sistemas de cultivo.
“Entender de onde vêm as plantas permite voltar para determinar se as populações silvestres oferecem alguma vantagem frente às mudanças climáticas que as populações cultivadas atualmente não possuem”, frisou Charles.
Foto: Charles Roland Clement/Acervo pessoal
Análises
As análises genéticas foram realizadas por diversos doutorandos do Brasil e geraram dissertações e publicações. O biribá foi estudada por Ariel Kuma, no PPG Genética, Conservação e Biologia Evolutiva, e o piquiá foi estudado por Rubana Palhares Alves, bióloga no PPG Ecologia, ambos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e o urucum foi estudado por Gabriel Dequigiovanni, no PPG Genética e Melhoramento, da Universidade de São Paulo (USP).
E ainda, na região de Humaitá, houve uma análise da composição florística de florestas localizadas perto de sítios arqueológicos e comunidades indígenas e tradicionais atuais, demonstrando que as florestas mais próximas a esses locais eram as mais ricas em espécies úteis, especialmente as fruteiras, em comparação com florestas mais longe dos sítios e comunidades. Este estudo foi feito por Maria Julia Ferreira, no PPG Botânica do Inpa, e contou com a colaboração de comunitários, que aprenderam a fazer inventários para conhecer melhor suas próprias florestas.
O biólogo explicou ainda que, caso ofereçam vantagens, existem duas opções. A primeira consiste na introdução dos benefícios das silvestres diretamente em populações cultivadas, uma prática muito comum atualmente entre as melhoristas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por exemplo. A segunda diz respeito a uma nova domesticação, em que se utilizariam critérios diferentes dos usados pelos povos indígenas há milhares de anos.
Nazaré Pereira, artista acreana, é homenageada em documentário que relata trajetória na música e dança. Foto: Nazaré Pereira/Arquivo pessoal
A artista Nazaré Pereira, nascida em Xapuri, no Acre, é tema de um documentário que homenageia a trajetória de uma das personalidades acreanas mais emblemáticas no cenário artístico e cultural. O projeto, intitulado ‘Nazaré de Xapuri’, será exibido na cidade de mesmo nome neste 10 de dezembro, no auditório da Escola Divina Providência, a partir das 19h, com entrada gratuita.
Segundo o diretor do projeto, Adalberto Queiroz, que também é presidente da Academia Acreana de Letras (AAL), o documentário destaca detalhes históricos sobre a vida e obra da atriz, dançarina, cantora e compositora que, atualmente, mora em Paris, na França. O longa será lançado, inclusive, no dia do aniversário da artista.
Ele conta que Nazaré nasceu no Seringal São Francisco do Iracema, de onde saiu aos 7 anos para Belém do Pará com sua mãe, em busca de oportunidades.
Foto: Nazaré Pereira/Arquivo pessoal
“Ela se aprimorou fazendo teatro, cantando e levando a dança, fez faculdade, aprimorou a língua francesa e se mandou para a França onde foi professora de francês, ergueu uma atividade teatral, musical e despontou para o mundo a sua arte, as raízes amazônicas que a levaram para cinco continentes, como uma pessoa de raízes muito simples, mas que hoje é aplaudida. Eu tomando por base esse histórico, construí esse documentário para que fique marcada a história de uma pessoa que, pelos acreanos ainda é pouco conhecida”, disse.
A obra foi construída a partir de um projeto apresentado à Fundação Elias Mansour (FEM), via edital da Lei Paulo Gustavo. Segundo Queiroz, a equipe de construção do documentário foi composta por 21 pessoas, e ressaltou que a obra também será exibida no Cine Teatro Recreio, em Rio Branco, no dia 17 de dezembro, a partir das 19h, com entrada gratuita.
“Foi um trabalho bem coletivo para construir essa obra, que dura cerca de 32 minutos e é muito simbólico, porque nós vamos fazer o lançamento em Xapuri, dia 10 de dezembro, que é o dia do aniversário da Nazaré Pereira. Eu sempre estou conversando com ela, está super emocionada, em Paris, está sabendo desse lançamento e vai ser um espetáculo, porque eu não estou só fazendo um documentário histórico, mas acima de tudo, uma obra de arte”, comentou.
Com o objetivo de alinhar oportunidades de negócios com o mercado europeu, o governo de Rondônia recebeu o cônsul-geral da Itália, Domenico Fornara, e o vice-cônsul da Itália em Porto Velho, Cláudio Guastella, em um encontro que marcou um passo importante para o fortalecimento das relações comerciais entre Rondônia e a Itália, no dia 6 de dezembro, em Porto Velho. O evento contou com a presença de empresários e representantes de setores estratégicos, como o de café, mandioca, soja, milho e couro de jacaré.
A iniciativa, conduzida pela Coordenadoria de Atração de Investimentos (Invest Rondônia), visa identificar os principais interesses do mercado italiano e construir parcerias baseadas no potencial produtivo de Rondônia. “Este encontro fortalece o setor produtivo, aproveitando o reconhecimento internacional da qualidade de nossos produtos, como o café e o cacau”, salientou o governador do Rondônia, Marcos Rocha.
Parcerias estratégicas
O vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Sérgio Gonçalves, enfatizou o alinhamento entre o setor público e o empresarial para explorar novas oportunidades.
“Estamos trabalhando para transformar Rondônia em um Hub de exportação, buscando também, atrair investimento internacional para industrialização de nossas commodities [produtos] e construindo parcerias de longo prazo com o mercado europeu, um parceiro estratégico ao estado”.
Especialistas participaram, também, da reunião para debater oportunidades em tecnologia, inovação e Economia Verde. O secretário-adjunto da Sedec, Avenilson Trindade, destacou que o alinhamento com o consulado é essencial para ampliar a presença de Rondônia no cenário internacional e trazer inovação ao setor agrícola.
Fortalecimento comercial
Um dos resultados esperados do encontro é a criação de um plano de trabalho conjunto para promover acordos bilaterais entre Rondônia e Itália, focados na ampliação do comércio e na troca de tecnologias. O estado, com sua infraestrutura estratégica e o diferencial competitivo da hidrovia do madeira, está preparado para atender às demandas do mercado europeu, destacando-se como um importante parceiro comercial.
Além disso, reforça-se o compromisso com práticas sustentáveis, promovendo o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental, destacando o imenso potencial de Rondônia na Economia Verde e Bioeconomia.
O evento contou com a participação de secretários estaduais, coordenadores e representantes de instituições como Sedec, Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Federação do Comércio do Estado de Rondônia (Fecomércio), e Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (Fiero). Empresários e especialistas contribuíram para as discussões estratégicas.
Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br
Repercutiu fortemente a notícia da criação da “diretoria de felicidade” em algumas empresas. Não sei se a Heineken foi a primeira a adotar tal nomenclatura, mas talvez tenha sido a de maior repercussão, pelo menos, aqui no Brasil. Antes, outras empresas adotaram denominações como: “gerência de saúde mental”, “gerência de bem-estar” e outras, todas elas indo numa direção semelhante. A adoção do termo “felicidade”, algo mais amplo, é um grande avanço, sendo acompanhado por alguns riscos.
Um dos riscos é o que ocorre com outros termos, muito bem-intencionados, mas que acabam distorcidos por aqueles que pretendem apenas tirar proveito destas intenções. É o caso da “sustentabilidade”, do “ESG”, da “agenda verde” e de outros. Todos são importantes, fazem diferença e são propostas do bem. Ainda assim, eles são afetados em sua credibilidade, por elementos infiltrados de fachada, que visam apenas se apropriar do discurso. Nem sempre é fácil distinguir os autênticos dos greenwashing, dos falsos idealistas.
A entrada do termo “felicidade” no mundo corporativo é mais uma aproximação da instituição mais poderosa de nossos tempos, a empresa privada, de práticas que atendem a anseios universais do ser humano e não apenas aos interesses de um grupo restrito. Os antigos filósofos já apontavam, há dois mil anos, que o maior desejo do ser humano é ser feliz e que a felicidade é o objetivo por detrás de tudo o que se faz. Mas o que é “felicidade”?
O termo, aparentemente simples, costuma ter diferentes interpretações subjetivas, aumentando os riscos de distorções e até de preconceitos. A primeira conotação sugere a felicidade como alegria e para alguns ganha forma de um “oba-oba” superficial, nada prático ao mundo dos negócios. Quando trato do assunto, sempre me sinto forçado a lembrar que a felicidade inclui o prazer, mas não se limita a ele.
Falar em bem-estar também é insuficiente. Posso sentir um mal-estar agora, por um resfriado ou uma noite mal dormida, o que não me faz menos feliz por causa disso. Entendo que felicidade é algo mais duradouro. Mas será que todos entendem assim quando falamos de felicidade? Até os estudiosos da área têm dificuldades para chegar a um acordo quanto ao termo.
De comum, descrito largamente pela psicologia positiva, é a existência de diferentes dimensões, que incluem além do prazer (alegria), o engajamento, o propósito, os relacionamentos saudáveis e as realizações (como de objetivos e metas). Todas estas dimensões possuem uma alta aderência aos objetivos empresariais, uma vez que, comprovadamente, incrementam a produtividade e favorecem a expansão dos negócios. Elas podem ser estimuladas por meio do aprendizado e de práticas conscientes.
A felicidade está diretamente relacionada a modelos mentais e a atitudes que nos aproximam ou nos distanciam dela, independentemente de acontecimentos externos. Atitudes de gratidão, altruísmo e resiliência produzem felicidade para nós e para os outros. Clientes, fornecedores e acionistas são beneficiados por elas. Felicidade tem tudo a ver com os objetivos do mundo corporativo, mesmo que isto contrarie o senso comum.
No entanto, as empresas não podem fazer as pessoas felizes. Cabe a elas mesmas fazerem isto. Mas as empresas podem preparar o terreno (aqui sim, cabe o termo bem-estar), fazendo a parte que lhes cabem. Elas podem disponibilizar conhecimento sobre a felicidade consciente, estimular e reconhecer práticas.
Decorridos quase dois anos da criação da diretoria de felicidade da Heineken, as notícias que chegam são positivas quanto às ações e quanto aos resultados mensurados. Ajudar líderes e colaboradores a serem mais felizes no trabalho e na vida, fazendo as suas escolhas conscientes. Penso que é para isto, em primeiro lugar, que serve uma diretoria de felicidade. Com todos os riscos das distorções, ela é muito bem-vinda.
Sobre o autor
Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.
A Universidade Federal do Pará (UFPA) está conduzindo estudos com vistas à produção de bio-óleos, compostos bioativos e biocombustíveis, biocarvão e ligantes de asfalto com o caroço do açaí e do tucumã. Os ensaios laboratoriais estão concentrados no Projeto Sustenbio Energy e fazem parte da Pesquisa ‘Valorização das Cadeias Produtivas Sustentáveis do Açaí e do Tucumã nos estados do Pará e Amazonas com foco na produção de Bio-Óleos, Compostos Bioativos, Gasolina, Querosene e Diesel Verdes, Biocarvão e Ligantes de Asfalto’, realizada por um grupo de pesquisadores interinstitucional, coordenado pelo professor da UFPA, Nélio Teixeira Machado.
O Projeto Sustenbio Energy está sendo desenvolvido no Laboratório de Transformação e Valorização de Resíduos Agroindustriais: Nanocatalisadores, SAF (Sustainable Aviation Fuel) e Hidrogênio Verde, adquirido com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa). O laboratório foi inaugurado no último dia 2 de dezembro e funciona no prédio do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Recursos Naturais da Amazônia do Instituto de Tecnologia (Proderna/Itec/UFPA).
A inauguração foi realizada pelos coordenadores locais do projeto, os professores Nélio Teixeira Machado (Programa de Doutorado em Engenharia de Recursos Naturais da Amazônia e Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química), Bruno Marques Viegas (FBiotec/ICB/UFPA), Lucas Pinto Bernar (Faesa/Itec/UFPA) e Renata Noronha (ICB), e contou com a presença da diretora do Instituto de Ciências Biológicas, Jeannie Nascimento dos Santos, e da representante da Pró-Reitoria de Extensão (Proex), Taiza Ferreira.
Este é o segundo laboratório criado para o desenvolvimento desta pesquisa de transformação e valorização de resíduos da cadeia produtiva de açaí no estado do Pará e da cadeia produtiva do tucumã no estado do Amazonas, estudo que teve início em 2016, por intermédio de um grupo de professores e pesquisadores coordenado pelo professor Nélio Machado. A finalidade era a produção de biocombustíveis com óleos vegetais e gorduras animais residuais, utilizando o processo de transesterificação (reação química em que o álcool do éster reagente é substituído por outro álcool), até então considerado um grande desafio tecnológico para o Brasil.
Com esse potencial de grande impacto ambiental, o estudo aproximou pesquisadores da área da engenharia sanitária e ambiental e fez com que, nos últimos anos, a pesquisa tenha se voltado para resíduos de base lignocelulósica, isto é, resíduos de biomassa vegetal, como é o caso dos caroços de açaí, resíduo comum na cidade de Belém. Agora, no novo laboratório, a pesquisa segue para a finalização de obter o biocombustível e dar início à fase prática do projeto, voltada para a viabilidade econômica e a obtenção de produtos que tragam benefícios para a sociedade. E, além da produção de energia limpa, o projeto também vai iniciar os testes para a reutilização do resíduo da produção de biocombustível na produção de massa asfáltica.
“O objeto principal do projeto é a transformação dos resíduos feitos de caroços de açaí e tucumã em gasolina verde, querosene verde, diesel verde, biogás, em bio-óleo que tem propriedades antioxidantes, biológicas e farmacológicas, contra uma série de fungos e bactérias, e em bioasfalto, que é o resíduo do processo de transformação dos caroços. Nós já estamos em estudos avançados não só de caracterização físico-química composicional, mas também de testes desse bioasfalto como capeamento asfáltico sustentável”, explica o professor Nélio Teixeira.
Atualmente, além da UFPA, integram o grupo de pesquisa as seguintes universidades:: Federal Rural da Amazônia (Ufra), Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), Federal de Pernambuco (UFPE) e do Estado do Amazonas (UEA), que, em conjunto, buscam fortalecer as cadeias produtivas existentes em torno do açaí e tucumã presentes na região amazônica.
Transformação e valorização de resíduos agroindustriais
De acordo com Lucas Bernar, que vai coordenar o Laboratório de Transformação e Valorização de Resíduos Agroindustriais: Nanocatalisadores, a abertura deste novo espaço ajuda na expansão do projeto que o grupo de pesquisa já buscava aprimorar, ao incluir, na atual fase, novas possíveis aplicações e estudos, além de expandir o conhecimento do mercado em volta dos frutos da região, no estado do Pará, de Pernambuco e do Amazonas.
Foto: Divulgação/UFPA
A região amazônica possui diversas cadeias produtivas baseadas no beneficiamento de frutos, principalmente para a produção de polpa e óleos vegetais, gerando quantidades consideráveis de resíduos na forma de biomassa, como sementes e cascas, muitas vezes não utilizados e descartados. Materiais que, segundo Lucas Bernar, poderiam ser utilizados como matéria-prima em processos em que são transformados em outros produtos, agregando valor à cadeia produtiva existente em torno desses frutos, ao mesmo tempo em que se destinam corretamente os resíduos gerados pelas atividades de beneficiamento de frutos.
“Hoje, o projeto segue em duas frentes: uma mais clássica, referente ao aprimoramento dos combustíveis que podem ser gerados com os resíduos considerados por meio de processos de pré-tratamento e melhoramento catalítico; e outra, referente à separação, ao isolamento e à identificação dos compostos presentes em relação à sua capacidade oxidativa, repelente, fungicida, bacteriostática e assim por diante. Além disso, será estudada a capacidade de adsorção (remoção de compostos por interação com a superfície do carvão) de contaminantes de água e utilização do carvão como aditivo na preparação de solos para produção de mudas”, pontua o pesquisador.
As atividades do projeto estão divididas pelos estados do Pará, de Pernambuco e do Amazonas. Na UFPA, além dos ensaios laboratoriais, está sendo realizado um levantamento da quantidade de caroços de açaí gerada na Região Metropolitana de Belém para estimar a quantidade do resíduo existente e de que forma é feito o descarte deste. A pesquisa envolve acadêmicos bolsistas e é realizada bairro a bairro, com o contato com vendedores e comerciantes de açaí e com a ajuda de ferramentas de geolocalização.
O coco babaçu serve como fonte de renda para diversas comunidades agricultoras no Maranhão, sendo utilizado na produção de óleo, farinha, biscoitos e outros derivados. Tradicionalmente, é extraído de forma manual, um processo demorado e exaustivo. Uma inovação tecnológica, criada pela empresa Apoena com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), por meio do edital Centelha II, fruto de parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), está mudando essa realidade. Uma máquina capaz de quebrar e descascar o coco babaçu em menos tempo e aproveitando a totalidade do produto.
A ideia de desenvolver a máquina surgiu quando a empreendedora, fundadora e CEO da Apoena, Márcia Werle, percebeu as dificuldades enfrentadas pelas cooperativas e famílias extrativistas, na extração do coco. Ela observou que o trabalho manual era muito cansativo e ineficiente, pois, a repetição das tarefas causava sérios problemas físicos nas trabalhadoras, e limitações no ritmo de produção.
“A máquina simplifica e agiliza o processo, aumenta a produtividade e o mais importante, melhora as condições de trabalho para as pessoas que vivem dessa extração”, ressalta.
Ela conta que o desenvolvimento da máquina não foi simples. Para que a inovação fosse eficaz, era necessário entender profundamente as características do coco babaçu e suas variações, o que demandou testes constantes. O objetivo era fabricar um equipamento resistente e flexível o suficiente para lidar com diferentes tamanhos e formas dos cocos, o que exigia um design adaptável.
Além disso, as dificuldades econômicas e as limitações orçamentárias foram obstáculos adicionais para a empresária. “Buscamos financiamento e apoio técnico, principalmente para a construção de protótipos e testes, que também foi uma etapa desafiadora, mas, conseguimos concretizar essa ideia”, comemora.
O presidente da FAPEMA, Nordman Wall, enfatizou que o incentivo à inovação e à sustentabilidade é um dos pilares da atuação da FAPEMA, que segue orientação do governador Carlos Brandão. “Projetos como o da Apoena mostram como é possível aliar tecnologia e tradição para gerar impacto social, ambiental e econômico. A máquina desenvolvida com apoio do edital Centelha II transforma a realidade de famílias que dependem do babaçu, promovendo mais renda, condições dignas de trabalho e aproveitamento integral dos recursos naturais. É isso que buscamos: fomentar iniciativas que transformem o Maranhão em um estado referência em ciência, tecnologia e inovação”, destacou Nordman Wall, presidente da FAPEMA.
Processo de criação da máquina
A primeira máquina durou três meses, devido à dureza do coco babaçu. A segunda quebrava o fruto, mas não era eficiente para a separação das quatro partes do coco. Em 2016, após diversas tentativas, foi construído o equipamento que conseguia quebrar e ainda separar as partes do coco de forma eficiente. A máquina também possibilita um maior aproveitamento do produto.
“Observei que as quebradeiras só utilizavam a amêndoa, que representa de 6% a 8% do fruto, o resto ou era descartado, ficava lá na floresta, ou virava carvão. Com a máquina foi possível pensar no processamento do coco e no aproveitamento integral, garantindo às comunidades uma renda maior e mais possibilidades no negócio”, explica Márcia Werle.
O equipamento tem causado um forte impacto nessa cadeia agrícola e ajudou a melhorar a vida nas comunidades que dependem do coco babaçu para sua subsistência. A máquina inovadora foi inserida na fábrica da Apoena e os cocos, que são comprados diretamente das comunidades das mulheres quebradeiras, sem atravessador, fez nascer um modelo de negócio onde todos ganham. “Vemos as famílias que vivem do coco babaçu como fornecedoras e parceiras, para crescermos junto”, enfatiza. Com esta estratégia, a renda das famílias fornecedoras do coco babaçu cresceu em média 30%, com a venda do produto inteiro.
Márcia Werle aponta a importância da FAPEMA no sucesso da invenção. Por meio de editais como o Centelha e o Inova Amazônia tração, a fundação auxiliou com recursos financeiros e suporte técnico para viabilizar este e outros projetos da empresa. “Esse apoio foi um diferencial para avançarmos e acelerar em muitos pontos, tornando nossas ideias uma realidade. A FAPEMA é uma parceira importante e incentivadora dos negócios inovadores do Maranhão, somando para que este cenário se desenvolva e coloque nosso estado no topo deste ecossistema”, ressalta a empreendedora,
O babaçu é composto por epicarpo, mesocarpo, endocarpo e amêndoa, que podem produzir 64 produtos, entre óleos, azeites, alimentos, cosméticos, medicamentos, carvão e energia, entre outros. A Apoena compra o coco inteiro das comunidades, o processa integralmente e faz o desenvolvimento de produtos nobres, a partir de coprodutos do babaçu. “Nossa meta para 2025 é termos 250 famílias fornecedoras envolvidas e termos processado no mínimo nove mil toneladas de coco babaçu”, adianta a CEO.
A indústria da Apoena está localizada na cidade de Coroatá, que pertence à região dos cocais, a 260 quilômetros de São Luís. No local, um hectare de babaçu produz em média 2,5 toneladas de coco, já impactados e ajudamos a preservar cerca de 75 hectare. Há previsão de uma segunda unidade, no Mato Grosso, onde também há coco babaçu em abundância.