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Água potável é entregue a comunidades ribeirinhas de Porto Velho como ação de enfrentamento à estiagem

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O nível do rio Madeira registrado dia 1° de julho foi de 4,26 metros e as medidas dos últimos dias se mantém abaixo da média em relação aos anos anteriores. Por conta disso, a Prefeitura de Porto Velho (RO), por meio da Defesa Civil Municipal, segue fazendo o monitoramento do nível do rio e promovendo ações de enfrentamento da crise hídrica causada pela estiagem amazônica. Dentre esses trabalhos, está a distribuição de água mineral para as famílias ribeirinhas de Porto Velho, durante a seca mais severa, nos meses de agosto, setembro e outubro.

Em 18 de junho, a cota do rio atingiu seu menor nível, medindo 4,15 metros e entrando em estado de alerta. A previsão enviada pelo órgão de monitoramento do Serviço Geológico do Brasil (SGB), indica que nos meses de setembro e outubro, o nível do rio pode baixar ainda mais pela ausência de chuvas.

Por conta da previsão do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), de que a seca pode ultrapassar os níveis de 2023, quando a cota do rio atingiu a menor marca histórica, de 1,43 metro em setembro, a Prefeitura da capital, através do decreto Nº 19.800, de 08 de março de 2024, instituiu o Comitê de Gestão de Crise para o gerenciamento das ações inerentes à situação de prevenção para enfrentamento à iminente crise hídrica de 2024, de caráter emergencial decorrente da extrema seca e seus impactos nos diversos usos da água, tais como navegação, distribuição de alimentos e medicamentos nos distritos do Município de Porto Velho.

Cerca de 120 mil litros de água serão distribuídos para comunidades localizadas ao longo do rio Madeira, que receberão a água potável pelo cronograma a ser iniciado em agosto pela Defesa Civil, seguindo em setembro e outubro, período mais crítico da estiagem. Por meio de transporte terrestre, 338 famílias cadastradas das comunidades Silveira, São Miguel, Mutuns, Pau D’Arco, Cujubim, Bom Jardim e Marmelo serão abastecidas com fardos de água mineral. Já pelo meio fluvial, as embarcações contemplarão 78 famílias das comunidades de Curicacas, Pombal, São José, Ilha Nova e Conceição do Galera.

O coordenador da DCM, Elias Ribeiro, enfatizou que o trabalho de monitoramento do nível do rio continua, e as equipes seguem orientando as comunidades sobre riscos de áreas com barrancos, de navegação e uso do rio pelos banhistas no rio Madeira, além de realizar reuniões constantemente junto a SGB, Censipam, Agência Nacional de Águas (ANA) e Sala de Crise Hídrica para expor e discutir a cada 15 dias, sobre o balanço geral das informações acerca da situação hídrica, ocasionada pela escassez de água no município.

“Ano passado, nós fomos surpreendidos pela escassez hídrica e para 2024, já houve uma previsão antecipada de trabalho. Diante disso, nós nos reunimos, procuramos conhecer as áreas de fragilidade, por isso instituímos o Gabinete de Crise, exatamente para trazer uma segurança maior para nossa comunidade, especialmente a que vive em fragilidade nesse período de seca. Afirmo que nós estamos preparados, não apenas para resolver uma situação nesse primeiro momento, mas, sem dúvida nenhuma, minimizar os impactos causados pela estiagem”, finalizou.

Poços artesianos

Em parceria com o SGB, a Prefeitura, através da Superintendência de Integração Distrital (SMD), iniciou a perfuração de poços artesianos, em cinco comunidades ribeirinhas do baixo Madeira, no último dia 20 de junho. Em algumas comunidades, serão realizadas sistemas de captação de água, por meio de bombeamento, que é uma filtragem de tratamento para abastecimento de água.

Os poços artesianos estão sendo construídos nas comunidades de Terra Firme, Papagaios, Santa Catarina, e distritos de Calama e Demarcação.

*Com informações da Prefeitura de Porto Velho

Produção da corda do Círio 2024 será feita mais uma vez no Pará

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A corda do Círio de Nazaré, um dos maiores ícones da festividade, será novamente produzida integralmente no Pará, pela segunda vez, para ser usada nas duas maiores e mais tradicionais procissões, o Círio e a Trasladação. A corda foi doada novamente pela empresa Castanhal Companhia Têxtil (CTC) à Diretoria da Festa de Nazaré (DFN).

Um novo protótipo, do mesmo material utilizado ano passado, malva e juta, foi produzido pela CTC e testado e aprovado pela DFN.

“Temos uma corda com atracações das argolas mais resistentes que a do ano passado. São essas argolas que são presas nas estações e onde se concentra a maior força. Tivemos o cuidado de tomar todas as providências para que os incidentes ocorridos ano passado não se repitam. É natural que esta corda, feita de um material diferente do sisal, utilizado durante muitos anos, seja aprimorada a cada ano, para se chegar a uma ideal para as duas procissões. E esperamos que com as mudanças deste ano ela esteja mais apropriada”, ressaltou o diretor de procissões, Antônio Sousa.

A corda utilizada nas procissões tem 800 metros de comprimento com partes de 400 metros, para cada romaria, e este ano terá 60 milímetros de diâmetro. Ela já vem adaptada às estações de metal que auxiliam no traslado das berlindas durante as romarias. A previsão é que a entrega da corda pela CTC ocorra no início de setembro.

Como é feita a corda do Círio

A corda utilizada no Círio e na Trasladação até 2022 era feita de sisal, uma fibra vegetal muito dura e resistente, e era produzida em Santa Catarina. Nesta nova proposta da CTC, a corda foi produzida por uma composição de fibras de malva e juta, todas elas plantadas e cultivadas na região Amazônica. Esta nova composição fica mais macia ao toque das mãos, pela presença da malva, sem, no entanto, perder resistência, em razão dos fios de juta. Quanto ao seu processo de transformação em fios, são muitos os estágios de fabricação, desde a colheita, realizada por diversas comunidades que fornecem o material à CTC, até a produção final.

Histórico

A corda passou a fazer parte do Círio em 1885, quando uma enchente da Baía do Guajará alagou a orla desde próximo ao Ver-o-Peso até as Mercês, no momento da procissão, fazendo com que a berlinda ficasse atolada e os cavalos não conseguissem puxá-la. Os animais então foram desatrelados e um comerciante local emprestou uma corda para que os fiéis passassem a berlinda. Desde então, foi incorporada às festividades e passou a ser o elo entre Nossa Senhora de Nazaré e os fiéis.

O Círio 2024

O Círio de Nazaré é uma realização da Arquidiocese de Belém, Basílica Santuário de Nazaré, Diretoria da Festa de Nazaré, Governo do Estado do Pará e Prefeitura de Belém.

Até o momento, a Festa de Nazaré tem como patrocinador master o Banpará e patrocínio de Alubar, Belágua, Belém Bioenergia Brasil, Cresol, Econômico Comércio de Alimentos, Equatorial Energia, GAV Resorts, Gráfica Miriti, Grupo Mônaco, Guamá Resíduos, Hospital Porto Dias, ITA Center Park, Hydro, Reinafarma, Uniesamaz, Unimed e Tramontina. Como apoiadores master Alucar, Bagliolli Dammski Bulhões e Costa Advogados, CN Produções e Jefferson. E mais 76 apoiadores.

Uso profilático do extrato de própolis pode representar solução promissora no tratamento da sepse

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Pesquisadores do Laboratório de Imunofisiologia (LIF) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) descobriram um potencial aliado no combate à sepse no extrato de própolis verde. A pesquisa, realizada em parceria com a empresa Apis Flora, revela resultados significativos sobre o uso profilático do extrato padronizado de própolis de Apis mellifera (EPP-AF®). Os estudos demonstram que o uso profilático desse extrato pode reduzir a inflamação pulmonar e aumentar a sobrevivência em modelos experimentais de sepse letal. Os resultados da investigação foram publicados na Revista de Etnofarmacologia, sugerindo uma solução promissora para o tratamento da sepse, uma condição de inflamação sistêmica que leva a alta mortalidade.

O estudo faz parte da dissertação de mestrado de Dimitrius Gabis, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde e Tecnologia (PPGST), orientado pela professora do departamento de Patologia e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UFMA de São Luís Flavia Nascimento com colaboração do professor do curso de Medicina e do Programa de Pós-Graduação em Saúde e Tecnologia do Câmpus de Imperatriz Aramys Reis.

Leia também: Extrato de própolis pode auxiliar no fortalecimento da imunidade

O artigo cientifico ‘Prophylactic use of standardized extract of propolis of Apis mellifera (EPP-AF®) reduces lung inflammation and improves survival in experimental lethal sepsis’ também teve participação de Thiare Fortes, Jefferson Brito, Luis Douglas, Liana Trovão, Aluisio Oliveira, Patrícia Alves, André Vale, Ana Paula Santos, Marcia Maciel, Rosane Guerra, Afonso Abreu, Lucilene Silva e Andressa Berretta.

O extrato de própolis, conhecido por suas propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras, mostrou-se eficaz na proteção contra a inflamação pulmonar e na melhoria da sobrevivência em um modelo de sepse induzida em camundongos tratados profilaticamente com EPP-AF®.

Dimitrius Garbis explica os pontos centrais do resultado da pesquisa, destacando a grande relevância para a saúde pública devido aos seguintes aspectos:

Impacto na Saúde Pública: a sepse é uma das principais causas de mortalidade global, representando um desafio significativo para os sistemas de saúde. Portanto encontrar novas alternativas terapêuticas, como o extrato de própolis, que demonstrou reduzir a inflamação pulmonar e melhorar a sobrevivência em modelos experimentais de sepse, pode ter um impacto positivo na gestão e no tratamento dessa condição grave.

Potencial Terapêutico: o uso tradicional do própolis na medicina popular para tratar doenças inflamatórias e infecciosas sugere um potencial terapêutico significativo. Os resultados desse estudo indicam que o extrato de própolis pode ser um tratamento adjuvante eficaz para pacientes com sepse, potencialmente melhorando os desfechos clínicos e a sobrevivência.

Desafios e Oportunidades: apesar dos resultados promissores, segundo Dimitrius, é necessário realizar mais pesquisas clínicas para validar a eficácia e segurança do uso do extrato de própolis em pacientes com sepse. Além disso, é fundamental considerar a padronização dos extratos, a dosagem adequada e possíveis interações com outros tratamentos. Superar esses desafios pode abrir novas oportunidades no campo da terapia adjuvante para a sepse.

“Em resumo, o estudo sobre o extrato de própolis na sepse letal representa uma contribuição significativa para a saúde pública, destacando a importância de explorar terapias alternativas e complementares para melhorar o manejo clínico e os desfechos dos pacientes com essa condição grave”, esclarece Dimitrius.

Como orientadora da pesquisa, Flávia Nascimento acrescenta as principais contribuições do estudo em alcance da sociedade. “O grupo de pesquisa do Laboratório de Imunofisiologia já vem estudando própolis há muitos anos. Nós temos demonstrado efeitos importantes na modulação da resposta imune, em especial, na regulação da resposta inflamatória. O uso desse produto, como suplemento alimentar, está ao alcance da maioria da população e permite que as pessoas possam modular sua resposta imune, tornando-a mais eficaz, entretanto sem respostas exacerbadas.  Além disso, o estudo e uso de própolis agrega valor a este produto, o que permite que criadores de abelhas possam obter uma fonte alternativa de renda, além da venda do mel”, aponta. 

Ao ser questionado sobre os avanços da pesquisa para além do conhecimento científico, o professor Aramys Reis pontua:

“A própolis é um dos produtos naturais mais estudados atualmente, com efeitos comprovados na regulação da resposta imune e ação antibacteriana. Pela primeira vez, nosso estudo mostrou que essa própolis pode melhorar o quadro de sepse em modelos experimentais. Assim, essa pesquisa abre caminho para novas abordagens terapêuticas que podem reduzir a mortalidade e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, oferecendo alternativas naturais e econômicas aos tratamentos convencionais. Embora sejam necessários estudos clínicos adicionais para validar seu uso em humanos, já existem evidências de segurança e eficácia em outros contextos, como no tratamento de pacientes com covid-19, em que a própolis reduziu o tempo de internação. Esse estudo reforça a importância dos ensaios clínicos para confirmar os benefícios terapêuticos da própolis em sepse’’, salienta.  

O estudo foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

*Com informações da Universidade Federal do Maranhão

Rios Negro, Amazonas e Solimões iniciam processo de vazante, anuncia SGB

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O mês de julho começa com registros de descidas em alguns trechos dos rios Negro, Amazonas e Solimões. Isso sinaliza o início do processo de vazante nesses rios que compõem a Bacia do Amazonas, conforme indica o Serviço Geológico do Brasil (SGB). Após registrarem cheias de menor intensidade, os rios avançam para o período de estiagem.

O SGB realiza o monitoramento dos rios da Bacia do Rio Amazonas e disponibiliza os dados, em tempo real, por meio da plataforma do Sistema de Alerta Hidrológico.

“O Rio Negro, em Manaus, iniciou a semana com descidas de um centímetro por dia. Observamos também declínios na região do Alto Rio Negro”, explica a pesquisadora em geociências do SGB, Jussara Cury.

Em Manaus, a cota registrada na manhã desta segunda-feira (1) foi de 26,77 m. No dia 21 de junho, o rio registrou o pico da cheia na capital amazonense: 26,85 m.

De acordo com Jussara Cury, também foram registradas descidas no Rio Solimões, em Fonte Boa, Coari e Manacapuru. Já em Tabatinga, o cenário é diferente: “No final da semana, o rio apresentou subidas que indicam o retorno do período chuvoso na Região dos Andes, com chuvas acima do normal para esse período que é de início de vazante”.

No Rio Amazonas, foram registradas descidas médias diárias de 2 cm em Itacoatiara. “Essa recessão é normal para o período, mas na região os níveis estão baixos para a época”, pontua a pesquisadora do SGB. A cota observada é de 12,10 m, sendo que o esperado em Itacoatiara para a data de hoje seria de 13,03 m.

Níveis abaixo da média também já são observados na margem direita da Bacia do Amazonas, nos rios Madeira, Acre e Tapajós. O cenário é monitorado pelo SGB.

Cheias no Rio Branco

O Rio Branco, em Roraima, ainda está em processo de enchente. Em Boa Vista (RR), a cota observada na manhã desta segunda-feira (1) foi de 7,21 m (a cota de alerta é de 8 m). Em Caracaraí (RR), a marca mais recente é de 8,08 m (a cota de alerta é de 8,5 m). Há previsões de chuvas concentradas na Bacia do Rio Branco para os próximos dias.

Livro analisa obra de Paul Le Cointe sobre a Amazônia e apresenta diário inédito de viagem

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O livro ‘Viagem circular de Paul Le Cointe’ compartilha com o leitor o diário da viagem ao rio Madidi do naturalista francês Paul Le Cointe (1870 – 1956), um panorama amplo de diferentes aspectos da produção de borracha no corredor formado pelos rios Madidi – Beni – Madre de Dios – Mamoré – Madeira. E, além do diário, ‘Viagem circular’ traz também um estudo biográfico de Le Cointe, uma análise do contexto histórico do diário e um ensaio sobre a obra do naturalista.

A publicação é resultado de cooperação franco-brasileira envolvendo quatro pesquisadores – os historiadores Nelson Sanjad, Heloisa Bertol Domingues e Patrick Petitjean e a antropóloga Emilie Stoll. A parceria acadêmica teve início após a entrega dos originais do diário de Paul Le Cointe à editora do Museu Paraense Emílio Goeldi pelo premiado jornalista Lúcio Flávio Pinto, que o recebeu como herança da química e estudiosa da Amazônia, Clara Pandolfo.

Os temas do livro, o resgate do diário e os personagens icônicos da história da Amazônia envolvidos  nessa saga foram o assunto do Seminário ‘Paul Le Cointe na Amazônia: colonialismo e ciência no contexto da economia da borracha,  1890 – 1920’, nesta segunda-feira (1°), no Centro de Exposições Eduardo Galvão, no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, com a participação dos organizadores da publicação, co-editada pelo Museu Goeldi, Projeto Emergence(s) Ville de Paris Exorigins, da Prefeitura de Paris e o Museu de Astronomia e Ciências Afins.

Paul Le Cointe

O historiador Nelson Sanjad, pesquisador do Museu Goeldi e editor de Viagem Circular, juntamente com a historiadora Heloísa Bertol Domingues (MAST) e a antropóloga Emilie Stoll (CNRS), conta que o naturalista francês chegou à Amazônia em 1891 para explorar a Guiana e o Amapá, mas, por razões políticas, o projeto foi cancelado pelo governo da França. No Brasil, Le Cointe se fixou em Óbidos, onde trabalhou como agrimensor e cônsul, depois foi contratado para gerenciar um seringal na Bolívia, no rio Madidi, afluente do Beni. “É essa viagem, de Óbidos ao Madidi (e o retorno ao Brasil após trágicos acontecimentos), que ele descreve no diário”, esclarece o historiador.

Apesar de algumas de suas obras já serem conhecidas, entre elas seus escritos sobre o cultivo de cacau e borracha e as observações sobre as características naturais e sociais da região amazônica, a publicação de seu diário pessoal sobre a viagem ao rio Madidi ainda é inédita. Sanjad também destaca que “Le Cointe foi autor de vasta obra sobre a Amazônia e o Pará, como os clássicos ‘Amazônia Brasileira’ e ‘O Estado do Pará’.

Foi pioneiro nos estudos fitoquímicos de espécies amazônicas, tendo influenciado toda uma geração de químicos brasileiros. Também foi autor de ensaios capitais sobre as possibilidades de desenvolvimento da Amazônia, tendo elaborado o primeiro projeto para a criação da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia – SPVEA, que originou a atual Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia – SUDAM”.

Considerado como um importante testemunho sobre a produção da borracha na Amazônia no auge da economia gomífera ao observar e descrever a atuação e o envolvimento de diferentes grupos e seus interesses no sistema produtivo da hevea brasiliensis, desde investidores, burocratas, milícias armadas a trabalhadores, geralmente migrantes empobrecidos e povos indígenas escravizados, Sanjad lembra que, sendo um documento datado, o diário de viagem de Paul Le Cointe deve ser contextualizado, por isso não foi apenas relançado, mas reeditado.

“O diário da viagem ao rio Madidi fornece um panorama inédito da infraestrutura de produção de borracha no corredor formado pelos rios Madidi-Beni-Madre de Dios-Mamoré-Madeira, incluindo as principais propriedades, o contingente humano, a produção econômica, os meios de transporte, as condições de navegação e de saúde, o processo de urbanização etc., além de uma crônica social sarcástica e, por vezes, bastante racista. Este diário pode ser considerado um dos melhores testemunhos de época sobre o violento processo colonial que integrou a Amazônia ao capitalismo mundial a partir da exploração da borracha”, explica o pesquisador que também já biografou o suíço Emílio Goeldi, cientista que consolidou o Museu Paraense, e que está incorporado no nome da instituição.

Além do diário, a obra traz um estudo biográfico produzido pelo historiador francês Patrick Petitjean, uma análise do diário feita pelo professor Sanjad em coautoria com a antropóloga Emilie Stoll e um ensaio sobre a obra de Le Cointe assinado pelos três pesquisadores.

A descoberta do Diário

O livro Viagem Circular foi prefaciado pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto, guardião do texto original, e quem solicitou ao Museu Goeldi a produção da publicação que será lançada nesta segunda (1° de julho).

Lúcio Flávio lembra que o diário original chegou até ele por intermédio da então chefe do Departamento de Recursos Naturais da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), Clara Pandolfo, que deixou o diário como presente ao jornalista depois de anos de amizade. 

“Durante muitos anos eu a visitava no seu gabinete. Das entrevistas ao repórter, passamos a conversas mais longas, autênticas aulas que ela me concedia. Antes de morrer, ela disse aos parentes que o diário de Paul Le Cointe, que foi seu professor, era meu. Avisado pelos parentes, que não sabiam onde estava o documento, fui atrás dele, onde eu o tinha visto certa vez. E assim herdei o diário”, lembrou Lúcio Flávio Pinto.

Agraciado com quatro prêmios Esso e dois da Federação Nacional dos Jornalistas, por seu trabalho em defesa da verdade e contra as injustiças sociais, Lúcio Flávio, também sociólogo de formação, avalia que a publicação oferece ao leitor a preciosa oportunidade de comparar as transformações ocorridas na região do Rio Madeira, parte brasileira da viagem do naturalista e um dos principais afluentes do Rio Amazonas.

Um século após a passagem de Paul Le Cointe, a área viria abrigar duas das maiores hidrelétricas do mundo, ter intensa movimentação de embarcações transportando principalmente soja e ser impactado por um terrível garimpo de ouro.

Conhecedor da história e da realidade amazônica, Lúcio Flávio Pinto, após analisar a publicação Viagem Circular, considera que o público receberá uma grande obra de referência. 

“O resultado do trabalho é de alto nível, centrado no diário, mas contextualizando a sua época e atualizando e aprofundando o conhecimento do vale do rio Madeira”, pontua o jornalista, autor de 21 livros sobre a Amazônia e leitor voraz.

O livro

‘A viagem circular de Paul Le Cointe’ é um livro de capa dura com 484 páginas, com imagens e encarte do mapa do trajeto da viagem. O lançamento ocorreu durante o Seminário ‘Paul Le Cointe na Amazônia: colonialismo e ciência no contexto da economia da borracha,  1890 – 1920’ e está disponível gratuitamente no formato de e-book no portal do Museu Goeldi.

Já os interessados em adquirir a versão impressa do livro, que serão entregues apenas em agosto, devem reservar o exemplar no Seminário de lançamento ou clicando nesse link. O preço de capa do livro ‘A viagem circular de Paul Le Cointe’ é de R$190,00 (cento e noventa reais) com desconto para reservas realizadas até 2 de julho. 

A publicação estará disponível para venda a partir de agosto na Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna, no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, localizado na Avenida Perimetral, n°1901, e na Travessia Livraria, na Alcindo Cacela, em Belém (PA).

*Com informações do Museu Paraense Emílio Goeldi

Retirada de intrusos em Terra Yanomami é reforçada pelo MPI e operação prossegue

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O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) assinou no dia 28 de junho, quatro atos de descentralização de crédito extraordinário do MPI para garantir o prosseguimento das ações em terras indígenas Yanomami, no valor total de 3 milhões de reais. Coordenado pelo MPI, o comitê liberou recursos que serão distribuídos para quatro instituições em ações de combate a atos ilícitos na TI Yanomami.

O Comitê Interministerial de Desintrusão de Terras Indígenas foi criado por decreto pelo presidente Lula e coordena ações de desintrusão em todo o país. Atualmente, além da TI Yanomami, atua também na TI Caripuna.

Os recursos são para as agências que atuam na TI Yanomami no combate e fiscalização de ações ilegais cometidas na região. Para a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a verba é para fiscalizar, monitorar e coibir a venda ilegal de combustível em postos que abastecem aeronaves que operam ilegalmente em terra Yanomami. 

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) vai receber recursos para fazer a fiscalização e monitoramento do uso de vários resíduos que são usados ou extraídos, como o mercúrio, e os minerais como cassiterita e até ouro ilegal, nas margens de rios e acessos por estrada ao território.

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) vai garantir a continuidade da fiscalização, identificação e destruição de pistas clandestinas dentro e fora da TI Yanomami. E a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) receberá apoio financeiro para o trabalho de inteligência, prevenção e monitoramento dos novos garimpos, do deslocamento desses garimpeiros ilegais na terra Yanomami e de acompanhamento e monitoramento de pontos já existentes de garimpos, e ações de desmatamento da região com ações efetivas e repressivas no combate e toda a logística empregada ilegalmente na TI Yanomami.

Participaram da reunião, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) coordenado por Marcos Kaingang (SEDAT), além de representantes dos Ministérios da Justiça, da Defesa, do Meio Ambiente, Ministério Público Federal (MPF), Procuradoria Geral da República (PGR), Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e dos órgãos: FUNAI, PF, ANTT, ANP, ABIN, ANAC e INCRA.

Para Marcos Kaingang, “fortalecer a parceria e garantir a permanência das agências dentro e fora das terras indígenas é crucial para assegurar a eficiência e a efetividade das ações que vem sendo feitas no combate e repressão aos crimes feitos na terra indígena dos Yanomami”, declaro

*Com informações do Ministério dos Povos Indígenas

Saudade já? Confira galerias com alguns dos melhores momentos de Caprichoso e Garantido no Festival de Parintins

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O 57° Festival Folclórico de Parintins encerrou nesta segunda (1°) com a consagração da vitória do boi-bumbá Caprichoso, que conquistou seu tricampeonato e o 26° título de sua história. O bumbódromo da Ilha da Magia foi tomado por torcedores que aguardavam a contagem das notas para saber o resultado da disputa com o boi Garantido.

Por três noites, entre 28 e 30 de junho, os bois se apresentaram por cerca de 2h30 diariamente, mostrando a rivalidade que alimenta uma das maiores festas populares brasileiras. Confira alguns dos melhores momentos:

Caprichoso

Fotos: Arthur Castro, Pedro Coelho, Alexandre Vieira, Michel Amazonas e Arleison Cruz

Garantido

Fotos: Mauro Neto e Euzivaldo Queiroz

Tricampeão: Caprichoso vence o 57° Festival Folclórico de Parintins

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O boi-bumbá Caprichoso é o grande campeão do 57° Festival Folclórico de Parintins, conquistando seu tricampeonato. Em três noites de festival, entre 28 e 30 de junho, o boi da estrela azul se consolida tricampeão após quase 30 anos de hiato de seu primeiro título de tri.

O boi Caprichoso levou o tema ‘Cultura – O Triunfo do Povo’ este ano e abriu o festival com o subtema ‘Raízes: o entrelaçar de gentes e lutas’. Na segunda noite de apresentações, sábado (29), o bumbá também abriu, com o subtema ‘Tradições: o flamejar da resistência popular’. Na última noite de disputa o boi Caprichoso fechou as apresentações com o subtema ‘Saberes: o reflorestar das consciências’.

O bumbá foi o vencedor da primeira noite (28 de junho) por um décimo de diferença. Já na segunda noite houve empate. A decisão ficou por conta da terceira noite, 30 de junho, consagrando o Caprichoso vencedor.

Os bois Caprichoso e Garantido foram avaliados por nove jurados que atribuíram notas para 21 itens, divididos em três blocos:

A – Comum/Musical (Itens: Apresentador, Levantador de Toadas, Marujada de Guerra e Batucada, Amo do Boi, Toada – Letra e Música, Galera e Organização do Conjunto Folclórico);

B – Cênico Coreográfico (Itens: Porta Estandarte, Sinhazinha da Fazenda, Rainha do Folclore, Cunhã-poranga, Boi bumbá: evolução, Pajé e Coreografia);

C – Artístico (Itens: Ritual, Povos Indígenas, Tuxauas, Figura Típica Regional, Alegorias, Lenda Amazônica e Vaqueirada).

Echos da Amazônia: Terra, Café e Sustentabilidade, o Futuro da agricultura familiar na Amazônia

O cultivo do café possui uma ligação clara com a agricultura familiar, sendo uma importante fonte de renda para pequenos agricultores na região amazônica. A dona Paula mora na comunidade São João Batista, localizada na estrada de Silves (AM), a cerca de 330 km distante de capital Manaus (AM), ela conta que viu no sonho do pai a inspiração para iniciar a produção de café.

“Eu sempre tive o sonho de plantar e colher café, foi um sonho do meu pai, mas infelizmente não tivemos a oportunidade de fazer essa plantação. Hoje com a ajuda da família e da associação, começamos a produzir para e ter uma colheita boa e nossa expectativa para essa primeira colheita é de 50 sacas de café, que será uma renda a mais para nossa família.’, destacou Paula de Assunção Amaral, agricultora.

No Brasil, o café é uma das principais commodities agrícolas, contribuindo significativamente para o PIB nacional e para a geração de divisas. Diante da importância do setor cafeeiro, diversas associações e entidades têm desenvolvido projetos e iniciativas para promover o desenvolvimento sustentável da cafeicultura, beneficiando tanto a população quanto os agricultores envolvidos na produção de café.

Com o apoio de empresas privadas, o projeto Agro Floresta, apoia o desenvolvimento das comunidades de Silves. A Eneva, por exemplo, estabeleceu uma parceria técnica com o Instituto Belterra para a construção de um programa de desenvolvimento de territórios agroflorestais na região do projeto Azulão, no estado do Amazonas. Com o objetivo de fomentar negócios de impacto socioambiental positivo, o programa visa desenvolver e expandir Sistemas Agroflorestais (SAFs), gerando renda e emprego para as comunidades locais através da criação de florestas produtivas em áreas degradadas.

“Hoje são 40 associados em geral, então nós trabalhamos com oficinas, capacitação, consultoria técnica para que eles possam se desenvolver enquanto agricultores com essa cultura do café.”, destacou William Borges, assistente social da Eneva.

Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) são uma alternativa produtiva e regenerativa, desempenhando um papel fundamental na prevenção do esgotamento de recursos naturais e fomentando o desenvolvimento da bioeconomia. Ao combinar culturas de ciclos curtos e longos no mesmo espaço, os SAFs estabelecem um sistema de produção de alimentos que satisfaz as necessidades alimentares e também promove a revitalização do solo.

“Decidimos estruturar uma estratégia com uma visão de mais longo prazo, abrangendo o fortalecimento de todos os elos da cadeia produtiva da bioeconomia, e potencializando os impactos positivos para natureza, pessoas e clima. O plano de desenvolvimento irá aprimorar os meios de subsistência das comunidades agrícolas locais, ao mesmo tempo em que promoverá a regeneração do solo, a recuperação da biodiversidade e a remoção e armazenagem de carbono da atmosfera”, destaca Flavia Heller, diretora-executiva de Estratégia e ESG da Eneva.

Foto: Divulgação/Eneva

A Associação Solidariedade Amazônia (ASA), é uma das associações do município que recebe esse apoio e pretende desenvolver a região de Silves através da produção de café Robusta Amazonas, e consequentemente garantir um rendimento digno de forma sustentável às famílias. São 20.000 pés de café que são cultivados em diferentes terrenos: 2 hectares estão na sede da associação, os outros nos lotes dos agricultores que os possuem. As plantações estão espalhadas por um raio de 30 km ao longo da estrada Várzea a 35 km de Silves, vila em uma ilha do Rio Urubu que tem aproximadamente 8.000 habitantes. A associação não apenas apoia esses produtores na melhoria de suas técnicas agrícolas, mas também promove a preservação do meio ambiente.

“Nós pensamos que não vamos conseguir fazer 10 ou 20 hectares de plantações, então estudamos muito e chegamos a conclusão que é melhor trabalhar em pequenas áreas com tecnologia e grandes produções e com qualidade para manter a floresta de pé”, destacou Roque Lins, vice-presidente da associação

À medida que o projeto avança, a produção de café de primeira qualidade, aliada a práticas ecologicamente corretas, representa um futuro promissor para a região e para as gerações que nela vivem.

Echos da Amazônia tem o apoio da Eneva e a realização da Fundação Rede Amazônica.

Antônio Bernardo Andorinha, um português na Aurora Lusitana

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

Tenho tanto medo do percurso, que a luz que trago é uma 
simples vela que mal ilumina um palmo a minha frente.
Por isso compartilho com todos e deixo claro que sou
um mero aprendiz de posse de uma frágil luz em mãos
que pode a qualquer momento com um sopro ser apagada.
Esse medo que me acompanha é o bom senso dos
passos humildes em direção ao conhecimento.
- Paulo Ursaia

A Instituição Maçônica cuja origem é motivo ainda hoje, de paciente perquirição, ensejando as mais diversas opiniões, todas elas porém, demonstrando o caráter universalista da Ordem, sempre se constituiu em um tema apaixonante de apreensão da inteligência humana. É muito difícil por certo, a sua conceituação uniforme, uma vez que seu processo de expansão e evolução acompanha os fatos que se desenrolam entre os homens gerando as motivações mais civilizadoras.

[…] Segundo o estudioso dos assuntos maçônicos Alfredo de Paiva, a maçonaria é uma associação universal e filosófica, reflexo sempre de nobres tendências inspiradas na mais perfeita tolerância pelas crenças individuais”.

Fonte: VALLE, Rodolpho. Centenário Maçônico. Manaus, 1972. Pág.: 15

Nos momentos mais inquietantes que o mundo atravessa de guerras, tumultos de paixões, campanhas de descredito, febre de riqueza, luxo desvairado, conflito violento de ideias.

Senhor Antonio Bernardo. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

[…] Segundo o autor Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro, a Maçonaria no vasto campo moral que possui tem bálsamo para todas as dores e aflições, remédio para todos males e é, uma força que não se gasta, não se dissipa, no tratamento que deve ao próximo que sente necessidade de amparo e socorro”.

Fonte: VALLE, Rodolpho. Centenário Maçônico. Manaus, 1972. Pág.: 15

Sem dúvida ela é uma instituição que ensina o valor eterno dos princípios de cultura humana e individual no independente dos lugares e das épocas, proporciona aos indivíduos as suas agrupações, a noção clara e certa da solidariedade do amor, do direito, da justiça e da liberdade. A instituição maçônica adota desde a origem a trilogia liberdade, igualdade e fraternidade, consagrando a luta dos povos oprimidos pelos governos absolutistas.

Tanto na Europa quanto na Ásia, por toda parte onde ela pode exercer sua influência, teve a glória de vencer pelas armas da persuasão e pelo poder do exemplo, a insaciável avidez das paixões políticas e religiosas e de levar a ordem e a paz por toda a parte onde o espírito revolucionário implantou a discórdia e a guerra. E ao seu zelo por causa tão santa que se atribui a longa tirania que ela teve que suportar de todos os poderes que não marcharam nas veredas da justiça. Como ocorreu em tempos mais recentes na pátria mãe Portugal quando da instalação da tirania do Regime Salazarista imposto por Salazar na pátria mãe.

Foto: Roumen Koynov

Grande Benemérita Loja Simbólica Aurora Lusitana oferece a verdadeira luz ao português Antônio Bernardo Andorinha

A Grande Benemérita Loja Simbólica Aurora Lusitana fundada por portugueses no dia 20 de junho de 1897, em um jantar na residência do maçom Abel Nunes Thompson de Quadros, cuja, principal ordem era acolher portugueses natos, muitos foram aqueles que lá se destacaram dentre eles o português radicado em Manaus, Antônio Bernardo Andorinha, que recebeu a verdadeira luz por iniciação no Grau de Aprendiz Maçom no dia 18 de março de 1944, ingressando assim, mais um português que viria com a força do sangue lusitano reforçar as colunas daquela loja e se juntar a tantos outros portugueses que ajudaram a caminhada centenária da referida loja.

Sua trajetória na busca dos conhecimentos maçônica lhe permitiu que no dia 22 de maio de 1944 recebia por merecimento, frequência e doação o Grau de Companheiro Maçom na sua Loja Mãe. O tempo foi passando, os ensinamentos foram sendo ministrados e ele por dedicação foi merecedor de receber sua Plenitude Maçônica no Grau de Mestre Maçom no dia 22 de julho de 1944, permitindo assim, a conquista de seus méritos em sua Loja Mãe. O agora Mestre Maçom Antônio Bernardo Andorinha continuou sua luta no templo de sua loja contra as fraquezas morais, promovendo a virtude e a integridade, tão necessárias para a construção de uma sociedade mais justas e equitativa dentro dos princípios de sua formação moral e de generosidade para com a Instituição.

Foto: Roumen Koynov

Foi um maçom dedicado as causas humanas e acompanhou desde sua iniciação as normas disciplinadoras de seu comportamento e de suas atividades, adaptando-se ao processo de desenvolvimento espiritual e moral de sua vida. Para se conhecer na verdade em toda sua extensão a passagem desse português pelos quadros como obreiro e Mestre Maçom Antônio Bernardo Andorinha, em todas suas minucias e me todas suas ações enquanto viveu entre nós é fundamentalmente indispensável saber como ele aqui chegou, como se aclimatou no país e na cidade que o recebeu e de que forma exerceu sua função como cidadão, esposo, pai e irmão de nossa ordem.

Cumpre saber como ele trabalhou e contribuiu de forma importante para manutenção da colunas portuguesas da Grande Benemérita Loja Simbólica Aurora Lusitana. Foi um maçom constante metódico, consciente generoso, abnegado e amigo tantas vezes daqueles que estiveram em sua volta. Sua atuação econômica permitia que no aniversario da Loja fosse destinado um boi de uma de suas fazendas para ser produto de um leilão cuja renda era destinada a sua Loja Mãe. Essas verdade históricas resultam de um espirito de luta desse bravo irmão lusitano que se deslocou de sua pátria para desbravar nossa terra e principalmente promovendo o crescimento de nossa região.

Como chefe de família a sua conduta foi exemplar, como maçom dedicado teve uma vida irrepreensível. Considerado um homem de elevada alma nobre, mas sábia e sublime foi sua participação na maçonaria a época. Como maçom esteve intimamente convencido de que a maçonaria é a obra mais completa que o homem produziu e de que, como Instituição humana dispõem melhor do que qualquer outra de todas as instituições precisas para tornar o homem feliz, levando-lhe o moral, retratando-lhe os instintos, desembaraçando do fanatismo religioso, tornando-o um homem bom e justo, tolerante e sociável, sem ódios a satisfazer sem vinganças a pôr em prática, pronto a qualquer sacrifício em proveito da liberdade e a justiça, onde quer que os tiranos tentem ofuscar o espírito humano, eram de fato seus princípios de vida.

Por um longo período durante todas as noites trabalhou em sua oficina no Oriente de Manaus, dando-lhe salutar exemplo de uma dedicação sem limites, de uma correção irrepreensível, ensinando os portugueses neófitos, aconselhando os inexperientes a todos carinhosamente envolvendo no manto augusto de sua bondade inesgotável. Homem simples mas vezes calado sem pretensões de ser o dono da palavra, contudo, guardava força para a solidariedade. Quem quer ainda creia nos altos desígnios de Deus sobre o homem na face da terra, quem ainda não tenha todo descrito da ação civilizadora nos destinos da humanidade, quem quer ainda não se tenha tornado em absoluto indiferente ao movimento regenerador que as conquistas do espírito humano vão operando na vida de um homem, este era o maçom dedicado a Grande Benemérita Loja Simbólica Aurora Lusitana, Antônio Bernardo Andorinha.

Foto: Roumen Koynov

As raízes portuguesas de Antônio Bernardo Andorinha

Nasceu no dia 13 de setembro de 1906 em Armamar – Arícera (Conselho da Régua), veio para o Brasil porque seu pai José Bernardo na época já viúvo não permitiu que após a conclusão dos estudos no Liceu, muda-se para a cidade de Coimbra, a fim de se matricular na tradicional Universidade de Coimbra.

Com a ideia de não permanecer na aldeia que lhe servira de berço e querendo ir em busca de novos horizontes logo vê a ideia de transferir-se para o Rio de Janeiro, pelo fato de lá já residirem alguns primos. No entanto, a influência de um amigo de infância Delfim da Costa, com quem se trocava correspondia e já estava em Manaus alguns anos, exercendo a profissão de barbeiro e que tinha alcançado algum êxito.

Transcorria o ano de 1929, embalado pelo que confirmava, amiúde, ser Manaus uma bela e pacata cidade. Aqui foram tempos difíceis, seu primeiro emprego foi na então chamada Colônia de Alienados (Hospício Eduardo Ribeiro no Bairro de Flores). Com o passar do tempo, seu diretor Urbano Nôvoa, tornou-se um inigualável amigo, sentimento que os uniu até a morte. Ali permaneceu durante um pouco mais de ano, apesar das instâncias feitas pelo Diretor Urbano, inclusive com melhoria salarial, porem, saiu porque tinha um objetivo: Queria ser seu próprio empregado independente de qualquer vinculo empregatício com qualquer que fosse. Assim o fez. A princípio no Mercado Municipal Adolpho Lisboa, com uma venda de carne bovina, é nesta oportunidade que ganhou o carinhoso apelido de Andorinha e que acabou por incorporá-lo ao seu nome.

Alguns anos passaram-se trabalhando por sua proporia conta e risco, a atuar no Matadouro Municipal, também conhecido como (curro), quando abatia o gado adquirido no Baixo Amazonas e o revendia para açougues e bancas do mercado municipal. Em 1943 comprou sua primeira fazenda, a São José e anos após mais três, todas no município do Careiro, conseguindo nelas fazer a engorda do rebanho que vinha do então Território do Rio Branco e do Baixo Amazonas

Com sua visão comercial acabou por eliminar o atravessador, que lhe encarecia o produto, trazendo-o ele próprio de suas fazendas para o matadouro nas embarcações de sua propriedade. Era pois, numa pessoa só, o produtor, o criador e o vendedor direto do produto o que lhe permitiu durante anos consecutivos ser o principal senão o único fornecedor de carnes bovinas aos quartéis, hospitais, educandários e a maior parte dos açougues e trabalhadores. Em 1956 fundou a Marchantaria Imperial da qual foi presidente ate sua morte e que era integrada por todos os marchantes importantes e poderosos da época.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista