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Entenda como a falta de clareza do conceito de ‘bioeconomia’ pode prejudicar a Amazônia

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Biotecnologia, biorrecursos, biomassa, biogás, biocombustíveis, produtos de biodiversidade de valor agregado, economia ecológica… São muitos os termos, conceitos, produtos e processos que envolvem o que a comunidade científica atualmente chama de Bioeconomia. E é essa amplitude do termo, ou falta de clareza, que pode colocar em risco a sustentabilidade dos ecossistemas e populações amazônicas, segundo estudo publicado no periódico internacional Ecological Economics.

O artigo “A falta de clareza sobre o conceito de bioeconomia pode ser prejudicial para os ecossistemas amazônicos e seus povos“, afirma que a bioeconomia é um termo amplo com diferentes significados e que pode se adequar a diferentes agendas científicas, políticas e mercadológicas.

Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

Para os países amazônicos e sua diversidade de contextos regionais, o trabalho recomenda o termo “sociobioeconomia” como uma das abordagens mais adequadas.

A Amazônia é a região de maior biodiversidade do mundo, lar da maior floresta tropical do planeta, que é o centro da regulação climática global, e tem uma população de cerca de 30 milhões de pessoas. A região contém 59% do território brasileiro, 70% de todas as áreas protegidas continentais e 83% de todas as terras indígenas do Brasil.

Sociobiodiversidade

Um conceito que expressa a inter-relação entre a diversidade biológica e a diversidade dos sistemas socioculturais. É a combinação de todos os organismos vivos na natureza, pessoas, cultura e tradições. 

Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

Diferentes conceitos e narrativas

O grupo de pesquisadores discutiu os termos e conceitos em uso e avaliou seu impacto na tomada de decisão sobre políticas públicas para o desenvolvimento da Amazônia. A trajetória do conceito envolve três visões, segundo a literatura científica: a bioeconomia biotecnológica, focada em tecnologias intensivas em ciência para aumentar a eficiência ambiental; a bioeconomia de biorrecursos, que propõe aumento da produtividade e intensificação do uso da terra; e a bioeconomia focada em processos ecológicos que promovam a biodiversidade, entre outras questões.

Para a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO),por exemplo, bioeconomia é “Produção, utilização, conservação e regeneração de recursos biológicos – incluindo conhecimento relacionado, ciência, tecnologia e inovação – para fornecer soluções sustentáveis (informações, produtos, processos e serviços) em todas as áreas econômicas, possibilitando a transformação para uma economia sustentável”.

Já para a Comissão Europeia, bioeconomia é termo “relacionado a todos os setores de produção primária que utilizam e produzem recursos biológicos (agricultura, silvicultura, pesca e aquicultura) e a todos os setores econômicos e industriais que usam recursos e processos biológicos para produzir alimentos, rações, produtos de base biológica, energia e serviços”.

A bioeconomia, portanto, como atesta a pesquisadora, é pensada ou tratada de acordo com as necessidades de cada segmento social e com as especificidades de cada país ou região. “Alcançar consenso sobre termos e princípios fundamentais não é apenas uma questão de semântica. Novos campos de atuação trazem novas visões e narrativas que disputam recursos, investimentos e políticas públicas. Dessa forma, as narrativas dominantes têm o poder de definir futuras estratégias de desenvolvimento para a Amazônia”, afirma Ferreira.

Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

Sociobioeconomia para a Amazônia

Pelo fato de o termo ser ambíguo e pouco claro, a bioeconomia, dependendo de sua abordagem, pode também causar impactos negativos ao ambiente. Os pesquisadores apontam o exemplo da produção do fruto do açaí (Euterpe oleracea Mart.), que é o produto da bioeconomia mais proeminente da Amazônia e o primeiro a ultrapassar um valor de mercado de US$ 1 bilhão, em 2023, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Ao mesmo tempo que a produção do fruto pode promover a conservação e o empoderamento local quando manejado de forma adequada, a rápida expansão do mercado tem levado à superexploração das florestas de várzea no estuário amazônico e à erosão da biodiversidade”, aponta a pesquisadora Ima Vieira, do Museu Paraense Emílio Goeldi, que também assina o artigo. 

Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

Para o pesquisador da Embrapa Roberto Porro, também coautor da análise, o uso do termo bioeconomia precisa ser qualificado, e dar lugar ao conceito alternativo de sociobioeconomia.

Porro acrescenta que as múltiplas expressões da sociobioeconomia amazônica constituem uma abordagem inclusiva à bioeconomia, por meio da qual a Embrapa visa reposicionar as operações na região. Os pilares dessa abordagem compreendem sistemas de produção sustentáveis, agregação de valor ao conhecimento e estilos de vida locais, segurança alimentar, equidade, repartição de benefícios e redução da pobreza.

“O conceito de sociobioeconomia pode fomentar sistemas econômicos alternativos, em contraste com uma abordagem business-as-usual, pois está em linha com as relações harmoniosas entre comunidades indígenas, locais e tradicionais e seu ambiente”, afirma o artigo. Mas os autores argumentam que o termo é baseado nos valores de justiça, ética, inclusão social, conservação da biodiversidade, equilíbrio climático e conhecimento tradicional. 

*Com informações de Embrapa Amazônia Oriental

Não vemos com os olhos, mas com a mente

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

No último artigo, compartilhei a lenda da Cidade de Cristal, cujo Rei Gransábio I deixou para seu filho Iuvenis o enigma do segredo que o ajudou a criar felicidade e prosperidade para o seu reino, ao mesmo tempo em que outras civilizações, como Atlântida, sucumbiram. A resposta do enigma, mesmo hoje, não parece tão simples de compreensão: o que vemos nos outros e à nossa volta, seja bom ou ruim, é espelho do que existe dentro de nós.

Acreditamos firmemente no que vemos. É bíblica a expressão “ver para crer” e até os nossos dias não havia nada em que poderíamos confiar mais do naquilo que víamos. Bom, hoje temos a inteligência artificial que poderá modificar isto, mas ainda não ocorreu. Aliás, outra expressão antiga que ainda é muito usada é “vi com os meus próprios olhos”. Mas com que olhos enxergamos? Será que os nossos olhos são tão isentos assim?

Inicialmente, quando observamos uma pessoa, um objeto ou acontecimento, não o fazemos apenas com os olhos. Outros sentidos podem interferir em nossa percepção, a partir do que ouvimos, cheiramos ou tocamos. Somos seres sensoriais.

Passada esta etapa, o que estamos observando enfrentará filtros até se formar em nossa mente. Podemos fazer uso de generalizações, minimizações e distorções de vários tipos, a partir de nossas crenças, valores, pré-julgamentos, traumas e experiências anteriores.

Tal estímulo visual ainda precisará competir para ocupar um dos 14 bits que o cérebro é capaz de processar por segundo, ficando todo o resto no que podemos chamar de ponto cego. Para percebermos algo de um jeito ou de outro, ainda influenciará o nosso estado de ânimo do momento, em que o mesmo fato poderá nos irritar ou nos fazer sorrir. Isto sem falar no nosso estado fisiológico, de força, fraqueza, saúde ou doença.

É fácil enxergar defeitos em alguém de que não gostamos. Também é fácil achar que os nossos filhos ou netos são os mais lindos, mais inteligentes e mais especiais do que qualquer criança. Dizemos: “não é por ser minha neta não, mas ela não é mesmo especial?” A rejeição e o amor não estão no outro, mas dentro de nós.

Há pessoas que enxergam o mundo cinza e percebem defeitos em todos e em tudo. Para estas pessoas, há perigos em toda a parte e a tendência é sempre piorar. É um mundo de escassez, em que para alguém conquistar algo, alguém precisará perder. O outro pode ser uma ameaça e é potencialmente um inimigo. Poucos seriam confiáveis, porque “farinha pouca, meu pirão primeiro”. O egoísmo é apenas uma forma de autodefesa e o sistema neurológico predominante é o límbico, o de correr ou lutar. Para elas, problemas surgem para nos derrubar. Elas não são más pessoas, mas reagem ao mundo que veem. No entanto, o que estas pessoas veem não está fora, está dentro delas. O seu modelo mental cria esta realidade.

Não é preciso ser “Polyanna” para desenvolver um outro tipo de modelo mental e criar uma realidade igualmente verdadeira, mas muito mais construtiva. Há bastante o que agradecer em qualquer vida, por mais difícil que seja. O universo nos propicia muita coisa e nem é preciso falar sobre isto, de tão óbvio. As dificuldades podem ser vistas como fortalecedoras e impulsionadoras para novos caminhos. Quem comanda é o córtex frontal. Nesta visão, o mundo é um lugar de fartura e não precisamos que ninguém perca para nos beneficiarmos. Há espaço para a espiritualidade e emoções positivas. Estas pessoas também reagem ao mundo que veem. E o que elas veem não está fora, está dentro delas. O seu modelo mental cria esta realidade.

O Rei Gransábio I descobriu um segredo importante. O que vemos nos outros e à nossa volta está dentro de nós e não fora. Nosso modelo mental determina como vamos tratar o mundo e como o mundo vai nos tratar. Vale para reis. Vale para nós, pobres mortais. Afinal, não vemos com os olhos, mas com a mente.

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

XTERRA Amazônia 2024: conheça o percurso do Short Track, prova para convidados

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O XTERRA Brasil, maior festival off-road do mundo, desembarca em sua quarta edição de 2024 e realiza nos dias 19 e 20 de Julho, a etapa XTERRA Amazônia, em Novo Airão (AM). Localizada às margens do Rio Negro, a cidade amazonense é um dos principais destinos culturais e turísticos do Norte do Brasil.

O XTERRA Amazônia conta com as provas: Endurance 50k, Triathon e Trail Run de 5, 10k e 21k. “Trazer novamente o XTERRA para o Norte do Brasil é algo que toda equipe queria há muito tempo. Esse espirito de aventura está presente em todos os competidores. O estado do Amazonas, sem dúvidas, é um dos principais chamarizes do nosso país, sempre rico em cultura, esporte e preservação da natureza. Tenho certeza que os competidores vão aproveitar muito este ecossistema, os rios, selva amazônica e colocar todo espirito competitivo no momento das provas”, comentou o gerente de projetos do XTERRA Brasil, André Jubão.

Vai competir? Confira o percurso preparado para a prova exclusiva para convidados, a Short Track:

XTERRA Amazônia 2024

O XTERRA Amazônia 2024 é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e tem o apoio da Braga Veículos; Secretaria Municipal de Inovação, Indústria, Comércio e Turismo da Prefeitura de Novo Airão; Secretaria de Estado do Desporto e Lazer, do Governo do Amazonas.

XTERRA Amazônia 2024: conheça o percurso Endurance 50 km

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O XTERRA Brasil, maior festival off-road do mundo, desembarca em sua quarta edição de 2024 e realiza nos dias 19 e 20 de Julho, a etapa XTERRA Amazônia, em Novo Airão (AM). Localizada às margens do Rio Negro, a cidade amazonense é um dos principais destinos culturais e turísticos do Norte do Brasil.

O XTERRA Amazônia conta com as provas: Endurance 50k, Triathon e Trail Run de 5, 10k e 21k. “Trazer novamente o XTERRA para o Norte do Brasil é algo que toda equipe queria há muito tempo. Esse espirito de aventura está presente em todos os competidores. O estado do Amazonas, sem dúvidas, é um dos principais chamarizes do nosso país, sempre rico em cultura, esporte e preservação da natureza. Tenho certeza que os competidores vão aproveitar muito este ecossistema, os rios, selva amazônica e colocar todo espirito competitivo no momento das provas”, comentou o gerente de projetos do XTERRA Brasil, André Jubão.

Vai competir? Confira o percurso preparado para a Endurance 50k:

XTERRA Amazônia 2024

O XTERRA Amazônia 2024 é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e tem o apoio da Braga Veículos; Secretaria Municipal de Inovação, Indústria, Comércio e Turismo da Prefeitura de Novo Airão; Secretaria de Estado do Desporto e Lazer, do Governo do Amazonas.

XTERRA Amazônia 2024: conheça o percurso de 21 km

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O XTERRA Brasil, maior festival off-road do mundo, desembarca em sua quarta edição de 2024 e realiza nos dias 19 e 20 de Julho, a etapa XTERRA Amazônia, em Novo Airão (AM). Localizada às margens do Rio Negro, a cidade amazonense é um dos principais destinos culturais e turísticos do Norte do Brasil.

O XTERRA Amazônia conta com as provas: Endurance 50k, Triathon e Trail Run de 5, 10k e 21k. “Trazer novamente o XTERRA para o Norte do Brasil é algo que toda equipe queria há muito tempo. Esse espirito de aventura está presente em todos os competidores. O estado do Amazonas, sem dúvidas, é um dos principais chamarizes do nosso país, sempre rico em cultura, esporte e preservação da natureza. Tenho certeza que os competidores vão aproveitar muito este ecossistema, os rios, selva amazônica e colocar todo espirito competitivo no momento das provas”, comentou o gerente de projetos do XTERRA Brasil, André Jubão.

Vai competir? Confira o percurso preparado para a Trail Run 21k:

XTERRA Amazônia 2024

O XTERRA Amazônia 2024 é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e tem o apoio da Braga Veículos; Secretaria Municipal de Inovação, Indústria, Comércio e Turismo da Prefeitura de Novo Airão; Secretaria de Estado do Desporto e Lazer, do Governo do Amazonas.

XTERRA Amazônia 2024: conheça o percurso de 10 km

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O XTERRA Brasil, maior festival off-road do mundo, desembarca em sua quarta edição de 2024 e realiza nos dias 19 e 20 de Julho, a etapa XTERRA Amazônia, em Novo Airão (AM). Localizada às margens do Rio Negro, a cidade amazonense é um dos principais destinos culturais e turísticos do Norte do Brasil.

O XTERRA Amazônia conta com as provas: Endurance 50k, Triathon e Trail Run de 5, 10k e 21k. “Trazer novamente o XTERRA para o Norte do Brasil é algo que toda equipe queria há muito tempo. Esse espirito de aventura está presente em todos os competidores. O estado do Amazonas, sem dúvidas, é um dos principais chamarizes do nosso país, sempre rico em cultura, esporte e preservação da natureza. Tenho certeza que os competidores vão aproveitar muito este ecossistema, os rios, selva amazônica e colocar todo espirito competitivo no momento das provas”, comentou o gerente de projetos do XTERRA Brasil, André Jubão.

Vai competir? Confira o percurso preparado para a Trail Run 10k:

XTERRA Amazônia 2024

O XTERRA Amazônia 2024 é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e tem o apoio da Braga Veículos; Secretaria Municipal de Inovação, Indústria, Comércio e Turismo da Prefeitura de Novo Airão; Secretaria de Estado do Desporto e Lazer, do Governo do Amazonas.

XTERRA Amazônia 2024: conheça o percurso de 5 km

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O XTERRA Brasil, maior festival off-road do mundo, desembarca em sua quarta edição de 2024 e realiza nos dias 19 e 20 de Julho, a etapa XTERRA Amazônia, em Novo Airão (AM). Localizada às margens do Rio Negro, a cidade amazonense é um dos principais destinos culturais e turísticos do Norte do Brasil.

O XTERRA Amazônia conta com as provas: Endurance 50k, Triathon e Trail Run de 5, 10k e 21k. “Trazer novamente o XTERRA para o Norte do Brasil é algo que toda equipe queria há muito tempo. Esse espirito de aventura está presente em todos os competidores. O estado do Amazonas, sem dúvidas, é um dos principais chamarizes do nosso país, sempre rico em cultura, esporte e preservação da natureza. Tenho certeza que os competidores vão aproveitar muito este ecossistema, os rios, selva amazônica e colocar todo espirito competitivo no momento das provas”, comentou o gerente de projetos do XTERRA Brasil, André Jubão.

Vai competir? Confira o percurso preparado para a Trail Run 5k:

XTERRA Amazônia 2024

O XTERRA Amazônia 2024 é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e tem o apoio da Braga Veículos; Secretaria Municipal de Inovação, Indústria, Comércio e Turismo da Prefeitura de Novo Airão; Secretaria de Estado do Desporto e Lazer, do Governo do Amazonas.

XTERRA Amazônia 2024: conheça o percurso do Triathon

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O XTERRA Brasil, maior festival off-road do mundo, desembarca em sua quarta edição de 2024 e realiza nos dias 19 e 20 de Julho, a etapa XTERRA Amazônia, em Novo Airão (AM). Localizada às margens do Rio Negro, a cidade amazonense é um dos principais destinos culturais e turísticos do Norte do Brasil.

O XTERRA Amazônia conta com as provas: Endurance 50k, Triathon e Trail Run de 5, 10k e 21k. “Trazer novamente o XTERRA para o Norte do Brasil é algo que toda equipe queria há muito tempo. Esse espirito de aventura está presente em todos os competidores. O estado do Amazonas, sem dúvidas, é um dos principais chamarizes do nosso país, sempre rico em cultura, esporte e preservação da natureza. Tenho certeza que os competidores vão aproveitar muito este ecossistema, os rios, selva amazônica e colocar todo espirito competitivo no momento das provas”, comentou o gerente de projetos do XTERRA Brasil, André Jubão.

Vai competir? Confira o percurso preparado para o Triathon:

XTERRA Amazônia 2024

O XTERRA Amazônia 2024 é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e tem o apoio da Braga Veículos; Secretaria Municipal de Inovação, Indústria, Comércio e Turismo da Prefeitura de Novo Airão; Secretaria de Estado do Desporto e Lazer, do Governo do Amazonas.

Greenpeace afirma que, mesmo com fiscalização, garimpo ilegal avança em novas áreas da Terra Yanomami 

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A área devastada pelo garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami teve um aumento de mais de 6% nos seis primeiros meses de 2024, segundo um levantamento do Greenpeace Brasil. Entre janeiro e junho, o território teve 169,6 hectares destruídos pelo garimpo, o equivalente a 170 campos de futebol.

O estudo revelou ainda um cenário inédito: a presença de invasores nas imediações do Parque Nacional do Pico da Neblina, localizado nas cidades de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro, interior do Amazonas.

O levantamento foi feito com base nos dados do sistema de alertas de monitoramento Papa Alpha, plataforma desenvolvida pela ONG. Em 2022, quando o território enfrentou o avanço desenfreado do garimpo ilegal, foram devastados 3.650 hectares. No ano passado foram 238,9 hectares, uma redução de 93%.

Em nota ao Grupo Rede Amazônico, o governo federal informou estar “comprometido em combater atividades ilegais, incluindo o garimpo, em todo o território nacional.” Disse ainda que monitora alertas de garimpos na Terra Indígena Yanomami por meio do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), sistema diferente do usado pelo Greenpeace.

No sistema federal, segundo a Casa Civil da presidência, houve uma queda de 73% no número de alertas de garimpo de 2022 para 2023.

Para o Greenpeace, o registro de garimpeiros na região do Pico da Neblina, chamado pelos indígenas de Yaripo, mostra que há uma migração da atividade ilegal no território. É nesta área que parte do povo Yanomami desenvolve o ecoturismo como fonte de renda.

Parte da região afetada está na bacia do rio Camburi, em Santa Isabel do Rio Negro, considerada uma nova frente de garimpo pelos pesquisadores. Além da nova região explorada, há um garimpo antigo que foi reativado a 5 km da comunidade Ariabu Yanomami.

Em fevereiro de 2023, um mês após o governo federal decretar emergência no território, organizações indígenas do Amazonas denunciaram a presença de pequenos garimpos manuais na região do Pico da Neblina. Em agosto do mesmo ano a Polícia Federal deflagrou operação contra o garimpo na região.

Devastação em 6 meses: Entre janeiro e junho deste ano, 169,6 hectares foram destruídos na Terra indígena Yanomami. No mesmo período de 2023, foram 159 hectares, o que corresponde a um aumento de 6,79% se comparado com 2024.

Alerta: Agora, o número de hectares devastados até junho deste ano já se aproxima dos alertas identificados durante todo o ano de 2023. A diferença é de 69,3 hectares.

Localizada em Roraima e no Amazonas, a Terra Yanomami é o maior território indígena do Brasil em extensão territorial e enfrenta uma crise sanitária e humanitária causada pelas ações do garimpo ilegal. Em 2023, o governo federal iniciou ações para enfrentar a crise e combater a atividade, mas mesmo com o enfrentamento os problemas ainda permanecem na região.

O Parque Nacional do Pico da Neblina é uma Unidade de Conservação que fica sobreposta à Terra Indígena Yanomami na região do Amazonas. O Yaripo é o ponto mais alto do Brasil, com 2.995 metros de altitude, na fronteira com a Venezuela.

Mais de 400 campos de futebol

Garimpo na Terra Indígena Kayapó, no Pará.  — Foto: Reprodução/PF/Arquivo
Foto: Reprodução/PF

Entre janeiro e junho, 417 hectares de novas áreas de desmatamento foram identificadas nas terras indígenas Kayapó, Munduruku, ambas localizadas no Pará, e a Yanomami. O número equivale a 417 campos de futebol.

Só no primeiro trimestre, o sistema de alertas de monitoramento identificou uma área desmatada de 128 hectares associadas ao garimpo ilegal nas três terras indígenas. A TI Kayapó é a mais devastada pela atividade ilegal, foram 54,4% dos alertas em 2024. A Yanomami detém o segundo lugar, com 40,63%. Já a Munduruku teve 4,87% no primeiro semestre.

Em maio, uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipham) já havia indicado a devastação dos três territórios. O estudo apontou também que há mais de 80 mil pontos de garimpo na Amazônia, em uma área com mais de duas vezes o tamanho de Belém, capital do Pará.

As terras indígenas são protegidas por lei e, por isso, qualquer atividade exploratória nestas áreas é considerada ilegal.

Segundo o Greenpeace, de maneira geral, os alertas dentro dos territórios ‘diminuíram significativamente’ em comparação com os últimos anos. Apesar disso e mesmo com as ações do governo federal de combate ao garimpo ilegal, pequenas áreas tem sido abertas próximas a garimpos já estabelecidos, como uma tentativa de dificultar a detecção por imagens de satélite.

Para o porta-voz da Frente de Povos Indígenas do Greenpeace, Jorge Eduardo Dantas, os dados nas três terras indígenas analisadas mostram que há muito a ser feito no combate ao garimpo ilegal.

“Um dos grandes apelos dos povos originários é a desintrusão de seus territórios, que é a expulsão total dos garimpeiros de suas terras. Isso já foi feito na Terra Yanomami em 2023, mas os Kayapó e os Munduruku seguem aguardando quando isso vai acontecer. O garimpo destrói ecossistemas, desestabiliza populações tradicionais e ameaça nossa capacidade de combater a crise climática. Por isso, a expulsão dos garimpeiros ilegais e a defesa dos territórios indígenas precisam ser pautas defendidas por todos nós”, afirma.

Terra Yanomami

A Terra Yanomami está em emergência de saúde desde janeiro de 2023, quando o governo federal começou a criar ações para atender os indígenas, como o envio de profissionais de saúde e cestas básicas. Além de enviar forças de segurança a região para frear a atuação de garimpeiros.

Mesmo com o enfrentamento, um ano após o governo decretar emergência, o garimpo ilegal e a crise humanitária permanecem na região.

O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) estima que cerca de sete mil garimpeiros ilegais continuam em atividade no território. O número de invasores diminuiu 65% em um ano, se comparado ao início das operações do governo federal, quando havia 20 mil invasores no território.

*Por Yara Ramalho, da Rede Amazônica RR

Destinação da terra onde viveu ‘Índio do Buraco’, em Rondônia, não tem consenso

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Uma audiência de conciliação foi realizada no dia 16 de julho, na subseção da Justiça Federal em Vilhena (RO), para discutir a destinação da área onde viveu o ‘Índio do Buraco’, último sobrevivente do seu povo. Segundo apurado pela Rede Amazônica, as partes do processo não entraram em consenso.

A área onde viveu o Índio do Buraco começou a ser alvo de especulação fundiária depois que ele foi encontrado morto dentro de sua palhoça, em agosto de 2022. Cinco famílias de fazendeiros alegam que possuem propriedade na terra e querem que elas sejam reconhecidas. Já o Ministério Público Federal (MPF), requer que a área seja delimitada e protegida.

O principal ponto de divergências entre o MPF e os fazendeiros é sobre a tradicionalidade da ocupação: o MPF defende que há provas suficientes de que a área foi ocupada por anos pelo indígena Tanaru; os fazendeiros não reconhecem essa legitimidade e defendem que o Índio do Buraco se utilizou da área como refúgio, mas que ele não é originalmente de lá.

Foi estabelecido na audiência um prazo para que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) apresente um relatório técnico sobre quais são as possibilidades de destinação para a área. Só então o assunto deve voltar a ser debatido.

O Grupo Rede Amazônica, entrou em contato com a Funai, mas não obteve retorno até a última atualização desta matéria.

A audiência de conciliação é a primeira parte do processo movido pelo MPF contra a Funai e a União. O órgão pede que a área onde o indígena Tanaru seja demarcada.

A TI possui cerca de 8 mil hectares e se espalha por quatro municípios de Rondônia: Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste. A Funai mantém a região protegida por portarias de restrição de uso que têm validade até 2025.

Ativistas indígenas, entidades de proteção ambiental e indigenistas pontuam a importância da preservação da área como um “memorial” ao indígena que viveu isolado depois que seu povo foi vítima de genocídio.

Terra Indígena Tanaru em Rondônia. Foto: Reprodução/ISA

Quem era o ‘Índio do Buraco’

Em junho de 1996, o ‘Índio do Buraco’, também conhecido como Tanaru, foi visto pela primeira vez por homens brancos em Rondônia. Vinte e seis anos depois daquele ‘contato’, o indígena foi encontrado morto em seu território, em agosto de 2022.

O homem, conhecido por viver sozinho e isolado na densa floresta Amazônica, morreu como o último homem de seu povo, sem que sua etnia e sua língua fossem descobertas. O indígena resistiu ao contato com o homem branco até sua morte.

O ‘Índio do Buraco’, apesar de ter vivido isolado por mais de 30 anos, nem sempre esteve só. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai) os últimos membros do seu povo foram mortos em 1995.

O indígena era conhecido como ‘Índio do Buraco’ porque fazia escavações em suas palhoças. Ninguém chegou a descobrir o motivo e real utilidade delas.

Entenda a disputa pela área

Buraco em Tapiri — Foto: Reprodução/Txai Surui
Foto: Reprodução/Txai Surui

Em novembro de 2022, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, de forma cautelar, a preservação da Terra Indígena (TI) Tanaru, a área onde vivia o único indígena. Na decisão monocrática, Fachin ordenou que a Fundação Nacional do Índio (Funai) informasse qual destinação deveria ser dada ao território.

Em dezembro de 2022, o Ministério Público Federal (MPF) orientou fazendeiros a não invadirem a área como forma de proteção, após identificarem pessoas transitando na TI. Na época, as notificações entregues aos fazendeiros alertaram que os invasores poderiam responder por crimes, como dano qualificado.

Quatro meses após a morte do indígena, o MPF voltou a recorrer à Justiça contra a União e a Funai, buscando obrigar os órgãos federais a transformar o território onde Tanaru viveu em uma área pública de proteção socioambiental.

Em janeiro de 2023, câmeras escondidas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) registraram fazendeiros invadindo a palhoça onde o ‘Índio do Buraco’ vivia, momentos após o sepultamento do indígena, que demorou cerca de três meses para acontecer.

*Por Iuri Lima, da Rede Amazônica RO