Reconhecimento visa promover valorização, preservação e difusão das tradições culturais populares do estado. Foto: Neto Lucena/Secom AC
O governo do Acre publicou no Diário Oficial do Estado (DOE) do dia 11 de março um pacote de leis (veja no fim da matéria) que reconhecem várias organizações de quadrilha junina como patrimônio cultural do estado e também o Instituto Junina Pega-Pega, como de utilidade pública.
Os projetos de lei são de autoria do deputado estadual Pedro Longo e foram sancionados pelo governador Gladson Camelí no início desta semana em Rio Branco. O ato de assinatura da sanção das leis, realizado no Palácio Rio Branco, na segunda-feira (10), contou com a presença do autor do projeto, o deputado estadual Pedro Longo; do presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), Minoru Kinpara; da presidente da Liga de Quadrilhas Juninas do Acre (Liquajac), Francilene dos Santos, e de representantes de diversos grupos juninos.
“Confesso, de coração, que no primeiro Arraial Cultural que nós fizemos eu fiquei impressionado. Eu não tinha noção da dimensão do que era o movimento junino. E o que mais me deixou impactado foi o olhar no semblante de vocês, em que pude ver a dedicação de cada um. Por isso, afirmo: o sucesso de vocês é o sucesso do Estado e não do governador. O Estado pode fazer, pode colaborar, mas se não for a dedicação de cada um de vocês, a gente não consegue. Então, minha gratidão a todos por esse trabalho impressionante, que faz parte da nossa cultura acreana. Presidente Minoru, conte comigo! E mais uma vez, Pedro, eu quero lhe parabenizar por esse reconhecimento, que eu faço questão de estar presente”, ressaltou Gladson Camelí durante a assinatura da sanção as leis.
De acordo com a publicação, o reconhecimento tem o objetivo de promover a valorização, a preservação e a difusão das tradições culturais populares do estado, incentivando sua continuidade como elemento formador da identidade cultural acreana.
“A Assembleia Legislativa resolveu fazer uma homenagem para o movimento junino do Acre. São cerca de 20 quadrilhas que atuam em todo o estado, e é um movimento que não acontece apenas no período junino. Durante todo o ano existem atividades culturais, atividades de organização, de preparação para os eventos principais que ocorrem no mês de junho. E nós queremos fazer um reconhecimento da importância desse movimento para a cultura acreana, por isso que as propostas foram aprovadas, com o apoio de todos os deputados, as leis reconhecendo as quadrilhas juninas filiadas à Liga das Quadrilhas Juninas do Acre como patrimônio cultural do Acre”, destacou o deputado Pedro Longo.
Quem não é de Porto Velho (RO), ao conversar com um nativo da capital rondoniense, pode ficar sem entender uma parte do diálogo. É que muitos moradores têm expressões peculiares para definir coisas do cotidiano, vocabulário conhecido como “portovelhês“.
Cada estado tem seu vocabulário próprio, como o amazonês e o acreanês, mas muitas dessas expressões acabam sendo parecidas devido a proximidade regional.
A doutora em linguística Nair Ferreira Gurgel do Amaral, reuniu mais de 500 verbetes no livro ‘Carapanã encheu, voou: o portovelhês’, em que identifica e busca explicar as origens e uso de expressões dos moradores dessa “terra de muro baixo” (que acolhe todos que chegam).
Destacando que a língua é dinâmica e não pode ser delimitada rigidamente, Nair Gurgel explica o porquê de haver variações nas expressões e sotaques entre cidades de Rondônia.
“Tudo na língua depende do processo de colonização. Nosso jeito de falar tem muita influência, mas como eu disse, a língua é dinâmica, ela não para, ela muda, sofre influência e é por isso que Porto Velho e Guajará-Mirim, que são os dois primeiros municípios que foram criados têm sotaques diferentes do restante do estado”.
Durante a década de 1970, com projetos de colonização, milhares de migrantes chegaram em Rondônia para ocupar a parte ao sul da capital. Os municípios que surgiram nesse período foram formados em maior quantidade por paranaenses, catarinenses, gaúchos e mineiros, explica Gurgel.
“Com o boom do “eldorado”, a construção da BR-364 e a vinda das pessoas do sul e sudeste pra cá é que foram surgindo novos municípios, entre eles Ariquemes. Então de Ariquemes pra lá, seguindo o eixo da BR tem outro jeito de falar por conta dessa influência”, explica.
Já em Porto Velho, a ocupação maior é de nordestinos que chegaram na cidade no segundo ciclo da borracha. A professora acredita que, na influência da fala, pouca coisa restou do primeiro ciclo da borracha que levou muitos barbadianos, ingleses e americanos à cidade.
Já no segundo ciclo, durante a Segunda Guerra Mundial, muitos nordestinos que foram trabalhar como soldados da borracha se fixaram na cidade e deram tom ao jeito de falar em Porto Velho. “Maceta”, de origem cearense, “brocado”, “rangar” e “telezé” são algumas das influências nordestinas.
Na cidade, há também influência portuguesa de forma indireta, vinda de Manaus (AM). É chiado na letra “s”, lembra a professora. Outra influência portuguesa apontada por ela é o uso do “tu”.
“Não tem muita influência indígena no nosso sotaque, mas no vocabulário temos tudo, e na culinária que é toda baseada na cultura indígena, o tucupi, a farinha, macaxeira, tapioca”.
Hoje aposentada, Nair segue como professora voluntária da Unir e vende itens como camisas e chaveiros com as expressões típicas de Porto Velho.
Como prova do dinamismo da língua ela pontua que mesmo dentro de Porto Velho há variações entre grupos e localidades. Alguns exemplos são os pescadores, ribeirinhos e lavadeiras. Agricultores da região dos distritos de União Bandeirantes e Rio Pardo também têm um sotaque mais parecido com o das cidades do interior, já que foram formados por maioria mineira, paulista, gaúcha, etc.
Uma expressão comum a Porto Velho e o restante do estado é “piseiro”, lembra Nair. No entanto, ela explica que mesmo alguns achando que ela é originária de Rondônia, na verdade, durante uma das pesquisas, ela descobriu que “piseiro” vem de de Goiás e Mato Grosso.
“Onde cria muito gado, ele fica preso e de tanto pisotear, chamava aquilo de piseiro. Depois, os bailes no interior eram de chão batido também e chamavam de piseiro onde tem festa”, diz.
Confira algumas das expressões do dicionário portovelhês:
Arrumação – invenção
As mina pira – gíria utilizada por adolescentes para dizer que as meninas gostam muito
Assear – tomar banho
Baixa-da-égua – lugar para onde se manda quem está chateado, lugar distante
Bagaço – cansado
Baladeira – estilingue
Banho – balneário
Banzeiro – movimento das águas dos rios, produzido pelo vento ou quando passa uma embarcação; ondas no rio agitado
Beradeiro – pessoa que mora na beira do rio ou que sente orgulho de ser portovelhense. Antigamente, era utilizado para pessoa cafona, brega.
Brocado – fome
Cair na buraqueira – cair na gandaia, ir pra farra
Carapanã – nome dado aos mosquitos sugadores de sangue
Carapanã encheu, voou – provérbio usado quando uma pessoa faz uma visita rápida, come alguma coisa e vai logo embora
Casão – presídio
Catar – pegar algo
Cega – mentira ou não comparecer a um evento
Cemitério – jogar queimada
Chabocar a venta – dar murro na cara
Cuidar – fazer algo rápido
Dar fé – perceber
Dar uma pedrada na gatinha – xavecar, aproximar-se de uma garota
Desmantelado – desarrumado
Eita pau – expressão de espanto, surpresa
Enxerido – intrometido
Espocar – estourar
Fuleragem – não presta
Gaiato – fazedor de graça
Galeroso – marginal
H (agá) – papo furado
Ir pra Juquira – ir pro mato
Jauera (já era) – já foi, perdeu
Lazarento – infeliz
Leseira – preguiça, falta de atenção
Maceta – coisa grande
Mais sujo que acari-bodó em poço de lama – pessoa que deve muito ou que já cometeu muitos crimes
Mangar – tirar sarro, caçoar
Mana – amiga, colega
Meu ovo! – discordância com algo
Moscar – faltar atenção
No doze – algo muito bom
Nem com nojo – não mesmo
Noiado – usuário de entorpecente
Orelha seca – ajudante de pedreiro
Papagaio – pipa
Peia – coça, pisa, surra
Peteca – bola de gude, bolita
Presepada – ato vaidoso ou extravagante para atrair a atenção, palhaçada, confusão
Que só, oh! – representa grande quantidade
Rabeta – pequena embarcação tipo canoa usada por ribeirinhos e movida a motor de baixa potência
Refrigerante de dois litros – pessoa que vai bem até a metade, depois perde o gás
Saltenha – salgado de origem boliviana recheado com frango e batata
Só a capa da gaita – pessoa magra demais
Te mete! – ir bem em algo, humilhar
Telezé – tu é leso, é?
Tô mesmo (Tô mermo) – confirmação
Tobó – bobo, imbecil, idiota
Zoada – barulho, gritaria
*Com informações da reportagem escrita por Diêgo Holanda, da Rede Amazônica RO
As mudanças climáticas tem afetado a vida em todo o planeta. Mas como elas afetam os peixes da Amazônia? O biólogo paulista Adalberto Val, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), explica os impactos das alterações no clima sobre os animais do Rio Negro e seus reflexos sobre a insegurança alimentar.
Instrutor Cabeça Fly durante voo em Axixá. Foto: Cabeça Fly/Arquivo pessoal
O Tocantins tem emergido como um dos principais polos para a prática de voo livre no Brasil, atraindo atletas e aventureiros em busca de paisagens deslumbrantes e condições ideais para a prática desse esporte radical.
Cidades como Axixá, Babaçulândia, Porto Nacional e Palmas estão entre os destinos mais procurados no estado, impulsionando o turismo e aquecendo a economia local.
O município de Axixá se destaca por abrigar uma das sete melhores rampas de voo livre do Brasil, atraindo pilotos de diversos estados e até do exterior. O local é especialmente procurado entre os meses de maio e dezembro, período de alta temporada para a modalidade.
Entre os grandes nomes do esporte no estado está Adelmo, mais conhecido como Cabeça Fly. O piloto é o maior recordista de distância do Tocantins, com dois feitos históricos: em 2020, percorreu 228 km, e em 2023, ampliou seu próprio recorde para 289 km, partindo da rampa de Axixá e pousando na cidade de Quatro Bocas, no Pará, após sete horas de voo. Especializado em voo duplo, Cabeça Fly também ministra cursos e recebe turistas interessados em experimentar a adrenalina do parapente.
“Sou cearense, mas vim para o Tocantins em 2018. Dou cursos para quem deseja se tornar piloto e também de alta performance em Cross Country. É muito gratificante proporcionar essa experiência para os turistas e os moradores da região”, comentou Adelmo.
A cidade de Axixá também sedia eventos importantes para o esporte, incluindo o Campeonato de Voo Livre, cuja 11ª edição ocorre entre os dias 20 e 30 de julho deste ano. O evento já reuniu mais de 130 pilotos do Brasil e do exterior, incluindo competidores da França, Alemanha e Suíça.
A empresária Luana Carreiro também apostou na prática do esporte. Após iniciar voos duplos na região do Bico do Papagaio em 2020, ela decidiu, em 2024, fazer o curso para se tornar piloto de parapente.
“Eu queria viver essa experiência sob meu próprio comando, voar com minhas próprias asas, e consegui. Fiz meu primeiro voo solo e a sensação é indescritível”, relatou.
Babaçulândia
Outro município que vem ganhando destaque entre os amantes do voo livre é Babaçulândia, que tem se firmado como um dos principais pontos para a prática do esporte no Tocantins. A cidade conta com uma Associação de Voo Livre ativa e uma média de 70 pilotos atuantes. Desde 2020, o crescimento da modalidade tem se intensificado, impulsionado pelo aumento de novos praticantes e pela realização de eventos que atraem pilotos de diversas regiões do Brasil.
Segundo o piloto e instrutor Juliano Sandin, Babaçulândia se destaca pelo potencial para voos de longa distância, a modalidade Cross Country, uma das mais procuradas pelos praticantes. “A cidade proporciona um dos visuais mais belos do país, além de receber pilotos de vários estados, o que fortalece o turismo e movimenta o comércio local”, afirmou.
Palmas
Palmas, capital do estado, também se destaca no cenário do voo livre, contando com uma comunidade ativa formada por três instrutores e 22 pilotos vinculados à associação local. As decolagens ocorrem principalmente nos finais de semana, sendo mais frequentes durante a estação seca.
O instrutor de voo livre e paramotor há 17 anos, Eli Ramos, conta que sua paixão por esportes radicais começou com o paraquedismo. Atualmente, além de realizar voos acrobáticos – modalidade na qual já figurou entre os quatro melhores do Brasil –, ele também ministra aulas para alunos de Palmas e de outros estados, como Paraná.
“Ensinar voo livre é ajudar pessoas a realizarem um sonho. Elas passam a enxergar o mundo de uma nova perspectiva e conhecem pessoas de diferentes lugares com a mesma paixão pelo esporte”, comentou.
Porto Nacional
Porto Nacional também se sobressai no cenário do voo livre, contando com uma rampa localizada no Morro São João. O presidente da Associação de Voo Livre do município, Rogério Ferreira, explica que o vento predominante na região é o Leste, condição que favorece a decolagem contra o vento, essencial para garantir voos mais seguros e de longa duração.
“No voo livre, o vento é nosso grande aliado. Ele é determinante para voos de curta e longa distância, predominando entre maio e setembro. Os voos começam por volta das 10 horas e se estendem até as 17h30”, explicou Rogério Ferreira.
Eli Ramos e amigos se preparando para voo em Palmas. Foto: Eli Ramos/Arquivo pessoal
Futuro do voo livre no Tocantins
O crescimento do voo livre no Tocantins reafirma o potencial do estado como um dos principais destinos de turismo de aventura no Brasil. Apesar dos desafios estruturais, como o acesso às rampas, o interesse pelo esporte segue em expansão, atraindo cada vez mais praticantes e impulsionando o desenvolvimento econômico das regiões envolvidas.
“O Tocantins possui um imenso potencial para o turismo de aventura e esportes, oferecendo experiências únicas graças à sua vasta diversidade de belezas naturais. Nosso compromisso é seguir avançando na estruturação e na qualificação das regiões turísticas, com o objetivo de atrair cada vez mais visitantes. Dessa forma, buscamos impulsionar o turismo e aquecer a economia do estado”, afirmou o secretário de Turismo do Tocantins, Hercy Filho.
O Governo do Pará concederá duas novas áreas para reflorestamento na APA Triunfo do Xingu, uma das regiões mais impactadas pelo desmatamento ilegal na Amazônia. A iniciativa faz parte do Plano de Recuperação da Vegetação Nativa (PRVN), um projeto pioneiro na região. No total, as áreas destinadas à restauração com espécies nativas somam aproximadamente 30 mil hectares.
“Estamos avançando com as concessões para restauração, pois acreditamos que, além de preservar a floresta, é fundamental recuperar as áreas degradadas. A concessão é a melhor estratégia para isso, pois garante benefícios ambientais e impulsiona a economia local, gerando empregos, renda e oportunidades para os moradores da APA Triunfo do Xingu, que nunca havia sido priorizada dessa forma”, destacou o governador Helder Barbalho.
No final de 2024, durante a Conferência do Clima sobre Mudanças Climáticas (COP 29), em Baku, no Azerbaijão, o governador anunciou o primeiro edital de concessão para restauração no Brasil, abrangendo mais de 10 mil hectares.
O processo de licitação para selecionar a empresa responsável pela implementação e gestão da Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu, com duração de 40 anos, está em andamento. O resultado será divulgado em 28 de março, na sede da B3, em São Paulo.
“Com a inclusão de uma nova área para concessão de restauração, o Estado reforça sua posição de liderança em soluções ambientais para a conservação da Amazônia. No caso da primeira concessão já lançada, além dos benefícios socioambientais, serão investidos R$ 258 milhões na instalação e operação, com uma receita total estimada em R$ 869 milhões. Com essa nova área, ampliamos nossa atuação e os impactos positivos para a população”, ressaltou Raul Protazio Romão, secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará.
Além da movimentação econômica e da geração de empregos, o Governo do Estado pretende melhorar a qualidade de vida dos moradores da região. Para isso, foi elaborado um Plano de Atuação Integrada, envolvendo diversas secretarias e órgãos públicos, com ações voltadas à regularização ambiental e fundiária, segurança, educação, infraestrutura, saúde, comunicação e serviços públicos.
Rio Acre em Rio Branco ultrapassou cota de transbordo nesta segunda. Foto: Lucas Thadeu/Rede Amazônica AC
O governo do Acre decretou na noite desta segunda-feira (10) situação de emergência diante do aumento do nível dos rios Acre, Juruá, Purus e Envira, que ultrapassaram as cotas de transbordo. O decreto foi publicado em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE) e tem validade de 180 dias.
O decreto autoriza medidas emergenciais e administrativas urgentes para a instalação de abrigos, fornecimento de insumos e mobilização de recursos para o enfrentamento da crise.
O Rio Acre ultrapassou a cota de transbordo, que é de 14 metros, na manhã desta segunda. Na medição feita às 21h, o rio marcava 14,32 metros em Rio Branco.
Boletim parcial divulgado pela Defesa Civil de Rio Branco aponta que 13 bairros foram atingidos pela cheia do Rio Acre. São 47 pessoas desabrigadas e 11 desalojadas na capital.
Um abrigo foi ativado na Escola Municipal Maria Lucia, no bairro Morada do Sol. No local, estão dez famílias (24 pessoas). Outro abrigo deve ser ativado na escola Municipal Bem Fica.
Ainda no domingo (9), antes do transbordamento, equipes do Corpo de Bombeiros do Acre, da Defesa Civil Municipal e do governo começaram a retirar famílias indígenas do bairro da Base. Elas foram levadas para um abrigo na Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi).
Ao todo, foram retirados 30 indígenas, que formam seis grupos familiares e vivem coletivamente em uma casa de madeira às margens do Rio Acre.
De acordo com o decreto, os municípios mais afetados receberão apoio da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (CEPDC) para minimizar os impactos das enchentes.
A Secretaria de Meio Ambiente (Sema) acompanhará as condições hidrometeorológicas em tempo real, enquanto a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) prestará suporte às famílias atingidas e o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Acre (CBMAC) atuará em resposta aos desastres relacionados à emergência sociais e ambientais.
Alerta chuvas
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu mais um alerta amarelo de perigo potencial de chuvas intensas no estado. O alerta amarelo é válido até às 10h desta terça-feira (11). Pode chover entre 20 e 30 mm/h ou até 50 mm/dia, com ventos intensos de 40-60 km/h.
A Energisa, empresa responsável pela distribuição de energia elétrica no Acre, informou que ainda não há notificações para desligamento de energia nos bairros afetados pela cheia. Contudo, as equipes estão nos bairros afetados para monitorar a situação.
Cheia do interior
No interior do Acre, a cheia dos rios preocupa em Cruzeiro do Sul, Plácido de Castro e Sena Madureira.
Em Plácido de Castro, o Rio Abunã está com 12,99 metros, sendo que a cota de transbordo é de 12,50 metros. Já em Cruzeiro do Sul, o Rio Juruá chegou a 13,30 metros, 30 centímetros acima da cota e atinge 11 bairros e três comunidades rurais. Os dados são da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec).
Em Sena Madureira, entretanto, o Rio Iaco segue acima da cota de alerta e está a menos de um metro de transbordar, com 14,04 metros de acordo com a Defesa Civil do Município.
Parque de Exposições
Em Rio Branco, o Parque de Exposições Wildy Viana, no Segundo Distrito, começou a ser preparado para receber os desabrigados.
Inicialmente, são construídos 30 boxes, área para receber também os animais dos moradores, espaço de alimentação, banheiros, dentre outros espaços para garantir uma boa estadia para as famílias afetadas.
O Amapá continua ganhando destaque no cenário turístico nacional. Desta vez, o município de Santana foi oficialmente incluído no Mapa do Turismo Brasileiro, após reconhecimento do Conselho Municipal de Turismo. A adesão ocorreu no dia 7 de março, no âmbito do Programa de Regionalização do Turismo.
Além disso, recentemente o estado recebeu a visita técnica do Ministério do Turismo com o programa pioneiro “PRT em Ação – Mapa do Turismo Até Você”, voltado ao desenvolvimento e valorização do turismo regional.
Com a inclusão, o Amapá passa a ter sete municípios reconhecidos no Mapa do Turismo Brasileiro:
“A entrada de Santana no Mapa do Turismo representa um avanço significativo para o setor. Isso possibilita mais investimentos, incentivos e oportunidades para fortalecer o turismo local, beneficiando tanto a economia quanto a cultura do município”, destacou a secretária de turismo, Syntia Lamarão.
O estado também conta com cinco regiões turísticas oficiais: Cabo Orange, Lagos e Pororocas, Meio do Mundo, Tumucumaque e Cachoeiras e Vale do Jari. Além disso, outra cidade amapaense, Ferreira Gomes, está em processo de inclusão no mapa, reforçando ainda mais o potencial turístico do estado. A visita técnica do Ministério do Turismo contemplou o município, que segue cumprindo os trâmites necessários para sua adesão.
Mapa do Turismo Brasileiro
O mapa é um instrumento do Programa de Regionalização do Turismo que define a área (recorte territorial) a ser trabalhada prioritariamente pelo Ministério do Turismo no âmbito do desenvolvimento das políticas públicas.
Além disso, os municípios são categorizados no intuito de identificar o desempenho da economia do setor nos municípios, a partir de cinco variáveis cruzadas em uma análise de cluster. As localidades são identificadas com três categorias, sendo municípios turísticos; com ofertas turísticas complementar; e apoio ao turismo.
Município de Santana
Segundo maior município do Amapá, Santana fica a 17 quilômetros da capital e foi criada pelo Decreto-lei 7.369 de 17 de dezembro de 1987. A cidade é conhecida como porta de entrada fluvial do Estado. Em seus portos, chegam e partem navios e barcos que fazem linha para Belém (PA) e outras cidades do Pará e da Região Norte.
Como atração turística, a Ilha de Santana se notabiliza, já servindo, inclusive, de cenário para filmes. Na região, também há vários balneários que atraem grande número de visitantes nos fins de semana. No Igarapé da Fortaleza se concentram restaurantes com cardápio variado. As manifestações religiosas ficam por conta de comunidades como Igarapé do Lago, com a tradição da festa de Nossa Senhora da Piedade.
Dr. João Coelho de Miranda Leão, médico. Foto: IGHA
Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br
Antes de tratar do Dr. João Coelho de Miranda Leão, quero por em relevo seus ancestrais, para lembrar mais uma vez que o atavismo é uma lei biológica. A família dos Miranda Leão conta mais de um século de atuação no Amazonas, nos vários setores da atividade humana no magistério, no comércio, nas ciências, na política.
Como patriarca, destaco o nome Coronel José Coelho de Miranda Leão, mandado em 1839 para combater os cabanos, levando 880 homens para expulsá-los da Mundurucania, o que conseguiu. Pelos idos de 1870, ainda forte, prestou a Província do Amazonas relevantes serviços a causa pública.
Outro da ancestralidade foi o professor Manoel de Miranda, uma encarnação de sábio que se educara em Paris (França), aprendendo na Sorbonne, voltando para sua terra, entregando-se ao magistério e ao jornalismo. Fortaleceu o seu espírito nos dogmas de igreja. Sua filha, srta. Maria de Miranda Leão – a ‘Mãezinha’ – foi Deputada Estadual do Amazonas, também primando pelo talento e pela cultura, tendo vinculado sua vida ao ensino e a caridade.
Ainda nesta geração, ali estava, em Manaus, o professor Homero de Miranda Leão, poeta, Deputado Estadual, mentalidade de escolas. O Dr. Miranda Leão foi um ramo vigoroso dessa árvore genealógica que tem enriquecido o Estado do Amazonas de ótimos frutos.
Quem vai contar a biografia do pai, melhor do que ninguém, é o seu filho, também médico ilustre, o Dr. João de Miranda Leão. Trata-se de uma peça inédita, escrita e oferecida ao nobre professor Themístocles Pinheiro Gadelha.
Dr. João Coelho de Miranda Leão, médico. Foto: IGHA
Nasceu então o Dr. Miranda Leão em 9/1/1869, em Maués, antiga Luzéa, no Amazonas. Tendo sido seus progenitores o Capitão Rodrigo José Coelho de Miranda Leão e Dona Olímpia Monteiro da Costa Leão. Órfão cedo dos carinhos paternos, esteve quando adolescente no rio Madeira, onde adquiriu prática de trabalhos comerciais, servindo até de guarda-livros da antiga casa do Coronel José Gentil Monteiro da Costa e, depois, vindo para Manaus seguiu logo para Belém.
Iniciou aí o curso secundário, partindo mais tarde para o Ceará, fazendo o curso secundário completo em Fortaleza. Nessa capital começou o magistério, de onde tirava o indispensável para se manter e custear as suas despesas.
Desejando desde cedo abraçar a carreira médica, dirigiu-se para a Bahia, em cuja faculdade se matriculou, mas esteve pouco tempo, transferindo-se para o Distrito Federal, onde terminou o seu tirocínio acadêmico.
Muito aplicado e estudioso, conseguiu, em seu curso, o internato no Hospital da Misericórdia e, em 1899 defendeu tese com a dissertação ‘Seções cirúrgicas dos tendões e suas indicações’, recebendo em seguida o diploma de Doutor em Medicina.
Consorciou então com Dona Luzia Valente de Miranda Leão, falecida também, que foi de preciosas virtudes, com quem teve dois filhos: João e Geraldo. Embarcou sem demora para Manaus, fixando residência.
Nomeado Inspetor Sanitário, impôs-se Miranda Leão a admiração de seus colegas pela correção de proceder e cultura científica. Nas dolorosas quadras de febre amarela, o diretor do Serviço Sanitário lhe confiou a chefia dos trabalhos de profilaxia especifica, encargo em que empregou todo seu saber e energia, não conseguindo completo êxito por lhe terem negado os recursos materiais para todas as exigências de tão árduos trabalhos.
Coube-lhe ter sido em 1905, com Alfredo da Matta e Worferstan Thomas, um dos iniciadores dos estudos das verminoses no Amazonas, quanto a sua transmissão, profilaxia e terapêuticas. Nesta empregou por primeiro a Petivéria, mucuracaá chamada, em diversos casos com eficaz resultado.
Quando incumbiu da assistência aos leprosos no Umirizal, aventou a criação de colônias agrícolas e leprosarias modelos. Na diretoria do Serviço Sanitário, cargo que desempenhou com alta competência, deu provas sobejas e incontestes de profissional conhecedor da moderna higiene.
Na horrível fase endêmica da gripe em Manaus, em 1918, Miranda Leão se revelou operosíssimo, um verdadeiro apóstolo. O povo manauense e os poderes públicos, depressa esquecidos de serviços tão importante em quadra assim tétrica, jamais deverão alvidar o seu nome.
Ele se sacrificou nesse posto de honra. Aliado a qualquer campanha a prol do bem de mãos dadivosas para sempre amparar e proteger os pequenos, jamais se recusando no auxílio dos desamparados da sorte, trabalhou a pouco a estima de uma população. Foi um entusiasta de quaisquer assuntos que se ligassem ao Amazonas, terra a qual dedicava uma grande admiração, voltando-se para estudá-la, especialmente aos dialetos de certas tribos aos seus temas sobre história, dos acontecimentos ocorridos, pontos em que se realçavam o seu saber e os finos lavores da sua inteligência.
Fundador da Sociedade de Medicina e Cirurgia, de que foi vice-presidente; do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), cujo conselho pertenceu; médico do Hospital de Misericórdia e da Beneficente Portuguesa, quando neste eram gratuitos os serviços (de que foi afastado quando houve remuneração); membro fundador e ativíssimo propagandista do Clube da Seringueira, de que foi brilhante ornamento; e fundador da Sociedade Amazonense de Agricultura, Miranda Leão jamais desmereceu da admiração e das simpatias a ele dedicadas.
Em todos esse encargos e funções, Miranda Leão trabalhou e serviu a sua terra natal com elevado critério, saber e desprendimento.
Principais Trabalhos do Dr. J. C. Miranda leão:
Secções cirúrgicas dos tendões e suas aplicações – Tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio, 1899.
Profilaxia da ancilostomose e tricocefalose em Manaus – 1914;
Seringais plantados no Município de Maués – Seringueira n.° 2 – 1916;
Devemos plantar seringueiras no Amazonas? – Seringueira n.°1 – 1916;
A farinha de mandioca Seringueira nos 3,4,5,6,7 – 1916;
Água filtrada Seringueira nos 9 e 10 – 1917;
A Içaubas (atta columbica) Seringueira n.° 8 – Distancia entre seringueiras plantadas Seringueira n. 9 e 10 – 1917;
O pão de milho e trigo Seringueira n.11 – 1917;
A farinha alimentícia de papilionáceas e de cereais, Seringueira n.°14 – 1917;
Avisos sobre higiene – Manaus – 1918;
A gripe por influenza – Amazonas – Médico n.°5 – 1919;
Noção de profilaxia da varíola – Imprensa Off. – 1919;
Profilaxia do tifo exantemático (avulsos) – 1919;
Tratamento de gripe Imprensa Off. – 1919;
Nota biográfica do Dr. Alfredo da Matta (inédita) – 1919;
Amazonas Médico nos 13, 16 – 1922.
Deixou, além de trabalhos sobre a língua tupi, uma excelente obra Apostilas de Latim (inédita). Agora um fato trágico a que o filho, seu biógrafo, não se referiu, mas que a imprensa destacou em longas e comovedoras colunas: seu suicídio, com um tiro de revólver na cabeça, no dia 26 de junho de 1920.
O ato de desespero não fora previsto por ninguém, mesmo pelos seus íntimos, pois era um homem perfeitamente equilibrado, jamais mostrara neurastenia, nem estava com a vida embaraçada. Apenas murmurava-se que havia descoberto estar contaminado de lepra, ele que tinha sido diretor e médico do Leprosário do Umirizal, a montante de Manaus.
Sobre o autor
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br
Não é verdade que no Brasil o ano só começa após o carnaval. Não é verdade, mas que as coisas aceleram mais a partir daí, não há como negar. Quando o carnaval acontece em março, como neste ano, parece que o divisor de águas é ainda maior, mesmo quando o ano já tenha começado em ritmo acelerado. Ou seja, se o calendário já estava correndo, vem chumbo grosso por aí.
Não sei se é a sua percepção, mas sinto como se estivesse em uma esteira, destas de academias e que, de repente, a velocidade aumenta bastante, sem eu ter a opção de ficar parado. Ou acompanho a velocidade da esteira ou ela me derruba. Ainda assim, como na academia, posso não sair do lugar.
O excesso de afazeres e a velocidade podem nos gerar a chamada armadilha da atividade, que é quando ficamos tão ocupados que não há tempo para pensar para onde estamos indo, o que estamos fazendo e como estamos fazendo. Mais do que isso: para o quê fazemos o que fazemos?
Um dos vícios de linguagem comuns é o “tenho que fazer” ao invés de “quero ou opto por fazer”. Além de um hábito, a expressão reflete um modelo de pensamento que nos afasta da autorresponsabilidade. Não “temos que” nada ou quase nada. Queremos ou optamos por fazer praticamente tudo o que fazemos e deveríamos nos orgulhar disso. Mas se estamos correndo tanto, cada vez mais acelerados, como refletir sobre questões mais essenciais?
A armadilha da atividade, ao contrário das aparências, nos transforma em seres alienados, que é quando simplesmente agimos, sem a consciência do porquê e para o quê. Um autômato não tem consciência da sua missão e nem desenvolveu um propósito. O que faz é frio e sem espírito. Frequentemente, ele não está presente, apenas o seu corpo.
Investir em autoconhecimento e refletir sobre a Missão, o Propósito e, eu acrescento ainda, o Legado, pode parecer um luxo para quem tem tempo sobrando. Ao contrário, se você tem pouco tempo, ele não deveria ser priorizado naquilo que é mais importante? E importante para quem? Para realizar o quê? Para ir em que direção?
Pessoas de todas as idades, em número significativo, lidam atualmente com o estresse, a fadiga mental, a depressão e a ansiedade. Elas costumam estar associadas à ausência de sentido que Viktor Frankl denominou como o mal do século. A ausência de sentido reflete um desalinhamento entre o que somos, o que desejamos e o que fazemos.
Não buscamos saber quem somos. Desejamos coisas que, muitas vezes, não vêm de nós, mas de demandas externas. Fazemos coisas na frequência do “ter que”, como se fôssemos obrigados a alguma coisa.
Assim, antes que a esteira acelere ainda mais, que tal fazer uma breve respirada e investir um tempo em autoconhecimento e refletir sobre coisas tão essenciais? Qual é a sua missão maior? Qual é o seu propósito hoje? O que você gostaria de deixar como legado?
Sobre o autor
Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.
A lenda das três princesas de Aruanda começa quando o então Sultão da Turquia, equivalente ao cargo de imperador no Brasil, tenta proteger suas filhas das guerras que assolavam o local. Então, para salvá-las, ele coloca as três princesas em um navio com destino a uma terra distante.
Nessa viagem, as princesas se perdem e acabam adentrando num portal místico e chegando à Aruanda – uma terra encantada. Quando o portal reabre, as jovens despertam na foz do Rio Amazonas, no Pará.
De acordo com o artigo ‘Mariana, Herondina e Toya Jari: transculturalidade nas figurações do sagrado feminino na Encantaria Amazônica’: “as três princesas foram embarcadas às pressas para um reino amigo, situado à Mauritânia, no noroeste da África. Porém, nunca chegaram ao seu destino; os emissários ficaram na praia a esperar por horas, dias, meses pelas princesas, que estavam em alto mar perdidas, navegando involuntariamente rumo aos seus destinos místicos. Em viagem para a África, atravessaram o Estreito de Gibraltar, conhecido como portal para outras dimensões não corpóreas. Sem perceber, deixaram o mundo físico, perpassando a mortandade carnal para entrar neste vasto mundo dos encantados”.
Anos se passam até que as que elas encontram a Velha Tapuia, a pororoca, na foz do rio Amazonas. “Ao se depararem com esse momento, Mariana, Herodina e Toya Jarina puderam ter a visão de sua nova existência. Enquanto passavam pela pororoca, na embarcação que as transportava, as princesas navegaram rio acima por diversos dias e noites sem um local certo para desembarque e descanso”.
Na lenda, Jarina é a mais jovem das turcas e está associada à jiboia e borboleta azul; Herondina é a irmã do meio, que se transforma em onça; e Mariana é a primogênita, a arara-cantadeira. As três são caboclas associadas a poderes de cura.