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Frutos da Amazônia: tesouros naturais da região amazônica auxiliam na saúde

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Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

A floresta amazônica é onde a biodiversidade se desenvolve e abriga uma infinidade de frutos ricos em nutrientes essenciais para a saúde humana. Muitos desses frutos possuem propriedades que fortalecem o sistema imunológico, ajudando na prevenção de doenças e proporcionando mais energia ao organismo.

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Conheça alguns desses superalimentos e seus benefícios:

Camu-Camu

O camu-camu (Myrciaria dubia) é uma das maiores fontes de vitamina C do planeta, contendo até 60 vezes mais dessa vitamina do que a laranja. Esse nutriente é fundamental para a produção de glóbulos brancos, fortalecendo o sistema imunológico e atuando como antioxidante contra os radicais livres.

Foto: Walnice Nascimento/Embrapa

Cupuaçu

O cupuaçu (Theobroma grandiflorum) é rico em polifenóis e flavonoides, compostos que combatem inflamações e protegem o organismo contra infecções. Além disso, suas gorduras saudáveis auxiliam na absorção de vitaminas lipossolúveis, como as vitaminas A, C, B1, B2, B3 e cálcio, fósforo, ferro e selênio, que desempenham papéis essenciais na imunidade.

Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

Guaraná

O guaraná (Paullinia cupana) contém altas concentrações de cafeína, que além de fornecer energia, tem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. O fruto também é rico em teofilina e tanino. Seu consumo ajuda a reduzir o estresse oxidativo, beneficiando a imunidade e a resistência física.

Foto: Felipe Santos da Rosa/Embrapa

Tucumã

O tucumã (Astrocaryum aculeatum) é uma fonte de ácidos graxos ômega 3, 6 e 9, que desempenham um papel fundamental na modulação da resposta inflamatória e no fortalecimento da imunidade. Seu alto teor de vitamina C também contribui para a resistência do organismo. É rico também em vitaminas A e B1.

Foto: Ive Rylo/Acervo Rede Amazônica AM

Buriti

O buriti (Mauritia flexuosa) é uma das maiores fontes naturais de betacaroteno, um precursor da vitamina A, essencial para a saúde da pele, visão e defesa do organismo contra infecções. Além disso, possui ácidos graxos benéficos e vitamina E, que reforçam as barreiras naturais do corpo contra agentes invasores. O fruto também possuí betacaroteno e vitaminas B2 e C.

Foto: Reprodução/Feito Brasil

Castanha-da-Amazônia

Também conhecida como castanha-do-pará, a castanha-da-Amazônia (Bertholletia excelsa) é rica em selênio, um mineral crucial para a produção de enzimas antioxidantes. Possui também ômega-3, ferro, vitaminas A, B6 e D. Seu consumo regular fortalece o sistema imunológico e protege as células contra danos.

Leia também: Qual o termo certo: castanha do Pará, do Brasil ou da Amazônia?

Fotos: Érico Xavier/Fapeam

Açaí

O açaí (Euterpe oleracea) é um superalimento repleto de antocianinas, compostos antioxidantes que combatem o envelhecimento celular e fortalecem as defesas do corpo. É rico em vitaminas B e C. Além disso, suas gorduras saudáveis auxiliam na absorção de nutrientes essenciais para a imunidade.

Foto: Reprodução/Fapeam

Pupunha

A pupunha (Bactris gasipaes) contém ferro, vitaminas A e C, além de ser fonte de carboidratos de baixo índice glicêmico, fornecendo energia sem picos de açúcar no sangue. Seu consumo ajuda a manter o sistema imunológico ativo e equilibrado.

Foto: Divulgação/ADS

Biribá

O biribá (Rollinia mucosa) é rico em ferro e vitaminas do complexo B e vitamina C, ajudando a manter o metabolismo equilibrado e a fortalecer as defesas naturais do corpo. Seus compostos bioativos também auxiliam na proteção contra infecções.

Foto: Reprodução/I likE plants!/VisualHunt

*Com informações da Infoteca do Embrapa

Cientista afirma que crime organizado mudou dinâmica da preservação na Amazônia

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Foto: Reprodução/IPAM

“É preciso entender que a dinâmica da Amazônia mudou. Nós temos hoje a forte instalação do crime organizado na região e ele tem três pés: a grilagem de terras está ligada ao garimpo ilegal de ouro e ao tráfico de armas e drogas. Esses três pontos precisam estar no foco das agências de controle do País. Caso contrário, teremos áreas dominadas pelo crime organizado”, alertou Paulo Moutinho, pesquisador sênior do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

O alerta foi feito durante o webinar ‘Emergência Climática: Tribunais de Contas e Indução das Políticas Públicas Ambientais’. O evento foi promovido pela Associação dos Tribunais de Contas, Instituto Rui Barbosa e Tribunal de Contas do Amazonas.

A floresta amazônica estoca mais de 100 bilhões de toneladas de carbono, o equivalente a uma década de emissões globais. A biodiversidade e os serviços ecossistêmicos desempenhados pela Amazônia, no entanto, se encontram ameaçados pelo aumento da grilagem de terras e outras atividades ilegais, como o garimpo e o corte irregular de madeira.

“Nós estamos vivendo uma emergência climática induzida por seres humanos. Não há mais dúvida disso. Mas se essa crise é criada por humanos, significa que podemos reverter esse cenário. Reduzimos o desmatamento e isso é excelente, mas é como se tivéssemos reduzido a velocidade de um carro sem mudar o seu destino. Nesse sentido, os entes reguladores do Estado precisam avaliar o rumo em que o uso do dinheiro público está nos apontando”, destacou Paulo.

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O evento também contou com a participação de pesquisadores, ambientalistas e representantes dos tribunais de contas de Estados da Amazônia Legal, que reforçaram a importância da preservação da Amazônia para a garantia da segurança alimentar, abastecimento hídrico e produção de alimentos no Brasil. Também foi ressaltado o papel do judiciário brasileiro no rastreamento de recursos e no combate aos crimes ambientais na região amazônica.

“Na COP de Glasgow todos os países falaram que não podíamos passar da marca de 1,5°C [acima dos níveis pré-industriais] em 2050. A ciência indicava que para isso precisávamos zerar nosso saldo de emissões até 2050. No ritmo que estamos hoje, vamos chegar em 2050 com 2,5°C acima. Isso pode disparar uma grande quantidade de pontos de não retorno pelo mundo. Para a Amazônia isso significaria uma degradação de 70% de toda a floresta, a maior perda de biodiversidade do planeta e o surgimento de diversas novas doenças”, reforçou Carlos Nobre, climatologista e um dos maiores especialistas em mudanças climáticas e desmatamento do país.

Florestas públicas não destinadas

As florestas públicas não destinadas localizadas na Amazônia são terras de domínio dos governos estaduais ou federal que aguardam pela destinação para uma categoria fundiária. Hoje essa categoria equivale 56,6 milhões de hectares do bioma, mesma área da Espanha. Apesar de sua importância estratégica, as florestas públicas não destinadas têm sofrido cada vez mais com a grilagem e o uso irregular do Cadastro Ambiental Rural, que intensificam o desmatamento nessas áreas.

Saiba mais: Entenda o que são as florestas públicas não destinadas

Uma pesquisa do IPAM revela que, entre 2019 e 2021, mais da metade (51%) do desmatamento ocorreu em terras públicas, sendo as florestas públicas não destinadas as mais atingidas: tiveram alta de 85% na área desmatada, passando de 1.743 km² derrubados anualmente para mais de 3.228 km². A maior parte dessa área está concentrada na parte sul do Amazonas e oeste do Pará, onde a fronteira agrícola e a grande quantidade de áreas sem destinação tem deixado fauna, flora e populações tradicionais em risco.

“Metade do que se desmata na Amazônia é em terra pública. É em terra que pertence ao povo brasileiro. Isso é o mesmo que destruir um monumento histórico. É um bem público que foi dilapidado. Precisamos destinar essas florestas para a conservação e o uso sustentável. Caso contrário, a grilagem vai continuar a se proliferar sem controle por essa área”, ressaltou Moutinho.

Desmatamento Legal

Atualmente, segundo o Código Florestal Brasileiro, 20% das propriedades rurais localizadas na Amazônia podem ser desmatadas legalmente. Apesar de representar a menor parte das propriedades no bioma, o desmate autorizado dessas áreas ainda representa o mesmo risco que o corte ilegal em outras áreas do bioma, colocando em risco uma grande parcela da floresta e contribuindo para sua degradação.

“Nós temos 20 milhões de hectares que podem ser desmatados legalmente. Nós precisamos reduzir o desmatamento legal. Não tirando o direito do proprietário rural, mas criando mecanismos de compensação para que ele mantenha essas florestas de pé. Também é preciso investir em agricultura e na intensificação da produção agropecuária para que possamos produzir mais em menos espaço”, defendeu Moutinho.

O Conserv é um mecanismo financeiro, de adesão voluntária, que compensa produtores rurais pela conservação da vegetação nativa dentro de suas propriedades que poderia ser desmatada legalmente.

Atualmente, o programa é responsável por evitar a emissão de 2,2 milhões de toneladas de CO₂. No total, a iniciativa engloba 23 propriedades que, juntas, superam os 20 mil hectares de florestas nativas protegidas que poderiam ser suprimidas legalmente.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM, escrito por Lucas Guaraldo

Governo anuncia ampliação de investimentos em pesquisa na Amazônia visando a COP30

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Foto: Luara Baggi/MCTI

O Governo Federal está reforçando os investimentos na Região Amazônica. A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, assinou um Termo de Autorização para o lançamento de uma chamada pública do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), cujo objetivo é selecionar ‘projetos de cooperação internacional de pesquisa entre o Brasil e países Pan-Amazônicos’.

Eles receberão um investimento de R$33,5 milhões, com recursos não reembolsáveis do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

A assinatura ocorreu durante a cerimônia do Governo Federal para anúncio, na última sexta-feira 14 de fevereiro, das entregas para Belém, capital do Pará, em preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30).

O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e outras autoridades. Na ocasião, Lula ressaltou que “esta COP vai ser na Amazônia para todos a conhecerem do jeito que ela é”. “Para conhecerem as pessoas do Pará como elas são”, afirmou.

Em seu discurso, Luciana Santos destacou que a iniciativa representa uma oportunidade histórica para o Brasil reafirmar seu papel de liderança nos debates sobre mudanças climáticas e sustentabilidade.

“Temos a convicção de que, sem ciência, não há enfrentamento aos desafios crescentes da mudança do clima. Então esse será também um espaço para a ciência brasileira mostrar a contribuição que estamos dando para as políticas nacionais de adaptação, de mitigação e também de preparação para o cenário que está se apresentando”, ressaltou.

No evento, também foi assinada a permissão para o CNPq ampliar para R$300 milhões as contratações de recursos do FNDCT para projetos de pesquisas aprovados na chamada Centros Avançados na Amazônia. A iniciativa faz parte do Pró-Amazônia, um dos 10 programas estratégicos aprovados pelo Conselho Diretor do Fundo para 2024, e tem como objetivo apoiar e criar centros avançados de pesquisa com colaboração entre instituições que atuem na Amazônia Legal.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Carteira

O Governo Federal vai investir cerca de R$1 bilhão em projetos na Amazônia Legal. Desse total, R$ 400 milhões já foram disponibilizados. Um dos principais programas é o Pró-Amazônia, um dos eixos do FNDCT. O programa se consolidou como um dos maiores investimentos estratégicos voltados ao desenvolvimento científico, tecnológico e sustentável da Região Amazônica. Serão investidos R$650 milhões para reafirmar o compromisso do setor público em promover inovação, pesquisa e cooperação internacional na Amazônia Legal, por meio de editais do CNPq com recursos do FNDCT.

Obras

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) reforçou os investimentos na cidade de Belém com três iniciativas: a expansão e modernização do Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a revitalização do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e a construção do Museu das Amazônias.

“Estamos falando de um equipamento de difusão científica e cultural, que amplia as vozes das florestas, seus povos e biodiversidade. O Museu, que ficará como um legado da COP30, será lugar de troca, de popularização da ciência, de compartilhar e aplicar o conhecimento científico, a inovação, o desenvolvimento tecnológico e os saberes tradicionais”, declarou a ministra Luciana.

Clima

Além dos projetos de pesquisa e infraestrutura, o MCTI participa da elaboração do Plano Nacional de Adaptação, na Estratégia Nacional de Mitigação e no novo Plano Nacional de Mudanças Climáticas.

A pasta também investe em iniciativas para aperfeiçoar e ampliar o trabalho do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

“No MCTI, estamos criando as condições para que a ciência, a tecnologia e a inovação possam dar sua contribuição para a agenda climática. O tempo do negacionismo ficou para trás. É com base na melhor ciência que construiremos um futuro mais sustentável e inclusivo”, afirmou Luciana.

*Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Mercado Cultural

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Foto: Reprodução/Prefeitura de Porto Velho

Construído em 1917, o Mercado Cultural de Porto Velho, em Rondônia, foi idealizado para atender à crescente demanda da cidade, que se expandia rapidamente devido à Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. O projeto surgiu durante a gestão do primeiro prefeito, Joaquim Tanajura, que viu a necessidade de criar um espaço para a comercialização de alimentos em larga escala.

As obras tiveram início imediato, mas a conclusão da estrutura oficial do mercado levou quase cinco décadas. Durante esse longo período, o local foi parcialmente utilizado como uma feira livre, permitindo que agricultores, produtores e comerciantes comercializassem seus produtos.

No entanto, em 1966, um incêndio destruiu parte do mercado, forçando seu fechamento e afetando severamente os comerciantes que dependiam do espaço para sua subsistência. A tragédia se repetiu pouco tempo depois, quando um segundo incêndio destruiu completamente a estrutura histórica do mercado.

Atualmente, o Mercado Cultural é administrado pela Fundação Cultural do Município (Funcultural) e passou por diversas revitalizações ao longo dos anos. Entre 2009 e 2012, após um longo período de especulação imobiliária e tentativas de restauração, o espaço renasceu como um polo de cultura, lazer e gastronomia. Hoje, o Mercado Cultural se tornou um importante ponto turístico e histórico de Porto Velho, mantendo viva a tradição e a memória da cidade.

*Com informações da Prefeitura de Porto Velho

IDEFLOR-Bio e Embaixada da Índia iniciam diálogo para cooperação em pesquisa e preservação ambiental

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Foto: Reprodução/IDEFLOR-Bio

À frente do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (IDELFOR-Bio), o presidente Nilson Pinto se reuniu,no dia 14 de fevereiro, com o Secretário Interino da Embaixada da Índia, Suraj Jadhav, para discutir o estreitamento das relações entre Brasil e Índia, especialmente no campo da preservação ambiental e pesquisa científica.

Durante a conversa, Nilson Pinto fez uma breve apresentação sobre o que é o IDELFOR-Bio e destacou as unidades de conservação que o instituto administra, enfatizando a importância dessas áreas para a biodiversidade e o meio ambiente. 

A reunião também marcou o início das discussões sobre uma possível cooperação técnica entre o Brasil e a Índia, com o intercâmbio de técnicos e pesquisadores de ambas as nações. 

“Iniciamos uma conversa importante com a Embaixada da Índia para explorar formas de colaboração com os técnicos e pesquisadores indianos, que possuem uma vasta experiência em áreas como conservação e biodiversidade”, destacou o presidente.

Foto: Pablo Allves

A colaboração entre os dois países pode abrir portas para uma troca significativa de conhecimentos e práticas no campo ambiental, beneficiando tanto o Brasil quanto a Índia no enfrentamento dos desafios ambientais globais.

Foto: Pablo Allves

A parceria proposta é vista como um passo importante para reforçar os laços internacionais e promover ações conjuntas para a proteção ambiental. A reunião com Suraj Jadhav representa um marco inicial para o desenvolvimento dessa colaboração.

*Com informações da Agência Pará

Encontrado na Amazônia equatoriana, opilião-coelho causa dúvida em internautas por sua aparência

Foto: Andreas Kay/Flickr

Existe um mundo distante da limitada visão humana que parece nunca decepcionar a criatividade. E nem estamos falando do inalcançável universo e suas galáxias, mas sim de algo muito mais próximo: a fauna do planeta Terra. Entre tantos bichos diferentes já mais do que conhecidos, ainda existem grupos que parecem infinitos de tantas descobertas que proporcionam, como o dos opiliões. Entre os registros mais recentes está um pequenino cuja aparência lembra um coelho ou até mesmo um cachorro.

Estamos falando do Metagryne bicolumnata, popularmente conhecido como opilião-coelho. E ele não exatamente desconhecido, pois foi descrito pela primeira vez em 1959 pelo alemão Carl Friedrich Roewer, especialista em aracnídeos.

Encontrado em um país amazônico, o Equador, esse bichinho de aparência até simpática ganhou destaque nas mídias sociais depois que o jornalista Ferris Jabr (escritor colaborador da The New York Times Magazine e autor do livro Becoming Earth) postou uma foto no X (antigo Twitter), de autoria do fotógrafo alemão Andreas Kay. A foto é de julho de 2017 e a postagem foi feita em 2018, sendo “recuperada” nas últimas semanas.

Por sua aparência peculiar e com o avanço da inteligência artificial, muitas pessoas passaram a questionar a veracidade de sua existência.

Da família dos Cosmetidae, da ordem Opilião – artrópodes da classe dos aracnídeos, mas que não chegam a ser aranhas, esse bichinho também é conhecido como ‘Bunny Harvestman‘.

Os opiliões possuem o corpo e o abdômen arredondados, suas pernas podem ser muito longas e eles não possuem glândulas de veneno, não representando uma ameaça ao ser humano. 

Em seu canal no Youtube, Andreas Kay disponibilizou um vídeo do opilião-coelho em 7 de novembro de 2018 e descreveu: “Ao contrário da crença comum, os Harvestman não têm glândulas de veneno e são absolutamente inofensivos. Eles existem há pelo menos 400 milhões de anos e viveram antes mesmo dos dinossauros”.

Andreas Kay morreu em 2019, por conta de um tumor no cérebro. Em seu canal no Youtube ele descreveu que seu trabalho de documentar a diversidade da vida no Equador como cientista independente começou em 2011 e mantinha o compartilhamento de cerca de 30.000 fotos na sua página ‘Equador Megadiverso‘ “na esperança de aumentar a conscientização sobre esses tesouros ameaçados”.

Fundo Amazônia: R$ 882 milhões aprovados em 2024, mas apenas 11% repassados a projetos

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Parques Nacionais do Jamanxim e do Rio Novo, no Pará. Foto: Felipe Werneck/Ibama

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O Fundo Amazônia foi criado pelo Decreto n° 6.257/2008. Uma iniciativa pioneira voltada a dar suporte a programas de redução de emissões resultantes do desmatamento e da degradação de florestas (REDD+). A plataforma foi desenvolvida no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) para recompensar financeiramente países em desenvolvimento por seus resultados relacionados a atividades de: (i) redução das emissões provenientes de desmatamento; (ii) redução das emissões provenientes de degradação florestal; (iii) conservação dos estoques de carbono florestal; (iv) manejo sustentável de florestas; e (v) aumento dos estoques de carbono florestal.

O objetivo do Fundo é captar doações para investimentos não reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, e de promoção da conservação e do uso sustentável da Amazônia Legal. Os recursos são flexibilizados destinando-se 20% de seus ativos a apoiar o desenvolvimento de sistemas de monitoramento e controle do desmatamento em outros biomas brasileiros. O Fundo visa igualmente contribuir para o alcance das metas do Plano Nacional sobre Mudança do Clima, especialmente o objetivo n° 4 (redução dos índices de desmatamento em 42% em cada período de 5 anos de 2006 até 2020), conforme compromisso voluntário assumido em Copenhague, em 2009, na Conferência do Clima (COP 15).

Os números dos relatórios do BNDES, gestor do Fundo, não expressam as intervenções e os resultados dos recursos aplicados. De 2009 a 2021, o Fundo Amazônia apoiou 102 projetos, com quase R$ 1,5 bilhão beneficiando projetos sobre Gestão de florestas públicas e áreas protegidas; Controle, monitoramento e fiscalização ambiental; Manejo florestal sustentável; Atividades econômicas desenvolvidas a partir do uso sustentável da vegetação; Zoneamento ecológico e econômico, ordenamento territorial e regularização fundiária; Conservação e uso sustentável da biodiversidade; Recuperação das áreas desmatadas. No tocante ao programa Arco da Restauração, aponta o relatório, os recursos alocados se somarão a outras fontes de apoio para investimentos de até R$51 bilhões. O objetivo é restaurar 6 milhões de hectares de áreas prioritárias e capturar 1,65 bilhão de toneladas de carbono da atmosfera até 2030. Já a segunda etapa prevê investimentos de até R$ 153 bilhões, com participação de recursos do Fundo Clima para restaurar 18 milhões de hectares até 2050.

Em 2023 as operações do Fundo movimentaram R$ 1,3 bilhão comprometidos com o apoio de R$ 318 milhões ao Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Amas), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, voltado ao combate a crimes ambientais e correlatos na Amazônia Legal. Também foram aprovados para o programa Restaura Amazônia, que destina R$ 450 milhões para restauração florestal na região do Arco do Desmatamento, e o Amazônia na Escola: Comida Saudável e Sustentável, no valor de R$ 336 milhões.

Objetivo: levar comida saudável e segurança alimentar para crianças e jovens da rede pública e gerar emprego e renda para comunidades indígenas, quilombolas, assentados e outros grupos de agricultores familiares, com previsão de alcançar até 1 milhão de estudantes em sua primeira etapa. O Fundo Amazônia recebeu R$ 643 milhões em 2024, mas apenas 11% foram repassados para projetos. No total, desde a sua criação, já ingressaram em seus cofres mais de R$4,1 bilhões em doações.

O relatório dá ênfase a apoios a outros projetos à exemplo do Sanear Amazônia: Água Potável para Comunidades da Amazônia, com aplicação de R$ 150 milhões em 2024, compreendendo a implantação de tecnologias sociais de acesso a água limpa para o consumo humano e inclusão produtiva em unidades de conservação federal de uso sustentável, reserva extrativista (Resex) e floresta nacional (Flona), bem como em comunidades quilombolas e projetos de assentamento agroextrativistas. Saliente-se, por oportuno, que não se tem informações precisas no âmbito dos governos estaduais e prefeituras sobre o cronograma de execução desses empreendimentos e seus resultados. Os números são de certa forma ficcionais, beneficiando mais ONGs do que universidades, centros de pesquisas estaduais e federais como INPA e Embrapa. Os projetos, na verdade, para os amazônidas, não se traduzem em benefícios reais para as comunidades e o desenvolvimento regional.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Um olhar através da história e da geografia: o espaço urbano de Manaus e Braga em Portugal

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Braga, em Portugal. Foto: Reprodução/Nacionalidade Portuguesa

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

Se a arquitetura é o símbolo mais visível de uma sociedade, a fisionomia urbana de Manaus reflete bem o espírito da sociedade que nasceu aqui em 1669. Não se trata de uma fase ou de simples generalização sociológica, posso garantir. Na verdade, a nossa arquitetura mais antiga exprime uma atitude emocional e consequentemente estética de um período muito importante da forte presença de portugueses que imigraram para Manaus em busca da economia e exportação do látex.

Manaus que há muito despertou a admiração de tantos imigrantes estrangeiros, cuja primeira década de 1900 marcou uma época. É verdade, de uma aldeota dos indígenas Manaós, o antigo Lugar da Barra transformou-se em um dos mais importantes centros de atividade comercial do mundo tropical que, por meio de seu comércio nas últimas décadas do século XIX, fez-se presente na nossa economia com a exportação de pele de animais silvestres e principalmente o látex.

Manaus daquele período veio conhecer o gosto e a experiência de países europeus especialmente Portugal, onde nossa burguesia buscava inspirações. As viagens à Europa eram ocorrência de rotina por alguns exportadores de látex que viviam aqui. Era uma sociedade buscando o conhecimento firmando-se como força civilizadora, que hoje não é diferente de Portugal e continua a fascinar como bem destaca a cidade de Braga o professor português Miguel Sopas de Melo Bandeira.

Cidade de colinas suaves, a capital do Estado do Amazonas se desdobrava em visões múltiplas para o visitante que cruza avenidas de seu lúcido urbanismo. E não deixa de impressionar a obra antes do governo de Eduardo Ribeiro, vislumbrando-se cortes hidrográficos de vários igarapés que serpenteavam a cidade, tais como: do Salgado, do Espírito Santo, de Manaus, da Cachoeirinha, do São Raimundo e Educandos. Hoje lamentavelmente alguns desapareceram.

O professor Miguel Sopas de Melo Bandeira, assim destaca na sua obra ‘O espaço urbano de Braga em meados do século XVIII’:

“O tipo de estruturas selecionadas procura, antes de tudo, refletir o plano urbano da cidade. Porém, a melhor compreensão de sua integridade e articulação exige perscrutar das dinâmicas humanas que o organizam”.

BANDEIRA, Miguel Sopas de Melo. O espaço urbano de Braga em meados do século XVIII. Edições Afrontamento. Porto, Portugal, 2000.

Os imigrantes portugueses tiveram ainda importante função da modelagem da sociedade da economia amazônica, tanto nas capitais como no interior. Naturalmente como classe política dominante e com o surgimento das atividades agrícolas e florestais extrativistas, tornaram-se agentes decisivos, suprindo essas atividades de liderança empresarial necessária, como produtores, mercadores, exportadores e comerciantes alcançando posição oligopolista, que se manteve do ápice da atividade socioeconômica baseada no látex até o advento de novas correntes e grupos culturais mais dinâmicos e inovadores.

Durante a fase áurea do látex, no fim do século XIX e a primeira década do século XX, milhares de imigrantes Lusos, atraídos pela fortuna conquistada por meio do trabalho, foram pioneiros na organização do sistema mercantilista de intercâmbio, cuja maior atuação era em Manaus e Belém. Transformaram essas cidades em entrepostos comerciais e, por algumas décadas, estabeleceram as linhas lógicas do suprimento rio acima de mercadores a base de crédito pessoal com os seringalistas recebendo em contrapartida, rio abaixo, mediante compra e venda dos gêneros e produtos extrativos destinados a exportação.

Avenida Eduardo Ribeiro, esquina da Avenida Sete de Setembro. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Na sua grande maioria os imigrantes portugueses proviam da região dos minifúndios do médio e do norte de Portugal.

Deixaram suas aldeias, freguesias, quintas ao longo do Rio Douro, Minho e Tejo: Vila Real, Povoa de Varzim, Viana do Castelo, Vila Nova de Gaia, Porto, Caldas da Rainha, Guarda, Albergaria – A – Velha, Alcabaça, Chaves, Soure, Viseu, Melgaço, Braga, Barcelos, Santarém, Alenquer, Bragança, Faro, Óbidos, Aveiro, Almada, Cintra, Oeiras, Setúbal, Arganil, Tabuaço, Matosinhos, Esparreja, Esposente, Coimbra, Pinheu, Mortusa, Armama, Amores, Leiria, Ovar, Vila Flor, Mirandela, Covinlhã, Conselhos de onde se originaria a maioria dos portugueses que imigraram para o Brasil e estabeleceram-se em Manaus e Belém.

BENCHIMOL, Samuel. Manaus – do – Amazonas: Memória empresarial 1994. Edição Governo do Estado do Amazonas/Universidade do Estado do Amazonas/Associação Comercial do Amazonas.

No Amazonas e Pará alguns desses nomes de cidades portuguesas se tornaram muito familiares em nossa região, pois foram adotadas por ocasião de fundação de vilas e cidades da Amazônia.

Os imigrantes portugueses na sua maioria eram jovens descendentes de famílias pobres, normalmente filhos de agricultores e proprietário de quintas e sítios, naturalmente de numerosa família patriarcal, com rígida educação doméstica e extremamente obediente à tradição, valores familiares e devotos de santa ou santo padroeiro da comunidade, em especial a Nossa Senhora de Fátima.

Portugal, no final do século passado, enfrentava uma crise econômica. As terras agrícolas dos minifúndios pertencentes a proprietários que possuíam famílias numerosas, sem terem como encaminhar seus filhos para a lavoura, uma vez que as parcelas de terra como a subdivisão da herança, tornaram-se tão pequenas que eram incapazes de sustentar uma família.

Uma das formas encontradas para sobreviver era buscar novos horizontes. O jeito encontrado fora imigrar para as colônias de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Goa, Diu, Damão, Macau, remanescentes do antigo Império.

No limiar de suas juventudes migravam para essas colônias e para o Brasil, Venezuela e Estados Unidos, em busca de trabalho e dias melhores.

As numerosas famílias que sobreviveram de uma agricultura quase de sobrevivência, cuidando das vinhas, das oliveiras, do azeite, da cortiça e de outros tantos produtos, incentivaram seus filhos a imigrar para o além-mar. Em muitas ocasiões eram trazidas por parentes próximos a até amigos da família que, no Brasil, haviam conseguido um pequeno comércio e procuraram pessoas de confiança para ajudar administrar os mesmos. Normalmente a fama desses estabelecimentos era: mercearias, padarias, talhos, bares, botequins, feira, quitandas, lojas e comércio em geral.

No decorrer do tempo, esses parentes e amigos se tornaram sócios e parceiros no empreendimento comercial em que trabalhavam. Ou até se desligavam para formar novas parceiras ou começar os próprios negócios. Dessa forma começava sua ascensão socioeconômica.

No caso da Amazônia, além desses estabelecimentos varejistas, os portugueses dominavam as casas aviadoras e o comércio do látex e gêneros regionais, propiciou-se a chegada de muitos imigrantes portugueses para aprender o ofício de caixeiros, balconistas, vendedores internos e externos, viajantes e propostos dos patrões como pessoas de confiança.

Imóvel em Braga (Portugal) adquirido por Miguel José Raio, que nasceu em 1814, e faleceu em 1875, tendo imortalizado seu nome no palacete. Foto: Reprodução/Acervo/Memorial José Raio

Com o distanciamento das famílias que ficavam em Portugal eles passavam anos sem notícias dos seus descendentes, quando conseguiam amealhar recursos visitavam suas famílias em Portugal.

Vale ressaltar que muitos imigrantes portugueses que imigraram para o Brasil e especialmente para Amazônia, com destaque para as cidades de Manaus e Belém alguns retornaram para Portugal fazendo fortuna na Amazônia e construíram grandes palacetes. Entre tantos destaco o imóvel adquirido por Miguel José Raio que nasceu em 1814 e faleceu em 1875 tendo imortalizado seu nome no palacete.

Nascido na cidade de Braga fez fortuna na cidade de Belém do Pará regressando a Portugal expandiu seus negócios fundando o Banco do Minho, junto a outros sócios. Com destacada influência na sociedade local deu grandes contribuições a várias instituições de assistência, cuja, generosidade permitiu com que as autoridades locais lhe dessem o título nobre em 1870 de Visconde São Lázaro.

São esses fatos que não devem ser esquecidos nem por nós da Amazônia e principalmente pelos portugueses estudiosos do assunto de além-mar. Destaco aqui o interesse nesta investigação do professor Miguel Sopas de Melo Bandeira.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

A dualidade da exploração de petróleo na Margem Equatorial: o que é e como afeta a Amazônia?

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Encontro das águas do rio Amazonas com o oceano Atlântico na costa do Amapá. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

Localizada no Norte do país, entre os estados do Amapá e Rio Grande do Norte, está a chamada ‘Margem Equatorial’, região litorânea considerada a nova fronteira exploratória brasileira em águas profundas e ultraprofundas. Próxima à linha do Equador, esta região, segundo a Petrobras, possui “um potencial petrolífero relevante” por conta das “características do óleo e pela estimativa dos volumes existentes”.

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As descobertas de petróleo na costa das Guianas e Suriname nos últimos anos fazem com que a região se torne ainda mais atrativa, despertando interesse da indústria nacional, mas também da internacional, focada em petróleo e gás.

Pela Amazônia, além dos países já citados, no Brasil estão os estados do Amapá, Pará e Maranhão nesta conta.

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A Margem Equatorial é dividida em cinco bacias sedimentares O foco da busca por petróleo atual é na Foz do Amazonas. Imagem: Reprodução/Petrobras
A Margem Equatorial é dividida em cinco bacias sedimentares O foco da busca por petróleo atual é na Foz do Amazonas. Imagem: Reprodução/Petrobras

Impasse: “lenga-lenga”?

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), em conjunto om outros representantes do Amapá, como o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), defende a possibilidade de exploração de petróleo na região da Foz do Amazonas.

No dia 3 de fevereiro, Alcolumbre se reuniu com o presidente Lula no Palácio do Planalto para discutir o assunto e solicitar apoio do governo na liberação. Eles defendem que a exploração do petróleo na área pode ser benéfica ao Amapá.

Alcolumbre destaca que o Amapá possui mais de 73% de seu território preservado e argumenta que a exploração de petróleo pode gerar importantes benefícios à economia local e nacional.

Desde 2020 a Petrobras tenta, sem sucesso, o aval do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para explorar a região. Em maio de 2023, o Instituto negou à Petrobras a licença para perfuração na Bacia da Foz do Amazonas, citando preocupações ambientais.

Em outubro de 2024, o Ibama indeferiu o pedido da Petrobras. O instituto solicitou mais informações sobre os planos elaborados para esta atividade, levando-se em consideração a sensibilidade da região de recifes de corais amazônicos.

Saiba mais: GARS: cientistas estimam que apenas 5% dos recifes de corais da Amazônia já foram investigados

O presidente Lula criticou o Ibama, sugerindo que o órgão parece estar em oposição ao governo. Em uma entrevista no dia 12 de fevereiro para uma rádio no Amapá, afirmou querer que a exploração seja feita na região, mas também destacou: “antes de explorar, nós temos que pesquisar”.

A fase atual, como enfatizou, é a de autorização para realizar pesquisas na região, para saber se há petróleo e se tem possibilidade, a longo prazo, de produção, beneficiando o país energeticamente e economicamente. Se comprovada a viabilidade da exploração, aí sim será necessária uma licença ambiental voltada à isso.

“O que não dá é para a gente ficar nesse ‘lenga-lenga’. O Ibama é um órgão do governo, parecendo que é um órgão contra o governo. […] A Petrobras é uma empresa responsável, tem a maior experiência de exploração em águas profundas, vamos cumprir todos os ritos necessários para que não cause nenhum estrago na natureza”, prosseguiu Lula em sua declaração.

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O impasse tem destaque por estar ganhando força justamente no ano em que Belém (PA) será a sede da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), prevista para ocorrer entre os dias 10 e 21 de novembro.

O presidente informou que há previsão de uma reunião, entre a Casa Civil e o Ibama, nos próximos dias para analisar a situação.

Em visita ao Amapá em 13 de fevereiro, o presidente da república “reforçou o interesse do Governo Federal em permitir que a Petrobras realize pesquisas na região da chamada Margem Equatorial para avaliar as riquezas em petróleo potencialmente existentes na região”, informou em nota o Planalto.

De acordo com o Planalto, para o presidente, “é plenamente possível fazer a prospecção sem que isso implique em dano ambiental, e os combustíveis fósseis ainda terão importância para o país, inclusive para ajudar a financiar a transição energética”.

“Eu sonho que um dia a gente não precise de combustível fóssil, mas esse dia está longe ainda. A gente não vai fazer loucura. A Petrobras é a empresa que tem mais tecnologia no mundo de prospecção de petróleo em águas profundas. Ninguém pode proibir a gente de pesquisar para saber o tamanho da riqueza que a gente tem”, afirmou Lula durante a visita ao estado.

Leia também: Litoral do Amapá: como é a bacia da foz do Rio Amazonas, alvo de disputa entre Ibama e Petrobras

Ambientalistas e Marina Silva

Ambientalistas e organizações, como o Greenpeace, também tem se manifestado sobre o assunto, apontando os riscos de explorar a região em busca de petróleo. Por conta do sistema de recifes amazônicos ainda não possuir estudos aprofundados, trata-se de uma área delicada e que exige um trabalho rigoroso para sua proteção e conservação.

Em casos de acidentes com o óleo, por exemplo, ele poderia se espalhar rapidamente pelos manguezais e até mesmo em águas internacionais. Além de se levar em consideração as populações que vivem na área de abrangência da Margem Equatorial.

O Greenpeace informou que um estudo do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA), com apoio do Greenpeace Brasil, mapeou as correntes marinhas da Bacia da Foz do Amazonas e apontam os riscos associados a essa atividade.

A organização inclusive lançou um abaixo-assinado, ‘Petróleo na Amazônia, não!’, pedindo que a região amazônica não se torne alvo desse tipo de exploração.

Além disso, as comunidades locais (indígenas, ribeirinhas, etc) já expressaram temer os impactos da exploração em seus modos de vida e de sobrevivência.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante audiência pública na Comissão de Infraestrutura no Senado, ressaltou que os estudos são de extrema importância para a proteção ambiental da região, mas reconheceu o potencial econômico da possibilidade de exploração:

A proposta da Petrobras

Com tudo isso, em dezembro do ano passado, a Petrobras apresentou um novo plano de emergências, que segue em análise pelo Ibama, ainda sem data para resposta.

Segundo a empresa, serão seis embarcações equipadas para contenção e recolhimento de óleo e três aeronaves para monitoramento e resgates.

Mapa da estrutura de resposta a emergências da Petrobras para a Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá. Foto: Divulgação/Petrobras

No dia 29 de janeiro, representantes da empresa apresentaram ao governador do Amapá, Clécio Luís (Solidariedade), um plano para eventuais acidentes durante as pesquisas. O Centro de Despetrolização e Reabilitação de Fauna é uma das medidas, com base no município de Oiapoque.

A previsão é de serem perfurados 16 poços na Margem Equatorial até 2028, com um investimento de US$ 3,1 bilhões.

*Esta matéria segue em atualização conforme avançarem as negociações e resoluções sobre o assunto

“A nova geração vai herdar um mundo mais quente”: olimpíada desafia estudantes a restaurar a natureza

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Foto: Katarina Silva/Coletivo Miracema/WWF-Brasil

Estudantes do 7º ao 9º ano do ensino fundamental e do 1º e 2º ano do ensino médio de escolas públicas e privadas de todo o Brasil já podem se inscrever na 3ª edição da Restaura Natureza, uma olimpíada que alia teoria e prática em ações climáticas para trazer de volta equilíbrio ao planeta.

O desafio promovido pela organização sem fins lucrativos WWF-Brasil, insere crianças e jovens no contexto dos debates que ocorrerão na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) e na 6ª Conferência Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA), a serem realizadas este ano em Belém (PA).

Leia também: Belém do Pará: a capital amazônica que receberá a COP30

“A nova geração vai herdar um mundo mais quente, com mais eventos extremos e por tanto é essencial fomentar o maior engajamento dos jovens com a agenda ambiental, especialmente no ano da COP 30 no Brasil”, diz Veronica Maioli, especialista de conservação do WWF-Brasil.

Com os fóruns de negociações globais acontecendo no país, a organização da Restaura Natureza espera um número crescente de inscrições, como já ocorreu nos anos anteriores.

Enquanto na primeira edição participaram 7.424 estudantes e professores, com a apresentação de 208 projetos, o segundo desafio teve 8.437, com 275 projetos.

Como participar?

Para se inscrever é necessário formar uma equipe que tenha a participação de um professor responsável e acessar a página restauranatureza.org.br  para preencher um cadastro. A inscrição é gratuita e poderá ser feita até o dia 5 de maio.

Depois dessa etapa, cada estudante já estará habilitado a participar da fase online, na qual responderá a quizzes sobre dez temas que reforçam a urgência da restauração da natureza, como escassez hídrica e segurança alimentar, por exemplo. Os pontos acumulados individualmente online somarão para a fase prática, que será executada em equipe. 

“As crianças e adolescentes irão desenvolver, acompanhados de um professor responsável, os seus projetos relacionados ao uso de tecnologia, plantio, incidência política, campanhas de engajamento ou qualquer ação que promova a restauração dos ecossistemas”, explica Verônica.

De acordo com a especialista, os projetos concorrerão nas categorias comissão julgadora e voto popular e os vencedores serão premiados com brindes e viagens para conhecerem projetos e ações que ampliem suas percepções sobre restauração. Verônica destaca ainda que a olimpíada é uma das ferramentas de educação ambiental capaz de gerar transformações para um futuro melhor e saudável para todos. 

“Ela permite uma maior participação, integração e discussão, estimulando um novo olhar sobre as emergências climáticas com inovação e com transformações sociais, incentivando novos comportamentos que nos permitam enfrentar, minimizar ou nos adaptar melhor com um novo futuro”, conclui.

*Com informações da Agência Brasil