O governo do Acre, por meio da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), e a Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semeia), estão investigando um evento de mortandade de peixes no Rio Acre, registrado no início da semana por moradores da região da Estrada do Quixadá, zona rural da capital acreana.
Uma equipe composta por técnicos e biólogos da Sema, Imac e da Semeia realizou uma vistoria no Rio Acre no dia 9 de outubro, para análises detalhadas da temperatura e qualidade da água, a fim de identificar possíveis causas do ocorrido.
Foto: Carina Castelo Branco/Sema AC
A secretária do Meio Ambiente, Julie Messias, destacou a importância das análises técnicas e explicou que a situação vem sendo enfrentada com planejamento e coordenação de forma integrada.
“O Imac recebeu a denúncia sobre a possível mortandade de peixes na terça-feira, e hoje [quarta-feira] estabelecemos uma força-tarefa com técnicos especializados para realizar essa análise. A partir dela, poderemos identificar as possíveis causas da morte desses peixes e o prejuízo à fauna aquática. Esse trabalho é fundamental para descobrirmos os fatores causadores, sejam eles poluição, alta temperatura ou baixa oxigenação da água. O governo do Estado e a prefeitura estão atuando de forma integrada para identificar as possíveis causas da mortandade”, ressaltou a secretária.
De acordo com a chefe do Departamento de Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental da Sema, a bióloga Ana Negreiros, o trabalho incluiu a coleta de amostras da água e entrevistas com moradores, que relataram o aparecimento de peixes mortos nos últimos dias.
“Analisamos diferentes pontos ao longo de um trecho de aproximadamente 28 km, saindo do Bairro da Base até a região do Quixadá. Também conversamos com os moradores, que nos falaram sobre o ocorrido”, explicou Ana Negreiros.
O pescador Pedro Ferreira, 57 anos, morador do Ramal do Oriente, na Estrada do Quixadá, relatou ter percebido peixes mortos às margens do rio no último domingo.
Foto: Carina Castelo Branco/Sema AC
“Essa é a terceira vez que vejo algo assim, a primeira este ano. Os peixes começaram a aparecer aqui no domingo. Acho que a água ficou sem oxigênio, por isso está acontecendo isso”, analisou o pescador.
As amostras coletadas serão submetidas a análises laboratoriais, e o resultado embasará uma nota técnica, que será elaborada em conjunto pelas instituições envolvidas. O documento esclarecerá as possíveis causas da morte dos peixes e orientará as ações necessárias.
Foto: Carina Castelo Branco/Sema AC
A ação também contou com o apoio da Defesa Civil Municipal e do Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC).
O Governo Federal, por meio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, intensificou as ações da Defesa Civil Nacional nos 62 municípios amazonenses prejudicados pela forte estiagem e incêndios florestais. A pasta escalou uma equipe do Grupo de Apoio a Desastres (Gade) para oferecer apoio estratégico e operacional ao governo do Amazonas, buscando mitigar os impactos causados pelas mudanças climáticas na região. Além disso, outras duas equipes foram enviadas ao Pará.
Para o secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, a prioridade é garantir que a população afetada pela estiagem e pelos incêndios, especialmente as comunidades mais isoladas, receba o suporte necessário de forma rápida e eficaz.
“Estamos mobilizando todos os recursos possíveis para minimizar os impactos dessa crise e salvar vidas. A integração entre os entes federativos é fundamental para que possamos enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas com mais eficiência”, afirmou o secretário.
No Amazonas, a equipe vem realizando reuniões com os principais órgãos do governo estadual, incluindo secretarias de Saúde, Segurança e Meio Ambiente, com foco em identificar as necessidades mais urgentes. As demandas incluem ajuda humanitária, fornecimento de equipamentos de proteção individual, apoio logístico para atender as comunidades mais remotas, entre outras.
Desafios
Um dos principais desafios enfrentados pela equipe é a logística envolvida na prestação de assistência aos locais mais remotos e de difícil acesso, como comunidades ribeirinhas e povos originários que vivem em áreas de preservação. Como a estiagem afetou severamente os rios, muitos trechos estão completamente secos, dificultando a chegada de suprimentos e apoio por hidrovias
Diante do cenário, o Gade está apoiando a articulação e a coordenação das ações com diferentes esferas do governo, além de trabalhar em conjunto com organizações locais.
Pará
Duas equipes do Gade também foram mobilizadas para prestar apoio aos municípios do Pará. Uma vai atuar em Belém e nas cidades vizinhas e a outra foi deslocada para Santarém, que sofre com a redução drástica dos níveis dos rios Tapajós e Amazonas, essenciais para a vida econômica e social da região. A equipe chegou ao município para alinhar as estratégias de resposta ao desastre e realizar visitas a diversas comunidades afetadas pela estiagem.
Articulação com entes
Em reuniões com autoridades locais, como o prefeito de Santarém, Nélio Aguiar, e o secretário de governo do estado, João Pingarilho, foram discutidas medidas emergenciais para minimizar os danos e prejuízos à população. Entre as ações previstas, estão o fortalecimento da articulação entre os sistemas estadual e municipal de Proteção e Defesa Civil e o apoio na captação de recursos federais, necessários para enfrentar o desastre e acelerar a resposta.
Além de Santarém, a Defesa Civil Nacional atua prestando assistência aos demais municípios paraenses impactados pela estiagem. O esforço conjunto busca não apenas atender às necessidades imediatas, mas também estabelecer um plano de ação contínuo que possa reduzir o sofrimento das populações afetadas e garantir maior resiliência frente aos eventos climáticos futuros.
*Com informações da Secretaria de Comunicação do Governo
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) resgataram onça-pintada macho, adulto, na tarde do dia 11 em Santa Cruz do Xingu. O animal havia caído em um poço desativado com cinco metros de profundidade, localizado em uma fazenda na zona rural do município.
A força-tarefa durou cerca de 10 horas entre o deslocamento da equipe que saiu de Cuiabá até o local do acidente, e envolveu 12 pessoas, entre veterinários, bombeiros, policiais e seguranças.
O coordenador de Fauna e Recursos Pesqueiros da Sema-MT, Eder Toledo, explicou que foi acionado pela equipe de uma clínica conveniada de Confresa sobre o ocorrido.
“Imediatamente, organizamos a logística para ganhar tempo e realizar o resgate. Com o auxílio da equipe do Ciopaer, saímos bem cedo, e, já no local, constatamos que o animal estava vivo, porém magro e desidratado”.
Eder explicou que a equipe do Corpo de Bombeiros desceu até o local onde estava o animal e o içou para a superfície. A onça já havia sido sedada por agentes da ONG Ampara Silvestre.
Ainda segundo o coordenador, havia marcas de unhas na parede do poço, o que indica que o animal teria tentado subir o poço, mas deve ter cansado e desistido.
O médico veterinário Jorge Salomão apontou que a onça apresentava ferimentos pelo corpo, que podem ter sido ocasionados por outro animal, mas o prognóstico somente poderá ser confirmado depois de exames clínicos detalhados.
“Foi uma queda de altura considerável, mas, no manejo e na retirada do animal, constatamos a necessidade de exames para depois tomar as medidas necessárias, assim como para acompanhar a sua evolução”, observou.
O animal foi levado para o espaço da Ampara Silvestre, na Estrada Parque Transpantaneira, e será acompanhado pela equipe multidisciplinar da Sema e da instituição.
Também apoiaram a força-tarefa o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), policiais militares e seguranças da propriedade onde o animal foi localizado.
*Com informações do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso
A Assembleia Anual dos Pecuaristas do Equador, que aconteceu no dia 7 de outubro, reuniu-se para analisar os principais desafios que este setor enfrenta, entre os quais estão as mudanças climáticas, a crise energética, a mudança geracional e o roubo de gado. O diretor-geral da Associação dos Criadores de Pecuária da Serra e do Oriente, Juan Pablo Grijalva, destacou que um dos principais desafios do setor são as alterações climáticas que, com eventos extremos como secas cada vez mais intensas e chuvas profundas, afetam gravemente os criadores de gado.
Grijalva referiu-se ainda aos problemas da mudança geracional com uma “juventude que já não quer estar no campo (…), quer sair para a cidade” e o roubo ou furto de gado pelos quais, disse, as explorações agrícolas sofrem ataques de ladrões que amordaçam trabalhadores e roubam máquinas e gado. ”Por fim, a crise energética que atravessa o Equador, que obrigou o Governo a decretar cortes de energia elétrica de até 11 horas por dia em diversos setores do país desde 25 de setembro, dificulta tarefas como a refrigeração”.
Isto, indicou Grijalva, tem causado perdas e custos, especialmente para os pequenos produtores, o que pode ser verificado ao longo do tempo no aumento dos preços dos alimentos nos mercados.
Novos mercados
Na abertura da Assembleia, Grijalva falou sobre a possibilidade de abertura a novos mercados, como a China, para os quais, indicou, já se encontram em processo de certificação de várias fábricas para exportar para este país asiático, fruto do acordo de comércio livre que entrou recentemente em vigor entre a China e o Equador.
Grijalva assegurou que os próprios pecuaristas devem “tomar o futuro nas suas próprias mãos e decidir o que devem fazer”, com vista a procurar soluções e novas oportunidades para o futuro.
Sobre o potencial do Equador na produção de leite, Ariel Londinski, secretário-geral da Federação Pan-Americana de Lacticínios, mencionou aos jornalistas vários dos fatores que o país já possui, como uma tradição no setor ou uma multiplicidade de climas e raças pecuárias.
“O Equador participa pouco do mercado internacional, mas é um elemento que pode ser aumentado desde que sejam implementadas boas práticas na política de aumento da produção e que o setor industrial, ajudado pelo Estado, possa abrir canais e mercados interessantes”, declarou.
Para promover o aumento da participação da região latino-americana nos mercados internacionais, Londinski indicou que é preciso trabalhar questões como qualidade, produtividade, capacitação e profissionalização dos produtores. Participaram deste espaço representantes de diversos sindicatos, reunindo cerca de 400 pecuaristas nacionais, além de expositores internacionais.
Volume de chuvas influiu para aumento no nível do Rio Acre na capital. Foto: Andryo Amaral/Rede Amazônica AC
O Rio Acre subiu mais de um metro nas últimas 24 horas na capital Rio Branco e voltou a passar dos 2 metros após 122 dias, com 2,70 metros segundo a medição das 7h desta segunda-feira (14) feita pela Defesa Civil Municipal. No domingo (13), o rio estava em 1,59 metro, o que representa um crescimento de 1,11 metro nas últimas 24h.
Contribuiu para o aumento o volume de chuva registrado no período, que foi de 20,60 milímetros ainda segundo a Defesa Civil de Rio Branco. Com o índice, já foram 136 mm de chuva desde o dia 1º de outubro na capital acreana. O montante corresponde a 79,5% dos 171 mm estimados para o mês.
“A tendência agora é que essas chuvas, mesmo em pouco volume, elas se intensifiquem mais, e que chova dentro da média para o mês. A previsão é que essas chuvas em maiores volumes, que antes estavam previstas para a segunda quinzena de outubro, que elas fiquem mais para o mês de novembro. Mas vai continuar subindo”, avalia o coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Carlos Batista.
O coordenador ressalta, porém, que enquanto o nível apresentou crescimento na capital e outras regiões próximas, o restante do estado ainda tem pontos com redução no nível de rios e igarapés, e precisam que as chuvas se intensifiquem.
Com a medição desta segunda, o nível do Rio Acre já registra um crescimento de 1,27 metro no mês de outubro. A última vez que a medição havia ultrapassado os 2 metros foi no dia 13 de junho, quando chegou a 2,06 metros.
No período, o rio chegou a estabelecer novas marcas negativas, como a menor cota histórica, que foi de 1,23 metro, registrada no dia 21 daquele mesmo mês.
“Choveu, mas foi aqui na bacia do Rio Acre, e foi mais aqui nessa parte de baixo, aqui de Rio Branco, nessa região. Mas, a previsão é que continue tendo chuvas, mesmo em pequeno volume, mas vai influenciar na subida do nível do rio”, acrescenta Batista.
Seca histórica
Segundo a Defesa Civil Estadual, essa foi a primeira vez desde 1971, quando iniciou a medição do manancial, que as águas permanecem tanto tempo abaixo da cota de 2 metros.
Em 13 de junho, o nível do Rio Acre estava com 2,06 metros na capital. No dia seguinte, as águas baixaram para 1,99 metro. A partir de então, o nível do manancial seguiu baixando e chegou a estabilizar em algumas épocas, contudo, não voltou a ficar mais acima da cota de 2 metros.
“É o período que ele passou com o tempo maior, mais de 3 meses, abaixo da cota de 2 metros. O nível deu uma subida de sexta-feira [27], quando estava com 1,27 metro, subiu para 1,41 [no sábado,28], hoje [segunda-feira, 30] baixou para 1,38 metro. Já voltou a abaixar novamente”, explicou o coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Carlos Batista à época.
Ainda segundo o coordenador, a subida repentina ocorreu por conta de chuvas isoladas em algumas regiões do estado. “E a tendência é que essas chuvas isoladas, pequenos volumes, continuem ocorrendo. Então, chuvas com maior significado, em volumes maiores, as previsões mostram só para depois do dia 15 de outubro. Mas, pode ocorrer nesse intervalo chuvas significativas, mas em pequenas áreas”, diz o coronel.
No dia 21 de setembro, o Rio Acre bateu 1,23 metro na capital acreana, a menor marca registrada nos últimos 53 anos e estabeleceu a seca de 2024 como a maior da história do estado. O manancial em Rio Branco se encontra abaixo de 4 metros há mais de 4 meses.
As menores cotas já registradas são:
1,30 metro – 17 de setembro de 2016
1,29 metro – 11 de setembro de 2022
1,27 metro – 28 de setembro de 2022
1,26 metro – 29 de setembro de 2022
1,25 metro – 2 de outubro de 2022
1,25 metro – 20 de setembro de 2024
1,23 metro – 21 de setembro de 2024
O governo do Acre decretou emergência por conta da seca em 11 de junho, com validade até 31 de dezembro deste ano. Já a capital publicou o decreto em 28 de junho, com situação reconhecida pelo governo federal quase um mês depois, em 24 de julho.
Para evitar uma crise no abastecimento da capital, o Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb), construiu uma barragem próxima da captação das bombas da Estação de Tratamento de Água (ETA) II.
Coronel Joaquim Francelino de Araújo. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br
O Coronel Joaquim Francelino de Araújo nasceu no Ceará a 12 de março de 1851, sendo seu genitor o Coronel Francisco de Araújo. Fez seus estudos primários na cidade de São Bernardo, daquele estado e os preparatórios no Seminário de Fortaleza.
Aos dezoito anos de idade partiu para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Escola de Farmácia do Rio de Janeiro, onde diplomou-se. Após a formatura, ali permaneceu por três anos dedicando-se aos afazeres de sua profissão. Regressando ao Ceará, passou a trabalhar no comércio e em outras atividades no interior, estabelecendo-se na cidade de Camocim e em seguida para a cidade de Viçosa.
Casou com a senhora Clotilde Beviláqua, irmã dos doutores Clóvis Beviláqua e Angelino Beviláqua. Deste casamento o casal trouxe ao mundo os filhos: doutor Albérico Beviláqua de Araújo, Albucassis Beviláqua de Araújo, Maria Araújo e Elidiana de Araújo Menezes, casada com Celino Menezes.
Em 1884, transferiu-se para Manaus, aqui abriu a Farmácia Central, esquina da antiga rua do Imperador, atual Marechal de Deodoro, com Theodoreto Souto, na qual trabalhou até 1900.
O Coronel Joaquim Francelino de Araújo ingressou na politica, filiando-se no Partido Nacional, dirigido a época pelo doutor Jonathas Pedrosa, tendo sido um político combatente e de grande atividade. Deixando a farmácia, foi nomeado Depositário Público. Em 1913, exerceu o mandato de vereador em Manaus. Em 1916, retirou-se do Amazonas, indo trabalhar nos escritórios da Empresa Port of Pará.
Marcelo Barbosa Peixoto, Sereníssimo Grão-Mestre da Grande Loja do Estado do Amazonas (GLOMAM). Foto: Abrahim Baze/Acervo Pessoal
Quem quer que ainda creia nos altos desígnios do homem sobre a face da terra; quem quer que ainda não tenha todo descrito da ação civilizadora nos destinos da humanidade; quem quer ainda não se tenha tornado em absoluto indiferente ao movimento regenerador que as conquistas do espírito humano vão operando no mundo, limpando – o dos preconceitos religiosos, libertando – o dos prejuízos políticos; quem quer que ainda se sinta agitado pelos superiores ideais de direito e de justiça; quem quer que ainda tenha alma para crer, coração para sentir – não pode deixar de se descobrir reverente e atencioso numa saudação que traduza respeito e consideração, antes a personalidade simpática desse homem que é a mais completa encarnação da bondade, no que ela contém de mais suave e de mais carinhoso, de mais belo e de mais sublime, de mais meigo e de mais angélico.
Nestes tempos de intensa vida e de desamor, em que por assim dizer o homem, no conjunto de todas suas faculdades, absorvido no dia a dia pela busca da sobrevivência que o domina por inteiro, não saindo do seu egoísmo se não para se mover na direção que lhe é indicada pelos seus interesses individuais, constitui um caso raro digno de menção, encontrarmos alguém com muita resignação para sofrer e com uma grande soma de bondade para com o próximo, com alma de crente sincero pairando mais alto por cima das mazelas sociais, com uma convicção profundamente inabalável de que a principal missão no seio das sociedades, a que mais o honra e lhe dá nobreza, a que mais engrandece exalta e dignifica é a prática do bem.
Aniversário de 146 anos da Loja Amazonas n°2. Fotos: Reprodução/Glomam
Fazer o bem eis em que consiste a religião de Joaquim Francelino de Araújo. Maçom atuante e um espírita convencido que somente a caridade o aproxima de Deus. Alquebrado pelos embates da diversidade da vida do que pelo peso dos anos vividos. Ele Joaquim Francelino de Araújo vai calmo, sereno, atravessando a existência firme na sua consciência tranquila de homem probo, apoiado na firmeza de seu caráter, sem as humilhações degradantes dos subservientes e nem tão pouco as revoltas histéricas dos libertinos, mas como simples e sincero apóstolo de uma religião que prega a paz, o amor e a caridade, trazendo consigo o espírito iluminado que lhe enche a alma generosa e boa.
Por toda sua vida caminhou alheio as grandezas e as vaidades mundanas, sem vícios que lhe pudesse corromper a sua existência, sem ambições desmedidas que o torne hipócrita e cruel, tem o culto extremado da família, cujo lar tranquilo e modesto, porém, honrado e alegre considerado por ele um templo sagrado, cuja, vida como esposo e como pai nunca se desviou se quer uma linha, nem mesmo em pensamento, do rigoroso cumprimento dos seus deveres. Foi sim um exemplo de modelo e de virtudes.
Se como chefe de família a sua conduta foi exemplar, como maçom dedicado e espírita por convicção teve uma vida irrepreensível. Considerado um homem de elevada alma nobre, mas, sábia e sublime que a que presidiu a organização da maçonaria à época. Como maçom esteve intimamente convencido de que a maçonaria é a obra mais completa que o homem produziu e de que, como Instituição humana dispõem melhor do que qualquer outra de todas as instituições precisas para tornar o homem feliz, levantando-lhe o moral, refretando-lhe os instintos, desembaraçando do fanatismo religioso, tornando – o bom e justo, tolerante e sociável, sem ódios a satisfazer, sem vinganças a pôr em prática, pronto a qualquer sacrifício em proveito da liberdade e da justiça, onde quer que os tiranos tentem ofuscar o espírito humano – ou seja em nome das religiões ou da política, fundando definitivamente na face da terra o regime da paz e da fraternidade.
A maçonaria lhe consagrou o melhor de sua existência. A seu serviço constante, ininterrupto, todos os dias empregou a sua atividade de forma incansável crente e fervoroso sem desanimar, mesmo quando o peso da fadiga lhe abatesse, sem jamais desertar ou abandonar a jornada.
Por um longo período durante todas as noites trabalhou nas diversas oficinas do oriente de Manaus, dando salutar exemplo de uma dedicação sem limites, de uma correção irrepreensível, ensinando os neófitos, aconselhando os inexperientes, a todos carinhosamente envolvendo no manto augusto de sua bondade inesgotável.
Sem ser um grande orador, sem pretensões a ser dono da palavra, contudo agrada sempre ouvi-lo falar, não pelos rasgos da eloquência, pela pompa das imagens, mas pelo alto cunho de sinceridade e convicção que dá as proposições que anuncia aos conceitos que emite a apologia que faz de tudo o que diz respeito as Instituições Maçonaria. Como seguidor fidedigno do espiritismo de Alan Kardec ele falava como vidente, como iluminado e ver-se que fica em êxtase, numa visão paradisíaca, na contemplação mística de beleza celestial, de tal maneira se lhe apresentam ao espírito as sublimidades dos princípios maçônicos.
Foi um dos sustentáculos mais fortes e mais dignos da sublime instituição maçônica amazonense, que lhe deve inestimáveis serviços, embora seu nome não seja lembrado nas lojas dos dias atuais.
No dia 17 de dezembro de 1893, às sete horas no salão de honra no edifício da Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas, com a presença do Sr. Governador do Estado Eduardo Gonçalves Ribeiro, Alberto Leal e Joaquim Francelino de Araújo presidiu a comissão encarregada de representar a Benemérita e Beneficente Loja Maçônica Esperança e Porvir, na inauguração do referido hospital.
Atual Venerável Mestre da Loja Amazonas n°2, Carlos Carvalho. Foto: Carlos Carvalho/Acervo pessoal
Ele foi um dos membros fundadores da Sociedade de Propaganda Espírita, criada em Manaus em janeiro de 1901. A Sociedade tinha por fim o estudo, a difusão do espiritismo e a prática da caridade. Neste mesmo ano ele assume a diretoria na função de tesoureiro. Em 1902, novamente aparece na diretoria como segundo vice presidente. Em 1904, foi criada a Federação Espírita Amazonense e Joaquim Francelino de Araújo novamente toma parte da diretoria na função de tesoureiro.
Foi iniciado maçonicamente no dia 24 de agosto de 1889, na Benemérita Loja Capitular Amazonas, no oriente de Manaus, nessa oficina exerceu o cargo de secretário durante cinco anos consecutivos e o de venerável mestre ao longo de doze anos seguidos e tendo prestado os mais relevantes serviços a esta oficina. A partir de 1909 e por um longo período foi o seu orador.
A referida oficina concedeu-lhe o título de Benemérito e Remido. Foi-lhe concedido o título de Benemérito e Membro Honorário da Assembleia Geral do Grande Oriente do Brasil e do Grande Capítulo dos Noachitas, Benemérito das Lojas Esperança e Porvir e Fraternidade Amazonense, filiando-se nas Lojas Conciliação Amazonense, Rio Negro, Deus Lei e Perseverança e das Lojas Aliança, no Oriente de Canutama e União Paz e Trabalho no Oriente de Parintins. Foi membro honorário do Supremo Conselho do Brasil, foi um dos fundadores da Loja Capitular Fraternidade Amazonense e um dos instaladores do Consistório.
Fonte: Boletim Maçônico. Ano n.º 3, dezembro de 1924. Pág. 3.
Sobre o autor
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), por decisão do desembargador Flavio Jardim, ao considerar a BR-319 como de extrema importância para a economia local e o único acesso terrestre entre Manaus e Porto Velho, derrubou, na segunda-feira, 7, a liminar da 7ª Vara Ambiental e Agrária da Seção Judiciária do Amazonas (SJAM) promulgada pela juíza Maria Elisa Andrade, suspendendo a reconstrução e asfaltamento do trecho do Trecho do Meio, entre o km 250,7 e o km 656,4, da BR-319.
A magistrada havia decidido contra a rodovia, contra as economias do Amazonas, de Roraima, de Rondônia e a favor da ação civil pública movida pelo Observatório do Clima (OC), rede que reúne dezenas ONGs contrárias à obra, determinando a anulação da licença concedida pelo Ibama em 2022. Em síntese, uma organização estrangeira, na visão da titular da SJAM, tem mais força, é mais importante do que o conjunto de dois estados separados geograficamente da federação brasileira.
Para o presidente da Associação Comercial do Amazonas, Bruno Pinheiro, em nota assinada e publicada na página da ACA, “a recente decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região marca mudança de cenário extremamente relevante para o desenvolvimento econômico da nossa região; em particular ao setor comercial, a medida alimenta expectativas muito positivas”. Efetivamente, segundo Pinheiro, “a pavimentação da Manaus-Porto Velho representa solução para um problema histórico de infraestrutura que afeta profundamente a logística e, consequentemente, a competitividade das empresas que atuam na Zona Franca de Manaus no que diz respeito, sobretudo, a custos de transporte, facilitação do escoamento de mercadorias, o fortalecimento das operações do comércio, indústria, serviços e do agronegócio na região, além de causar desestímulo à atração de novos investimentos para o nosso estado”.
Pinheiro destaca que, “com a rodovia em melhores condições espera-se um aumento na circulação de bens, mais acesso a mercados e uma maior integração das comunidades locais, que tradicionalmente convivem e sofrem os efeitos do isolamento”. Outro fator fundamental, acentua, “diz respeito à minimização dos “efeitos das estiagens que tivemos em 2023, 2024 e a previsão de repetição desse fenômeno em 2025”. Considera ainda que “secas severas reforçam a necessidade de um modal rodoviário eficiente para o Amazonas e Roraima, uma vez que a navegação fluvial, tradicionalmente o principal meio de transporte da região, tem sido muito prejudicada em períodos de seca extrema”. A BR-319, portanto, “surge como uma alternativa fundamental para manter o fluxo de mercadorias e a mobilidade da população mesmo durante essas crises”, salienta.
O presidente da ACA defende que a continuidade das obras, sem incidentes, especialmente de natureza jurídica, reforça “a expectativa de que os estudos ambientais apresentados pelo Ibama e DNIT, reconhecidos como suficientes no contexto da decisão do TRF-1, ofereçam um respaldo sólido para que as obras prossigam conforme o planejado”. Embora a questão ambiental na região amazônica sempre desperte atenções, Bruno Pinheiro acredita que com monitoramento rigoroso e o cumprimento de medidas mitigatórias pragmáticas será possível avançar sem maiores entraves legais”. Desta forma, enfatiza, “a Associação Comercial do Amazonas (ACA) está acompanhando de perto o andamento dessas obras e continuará atuando para assegurar que o equilíbrio entre desenvolvimento e preservação ambiental seja mantido em benefício de todos”.
Do lado do DNIT, o órgão argumenta que “a BR-319 não só facilita o trânsito entre o Amazonas e Rondônia, como também conecta o estado vizinho de Roraima ao restante do Brasil. Salienta, por outro lado, que “a falta dessa ligação rodoviária impacta diretamente o escoamento de produtos e serviços da região, além de prejudicar o deslocamento de pessoas”. Considera, ainda, “que o transporte rodoviário representa uma solução viável e necessária, uma vez que o modal fluvial via Rio Madeira é limitado pela geografia e sujeito a estiagens que assolam os rios da região, e o transporte aéreo é caro e de baixa disponibilidade”.
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
Charge de balsa é tradição em jornais impressos do Acre. Imagem: Dim Mendes/A Gazeta do Acre
As Eleições 2024 ocorreram no dia 6 de outubro e, claro, nem todo mundo vence o pleito — faz parte do processo eleitoral democrático. Justamente por conta disto, nesta época já é de costume do acreano escutar que um candidato “desceu na balsa para Manacapuru”. Mas qual a origem deste termo?
O significado é diferente no Acre do que é para outras pessoas do Brasil, principalmente se for dito após contexto eleitoral. Isso porque essa é uma expressão usada para definir quem foi derrotado e não foi eleito ao cargo a que concorria.
Em todas as eleições, os jornais impressos do Estado faziam uma charge dos candidatos derrotados em uma balsa. Atualmente, essa versão foi atualizada para o universo digital.
‘Descer de bubuia’
O Grupo Rede Amazônica conversou com o historiador Marcos Vinicius Neves para entender a origem dessa expressão. De acordo com ele, o primeiro a usar o termo foi o jornalista Aloísio Maia, que foi quem readaptou essa metáfora, baseada em outras expressões anteriores. Neves explica que na Amazônia há uma ação chamada ‘descer de bubuia’.
“O que desce de bubuia, o rio, o bubuiar, que é uma coisa que é do arquétipo amazônico. Aquilo que desce o rio pela correnteza, é o que já está gasto, é o que está usado, é o que não presta mais. Então a pessoa joga dentro do rio e o rio se encarrega de levar, é o lixo, é o que não presta”, diz.
‘Judas malhado’
O historiador cita que a outra referência para que “descer a balsa” seja usado com frequência no Acre é a do ‘Judas malhado’ pelos seringueiros. Essa é uma tradição católica que seria uma maneira de vingança pela traição de Judas contra Jesus.
Segundo Neves, no Acre, dentro dos seringais, os seringueiros vestiam Judas como seringueiro, colocavam numa balsa e empurravam para descer o rio. Enquanto a balsa estava descendo, eles ficavam nos barrancos, jogando pedras e xingando Judas que estava descendo ‘de bubuia’.
“O que em alguma medida é isso: quem não presta, o que não presta, o destino é ser colocado para descer o rio e isso de uma certa maneira, essa figura, essa imagem do inconsciente coletivo amazônico, foi colocada também em relação aos políticos”, esclarece.
Charges que retratam os derrotados nas eleições dentro de uma balsa são comuns desde os anos 1970 no Acre. Foto: Arquivo/A Gazeta do Acre
Contexto histórico
Mais um motivo para que a balsa no Acre tenha outro significado é referenciado pelo historiador como a época das revoltas autonomistas, em Cruzeiro do Sul em 1910, e em Sena Madureira em 1912, onde o castigo para o governante autoritário, que era deposto por essas revoltas autonomistas, era ser colocado numa balsa para descer de bubuia o rio e “sofrer o castigo”.
“O castigo dele era ser expulso do Acre, embarcado numa balsa, descendo de bubuia na correnteza do rio, para demorar bastante e portanto ir pagando os pecados dele. É o castigo principal dos maus governantes derrotados”, atesta.
E foi através dessas referências que Maia, em 1970, usou pela primeira vez, Manacapuru como uma forma de citar uma “punição” aos perdedores da eleição.
“Então Luís faz essa síntese da balsa e ele bebe dessa fonte, tanto do arquétipo amazônico no descer de bubuia, significando jogar fora o lixo, aquilo que não presta, quanto também o ativismo político, tipicamente criando que no período de território federal que faz revoltas e depõe os maus governantes e os expulsam do Acre através de uma balsa, até porque não tinha outra maneira de ir embora, o Acre só chegava e só saía de barco”, comenta Neves.
O chargista Dim Mendes faz charges desde 1984. Foto: Dim Mendes/Arquivo pessoal
O historiador ainda cita que viajar em um rio num barco a vapor numa cabine de luxo, muito comum na época da Revolução Acreana, não era um castigo.
“Então o castigo era botar na balsa para descer de bubuia. O Aloísio Maia sintetiza isso tudo e eu acredito que é por conta da profundidade disso, dessa ideia, dessas imagens na sociedade acreana, que isso se cristalizou. A gente está falando dos anos 70, a balsa para a Manacapuru, portanto, já tem mais de 50 anos, então é uma coisa já bastante enraigada na cultura política do Acre”.
Neves também menciona que Aloísio Maia era um jornalista muito expressivo e tinha coluna nos jornais locais do Acre, que o ajudou a formular e disseminar a imagem do político derrotado, sendo “condenado” a pegar uma balsa para ir para Manacapuru.
“Esse é o caminho normal da descida do Rio Acre, o Rio Purus, você vai chegar no lago do Manacapuru, que fica lá na boca do Rio Purus junto ao Rio Solimões. É o destino natural de quem desce, de balsa, de bubuia, pela correnteza. Portanto, vai de forma muito lenta, muito penosa, muito devagar, e aí vai sofrendo e pagando seus pecado. Vai ficar uma temporada lá no lago do Manacapuru, ouvindo o choro do surubim, porque lá não tem mais nada para fazer, então esse é o castigo”, esclarece ele.
Na Amazônia, como regra, fazer educação não é algo simples. Das 616 escolas da rede estadual de ensino do Acre, mais de 200 estão localizadas em aldeias de municípios como Sena Madureira, Tarauacá, Feijó, Jordão, Santa Rosa do Purus, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Assis Brasil.
Em uma dessas escolas, a Tekahayne Shanenawa, na aldeia Morada Nova, no município de Feijó, trabalha o professor Cileudo Shanenawa, que atua há 17 anos na educação e iniciou ensinando alunos do ensino fundamental, anos iniciais. Atualmente atua como coordenador administrativo.
Cileudo é um dos 548 professores indígenas da rede pública de ensino do Acre. Somente na escola em que ele trabalha são em torno de 173 alunos, desde o ensino fundamental, anos iniciais, passando pelos anos finais, até o ensino médio.
O educador conta que, na época, faltavam pessoas para preencher o cargo de professor. Por isso, acabou aceitando o convite para ministrar aulas na escola. “Fui convidado porque me dedicava aos estudos e era ativo nas reuniões e nas mais diversas atividades realizadas na nossa aldeia”, relata.
Foto: Cileudo Shanenawa/Acervo pessoal
A partir do trabalho realizado em sala de aula, resolveu concluir os estudos. Cursou o ensino médio e posteriormente a graduação em uma universidade particular, obtendo licenciatura plena em geografia.
Em sala, já chegou a ministrar aulas na língua nativa. Conta que ainda não realizou todos os seus sonhos na educação. “Ainda pretendo me especializar, quero fazer mestrado e doutorado, para ajudar na educação das pessoas e da minha aldeia”, diz.
Segundo o professor, a escola é fundamental na vida social e cultural da aldeia, porque é lá que se resguardam as tradições do Povo Shanenawa, sobretudo se se levar em consideração o fato de a aldeia estar próxima à cidade de Feijó.
“A escola é o lugar onde a gente pode resguardar as tradições do nosso povo, pois podemos realizar um ensino voltado para a nossa realidade; isso é garantido por lei, embora a gente também tenha que trabalhar as questões da sociedade que estão a nossa volta”, explica.
O professor também ministra aulas práticas voltadas à cultura do seu povo, o que fortalece a identidade e transmite a força da sua ancestralidade.
Ativo desde os anos 70, o Porto do Itaqui, no Maranhão,é um dos mais importantes portos públicos da América Latina, integrando um dos maiores complexos portuários organizados do Brasil, que tem se tornado uma eficiente conexão logística, em razão da sua eficaz infraestrutura multimodal, tendo uma das maiores movimentações de cargas do Brasil.
Além da contribuição para o desenvolvimento da atividade portuária de São Luís e do país, o Porto do Itaqui tem atravessado a história de muitos brasileiros, seja por meio da oferta de empregos, seja pela diversidade cultural gerada pela migração de pessoas de diferentes regiões do estado e do país em seu entorno.
Por meio da história oral, acessando a memória de quem fez parte de um evento, o projeto de extensão “Aportando nas Águas da Memória: escutar, conhecer, contar e preservar histórias de vidas do Itaqui”, desenvolvido no Laboratório de Extensão, Pesquisa e Ensino em Geografia (Lepeng), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), iniciou-se uma jornada de conexão entre o passado e o presente, resgatando a memória de trabalhadores da Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), empresa responsável pela gestão do Porto do Itaqui, com o intuito de preservar as contribuições da comunidade portuária e manter viva a sua história.
“Sendo um dos portos mais importantes da América Latina, o Itaqui tem grande relevância na história ludovicense. Sua localização, utilizada como área de fundeio, conta muitas histórias, assim como aqueles que ali trabalham e trabalharam ao longo dos anos, histórias essas não vinculadas apenas à economia local, mas ao modo de atuação, ao lugar, à paisagem natural e ao mítico e cultural, muito presente ainda hoje e por vezes desconhecidos, tanto pela comunidade externa, quanto pela portuária. Com este rico patrimônio cultural construído no cotidiano portuário, é de profunda necessidade que todo esse material histórico seja documentado e divulgado a fim de que possa se perpetuar”, observa Ronaldo Sodré, coordenador do projeto.
Ao preservar essas memórias e resgatar outras tantas não documentadas, que estão vivas nos bairros e nas comunidades do entorno, o projeto “Aportando nas Águas da Memória” também vai revelar as percepções e vidas construídas em ligação com o porto, além de potencializar as características de pertencimento dos trabalhadores que por ali passaram e daqueles que agora contribuem com a existência e ampliação de atividades. O projeto será acompanhado de perto por crianças e jovens das proximidades, conciliando a realidade vivida no porto pelas novas gerações ludovicenses.
Além dos trabalhadores que construíram e ainda constroem a história do Porto do Itaqui, outra participação efetiva é a comunidade escolar do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA) – Tamancão, que vai participar de oficinas, da aplicação de questionários, da documentação e divulgação dos resultados da pesquisa. Segundo Ronaldo, a escolha da escola levou em consideração a história da escola, sua localização geográfica e o fato de os estudantes serem moradores da Área Itaqui-Bacanga. O projeto conta com cinco estudantes bolsistas do IEMA-Tamancão.
Na última semana, os alunos do IEMA-Tamancão participaram da primeira oficina do projeto, com o intuito de prepará-los para fazer entrevistas com moradores do Itaqui-Bacanga, como explica o coordenador do projeto: “Fizemos essa primeira oficina, mas ainda teremos outras, a próxima será sobre cartografia. Também teremos oficina de história oral e de técnicas de entrevistas. A ideia é que eles busquem fazer entrevistas com moradores do Itaqui-Bacanga, que possam contar histórias sobre o processo de formação dos bairros e também da relação com o Porto do Itaqui. O projeto tem sido muito interessante porque está havendo uma troca de informações, os estudantes estão envolvidos, assim como toda a comunidade escolar, os professores, técnicos e pais estão participando ativamente de todas as etapas”.
Para Marivânia Pinheiro, aluna do IEMA Tamancão, o projeto “Aportando nas Águas da Memória” traz novas possibilidades e oportunidades.
“Está sendo muito importante para mim, é bom a gente ver que a gente está tendo a possibilidade de ter oportunidades de aprender coisas novas, eu estou vendo coisas que eu ainda não tinha visto [..] que talvez eu não teria a possibilidade de aprender se eu não tivesse entrado nesse projeto. Também saber que eu vou poder ter o contato com outras pessoas, conhecer histórias novas, isso para mim é muito importante, eu gosto muito de ouvir as pessoas.Com o que a gente praticou hoje, eu mesma puder ver coisas que eu não percebia. Isso me trouxe bastante benefício, e acredito que vai continuar trazendo ao longo do tempo”, comentou Marivânia.
A professora de Geografia do IEMA Tamancão, Lidiane Vasconcelos, vê o projeto como uma oportunidade de aproximar os alunos da educação básica da iniciação científica.
“A gente vê esse projeto como um grande incentivo, como um projeto que vem para ampliar, para abrir as portas do conhecimento e para trazer os alunos da educação básica para a iniciação científica. E a gente vê quão importante é a gente conhecer a história do nosso entorno e aí a gente tem aqui a parceria UFMA e Porto do Itaqui, trazendo essa oportunidade para que os meninos estudem, para que os meninos busquem, para que os alunos conheçam a história, conheçam a influência, quanto o Porto influenciou aqui na comunidade, aqui na sua região”, destacou a professora.
“Aportando nas Águas da Memória: escutar, conhecer, contar e preservar histórias de vidas do Itaqui” conversa com as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) em específico com a de número 8, que diz respeito ao Trabalho Decente e Crescimento Econômico. E conta com o financiamento da EMAP e Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema).