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Ruínas de vila fundada por Portugal há mais de 250 anos são estudadas no Amapá

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Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP

Pesquisadores estão estudando as ruínas da Vila Vistosa da Madre de Deus, fundada pela Coroa Portuguesa em 1767, às margens do rio Vila Nova, zona rural do município de Santana, no Amapá. O local chegou a ter cerca de 500 moradores, mas foi abandonado completamente no início do século 19.

De acordo com o pesquisador Marcos Guedes, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o principal motivo foram epidemias, como a de cólera. Os habitantes que sobreviveram se mudaram para outros locais, como a Vila de São José de Macapá e a de Mazagão.

“Essa vila teve ligação com o contexto histórico da colonização portuguesa na região amazônica. Na segunda metade do século 18, foram criadas três vilas na região do atual estado do Amapá. Uma das razões pro abandono da população da vila, foram as graves epidemias que aconteceram e forçaram a população a migrar pra outros lugares abandonando a vila”, disse o pesquisador.

De acordo com os registros históricos, além do comércio, a vila foi implantada para garantir a defesa da área contra aventureiros franceses, ingleses e holandeses que tinham interesse nessa região. O responsável pela fundação foi o governador do Grão-Pará e Maranhão, Fernando da Costa Ataíde Teive.

Ruínas de igreja na Vila Vistosa da Madre de Deus, no Amapá — Foto: Rafael Aleixo/g1
Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP

“E nessa vila moraram cerca de 500 pessoas, entre portugueses, indígenas e africanos escravizados. Havia autoridades na vila, havia um pároco. E o Brasil precisa conhecer essa história, porque nessas terras da Madre de Deus uma parte da história do Brasil aconteceu”, descreveu Paulo Roberto, diretor-presidente do Museu Afro Amazônico.

A estrutura da igreja possui paredes com meio metro de espessura, 20 metros de comprimento e 10 metros de largura.

A Raimunda Bousse Nobre cresceu nessa região e descreveu que chegou a ver o telhado da igreja, antes de desabar com o passar do tempo.

Raimunda Bousse Nobre, na Vila Vistosa da Madre de Deus, no Amapá — Foto: Rafael Aleixo/g1
Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP

“Meu pai me disse que ela era muito bonita. Ela era coberta de telha de barro e atrás tinha várias salas, como uma república. Parece quando se faz uma igreja e atrás se faz lugar pra catequizar. No fundo, por dentro, ela tinha uma armação, tipo de um santuário, que deveria ser muito lindo”, disse a moradora da região.

Ruínas de igreja na Vila Vistosa da Madre de Deus, no Amapá — Foto: Rafael Aleixo/g1
Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

ANTAQ e BNDES assinam contrato para iniciar estudos da concessão das hidrovias dos rios Tocantins e Tapajós

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Foto: Reprodução/Antaq

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) assinaram no dia 17 de fevereiro, em Brasília (DF) contrato para a estruturação do projeto de parceria para investimento e administração das hidrovias dos rios Tapajós e Tocantins, cobrindo cerca de 2.400 quilômetros de extensão de vias navegáveis.

O evento contou com a participação do diretor de Planejamento e Relações Institucionais do Banco, Nelson Barbosa, e do diretor-presidente da Antaq, Eduardo Nery Machado Filho.

As duas hidrovias estão entre os seis “Trechos Hidroviários Estratégicos” definidos no Plano Geral de Outorgas (PGO) da ANTAQ, sendo priorizadas pela política pública federal com base em critérios como o volume atual de transporte e o potencial de crescimento.

O projeto tem como objetivo viabilizar investimentos para ampliação de capacidade, dragagens de manutenção, sinalização, monitoramento e incremento da segurança da navegação, transformando o que atualmente são rios navegáveis em hidrovias de fato.

Ambos os rios enfrentam desafios comuns, como a necessidade de investimentos em dragagem e sinalização, especialmente em épocas de seca, conferindo perenidade para navegação ao longo do ano e um serviço de maior qualidade aos usuários transportadores de cargas.

“A maior utilização das hidrovias viabiliza o transporte de grandes volumes de carga de forma eficiente e com menor impacto ambiental em comparação ao transporte rodoviário. Além de reduzir as emissões de CO2, promovem o desenvolvimento regional, ao facilitar o escoamento da produção agrícola, mineral e industrial da região, gerando empregos e renda para a população”, explica o diretor do BNDES, Nelson Barbosa.

Segundo ele, “a outorga da administração das hidrovias nos rios Tapajós e Tocantins tem o potencial de promover o desenvolvimento econômico sustentável no chamado Arco Norte, fortalecendo a infraestrutura logística do Brasil e contribuindo para a integração regional.”

Hidrovia do rio Tapajós (650 km)

Hidrovia estratégica para a transferência de graneis sólidos vegetais oriundos principalmente do Mato Grosso, que seguem para transbordo em instalações portuárias aptas ao transporte marítimo em Santarém (PA), Santana (AP) ou Barcarena (PA). O Plano Geral de Outorgas (PGO) destaca o potencial para viabilizar navegações de cabotagem e longo curso nesse trecho, desde que sejam realizadas dragagens corretivas e o aprofundamento do canal. Serão estudados dois trechos: (i) entre Itaituba (PA) e Santarém (PA); e (ii) estreitos entre Breves (PA) e Abaetetuba (PA).

Hidrovia do rio Tocantins (1750 km)

Hidrovia que conecta o Centro-Oeste do Brasil ao Oceano Atlântico, tendo sido qualificada no Programa de Parcerias de Investimentos – PPI, por meio do Decreto nº 12.193/2024. Atualmente, a navegação de grande porte ocorre predominantemente entre o Porto de Vila do Conde e a foz do rio. O trecho entre Marabá (PA) e Barcarena (PA) também apresenta atividade de navegação comercial.

A médio e longo prazos, com a garantia de manutenção do trecho já navegável e investimentos na expansão da infraestrutura, especialmente em dragagens e no derrocamento do Pedral do Lourenço, a hidrovia pode agregar progressivamente novos trechos a montante, ampliando sua relevância para o transporte regional e nacional.

*Com informações do BNDES

Mirantes de Porto Velho, onde a natureza se une à gastronomia

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Foto: Reprodução/Instagram-Mirante Sapucaia

Porto Velho (RO) é um destino que atrai por suas belezas naturais e opções gastronômicas. Para quem busca um momento de contemplação aliado a uma boa refeição, a cidade conta com mirantes que oferecem vistas para a natureza e experiências gastronômicas únicas.

O Portal Amazônia encontrou cinco locais para desfrutar desse “combo” na capital de Rondônia:

Mirante Canoa Quebrada

Localizado às margens do Rio Madeira, o Mirante Canoa Quebrada é um dos locais mais procurados para admirar o pôr do sol em Porto Velho. Além da paisagem encantadora, o espaço conta com restaurante e bar que servem pratos típicos da região, como jatuarana sem espinha e rodízio de peixe. O ambiente rústico e acolhedor proporciona uma experiência completa para os visitantes.

Endereço: Rua Benjamin Constante, 180 – Arigolândia
Contato: (69) 3229-7274
Email: casaraodopeixepvh@hotmail.com

Foto: Reprodução/Rondônia Tem Turismo

Mirante Sapucaia

História e natureza se encontram no Mirante Sapucaia. Também situado à margem do Rio Madeira, o local permite uma vista privilegiada do rio e de sua movimentação fluvial. Além da beleza do cenário, há opções gastronômicas que valorizam os sabores amazônicos, com destaque para os pratos à base de tambaqui e pirarucu.

Endereço: Estr. Santo Antônio – Vila Candelária, 2740
Telefone: (69) 99283-2425

Foto: Divulgação/Mirante Sapucaia

Pittbull Restaurante

Para os amantes da natureza, o Pittbull Restaurante oferece uma visão panorâmica da floresta amazônica e do rio que corta a cidade. O espaço é especialista na culinária regional. O cardápio conta com petiscos e bebidas refrescantes, ideais para quem deseja relaxar enquanto aprecia a paisagem.

Endereço: Avenida Farquar, 2270 – Triângulo
Telefone: (69) 99933-9480

Foto: Reprodução/Facebook-Restaurante Pittbull

Vista do Madeira

O Vista do Madeira abriga um sofisticado restaurante que combina gastronomia contemporânea com ingredientes regionais, proporcionando uma experiência diferente.

Endereço: Tv. Belizário Pena, 191 – Triângulo
Telefone: (69) 99270-6909

Foto: Reprodução/Instagram-Vista do Madeira

Recanto do Tambaqui

Há mais de 40 anos servindo as famílias de Porto Velho, o Recanto do Tambaqui proporciona as famílias da capital um ambiente aconchegante e com uma vista para o Rio Madeira. O local também conta com um espaço para eventos, como casamentos e aniversários.

Telefone: (69) 99964-9946 / (69) 99233-3307
Endereço: Estrada de St Antônio, 510 – Vila Candelária

Foto: Divulgação/Instagram-Recanto do Tambaqui

Porto do Sol

Gastronomia e cultura são os focos do Porto do Sol. O restaurante tem uma bela visão do Rio Madeira. O cenário fica ainda mais bonito no pôr do sol. No cardápio, o cliente encontra o melhor da culinária regional.

Endereço: Rua Dom Pedro II, 269 – Centro
Telefone: (69) 98408-8711

Foto: Reprodução/Instagram-Porto do Sol

Irmã Rosita Milesi: religiosa premiada pela ONU trabalha com refugiados em Roraima

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Foto: Marina Calderón/ACNUR

Aos 79 anos, a brasileira Rosita Milesi recebeu um dos maiores reconhecimentos internacionais de sua trajetória, principalmente pelo trabalho desenvolvido com migrantes, inclusive em Roraima. A religiosa e ativista foi laureada com o Prêmio Nansen do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para Refugiados, destacando-se pelo trabalho de acolhimento e defesa dos direitos de migrantes, apátridas e refugiados. Ela é a segunda brasileira a ser premiada, seguindo os passos do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, homenageado em 1995.

Leia também: Migração na Amazônia: conheça os principais fluxos de pessoas na região

Nascida em uma pequena comunidade no Rio Grande do Sul, filha de agricultores de origem italiana, Rosita cresceu em um ambiente de fé e solidariedade. Seus pais, mesmo com poucos recursos, ofereciam comida, abrigo e apoio a quem estivesse de passagem pela região. Esse exemplo marcou profundamente a jovem, que aos 9 anos deixou a casa da família para estudar em um colégio administrado pelas Irmãs Missionárias Scalabrinianas.

A congregação, fundada no final do século 19 para apoiar migrantes italianos, viria a moldar a vocação de Rosita. Em 1964, aos 19 anos, ela ingressou na congregação, dedicando-se inicialmente ao ensino e ao trabalho administrativo. Mas sua determinação em ir além a levou a buscar uma formação jurídica, mesmo enfrentando questionamentos internos.

Foto: Marina Calderón/ACNUR

O ponto de virada na trajetória de Irmã Rosita ocorreu na década de 1980, quando as Irmãs Scalabrinianas retomaram o compromisso com migrantes e refugiados. Ela fundou, em Brasília, o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), que se tornaria uma referência no apoio a essas populações vulneráveis e que ganhou uma sede em Roraima.

Por meio do IMDH, ela passou a oferecer assistência básica (abrigo, comida e atendimento médico), mas também apoio jurídico, cursos de idiomas e iniciativas para a integração ao mercado de trabalho. Seu trabalho abrange não apenas refugiados da Venezuela, mas também migrantes de outras partes do mundo que chegam ao Brasil em busca de segurança e dignidade.

Impacto nas políticas públicas

Além da atuação direta, Irmã Rosita desempenhou um papel crucial na formulação de políticas públicas no Brasil. Foi uma das principais vozes na ampliação da definição de refugiados na Lei de Refúgio de 1997, que incorporou os princípios da Declaração de Cartagena. Mais recentemente, ela também influenciou a aprovação da Lei de Migração de 2017, garantindo maior proteção aos direitos de migrantes e refugiados no país.

“Eu sabia que qualquer lei é difícil de ser alterada depois de aprovada. Por isso, mobilizamos todas as forças possíveis para garantir que fosse a melhor lei possível”, explica. Inclusive, ela chegou a escrever para o Vaticano pedindo apoio, que se manifestou ao governo brasileiro em favor de uma definição mais ampla de refugiados.

Foto: Marina Calderón/ACNUR

Reconhecimento internacional

Por sua dedicação inabalável ao longo de 36 anos, Irmã Rosita foi reconhecida como Laureada Global do Prêmio Nansen de 2024. O prêmio simboliza sua contribuição não apenas para a acolhida, mas também para a integração e dignidade de pessoas que precisaram deixar suas casas e recomeçar em um novo país.

“Sou inspirada pela crescente necessidade de ajudar, acolher e integrar refugiados. Não tenho medo de agir, mesmo que não alcancemos tudo o que queremos. Se assumo algo, vou virar o mundo de cabeça para baixo para fazer acontecer”, disse Rosita, com a serenidade de quem vive para servir.

*Com informações da ACNUR

Falhas na assistência levam produtores paraenses de dendê a romper contratos com agroindústria

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Produção de óleo de dendê é uma importante atividade econômica na Amazônia paraense. Foto: oneVillage Initiative/Wikimedia Commons

Após falhas no suporte à produção e comercialização de dendê, produtores do Pará passaram a romper contratos com agroindústrias que prometiam suporte técnico e financeiro. É o que aponta um estudo realizado em parceria entre a Embrapa Amazônia Oriental (Embrapa), as Universidades Federais do Pará (UFPA) e de São Carlos (Ufscar), publicado no dia 14 de fevereiro na Revista de Economia e Sociologia Rural.

O trabalho revela como a quebra de expectativas influenciou a decisão de ao menos quinze agricultores familiares e sugere adaptações na assistência às particularidades da produção.

Leia também: Oportunidades e desafios da produção de dendê na Amazônia paraense

A fim de investigar as razões que levaram à ruptura, assim como as implicações para os produtores de dendê, os pesquisadores entrevistaram quinze agricultores paraenses em cinco cidades do nordeste do estado — a principal região produtora de dendê do Brasil — entre 2019 e 2021. Todos haviam deixado parcerias com a agroindústria.

A pesquisa identificou quatro razões principais para os rompimentos: econômicas, familiares, produtivas e burocráticas. 

A insuficiência de recursos para manter os plantios, em oposição à expectativa de conquistar estabilidade econômica com a dendeicultura, foi determinante para o fim da relação.

“Os motivos econômicos foram o gatilho para a maioria das rupturas analisadas, mas em 12 dos 15 casos houve a convergência de duas ou mais razões”, explica Jamilly Brito Guimarães, autora do estudo. 

A pesquisadora também destaca que os agricultores enfrentaram restrições de mão-de-obra, o que demandou contratações e elevou custos de manutenção. “O apoio prometido foi entregue de forma descontinuada; uma cadeia produtiva que chegou prometendo estabilidade e retorno econômico terminou por exigir muito mais investimento e volume de trabalho”, alerta.

Entre as dificuldades produtivas, o contraste entre a falta de colheitas e os esforços despendidos. Quatro dos 15 entrevistados não puderam responder às questões referentes à produção e comercialização por não terem efetuado nenhuma colheita durante a integração. Queimadas nas propriedades vizinhas que invadiram as plantações, a entrega de mudas doentes e o não recebimento de insumos, como adubos e parcelas do financiamento, também afetaram os resultados. “Esses recursos eram essenciais para que o itinerário técnico fosse realizado e, sem ele, o agricultor familiar precisaria dispor de capital reserva” aponta Guimarães.

Após o rompimento dos contratos, dois dos produtores encerraram os vínculos com a terra, cinco arrendaram a área de dendê, três abandonaram o plantio, três venderam e dois retomaram as atividades de forma autônoma e integrada.

“Alguns agricultores buscaram alternativas de comercialização com outras empresas de mesmo perfil, o que demonstra que o problema, em certas situações, estava relacionado com conflitos ou quebra de acordos pré-estabelecidos”, diz a pesquisadora. 

Embora políticas de incentivo tenham sido fortes em meados dos anos 2000, ela diz que é necessário ajustar tais incentivos para oferecer um suporte efetivo para as necessidades locais. “A transparência sobre as cláusulas do contrato de forma mais acessível já diminuiria possíveis ruídos no decorrer da relação”, exemplifica.

Guimarães ressalta a importância da produção de dendê em um panorama mundial, incluindo seu papel ecológico, alimentar e até mesmo na geração de agrocombustíveis. “A dendeicultura converge com a demanda da política global de soluções sustentáveis ao agravamento climático, portanto, possui muitos espaços e holofotes; na Amazônia, foi apresentado e vendido como um reflorestamento eficaz, por exemplo”.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Levantamento geofísico ajuda a buscar artefatos arqueológicos na Amazônia Oriental

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Assentamentos foram construídos por populações indígenas que habitaram o Pantanal Maranhense durante o período pré-colonial. Foto: Rodrigo Méxas/FioCruz Imagens

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) aplicaram um levantamento pioneiro de radar de penetração no solo (GPR, na sigla em inglês) para ampliar o conhecimento sobre um sítio arqueológico subaquático existente na região da Amazônia Oriental, onde se localiza a Aldeia de Jenipapo (MA).

Situado no Pantanal Maranhense, o sítio teve seus assentamentos construídos por populações indígenas que lá habitaram durante o período pré-colonial.

Leia também: Portal Amazônia responde: quais Estados fazem parte da Amazônia Oriental e Ocidental?

Resultados do trabalho – apoiado pela FAPESP por meio de dois projetos (20/15560-5 e 22/12482-9) – foram divulgados no Journal of Archaeological Science Reports.

O estudo demonstrou a capacidade do método GPR de mapear um pilar de madeira subaquático e aumentar a probabilidade de encontrar artefatos arqueológicos no fundo do rio, o que contribui para melhorar o conhecimento da arqueologia amazônica no Brasil.

Para tanto, foram estabelecidos 12 perfis GPR, todos eles adquiridos com antenas de 270 MHz, utilizando um barco de borracha. Os 12 perfis tinham por volta de 425 metros de comprimento na direção norte-sul com formato irregular e espaçamento de aproximadamente 20 metros entre as linhas, quase paralelos entre si.

Os resultados do radar indicaram uma reflexão do sinal no fundo do rio e várias hipérboles de difração suspensas sobre o fundo do rio, relacionadas ao topo dos pilares de madeira.

“Nós conseguimos fornecer um mapa em alta resolução do fundo do rio Turiaçu e dos topos dos pilares de madeira que sustentavam as casas de palafitas no período pré-colonial”, afirma o geofísico Jorge Luís Porsani, coautor do estudo, à assessoria de imprensa do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP.

Para apoiar a interpretação dos resultados, foi realizada uma modelagem numérica GPR para simular as hipérboles de difração suspensas na água, relacionadas aos pilares de madeira. De acordo com os autores, a modelagem numérica do radar apresentou boa concordância com dados reais, o que auxiliou na interpretação dos resultados.

Além disso, eles observam que a localização de diversas hipérboles de difração pode orientar os mergulhadores na busca e coleta de artefatos arqueológicos ao redor dos pilares de madeira subaquáticos. “Esses resultados podem contribuir para a redução dos custos da investigação arqueológica”, afirma Porsani.

O artigo ‘GPR survey on underwater archaeological site: A case study at Jenipapo stilt village in the eastern Amazon region, Brazil‘ pode ser lido AQUI.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP

Pesquisa aumenta em mais de duas vezes o ganho de peso de tambaqui em tanque-rede

Foto: Siglia Souza/Embrapa

Pesquisa coordenada pela Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) conseguiu aumentar em mais de duas vezes o ganho de peso do tambaqui em tanque-rede. Com técnicas que envolvem suplementação hormonal e alimentar, os cientistas obtiveram 1,7 kg em dez meses nesse sistema de produção, o que representa uma taxa de ganho de peso 2,04 maior em relação ao resultado normalmente alcançado, que é de aproximadamente 1 kg em doze meses. Esses dados são de tanques com densidade de 40 quilos por metro cúbico (kg/ m³) e o acréscimo de peso foi calculado com base na média mensal.

Leia também: Tambacu e tambatinga: conheça dois peixes híbridos criados a partir do tambaqui da Amazônia

Promover melhorias na produção de tambaqui em tanque-rede é uma das prioridades da pesquisa agropecuária voltada à pesca e à aquicultura, uma vez que pode contribuir para a inclusão socioprodutiva de piscicultores familiares. É o caso do projeto ‘Uso de populações monossexo de tambaquis’, ou Monotamba, liderado pela pesquisadora Flávia Tavares, que gerou esse resultado.

A produção de tambaqui em tanques-rede é uma forma eficiente e ambientalmente responsável de cultivar essa espécie, por promover uma aquicultura sustentável e com ganhos crescentes de produtividade. Além disso, facilita o acesso a mercados locais em regiões ribeirinhas, permitindo uma produção mais próxima dos consumidores finais, o que pode reduzir custos de transporte e melhorar a qualidade do produto final.

Na pesquisa em questão, foram utilizadas somente fêmeas, que em tambaqui demonstram maior ganho de peso, ao contrário da tilápia, por exemplo. Elas receberam o hormônio estradiol na fase de recria por seis semanas. Parte da pesquisa foi feita no Sistema de Recirculação de Água (RAS) e parte em tanque-rede no Lago de Palmas, onde a Embrapa tem desenvolvido experimentos nesse sistema de produção.

Foto: Clenio Araújo

Outra iniciativa nesse sentido, no projeto BRS Aqua, já havia conseguido reduzir de doze para nove meses o tempo para o tambaqui atingir 1 kg em tanque-rede na densidade de 40 kg/m³. Para isso, houve manejos como classificação dos animais e ajustes na tabela alimentar.

No projeto Monotamba, foram obtidos bons resultados também com a população chamada mista (em que machos e fêmeas compõem o mesmo lote). O ganho de peso chegou a 1,4 kg em dez meses, o que é considerado positivo. Essa população não recebeu estradiol na etapa de recria e funcionou como controle no tanque-rede, ou seja, foi a população que serviu como base de comparação para aquela que recebeu o hormônio e era composta apenas por fêmeas.

Condicionamento alimentar

Na fase de recria, no sistema indoor, os animais foram alimentados apenas com ração, o que gerou neles um condicionamento. Quando foram para a engorda, já nos tanques-rede do Lago de Palmas, estavam acostumados a essa situação. De acordo com a pesquisadora, “eles se assemelhavam à tilápia quando comiam, o que não havia sido observado antes”. Nesse contexto, o tambaqui chegou a 1 kg por volta de seis meses e meio, bastante próximo ao que a tilápia consegue, que é atingir esse peso aos seis meses.

Tavares destaca que o ganho de peso, que foi expressivo e rápido, deveu-se em grande parte ao treinamento alimentar pelo qual as fêmeas passaram na fase de recria. Percebe-se, dessa maneira, a estreita relação entre as diferentes etapas da produção de peixes, quando o que acontece em uma impacta, positiva ou negativamente, a seguinte. No caso, houve benefício.

Ela ressalta ainda que o treinamento alimentar indoor “fez com que os peixes fossem treinados a comer ração mais cedo; tornando-os muito mais ávidos pela comida do que os peixes não treinados, o que fez grande diferença”. Diferença essa que gerou o já citado ganho de peso e abre uma perspectiva interessante no sistema de produção de tambaqui em tanque-rede.

Ciência e setor produtivo se unem para construir pacotes tecnológicos em prol do tambaqui

Essa evolução no ganho de peso é mais um avanço que faz parte de um processo maior, construído em parceria entre a pesquisa e o setor produtivo, para melhorar a produtividade do tambaqui em tanque-rede, conforme a pesquisadora. Ainda não existe um protocolo completo de produção ou um pacote tecnológico para a espécie, diferentemente da tilápia, que já possui essas orientações e, muito em função disso, é o peixe mais produzido e exportado pelo Brasil.

Os resultados do Monotamba são zootécnicos, ou seja, referem-se à criação e à produção, mas ainda faltam resultados econômicos, tão importantes quanto os já obtidos. Segundo a pesquisadora, “é preciso calcular os indicadores econômicos para ver se esse tempo que o peixe tem que permanecer indoor vai representar um alto custo para o produtor”.

Um ponto fundamental é que, como os animais já são condicionados desde o início a se alimentarem apenas de ração e esse insumo pode representar até 80% dos custos de produção, saber a quantidade e o momento da alimentação passam a ser pontos de atenção ainda mais necessários para o produtor.

Além do ganho de peso já possível, o aumento da densidade de população nos tanques-rede é outra evolução próxima. Tavares acredita que uma densidade de 50 kg/m³ é viável. Dessa maneira, ocorreria outra diminuição de diferença entre a produção de tambaqui e a de tilápia, que é feita em densidades normalmente maiores.

A pesquisadora contextualiza o atual estágio dos trabalhos: “Estamos avançando, faz parte de um processo. Teremos espécies melhoradas para tanque-rede, teremos edição genômica que vai auxiliar também no ganho de peso nesse sistema de produção. Tem tudo para dar certo, é um baita potencial que o tambaqui tem, principalmente, para a Região Norte do Brasil”.

Brasil tem grande potencial para produção de peixes nativos

O tambaqui é o peixe nativo mais produzido no Brasil. De acordo com a última Pesquisa Pecuária Municipal (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2023 o País produziu 113,6 mil toneladas da espécie, movimentando mais de 1,2 bilhão de reais no período.

Em termos de estados, Rondônia liderou a produção naquele ano, com quase 47,2 mil toneladas. Na sequência, vieram Roraima (com mais de 16,3 mil toneladas) e Maranhão (que produziu mais de 10,6 mil toneladas de tambaqui em 2023). Os três principais estados, portanto, responderam por cerca de 65% da produção nacional da espécie em 2023.

Considerando o potencial do Brasil, que possui regiões muito propícias à produção de peixes nativos, os números ainda são modestos. A Embrapa e outras instituições conjugam esforços para mudar esse cenário.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa

Pesquisadora comprova encontro de indígenas e quilombolas na Amazônia maranhense

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Indígenas Ka’apor na aldeia Jaxi Puxi Rendá, construída em antigo pátio de madeireiros. Terra Indígena Alto Turiassu, no Maranhão. Foto: Isadora Brant (2015)

Uma leitura que desperta o interesse por um tema específico e novas descobertas. Foi exatamente uma leitura que chamou a atenção da pesquisadora Fernanda Lopes Viana, do Programa de Pós-graduação em Cultura e Sociedade (PPGCult) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), para a relação entre as comunidades Ka’apor e quilombolas, na Amazônia Maranhense.

Fernanda deu início à pesquisa ainda no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e se aprofundou com novas perspectivas no mestrado, desenvolvido no PPGCult, sob a orientação do professor Arkley Marques Bandeira, culminando com a dissertação de mestrado ‘Novas configurações territoriais e relações interétnicas na Amazônia maranhense: perspectivas etno-históricas acerca dos contatos entre os Ka’apor e as comunidades quilombolas’.

A dissertação traz uma análise das relações entre o povo Ka’apor e as comunidades quilombolas localizadas na microrregião do Gurupi, na Amazônia Maranhense, no período entre os séculos XIX e XX, buscando entender como os contatos interculturais afetaram a vida e a cultura desses povos considerando as mudanças culturais resultantes dessas relações.

Leia também: Conheça Gurupiri, a ‘capital da amizade’ na Amazônia

A pesquisa, que evidencia esses encontros culturais e a influência quilombola na ocupação da Amazônia, desafiando a visão tradicional que limita essa presença ao Nordeste, conquistou o Prêmio Fapema, na categoria Dissertação de Mestrado – Ciências Humanas e Sociais.

“(A pesquisa) nasceu da leitura. Eu lembro do livro do Darcy Ribeiro, ‘Diários Índios: Os Urubus-Ka’apor’, um texto incrível que fala sobre os Ka’apor em si e sobre o processo até eles chegarem às aldeias. Durante o processo de chegar (na aldeia), ele relata que (os Ka’apor) achou grupos quilombolas muito próximos à aldeia, e viu essa influência. […] Então, ele fala uma série de coisas que me chamam a atenção, porque até a altura, para mim, não existiam quilombolas dentro da floresta amazônica. Isso me chamou a atenção no TCC. Conversando com o Arkley, que participou da minha banca, ele disse: ‘Fernanda, é muito legal, a gente poderia explorar mais isso’. Porque essa questão também envolvia a arqueologia, que era a área dele. Eu não tinha essa noção, não só da materialidade, mas também da relação interna entre esses dois povos. Foi daí que nasceu a ideia de desenvolver essa pesquisa e mostrar sobre isso”, contou Fernanda.

Foto: Fernanda Lopes Viana/Acervo pessoal

O estudo também se insere em uma proposta fomentada pelo PPGCult.

“O tema dela era algo que a gente estava buscando muito no PPGCult. Nós tínhamos acabado de propor um grande projeto de um edital chamado PDPG Amazônia Legal, que era para justamente estimular projetos de pesquisa que tivessem temática relacionada com a Amazônia Maranhense. Quando a Fernanda vem com esse tema de trabalhar outras fontes de análise, não só arqueológica, ou aquela bibliográfica associada à arqueologia, nós ampliamos a visão interdisciplinar, porque ela mergulha nos dados históricos, mergulha nos dados etno-históricos, e nas etnografias, por exemplo, do próprio Darcy Ribeiro que ela coloca”, comenta o orientador da pesquisa Arkley Marques.

Durante a pesquisa, Fernanda realizou diversas análises, estabelecendo correlações entre os processos ocorridos na Amazônia maranhense e paraense, abordando as características do processo de expansão territorial dos Ka’apor, bem como, a migração dos quilombolas por diferentes espaços, desde os trajetos na África até o Estado do Maranhão, alcançando as complexidades das tensões sociais, o campesinato na Amazônia, suas resistências e lutas, que proporcionaram uma compreensão mais aprofundada das características culturais contemporâneas.

Desafios e descobertas

Um dos períodos mais devastadores da humanidade, a pandemia da covid-19 também representou o principal desafio para o desenvolvimento da pesquisa. Entretanto o que poderia limitar a investigação, revelou um novo caminho para o estudo: a pandemia impediu o trabalho de campo, mas permitiu uma imersão aprofundada em fontes documentais, revelando, por exemplo, a existência de uma mulher xamã que unia espiritualidades indígena e africana.

“Justamente o que catapultou a possibilidade de ela fazer a imersão nessas fontes foi o fato de não poder ir a campo, porque a ideia era a gente fazer uma parte de campo, mas aí que ia envolver autorizações da FUNAI, porque nós iríamos para a terra indígena. Então, quando aconteceu isso, já na ‘Qualy’, a gente conversou com os professores que acompanharam a carreira da Fernanda, acadêmica do mestrado, e disse, ‘olha, gente, eu acho que infelizmente a gente vai ter que fazer essa pesquisa documental e deixar para um outro momento a parte de campo’. E eu acho que a gente acertou porque deu para ela esse conforto de não ter essa carga de fazer campo, e deu essa possibilidade, no período da pandemia, ela fazer essa imersão”, contou Arkley.

Para Fernanda, essa imersão documental além de confirmar que, de fato, houve um encontro entre o povo indígena e o quilombola, que “eles conseguiram, mesmo dentro desse processo de encontro, ficar separados e se tornar o afroindígena, que era o objetivo do estudo, entender como se fez o processo”, proporcionou à pesquisadora a descoberta de uma figura única: uma mulher xamã, que unia espiritualidades indígena e africana.

“A gente teve, na década de 50, uma mulher xamã que misturava os dois elementos, não só a espiritualidade indígena como africana. E era algo pelo qual ela era perseguida dentro desses espaços que não era nem na aldeia nem nos quilômetros, era entre esses caminhos. Então, acho que foi o que mais me chamou atenção, é algo até que a professora da banca, professora Ana Carolina, falou que era para eu colocar mais sobre essa mulher porque era única, não ia vir escondida. Pelo relato de Darcy Ribeiro, ela não podia exercer esse encontro cultural que ela tinha dentro desse próprio espaço em que ela morava. Então, acho que de tudo foi o que mais me chamou atenção”, salientou Fernanda.

Preservação cultural e identidade maranhense

O encontro entre os povos na Amazônia Maranhense também diz muito sobre a construção da identidade maranhense e o reconhecimento da ancestralidade afroindígena no Maranhão, abrindo portas para novas investigações sobre a ocupação do interior do estado e sua relação com a diáspora africana e as populações indígenas.

Segundo Fernanda, a arqueologia e a antropologia ainda não se debruçam sobre esses encontros entre quilombolas e indígenas. Então, a descoberta de que comunidades quilombolas coexistiram e interagiram com populações indígenas desafia a visão tradicional da ocupação da Amazônia, que tende a focar exclusivamente nos povos originários ou em migrações contemporâneas, como seringueiros e ribeirinhos.

“Então, eu acho que a importância principal do estudo é exatamente dar luz a essa observação que a gente percebeu, que não tem estudos nem na arqueologia e nem na antropologia sobre os afroindígenas. Então, eu acho que o estudo abre portas para perceber. ‘Ei, tem uma galera que veio aqui, que morou aqui durante muito tempo, se conheceu, teve conflito e hoje as pessoas, os remanescentes estão lá’. O processo de ocupação do interior do Maranhão não foi só indígena, na Amazônia Maranhense, mas também quilombola, foi negro. Então, isso nasceu desse processo de fuga que essas pessoas tiveram, se reestabeleceram, fugiram, migraram, faltaram e tornaram, é uma parte da identidade do Maranhão”, pontua a pesquisadora.

Segundo o orientador, a pesquisa também traz contribuições para perceber como a Amazônia teve um processo de construção territorial diverso e complexo. “Quando a gente olha essa documentação, o que não tinha era um olhar para esse dado, as pessoas estavam tão imbuídas que, quando falam de floresta, são povos indígenas ou povos extrativistas mais recentes, mas aí o que acontece? Se a gente for pegar grandes relatos de muitos pesquisadores que nos antecederam, como a professora Mundina Araújo, do Arquivo, que tem muita documentação a respeito dessas configurações territoriais, o professor Alfredo Wagner Berno o que a gente tem para área da Amazônia, e é uma contribuição que a Fernanda dá excepcional, é que a gente não tem um único modelo de construção territorial a gente tem múltiplas territorialidades associadas a diferentes grupos étnicos”, observa Arkley.

Outro ponto fundamental da pesquisa é sua contribuição para a preservação das culturas indígenas e quilombolas, destacando como esses grupos não viveram isoladamente, mas, sim, em contato constante. A análise aponta que, já na década de 1950, havia relações estabelecidas entre essas populações, e a presença quilombola na região antecede a chegada dos indígenas Ka’apor ao Rio Gurupi, ainda no século XIX.

A pesquisa reforça a importância de iluminar esses processos históricos, reconhecendo que os povos que habitam essas áreas hoje são descendentes diretos dessas interações. A identidade maranhense é, portanto, profundamente enraizada nessas trocas culturais, que devem ser analisadas e valorizadas da melhor maneira possível.

“Acho que é muito importante dar luz a isso, falar que essas pessoas passaram por esse processo, e as pessoas que estão lá hoje são descendências desse pessoal, então, é importante a gente falar sobre eles, porque, querendo ou não, como eu disse, é a identidade do Maranhão, a gente tá afincado nisso, então é importante falar sobre isso das melhores formas possíveis porque tem várias possibilidades de falar sobre isso, é muito mais complexo do que um estudo poderia trazer”, afirma Fernanda.

Na dissertação, a pesquisadora apresenta evidências que mostram o contato entre os povos, como a interação linguística entre os Ka’apor e os quilombolas. Um fato curioso revelado no estudo é que os quilombolas da região aprenderam a língua de sinais dos Ka’apor, demonstrando a profundidade das interações entre esses grupos. Além disso, elementos culturais como a música e os instrumentos – por exemplo, tambores compartilhados entre os Ka’apor e quilombolas – são indicativos da fusão cultural existente.

A pesquisa também explora a materialidade arqueológica dessas trocas, mostrando que a convivência entre esses povos gerou um intercâmbio de saberes e práticas que pode ser rastreado por meio de artefatos e técnicas de produção material.

Reconhecimento acadêmico e impacto do Prêmio

As contribuições significativas que dissertação de Fernanda trouxeram para a valorização dessas populações, reforçando a importância das ciências humanas e sociais na compreensão dessas dinâmicas, foi coroada com o Prêmio Fapema de 2024. Concedido pela FAPEMA, o Prêmio à dissertação representa também um reconhecimento ao esforço da pesquisadora.

“Pra mim, é uma honra. É a primeira vez que eu ganho uma premiação, mas, pra mim, é uma honra. Eu fui bolsista durante o mestrado, então existe uma relação muito forte com a FAPEMA, foi importante pra mim, nesse período, receber a bolsa. E ganhar uma premiação da mesma instituição é gratificante”, celebrou Fernanda

O orientador da pesquisa destacou a importância dessa visibilidade para a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e para o Programa de Pós-Graduação em Cultura (PGCult), que vem crescendo academicamente:

“A gente tem uma produção muito profícua na UFMA, não só pelo PGCult, que é o programa de que a gente faz parte, agora ela é egressa, mas a gente tem outros programas que trabalham bem. A gente tem o Maranhão ainda muito com muitas potencialidades para pesquisa em diversas áreas, então esse prêmio coroa isso, a gente traz a aluna, que é uma filha da casa, e todo mundo ganha com isso: a UFMA, porque tem visibilidade; o programa. porque tem visibilidade; para ela, por ser pesquisadora, vai ser muito importante na trajetória acadêmica eu como orientador também. E essas premiações são boas porque valorizar é sempre bom, dizer: poxa, você fez um trabalho legal, valeu a pena”.

A pesquisa abre portas para diversos novos estudos, principalmente, ao apresentar desafios metodológicos inovadores e abordagens interdisciplinares, e traz reflexões relevantes para os debates contemporâneos sobre políticas de diversidade e ações afirmativas. Além de contribuir para a valorização do conhecimento produzido nas ciências humanas e sociais, fornecendo subsídios para uma compreensão mais ampla das relações étnico-culturais na Amazônia.

Em 2024, O Prêmio Fapema condecorou 17 pesquisadores da UFMA, reconhecendo e incentivando os estudos científicos e inovadores que proporcionam benefícios para a sociedade, além de premiar os docentes que dedicam sua vida para o progresso da educação.

*Com informações da UFMA

Qual é o seu jeito de transformar sonhos em realidade?

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Helena e Diana são irmãs e parecem ter a mesma idade, com uma diferença de um ou dois anos. Na prática, é como se fossem gêmeas. Quando alguém pergunta quem é a mais velha, a resposta é sempre que é a outra. A brincadeira mantém o mistério. Elas têm outras coisas em comum. Ambas cursaram comunicação, casarem-se no mesmo ano e cada uma teve dois filhos, que são da mesma idade. Seguem a mesma religião e costumam gostar dos mesmos filmes e livros.

Ambas sonharam em ser empreendedoras e estabeleceram metas para isso. É a partir daí que elas se diferenciam. Diana foi em frente e conseguiu rapidamente montar o seu próprio negócio, já há uns cinco anos, uma imobiliária que oferece serviços de venda e locação de imóveis. Costuma brincar dizendo para a irmã: “Just do it” ou “apenas faça”.

Helena ficou pelo caminho e segue trabalhando em um escritório, fazendo algo que não a realiza. Todos os anos, ela renova o seu objetivo, fala que vai fazer isto ou aquilo, mas o tempo vai passando e nada.

Algumas pessoas possuem bons sonhos e ideias, chegam até a estabelecer metas bem construídas, mas têm dificuldades de trazer para a ação. Elas citam uma espécie de bloqueio, como se fosse uma força interna que as impede de fazer o que deveriam e que declaram querer fazer. O resultado costuma ser a procrastinação e a frustração.

Levada a refletir sobre si própria, Helena se percebe como uma pessoa que tende a ser perfeccionista, que quer que tudo esteja 100 por cento antes de dar o passo seguinte. Ela também se reconhece como alguém que precisa de informações e tempo para tomar uma decisão, não agindo por impulso. Uma de suas principais características é ser uma pessoa responsável, que mede sempre as consequências de suas atitudes. Sabe que se cobra muito, mas considera isto uma força, que não a deixa ser indulgente consigo mesma. Esta autocobrança faz, no entanto, com que ela se sinta ainda mais desconfortável com a situação.

Helena não quer deixar de ser o que é, mesmo que isto fosse possível. Quando analisa a si mesma, vê qualidades e sente até um tanto de orgulho de ser como é, pois é isso que a torna uma pessoa confiável. Mas quer vencer este bloqueio interno e fazer acontecer o negócio que tem em mente e com todas as chances de sucesso. O que ajudaria Helena a fazer isto? É ela mesma que conclui, refletindo enquanto escreve.

Ela vai trazer o negócio que está em sua mente para uma etapa mais palpável sob a forma de um projeto, com um claro plano de ação. Ela vai escrever tudo que deve ser feito, estabelecendo datas limites. Apontará também se ela precisará da ajuda de alguém e, neste caso, quando esta pessoa deverá ser acionada. Também escreverá que recursos serão necessários, do que ela dispõe e o que falta. Pensará nos ganhos e em possíveis perdas, assim como em caminhos alternativos.

Ela agora se conhece melhor e sabe que fazer um plano que considere tudo isto a fará sentir-se mais segura e mais motivada em ir em frente. Ela não é como Diana, que se realiza com a execução mais imediata, para depois consertar o que for preciso. As pessoas são diferentes, por mais parecidas que sejam. Cada uma tem a sua força e precisa descobrir como fazer o melhor uso dela.

Alguns terão mais facilidade em sonhar. Outros, em estabelecer metas e outros ainda, em executar. Um bom time se faz com pessoas diferentes. Individualmente, para termos sucesso, precisaremos encontrar o nosso jeito de fazer o que precisa ser feito, com as forças que temos, assim como Helena e Diana, cada uma do seu jeito. Para Helena, vale agora o “Just do it”.

E você, quais são as suas principais forças? Qual é o seu jeito de transformar sonhos em realidade?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Integrantes de comissão especial recebem proposta de alteração da Lei do Marco Temporal

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Foto: Rosinei Coutinho/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) apresentou aos integrantes da comissão especial a proposta de minuta para alteração da Lei do Marco Temporal (Lei 14.701/2023) para demarcação de terras indígenas. O texto foi construído a partir de sete sugestões recebidas pelo gabinete do ministro Gilmar Mendes, relator de cinco ações sobre o tema, no dia 10 de fevereiro.

Leia também: STF divulga minuta de proposta que será debatida em conciliação sobre Marco Temporal

Durante a audiência, os participantes da comissão debateram a minuta ponto a ponto e destacaram trechos que buscarão apresentar sugestões de aprimoramento. As propostas de alterações devem ser levadas para a próxima reunião, prevista para o dia 24 de fevereiro.

Após o debate, será realizada votação em relação aos pontos em que restar divergência entre os integrantes. Será observada a regra da maioria com o registro pormenorizado de cada posição adotada.

Uma sessão extraordinária foi reservada para o dia 27 de fevereiro, caso seja necessário para a conclusão dos trabalhos.

Audiência de Conciliação relativa à ADC 87
Paulo Roberto Netto//GMGM)

A proposta eventualmente aprovada pela comissão será posteriormente avaliada pelo relator e, em seguida, será posta para avaliação dos demais ministros do STF que votarão pela sua homologação.

*Com informações do Supremo Tribunal Federal