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Navio do Século XIX que naufragou no Amazonas reaparece com seca do Rio Madeira

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Ribeirinhos relataram que foi a primeira vez que os destroços pareceram por completo. Foto: Reprodução

A seca severa que atinge o Rio Madeira este ano revelou destroços de um navio que historiadores afirmam ser do Século XIX. Os restos da embarcação estão encalhados na passagem do Pedral do Marmelo, localizado no município de Manicoré, interior do Amazonas.

No dia 16 de outubro, o nível do Rio Madeira atingiu a cota de 10,53 metros, segundo dados da Defesa Civil do Estado. O Amazonas enfrenta uma crise ambiental sem precedentes em 2024, com uma seca que chegou antecipada e já impacta mais de 800 mil pessoas no estado, segundo a Defesa Civil do Amazonas.

Leia também: Número de municípios em situação de seca extrema deve aumentar para 35% em outubro

Os destroços históricos foram vistos pela primeira vez este ano por marinheiros e pescadores que transitavam pela região na última semana de setembro.

De acordo com o doutor em história social, Caio Giulliano Paião, ainda não foi possível determinar com precisão qual é a embarcação encontrada. Para isso, será necessária uma pesquisa no local para o cruzamento de dados com obras de autores que escreveram a respeito da navegação na Amazônia.

O professor diz, no entanto, que pelas características dos destroços que emergiram das águas, é possível afirmar que a embarcação é uma construção norte-americana conhecida como “chata”, feita para navegação em leitos rasos ou para evitar pedras e troncos submersos.

A superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Amazonas, Beatriz Calheiros, informou que teve conhecimento do aparecimento da embarcação, mas até o momento não existem mais informações técnicas do contexto histórico do navio.

“Embora possam ter relevância histórica, essas embarcações ainda não são oficialmente reconhecidas como patrimônio cultural, o que requer procedimentos formais”, explicou Beatriz.

Pessoas da região viram o navio pela primeira vez

Segundo os marinheiros que navegam pela região, as poucas partes dos destroços que ficavam visíveis em outras secas eram, muitas vezes, confundidas com pedras, mas foi apenas em 2024 que a embarcação apareceu por completo.

Chefe de máquinas de uma empresa de balsas que atua nesse trecho do Rio Madeira, Claudiomar Araújo, de 56 anos, explicou que já trabalha há muito tempo na região e, durante outras secas, o máximo que já tinha visto era a ponta do mastro do navio.

André Luiz Pinheiro é um ribeirinho que mora na região do Pedral e disse que cresceu ouvindo histórias do avô sobre uma embarcação que naufragou no local. Ele conta ter ficado muito feliz ao ver os destroços.

“Meu avô contava essa história para gente, nem meu pai tinha visto. Nos só ouvíamos histórias, a gente nunca tinha visto, agora a gente pode observar com a descida dos rios. Para gente é uma surpresa muito emocionante porque a gente só ouvia histórias que esse navio transportava borracha e minério”, relata.

Seca já revelou outros itens históricos neste ano

Em setembro, as ruínas do Forte São Francisco Xavier de Tabatinga foram reveladas com a descida do Rio Solimões. Localizado na margem esquerda do rio, abaixo do terminal hidroviário da cidade, o forte construído no século XVIII foi uma peça-chave para o domínio de Portugal sobre a região, em um período marcado pela disputa territorial com a Espanha.

No mês de agosto, dois canhões que eram usados para a proteção do Forte, foram avistados quando o Rio Solimões atingiu a cota de 49 centímetros, no trecho próximo a Manicoré, interior do Amazonas. Essa é maior seca dos últimos 42 anos na localidade.

Seca severa

Rio Madeira atingiu o pior nível da história neste ano. Foto: Reprodução

O Amazonas vive, em 2024, uma seca histórica em alguns dos principais rios que cortam o estado. Atualmente todos os 62 municípios do Amazonas foram declarados em estado de emergência devido à seca severa e às queimadas que afetam o estado este ano. Veja a situação em algumas cidades do estado:

  • Em Tabatinga, na região do Alto Solimões, o Rio Solimões está com -1,65 metros. Dados da Defesa Civil apontam que o rio chegou a descer em média, 5 centímetros por dia no último mês. A cidade registrou a pior seca da história.
  • Na cidade de Coari, na região do Médio Amazonas, o Rio Amazonas registrou a cota de 1,24 metros nesta quarta-feira (16), segundo medição da Defesa Civil do município.
  • Em Parintins, no Baixo Amazonas, o Rio Amazonas está em -2,05 metros. O cenário também é crítico na região, segundo o governo do estado.
  • No município de Itacoatiara, o mesmo Rio Amazonas está medindo 0,3 centímetros nesta quarta-feira (16). A cidade recebeu um porto flutuante, onde os navios cargueiros, que atendem as empresas do Polo Industrial de Manaus, transferem suas mercadorias para balsas que ainda conseguem chegar na capital amazonense.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

SGB informa que subida no nível do Rio Negro não representa fim da seca em Manaus

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Rio Negro na seca de 2024. Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM

O nível do Rio Negro, em Manaus (AM), registrou elevações pelo quarto dia consecutivo após atingir o recorde histórico com o nível mais baixo já registrado desde o início do monitoramento em 1902, com 12,11 metros. Nesta quarta-feira (16), o rio atingiu a cota de 12,20 metros. A subida, no entanto, não representa o fim da seca, afirma o Serviço Geológico Brasileiro (SGB).

Leia também: Saiba quais foram as maiores vazantes do Rio Negro em Manaus

As elevações têm sido registradas em Manaus desde o dia 13 de outubro, após o Rio Negro ter permanecido estável por 104 dias seguidos de descida. Desde então, o nível já subiu nove centímetros (até dia 16).

A repentina subida das águas pode ser explicada pelo fenômeno conhecido como “repiquete”, típico dos rios da região amazônica, em que os níveis oscilam, subindo e descendo, como uma espécie de efeito sanfona.

Cury explicou ainda que para que o ciclo de cheia seja iniciado é necessário que haja chuvas consistentes e bem distribuídas, tanto nas regiões de cabeceira quanto na parte central da bacia amazônica.

Devido à estiagem, a Prefeitura de Manaus decretou situação de emergência por 180 dias e interditou a Praia da Ponta Negra, após o rio ultrapassar a cota mínima de segurança de 16 metros.

Subida em outros rios do Amazonas

A pesquisadora também destacou que o processo não se limita ao Rio Negro, já que outros rios da Bacia Amazônica, como o Solimões, estão enfrentando o mesmo processo.

Em Manacapuru, o Rio Solimões enfrentou a pior seca de sua história. No sábado (12), o nível do rio chegou a 2,06 metros, e nesta quarta-feira (16) subiu para 2,14 metros.

No Alto Solimões, em Tabatinga, a situação foi ainda pior, com o rio atingindo uma cota negativa. Em 26 de setembro, o Solimões registrou o nível histórico de -2,54 metros. Embora o rio ainda esteja em cota negativa, houve uma recuperação, e nesta quarta-feira (16) o nível subiu para -1,65 metros.

Outro rio que apresentou elevação foi o Amazonas, em Itacoatiara. Na sexta-feira (11), o nível do rio caiu para cota negativa, atingindo -0,03 metro, e continuou descendo, chegando a -0,08 metro na terça-feira (15). No entanto, nesta quarta-feira (16), o rio voltou a subir cinco centímetros, marcando novamente a cota de -0,03 metro.

Além da capital, os 61 municípios do Amazonas também enfrentam uma situação de emergência devido à seca. Segundo a Defesa Civil, todas as calhas de rios do estado estão em estado crítico de vazante.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Estudante amapaense cria fertilizante com carcaça de caranguejo

Foto: Ana Clara Rodrigues/Arquivo Pessoal

A estudante amapaense Ana Clara Souza, de 16 anos, embarca nesta sexta-feira (19) para Novo Hamburgo (RS). Ela vai apresentar na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec) um projeto que criou em Macapá a partir do uso de carcaças de caranguejo como fertilizante para plantações de soja.

O projeto é voltado para o melhoramento da produção do grão com o uso de resíduos orgânicos encontrados na região. A aluna descreveu a expectativa para participar do evento científico que vai receber delegações de todo o país e de outras partes do mundo.

Adubo orgânico com resíduos de caranguejo-uçá. Foto: Aldeni Melo/Arquivo Pessoal

O projeto “K+” foi desenvolvido no laboratório de ciências da Escola Estadual Irmã Santina Rioli, em Macapá, onde Ana Clara estudou até o ano passado. Atualmente é ela é aluna da Escola Estadual Alexandre Vaz Tavares, também na capital.

A ideia recebeu orientação do professor Giovanne Tavares Ferreira e coorientação do professor Aldeni Melo. Para participar da Mostratec, o projeto foi aprovado e premiado na Mostra Amazônica, que ocorreu no fim de setembro em Macapá.

Sobre o projeto

O projeto recebeu o nome de “K+: análise da farinha do processamento da carcaça do caranguejo-uçá, como uso orgânico para fertilizantes na sojicultura”.

Para a produção da farinha do caranguejo-uçá, a aluna coletou carcaças e triturou no laboratório da escola. Foram realizados testes químicos e de amostragem de solo com o cultivo de alface e soja para analisar a biomassa produzida e a eficiência da farinha.

A proposta é criar uma alternativa inovadora para o melhoramento da produção de grãos como fonte de renda para moradores de comunidades do interior do estado.

Para testar a proposta, a aluna introduziu a agricultura da soja em uma comunidade com limitações de acesso.

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

Expedição Quilombos-Jalapão 2024 preserva saberes tradicionais e biodiversidade no Tocantins

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Dona Dotora circulou pela mata da comunidade Mumbuca com a equipe de pesquisadores. Foto: Daniel dos Santos

Entre os dias 10 e 13 de outubro, comunidades quilombolas do Mumbuca e Prata receberam a primeira Expedição Quilombos-Jalapão, uma ação que une pesquisa científica e preservação dos saberes tradicionais locais. A iniciativa, promovida pela UFT, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), tem como objetivo resgatar e valorizar o uso de plantas medicinais e contribuir para o desenvolvimento sustentável das comunidades quilombolas.

Realizada por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Tocantins (UFT), a expedição integra o projeto “Etnofarmacologia, etnobotânica e fitoterapia em comunidades tradicionais do Tocantins”. O projeto é financiado pela Fapt, através do edital Fapt/SES, com um investimento de R$ 50 mil. Além de documentar os saberes tradicionais relacionados ao uso de plantas medicinais, a expedição também tem como meta a publicação de um livro em 2025, no qual pesquisadores, estudantes e as próprias comunidades serão coautores.

Segundo o coordenador do projeto, Raphael Pimenta, a produção do livro, com as anciãs das comunidades quilombolas, não apenas preservará esses saberes, mas também permitirá a comercialização da obra, gerando renda para as participantes.

O pesquisadores Amilcar Saporetti (IFSULDEMINAS), Priscila Souza (UFT) e Rodney Viana (UFT) são os botânicos responsáveis pela coleta, identificação e pesquisa na literatura sobre as plantas encontradas.

Entre as autoras do futuro livro está Noemi Ribeiro da Silva, matriarca do Quilombo Mumbuca e conhecida como a “Dotora” da comunidade por seus conhecimentos sobre plantas medicinais. Noemi ressalta a importância do projeto para as futuras gerações.

A expedição também contou com a participação de Mônica Silva Ribeiro, quilombola e estudante do 5º semestre de Biologia (EAD) da UFT. Mônica é bolsista do projeto e tem a missão de entrevistar os anciãos da comunidade Mumbuca, registrando seus conhecimentos sobre plantas medicinais. Ela compartilhou sua empolgação em participar da criação do livro: “A expectativa está a mil! Nunca imaginei participar de algo tão grande. Esse livro será de grande importância para a comunidade”.

Além de documentar o conhecimento tradicional, o projeto visa implementar processos sanitários e científicos para a produção de fitoterápicos, gerando novas fontes de renda para as comunidades quilombolas por meio da venda desses produtos. Durante a expedição, a equipe também realizou atendimentos médicos, fortalecendo a relação entre a ciência tradicional e a comunidade. Mais de 50 atendimentos foram realizados pelos médicos e estudantes de Medicina que participaram da ação.

A expedição reforça o compromisso da UFT em promover pesquisas que valorizem a biodiversidade do cerrado e preservem os saberes culturais das comunidades tradicionais do Tocantins, além de colaborar com o desenvolvimento sustentável e a geração de novas oportunidades para seus moradores.

Fapt

A Fapt atua, por meio de financiamento de projetos de pesquisas, para garantir o desenvolvimento e a continuidade de ações que impactam diretamente a população do Estado, como explica a diretora científica e de inovação da Fapt, Munique Oliveira. “Conhecimentos tradicionais quando conectados à ciência se completam! É muito satisfatório poder estar aqui e participar desse resultado, que ainda é parcial, e que muito tem ainda para nos mostrar. A proposta da Fapt é continuar apoiando projetos, pesquisas que vão para além daquilo que a gente conhece, que possa chegar até a sociedade e possa conectar, juntar o conhecimento tradicional com o técnico. Isso é ciência!”, concluiu a diretora de CT&I da Fundação.

Participantes

A expedição teve participação dos professores do Colegiado de Medicina: Raphael Sanzio Pimenta, Flávio Milagres, Juliana Fonseca Moreira da Silva; o médico Wagner Fonseca Moreira da Silva; o professor do IFSULDEMINAS, Amilcar Saporetti Junior, através do termo de cooperação entre as instituições; professores do Colegiado de Biologia da UFT em Porto Nacional: Priscila Souza e Rodney Viana; os estudantes de Medicina: José Rafael Farias das Chagas, João Guilherme da Silva Araújo, Rayssa Nascimento Filgueira e Gabriel Gonçalves Durão; estudante do PPG Ciências do Ambiente, Paulo Henrique Barros Macedo; o professor de Pedagogia na UFT, Adriano Castorino; a professora Renária; a pesquisadora do IFTO, Érika Luz; e mais voluntários de empresas privadas, totalizando 35 expedicionários.

Comunidades Quilombolas

Os quilombos do Mumbuca e Prata são comunidades tradicionais que preservam a cultura e os saberes populares relacionados ao uso medicinal das plantas. Os quilombos contam com aproximadamente 200 moradores em cada um. A preservação dessas comunidades e de seus conhecimentos ancestrais é fundamental para a valorização da cultura local e para o desenvolvimento de novas fontes de renda para seus habitantes, como a produção e venda de fitoterápicos.

Atendimento médico

Além das atividades de pesquisa e coleta de plantas medicinais, a expedição contou com ações paralelas, como o atendimento de saúde à população local, fortalecendo a relação entre ciência tradicional e comunidade. Vários médicos e estudantes de medicina, levaram alento e saúde para a população durante os dias da ação e mais de 50 atendimentos foram realizados.

*Com informações da UFT

Área queimada da Amazônia aumentou 196% em setembro e supera 11 milhões de hectares no ano

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Foto: Victor Moriyama/Amazônia em Chamas

Em setembro, 5,5 milhões de hectares da Amazônia foram atingidos pelo fogo – um aumento de 196% em relação ao mesmo mês do ano passado. Desse total, 50% atingiu áreas de floresta, enquanto 30% correspondeu a pastagens. Dados foram gerados pelo Monitor do Fogo, iniciativa da rede MapBiomas Fogo coordenada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). A área queimada em 2024 no bioma já chega a 11,3 milhões de hectares, 143% a mais do que nos nove primeiros meses de 2023.

A Amazônia foi o bioma com a maior área queimada em setembro de 2024, correspondendo a 52% de toda a área queimada no Brasil no mês, que chegou a 10,6 milhões de hectares. O aumento do fogo se deve, em parte, ao avanço das chamas em Mato Grosso e no Pará, que lideram o ranking estadual de área queimada no mês de setembro. No total, foram 3,1 milhões de hectares queimados em Setembro no Estado do Mato Grosso, que possui áreas de Cerrado, Amazônia e Pantanal, enquanto o Pará queimou 2,9 milhões de hectares da Amazônia durante o mês.

A Região Norte do Brasil tem passado por uma série de secas extremas desde 2023, prejudicando a recuperação da umidade da vegetação e facilitando a propagação de incêndios. Em 2023, os rios do bioma chegaram aos menores níveis registrados até então e em 2024, que já tomou o posto de pior seca da história da região, já são 770 mil pessoas diretamente afetadas pela estiagem, causando danos estimados em R$ 640 milhões apenas no Amazonas, segundo a Defesa Civil do Estado.

Setembro também foi marcado por recordes de área queimada em outros biomas brasileiros. No Cerrado, segundo bioma que mais queimou, 4,3 milhões de hectares foram queimados, atingindo principalmente áreas de vegetação nativa, pior índice dos últimos 5 anos. Além disso, o Pantanal teve 318 mil hectares atingidos pelas chamas durante o mês, sendo 92% desta área em vegetação nativa.

Ano do fogo

Com a área queimada mapeada em setembro, 2024 chega a 22,3 milhões de hectares queimados em todo o Brasil, área semelhante ao Estado de Roraima. Esse número representa um aumento de 150% em relação ao mesmo período de 2023, com 13,4 milhões de hectares a mais queimados, marcando o ano com maior área queimada desde o início das medições do Monitor do Fogo, iniciadas em 2019.

A vegetação nativa do Brasil concentrou 73% da área queimada, com destaque para as áreas de floresta, que concentraram 21% de tudo que queimou até aqui. Entre as áreas de uso agropecuário, as pastagens se destacaram, com 4,6 milhões de hectares queimados entre janeiro e setembro de 2024 – 188% a mais do que o registrado em 2023. Sozinha, a área de pastagens queimadas em 2024 já equivale ao Estado do Espírito Santo e 84% dela está concentrada na Amazônia.

No Cerrado, queimaram 8,4 milhões de hectares entre janeiro e setembro de 2024 – 85,3% atingiu áreas de vegetação nativa. Essa área é 117% maior do que a registrada durante o mesmo período em 2023. O Pantanal, por sua vez, teve 1,5 milhões de hectares queimados desde o começo do ano, um aumento de 2.306% em relação à média observada nos últimos 5 anos.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM, escrito por Lucas Guaraldo

Primeiros filhotes do Projeto Quelônios da UFT começam a nascer

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Fotos: Divulgação

O Laboratório de Caracterização de Impactos Ambientais (LCIA), vinculado ao curso de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Tocantins (UFT), comemora os primeiros resultados do ‘Projeto Quelônios da UFT‘, que estuda a ecologia reprodutiva dos tracajás (Podocnemis unifilis), na prainha do Câmpus Palmas. Liderado pelo professor Thiago Portelinha e pela aluna de Iniciação Científica Ana Beatriz da Silva Brito, o projeto tem como objetivo a conservação da espécie em um ambiente alterado pela presença humana.

Leia também: Saiba o motivo das borboletas tomarem lágrimas de tracajás e jacarés

De acordo com o professor Thiago Portelinha, recentemente, os primeiros filhotes começaram a nascer, marcando um momento importante para a iniciativa.

Com o uso de telas de proteção nos ninhos remanescentes, a equipe conseguiu garantir o nascimento de filhotes saudáveis.

A comunidade acadêmica e o público em geral estão convidados a acompanhar de perto as ações do projeto. “Temos momentos de monitoramento, além de oportunidades de registrar e vivenciar a soltura dos tracajás, fortalecendo a conscientização sobre a conservação ambiental”, convida Ana Beatriz da Silva, discente que atua na equipe.

Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas por meio dos e-mails thiagoportelinha@uft.edu.br, brito.beatriz@uft.edu.br ou pelo telefone (63) 98401-1800.

*Com informações da UFT

Rio Negro volta a encher em Manaus após alcançar recorde histórico em 2024

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Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica AM

O Rio Negro, em Manaus (AM), voltou a encher após atingir o recorde histórico de 12,11 metros, sendo o nível mais baixo já registrado desde o início do monitoramento em 1902. Após três dias de estabilidade, o rio apresentou um aumento de dois centímetros, com elevações de um centímetro no domingo (13) e na segunda-feira (14), chegando a marca de 12,13.

Ao Grupo Rede Amazônica, a pesquisadora Jussara Cury, do Serviço Geológico Brasileiro (SGB), antiga CPRM, explicou que o Rio Negro está entrando em uma fase de estabilidade, mas que ainda continua no processo de vazante.

Ainda quinta-feira (10), o nível do rio tinha se estabilizado na capital, pela primeira vez, após 104 dias seguidos de descida das águas. Entre quinta (10) e sábado (12), o nível do rio permaneceu em 12,11 metros.

Nesse intervalo, o Rio Negro o rio atingiu 12,68 metros, em 3 de outubro de 2024, ultrapassando o recorde do nível mais baixo já registrado. De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a marca se configura como a pior seca da história de Manaus pelo segundo ano consecutivo.

Em 2024, a descida dos rios no Amazonas começou antes do esperado. Em Manaus, o período da seca teve início em 17 de junho, apresentando oscilações até o dia 28, quando iniciou a descida de forma ininterrupta. Historicamente, o fenômeno ocorre entre a última semana de junho e as primeiras semanas de julho.

Devido à estiagem, a Prefeitura de Manaus decretou situação de emergência por 180 dias e interditou a Praia da Ponta Negra, após o rio ultrapassar a cota mínima de segurança de 16 metros.

Seca Rio Negro, em Manaus. — Foto: Matheus Castro/g1
Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM

Números da seca no Amazonas

Além da capital, os 61 municípios do Amazonas também enfrentam uma situação de emergência devido à seca. Segundo a Defesa Civil, todas as calhas de rios do estado estão em estado crítico de vazante.

Em Manacapuru, o Rio Solimões enfrenta a pior seca de sua história. Lá, a cota chegou a marcar 2,06 metros no sábado (12). Embora o rio tenha subido um centímetro no domingo (13), se manteve estável nesta segunda (14) com a marca de 2,07 metros.

Já no Alto Solimões, em Tabatinga, a situação foi ainda pior, com o rio registrando uma cota negativa. No dia 26 de setembro, o Solimões atingiu a marca histórica de -2,54 metros.

*Com informações da Rede Amazônica AM

MIDR autoriza repasse de R$ 19,8 mi recursos para Amazonas, Pará, Rondônia, Tocantins e Mato Grosso do Sul

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Foto: Cadu Gomes/VPR

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Defesa Civil Nacional, autorizou, no dia 14 de outubro, o repasse de R$ 19,8 milhões para ações de resposta e recuperação em localidades atingidas por desastres. Serão atendidos municípios nos estados do Amazonas, Pará, Rio Grande do Sul, Rondônia e Tocantins.

As portarias com os repasses foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU):

  • Estado de Tocantins: R$ 3.821.705,20
  • Estado do Rio Grande do Sul: R$ 11.773.190,88
  • Município de Beruri (AM): R$ 540.804,00
  • Município de Careiro (AM): R$ 1.753.360,00
  • Município de Espigão D’Oeste (RO): R$ 955.256,95
  • Município de Aveiro (PA): R$ 1.010.626,80

Como solicitar recursos

Municípios que tiverem o reconhecimento federal de situação de emergência ou estado de calamidade pública podem solicitar recursos ao MIDR para ações de defesa civil. As solicitações devem ser realizadas por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD).

A partir dos planos de trabalho enviados, a equipe técnica da Defesa Civil Nacional avalia as metas e valores propostos. Após a aprovação, os repasses são formalizados por meio de portaria no DOU, liberando os valores correspondentes.

Capacitação para agentes de defesa civil

A Defesa Civil Nacional também oferece uma série de cursos a distância para capacitar e qualificar agentes municipais e estaduais no uso do S2iD. O objetivo é preparar os profissionais das três esferas de governo para responderem de forma eficiente às situações de emergência. Confira aqui a lista completa dos cursos.

*Com informações do Brasil 61

Greenpeace realiza protesto no leito seco do Rio Solimões em Manacapuru

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Em 2024, todos os municípios do Amazonas enfrentam uma situação de emergência devido à seca. Segundo a Defesa Civil, todas as calhas de rios do estado entraram em estado crítico de vazante este ano.

Em Manacapuru, o Rio Solimões também enfrenta a pior seca de sua história. Lá, a cota chegou a marcar 2,06 metros no sábado (12). Embora o rio tenha subido um centímetro no domingo (13), se manteve estável na segunda (14) com a marca de 2,07 metros.

Com este cenário preocupante, o Greenpeace Brasil realizou um manifesto no leito seco do Rio Solimões, em Manacapuru. O objetivo da ação foi denunciar os impactos da seca extrema deste ano para as populações vulneráveis.

Foto: Nilmar Lage / Greenpeace

Confira o texto escrito por Beatriz Campelo, ativista socioambiental e voluntária do Greenpeace Brasil, que esteve presente no protesto:

Moro no Norte do Brasil, na capital do Amazonas, Manaus. Durante esse período de verão amazônico, participei de atividades de mobilização do Greenpeace Brasil em Manacapuru, com foco na estiagem e seca no estado. Atravessar boa parte do Rio Solimões a pé, em uma área que deveria estar coberta por água, mas que agora se transformou em um “deserto” de areia, foi uma experiência assustadora.

A situação no Amazonas é devastadora, especialmente para quem vive aqui! Estamos acostumados com rios abundantes, que são de extrema importância para nós. Eles são mais do que caminhos de água; por meio deles, ocorre o acesso à educação, saúde, transporte de alimentos, remédios e mercadorias para milhões de pessoas.

Mas, isso está se tornando cada vez mais difícil devido à seca extrema que estamos presenciando, comprometendo o acesso a recursos básicos para as populações mais vulnerabilizadas.

Em Manacapuru, tive uma experiência profundamente marcante ao presenciar as cruéis consequências da seca no ecossistema amazônico. Durante nossa caminhada, vimos muitos animais mortos, incluindo peixes de várias espécies, cobertos pela areia do “deserto” que se formou onde antes existia o rio.

A cidade que queremos para nós e para todos precisa ser construída! É urgente que os governos (federal, estaduais, distrital e municipais) e os legisladores priorizem a elaboração e implementação de planos de adaptação aos eventos climáticos extremos. Esses planos são essenciais para mitigar os efeitos da crise climática em nossos territórios e para criar cidades mais justas e seguras, especialmente para as populações vulneráveis, que são as mais afetadas seja por secas, fumaça e/ou enchentes.

Se você se preocupa com os impactos das mudanças climáticas na sua vida, junte-se a nós. Assine a petição do Greenpeace Brasil, que exige ações efetivas dos governos e legisladores para enfrentar as mudanças climáticas!”.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Greenpeace

Carros clássicos que marcaram a história da Colômbia

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Foto: Reprodução/Paradise Catchers

Na Colômbia existem alguns modelos de automóveis que conseguiram entrar na vida de muitas famílias e têm um grande significado emocional. Seu design, praticidade, robustez mecânica, versatilidade e outros atributos fizeram desses carros um verdadeiro símbolo da história automotiva nacional. Conheça:

Toyota Land Cruiser Série 40

Há mais de 60 anos, este veículo off-road japonês chegou à Colômbia e o fez para se estabelecer como o rei das trilhas. Inicialmente vieram algumas unidades do primitivo JF25, mas sua consolidação veio com a série 40 que estreou em 1960 e vigorou por mais de duas décadas até sua saída do mercado nacional em 1984.

O primeiro Toyota Land Cruiser Série 40 chegou à Colômbia em outubro de 1959. Era um veículo sólido e barulhento, projetado para levar seus ocupantes aonde quisessem. Em muitas famílias colombianas existia um, tornando-se um carro muito desejado. Sua estrutura robusta com suspensão a molas, caixa de redução e tração nas quatro rodas, tornou-o sinônimo de confiabilidade e longevidade.

Com o tempo, o Toyota Land Cruiser Série 40 tornou-se um ícone, não só pela sua robustez e capacidade de enfrentar os terrenos mais difíceis, mas também pelo seu lugar na cultura colombiana onde muitos o consideram um símbolo de aventura e resistência.

Foto: Reprodução/Toyotacvi

Jeep Willys

O Jeep Willys é um dos carros mais icônicos da Colômbia. Sua presença na região cafeeira é um símbolo da força dos agricultores do nosso país. Há mais de 74 anos abre estradas e transporta café, banana e passageiros. É conhecido como Yipao e faz parte da paisagem folclórica da região cafeeira.

Este carro clássico foi um veículo de uso militar originado na Segunda Guerra Mundial. As primeiras unidades chegaram à Colômbia em 1946 e foram adquiridas por produtores renomados da região cafeeira. Seu significado é tão importante na Colômbia que em 2006 foi quebrado o Recorde do Guinness com a “Maior Caravana de automóveis da mesma marca” e também fez parte da inauguração do Túnel da Linha.

O Willys é ideal para caminhar entre montanhas e trilhas que fazem parte do nosso patrimônio nacional e que ainda se mantêm nos setores com maiores percentagens de produção de café como Risaralda, Antioquia e Sierra Nevada de Santa Marta.

Foto: Reprodução/Behance

Renault 4

O Renault 4 foi o fiel amigo e protagonista indiscutível dos icônicos carros colombianos. Em 2020, a empresa comemorou 50 anos de história e foi considerado um carro muito popular na Colômbia, durante as décadas de 70 e 90, quando foi produzido na fábrica da montadora de mesmo nome, em Envigado.

Segundo a revista virtual “El Carro Colombiano” devido à sua grande capacidade de carga, as pessoas o utilizavam tanto como veículo familiar quanto como transporte de mercadorias, já que este carro tinha um preço confortável na época, o que ajudou a prolongar sua comercialização durante 22 anos. Além disso, marcou o crescimento econômico do país e foi produto de um avanço industrial na Colômbia.

Algumas pessoas o chamam de “o eterno amigo”, enquanto outros se lembram dele com carinho como o veículo icônico de muitas famílias colombianas que possui grande valor emocional. Quem o teve garante que foi um carro resistente que acompanhou muitos momentos, considerado hoje um símbolo nacional.

Foto: Reprodução/O Carro Colombiano

Fusca

Este modelo alemão é um dos mais icônicos, não só da Colômbia, mas de todo o mundo. Começou a ser fabricado em 1938 e durante os seus quase 81 anos de história foi um dos veículos mais vendidos e o que permaneceu em produção por mais tempo. Os consumidores o apelidaram de besouro devido à sua grande semelhança com esses insetos.

O Volkswagen Beetle chegou à Colômbia em 1952 através da Caribbean Motor Holding Company. Uma de suas principais características é o motor na traseira e o porta-malas na dianteira, além do bom desempenho mesmo em subidas. No nosso país foi popular nas primeiras corridas internacionais do automobilismo, disputando provas como o Circuito Central e o Doble a Sogamoso.

O fusca é admirado pelo seu design. Muitos têm uma história com isso e muitos tiveram um próximo, seja porque o tio tinha um, o avô ou um amigo próximo. Sem dúvida, entrar no Fusca é entrar numa máquina do tempo que, com o seu aparecimento, nos transporta ao passado e às memórias de família.

Foto: Reprodução/U Tadeo

*Com informações do ProColombia