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“Trabalho inédito”: pesquisadores realizam expedição na Reserva Iratapuru no Amapá

Foto: Márcia do Carmo/GEA

Em parceria com o Governo do Amapá, pesquisadores do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e do Botanical de Nova Iorque (EUA) estão no Estado para participar da 4ª expedição de campo do ‘Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade – Programa Monitora’, que vai coletar amostras de novas espécies para a criação do primeiro banco de dados da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Iratapuru, no Vale do Jari, na região Sul.

A expedição também vai capacitar a equipe local na área de pesquisa. A equipe iniciou o deslocamento no dia 8 de outubro. A coordenadora da equipe de pesquisadores, Rafaela Fersozza, explica que a partir da coleta de plantas, será elaborada uma lista de espécies para criar o banco de dados da reserva.

Durante o trabalho de campo, que será realizado até o dia 26 de outubro, os pesquisadores farão a marcação das árvores que serão monitoradas e, a cada cinco anos, elas serão “remedidas”. Esse acompanhamento vai revelar se ocorreu incorporação de carbono e se há mortalidade de plantas acima do esperado. É um diagnóstico de saúde da floresta com informações detalhadas e precisas.

Foto: Márcia do Carmo/GEA

Para o pesquisador do Botanical de Nova Iorque, Flávio Obermuller, a expedição é muito valiosa para a troca de experiências e conhecimento. Além de ser um verdadeiro inventário da biodiversidade do Sul do Amapá.

Os pesquisadores irão demarcar áreas previamente selecionadas, onde serão coletadas amostras e folhas para análises posteriores em laboratórios. O trabalho de campo também vai utilizar sistemas de GPS para o georeferenciamento, garantindo precisão da localização. Os resultados irão compor o banco de dados do Programa Nacional, além de gerar publicações para a comunidade científica e acadêmica.

“As ações do programa de monitoramento da biodiversidade na RDS do Rio Iratapuru é uma ferramenta muito importante para a gestão dessa Unidade de Conservação, onde tornará possível criar estratégias para atenuar as pressões sobre essa área e, inclusive, ajudar a entender como as mudanças climáticas afetarão as nossas florestas”, explica o coordenador de Gestão de Unidades de Conservação e Biodiversidade, Euryandro Costa. 

Programa Monitora

O Programa Nacional Monitora, é vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Dividido em três subprogramas – terrestre, aquático continental e marinho e costeiro – ele é executado dentro das Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) e atua através de expedições de campo, contribuindo para a proteção dos ecossistemas florestais e para o avanço do conhecimento científico sobre as plantas lenhosas na região amazônica.

Foto: Márcia do Carmo/GEA

Reserva do Rio Iratapuru

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Iratapuru é uma unidade de conservação estadual localizada nos municípios de Laranjal do Jari, Mazagão e Pedra Branca do Amapari.

A expedição é uma ação do Governo do Estado, coordenada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) com o apoio do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Programa Arpa) que visa garantir informação de qualidade para a avaliação contínua da efetividade da Unidade de Conservação.

Desde 2020, o Programa vem sendo executado dentro da RDS do Rio Iratapuru com o monitoramento de aves cinegéticas, borboletas frugívoras e mamíferos de médio e grande porte.

*Com informações da Sema AP

Ministério do Turismo intensifica mapeamento do turismo em comunidades indígenas de todo o país

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Comunidade Raposa I. Foto: Divulgação/MTur

O Ministério do Turismo está liderando um projeto de mapeamento das comunidades indígenas que atuam no turismo em todo o território nacional. A iniciativa, que faz parte do Projeto “Brasil Turismo Responsável”, começou em julho de 2024 e resulta da cooperação técnica entre MTur, Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

O objetivo do mapeamento é identificar as comunidades indígenas que desenvolvem atividades turísticas baseadas nos princípios do turismo de base comunitária, além de catalogar e promover boas práticas, sempre com a concordância das comunidades.

Leia também: Conheça primeira agência de etnoturismo do Brasil criada e coordenada por povos indígenas

Para facilitar a coleta de informações, foi disponibilizado um formulário eletrônico que pode ser preenchido até o dia 31 de outubro de 2024. O documento pode ser acessado por comunidades indígenas, organizações públicas e privadas que tenham informações sobre atividades turísticas envolvendo povos indígenas.

A ação tornará possível compilar dados detalhados sobre as iniciativas em desenvolvimento, possibilitando um diagnóstico mais preciso das necessidades dessas comunidades e promovendo os produtos turísticos gerados por elas. Acesse o formulário aqui: https://forms.gle/hHZwxhKG5TjDYpD17.

O Ministério do Turismo pretende não só ampliar o Mapa Brasileiro do Turismo Responsável, mas também contribuir para o fortalecimento de uma rede de turismo sustentável, inclusivo e culturalmente rico, respeitando os saberes tradicionais e a autonomia das comunidades indígenas.

*Com informações do Ministério do Turismo

Histórias e receitas de tacacazeiras da Região Norte são documentadas em produção audiovisual

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Produção do documentário. Foto: Divulgação/Iphan

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) está avançando no processo de registro do Ofício de Tacacazeira como Patrimônio Cultural do Brasil. Como parte das ações, o Instituto financia projeto de pesquisa e documentação sobre os saberes e fazeres associados ao tacacá nas capitais dos sete estados da Região Norte. Este trabalho, coordenado e produzido por uma equipe da Universidade Federal do Oeste do Pará, teve o investimento de R$ 388 mil, oriundo de emenda parlamentar.

Leia também: Iphan inicia pesquisa para registro do ofício de tacacazeira como Patrimônio Cultural do Brasil

O projeto iniciou em 2024 e tem produzido vídeos que integrarão o dossiê que irá será apresentado pelo Iphan ao Conselho Consultivo, órgão colegiado de decisão máxima do Instituto e que é responsável pelo registro da manifestação como Patrimônio Cultural. Serão oito vídeos, sete curta-metragens e um média-metragem, com histórias de vida e receitas de mais de 60 tacacazeiras e tacacazeiros das cidades de Belém, Boa Vista, Macapá, Manaus, Palmas, Porto Velho e Rio Branco. O projeto também inclui a produção de fotos e documentação acerca do ofício, como parte da construção do dossiê de registro.

O trabalho busca reunir conhecimentos sobre o bem cultural, que será a base da análise do Conselho Consultivo do Iphan, que decidirá pelo registro. Na fase final do projeto, uma petição online foi lançada pela equipe da Ufopa para coletar assinaturas em apoio ao registro, acessível pelo link: Petição Registro do Ofício de Tacacazeira. A iniciativa visa demonstrar o reconhecimento público do valor cultural do tacacá e do trabalho dos profissionais que o preparam.

Processo de registro

Em 2010, o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), responsável pelo inventário das celebrações e saberes da cultura popular, no qual se destacaram as práticas e modos de fazer relacionados à mandioca no Pará, incluído no Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) em 2006, entrou com o pedido de registro do Ofício de Tacacazeiras na região Norte no Livro dos Saberes.

Com o início do trabalho de pesquisa e construção do dossiê em 2024, em parceria com a Ufopa, foi dado mais um passo para o processo de reconhecimento como Patrimônio Cultural.

Raízes indígenas

O tacacá é uma combinação de tucupi (um caldo extraído da mandioca), goma de mandioca, camarões secos e temperos como o jambu. Com suas raízes na cultura indígena, é tradicionalmente servido quente, conhecido por seu sabor único e suas propriedades medicinais.

Ao longo dos anos, o tacacá tornou-se parte fundamental da identidade gastronômica do Pará e de outras regiões da Amazônia, servindo não apenas como alimento, mas também como símbolo de celebrações e festividades. No dia 13 de setembro, comemora-se o dia das tacacazeiras, que homenageia as profissionais responsáveis por sua produção.

*Com informações do Iphan

Saiba quais foram as maiores vazantes do Rio Acre em Rio Branco

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Rio Acre já subiu mais de um metro em outubro de 2024. Foto: Andryo Amaral/Rede Amazônica AC

O Rio Acre subiu mais de um metro em 24 horas na capital acreana e voltou a passar dos 2 metros após 122 dias em 2024. O nível chegou a 2,70 metros segundo a medição das 7h de 14 de outubro. No domingo (13), o rio estava em 1,59 metro.

Segundo a Defesa Civil do Acre, essa foi a primeira vez desde 1971, quando iniciou a medição do manancial, que as águas permanecem tanto tempo abaixo da cota de 2 metros: mais de 3 meses.

Em 13 de junho, o nível do Rio Acre estava com 2,06 metros na capital. No dia seguinte, as águas baixaram para 1,99 metro. A partir de então, o nível do manancial seguiu baixando e chegou a estabilizar em algumas épocas, contudo, não voltou a ficar mais acima da cota de 2 metros.

“É o período que ele passou com o tempo maior, mais de 3 meses, abaixo da cota de 2 metros. O nível deu uma subida de sexta-feira [27], quando estava com 1,27 metro, subiu para 1,41 [no sábado,28], hoje [segunda-feira, 30] baixou para 1,38 metro. Já voltou a abaixar novamente”, explicou o coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Carlos Batista.

Ainda segundo o coordenador, a subida repentina ocorreu por conta de chuvas isoladas em algumas regiões do estado. “E a tendência é que essas chuvas isoladas, pequenos volumes, continuem ocorrendo. Então, chuvas com maior significado, em volumes maiores, as previsões mostram só para depois do dia 15 de outubro. Mas, pode ocorrer nesse intervalo chuvas significativas, mas em pequenas áreas”, diz o coronel.

No dia 21 de setembro, o Rio Acre bateu 1,23 metro na capital acreana, a menor marca registrada nos últimos 53 anos e estabeleceu a seca de 2024 como a maior da história do estado. O manancial em Rio Branco se encontra abaixo de 4 metros há mais de 4 meses.

O governo do Acre decretou emergência por conta da seca em 11 de junho, com validade até 31 de dezembro deste ano. Já a capital publicou o decreto em 28 de junho, com situação reconhecida pelo governo federal quase um mês depois, em 24 de julho.

Para evitar uma crise no abastecimento da capital, o Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb), construiu uma barragem próxima da captação das bombas da Estação de Tratamento de Água (ETA) II.

*Por Victor Lebre, da Rede Amazônica AC

Mortandade de peixes é investigada por governo do Acre e prefeitura de Rio Branco 

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Foto: Carina Castelo Branco/Sema AC

O governo do Acre, por meio da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), e a Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semeia), estão investigando um evento de mortandade de peixes no Rio Acre, registrado no início da semana por moradores da região da Estrada do Quixadá, zona rural da capital acreana.

Uma equipe composta por técnicos e biólogos da Sema, Imac e da Semeia realizou uma vistoria no Rio Acre no dia 9 de outubro, para análises detalhadas da temperatura e qualidade da água, a fim de identificar possíveis causas do ocorrido.

Foto: Carina Castelo Branco/Sema AC

A secretária do Meio Ambiente, Julie Messias, destacou a importância das análises técnicas e explicou que a situação vem sendo enfrentada com planejamento e coordenação de forma integrada.

De acordo com a chefe do Departamento de Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental da Sema, a bióloga Ana Negreiros, o trabalho incluiu a coleta de amostras da água e entrevistas com moradores, que relataram o aparecimento de peixes mortos nos últimos dias.

O pescador Pedro Ferreira, 57 anos, morador do Ramal do Oriente, na Estrada do Quixadá, relatou ter percebido peixes mortos às margens do rio no último domingo.

Foto: Carina Castelo Branco/Sema AC

As amostras coletadas serão submetidas a análises laboratoriais, e o resultado embasará uma nota técnica, que será elaborada em conjunto pelas instituições envolvidas. O documento esclarecerá as possíveis causas da morte dos peixes e orientará as ações necessárias.

Foto: Carina Castelo Branco/Sema AC

A ação também contou com o apoio da Defesa Civil Municipal e do Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC).

*Com informações da Agência Acre

Combate à estiagem e incêndios florestais no Amazonas e Pará recebe ações e equipes da Defesa Civil Nacional

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Foto: Divulgação

O Governo Federal, por meio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, intensificou as ações da Defesa Civil Nacional nos 62 municípios amazonenses prejudicados pela forte estiagem e incêndios florestais. A pasta escalou uma equipe do Grupo de Apoio a Desastres (Gade) para oferecer apoio estratégico e operacional ao governo do Amazonas, buscando mitigar os impactos causados pelas mudanças climáticas na região. Além disso, outras duas equipes foram enviadas ao Pará.

Para o secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, a prioridade é garantir que a população afetada pela estiagem e pelos incêndios, especialmente as comunidades mais isoladas, receba o suporte necessário de forma rápida e eficaz.

No Amazonas, a equipe vem realizando reuniões com os principais órgãos do governo estadual, incluindo secretarias de Saúde, Segurança e Meio Ambiente, com foco em identificar as necessidades mais urgentes. As demandas incluem ajuda humanitária, fornecimento de equipamentos de proteção individual, apoio logístico para atender as comunidades mais remotas, entre outras.

Desafios

Um dos principais desafios enfrentados pela equipe é a logística envolvida na prestação de assistência aos locais mais remotos e de difícil acesso, como comunidades ribeirinhas e povos originários que vivem em áreas de preservação. Como a estiagem afetou severamente os rios, muitos trechos estão completamente secos, dificultando a chegada de suprimentos e apoio por hidrovias

Leia também: Especialista fala sobre causas e consequências dos incêndios na Amazônia: “proposital”

Diante do cenário, o Gade está apoiando a articulação e a coordenação das ações com diferentes esferas do governo, além de trabalhar em conjunto com organizações locais.

Pará

Duas equipes do Gade também foram mobilizadas para prestar apoio aos municípios do Pará. Uma vai atuar em Belém e nas cidades vizinhas e a outra foi deslocada para Santarém, que sofre com a redução drástica dos níveis dos rios Tapajós e Amazonas, essenciais para a vida econômica e social da região. A equipe chegou ao município para alinhar as estratégias de resposta ao desastre e realizar visitas a diversas comunidades afetadas pela estiagem.

Articulação com entes

Em reuniões com autoridades locais, como o prefeito de Santarém, Nélio Aguiar, e o secretário de governo do estado, João Pingarilho, foram discutidas medidas emergenciais para minimizar os danos e prejuízos à população. Entre as ações previstas, estão o fortalecimento da articulação entre os sistemas estadual e municipal de Proteção e Defesa Civil e o apoio na captação de recursos federais, necessários para enfrentar o desastre e acelerar a resposta.

Além de Santarém, a Defesa Civil Nacional atua prestando assistência aos demais municípios paraenses impactados pela estiagem. O esforço conjunto busca não apenas atender às necessidades imediatas, mas também estabelecer um plano de ação contínuo que possa reduzir o sofrimento das populações afetadas e garantir maior resiliência frente aos eventos climáticos futuros.

*Com informações da Secretaria de Comunicação do Governo

Onça-pintada que caiu em poço desativado de fazenda no Mato Grosso é resgatada

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Foto: Divulgação/Sema-MT

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) resgataram onça-pintada macho, adulto, na tarde do dia 11 em Santa Cruz do Xingu. O animal havia caído em um poço desativado com cinco metros de profundidade, localizado em uma fazenda na zona rural do município.

A força-tarefa durou cerca de 10 horas entre o deslocamento da equipe que saiu de Cuiabá até o local do acidente, e envolveu 12 pessoas, entre veterinários, bombeiros, policiais e seguranças.  

O coordenador de Fauna e Recursos Pesqueiros da Sema-MT, Eder Toledo, explicou que foi acionado pela equipe de uma clínica conveniada de Confresa sobre o ocorrido.

Eder explicou que a equipe do Corpo de Bombeiros desceu até o local onde estava o animal e o içou para a superfície. A onça já havia sido sedada por agentes da ONG Ampara Silvestre.

Ainda segundo o coordenador, havia marcas de unhas na parede do poço, o que indica que o animal teria tentado subir o poço, mas deve ter cansado e desistido. 

O médico veterinário Jorge Salomão apontou que a onça apresentava ferimentos pelo corpo, que podem ter sido ocasionados por outro animal, mas o prognóstico somente poderá ser confirmado depois de exames clínicos detalhados. 

O animal foi levado para o espaço da Ampara Silvestre, na Estrada Parque Transpantaneira, e será acompanhado pela equipe multidisciplinar da Sema e da instituição. 

Também apoiaram a força-tarefa o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), policiais militares e seguranças da propriedade onde o animal foi localizado.

*Com informações do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso

Mudanças climáticas: secas e chuvas intensas afetam gravemente a pecuária no Equador

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Foto: Reprodução/Agência Andina

A Assembleia Anual dos Pecuaristas do Equador, que aconteceu no dia 7 de outubro, reuniu-se para analisar os principais desafios que este setor enfrenta, entre os quais estão as mudanças climáticas, a crise energética, a mudança geracional e o roubo de gado. O diretor-geral da Associação dos Criadores de Pecuária da Serra e do Oriente, Juan Pablo Grijalva, destacou que um dos principais desafios do setor são as alterações climáticas que, com eventos extremos como secas cada vez mais intensas e chuvas profundas, afetam gravemente os criadores de gado.

Grijalva referiu-se ainda aos problemas da mudança geracional com uma “juventude que já não quer estar no campo (…), quer sair para a cidade” e o roubo ou furto de gado pelos quais, disse, as explorações agrícolas sofrem ataques de ladrões que amordaçam trabalhadores e roubam máquinas e gado. ”Por fim, a crise energética que atravessa o Equador, que obrigou o Governo a decretar cortes de energia elétrica de até 11 horas por dia em diversos setores do país desde 25 de setembro, dificulta tarefas como a refrigeração”.

Isto, indicou Grijalva, tem causado perdas e custos, especialmente para os pequenos produtores, o que pode ser verificado ao longo do tempo no aumento dos preços dos alimentos nos mercados.

Novos mercados

Na abertura da Assembleia, Grijalva falou sobre a possibilidade de abertura a novos mercados, como a China, para os quais, indicou, já se encontram em processo de certificação de várias fábricas para exportar para este país asiático, fruto do acordo de comércio livre que entrou recentemente em vigor entre a China e o Equador.

Grijalva assegurou que os próprios pecuaristas devem “tomar o futuro nas suas próprias mãos e decidir o que devem fazer”, com vista a procurar soluções e novas oportunidades para o futuro.

Sobre o potencial do Equador na produção de leite, Ariel Londinski, secretário-geral da Federação Pan-Americana de Lacticínios, mencionou aos jornalistas vários dos fatores que o país já possui, como uma tradição no setor ou uma multiplicidade de climas e raças pecuárias.

Para promover o aumento da participação da região latino-americana nos mercados internacionais, Londinski indicou que é preciso trabalhar questões como qualidade, produtividade, capacitação e profissionalização dos produtores. Participaram deste espaço representantes de diversos sindicatos, reunindo cerca de 400 pecuaristas nacionais, além de expositores internacionais.

*Com informações da Agência Andina

Rio Acre sobe e fica acima de 2 metros após quatro meses na capital acreana

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Volume de chuvas influiu para aumento no nível do Rio Acre na capital. Foto: Andryo Amaral/Rede Amazônica AC

O Rio Acre subiu mais de um metro nas últimas 24 horas na capital Rio Branco e voltou a passar dos 2 metros após 122 dias, com 2,70 metros segundo a medição das 7h desta segunda-feira (14) feita pela Defesa Civil Municipal. No domingo (13), o rio estava em 1,59 metro, o que representa um crescimento de 1,11 metro nas últimas 24h.

Contribuiu para o aumento o volume de chuva registrado no período, que foi de 20,60 milímetros ainda segundo a Defesa Civil de Rio Branco. Com o índice, já foram 136 mm de chuva desde o dia 1º de outubro na capital acreana. O montante corresponde a 79,5% dos 171 mm estimados para o mês.

O coordenador ressalta, porém, que enquanto o nível apresentou crescimento na capital e outras regiões próximas, o restante do estado ainda tem pontos com redução no nível de rios e igarapés, e precisam que as chuvas se intensifiquem.

Com a medição desta segunda, o nível do Rio Acre já registra um crescimento de 1,27 metro no mês de outubro. A última vez que a medição havia ultrapassado os 2 metros foi no dia 13 de junho, quando chegou a 2,06 metros.

No período, o rio chegou a estabelecer novas marcas negativas, como a menor cota histórica, que foi de 1,23 metro, registrada no dia 21 daquele mesmo mês.

“Choveu, mas foi aqui na bacia do Rio Acre, e foi mais aqui nessa parte de baixo, aqui de Rio Branco, nessa região. Mas, a previsão é que continue tendo chuvas, mesmo em pequeno volume, mas vai influenciar na subida do nível do rio”, acrescenta Batista.

Seca histórica

Segundo a Defesa Civil Estadual, essa foi a primeira vez desde 1971, quando iniciou a medição do manancial, que as águas permanecem tanto tempo abaixo da cota de 2 metros.

Em 13 de junho, o nível do Rio Acre estava com 2,06 metros na capital. No dia seguinte, as águas baixaram para 1,99 metro. A partir de então, o nível do manancial seguiu baixando e chegou a estabilizar em algumas épocas, contudo, não voltou a ficar mais acima da cota de 2 metros.

“É o período que ele passou com o tempo maior, mais de 3 meses, abaixo da cota de 2 metros. O nível deu uma subida de sexta-feira [27], quando estava com 1,27 metro, subiu para 1,41 [no sábado,28], hoje [segunda-feira, 30] baixou para 1,38 metro. Já voltou a abaixar novamente”, explicou o coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Carlos Batista à época.

Ainda segundo o coordenador, a subida repentina ocorreu por conta de chuvas isoladas em algumas regiões do estado. “E a tendência é que essas chuvas isoladas, pequenos volumes, continuem ocorrendo. Então, chuvas com maior significado, em volumes maiores, as previsões mostram só para depois do dia 15 de outubro. Mas, pode ocorrer nesse intervalo chuvas significativas, mas em pequenas áreas”, diz o coronel.

No dia 21 de setembro, o Rio Acre bateu 1,23 metro na capital acreana, a menor marca registrada nos últimos 53 anos e estabeleceu a seca de 2024 como a maior da história do estado. O manancial em Rio Branco se encontra abaixo de 4 metros há mais de 4 meses.

As menores cotas já registradas são:

  • 1,30 metro – 17 de setembro de 2016
  • 1,29 metro – 11 de setembro de 2022
  • 1,27 metro – 28 de setembro de 2022
  • 1,26 metro – 29 de setembro de 2022
  • 1,25 metro – 2 de outubro de 2022
  • 1,25 metro – 20 de setembro de 2024
  • 1,23 metro – 21 de setembro de 2024

O governo do Acre decretou emergência por conta da seca em 11 de junho, com validade até 31 de dezembro deste ano. Já a capital publicou o decreto em 28 de junho, com situação reconhecida pelo governo federal quase um mês depois, em 24 de julho.

Para evitar uma crise no abastecimento da capital, o Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb), construiu uma barragem próxima da captação das bombas da Estação de Tratamento de Água (ETA) II.

*Por Victor Lebre, da Rede Amazônica AC

Coronel Joaquim Francelino de Araújo: Ex-Venerável Mestre da Grande Benemérita Loja Simbólica Amazonas n.º 2

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Coronel Joaquim Francelino de Araújo. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

O Coronel Joaquim Francelino de Araújo nasceu no Ceará a 12 de março de 1851, sendo seu genitor o Coronel Francisco de Araújo. Fez seus estudos primários na cidade de São Bernardo, daquele estado e os preparatórios no Seminário de Fortaleza.

Aos dezoito anos de idade partiu para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Escola de Farmácia do Rio de Janeiro, onde diplomou-se. Após a formatura, ali permaneceu por três anos dedicando-se aos afazeres de sua profissão. Regressando ao Ceará, passou a trabalhar no comércio e em outras atividades no interior, estabelecendo-se na cidade de Camocim e em seguida para a cidade de Viçosa.

Casou com a senhora Clotilde Beviláqua, irmã dos doutores Clóvis Beviláqua e Angelino Beviláqua. Deste casamento o casal trouxe ao mundo os filhos: doutor Albérico Beviláqua de Araújo, Albucassis Beviláqua de Araújo, Maria Araújo e Elidiana de Araújo Menezes, casada com Celino Menezes.

Em 1884, transferiu-se para Manaus, aqui abriu a Farmácia Central, esquina da antiga rua do Imperador, atual Marechal de Deodoro, com Theodoreto Souto, na qual trabalhou até 1900.

O Coronel Joaquim Francelino de Araújo ingressou na politica, filiando-se no Partido Nacional, dirigido a época pelo doutor Jonathas Pedrosa, tendo sido um político combatente e de grande atividade. Deixando a farmácia, foi nomeado Depositário Público. Em 1913, exerceu o mandato de vereador em Manaus. Em 1916, retirou-se do Amazonas, indo trabalhar nos escritórios da Empresa Port of Pará.

Marcelo Barbosa Peixoto, Sereníssimo Grão-Mestre da Grande Loja do Estado do Amazonas (GLOMAM). Foto: Abrahim Baze/Acervo Pessoal

Quem quer que ainda creia nos altos desígnios do homem sobre a face da terra; quem quer que ainda não tenha todo descrito da ação civilizadora nos destinos da humanidade; quem quer ainda não se tenha tornado em absoluto indiferente ao movimento regenerador que as conquistas do espírito humano vão operando no mundo, limpando – o dos preconceitos religiosos, libertando – o dos prejuízos políticos; quem quer que ainda se sinta agitado pelos superiores ideais de direito e de justiça; quem quer que ainda tenha alma para crer, coração para sentir – não pode deixar de se descobrir reverente e atencioso numa saudação que traduza respeito e consideração, antes a personalidade simpática desse homem que é a mais completa encarnação da bondade, no que ela contém de mais suave e de mais carinhoso, de mais belo e de mais sublime, de mais meigo e de mais angélico.

Nestes tempos de intensa vida e de desamor, em que por assim dizer o homem, no conjunto de todas suas faculdades, absorvido no dia a dia pela busca da sobrevivência que o domina por inteiro, não saindo do seu egoísmo se não para se mover na direção que lhe é indicada pelos seus interesses individuais, constitui um caso raro digno de menção, encontrarmos alguém com muita resignação para sofrer e com uma grande soma de bondade para com o próximo, com alma de crente sincero pairando mais alto por cima das mazelas sociais, com uma convicção profundamente inabalável de que a principal missão no seio das sociedades, a que mais o honra e lhe dá nobreza, a que mais engrandece exalta e dignifica é a prática do bem.

Fazer o bem eis em que consiste a religião de Joaquim Francelino de Araújo. Maçom atuante e um espírita convencido que somente a caridade o aproxima de Deus. Alquebrado pelos embates da diversidade da vida do que pelo peso dos anos vividos. Ele Joaquim Francelino de Araújo vai calmo, sereno, atravessando a existência firme na sua consciência tranquila de homem probo, apoiado na firmeza de seu caráter, sem as humilhações degradantes dos subservientes e nem tão pouco as revoltas histéricas dos libertinos, mas como simples e sincero apóstolo de uma religião que prega a paz, o amor e a caridade, trazendo consigo o espírito iluminado que lhe enche a alma generosa e boa.

Por toda sua vida caminhou alheio as grandezas e as vaidades mundanas, sem vícios que lhe pudesse corromper a sua existência, sem ambições desmedidas que o torne hipócrita e cruel, tem o culto extremado da família, cujo lar tranquilo e modesto, porém, honrado e alegre considerado por ele um templo sagrado, cuja, vida como esposo e como pai nunca se desviou se quer uma linha, nem mesmo em pensamento, do rigoroso cumprimento dos seus deveres. Foi sim um exemplo de modelo e de virtudes.

Se como chefe de família a sua conduta foi exemplar, como maçom dedicado e espírita por convicção teve uma vida irrepreensível. Considerado um homem de elevada alma nobre, mas, sábia e sublime que a que presidiu a organização da maçonaria à época. Como maçom esteve intimamente convencido de que a maçonaria é a obra mais completa que o homem produziu e de que, como Instituição humana dispõem melhor do que qualquer outra de todas as instituições precisas para tornar o homem feliz, levantando-lhe o moral, refretando-lhe os instintos, desembaraçando do fanatismo religioso, tornando – o bom e justo, tolerante e sociável, sem ódios a satisfazer, sem vinganças a pôr em prática, pronto a qualquer sacrifício em proveito da liberdade e da justiça, onde quer que os tiranos tentem ofuscar o espírito humano – ou seja em nome das religiões ou da política, fundando definitivamente na face da terra o regime da paz e da fraternidade.

A maçonaria lhe consagrou o melhor de sua existência. A seu serviço constante, ininterrupto, todos os dias empregou a sua atividade de forma incansável crente e fervoroso sem desanimar, mesmo quando o peso da fadiga lhe abatesse, sem jamais desertar ou abandonar a jornada.

Por um longo período durante todas as noites trabalhou nas diversas oficinas do oriente de Manaus, dando salutar exemplo de uma dedicação sem limites, de uma correção irrepreensível, ensinando os neófitos, aconselhando os inexperientes, a todos carinhosamente envolvendo no manto augusto de sua bondade inesgotável.

Sem ser um grande orador, sem pretensões a ser dono da palavra, contudo agrada sempre ouvi-lo falar, não pelos rasgos da eloquência, pela pompa das imagens, mas pelo alto cunho de sinceridade e convicção que dá as proposições que anuncia aos conceitos que emite a apologia que faz de tudo o que diz respeito as Instituições Maçonaria. Como seguidor fidedigno do espiritismo de Alan Kardec ele falava como vidente, como iluminado e ver-se que fica em êxtase, numa visão paradisíaca, na contemplação mística de beleza celestial, de tal maneira se lhe apresentam ao espírito as sublimidades dos princípios maçônicos.

Foi um dos sustentáculos mais fortes e mais dignos da sublime instituição maçônica amazonense, que lhe deve inestimáveis serviços, embora seu nome não seja lembrado nas lojas dos dias atuais.

No dia 17 de dezembro de 1893, às sete horas no salão de honra no edifício da Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas, com a presença do Sr. Governador do Estado Eduardo Gonçalves Ribeiro, Alberto Leal e Joaquim Francelino de Araújo presidiu a comissão encarregada de representar a Benemérita e Beneficente Loja Maçônica Esperança e Porvir, na inauguração do referido hospital.

Atual Venerável Mestre da Loja Amazonas n°2, Carlos Carvalho. Foto: Carlos Carvalho/Acervo pessoal

Ele foi um dos membros fundadores da Sociedade de Propaganda Espírita, criada em Manaus em janeiro de 1901. A Sociedade tinha por fim o estudo, a difusão do espiritismo e a prática da caridade. Neste mesmo ano ele assume a diretoria na função de tesoureiro. Em 1902, novamente aparece na diretoria como segundo vice presidente. Em 1904, foi criada a Federação Espírita Amazonense e Joaquim Francelino de Araújo novamente toma parte da diretoria na função de tesoureiro.

Foi iniciado maçonicamente no dia 24 de agosto de 1889, na Benemérita Loja Capitular Amazonas, no oriente de Manaus, nessa oficina exerceu o cargo de secretário durante cinco anos consecutivos e o de venerável mestre ao longo de doze anos seguidos e tendo prestado os mais relevantes serviços a esta oficina. A partir de 1909 e por um longo período foi o seu orador.

A referida oficina concedeu-lhe o título de Benemérito e Remido. Foi-lhe concedido o título de Benemérito e Membro Honorário da Assembleia Geral do Grande Oriente do Brasil e do Grande Capítulo dos Noachitas, Benemérito das Lojas Esperança e Porvir e Fraternidade Amazonense, filiando-se nas Lojas Conciliação Amazonense, Rio Negro, Deus Lei e Perseverança e das Lojas Aliança, no Oriente de Canutama e União Paz e Trabalho no Oriente de Parintins. Foi membro honorário do Supremo Conselho do Brasil, foi um dos fundadores da Loja Capitular Fraternidade Amazonense e um dos instaladores do Consistório.

Fonte: Boletim Maçônico. Ano n.º 3, dezembro de 1924. Pág. 3.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

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