Em setembro, 5,5 milhões de hectares da Amazônia foram atingidos pelo fogo – um aumento de 196% em relação ao mesmo mês do ano passado. Desse total, 50% atingiu áreas de floresta, enquanto 30% correspondeu a pastagens. Dados foram gerados pelo Monitor do Fogo, iniciativa da rede MapBiomas Fogo coordenada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). A área queimada em 2024 no bioma já chega a 11,3 milhões de hectares, 143% a mais do que nos nove primeiros meses de 2023.
A Amazônia foi o bioma com a maior área queimada em setembro de 2024, correspondendo a 52% de toda a área queimada no Brasil no mês, que chegou a 10,6 milhões de hectares. O aumento do fogo se deve, em parte, ao avanço das chamas em Mato Grosso e no Pará, que lideram o ranking estadual de área queimada no mês de setembro. No total, foram 3,1 milhões de hectares queimados em Setembro no Estado do Mato Grosso, que possui áreas de Cerrado, Amazônia e Pantanal, enquanto o Pará queimou 2,9 milhões de hectares da Amazônia durante o mês.
“A intensificação dos incêndios na Amazônia em setembro pode ser explicada pelo período de seca, que geralmente ocorre entre junho e outubro, e que este ano tem sido particularmente intenso. Esses fatores agravam a situação na região, já bastante afetada pelas mudanças climáticas, facilitando a propagação do fogo e resultando em vastas áreas queimadas, com grande parte dos incêndios ocorrendo em formações florestais”, detalha Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM.
A Região Norte do Brasil tem passado por uma série de secas extremas desde 2023, prejudicando a recuperação da umidade da vegetação e facilitando a propagação de incêndios. Em 2023, os rios do bioma chegaram aos menores níveis registrados até então e em 2024, que já tomou o posto de pior seca da história da região, já são 770 mil pessoas diretamente afetadas pela estiagem, causando danos estimados em R$ 640 milhões apenas no Amazonas, segundo a Defesa Civil do Estado.
Setembro também foi marcado por recordes de área queimada em outros biomas brasileiros. No Cerrado, segundo bioma que mais queimou, 4,3 milhões de hectares foram queimados, atingindo principalmente áreas de vegetação nativa, pior índice dos últimos 5 anos. Além disso, o Pantanal teve 318 mil hectares atingidos pelas chamas durante o mês, sendo 92% desta área em vegetação nativa.
Ano do fogo
Com a área queimada mapeada em setembro, 2024 chega a 22,3 milhões de hectares queimados em todo o Brasil, área semelhante ao Estado de Roraima. Esse número representa um aumento de 150% em relação ao mesmo período de 2023, com 13,4 milhões de hectares a mais queimados, marcando o ano com maior área queimada desde o início das medições do Monitor do Fogo, iniciadas em 2019.
A vegetação nativa do Brasil concentrou 73% da área queimada, com destaque para as áreas de floresta, que concentraram 21% de tudo que queimou até aqui. Entre as áreas de uso agropecuário, as pastagens se destacaram, com 4,6 milhões de hectares queimados entre janeiro e setembro de 2024 – 188% a mais do que o registrado em 2023. Sozinha, a área de pastagens queimadas em 2024 já equivale ao Estado do Espírito Santo e 84% dela está concentrada na Amazônia.
“O uso do fogo em pastagens na Amazônia está fortemente relacionado à expansão da fronteira agrícola e ao desmatamento, sendo uma prática comum para eliminar a vegetação recém-convertida em pasto, controlar pragas e renovar o solo. Por ser uma técnica barata e fácil de aplicar, é amplamente utilizada. No entanto, essa prática é extremamente problemática na Amazônia, um bioma sensível, onde o fogo pode se alastrar e se transformar em incêndios florestais, especialmente durante períodos de seca extrema”, explica Vera Arruda, pesquisadora no IPAM.
No Cerrado, queimaram 8,4 milhões de hectares entre janeiro e setembro de 2024 – 85,3% atingiu áreas de vegetação nativa. Essa área é 117% maior do que a registrada durante o mesmo período em 2023. O Pantanal, por sua vez, teve 1,5 milhões de hectares queimados desde o começo do ano, um aumento de 2.306% em relação à média observada nos últimos 5 anos.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM, escrito por Lucas Guaraldo
O Laboratório de Caracterização de Impactos Ambientais (LCIA), vinculado ao curso de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Tocantins (UFT), comemora os primeiros resultados do ‘Projeto Quelônios da UFT‘, que estuda a ecologia reprodutiva dos tracajás (Podocnemis unifilis), na prainha do Câmpus Palmas. Liderado pelo professor Thiago Portelinha e pela aluna de Iniciação Científica Ana Beatriz da Silva Brito, o projeto tem como objetivo a conservação da espécie em um ambiente alterado pela presença humana.
De acordo com o professor Thiago Portelinha, recentemente, os primeiros filhotes começaram a nascer, marcando um momento importante para a iniciativa.
Com o uso de telas de proteção nos ninhos remanescentes, a equipe conseguiu garantir o nascimento de filhotes saudáveis.
“Esse tipo de manejo é crucial para a preservação do tracajá, uma espécie com histórico de exploração excessiva e classificada como ‘Vulnerável’, pela IUCN; e ‘Quase Ameaçada’; pelo Ministério do Meio Ambiente”, explica o coordenador.
Fotos: Divulgação
A comunidade acadêmica e o público em geral estão convidados a acompanhar de perto as ações do projeto. “Temos momentos de monitoramento, além de oportunidades de registrar e vivenciar a soltura dos tracajás, fortalecendo a conscientização sobre a conservação ambiental”, convida Ana Beatriz da Silva, discente que atua na equipe.
Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas por meio dos e-mails thiagoportelinha@uft.edu.br, brito.beatriz@uft.edu.br ou pelo telefone (63) 98401-1800.
O Rio Negro, em Manaus (AM), voltou a encher após atingir o recorde histórico de 12,11 metros, sendo o nível mais baixo já registrado desde o início do monitoramento em 1902. Após três dias de estabilidade, o rio apresentou um aumento de dois centímetros, com elevações de um centímetro no domingo (13) e na segunda-feira (14), chegando a marca de 12,13.
Ao Grupo Rede Amazônica, a pesquisadora Jussara Cury, do Serviço Geológico Brasileiro (SGB), antiga CPRM, explicou que o Rio Negro está entrando em uma fase de estabilidade, mas que ainda continua no processo de vazante.
“Agora o Rio Negro está passando por uma redução na intensidade de descida, apresentando certa estabilidade e até pequenas elevações. Mas ainda não é o final da estiagem, porque a gente precisa das chuvas consistidas e distribuídas tanto na região de cabeceira quanto na parte central da bacia”, esclareceu.
Ainda quinta-feira (10), o nível do rio tinha se estabilizado na capital, pela primeira vez, após 104 dias seguidos de descida das águas. Entre quinta (10) e sábado (12), o nível do rio permaneceu em 12,11 metros.
Nesse intervalo, o Rio Negro o rio atingiu 12,68 metros, em 3 de outubro de 2024, ultrapassando o recorde do nível mais baixo já registrado. De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a marca se configura como a pior seca da história de Manaus pelo segundo ano consecutivo.
Em 2024, a descida dos rios no Amazonas começou antes do esperado. Em Manaus, o período da seca teve início em 17 de junho, apresentando oscilações até o dia 28, quando iniciou a descida de forma ininterrupta. Historicamente, o fenômeno ocorre entre a última semana de junho e as primeiras semanas de julho.
Devido à estiagem, a Prefeitura de Manaus decretou situação de emergência por 180 dias e interditou a Praia da Ponta Negra, após o rio ultrapassar a cota mínima de segurança de 16 metros.
Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM
Números da seca no Amazonas
Além da capital, os 61 municípios do Amazonas também enfrentam uma situação de emergência devido à seca. Segundo a Defesa Civil, todas as calhas de rios do estado estão em estado crítico de vazante.
Em Manacapuru, o Rio Solimões enfrenta a pior seca de sua história. Lá, a cota chegou a marcar 2,06 metros no sábado (12). Embora o rio tenha subido um centímetro no domingo (13), se manteve estável nesta segunda (14) com a marca de 2,07 metros.
Já no Alto Solimões, em Tabatinga, a situação foi ainda pior, com o rio registrando uma cota negativa. No dia 26 de setembro, o Solimões atingiu a marca histórica de -2,54 metros.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Defesa Civil Nacional, autorizou, no dia 14 de outubro, o repasse de R$ 19,8 milhões para ações de resposta e recuperação em localidades atingidas por desastres. Serão atendidos municípios nos estados do Amazonas, Pará, Rio Grande do Sul, Rondônia e Tocantins.
As portarias com os repasses foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU):
Estado de Tocantins: R$ 3.821.705,20
Estado do Rio Grande do Sul: R$ 11.773.190,88
Município de Beruri (AM): R$ 540.804,00
Município de Careiro (AM): R$ 1.753.360,00
Município de Espigão D’Oeste (RO): R$ 955.256,95
Município de Aveiro (PA): R$ 1.010.626,80
Como solicitar recursos
Municípios que tiverem o reconhecimento federal de situação de emergência ou estado de calamidade pública podem solicitar recursos ao MIDR para ações de defesa civil. As solicitações devem ser realizadas por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD).
A partir dos planos de trabalho enviados, a equipe técnica da Defesa Civil Nacional avalia as metas e valores propostos. Após a aprovação, os repasses são formalizados por meio de portaria no DOU, liberando os valores correspondentes.
Capacitação para agentes de defesa civil
A Defesa Civil Nacional também oferece uma série de cursos a distância para capacitar e qualificar agentes municipais e estaduais no uso do S2iD. O objetivo é preparar os profissionais das três esferas de governo para responderem de forma eficiente às situações de emergência. Confira aqui a lista completa dos cursos.
Em 2024, todos os municípios do Amazonas enfrentam uma situação de emergência devido à seca. Segundo a Defesa Civil, todas as calhas de rios do estado entraram em estado crítico de vazante este ano.
Em Manacapuru, o Rio Solimões também enfrenta a pior seca de sua história. Lá, a cota chegou a marcar 2,06 metros no sábado (12). Embora o rio tenha subido um centímetro no domingo (13), se manteve estável na segunda (14) com a marca de 2,07 metros.
Com este cenário preocupante, o Greenpeace Brasil realizou um manifesto no leito seco do Rio Solimões, em Manacapuru. O objetivo da ação foi denunciar os impactos da seca extrema deste ano para as populações vulneráveis.
Foto: Nilmar Lage / Greenpeace
Confira o texto escrito por Beatriz Campelo, ativista socioambiental e voluntária do Greenpeace Brasil, que esteve presente no protesto:
“Moro no Norte do Brasil, na capital do Amazonas, Manaus. Durante esse período de verão amazônico, participei de atividades de mobilização do Greenpeace Brasil em Manacapuru, com foco na estiagem e seca no estado. Atravessar boa parte do Rio Solimões a pé, em uma área que deveria estar coberta por água, mas que agora se transformou em um “deserto” de areia, foi uma experiência assustadora.
A situação no Amazonas é devastadora, especialmente para quem vive aqui! Estamos acostumados com rios abundantes, que são de extrema importância para nós. Eles são mais do que caminhos de água; por meio deles, ocorre o acesso à educação, saúde, transporte de alimentos, remédios e mercadorias para milhões de pessoas.
Mas, isso está se tornando cada vez mais difícil devido à seca extrema que estamos presenciando, comprometendo o acesso a recursos básicos para as populações mais vulnerabilizadas.
Em Manacapuru, tive uma experiência profundamente marcante ao presenciar as cruéis consequências da seca no ecossistema amazônico. Durante nossa caminhada, vimos muitos animais mortos, incluindo peixes de várias espécies, cobertos pela areia do “deserto” que se formou onde antes existia o rio.
A cidade que queremos para nós e para todos precisa ser construída! É urgente que os governos (federal, estaduais, distrital e municipais) e os legisladores priorizem a elaboração e implementação de planos de adaptação aos eventos climáticos extremos. Esses planos são essenciais para mitigar os efeitos da crise climática em nossos territórios e para criar cidades mais justas e seguras, especialmente para as populações vulneráveis, que são as mais afetadas seja por secas, fumaça e/ou enchentes.
Se você se preocupa com os impactos das mudanças climáticas na sua vida, junte-se a nós. Assine a petição do Greenpeace Brasil, que exige ações efetivas dos governos e legisladores para enfrentar as mudanças climáticas!”.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Greenpeace
Na Colômbia existem alguns modelos de automóveis que conseguiram entrar na vida de muitas famílias e têm um grande significado emocional. Seu design, praticidade, robustez mecânica, versatilidade e outros atributos fizeram desses carros um verdadeiro símbolo da história automotiva nacional. Conheça:
Toyota Land Cruiser Série 40
Há mais de 60 anos, este veículo off-road japonês chegou à Colômbia e o fez para se estabelecer como o rei das trilhas. Inicialmente vieram algumas unidades do primitivo JF25, mas sua consolidação veio com a série 40 que estreou em 1960 e vigorou por mais de duas décadas até sua saída do mercado nacional em 1984.
O primeiro Toyota Land Cruiser Série 40 chegou à Colômbia em outubro de 1959. Era um veículo sólido e barulhento, projetado para levar seus ocupantes aonde quisessem. Em muitas famílias colombianas existia um, tornando-se um carro muito desejado. Sua estrutura robusta com suspensão a molas, caixa de redução e tração nas quatro rodas, tornou-o sinônimo de confiabilidade e longevidade.
Com o tempo, o Toyota Land Cruiser Série 40 tornou-se um ícone, não só pela sua robustez e capacidade de enfrentar os terrenos mais difíceis, mas também pelo seu lugar na cultura colombiana onde muitos o consideram um símbolo de aventura e resistência.
O Jeep Willys é um dos carros mais icônicos da Colômbia. Sua presença na região cafeeira é um símbolo da força dos agricultores do nosso país. Há mais de 74 anos abre estradas e transporta café, banana e passageiros. É conhecido como Yipao e faz parte da paisagem folclórica da região cafeeira.
Este carro clássico foi um veículo de uso militar originado na Segunda Guerra Mundial. As primeiras unidades chegaram à Colômbia em 1946 e foram adquiridas por produtores renomados da região cafeeira. Seu significado é tão importante na Colômbia que em 2006 foi quebrado o Recorde do Guinness com a “Maior Caravana de automóveis da mesma marca” e também fez parte da inauguração do Túnel da Linha.
O Willys é ideal para caminhar entre montanhas e trilhas que fazem parte do nosso patrimônio nacional e que ainda se mantêm nos setores com maiores percentagens de produção de café como Risaralda, Antioquia e Sierra Nevada de Santa Marta.
O Renault 4 foi o fiel amigo e protagonista indiscutível dos icônicos carros colombianos. Em 2020, a empresa comemorou 50 anos de história e foi considerado um carro muito popular na Colômbia, durante as décadas de 70 e 90, quando foi produzido na fábrica da montadora de mesmo nome, em Envigado.
Segundo a revista virtual “El Carro Colombiano” devido à sua grande capacidade de carga, as pessoas o utilizavam tanto como veículo familiar quanto como transporte de mercadorias, já que este carro tinha um preço confortável na época, o que ajudou a prolongar sua comercialização durante 22 anos. Além disso, marcou o crescimento econômico do país e foi produto de um avanço industrial na Colômbia.
Algumas pessoas o chamam de “o eterno amigo”, enquanto outros se lembram dele com carinho como o veículo icônico de muitas famílias colombianas que possui grande valor emocional. Quem o teve garante que foi um carro resistente que acompanhou muitos momentos, considerado hoje um símbolo nacional.
Este modelo alemão é um dos mais icônicos, não só da Colômbia, mas de todo o mundo. Começou a ser fabricado em 1938 e durante os seus quase 81 anos de história foi um dos veículos mais vendidos e o que permaneceu em produção por mais tempo. Os consumidores o apelidaram de besouro devido à sua grande semelhança com esses insetos.
O Volkswagen Beetle chegou à Colômbia em 1952 através da Caribbean Motor Holding Company. Uma de suas principais características é o motor na traseira e o porta-malas na dianteira, além do bom desempenho mesmo em subidas. No nosso país foi popular nas primeiras corridas internacionais do automobilismo, disputando provas como o Circuito Central e o Doble a Sogamoso.
O fusca é admirado pelo seu design. Muitos têm uma história com isso e muitos tiveram um próximo, seja porque o tio tinha um, o avô ou um amigo próximo. Sem dúvida, entrar no Fusca é entrar numa máquina do tempo que, com o seu aparecimento, nos transporta ao passado e às memórias de família.
A Coleta Seletiva em Porto Velho (RO) tem o objetivo de melhorar a gestão de resíduos e contribuir para um meio ambiente mais sustentável. A iniciativa está dividida em duas modalidades: a Coleta Seletiva Convencional e a Coleta Seletiva Solidária.
A Coleta Seletiva Convencional abrange 12 bairros da cidade e ocorre em dias específicos, conforme a programação que pode ser consultada aqui. A população é incentivada a colocar os materiais recicláveis na calçada nos horários definidos: 7h, 14h e 18h. Os moradores devem separar os resíduos em dois grupos: Lixo Seco, que inclui papel, plástico, vidro e metal; e Lixo Úmido, composto por restos de alimentos e outros materiais não recicláveis.
Por outro lado, a Coleta Seletiva Solidária se concentra em condomínios e instituições públicas, direcionando os materiais coletados diretamente para cooperativas e associações de catadores. Essa abordagem não apenas auxilia na destinação adequada dos resíduos, mas também fortalece a economia local, promovendo oportunidades de trabalho e renda para os catadores.
Cada bairro tem sua programação de dias e horas definidas. É necessário que cada morador esteja informado da programação do seu bairro. O lixo deve ser embalado em sacos plásticos devidamente lacrados e mantidos dentro da residência, sendo levado para lixeira somente no dia da coleta no bairro, para evitar que o lixo seja mexido por pessoas ou animais. O mesmo não será recolhido se estiver fora do saco plástico.
Foto: Divulgação/Prefeitura de Porto Velho
Passo a passo da separação
O primeiro passo é ter em casa dois recipientes distintos e claramente identificados: um destinado ao ‘Lixo Úmido’ e outro ao ‘Lixo Seco’.
No recipiente para o ‘Lixo Seco’, que deve ser em saco de cor azul, devem ser colocados materiais recicláveis. Os papéis, como jornais, revistas, caixas de papelão, embalagens, envelopes e papel de escritório, precisam estar limpos e secos, sem resíduos orgânicos.
Os vidros, incluindo garrafas, potes e frascos, devem ser enxaguados para remover qualquer resíduo. As latas de alumínio, latas de aço, panelas e utensílios metálicos vazios também devem ser limpos antes de serem descartados, evitando contaminação. Por fim, embalagens plásticas, garrafas PET, sacolas e outros objetos de plástico devem estar vazios e limpos.
No recipiente destinado ao ‘Lixo Úmido’, que deve ser em saco preto, deve-se descartar os resíduos não recicláveis, como restos de alimentos, cascas de frutas e guardanapos sujos.
É importante lembrar que manter os materiais recicláveis limpos e secos é essencial para evitar a contaminação e garantir sua efetiva reciclagem.
Era noite do 2º dia de fevereiro de 2022. Antonieli Nunes se preparou para um momento feliz: contar para o homem que amava que estava grávida dele. No entanto, o que aconteceu foi o oposto de felicidade: Gabriel Henrique é acusado de matar Antonieli para não assumir a paternidade do filho que ela esperava. Isso porque ele era casado com outra pessoa, além de ser integrante de uma família evangélica de Pimenta Bueno (RO).
Em depoimento, Gabriel contou que teve um “ataque de ansiedade” quando descobriu a gravidez e começou a estrangular Antonieli enquanto eles estavam deitados “de conchinha”. Ele revelou que só parou o mata-leão quando não sentia mais o próprio braço, “de tanto que havia apertado o pescoço” dela.
O julgamento do caso não aconteceu, mesmo dois anos após o crime, e ainda não há uma data prevista. O processo chegou a ser suspenso por meses depois que a defesa do acusado alegou que ele sofre de insanidade mental. Porém, o laudo indicou que Gabriel “tem total capacidade e discernimento para averiguar o que é lícito e ilícito”.
Desde a pronúncia, a defesa de Gabriel entrou com recursos pedindo, entre outros pontos, a nulidade do depoimento que ele deu à polícia no dia do crime e a exclusão de qualificadoras como a do aborto. O recurso chegou até a última esfera: o Supremo Tribunal Federal (STF) e aguarda julgamento. Somente depois disso o júri será marcado.
Nomes por trás dos dados
Antonieli Nunes, de 32 anos;
Rayane Ferreira Nascimento, de 30 anos;
Laryssa Victória, 17 anos;
Ângela Maria Silva Duarte, de 51 anos;
Katia Juliana Garcia, de 29 anos.
Todas foram mortas entre 2022 e 2023 em Rondônia. Uma porque estava grávida, outra porque se recusou a dançar com o ex-companheiro em uma festa, a terceira encontrada morta e enterrada depois de sair de casa para se divertir com as amigas. As histórias são diferentes, mas ligadas por um ponto: todas morreram de forma violenta em Rondônia apenas pelo fato de serem mulheres.
Histórias semelhantes a essa se repetem centenas de vezes nos últimos anos e refletem o que aponta o Fórum Brasileiro de Segurança Pública: Rondônia é o estado que mais mata mulheres no Brasil.
Gabriel confessou ter matado Antonieli em Pimenta Bueno (RO). Foto: Reprodução/Redes Sociais
Dados por trás dos nomes
O Anuário de Segurança de 2023 aponta que as tentativas de feminicídio somam 41 vítimas no estado de Rondônia em 2022. No ano seguinte, houve um crescimento de 41%, totalizando 99 casos.
Partindo para outro recorte, mais de 7,7 mil mulheres sofreram violência doméstica em 2022 e 2023 em Rondônia. As taxas nos dois anos só perdem para o Mato Grosso: são as segundas maiores do Brasil. A taxa calcula a quantidade de vítimas para 100 mil habitantes.
Em 2022 e 2023, Rondônia perdeu 44 mulheres para o feminicídio. Nesse último, a taxa foi reduzida de 2,4 para 2,6 e ainda assim é quase duas vezes maior que a média nacional, que é 1,4. Nos últimos dois anos, o estado se consolidou como o mais letal para mulheres.
Mas por que Rondônia conserva esse status?
De acordo com a promotora Joice Gushy Mota Azevedo, que atua em júris de feminicídio, o machismo e a cultura de violência são os pilares que sustentam o título de estado mais violento para mulheres.
“A violência contra a mulher é tolerada e, em muitos casos, justificada. Uma visão excessivamente conservadora desqualifica e menospreza a vida de mulheres que não seguem um padrão pré-formatado e considerado de ‘mulheres de valor’. Assim, em casos de vítimas com um estilo de vida mais livre, mais ousado para os padrões conservadores ou que envolvam vícios, a vida da mulher é vista como de menor importância”, aponta.
A legislação brasileira tipifica o feminicídio como um crime de ódio ao gênero feminino, que geralmente ocorrem quando a vítima está em contexto de violência doméstica, assim como quando há menosprezo ou discriminação pelo simples fato dela ser mulher. Esse “ódio” é enraizado na sociedade.
“A nosso sentir, parcela considerável da sociedade rondoniense apresenta um perfil voltado à objetificação da mulher, com excessiva valorização de seu corpo e severas imposições culturais de submissão. O sentimento social de proteção à integridade física e psicológica, bem como, à vida da mulher é pequeno. As famílias de vítimas em relacionamentos abusivos pouco ou nada interferem para retirá-las de relações violentas até que o pior acontece”, aponta a promotora.
Anne Cleyanne é psicóloga e fundadora da Associação Filhas do Boto Nunca Mais, uma Organização Não Governamental (ONG) que tem um olhar voltado aos cuidados de mulheres e crianças em contexto de violência. Tal iniciativa nasceu de uma dor.
“Eu fui violada sexualmente pelo mesmo homem que abusou da minha mãe. Quando foi com ela ninguém acreditou, quando foi comigo ela me mandou para longe para me proteger. O comportamento da família sempre foi de optar pelo silêncio. Cresci sem família e fui exposta a outros tipos de violência. Quando entendi que isso é um problema de muitas meninas, não só meu, eu entendi que poderia transformar minha dor em ação”, comenta.
O descrédito nas vítimas de violência foi um padrão que Anne percebeu nos anos que passou à frente da Associação. Ela também cita outros problemas: machismo estrutural e falta de educação sexual. O próprio nome da Associação veio dessas experiências.
“Descobri que durante muito tempo a lenda do Boto foi usada para encobrir abuso sexual intrafamiliar. Ninguém se intrometia na vida de ninguém, então se a criança aparecia grávida, eles iam apontar que foi o pai que fez aquilo? Falavam que era do boto. Esse contrato foi mantido, o silêncio e o descrédito da vítima”, revela.
Proteção e Justiça
Além de grupos como a Associação Filhas do Boto, órgãos públicos unem forças para evitar violência contra a mulher e feminicídios ou puni-los quando for o caso.
O Ministério Público de Rondônia, por exemplo, recebe denúncias e auxilia no suporte jurídico, emocional e psicológico às vítimas. Além disso, o órgão tem uma Promotoria especialmente para a atuação no Tribunal do Júri em casos de homicídios dolosos praticados contra a mulher por razões da condição de sexo feminino.
“A atuação do Ministério Público se destaca em ações preventivas, na busca e acompanhamento de medidas protetivas, no atendimento e orientação de vítimas, no acionamento dos órgãos da rede proteção e também em ações repressivas, no processamento para punição dos agressores e também adoção de providências para imposição de medidas cautelares, inclusive a prisão de agressores e feminicidas”, aponta a promotora Joice Gushy.
Outro atuante é o Tribunal de Justiça de Rondônia. O aplicativo “Módulo Lilás” foi lançado em novembro de 2022 pelo órgão com o objetivo de garantir o acesso mais rápido de mulheres vítimas de violência doméstica ao judiciário.
A quantidade de feminicídios denunciados à Justiça de Rondônia no primeiro trimestre de 2023 foi 153% maior em comparação ao mesmo período de 2021, de acordo com dados do Tribunal de Justiça do estado (TJ-RO). Março, marcado como “Mês da Mulher”, teve a maior quantidade de denúncias e julgamentos realizados.
Fases da violência doméstica: como pedir ajuda?
São três os principais tipos de violência doméstica:
Violência psicológica: situações que causam abalos emocionais na vítima, tais como constrangimento, humilhação, chantagem psicológica e até mesmo ameaças.
Violência patrimonial: tem relação com dinheiros e bens do casal. O agressor controla o dinheiro e consequentemente a mulher não tem autonomia financeira.
Violência física: são as agressões por meio de murros, tapas, chutes e outras formas. Mesmo que elas deixem marcas ou não.
De acordo com a advogada Sthefany Salomão, existem comportamentos do agressor que ajudam a identificar as fases da violência doméstica.
“Eles começam a se relacionar e aí vez ou outra começa um aumento de tensão. Ele se estressa por alguma coisa e geralmente coloca a culpa nela. Depois disso começam as agressões verbais, as agressões físicas e após esse ciclo é a chamada ‘lua de mel’: ele vem com flores, com pedido de perdão, fala que na verdade foi um covarde, que estava com raiva e a culpa é dela. A gente tem que lembrar que a culpa nunca é da vítima”, relata.
A denúncia pode ser feita pela própria vítima ou por testemunhas, mesmo anonimamente. É possível denunciar nos seguintes canais:
Ministério Público de Rondônia
Telefone: 180
Telefone: 190
Após acompanhar por anos casos de violações contra as mulheres, a promotora Joice Gushy aponta que somente uma reconstrução cultural e de valores pode tirar Rondônia do ranking de estado com as maiores taxas de feminicídio e violência doméstica.
O que podemos fazer para tirar o Estado da estatística?
“É preciso que se forme uma sociedade que reconheça, com igualdade, os direitos, o espaço, as escolhas e o pensamento de todas as mulheres. O empoderamento e a liberdade das mulheres deve ser efetivamente materializado no seio social, com a compreensão de que mulheres empoderadas (leia-se com direitos e garantias reconhecidos em patamar de igualdade aos que são reconhecidos aos homens) e com a liberdade respeitada é que são o pilar de uma família estável e de uma sociedade verdadeiramente fraterna”, finaliza.
Para melhor assistência às mulheres indígenas gestantes e puérperas é preciso ampliar a presença de médicos nas aldeias e o acesso a medicamentos e exames para atendimento imediato de casos especiais. Profissionais de saúde também precisam respeitar as vivências indígenas para acolher as mulheres a partir de suas especificidades culturais. Esta é a recomendação de artigo científico publicado em 11 de outubro na ‘Revista Brasileira de Enfermagem’ por pesquisadores da Universidade Franciscana de Santa Maria (UFN), das federais do Maranhão (UFMA) e Amazonas (Ufam) e da Universidad Católica del Maule, do Chile.
A equipe realizou uma pesquisa qualitativa baseada em entrevistas com 27 gestantes indígenas do estado do Mato Grosso. A maioria delas, 23, teve parto por via vaginal e ocorrido na própria aldeia. A análise dos dados da entrevista permitiu identificar temáticas recorrentes para essas mulheres, como a valorização do parto natural e do aleitamento materno. De forma geral, as entrevistadas veem o percurso natural no nascimento como forma de respeito a práticas sagradas, além de atender as necessidades de cada bebê e possibilitar o convívio com a família na aldeia.
“Surpreendeu-nos o quanto as mulheres indígenas valorizam e reconhecem o seu saber e as suas práticas singulares para o desenvolvimento sustentável”, avalia Dirce Stein Backes, professora da UFN e autora do estudo.
“Se, por um lado, o saber científico evolutivo nos conduziu às melhores evidências científicas, por outro criou cegueiras e miopias hegemônicas que nos distanciaram do saber dos povos originários”, acrescenta.
Por isso, o estudo aponta que é importante uma aproximação mais efetiva dos profissionais de saúde, especialmente os médicos, com as gestantes e puérperas indígenas.
Backes também ressalta que os resultados da pesquisa devem orientar gestores locais para atentar à alimentação das gestantes e puérperas indígenas — considerando que muitas entrevistadas relataram fraqueza. Cansaço e desânimo também foram reportados — principalmente durante a amamentação.
Apesar das mulheres somente interromperem o aleitamento a partir do nascimento do próximo filho, a recorrência de mal-estar nessas circunstâncias reforça a importância de políticas específicas de apoio às puérperas para que a prática siga sendo culturalmente aceita.
A equipe também recomenda o investimento em cursos de qualificação dos agentes indígenas de saúde.
“As mulheres indígenas preferem ser assistidas e orientadas por profissionais de saúde indígena, pela compreensão sólida de práticas culturalmente aceitas e estimuladas”, destaca a autora.
O Programa em Saúde Materno Infantil da UFN, coordenado por Backes, trabalha atualmente com pesquisadores de instituições nacionais e internacionais na qualificação dos agentes indígenas de saúde, das equipes de saúde hospitalar e da equipe das Casas de Saúde Indígena (Casai).
Entre outras ações realizadas para melhorar a assistência às mulheres indígenas, estão a suplementação alimentar e nutricional das gestantes e puérperas indígenas e a realização de teleconsultas. “O projeto visa sensibilizar os profissionais da saúde em relação aos cuidados, direitos e a valorização da cultura dos povos originários, em uma perspectiva humanística e prospectiva”, revela a pesquisadora.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori
A festiva cidade de Parintins, no Amazonas, é conhecida como “ilha da magia”. Em 15 de outubro de 2024, a cidade comemora 172 anos. Também conhecida como Ilha tupinambarana, fica localizada a 369 quilômetros da capital Manaus e é famosa, mundialmente, por ser a cidade que realiza o maior evento folclórico a céu aberto do mundo: o Festival Folclórico de Parintins.
Além da disputa dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso, que tradicionalmente acontece no último fim de semana de junho, Parintins tem algumas particularidades que você só encontra nela:
Você sabia que a cidade é dividida literalmente em duas cores?
O azul do boi Caprichoso e o vermelho do boi Garantido também dividem a cidade na localização geográfica, onde a catedral de Nossa Senhora do Carmo é o ponto de partida. O lado azul conhecido como reduto do Caprichoso, inclui bairros da cidade onde está localizado o curral Zeca Xibelão. E o lado vermelho, conhecido como Baixa do São José, é onde está situado o curral Lindolfo Monteverde, no complexo Cidade Garantido.
Por falar em Nossa Senhora do Carmo, as festividades em homenagem a Maria, Mãe de Jesus, honrando sua função como padroeira da Ordem dos Carmelitas, é uma atração à parte da cidade.
A Catedral em sua homenagem foi tombada por sua importância cultural pela Lei Nº 618/2004. Trata-se do maior templo católico do Médio Amazonas, e o festejo é celebrado no dia 16 de julho, quando atrai romeiros de vários lugares do Amazonas.
Triciclo, meio de transporte mais popular da Ilha de Parintins
Como falar em Parintins e não lembrar do tradicional triciclo? Este meio de transporte tão característico da ilha é considerado Patrimônio Cultural e Imaterial do Amazonas. São estruturas de metal cobertas por uma lona, movidas pelo guidão de bicicletas ou motos encontrados pelas ruas da cidade. O veículo é um importante gerador de renda para dezenas de famílias do município, principalmente no período do Festival Folclórico.