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Pará é o segundo estado brasileiro com o maior número de cavernas conhecidas: 3.224

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Toca da Onça é uma das cavernas no Parque Nacional da Serra do Divisor, no Acre. Foto: Mauro Gomes/ICMBio

O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (ICMBio/Cecav) acaba de divulgar o Anuário Estatístico do Patrimônio Espeleológico Brasileiro 2023-2024, com informações de 26.046 cavidades naturais subterrâneas, as cavernas.

A publicação traz o cruzamento de informações atualizadas, referentes aos anos de 2023 e 2024, considerando os dados inseridos no Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas (CANIE). No período, foram registradas no sistema 2.668 cavernas, o que representa um aumento de 11,41% em relação a 2022.

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“Desde a edição de 2022 do Anuário Estatístico do Patrimônio Espeleológico Brasileiro, foram registradas 2.668 novas cavernas, evidenciando um ritmo constante de descobertas e mapeamento. Em média, foram aproximadamente 1.335 cavernas cadastradas anualmente ao longo dos últimos 15 anos, o que demonstra o crescente empenho e avanço da pesquisa espeleológica no país”, afirmou o coordenador do ICMBio/Cecav, Jocy Cruz. 

Nas unidades da federação, Minas Gerais é o estado brasileiro com o maior número de cavernas conhecidas, com um total de 12.911 cavernas (49,57%); seguido pelo Pará, com 3.224 cavernas (12,38%); Bahia, 2.017 cavernas (7,74%); Rio Grande do Norte, 1.373 cavernas (5,27%); e por Goiás, com 1.136 cavernas (4,36%).

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Juntos, esses cinco estados concentram 80% das cavernas conhecidas no Brasil. Entre os biomas, as informações apontam que 12.008 cavernas conhecidas (46,10%) estão no Cerrado. Por outro lado, Pampa e Pantanal abrigam menos de 1% dessas cavernas, com 38 e 12 registros, respectivamente.

Foto: Reprodução/Turismo no Tapajós

Os dados apresentados no anuário foram correlacionados com os seguintes temas: bacias hidrográficas, biomas, solos, geologia, unidades de conservação, rodovias, ferrovias, assentamentos rurais, mineração, petróleo, Usina Hidrelétrica (UHE), Pequena Central Hidrelétrica (PCH) e Linhas de Transmissão.

Cada tema utilizado provém de distintas bases de dados do Governo Federal, disponibilizadas por meio dos seus respectivos órgãos ou agências reguladoras.

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Cavidades naturais subterrâneas

Responsáveis por uma série de processos naturais, as cavernas desempenham papel fundamental no armazenamento da água, protegem e conservam minerais raros e servem de morada para diversas espécies, muitas delas endêmicas.

Além disso, os ambientes naturais subterrâneos oferecem um laboratório natural de conhecimento, em que é possível entender, por exemplo, como as mudanças do clima estão impactando o meio ambiente, permitindo que sejam definidas estratégias para frear esses impactos. 

Leia também: Pela 1ª vez na história o Acre aparece no Cadastro Nacional por cavernas encontradas na Serra do Divisor

Devido à importância desses ambientes naturais, cada vez mais evidente, o número de pesquisas científicas relacionadas a cavernas aumentou 280% ao longo dos últimos 16 anos, conforme apontou um levantamento do ICMBio/Cecav divulgado em janeiro deste ano.

Desde 2014, o ICMBio/CECAV disponibiliza as informações do CANIE à sociedade, o sistema foi instituído pela Resolução Conama 347/2004 e tem como objetivo fortalecer a gestão e estabelecer procedimentos e parâmetros para o licenciamento ambiental de atividades potencialmente impactantes ao patrimônio espeleológico. A ferramenta vem contribuindo na ampliação do conhecimento técnico-científico acerca das cavernas existentes no Brasil, armazenando e disponibilizando dados essenciais à sua gestão.

*Com informações do ICMBio

Relembre 3 trabalhos do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado na Amazônia

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Sebastião Salgado. Foto: Reprodução/Centro de Memória Sindical

Sebastião Ribeiro Salgado Júnior nasceu em Aimoré, Minas Gerais, no dia 8 de fevereiro de 1994. Conhecido apenas como Sebastião Salgado, é considerado um dos maiores fotógrafos do mundo.

Ele começou a fotografar como hobby em uma viagem para Angola, na África, onde coordenou um projeto sobre a cultura do café. Morreu aos 81 anos no dia 23 de maio, informação confirmada pelo Instituto Terra, organização não-governamental fundada por ele.

Mas durante sua carreira como fotógrafo, Sebastião registrou momentos importantes da história: como a Revolução dos Cravos (em Portugal), o atentado de 31 de março de 1981 ao presidente dos EUA, Ronald Reagan, e ainda realizou registros da realidade amazônica.

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Trabalhos realizados por Salgado na região Norte

Exposição e livro ‘Amazônia’

Com fotos tiradas durante uma viagem à Amazônia, a exposição e o livro contêm 200 fotos em preto e branco retratando a região amazônica, que incluem fotos de paisagens, rios, montanhas e tribos indígenas que habitavam a região na época. 

A obra é resultado de expedições fotográficas na Amazônia brasileira, feitas a partir do final da década de 1990, mas em sua grande maioria realizadas entre os anos de 2013 e 2019, quando o fotógrafo passou longas temporadas com doze comunidades indígenas isoladas, navegou no Rio Amazonas e sobrevoou a floresta.

Xamã Yanomami em ritual durante a subida para o Pico da Neblina. Foto: Sebastião Salgado

Exposição ‘Gold – Mina de Ouro Serra Pelada’

A exposição contava com 56 fotografias feitas por Sebastião na década de 80. Fotografada no Garimpo de Serra Pelada, no sul do Pará, a exposição retrata as histórias dos garimpeiros que sonhavam em mudar de vida e daqueles que enriqueceram às custas dos trabalhadores.

Sebastião fotografou as dezenas de milhares de homens que transformaram uma serra de morros em uma enorme cratera e as pessoas cobertas de lama e suor arrastando os sacos de minério.

Leia também: Amazônia: a geografia do garimpo

Serra Pelada. Foto: Sebastião Salgado

Calendário com indígenas do Acre 

Durante uma visita ao Acre em 2016, o fotógrafo passou 20 dias com o povo Ashaninka e 20 dias com o povo Yawanawá, o que resultou em um calendário feito com fotos dos indígenas.

Saiba mais: Indígenas do Acre são tema de calendário criado pelo fotógrafo Sebastião Salgado

Indígena do Acre. Foto: Sebastião Salgado

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Startup de Manaus é eleita como uma das 100 mais inovadoras do mundo

ForestFi é uma startup situada na cidade de Manaus. Foto: Divulgação

Uma abordagem que colabora para a manutenção da floresta em pé, por meio da tecnologia blockchain, e conecta sistemas produtivos rurais a mercados de investimentos sustentáveis. Este é o grande diferencial da ForestiFi, fintec de tokenização de ativos da bioeconomia amazônica apoiada pela AMAZ Aceleradora de Impacto, que foi eleita como uma das startups de sustentabilidade mais inovadoras do mundo pela Change 100, a campanha global da We Make Change. 

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O anúncio foi realizado durante o “ChangeNOW”, maior evento global de soluções para o planeta, em Parisl. A seleção recebeu centenas de candidaturas de todo o mundo e teve apoio de organizações líderes, como a Microsoft Entrepreneurship for Positive Impact e a Techstars. A lista com todas as selecionadas está disponível no site: www.wemakechange.org/change100. 

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ForestFi, startup de Manaus
Startup ForestFi é eleita como uma das 100 mais inovadoras do mundo. Foto: Reprodução/Site

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“Esse reconhecimento vem para validar o trabalho que viemos fazendo com a ForestiFi ao longo de pouco mais de um ano de operação, em que temos desenvolvido esse mecanismo alternativo de investimento nas cadeias produtivas da bioeconomia na Amazônia”, afirma o cofundador Macaulay Abreu. 

Fundada em 2023 no estado do Amazonas, a plataforma tokeniza produtos da biodiversidade amazônica como o guaraná e a castanha e garante transparência, maior eficiência, menor custo e segurança nas transações. 

A Forestifi oferece uma plataforma onde investidores podem comprar tokens de ativos da sociobiodiversidade. Os valores beneficiam diretamente sistemas produtivos rurais e contribuem para a recuperação de áreas degradadas, na mesma medida em que retornam com juros para quem investiu. 

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ForestFi, startup de Manaus
Startup ForestFi é eleita como uma das 100 mais inovadoras do mundo. Foto: Reprodução/Site

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Desde o início dos trabalhos, a plataforma já tokenizou cacau nativo, pirarucu de manejo e guaraná selvagem, movimentando quase R$ 500 mil. Em abril, em parceria com a Zeno Nativo — outra startup apoiada pela AMAZ —, a ForestiFi transformou 1.850 quilos de castanha da Amazônia em ativos digitais, arrecadando R$ 114,7 mil que beneficiaram mais de 50 famílias extrativistas da região do Rio Acará (PA). 

Como uma das eleitas pela Change 100, a startup será conectada a recursos estratégicos, programas de apoio e uma rede global de mais de 50 mil voluntários remotos, incluindo especialistas de empresas como Standard Chartered Bank, PA Consulting e Grundfos.Além disso, a ForestiFi se prepara para conectar mais investidores a sistemas produtivos da sociobiodiversidade. “Nosso foco está em ampliar o número de ativos disponíveis e facilitar o acesso de novos investidores a esses produtos, fortalecendo as organizações por meio da compra dos tokens. Além disso, até o final deste ano, pretendemos lançar uma nova versão da plataforma, com modelos inéditos de investimento voltados às cadeias produtivas”, completa Abreu. 

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Apoio da AMAZ

Desde o início de 2025, a ForestiFi é uma das startups apoiadas pela AMAZ, a principal aceleradora de negócios de impacto socioambiental que atuam na Amazônia Legal. Atualmente, o negócio se encontra na fase de “Tração”, período em que a empresa se concentra na aceleração de resultados no mercado, como a captação de clientes e o aumento de receita. 

A líder de operações da AMAZ, Gabriela Santos, exalta a eleição como um marco para o ecossistema regional. 

“Estamos gerando impacto na ponta e, ao mesmo tempo, sendo capazes de reforçar a bioeconomia como vetor de inovação na Amazônia. A AMAZ e o Idesam [Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia] trabalham para fortalecer e trazer luz a soluções que estão sendo desenvolvidas localmente e podem ser replicadas como casos de sucesso, o que demanda apoio contínuo e próximo no longo prazo, como investidores e parceiros”, destaca. 

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Sobre a ForestiFi

ForestFi, startup de Manaus
Startup ForestFi é eleita como uma das 100 mais inovadoras do mundo. Foto: Reprodução/Site

A ForestiFi é uma plataforma de investimentos de impacto que conecta investidores a cadeias produtivas sustentáveis da Amazônia, utilizando tecnologia de tokenização para garantir rastreabilidade, liquidez e transparência. Já estruturou tokens vinculados a produtos como cacau nativo, pirarucu de manejo e guaraná selvagem. 

Florestas tropicais não estão se adaptando rapidamente às mudanças do clima, alerta estudo global

Trecho da Floresta Amazônica no Acre. Foto: Pedro Devani/Secom AC

A Amazônia e outras florestas tropicais nas Américas estão se adaptando muito lentamente às mudanças climáticas, o que aumenta sua vulnerabilidade a secas, ondas de calor e perda de biodiversidade. Este é o alerta de um recente estudo internacional publicado na revista científica Science.

Três biólogos do Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP) – Jhon del Águila Pasquel, Gerardo Flores Llampazo e José Reyna Huaymacari – participaram do desenvolvimento deste estudo.

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Segundo o IIAP, a contribuição desses especialistas foi fundamental na análise de dados coletados ao longo de mais de 40 anos, abrangendo mais de 250 mil árvores monitoradas em 415 parcelas permanentes de florestas tropicais, que se estendem do México ao sul do Brasil.

As descobertas indicam que, embora algumas espécies de árvores tropicais estejam desenvolvendo adaptações, como folhas menores ou perda sazonal de folhagem, essas mudanças estão ocorrendo em uma taxa muito abaixo daquela necessária para lidar com os cenários climáticos projetados.

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Apenas 8% das árvores adultas e 21% das árvores jovens apresentam características que poderiam favorecer sua sobrevivência em um clima mais quente e seco, demonstrando uma resposta insuficiente à aceleração das mudanças climáticas.

Essa lentidão na adaptação compromete a capacidade das florestas de manter funções vitais, como sequestro de carbono, regulação da água e conservação de habitat para diversas espécies. Além disso, espera-se a formação de comunidades vegetais muito diferentes das existentes atualmente, gerando desequilíbrios que afetariam não apenas as plantas, mas também a fauna, a fertilidade do solo e a estabilidade geral do ecossistema.

A pesquisa, liderada por Jesús Aguirre-Gutiérrez, da Universidade de Oxford, envolveu mais de 120 cientistas de várias instituições ao redor do mundo.

*Com informações da Agência Andina

Segunda edição do ‘Amazon On’ abordará soluções tecnológicas e sustentáveis para a Amazônia

‘Amazon On’ discute soluções para a Amazônia. Foto: Divulgação

O ‘Amazon On Connectivity & Sustainability 2025‘ é um espaço para apresentar e debater soluções que combinam tecnologia e sustentabilidade para expandir a conectividade, a infraestrutura e a inclusão digital na Amazônia e no mundo, buscando promover transformação social com preservação socioambiental.

Com esse objetivo, a segunda edição do evento em Manaus, capital do Amazonas, reunirá especialistas em tecnologia e sustentabilidade, empresas multinacionais e locais, autoridades públicas e entidades internacionais.

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O coordenador do evento, Moisés Moreira, explica que entre as principais metas do encontro estão:

  • promover soluções digitais sustentáveis para a Região Amazônica;
  • aumentar a conectividade em comunidades isoladas;
  • estimular o debate sobre a importância da inovação para a preservação ambiental;
  • e a criação de uma rede de colaboração entre ONGs, governos, centros de pesquisas, startups e grandes empresas.

“Nosso objetivo é debater tecnologias que promovam o desenvolvimento econômico sustentável na Região Amazônica. Queremos mostrar iniciativas e ideias efetivas que já estão sendo colocadas em prática, e mostrar como essas novas tecnologias podem trazer benefícios para as populações amazônicas, especialmente as ribeirinhas, indígenas e quilombolas”, destacou Moisés Moreira.

Moisés Moreira no ‘Amazon On’. Foto: Divulgação

Reunindo os principais atores de setores estratégicos para discutir o cenário atual e apresentar soluções de sustentabilidade para a Amazônia, o ‘Amazon On 2025’ mostrará o quanto a tecnologia sustentável auxilia na busca de soluções inovadoras, quer em fase de desenvolvimento ou já em prática, que são capazes de minimizar o impacto ambiental sobre a biodiversidade e as comunidades da região.

Entre os temas que serão abordados pelos palestrantes estão as tecnologias voltadas para a sustentabilidade, proteção ambiental e enfrentamento às mudanças climáticas, fontes renováveis de energia, inteligência artificial e o impacto da COP30 sobre o mercado digital na Amazônia.

Segundo ano de Amazon On

O ano de 2025 marca a segunda edição do Amazon On Connectivity & Sustainability. A primeira aconteceu em setembro de 2024 e contou com a presença de gestores de instituições públicas, entidades internacionais e empresas nacionais e internacionais ligadas aos setores tecnológico, de comunicação e energético.

Neste ano, o evento reunirá 400 pessoas por dia em um novo espaço: o Amazon On 2025 acontecerá no Centro de Convenções Vasco Vasques, na Avenida Pedro Teixeira, bairro Dom Pedro, Zona Oeste de Manaus. Além do espaço mais amplo, o Amazon On contará com novas áreas de relacionamento, como espaços para reuniões bilaterais, estandes de relacionamento e locais exclusivos para o networking. O evento acontece nos dias 20 e 21 de agosto.

*Com informações da assessoria

Mestre Sacaca

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Foto: Reprodução/Blog Porta Retrato-AP

O amapaense Raimundo dos Santos Souza, conhecido como Mestre Sacaca, foi uma figura importante para o cenário cultural do Amapá. Nascido em 1926, em Macapá, Sacaca era conhecedor da medicina natural, tocador de caixa de marabaixo e artesão de instrumentos, além de ter um papel fundamental na preservação da cultura indígena tucuju. Ele se casou com Madalena Souza, a primeira Miss Amapá, com quem teve 14 filhos.

Ao longo da vida, foi uma liderança comunitária de destaque, pois participou da fundação da União dos Negros do Amapá (UNA) e da primeira associação de idosos do estado. Ele também marcou presença no carnaval amapaense, coroado por mais de 20 anos como Rei Momo, e nos campos de futebol, onde atuou como técnico e massagista, sendo peça-chave no histórico título do Esporte Clube Macapá, campeão do primeiro Copão da Amazônia, em 1975, ao lado de craques como Bira.

Mas foi mesmo na relação com a natureza que construiu seu maior legado. O ‘doutor da floresta’ ou ‘curador da floresta’, como era chamado, era procurado por moradores de todo o Amapá em busca de tratamentos naturais, chás e ervas medicinais. Na década de 1990 apresentava o programa ‘A Hora do Campo’, da Rádio Difusora de Macapá, ensinando sobre as propriedades medicinais das plantas. Além disso, também escrever três livros, nos quais catalogou plantas com uso terapêutico.

*Com informações do Governo do Amapá

Exposição Juvia abre Festival dos Povos da Floresta em Porto Velho com artistas selecionados da Amazônia

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Exposição Juvia em Porto Velho. Foto: Divulgação

A Exposição Juvia apresenta um recorte artístico múltiplo e sensível sobre os povos da floresta, reunindo fotografias, pinturas, esculturas, documentários e clipes musicais. Ela abre Festival dos Povos da Floresta em Porto Velho (RO). A mostra também inclui obras dos artistas convidados como Paula Sampaio (PA) e Gustavo Caboco (RR), além de uma seleção do Acervo Rioterra, que celebrou 25 anos de atuação na região.

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Com patrocínio da Petrobras, realização do Ministério da Cultura e idealização do Instituto Rioterra, o festival tem como proposta celebrar a diversidade cultural amazônica, unindo tradição e inovação por meio das artes visuais, audiovisuais e performáticas.

Responsável pela curadoria da Exposição Juvia, que abre a programação do festival, Rosely Nakagawa ressalta que o projeto busca aproximar o Brasil da diversidade cultural amazônica.

“A proposta une inovação e saberes ancestrais, destacando a pluralidade da Amazônia por meio da arte e das vivências de seus povos”, afirma.

Leia também: ‘Festival Povos da Floresta’ quer conectar cultura amazônica com o Brasil e o mundo

Exposição Juvia em Porto Velho. Foto: Divulgação

A exposição representa a frente de artes visuais e audiovisuais do festival, sendo apenas uma das vertentes do projeto. A outra frente contempla as artes performáticas, com apresentações de dança, música, shows e performances indígenas.

Veja os artistas selecionados pelo edital:

  • Avener Prado – Fotografia | Amazônia pós-moderna
  • Bruno Sousa – Escultura | Pescador de pirarucu
  • Bototo – Pintura
  • Evandro Câmara – Pintura | Uma luz na escuridão
  • Rafael Prado – Pintura | Povos amazônicos não morrem, viram semente
  • Saulo Sousa – Fotografia | Amazonicidade (CABOCLAGEM)
  • Erica Queiroz – Arte Indígena
  • Marcila Diahui – Arte Indígena
  • Anderson Mendes – Documentário | DasilvaDaselva
  • Lígia Neiva – Documentário | Dos jovens de ontem para os jovens de hoje
  • Quilomboclada – Clipe musical | Boicore
  • Regiliano Makurap – Documentário | Nosso conhecimento Makurap
  • Tambores do Pacoval e mestre Dikinho – Clipe musical | Guardião
  • Artistas convidados:
  • Paula Sampaio – Fotografia
  • Will Arehj – Fotografia
  • Graciano Oro Waram – Fotografia
  • Gustavo Caboco – Ilustração

O Festival dos Povos da Floresta é um evento multilinguagens e itinerante que celebra a riqueza cultural da Amazônia, unindo tradição e contemporaneidade por meio das artes visuais e do audiovisual. Sua programação inclui exposições de arte, mostras audiovisuais, apresentações musicais, oficinas, rodas de conversa e performances, valorizando as expressões culturais de povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e comunidades urbanas da região, além de promover sua integração com a cena cultural nacional.

A primeira edição acontece em Porto Velho (RO), de 29 de maio a 8 de junho de 2025, e seguirá por outras quatro capitais: Boa Vista (RR), Macapá (AP), Belém (PA) e Brasília (DF), promovendo um circuito de trocas culturais entre as comunidades amazônicas e o restante do país.

Família de Rondônia constrói ‘ilha’ particular no quintal de casa

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Família construiu ‘ilha particular’ no quintal. Foto: Camila Honório/Acervo pessoal

Você já imaginou ter uma ilha no quintal de casa? Foi exatamente isso que a família de Camila Honório decidiu fazer em São Miguel do Guaporé (RO). A ideia inusitada viralizou nas redes sociais depois que a jovem compartilhou vídeos mostrando sua rotina no “paraíso particular”.

Com águas azuladas e coqueiros ao redor, a paisagem chamou a atenção de internautas de todo o Brasil. Ao Grupo Rede Amazônica, Camila contou que a intenção inicial era construir uma represa para a diversão da família, mas o projeto tomou outro rumo por um motivo especial: preservar a natureza.

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“Nosso terreno era uma área já alagada, portanto os coqueiros que estão no meio da ilha já existiam. Meus pais não quiseram derrubar essas árvores e acabar causando uma degradação maior. No caso, a solução foi escavar ao redor das árvores, e surgiu assim a ilha”, explicou.

O vídeo chamou a atenção de milhares de pessoas nas redes sociais, rendendo elogios e despertando curiosidade sobre o “quintal dos sonhos”. Mas, apesar da repercussão, a família prefere, por enquanto, manter o espaço reservado apenas para encontros familiares.

@honoriocami

♬ Baianá (Sped Up Version) – Bakermat

“Geralmente aos finais de semana é costume a família se reunir pra fazer o famoso almoço de domingo e aproveitar pra se refrescar nesses dias quentes. Também alguns vizinhos e amigos da família aparecem pra aproveitar um momento de lazer”, contou Camila.

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Do sonho à obra

A construção da pequena ilha no quintal começou de forma simples, com a escavação de uma represa ao redor dos coqueiros já existentes no terreno. Para isso, foi necessário contratar uma empresa de máquinas, que fez o serviço em dois dias. A partir daí, todo o trabalho de modelagem e paisagismo foi sendo feito aos poucos pelos pais de Camila e até hoje ainda está em andamento.

“Pra escavação da represa que rodeia a ilha, foi necessário dois dias de trabalho com a PC, que foi feito com uma empresa de máquinas. A partir da escavação, toda a parte de modelagem e paisagismo está até hoje ainda sendo feito pelos meus pais e outros familiares”, explicou.

A jovem contou que a criação da ilha não foi planejada desde o início, mas nasceu do desejo da família de preservar a natureza do local.

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“Como não foi um projeto premeditado, e sim uma série de acontecimentos e cedência à natureza, não gastamos um valor específico, mas em média, em mais de um ano de trabalho, foi gasto entre 100 mil a 150 mil”, detalhou.

A ilha improvisada já é conhecida na região e desperta o interesse de muitos moradores. Segundo Camila, a família está agora colocando no papel um projeto para transformar o local em uma pousada.

*Por Amanda Oliveira, da Rede Amazônica RO

Festival Folclórico de Parintins recebe a Medalha da Ordem do Mérito Cultural, mais alta honraria da cultura brasileira

Bois-bumbás Caprichoso e Garantido disputam o Festival Folclórico de Parintins. Foto: Michael Dantas/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

O Festival Folclórico de Parintins foi reconhecido, no dia 21 de maio, com a Medalha da Ordem do Mérito Cultural, a mais alta honraria da cultura brasileira concedida pelo governo Federal. A cerimônia aconteceu no Palácio Capanema, no Centro do Rio de Janeiro, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Cultura, Margareth Menezes.

Os bois Caprichoso e Garantido foram representados pelos presidentes das agremiações, Rossy Amoêdo e Fred Góes, que receberam a condecoração em nome do festival.

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A Ordem do Mérito Cultural homenageia personalidades, instituições e manifestações que contribuem para a identidade cultural do país. O reconhecimento reforça a importância do Festival de Parintins, que já é patrimônio cultural do Brasil.

O evento, realizado anualmente no último fim de semana de junho, é uma das maiores manifestações da cultura popular brasileira. A disputa entre os bois Caprichoso e Garantido movimenta a Arena do Bumbódromo, palco das apresentações que celebram a história, o folclore e a arte da região.

Além do Festival de Parintins, outras 124 personalidades e manifestações culturais foram homenageadas, entre elas o Festival Amazonas de Ópera.

Leia também: 7 fatos que somente o Festival Amazonas de Ópera poderia proporcionar para a cultura no estado

Festival Folclórico de Parintins

Localizado a 369 quilômetros de Manaus, o município de Parintins é palco das apresentações dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido, que protagonizam o maior festival folclórico do mundo.

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Nos três dias de festa, realizada no final do mês de junho, os bois-bumbás entram na arena, chamada de Bumbódromo, para disputar o título de campeão do festival. A cada noite, eles têm até 2h30 para se apresentar.

Na cidade tudo é azul e vermelho – as cores dos bois. O azul do boi Caprichoso e o vermelho do boi Garantido também dividem a cidade na localização geográfica, onde a catedral de Nossa Senhora do Carmo é o ponto de partida.

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Reserva Extrativista Lago do Cuniã: resistência e desafios na Amazônia rondoniense

Lago do Cuniã. Foto: Reprodução/Prefeitura de Porto Velho

Localizada à margem esquerda do Rio Madeira, a aproximadamente 110 km de Porto Velho (RO), entre igarapés e uma floresta que muda de paisagem conforme as cheias e secas do bioma amazônico, está a Reserva Extrativista Lago do Cuniã, local que une a resistência comunitária à preservação ambiental.

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Criada oficialmente em 1999, a reserva ocupa uma área de 55.850 hectares e abriga cerca de 90 famílias, organizadas em cinco núcleos: Araçá, Neves, Pupunhas, Silva Lopes Araújo e Bela Palmeira, segundo o Instituto Socioambiental (ISA).

No entanto, a história da reserva começou bem antes disso, em 1980, quando os próprios moradores lutaram e impediram a transformação da área em uma estação ecológica que inviabilizaria a ocupação no território.

A população local é formada por descendentes de migrantes nordestinos que chegaram à Rondônia durante o ciclo da borracha e por indígenas da etnia mura, que ali estabeleceram seus modos de vida e resistem ao tempo com saberes tradicionais e uma relação ancestral com a natureza.

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O cotidiano das famílias é sustentado por atividades extrativistas e pela agricultura de subsistência. A pesca, a coleta da castanha-do-pará, o cultivo de banana e mandioca e a produção artesanal de farinha são os principais pilares da economia local. A caça, embora presente, na maioria das vezes é limitada ao consumo próprio.

Desafios

A reserva enfrenta sérias limitações no acesso a serviços públicos, como a falta de energia elétrica regular em que a iluminação e uso de eletrodomésticos dependem de geradores particulares, que operam por poucas horas ao dia e consomem combustível caro e de difícil transporte. O acesso à educação também é comprometido: as escolas locais sofrem com a falta de professores e com instalações precárias.

Outro desafio constante é o transporte de mercadorias, que é lento, custoso e regulado pelo próprio órgão gestor da unidade de conservação. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o transporte e a comercialização de produtos da reserva precisam seguir normas específicas para garantir a sustentabilidade da atividade e a preservação da biodiversidade local.

Superlotação de Jacarés

Nos últimos anos, os moradores da Reserva do Lago do Cuniã passaram a conviver com um novo desafio: o crescimento descontrolado da população de jacarés. A proibição da caça por mais de 40 anos contribuiu para o aumento expressivo desses animais, o que tem gerado episódios de ataques e restringido o uso dos rios e lagos pela comunidade, tanto para a pesca quanto para o lazer.

De acordo com o ICMBio, a criação de um frigorífico especializado no manejo sustentável do jacaré foi uma alternativa implementada para equilibrar a população da espécie e, ao mesmo tempo, gerar renda para os extrativistas, respeitando os princípios da conservação ambiental.

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Manejo de jacarés na reserva Foto: Reprodução/ Acervo ICMBio 

Atrativos na reserva

Embora pouco visitada, a Reserva Extrativista Lago do Cuniã é rica em biodiversidade e atrativos naturais. A região abriga vários igarapés e uma avifauna diversa, com destaque para pássaros aquáticos, o que a torna um potencial destino para o ecoturismo e a observação de aves.

No entanto, a visitação à reserva só é permitida mediante autorização prévia, justamente para proteger os ecossistemas frágeis e o modo de vida das comunidades tradicionais.

Lago do Cuniã e revoada de pássaros aquáticos. Foto: Reprodução/ Prefeitura de Porto Velho

A criação da reserva foi um marco na proteção de territórios ocupados por comunidades tradicionais e se tornou símbolo da convivência harmoniosa entre o ser humano e a floresta. A boa conservação do território é resultado direto do modo de vida sustentável dos moradores, que veem a natureza não como recurso a ser explorado, mas como um lar a ser cuidado.

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*Com informações do ISA e do ICMBio