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Lenda da Gruta de Kamukuwaká: o guerreiro, os pássaros e a luta contra inimigos atuais

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Foto: Piratá Waurá

Na cosmogonia da etnia Wauja, em Mato Grosso, a lenda de Kamukuwaká conta que ele teve a casa transformada em pedra por Kamo (o Sol), pois este invejava sua força e beleza. Essa lenda reforça a importância cultural e histórica de povos indígenas que já viram parte de seus registros serem destruídos.

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Isso porque a gruta de Kamukuwaká existe e abriga rituais e a história dos povos que vivem no Alto Xingu por meio de gravuras rupestres milenares. Trata-se de um local considerado sagrado por 11 etnias indígenas – tombado como Patrimônio Cultural do Brasil desde 2010 -, localizado no município de Paranatinga, que está, ironicamente, fora do Território Indígena do Xingu.

A gruta fica dentro de uma área particular, o que dificulta o acesso e conservação pelos povos indígenas. Em 2018 parte das pinturas rupestres na gruta foram alvo de depredação em função da falta de demarcação apropriada no local, prejudicando a preservação histórica dos Wauja.

Gruta guarda parte da história do povo indígena. Foto: Gabriele Viega Garcia

A lenda

A gruta é considerada a morada atemporal do guerreiro Kamukuwaká. Ele é o líder ancestral que deixou como herança aos povos do Alto do Xingu o ritual da furação de orelha, que inicia jovens lideranças nas comunidades.

Em um especial para o Nonada Jornalismo, Erika Artmann esmiuçou a lenda durante conversas com o fotógrafo e professor da aldeia, Piratá Waurá:

Kamukuaká: história que acompanha o curso do rio

“Na história de Kamukuaká, a gruta servia como casa na aldeia antiga de Tupapuihu, que significa Lugar da Pedra. A beleza do líder e as músicas do povo despertaram a inveja de Kamo, Sol, que vivia do lado direito do rio. O povo dos pássaros havia descido do céu, onde estava a aldeia deles, para a terra. Kamukuaká, ao encontrá-los, perguntou o que estavam fazendo ali. As aves explicaram que iriam furar a orelha de um dos seus jovens, quando o líder do povo que habitava Tupapuihu se interessou e pediu para que também furassem a sua orelha. Os pássaros foram embora e disseram que voltariam.

Tempos depois, todos vieram para o ritual: Kamukuaká, seu povo, os pássaros e Kamo. O líder decidiu que usaria a própria flecha para fazer o furo. Foi quando Kamo pegou o objeto e fingiu que furaria a orelha de Kamukuaká mas, no meio da festa, mirou na cabeça porque queria mesmo era matá-lo. Quando percebeu, Kamukuaká se virou e o objeto furou uma orelha. Depois Kamo lançou uma segunda flecha que acertou a outra orelha. Depois, as flechas continuaram sendo atiradas até que furaram, uma por uma, as orelhas dos jovens do povo de Kamukuaká. Kamo não conseguiu matar ninguém. A história conta o início do ritual de furação de orelha, que ocorre até hoje entre os Wauja.

Na aldeia Topepeweke, uma das nove do povo Wauja – onde atualmente mora Piratá Waurá -, a última vez que o ritual aconteceu foi em 2009. Naquele ano, uma pessoa foi escolhida para ser treinada como líder na aldeia. “Então, [o ritual] acontece quando o cacique escolhe seu novo sucessor, que poderá substituir futuramente”. A escolha se dá entre os jovens com idade de 10 a 17 anos.

Mas em Tupapuihu, no tempo de Kamukuaká, após o ritual de Furação de Orelha, os jovens foram aprisionados na gruta-casa, de onde eram controlados e vigiados por Kamo. Por mais que tentassem sair, as paredes rígidas da rocha impediam. Kamo enviou algumas aves com dentes para o lugar e mandou que os matassem, mas Kamukuaká e seus parentes deram comida e fizeram amizade com os animais, que de seus inimigos passaram a ser amigos e estar do lado do povo.

Kamo estava insatisfeito. Não conseguiu matar Kamukuaká nem com as flechas na furação de orelha, nem com as aves comedoras de gente. Por isso, mandou uma cobra gigante à gruta para comer os jovens que estavam lá em reclusão. Quando o animal chegou, os homens usaram a mesma estratégia que tiveram com os pássaros: mantê-la alimentada para que não os comessem. O professor Piratá Waurá conta que, quando acabou todo o alimento dentro da gruta, eles precisaram entregar uma pessoa: “Seguraram o homem e jogaram na boca da cobra grande, que ficou satisfeita e voltou a dormir”. Precisavam encontrar um jeito de sair dali.

Decidiram, então, mandar as aves de dentes afiados comerem as paredes de pedra. Deste modo, teriam uma passagem para fugir da gruta. “ Os animais vão comendo, quebrando os dentes, até que os parentes dos periquitos, mas aqueles de dentes afiados, conseguem furar três saídas para o céu”. Assim que isso acontece, uma liderança do povo de Kamukuaká lança sua flecha. As demais pessoas que estavam na reclusão repetem o movimento, que logo dá origem a uma corda. Assim o povo de Kamukuaká conseguiu fugir à noite, enquanto Kamo e a cobra ainda dormiam.

Quando eles estavam no meio da fuga, Kamo acordou e mandou que a cobra gigante subisse atrás deles. Mas uma das irmãs de Kamukuaká, que havia ficado escondida na gruta e guardava uma ferramenta de corte consigo, conseguiu impedir que a cobra fosse atrás deles. Com o objeto, ela corta a cobra do rabo à cabeça.

Enquanto isso, as pessoas que subiram para o céu precisaram escolher para onde ir porque lá havia a aldeia dos pássaros, mas também as de outros seres. Ao escolherem o caminho e chegarem à primeira comunidade, descobriram que erraram o trajeto e estavam na aldeia das onças, um território perigoso. Ainda assim, por estarem com fome, decidiram que um deles deveria verificar o que tinha na oca e porque o lugar estava tão silencioso. Perceberam que quase todas as onças tinham saído para caçar mas, quando um deles entrou em uma das casas, ouviu-se um rugido. A única onça que não foi à caçada estava ali dentro. Nisso, todas as onças voltaram para o céu e atacaram o povo de Kamukuaká.

Quando já não restava quase ninguém, Kamukuaká lutou com as onças e abriu espaço para fugirem novamente. Ao saírem, finalmente encontraram a aldeia dos pássaros e conseguiram a ajuda necessária para voltar para a terra. As aves trouxeram o povo de Kamukuaká de volta para casa. Piratá conta que “foram descendo aqui no rio Tamitatoala, o rio Batovi. E por isso todo o rio, cada lugar, tem uma história referente às histórias de Kamukuaká”.

Em 2020, o antropólogo Walter Coutinho escreveu um relatório sobre a gruta a pedido do Ministério Público do Mato Grosso. Ali, Coutinho explica que a história contada pelos Wauja sobre Kamukuwaká está inscrita na paisagem do rio Batovi. “Diversos pontos ou formações dessa paisagem são interpretados pelos Wauja como uma expressão tangível da narrativa mitológica. Além das formações geográficas diretamente relacionadas ao mito, eles também reconhecem outras áreas de significado cultural, mormente relacionadas a atividades econômicas desenvolvidas pelos indígenas que ali habitaram no passado”.”

Leia a publicação completa AQUI.

Ações para preservação

Os desenhos rupestres vandalizados em 2018 eram utilizados para ensinar às crianças justamente sobre as suas origens e cultura. Para os Wauja, alguns dos grafismos também representam a fecundidade feminina, pois acreditam que as mulheres têm o poder de aumentar a fertilidade de tudo o que é vivo.

Os símbolos desenhados na gruta também inspiram as decorações das cerâmicas e cestaria, as pinturas corporais e também as músicas que embalam os rituais de apaziguamento dos espíritos da natureza.

Em 2020, um vídeo feito para o ‘Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade’, do Iphan, apresenta a ação ‘Registro e Conservação da Paisagem Cultural de Kamukuwaká’, explicada por Piratá Waurá:

A ação foi vencedora na categoria ‘Patrimônio Material’, segmento ‘Cooperativas, associações formalizadas ou redes e coletivos não formalizados’.

Mas a luta pela preservação do local segue. Um pedido de revisão e ampliação da demarcação da terra indígena, para abranger a gruta de Kamukuaká foi solicitado e, até 2024, ainda não havia sido validado.

*Com informações do Instituto Homem Brasileiro, PIB/ISA, Iphan e Nonada Jornalismo

Patrimônio histórico, Casa da Cultura Madre Leotávia Zoller foi residência oficial para 17 governadores de Roraima

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Foto: Fotógrafo anônimo/Acervo de Maurício Zouein

A Casa da Cultura Madre Leotávia Zoller foi um dos patrimônios históricos mais importantes de Roraima. Construída em 1940, a edificação foi sede do Governo do Estado e, ao longo de sua história, serviu como residência oficial para 17 governadores. Localizada no centro histórico de Boa Vista, a Casa da Cultura foi tombada como patrimônio cultural pelo Governo do Estado em 1994, através do Decreto n°722/84 e da Lei nº 718 de 6 de julho de 2019.

Inicialmente, a construção foi projetada por Milton Miranda e, posteriormente, adquirida pelo Governo do Território Federal do Rio Branco para abrigar os governadores até a construção do Palácio Senador Hélio Campos. Depois, passou a sediar diversas repartições públicas e, por fim, foi transformada em um espaço cultural.

O prédio que está localizado na Avenida Jaime Brasil, n° 235, no Centro de Boa Vista, abriga um acervo histórico incluindo jornais, livros, fotos, fitas, documentos e quadros artísticos.

Pesquisadores e estudantes sempre frequentavam o local em busca de conhecimento sobre a história de Roraima. No entanto, nos últimos anos, o espaço sofreu com a falta de manutenção e incentivo financeiro, culminando em sua interdição pela Defesa Civil.

Casa da Cultura em 2024 após restauração. Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR

Reforma

Em 2023, o Governo do Estado lançou um plano para revitalizar e preservar a Casa da Cultura. O espaço foi reinaugurado em julho de 2024, se tornando a nova sede da Academia Roraimense de Letras (ARL).

A restauração priorizou a preservação da estrutura original, incluindo os ladrilhos importados de Portugal no século passado.

Na varanda foram mantidos os tons vermelho e branco, enquanto nas salas predominam as cores azul e cinza. Aqueles que não puderam ser conservados foram substituídos por réplicas.

Itens de escritório do século passado, preservados em memorial da Casa de Cultura. Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR

Hoje, a imponência do casarão transporta os visitantes a uma viagem ao passado, destacando-se no cenário urbano.

Com uma área superior a 400m², o espaço passa pelos últimos ajustes e já conta com elevador, áreas de exposição, banheiros e vestiários masculinos, femininos e adaptados para Pessoas com Deficiência (PCD).

Além disso, uma cafeteria será instalada ao lado do jardim, ampliando as opções para visitantes e frequentadores.

Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR

*Com informações da Prefeitura de Boa Vista e Grupo Rede Amazônica Roraima

Antes que o tempo acelere, como andam as suas metas?

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Avançamos rapidamente sobre fevereiro, ou melhor, fevereiro avançou rapidamente sobre nós. E as nossas metas? Se é verdade que não existem bons ventos para quem não sabe para onde ir, precisamos ter claras quais são as nossas metas para o ano, não é mesmo? E precisamos lidar bem com elas.

Se você é um executivo ou um profissional de vendas deve estar acostumado a receber metas de resultados ou de prazos, que você pode simplesmente absorvê-las com tranquilidade, sem maiores questionamentos ou considerá-las inexequíveis, irreais, injustas ou até desumanas.

Quem recebe metas de terceiros já passou por estes ou outros sentimentos, na maioria das vezes, sem muito o que fazer. “Metas são metas. Metas não se discutem”, costumava eu mesmo dizer quando estive na frente de equipes comerciais. A sentença equivalia quase a um dogma. Quando se é mais jovem, as afirmações costumam ser absolutas.

O tempo nos faz ser mais reflexivos sobre as metas. Elas ganham força quando são interiorizadas e quando se transformam em nossas metas e não dos outros. Neste caso, somos proprietários delas, nos dois sentidos: de quem estabelece e de quem buscará cumpri-las.

Ter metas é bom, desde que elas nos levem para onde precisamos ou queremos ir. É o caso das metas alinhadas à nossa Missão e ao nosso Propósito, que são as metas mais importantes e que garantem que estamos colocando energia na direção certa.

Há metas que traduzem não o que esperamos da vida, mas o que a vida espera de nós naquele momento, naquela determinada situação. Podemos estar diante de uma grande dificuldade, um beco sem-saída. Podemos também estar em uma encruzilhada de dilemas, por exemplo, entre o fácil e o correto ou entre os nossos interesses e os da maioria. Nestas situações, metas conscientes podem nos ajudar a fazer o que precisa ser feito.

Há metas que nascem de sonhos e elas começam a existir ainda em um plano invisível, como sementes que se materializarão no futuro. Transformar um sonho em uma meta pode ser divertido e bastante prazeroso. Não significa que serão metas fáceis, mas que há um prêmio nos aguardando, quando chegarmos lá.

Metas não devem ser fáceis mesmo, mas também não devem ser inatingíveis. Metas perfeitas estão no exato ponto entre o desafio e a nossa qualificação para atingi-la, gerando crescimento. Não por acaso, é onde podemos vivenciar o estado de flow, de plenitude. Por isso, um bom gestor buscará construir metas diferenciadas em uma equipe, considerando o estágio e potencial de cada um e fazendo com que todos ganhem propriedade sobre elas. Nas nossas vidas, podemos fazer o mesmo, estabelecendo metas desafiantes e realizáveis.

Metas devem ter um placar. Como saberemos se estamos avançando ou não, na sua direção? Como seria uma partida de futebol sem um placar? Como seria uma olimpíada sem os recordes a serem superados a cada edição da competição?

Metas devem ser escritas e relidas continuamente. Algo mágico acontece quando as escrevemos e as lemos sempre, se possível, diariamente.

O pesquisador e consultor George Doran publicou em 1981 um artigo na revista Management Review em que propôs para metas o método SMART. Desde então, o método vem sendo bastante aceito no mundo corporativo, com aplicações também na vida prática. A palavra é um acrônimo que, trazida para o português, pode ser entendida como: S (específica), M (mensurável), A (atingível), R (relevante), T (em um tempo determinado).

E você? Já escreveu suas metas para o ano? Você está cuidando bem delas?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Livro com canções de mestre do carimbó ensina sobre ecologia tradicional

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Arte: Reprodução/UFPA

O livro digital ‘Pisei na tua areia, Ilha de Marajó: o Mestre Dikinho ensina… ‘, contemplado pelo Prêmio Proex de Arte e Cultura, foi desenvolvido por meio de uma parceria entre o Laboratório de Etnobiologia e Educação Intercultural (Leei) e a Associação dos Moradores do Bairro do Pacoval (Ampac), com o objetivo de compartilhar sugestões de atividades para o ensino de Ciências e Biologia com suporte em temas presentes nas músicas do Mestre Dikinho.

Leia também: Documentário homenageia Mestre Dikinho, referência do carimbó na Ilha do Marajó

Entre os meses de março e junho de 2023, Mestre Dikinho cantou suas narrativas e vivências acompanhado por integrantes do Grupo Tambores do Pacoval, da Ilha do Marajó,  em aulas espetáculos realizadas para estudantes do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas e de Licenciatura em Letras, além de pessoas que admiram o carimbó. 

Com o objetivo de reconhecer as possibilidades de relacionamento entre os conhecimentos ecológicos tradicionais que compõem o cotidiano marajoara e a forma como esse conhecimento poderia ajudar nas estratégias educativas, as aulas foram divididas em três temas principais: Pescadores, Rios e Mares; Marajó Brejeiro e Encantarias.

“Inserir essas referências culturais nos espaços educativos, para além da simples fruição cultural de shows e festivais, atua decisivamente na formação do público local, algo que frequentemente encontramos nas falas dos diferentes Mestres e Mestras sobre a importância do reconhecimento dos seus conhecimentos. Especificamente no e-book em questão, inovamos ao demonstrar as associações entre carimbó e educação ambiental, uma vez que os conhecimentos ecológicos tradicionais são fundamentais para a continuação dos patrimônios imateriais”, explica o professor Nivaldo Leo.

O livro é parte das ações que o Laboratório de Etnobiologia e Educação Intercultural (Leei) e o Grupo de Estudos e Pesquisas Encontros e Saberes (Gepes-CNPq/UFPA) fazem na busca de assegurar o patrimônio imaterial do povo marajoara. Além disso, ilustrações feitas pelo Mestre compõem a obra, algumas foram feitas exclusivamente para o livro.

“Os livros são uma ferramenta poderosa para disseminar conhecimento e cultura, uma forma de passar adiante um tesouro de sabedoria. E não podemos esquecer do valor histórico e cultural de um livro como esse. Ele se torna um documento importante para a história de Soure e da região. Preservar a memória do meu pai é também preservar a história de um lugar e de um tempo. É lindo saber que o conhecimento dele continua vivo e acessível para as futuras gerações. Através dos livros, ele continua a influenciar e transformar vidas”, aponta Fernanda Amaral, uma das filhas de Mestre Dikinho, sobre a homenagem à memória de seu pai. 

Mestre Dikinho

Raimundo Miranda Amaral foi uma grande figura do Marajó, com músicas que extrapolaram a região e são cantadas por pessoas de diversos lugares. Compositor, violonista, cantor e artesão marajoara, o Mestre faleceu na madrugada do dia 17 de julho de 2024, aos 83 anos. 

“Meu pai era um homem incrível, com um talento imenso. Falar do Mestre, com quem vivi todos os dias da minha vida, é maravilhoso!”, comenta Doris Felícia, também filha de Dikinho, orgulhosa ao ver o reconhecimento do talento do pai e o legado que ele deixou transmitido no livro.

“Saber que o conhecimento do meu pai está sendo transmitido e preservado através dos livros é algo que deve encher de orgulho. É como se ele continuasse vivo nas páginas, ensinando e inspirando as pessoas. A importância disso é enorme!”, completa a outra filha, Fernanda. 

Para conhecer a obra do Mestre Dikinho, acesse: Pisei na tua areia, Ilha de Marajó: o Mestre Dikinho ensina.

*Com informações da Universidade Federal do Pará

Parque Anauá

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Foto: Reprodução/Governo de Roraima

O Parque Anauá, o maior parque urbano da região Norte do Brasil, ocupa uma área de 106 hectares no coração de Boa Vista, capital de Roraima. Sua construção teve início em 1980, durante o governo de Ottomar de Souza Pinto, que lançou o Primeiro Concurso Público para o Anteprojeto do espaço. O projeto vencedor foi elaborado pelo arquiteto Otacílio Teixeira Lima Neto, com o objetivo de suprir a carência de áreas de lazer, esporte, educação e cultura na cidade.

O plano original previa diversas atrações em torno do Lago dos Americanos, a principal referência do parque. Entre os elementos projetados estavam um anfiteatro, uma estação de bondinho, bares e restaurantes, um ancoradouro/cais, além de estruturas voltadas à educação e cultura, como um centro cultural, uma escola de primeiro grau e uma escola de educação especial.

Localizado na Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes, s/n, o Parque Anauá se encontra entre o bairro Aeroporto e o Centro da cidade, sendo um dos principais pontos de lazer e convivência para moradores e visitantes de Boa Vista.

Feira do Passarão

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Foto: Divulgação/Governo de Roraima

Criada em novembro de 1994, a Feira do Passarão é uma tradicional feira livre conhecida por sua diversidade de produtos que inclui frutas, verduras, legumes, carnes, peixes, especiarias e artigos regionais. O espaço está localizado na Avenida Ataíde Teive, bairro Ctaimbé, em Boa Vista (RR).

Em 2024, a feira passou por uma modernização. O novo prédio passou a atender novamente a população roraimense oferecendo uma ampla variedade de produtos e alimentos num espaço interno de 2.438 m² que comporta mais de 120 boxes para diversas finalidades comerciais. Contando as áreas de carga e descarga e estacionamento, toda a feira tem 4.423 m².

A Feira do Passarão conta com um total de 124 boxes, distribuídos da seguinte forma: 40 boxes para hortifruti, 47 para cereais, 14 para aves, carnes e peixes e quatro para polpas, além de três boxes voltados para serviços, três para utensílios em geral e sete restaurantes e seis lanchonetes.

*Com informações do Governo de Roraima

Catedral Cristo Redentor

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Foto: Reprodução/IBGE

Com uma arquitetura moderna, a Catedral Cristo Redentor é um dos principais templos religiosos da capital roraimense, Boa Vista. As obras da construção foram iniciadas no ano de 1968, mas o término só ocorreu em 1972.

De acordo com o ângulo que é vista, a igreja lembra um barco, uma maloca indígena e uma harpa. Ela está localizada na Praça do Centro Cívico de Boa Vista.

Ao longo dos anos, a Catedral Cristo Redentor tem sido não apenas um marco arquitetônico, mas um centro de espiritualidade e união para os católicos de Boa Vista.

*Com informações do IBGE

Amaparque: US$ 30 mi serão investidos na criação da maior unidade de conservação urbana do mundo

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Lagoa dos Índios, em Macapá, faz parte dos 6,5 mil hectares do Amaparque. Foto: Jucivaldo Lima

O projeto Amaparque, do governo do Amapá, foi um dos selecionados na cooperação entre a associação mundial Governos Locais pela Sustentabilidade (Iclei) e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (Caf), que impulsionam o desenvolvimento sustentável regional por meio do financiamento de projetos e apoiam municípios na implementação de políticas e práticas sustentáveis.

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Um dos objetivos do projeto é reverter a degradação ambiental das zonas úmidas e da biodiversidade de Macapá e Santana. O Amaparque é o maior projeto de biodiversidade e preservação de áreas úmidas urbanas da Amazônia.

Além do belo visual, o projeto promete implementar soluções inovadoras para região, como explica Zico Araújo, secretário de Relações Governamentais do Amapá:

“O projeto Amaparque vai ocupar bastante espaço da nossa capital, numa bacia hidrográfica que é ligada ao igarapé da Fortaleza. Nós vamos fazer uma ocupação com museu, mirantes, lanchonetes temáticas, que possam retratar a história do Amapá, a história da Amazônia e a da cidade de Macapá”.

O aporte liberado para o projeto por meio do Caf é de US$ 30 milhões. Segundo o governo do estado, a previsão de execução do projeto é para o segundo semestre deste ano.

O custo total do projeto é de cerca de R$ 395 milhões. Os US$ 30 milhões de financiamento anunciados nesta quarta-feira (12) equivalem a R$ 174 milhões.

Sobre o projeto

O projeto abrange cerca de 6.500 hectares, com área equivalente à da Lituânia, tornando-se a maior unidade de conservação urbana do mundo.

Com o projeto, o Amapá terá a possibilidade da elevação do primeiro sítio Ramsar do Brasil, que compreende a uma área úmida de relevância ecológica internacional.

*Por Rafael Aleixo e Giselle Loureiro, da Rede Amazônica AP

Ajuruteua, vila litorânea no Pará encanta por suas praias paradisíacas e até navio naufragado

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Foto: Paulo Cezar

A pequena vila litorânea de Ajuruteua (distante a 36 quilômetros da cidade de Bragança, no nordeste do estado do Pará) é um refúgio para aqueles que buscam belezas naturais e tranquilidade. Com uma estrutura simples, a vila é composta por uma avenida principal e uma rua transversal, a Rua das Garças, e é banhada pelas águas do oceano Atlântico.

Leia também: Água salgada na Amazônia: conheça cinco praias de mar que vale a pena visitar no Pará

O acesso a Ajuruteua é feito pela rodovia PA-458 (Bragança-Ajuruteua), um trajeto que proporciona uma experiência única aos visitantes, permitindo a observação da riqueza natural da região.

Além disso, entre os meses de dezembro e maio, ocorre um fenômeno natural chamado Suatá, em que os caranguejos deixam os manguezais e atravessam a rodovia em direção às margens para o acasalamento, um evento alertado por placas de sinalização ao longo da estrada.

Leia também: Você sabe o que é a “andada” dos caranguejos?

Foto: Paula Lourinho/Ascom Seop

A vila de Ajuruteua abriga cerca de 300 residências, caracterizadas por construções rústicas de madeira com cobertura de palha.

Seu maior tesouro está mesmo na natureza que a rodeia: praias paradisíacas, extensos manguezais, dunas e uma fauna marinha abundante, com destaque para os caranguejos e guarás. A economia local gira em torno da pesca e da extração de caranguejos, atividades desempenhadas pela população nativa e que movimentam a Vila dos Pescadores, onde os frutos do mar são comercializados.

Navio naufragado

Um dos principais atrativos da região é um antigo navio naufragado, localizado a aproximadamente um quilômetro da vila, na Praia de Ajuruteua. Durante a maré baixa, visitantes conseguem se aproximar da embarcação.

O Lloyd Brasileiro, construído em 1882, naufragou no dia 09/05/1905 após uma colisão com o Navio Anselm 2. Sua carga era borracha e foi avaliada em 110.000 libras (que foi salva). A capacidade era para 100 passageiros na 1ª classe e 100 nas 2ª e 3ª classes.

Foto: Reprodução/Facebook-Conheça Ajuruteua

Praias para visitar

Praia Ajuruteua, com quilômetros de areias brancas e mar azul
Praia Perimirim
Praia Quatipuru-Mirim
Praia Boiçucanga
Praia Grande
Praia do Pilão

Outros atrativos

Além de boas caminhadas pelas praias é possível fazer uma trilha ‘bate-volta’ de 4 km, perto de Bragança. Atrações como o Mirante de São Benedito, o Museu de Arte Sacra Nossa Senhora do Rosário, o Museu da Marujada e a Igreja de São Benedito também fazem parte do roteiro para quem quer conhecer a história da vila.

*Com informações da Prefeitura de Bragança

Inclusões e renovações: Pará fortalece presença no Mapa do Turismo Brasileiro 

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Foto: Bruno Cruz/Agência Pará

Em janeiro, o Estado do Pará consolidou ainda mais sua posição no cenário turístico nacional com a renovação de quatro municípios no Mapa do Turismo Brasileiro: Almeirim, Anapu, Oriximiná e Tucumã. Monte Alegre foi incluído pela primeira vez, ampliando a representatividade do Estado nesse importante instrumento de planejamento e desenvolvimento turístico do governo federal.

Leia também: Pará reforça participação no Mapa do Turismo Brasileiro com 15 municípios

O Mapa do Turismo Brasileiro, iniciativa do Programa de Regionalização do Turismo (PRT), do Ministério do Turismo, define as áreas prioritárias para políticas públicas no setor. A participação no Mapa indica que o município está organizado em termos de gestão turística, estando apto a captar recursos para investimentos em infraestrutura, promoção de destinos, capacitação profissional e outros projetos estratégicos.

Foto: Rodrigo Pinheiro/Agência Pará

Hugo Almeida, interlocutor estadual do PRT e gerente de Estruturação dos Destinos Turísticos da Secretaria de Estado de Turismo (Setur), destacou a relevância dessas atualizações. Segundo ele, “a permanência de municípios no Mapa demonstra continuidade na gestão pública, enquanto as novas inclusões representam oportunidades de impulsionar as economias locais, valorizar culturas regionais e atrair investimentos”.

Expansão

A inclusão de Monte Alegre reflete os esforços contínuos da Setur em expandir o turismo para novas áreas do Estado, reconhecendo o potencial turístico de diferentes regiões. O município é conhecido por suas riquezas naturais e culturais, que agora ganham maior visibilidade no cenário nacional.

Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

O secretário de Turismo do Pará, Eduardo Costa, enfatizou a importância dessas conquistas. 

“A integração de mais municípios ao Mapa do Turismo Brasileiro é um reflexo do nosso compromisso em estruturar o setor em todo o Estado. Isso não apenas fortalece o turismo regional, mas também gera emprego, renda e oportunidades para a população paraense. Com essas atualizações, o Pará reforça seu compromisso com o desenvolvimento turístico sustentável, buscando sempre valorizar as potencialidades locais e promover o crescimento econômico e social das comunidades envolvidas”, destacou Eduardo Costa.

Foto: Alexandre Costa/Agência Pará

*Com informações da Agência Pará