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Nutróloga indica alimentos da Amazônia que podem agregar sabor e saúde à ceia de ano novo

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Alimentos regionais podem agregar sabor e saúde à ceia de ano novo. Strogonoff de Pirarucu com Creme de Castanha. Foto: Divulgação

Com as festas de ano novo chegando, as famílias já estão pensando no cardápio da ceia de Réveillon. Para quem quer inovar, uma boa pedida é incluir ingredientes regionais que, além de agregar sabor, são bastante nutritivos.

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A médica nutróloga e professora da Afya Educação Médica de Manaus, Bruna D’Avila, ressalta que os alimentos regionais são excelentes aliados, quando bem utilizados. Ela cita, por exemplo, o pirarucu, que é fonte de proteína de alta qualidade e gorduras boas.

A castanha do brasil é outra ótima opção para farofas e aperitivos. É rica em selênio, importante nutriente para a imunidade e função tireoidiana.

Saiba mais: Qual o termo certo: castanha do Pará, do Brasil ou da Amazônia?

A médica sugere, ainda, sobremesas com açaí, que, além de oferecer energia, tem muitos antioxidantes. Já a macaxeira é um carboidrato natural, que dá saciedade e pode substituir massas refinadas. Entre as frutas, as opções são muitas. O cupuaçu, por exemplo, pode ser ótimo nas sobremesas, assim como o maracujá e o abacaxi.

“Podemos utilizar as frutas em saladas, sobremesas leves ou até em molhos para carnes, mas é preciso ter muita cautela no preparo para não exagerar na adição de açúcares ou similares, o que causa desajustes no metabolismo e reduz os benefícios”, destaca.

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Nutróloga indica alimentos regionais da Amazônia que podem agregar sabor e saúde à ceia de ano novo
Foto: Divulgação

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Segundo Bruna D’Avila, os temperos naturais tradicionais do Norte, como cheiro verde e cebolinha, também são ótimos para incrementar a ceia e deixar tudo mais saboroso. “Esses temperos reduzem a necessidade de sal e alguns até ajudam na digestão”, acrescenta.

Equilíbrio

A médica reforça que é possível aproveitar as festas de final de ano com prazer e saúde. O segredo está nas escolhas e na quantidade.

“O fato de ser alimentos regionais não é sinônimo de consumo liberado. O que impacta a saúde não é uma refeição isolada, e sim, os excessos repetidos”, ressalta.

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Algumas dicas que ela dá para não passar do ponto nas festas são: não chegar à ceia com fome excessiva; montar o prato com consciência, evitando repetir várias vezes; priorizar proteína e vegetais, antes dos carboidratos; comer com atenção, sem pressa; hidratar-se bem e moderar o consumo de álcool.

Afya Educação Médica

Em Manaus, a Afya Educação Médica oferece atendimento gratuito em várias especialidades, incluindo Nutrologia. O serviço é parte das atividades práticas dos cursos de pós-graduação.

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Os atendimentos, por agendamento, são realizados na sede da instituição, na avenida André Araújo, 2767, bairro Aleixo. “Com essa iniciativa, os médicos estudantes de pós-graduação conseguem tratar casos reais e a comunidade é beneficiada com a oferta de atendimento”, explica a diretora da unidade, Suelen Falcão.

Três receitas do Amapá que você precisa provar

Foto: Reprodução

O Amapá é “irmão” do Pará, Ceará e Maranhão no mapa do Brasil. Por isso, sua culinária é uma mistura de vários sabores adquiridos desses estados – e de outros também – e são adaptados com a identidade regional.

Uma mistura de temperos e criatividade caracterizam os pratos da culinária do Amapá, bem como as bebidas e frutas típicas da região, que fazem do Estado um importante polo do turismo gastronômico na Amazônia.

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Confira três receitas típicas do Amapá para expandir o paladar amazônico:

Gengibirra

Gengibre, açúcar e aguardente. Esses são os ingredientes que servem de base para a gengibirra, uma das bebidas mais fortes e tradicionais das manifestações culturais do Amapá. O sucesso é tanto, que a bebida se tornou Patrimônio Cultural Imaterial do Estado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2019.

Confira a receita completa AQUI.

amapa e gengibirra
Gengibirra. Foto Netto Lacerda/Governo do Estado do Amapá

Creme de camarão com tapioca e castanha

Camarão, tapioca e castanha? Sim! Imagine como esse trio que já faz parte da culinária amazônica individualmente seria unido… não precisa mais imaginar:

Camarão com tapioca e castanha-do-Pará. Foto: Reprodução / Amazon Sat

Ingredientes

  • 2 tomates sem pele e semente
  • ½ pimentão vermelho
  • ½ cebola picada 
  • 1 dente de alho amassado
  • 10 camarões
  • ½ xícara de tapioca
  • ½ xícara de castanha do pará
  • sal a gosto

Modo de preparo

Corte os tomates (sem pele e sementes), a cebola e o pimentão em pedaços. Coloque tudo no liquidificador com cerca de ½ xícara (chá) de água e bata até formar um líquido homogêneo. 

Aqueça o azeite em uma panela e doure o alho. Em seguida adicione os camarões limpos e refogue rapidamente com os temperos batidos e o caldo de legumes. Cozinhe em fogo médio por cerca de 5 minutos — até que os camarões fiquem rosados. 

Retire o cheiro-verde (se estiver usando) e adicione o leite à panela. Aguarde até começar a ferver.  Engrosse com tapioca: Vá adicionando a farinha de tapioca aos poucos, mexendo sempre para não empelotar, até que o creme engrosse e a tapioca fique macia.  Finalize com castanhas: Misture a castanha-do-Pará picada ao creme e ajuste sal e pimenta conforme o seu gosto. Sirva imediatamente enquanto está bem quente e cremoso.

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Bolo de Açaí do Amapá

O açaí é outro item indispensável da culinária amazônia e, no Amapá, também ganha receitas únicas e cheias de identidade regional. Que tal um bolo?

Ingredientes

  • 4 ovos 
  • 200 gramas de manteiga 
  • 2 xícaras de açúcar
  • 2 1/2 xícaras de farinha
  • 1 colher de sopa de fermento 
  • 1 colher de chá de essência de baunilha 

O canal Amazon Sat ensinou as duas receitas no programa “Sabores da Amazônia”. Assista: 

Quer conhecer outras receitas do Amapá? Confira: 

Fim de Ano Amazônico

O Fim de Ano Amazônico integra ações sociais, educativas, ambientais e comunicacionais, reafirmando o papel da Fundação Rede Amazônica como agente de transformação social e de valorização da identidade amazônica, com impacto que vai além do período festivo.

O Projeto Fim de Ano Amazônico tem o apoio de Instituto Cultural Educacional Formar (ICEF), Supermercados Fortaleza, Tratalyx, Governo do Amapá e realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM).

‘Ciência em um Dia de Feira’: projeto aproxima universidade da comunidade no Amazonas

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Projeto “Ciência em um Dia de Feira”. Foto: Divulgação/UFAM

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por meio da Faculdade de Educação (Ufam/Faced), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), realizou o projeto ‘Ciência em um Dia de Feira’ nas cidades de Iranduba, Manacapuru e Tabatinga. Os eventos aconteceram nos mercados das cidades e a ideia é aproximar a população da universidade, criando um espaço de diálogo direto entre a comunidade e a Instituição. 

O objetivo é tornar a Ufam mais presente e acessível, especialmente para pessoas que vivem em regiões com menor alcance de informações sobre educação superior. De acordo com a professora Fabiane Maia Garcia, responsável pelo projeto, ele dissemina informações sobre formas de ingresso, incentiva o interesse pela educação superior e mostra que a universidade pública é um espaço possível, acolhedor e destinado a todos.

Acesse a programação completa de 2026

“Nas feiras, o projeto leva materiais e atividades cuidadosamente planejados para facilitar a compreensão do público e tornar a comunicação mais clara, eficiente e acessível. São utilizados banners, folders e materiais informativos que apresentam a Universidade, seus cursos, seus programas de pós-graduação e as principais formas de ingresso, sempre com linguagem simples e QR Codes que direciona para conteúdos adicionais.

Esses materiais foram escolhidos porque permitem que as pessoas levem a informação para casa, compartilhem com familiares e mantenham acesso às orientações mesmo após o encontro presencial. Além disso, são distribuídos brindes educativos que fortalecem a identidade visual da Ufam e despertam curiosidade, sobretudo entre os jovens”, destacou a coordenadora.

A professora falou ainda que o “Ciência em um Dia de Feira” também apresenta pesquisas desenvolvidas na graduação e pós-graduação, sempre adaptadas a uma linguagem acessível, demonstrando como o conhecimento científico pode dialogar com o cotidiano.

“Conversas diretas, orientações individuais e momentos de esclarecimento de dúvidas fazem parte das ações, aproximando a universidade da comunidade por meio de uma comunicação que valoriza a simplicidade e o acolhimento.

O uso desses recursos só é possível graças ao financiamento da Fapeam, que garante a produção dos materiais, a logística e a estrutura necessária para levar o projeto a diferentes comunidades. Os recursos financeiros permitem que o projeto mantenha regularidade em suas ações, garantindo que a equipe possa se deslocar aos municípios e sustentar o cronograma previsto”, enfatizou.

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projeto
Projeto ajuda a disseminar conhecido ao interior do Amazonas. Foto: Divulgação / UFAM

Ciência em um Dia de Feira

A motivação para levar o projeto às feiras de alguns municípios do Amazonas surgiu da percepção de que informações sobre a Ufam podem chegar de forma mais completa no interior do Amazonas.

“Muitas famílias ainda acreditam que as universidades federais são pagas, inacessíveis ou destinadas apenas a determinados grupos, e isso afasta jovens e adultos de oportunidades reais. Assim, a Ufam decidiu ir ao encontro da comunidade, levando informações corretas e desmistificando com muito cuidado as percepções equivocadas. Apresentamos a Universidade como uma instituição pública e aberta a todos, reduzindo a distância entre interior e capital e permitindo que pessoas vulnerabilizadas tenham acesso direto a orientações que possam transformar suas trajetórias educacionais. O projeto busca mostrar que a Ufam não apenas existe, mas pertence a todos os amazônidas”, explicou.

A recepção da comunidade é marcada por curiosidade, acolhimento e entusiasmo. “Muitas pessoas chegam tímidas, afirmando que não conhecem bem a Ufam ou acreditando que não teriam condições de ingressar na Universidade. Ao longo das conversas, transeuntes e trabalhadores das feiras demonstram surpresa ao descobrir que a Ufam é gratuita, inclusiva e oferece múltiplos caminhos de entrada. Jovens mostram interesse pelas graduações, enquanto adultos e idosos perguntam sobre a possibilidade de estudar ou de incentivar filhos e netos. Várias pessoas levam folders para familiares, comentando que vão motivá-los a continuar os estudos”, detalhou.

Leia também: 6 curiosidades da fauna e flora da UFAM que você não conhecia

Projeto no interior do Amazonas

A presença da Ufam nas feiras, por meio do “Ciência em um Dia de Feira” estabelece um vínculo mais direto, constante e significativo com a população. Ao comparecer presencialmente no interior, a Ufam deixa de ser vista como uma instituição distante, localizada apenas na capital, e passa a ser reconhecida como parte ativa do território.

“Esse contato fortalece a credibilidade da Ufam, cria novas redes de diálogo com escolas, gestores e lideranças locais, e demonstra seu compromisso com a democratização do acesso à educação superior. Além disso, permite que a universidade compreenda melhor as demandas, desafios e potencialidades da região, tornando suas ações mais alinhadas ao contexto local.

Quando a Universidade se faz presente, ela amplia sua função social e reafirma que seu papel vai além da formação acadêmica: ela também pertence à comunidade. Ao aproximar a comunidade do conhecimento acadêmico, o projeto contribui para a formação de cidadãos mais críticos, conscientes e capazes de identificar possibilidades de mudança em seu próprio território, o que contribui para o desenvolvimento de soluções locais, além de ampliar o acesso à educação superior como caminho de transformação social”, finalizou.

*Contém informações da Universidade Federal do Amazonas

Mapeamento inédito do solo brasileiro permite aperfeiçoar planejamento estratégico

A rede MapBiomas, da qual o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) faz parte, lançou, no início de dezembro, a terceira coleção com um mapeamento inédito de propriedades do solo brasileiro, que permitirá, entre outros avanços, análises em profundidade de até 100 cm e o estoque de carbono orgânico do solo. Além disso, foi inaugurada a plataforma SoilData, que reúne dados de solo provenientes de centenas de estudos, prontos para reuso e subsídio para tomada de decisão em torno de setores estratégicos, como agropecuária, agricultura e proteção territorial.

“O fato de ter esses dados disponibilizados traz luz para um compartimento que tem um papel decisivo nas políticas ambientais: o solo. Ele é uma peça-chave no contexto da emergência climática, por exemplo, porque pode ser tanto uma fonte de emissão de carbono quanto uma fonte de sumidouro. É parte extremamente importante do sistema, mas nem sempre está na pauta”, explicou  Bárbara Costa, analista de pesquisa do IPAM.

Com as informações reunidas na plataforma SoilData foi possível gerar mapas de propriedades do solo para todo o território brasileiro, como granulometria, textura, pedregosidade e carbono orgânico do solo. Nesta coleção, foram utilizados para o mapeamento um total de 60.883 dados de granulometria e 28.065 dados de estoque de carbono orgânico, um aumento de cerca de 32% em relação à coleção anterior, lançada em 2024.

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Os resultados mostram que mais da metade do Brasil (63,4%) possui textura média na camada superficial (0–30 cm). Argilosos aparecem em segundo lugar (29,6%), enquanto as texturas arenosa, siltosa e muito argilosa somam apenas 7% do território nacional. A distribuição das texturas varia entre os biomas: na Mata Atlântica, 52% dos superficiais são muito argilosos, uma proporção bem diferente de biomas como Caatinga, Cerrado e Pampa, onde predomina a textura média. Já entre 60 e 100 cm de profundidade, o país torna-se majoritariamente argiloso (63,6%).

Mapeamento das classes texturais no território brasileiro até 100 cm de profundidade. Fonte: MapBiomas/IPAM

Historicamente solos muito argilosos são os mais utilizados para a agricultura e ocuparam 33% dessa textura em 2024. É a única classe textural de solo onde a agricultura supera a pastagem. Isso é reflexo das condições físicas favoráveis do argiloso para o desenvolvimento de raízes, maior capacidade de armazenamento de nutrientes e maior estabilidade estrutural, reduzindo a erosão e favorecendo o manejo. 

Gráfico representa o uso da terra de acordo com as classes texturais do solo até 30 cm de profundidade. Fonte: MapBiomas/IPAM

“De modo geral, a maior parte das informações que tínhamos sobre o solo cobriam a camada superficial, mas em profundidade a gente consegue um entendimento melhor de como o solo funciona além da superfície. O solo mais argiloso em profundidade significa que há um aumento do teor de argila no perfil. No Brasil, sai de 2,8% do solo como muito argiloso na camada de 0-30 cm e vai para 6,7% do solo como muito argiloso na camada de 60-100 cm. Saber dessa informação pode auxiliar desde o planejamento da construção civil, por exemplo, pensando em fundações, até o manejo agrícola, desenvolvimento de raízes e disponibilidade de nutrientes”, acrescenta Costa.

Estoque de carbono orgânico do solo 

Outro conjunto de mapas apresentado mostra o estoque de carbono orgânico do solo (COS), que indica a quantidade de carbono armazenada até 30 cm de profundidade. A série histórica revela como a camada mais afetada por atividades humanas vem armazenando carbono ao longo dos anos.  

“Com esses dados buscamos entender quanto carbono está estocado no solo entre 1985 e 2024. Os mapas funcionam como um retrato de cada ano, principalmente se considerarmos as mudanças de uso da terra. Monitorar o estoque de carbono do solo oferece informações valiosas para a gestão do território. Esses dados ajudam, por exemplo, a avaliar a qualidade do pasto, identificar se o solo está conseguindo acumular carbono e localizar áreas com maior ou menor estoque para orientar ações de manejo e conservação”, especificou a analista.     

Leia também: MapBiomas lança Monitor da Recuperação ambiental

Atualmente, 35,9% dos solos brasileiros armazenam entre 40 e 50 toneladas de carbono por hectare (t/ha). Esse estoque resulta da decomposição de matéria orgânica que chega e é incorporada por organismos vivos, como formigas, cupins e outros microrganismos. A matéria orgânica permanece no solo até que algum distúrbio, natural ou causado por atividade humana, provoque sua liberação na forma de gás, contribuindo para emissões de gases de efeito estufa.

Dos 37,5 gigatoneladas (Gt) de carbono orgânico estocadas no solo do país, 3 Gt estão em áreas agrícolas e 16 Gt em áreas florestais. Em 2024, a Amazônia concentrou 52% de todo o COS estocado no Brasil. A Caatinga e o Pantanal são os biomas que apresentam o menor estoque por hectare (32,7 e 35,3 t/ha, respectivamente). 

Mapeamento dos estoques do carbono orgânico no solo para o Brasil e os biomas em massa total (Gt) e em toneladas por hectare (t/ha). Fonte: MapBiomas/IPAM

“A agropecuária brasileira apresenta diferentes cenários quando falamos de carbono orgânico do solo. Grande parte da agricultura adota hoje o sistema de plantio direto, que ajuda a proteger e manter o carbono no solo. Por outro lado, pastagens degradadas podem liberar o carbono armazenado, enquanto pastagens bem manejadas podem capturar carbono da atmosfera e estocá-lo no solo. O equilíbrio entre ação humana e processos naturais é fundamental ”, afirmou Bárbara Costa.

Leia também: Portal Amazônia responde: como funciona o CO₂ na atmosfera?

Dados históricos

A Coleção 3 do MapBiomas Solo apresenta uma plataforma que reúne dados padronizados de solo provenientes de centenas de estudos em todos os biomas do país, realizados ao longo de 66 anos. Todos os dados passam por um processo rigoroso de curadoria e harmonização antes de serem disponibilizados ao público. Foram catalogadas mais de 45 mil coletas de diferentes fontes, distribuídas em mais de 15 mil pontos pelo país. Esse acervo é estratégico não apenas para setores econômicos, mas também para pesquisas ambientais, avaliações de impacto e estudos sobre como mudanças no território e no uso da terra afetam o solo brasileiro.

“Estamos falando de dados produzidos muito antes de nós nascermos. Foram feitas a curadoria, organização e devolução para a sociedade de um conjunto de informações que até então não existia de forma integrada no Brasil. O ganho não é somente para a comunidade científica, mas também para setores que podem usar esses dados para produzir suas próprias análises e mapas. A agropecuária é a primeira a ter aplicação direta, mas a academia pode desenvolver inúmeras pesquisas a partir desse acervo. Outro exemplo é o monitoramento da água, para o qual entender as características do solo é fundamental. O mesmo vale para estudos de biodiversidade e de vegetação nativa. São muitos os benefícios dessa curadoria, indo muito além da dimensão econômica”, relembra a pesquisadora do IPAM.

A maior parte das amostras estão na Amazônia (42,7%), seguidas da Mata Atlântica (25%) e do Cerrado (aproximadamente 15%). A plataforma oferece visualização espacial intuitiva, filtros temáticos e acesso direto às informações, sempre com o devido reconhecimento dos autores. O objetivo é fornecer dados prontos para uso imediato em análises, cruzamento de informações, mapeamentos e modelagens espaciais para apoiar a tomada de decisões estratégicas em diferentes setores.

A plataforma SoilData está disponível no site: https://brasil.mapbiomas.org

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM

Selo da Pesca Artesanal nacional é lançado para fortalecer comercialização de produtos

Foto: Edson Ricardo Cunha/ Wikimedia Commons

Com a finalidade de valorizar o trabalho dos pescadores e pescadoras artesanais, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), instituiu o Selo da Pesca Artesanal do Brasil – Identificação de Origem. O selo foi criado por meio da Portaria Interministerial MDA/MPA nº 14, de 23 de dezembro de 2025.

Leia também: Pesquisa aponta que pesca artesanal na Amazônia é realizada sobretudo por homens de baixa escolaridade

Na prática, pescadores e pescadoras podem solicitar o selo, desde que estejam inscritos no Cadastro da Agricultura Familiar (CAF), do MDA, e no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), na categoria de Pescador ou Pescadora Profissional Artesanal, com licença em situação ativa ou deferida, emitida pelo MPA.

A iniciativa visa fortalecer as etapas de distribuição e comercialização dos produtos tradicionais da pesca artesanal. Com o selo, pescadores e pescadoras certificam que seus produtos atendem aos padrões de qualidade exigidos pelo mercado e são oriundos de comunidades tradicionais, valorizando não apenas o trabalho, mas também a economia e a cultura locais.

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Associações, cooperativas e outras organizações que produzam ou comercializem produtos da pesca artesanal também podem solicitar o selo, desde que, no mínimo, 50% dos membros de sua diretoria possuam RGP ativo.

manejo de pirarucu no amazonas - selo
Foto: Divulgação/IDAM

Selo representa boas práticas

De acordo com o diretor do Departamento de Inclusão Produtiva e Inovações do MPA, Quêner Chaves, o selo fortalece a comercialização junto ao mercado de compras públicas, com destaque para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o (Programa de Aquisição de Alimentos) PAA, além do mercado privado e da exportação.

Leia também: Turismo de pesca movimenta a Amazônia e fortalece gastronomia regional sustentável

Ele, que atua na Secretaria Nacional da Pesca Artesanal do MPA, afirma que o selo contribui para a garantia dos estoques pesqueiros artesanais. “Essa ação possibilita o aumento da renda dos pescadores e pescadoras e garante a qualidade do produto junto aos consumidores”, acrescenta.

O secretário nacional da Pesca Artesanal, Cristiano Ramalho, reforça que o selo atende às inúmeras demandas oriundas das Plenárias Regionais e Livres, bem como da Plenária Nacional do 1º Plano Nacional da Pesca Artesanal (PNPA). “O selo está ligado às ações do Programa Povos da Pesca Artesanal. Ou seja, é uma conquista coletiva das pescadoras e pescadores artesanais do Brasil”, destaca.

Clique aqui e confira a portaria completa.

*Com informações do Ministério da Pesca e Aquicultura

Livro apresenta geologia de Mato Grosso para reconhecimento nacional

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Chapada dos Guimarães e Domo de Araguainha estão em destaque na geologia de Mato Grosso. Foto: Reprodução/Obra

A Chapada dos Guimarães e o Domo de Araguainha são duas áreas de Mato Grosso que são destaque em uma obra que trata do patrimônio geológico do Brasil. “Geopatrimônio em Geoparques no Brasil” é uma obra que trata de riquezas geológicas e potencial turístico de cada um dos geoparques a partir do objetivo de fomentar a divulgação científica. Ao todo são 13 capítulos que envolvem áreas de diferentes regiões do Brasil com particularidades geológicas.

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“O livro reúne 13 capítulos, que abordam territórios das cinco regiões do país. Todos os seis Geoparques Mundiais da UNESCO (UNESCO Global Geopark) existentes no Brasil — Araripe (CE), Seridó (RN), Caminhos dos Cânions do Sul (RS/SC), Caçapava (RS), Quarta Colônia (RS) e Uberaba (MG) — são retratados na publicação, além de outros locais que podem vir a ser reconhecidos como geoparques em um futuro próximo, como Chapada dos Guimarães, Costões e Lagunas, Corumbataí, Serra de Sincorá e Cachoeira do Amazonas”, conta o professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Caiubi Kuhn que organiza o livro junto com o professor Marcos Nascimento, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

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geologia
Parque nacional da Chapada dos Guimarães, destaque na geologia de Mato Grosso. Foto: Milena Florim

Há ainda no livro capítulos especialmente dedicados a Mato Grosso. “O livro também retrata os geossítios brasileiros reconhecidos pela International Union of Geological Sciences (IUGS), como os Cânions do Peruaçu (MG), o Quadrilátero Ferrífero (MG), o Pão de Açúcar (RJ), as Cataratas do Iguaçu (PR) e o Domo de Araguainha (MT/GO), entre outros. As áreas de Mato Grosso retratadas no livro são a Chapada dos Guimarães e Araguainha, dois locais com uma geologia fantástica”, relata o docente.

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Livro mostra que geologia tem potencial para turismo e educação

O professor Caiubi Kuhn explica que o livro possui o potencial de contribuir em diferentes pesquisas que tratem tanto de locais de Mato Grosso, como Chapada dos Guimarães e o Domo de Araguainha.

“O livro é uma obra que apresenta o cenário atual desses territórios e reúne informações de todo o país sobre locais com geologia excepcional. Dessa forma, o livro pode servir como referência para disciplinas, estudos temáticos e como material de apoio para o turismo e a educação”, pontua o professor a respeito da importância da publicação.

Domo de Araguainha. Foto: Joana Sanchez/UFG

Inclusive está nos planos de divulgação do livro promover a divulgação da geodiversidade também em Chapada dos Guimarães.

“A UFMT, em conjunto com outras instituições, como o IFMT, tem realizado diversos projetos de pesquisa e de extensão relacionados às áreas com geodiversidade excepcional em Mato Grosso, em especial no município de Chapada dos Guimarães. As ações envolvem desde a formação de professores e de guias de turismo até exposições e atividades de divulgação científica em escolas. Trabalhos de pesquisa em geologia e fósseis também estão sendo realizados e podem proporcionar, nos próximos anos, descobertas fantásticas”, finaliza Caiubi Kuhn.

*Com informações da Universidade Federal do Mato Grosso

Expedição científica registra megadunas submarinas, cânions e biodiversidade no fundo do mar amazônico  

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Jardim de esponjas no fundo do mar amazônico. Foto: Reprodução/INCT-BAA e Rodrigo Moura (UFRJ)

“É como se fossem os Lençóis Maranhenses, mas debaixo d’água”.

É assim que o professor Eduardo Paes, da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) descreve o registro pioneiro de um campo de dunas submarinas de 10 metros de altura e que alcançam várias milhas paralelas à costa amazônica.

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O registro científico é um dos resultados inéditos encontrados por pesquisadores a bordo do Ciências do Mar II, uma expedição científica nacional liderada pela Ufra na região Norte. Coordenada pelo professor Eduardo Paes, o objetivo é mapear e estudar de forma aprofundada a biodiversidade existente na chamada “Amazônia azul”, como é chamada a extensão de quilômetros de mar amazônico que vai do Amapá ao Piauí.

O navio Ciências do Mar II faz parte de uma frota nacional de quatro embarcações idênticas, parcialmente financiadas pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia -Biodiversidade da Amazônia Azul (INCT-BAA) criado através de um edital do CNPq.

As quatro embarcações foram adquiridas pelo Ministério da Educação em parceria com a Marinha Brasileira com o objetivo de apoiar o ensino e as pesquisas em Ciências do Mar. Pela primeira vez, esses quatro navios realizaram os cruzeiros no mesmo período, com a mesma metodologia, mesmo tipo de coleta de dados, imagens de satélite, medidas de corrente, coletas de água, em toda a costa brasileira.

Essa foi a primeira expedição científica do Ciências do Mar II pelo projeto do INCT-BAA e ocorreu de 24 de outubro a 07 de novembro, partindo de Belém. Em 15 dias no mar amazônico, os pesquisadores também registraram um jardim de esponjas centenárias e cânions gigantes. Tudo embaixo da água. Tudo ainda novo para a ciência.

Leia também: Exploração da costa amazônica cresce de modo desordenado e preocupa cientistas

O “Campo de Megadunas”

Para o professor Eduardo Paes, doutor em oceanografia, um dos registros mais impactantes foi a identificação de um vasto campo de dunas submarinas.

“Nós apelidamos de megadunas, são formações ativas, movendo-se não pelo vento, mas pela força de marés altíssimas características da região, já que a Amazônia azul é uma região de macromarés”, explica.

Com equipamentos de hidroacústica de última geração e câmeras de alta precisão, os resultados são uma série de registros que vão preencher lacunas deixadas por cartas náuticas antigas. Segundo o pesquisador, toda a equipe ficou impressionada com os resultados obtidos pelos aparelhos.

fundo do mar
Dunas foram encontradas no fundo mar. Foto: INCT-BAA e Rodrigo Moura (UFRJ)

“É uma novidade para todos nós. Por isso fizemos o possível para mapear, ainda de maneira piloto, mas para alertar que os estudos que vierem daqui para a frente têm que se ocupar de estudar esse ambiente, que é muito interessante. Na borda dessas dunas se aglomeram cardumes de peixe”, alerta.

Ele diz que existem menções à dunas no Piauí, que são relíquias. “Agora, desse tamanho e ativas dessa magnitude não tem em lugar nenhum, nem na carta náutica”, diz. De acordo com o Centro de Hidrografia da Marinha Brasileira, as Cartas Náuticas são documentos cartográficos que resultam de levantamentos de áreas oceânicas, mares, baías, rios, canais, lagos, lagoas, ou qualquer outra massa d’água navegável e que se destinam a servir de base à navegação.

Leia também: GARS: cientistas estimam que apenas 5% dos recifes de corais da Amazônia já foram investigados

Mapeamento vai auxiliar pesquisas futuras na Amazônia Azul. Foto: INCT-BAA e Rodrigo Moura (UFRJ)

Além da geologia, a expedição se deparou com o que chamou de “estação de tratamento”, algo já registrado em mares do Caribe, Austrália e outras regiões brasileiras. Segundo o pesquisador, nas bordas dessas dunas, a equipe observou cardumes e uma quantidade inusitada de rêmoras solitárias.

“Rêmoras são peixes conhecidos por se fixarem em tubarões e outros grandes animais marinhos. Rêmora é um peixe que come os parasitas dos outros”, diz. Segundo o pesquisador, a presença desses animais parados nas dunas sugere a existência de uma espécie de “estação” ou acoplamento.

Ele explica que esse é um fenômeno já documentado em recifes de corais, mas nunca em um ambiente de dunas dessa forma.

“Uma das hipóteses é que esse ambiente seja uma estação em que as rêmoras ficam paradas lá esperando os tubarões para grudarem neles. Ainda é uma hipótese que precisa ser melhor investigada”, diz.

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Cânions Gigantescos

Outra surpresa foi o rastro deixado por antigos rios no fundo do mar. Esses rios ajudaram a escavar a plataforma continental e formaram cânions gigantescos, que não constavam nos mapas. Em um dos trechos, a profundidade saltou abruptamente de 100 metros para 600 metros. Diferente de outras partes da costa brasileira, onde esses canais antigos foram cobertos por sedimentos, na Amazônia eles permanecem abertos devido à dissolução do carbonato de cálcio presente na região, criando vales submarinos ricos em peixes e corais.

De acordo com o professor, toda a costa brasileira tem um degrau, tem uma plataforma, onde ela afunda. “Na beira chama-se talude. Na beira desse talude, em vários lugares, tem esses cânions antigos. Só que a gente viu que esses cânions amazônicos vão ainda bem para dentro, enormes. E o que tem lá dentro? Muitos peixes e corais. É uma biodiversidade absurda, que também não sabíamos da existência disso”, diz.

Necessidade de mais investimentos

No mapeamento também foi encontrado um Jardim de esponjas centenárias, além de um campo de rodolitos, que são algas calcárias que parecem pedras. “Parece uma pedrinha, mas está viva, cresce e vai adquirindo calcário”, diz. “Coletamos muito material, que será registrado e analisado. Como o mar amazônico ainda é pouco estudado, é possível que, inclusive, tenhamos coletado novas espécies que ainda não tem registro”, diz.  O material servirá de base para artigos e publicações científicas, que podem incentivar o financiamento de ainda mais pesquisas na região.

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Equipe também reúne pesquisadores e alunos de outras instituições brasileiras. Foto: INCT-BAA e Rodrigo Moura (UFRJ)

“Sabemos que conhecer o Mar Amazônico não é simples e nem barato. Não dá para pôr uma mochila nas costas e fazer uma trilha no mar. Em alto mar não é possível ir com barcos pequenos, porque é perigoso, há muitas correntes. Não é qualquer barco e não é qualquer cientista. Por isso nós precisamos de cientistas especializados no mar. Os cientistas de alto nível que a Amazônia tem são mais especializados na floresta, na Amazônia verde e suas populações. O que é importantíssimo. Mas o mar também é absolutamente surpreendente”, diz.

Para o pesquisador, há uma interdependência vital entre a floresta e o oceano, e ambos são essenciais para a vida no planeta. Ele descreve o mar amazônico como o “irmão azul” da floresta verde. “O mar é o irmão siamês da floresta. Existe o irmão verde e o irmão azul. E eles estão colados um no outro e um depende do outro”, afirma.

Próximas navegações

Ainda estão previstas mais três expedições científicas a bordo do Ciências do Mar II na região Amazônica. A próxima viagem deve ocorrer entre abril e maio de 2026, durante o “máximo da pluma”, após o período de chuvas, para capturar a dinâmica do oceano sob influência máxima das chuvas amazônicas. As outras expedições ainda não possuem data definida.

*Com informações da UFRA

Mulheres do Teçume d’Amazônia celebram 25 anos de história e fortalecimento comunitário

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Foto: Reprodução/Instituto Mamirauá

Na comunidade São João do Ipecaçu, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã (AM), as mulheres do Teçume d’Amazônia do Setor Coraci, que compõem o grupo Teçume d’Amazônia, realizaram um evento de comemoração aos seus 25 anos entre os dias 6 e 7 de dezembro. Os dois dias foram imersos nas memórias da construção do grupo, e reuniu parceiros como o Instituto Mamirauá, a Fundação Amazônia Sustentavel (FAS), Federação dos Manejadores e Manejadoras de Pirarucu de Mamirauá (FEMAPAM) e Universidade Paulista (UNIP).

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O encontro iniciou com a retomada da história do Teçume d’Amazônia, seguida de dinâmicas em grupo, palestras e rodas de conversa que abordaram temas como empreendedorismo, saúde da mulher, manejo de pesca e ações socioambientais na Amazônia, promovendo troca de experiências entre os participantes e instituições parceiras. Além disso, o álbum de memória Teçume d’Amazônia, que registrou a trajetória e o legado do grupo ao longo de seus 25 anos, foi distribuído para os participantes do evento.

A programação também ofereceu atendimentos voltados ao bem-estar, com a realização de exames preventivos e a oferta de procedimentos estéticos conduzidos por enfermeiras e esteticistas da UNIP, fortalecendo o cuidado integral com a saúde. 

Durante o evento, foi exibido um filme tratando da memória e força do grupo, cuja produção contou com a colaboração da assessoria de comunicação do Instituto Mamirauá.

À noite, o centro comunitário foi palco de uma noite cultural agitada. A comunidade e os parceiros se reuniram para a exibição de um documentário abordando a trajetória do grupo das mulheres Teçume d’Amazônia, apresentações musicais, bingo e um desfile que destacou as tinturas e os grafismos do teçume, com roupas confeccionadas pelas artesãs Geovana da Silva de Souza e Silene da Silva Cardoso. 

A dimensão coletiva e intergeracional do encontro do Teçume d’Amazônia também foi destacada por Dávila Corrêa, diretora de Manejo e Desenvolvimento do Instituto Mamirauá, que acompanhou a celebração. Para ela, o evento reafirmou a força das memórias compartilhadas e o envolvimento amplo da comunidade na construção dessa trajetória: 

“Foi muito mais do que uma comemoração. O encontro foi carregado de significado, de anos de história e de emoção. Era nítido o clima de pertencimento e orgulho coletivo, com homens, mulheres, crianças e jovens participando ativamente das atividades culturais, falando, se emocionando e trocando experiências. Esse envolvimento mostrou o quanto as memórias coletivas seguem vivas e pulsantes na comunidade”. 

Segundo Dávila, a participação dos homens e das crianças reforçou o caráter comunitário da celebração e o reconhecimento do trabalho das mulheres. “Foi bonito ver o olhar de admiração entre eles, as crianças acompanhando o documentário e o álbum de memórias, e as diferentes gerações reunidas em torno dessa história. É um momento que reafirma a cooperação, o trabalho solidário e a transmissão desse legado para o futuro”, completou. 

Foto: Reprodução/Instituto Mamirauá

Durante os dois dias, os relatos marcantes e emocionados das artesãs rememoraram desafios e conquistas de mais de duas décadas de trabalho coletivo. Expressões como “25 anos não são 25 dias” e “foram 25 anos de muita luta, mas também de muita conquista” foram recorrentes.

As falas evidenciaram o orgulho compartilhado entre gerações de netas, filhas, irmãs e sobrinhas que partilham de um mesmo conhecimento, reforçando a transmissão contínua do saber tradicional, associado ao manejo do cauaçu e à produção artesanal.  Além disso, o papel dos homens da comunidade se destacou diante da mobilização dos maridos e filhos para fazer o evento acontecer, bem como fazem no dia a dia da família, ajudando as mulheres na cadeia produtiva do teçume, na colheita do cauaçu e nos cuidados do lar. 

Leia também: Artesãs indígenas abrem loja no centro de Rio Branco, no Acre

Uma das falas que marcou o evento das mulheres do Teçume d’Amazônia foi a de Maria Marly das Chagas de Oliveira, que relembrou a trajetória coletiva das mulheres do Teçume: 

“Quando eu entrei no Teçume, eu nem sabia direito como caminhar sozinha. A gente aprendeu juntas, errando, acertando, correndo até de onça quando precisava. No começo, eu passei dez anos na coordenação sem saber me organizar, mas o grupo me segurou. Foi como família: compramos nosso primeiro batom, nossa primeira roupa para viajar, choramos, rimos e crescemos lado a lado. Tudo o que vivemos valeu a pena. Foram 25 anos difíceis, mas 25 anos conquistados”.

Outro destaque no evento das mulheres Teçume d’Amazônia foi o depoimento da jovem artesã Daniele da Silva da Mota, que há cinco anos participa do coletivo: “Quando fui convidada a fazer parte do Teçume, eu fiquei muito feliz, porque sempre admirei essas mulheres. E era um momento que eu precisava de uma renda. Eu não sabia tecer nada, e elas me ensinaram. E hoje tenho essa profissão de artesã, que eu amo muito”.  

Teçume d’Amazônia 

O Teçume d’Amazônia surgiu nos anos 2000, inicialmente como coletivo de mulheres do setor Coraci, e contou com o apoio do Programa de Artesanato do Instituto Mamirauá. As 32 mulheres que iniciaram o grupo, representantes das comunidades Iracema, Matuzalém, Nova Canaã, Vila Nova do Coraci, São Paulo do Coraci e São João do Ipecaçu, participaram de oficinas, vivências e capacitações em parceria com Instituto Mamirauá e SEBRAE-AM, aprendendo técnicas de manejo e beneficiamento da fibra de cauaçu para produzir peças artesanais. Ao longo de sua trajetória, arrecadou muitas outras parceiras institucionais e comerciais. 

O Teçume d’Amazônia transformou profundamente a vida das mulheres e de suas comunidades. O artesanato garantiu novas fontes de renda, ampliou a autonomia financeira e abriu oportunidades que antes não existiam, permitindo que muitas mulheres contribuíssem diretamente para o sustento familiar. Essa renda movimentou a economia local, fortaleceu a circulação de produtos e serviços nas próprias comunidades e estimulou novas iniciativas de organização e empreendedorismo.

O grupo também promoveu mudanças nas relações familiares e comunitárias, aumentando o reconhecimento do trabalho feminino e inspirando jovens que passaram a aprender e valorizar o conhecimento transmitido entre gerações. 

Mulheres do Teçume d’Amazônia celebram 25 anos de história e fortalecimento comunitário
Foto: Reprodução/Instituto Mamirauá

Com o amadurecimento do trabalho, o grupo conquistou reconhecimento institucional e comercial, ampliando sua atuação e representatividade para além da região e alcançando mercados nacionais. Tornou-se referência em artesanato de origem florestal, marcado pela habilidade, pela criatividade e pela força coletiva das mulheres da Amazônia. 

Dentre suas conquistas mais significativas estiveram as diversas premiações que receberam durante os anos, e a participação na COP30, quando apresentaram sua experiência de manejo sustentável do cauaçu e sua trajetória de organização comunitária no principal debate global sobre clima. A presença do Teçume nesse espaço reforçou o valor dos conhecimentos tradicionais para soluções ambientais e evidenciou que enfrentar a crise climática exige fortalecer territórios, promover justiça social e reconhecer o protagonismo feminino.  

A consolidação do grupo Teçume d’Amazônia transformou a organização comunitária, ampliou a participação das mulheres na conservação da floresta e nos espaços de tomada de decisão e fortaleceu a identidade artesanal da região, reafirmando o teçume como símbolo de resistência, criatividade e futuro. 

UFT registra desenho industrial do Tabuleiro Maia inspirado na matemática ancestral

Desenho industrial do Tabuleiro Maia inspirado na matemática ancestral. Foto: Reprodução/UFT

A Universidade Federal do Tocantins (UFT) registrou seu segundo desenho industrial, intitulado “Tabuleiro Maia”, criado pelos professores Adão Lincon Bezerra Montel, Warley Gramacho da Silva e Rafael de Oliveira Ribeiro, vinculados às áreas de Engenharia Civil e Ciência da Computação. O registro foi realizado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), sob o número BR 30 2025 005410-9.

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Claudia Auler, diretora de Inovação e Transferência de Tecnologia da UFT, explica que o desenho industrial é a modalidade de proteção que assegura exclusividade sobre o aspecto visual e ornamental de um produto, resguardando sua forma estética, a disposição de seus elementos e sua identidade visual.

No caso do Tabuleiro Maia, o diferencial está na distribuição geométrica dos furos, concebida para reproduzir de forma fiel o sistema numérico do povo maia, permitindo a representação de números e a realização de operações matemáticas por meio de pontos, traços e símbolos.

O professor Adão Lincon contextualiza que, ao longo da história, diferentes povos desenvolveram sistemas matemáticos próprios. Entre eles, apenas dois apresentaram, de forma clara, a representação do valor nulo (zero) com símbolo específico:

  • o sistema indo-arábico, amplamente utilizado atualmente,
  • e o sistema numérico maia, desenvolvido por povos que habitavam a região correspondente ao atual México.

“Esse sistema sofisticado possibilitou avanços significativos em áreas como astronomia, arquitetura e engenharia”, afirmou.

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matemática
Desenho industrial do tabuleiro maia inspirado na matemática ancestral. Foto: Reprodução/UFT

Pensando no potencial pedagógico dessa matemática ancestral, os pesquisadores desenvolveram um tabuleiro capaz de realizar operações utilizando o sistema maia. Segundo Adão Lincon, a ferramenta amplia significativamente as possibilidades educacionais:

“Pensando no potencial de aplicação da matemática maia no ensino, desenvolvemos um tabuleiro que funciona como uma calculadora. Enquanto o ábaco permite apenas operações de soma e subtração, o Tabuleiro Maia possibilita realizar soma, subtração, multiplicação, divisão e até raiz quadrada para valores pequenos. Por possuir peças discerníveis ao tato, o tabuleiro também tem sido utilizado com sucesso por estudantes com deficiência visual. O registro desse tabuleiro pela UFT permitirá sua exploração econômica no campo educacional, especialmente na alfabetização matemática”.

Desenho industrial do tabuleiro maia inspirado na matemática ancestral. Foto: Reprodução/UFT

Leia também: Dança urbana é aliada à matemática em método educativo no Pará

O professor destaca ainda que, ao contrário do sistema indo-arábico, que apresenta maior nível de abstração, o sistema numérico maia é mais intuitivo, permitindo a obtenção de resultados por caminhos alternativos aos tradicionalmente utilizados. Ele é composto por apenas três símbolos: o ponto (unidade), o traço (cinco unidades) e um símbolo semelhante a uma concha, que representa o zero.

“O estudo da etnomatemática, que investiga os sistemas matemáticos desenvolvidos por diferentes culturas, contribui para ampliar a compreensão dos conceitos quantitativos e viabiliza práticas pedagógicas inclusivas, adequadas a distintos perfis de aprendizagem”, pontuou Adão Lincon.

Claudia Auler ressalta que, diferente do primeiro desenho industrial registrado pela UFT, voltado ao ensino da propriedade intelectual, o Tabuleiro Maia tem como principal diferencial a valorização de saberes ancestrais por meio do design, integrando matemática, engenharia, cultura e educação em uma solução visual inédita. O arranjo dos orifícios organiza-se em padrões de linhas e colunas que refletem a lógica da contagem maia, permitindo sua aplicação em atividades pedagógicas e experimentais.

Desenho industrial do tabuleiro maia inspirado na matemática ancestral. Foto: Reprodução/UFT

Para ela, do ponto de vista institucional, o registro reforça a estratégia de diversificação do portfólio de propriedade intelectual da UFT, ampliando o escopo de proteção para além de patentes e softwares:

“O registro do Tabuleiro Maia como desenho industrial representa um avanço importante na diversificação do portfólio de ativos de propriedade intelectual da UFT. Ao proteger soluções baseadas em design, a Universidade amplia suas possibilidades de transferência de tecnologia, fortalece a gestão estratégica da inovação e reconhece o valor de criações com potencial educacional, cultural e mercadológico”.

*Com informações da UFT

Pará se destaca no cenário agropecuário nacional em 2025

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Boletim Agropecuário Paraense 2025 consolida protagonismo do estado no cenário nacional do setor. Foto: Divulgação/Fapespa

Segundo maior produtor de bovinos do Brasil, o estado do Pará encerra o ano de 2025 reafirmando o protagonismo no setor agropecuário nacional. Com avanços significativos na pecuária bovina e bubalina, na aquicultura, na produção agrícola e nas exportações, o estado nortista manteve resultados expressivos no Boletim Agropecuário Paraense 2025.

O documento, lançado no último dia 18 de dezembro pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), confirma o fortalecimento do campo como um dos principais vetores da economia paraense. Os dados consolidaram o Pará como o segundo maior produtor de bovinos do país, com um rebanho de 25,6 milhões de cabeças em 2024, o equivalente a 10,7% do total nacional.

Em um cenário de retração geral no Brasil, o Pará registrou crescimento de 2,1%, impulsionado pela expansão da fronteira pecuária e a presença de grandes polos produtivos. Na criação de búfalos, o estado manteve a liderança nacional, concentrando 42,9% do rebanho brasileiro, com 775,1 mil cabeças, majoritariamente localizadas no arquipélago do Marajó. O município de Chaves se destacou como maior produtor do país.

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O setor aquícola também apresentou crescimento expressivo. A produção triplicou entre 2013 e 2024, atingindo 16,7 mil toneladas. O Pará manteve um ritmo de crescimento acima da média nacional, com destaque para o cultivo do tambaqui, responsável por cerca de 60% da produção estadual.

Agricultura diversificada e em expansão

Mesmo com apenas 1% da área agricultável do país, a agricultura paraense gerou R$ 35,9 bilhões em valor de produção em 2024, um crescimento médio de 8% ao ano desde 2000. Com isso, o estado saltou da 17ª para a 8ª posição no ranking nacional de valor da produção agrícola, aumentando sua participação de 2,4% para 4,6%.

Na lavoura permanente, o valor total chegou a R$ 20,6 bilhões em 2024, um aumento de 39,7% em relação ao ano anterior. Cinco culturas responderam por aproximadamente 95% do valor total: cacau (37,4%), açaí (36,1%), dendê (10,8%), pimenta-do-reino (6,1%) e banana (5,2%). Os destaques foram o salto do cacau, com crescimento de 259,3%, e da pimenta-do-reino, com 147,4% de aumento em valor.

Já a lavoura temporária somou R$ 15,3 bilhões, com leve retração de -2,9%. A soja liderou com R$ 7,2 bilhões (47,7%), seguida pela mandioca, com R$ 4,7 bilhões (30,3%). Houve queda expressiva no valor do milho, de -25,9%. A produção está concentrada: 10 municípios respondem por mais da metade do valor da lavoura temporária, com Paragominas na liderança, representando 11,9% do total.

Leia também: Pará teve melhor desempenho com exportações do agro na Região Norte

Ranking dos municípios com produção efetiva

Quatro municípios paraenses estão entre os dez maiores produtores de bovinos do Brasil: São Félix do Xingu, Marabá, Novo Repartimento e Altamira. São Félix do Xingu lidera o ranking nacional, com 2,5 milhões de cabeças (1,1% do rebanho brasileiro). Altamira e o próprio São Félix apresentaram crescimento em 2024, enquanto Marabá e Novo Repartimento registraram leve retração.

Ao todo, dez municípios concentram 41,1% do rebanho bovino estadual, com destaque para São Félix do Xingu (9,9%), Marabá (5,1%) e Novo Repartimento (4,9%). Outros municípios como Cumaru do Norte (2,9%), Santana do Araguaia (2,6%) e Altamira (1,3%) também apresentaram crescimento expressivo.

O conjunto dos demais municípios, que representam 58,9% do efetivo estadual, teve crescimento de 3,3%, desempenho superior ao dos municípios ranqueados e principal responsável pelo aumento total do rebanho paraense.

A evolução histórica do rebanho bovino em São Félix do Xingu revela um avanço notável a partir dos anos 2000, com um crescimento exponencial da atividade. O município ultrapassou Corumbá (MS) e se consolidou como o maior produtor de bovinos do país.

Criação animal

A diversidade da pecuária paraense também se reflete em outras criações. Em 2024:

  • São Félix do Xingu liderou o rebanho equino (29,5 mil cabeças) e ovino (18 mil cabeças);
  • Cametá se destacou na suinocultura, com 31,5 mil cabeças;
  • Chaves liderou na criação de caprinos, com 4,8 mil cabeças;
  • Santa Izabel do Pará concentrou a maior produção de galináceos, com 7,6 milhões de aves.

O boletim aponta que a agropecuária ocupa 18,4% do território paraense, majoritariamente com áreas de pastagens. Cerca de 70% dessas áreas foram desmatadas antes de 2008, o que reforça o papel da intensificação produtiva e da recuperação de áreas já abertas como estratégias para o desenvolvimento sustentável.

Em 2024, o Pará exportou 160,5 mil toneladas de carnes, um aumento de 51,1% em relação a 2023. O pescado também se manteve como item relevante da pauta exportadora, com o estado ampliando sua participação nas exportações brasileiras nos últimos anos.

Empregos no setor

No cenário nacional, o setor agropecuário manteve-se com mais de 8 milhões de trabalhadores. No Pará, o número de ocupados chegou a cerca de 500 mil pessoas em 2024, após pico superior a 700 mil em 2021. O estudo destaca que o emprego rural apresenta variações sazonais e conjunturais, afetadas por fatores econômicos, climáticos e mercadológicos.

Entre 2002 e 2022, o Valor Adicionado Bruto (VAB) da agropecuária no Produto Interno Bruto (PIB) do Pará apresentou crescimento expressivo, com aceleração a partir de 2019 e pico histórico em 2021. Esse desempenho superou a média nacional e reflete ganhos de produtividade, expansão das atividades e diversificação da base produtiva agropecuária no estado.

Boletim Agropecuário Paraense

Boletim agropecuário
Boletim Agropecuário está disponível no site da Fapespa. Foto: Divulgação

Produzido pela Diretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural (Diepsac), o Boletim Agropecuário Paraense 2025 utiliza bases de dados oficiais como IBGE (PPM, PAM, PEVS), PNAD Contínua, RAIS, Banco Central, COMEX STAT, entre outras.

“O estudo mostra claramente o grande potencial do setor agropecuário do Pará, que vem avançando com base na ciência, tecnologia e inovação, promovendo aumento da produtividade, valorização dos produtos e sustentabilidade. Esse desempenho é resultado de um esforço coletivo e de políticas públicas estaduais, fomentadas pela Fapespa”, diz Marcel Botelho, presidente da Fapespa.

A última atualização do Boletim revela que o setor agropecuário tem desempenhado um papel estratégico na consolidação do desenvolvimento econômico do Pará, sendo um dos principais vetores de geração de renda, emprego e sustentabilidade regional. A diversidade de biomas, a vasta disponibilidade de recursos hídricos e a extensão territorial conferem ao estado condições favoráveis para a expansão de atividades como a pecuária, a agricultura familiar e o cultivo de grãos, além do fortalecimento de cadeias produtivas como as do cacau, açaí e dendê.

O boletim completo está disponível AQUI.

*Com informações da Fapespa