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Produtor rondoniense conquista prêmios nas duas categorias do Concurso Nacional do Cacau Especial

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Foto: Reprodução

O produtor de cacau Mauro Tauffer, de Buritis (RO), venceu em duas categorias no Concurso Nacional do Cacau Especial 2024. Este é o segundo ano consecutivo em que Rondônia se destaca na competição. Em 2023, o cacau do estado conquistou o 1º lugar.

A competição foi dividida em duas categorias: ‘Mistura/Blend’, que avalia as amêndoas de cacau provenientes de misturas de híbridos ou variedades genéticas, e ‘Varietal’, que avalia as amêndoas de cacau de uma única variedade genética.

Mauro obteve o 2º lugar na categoria ‘Mistura’ e o 3º lugar na categoria ‘Varietal’. Com a conquista, o produtor levou para casa R$ 15 mil. Outros três produtores de Rondônia também estavam entre os finalistas.

Emocionado, o produtor agradeceu pela conquista e destacou que a vitória é fruto do trabalho e do apoio de todas as pessoas que estão ao seu lado para transformar o cacau de Rondônia em um dos melhores do país.

Produtores do Pará, que já possui tradição no cultivo do cacau, também levaram prêmios de destaque. Confira o ranking de vencedores:

Categoria varietal

1º lugar: Miriam Aparecida Federicci Vieira (PA) – variedade Alvorada 01
2º lugar: Luciano Ramos Lima (BA) – variedade BN34
3º lugar: Mauro Celso Tauffer (RO) – variedade BN34

Categoria blend

1º lugar: Agrícola Cantagalo (BA)
2º lugar: Mauro Celso Tauffer (RO)
3º lugar: Robson Brogni (PA)

*Com informações da Rede Amazônica RO

Especialista explica como as mudanças climáticas afetam os peixes da Amazônia

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Foto: Reprodução/Revista Pesquisa Fapesp

O biólogo Adalberto Val, especialista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), aborda as mudanças climáticas e seus efeitos alarmantes sobre os animais do Rio Negro, um dos ecossistemas mais ricos do planeta, no Amazonas.

Entenda como essas alterações comprometem a biodiversidade aquática e geram reflexos diretos na segurança alimentar das comunidades que dependem dos recursos naturais para sobreviver:

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp

Empreendedor de Roraima produz bloco plástico reciclado para a construção civil

Foto: Divulgação/PlastBloc

Aliado a estratégias sustentáveis, o plástico pode se tornar a peça-chave para ajudar a natureza e servir como ferramenta para empreendimentos inovadores que enxergam o potencial do material por meio da reciclagem. Foi assim, ao observar a grande quantidade de plástico gerada pelos trabalhadores de uma obra de construção civil, vinda do consumo de refrigerantes nas garrafas PET, que o empreendedor Almir Ribeiro, de Roraima, teve uma ideia que faria a diferença: a utilização do material granulado para compor blocos de construção.

Mas a ideia arrojada precisava de mais investimentos para sua execução e foi nesse momento que o Ribeiro teve conhecimento sobre o Programa Centelha, que visa estimular a criação de empreendimentos inovadores e disseminar a cultura empreendedora no Brasil.

“A importância de ser contemplado no Centelha foi saber que eu poderia contar com a ajuda de um sistema para que eu pudesse colocar o meu projeto em execução. Eu já havia pensado em desistir desse projeto, mas quando eu vi o Centelha e que eu me inscrevi foi muito importante porque eu vi uma condição de desenvolver o tão sonhado projeto”, conta Almir.

Foto: Divulgação/PlastBloc

A parte técnica do projeto era o desafio para atender as especificidades e adequação para uso do material. “Eu não tinha condição de pagar um profissional para poder adequar o material dentro das normas técnicas brasileiras da construção, então o Centelha contribuiu para eu colocar o meu projeto de acordo com essas normas. Estamos fazendo estudos laboratoriais, pois antes eu não tinha condições financeiras para isso”, acrescenta.

O Plasbloc, como foi batizado o novo bloco, é fabricado com cimento, areia, água e catalisador com diferencial no uso do plástico granulado reciclado como agregado graúdo. Além de sua produção envolver matérias-primas recicladas de postos de coleta e de sucatas, o design do bloco tem papel fundamental na eficácia de sua utilização nas construções residenciais, comerciais ou industriais.

“Eu fui um dos pioneiros a criar esse sistema construtivo, um projeto criado há 18 anos, mas somente aqui em Boa Vista eu consegui desenvolver. Foi bastante penoso porque eu não tinha condições financeiras para poder pagar o laboratório para poder desenvolver a liga do material, a resistência da qual a gente precisa”, conta o empresário.

Hoje a empresa é especializada na produção e comercialização de blocos de construção ecológicos fabricados a partir de materiais reciclados. Os blocos são fabricados com foco na redução do impacto ambiental e na promoção da construção sustentável de forma a baratear o custo e promover a rapidez nos processos dentro do canteiro de obras. O carro chefe é o plasbloc com design pensado para otimizar recursos e zerar desperdícios, produzido a partir da reutilização do plástico que iria para o lixo.

Centelha Roraima

O Programa Centelha estimula a criação de empreendimentos inovadores e disseminação a cultura empreendedora em Roraima. A iniciativa oferece capacitações, recursos financeiros e suporte para transformar ideias em negócios de sucesso.

O programa é promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), Fundação CERTI e, em Roraima, é executada pelo Governo do Estado, por meio, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Roraima (Faperr).

*Com informações da Secom Roraima

Conheça artesã indígena que pintou vestido usado pela cantora Gabriê em prêmio nacional

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Foto: Reprodução

A Região Norte teve uma forte participação no Prêmio Multishow realizado nesta terça-feira (3). A ex The-Voice, Gabriê, esteve presente como participante do corpo técnico e usou uma roupa criada por uma artesã indígena rondoniense exclusivamente para a ocasião.

Shirley Arara, ativista e liderança do seu povo, é a “mente” por trás da obra. Moradora da Terra Indígena Igarapé Lourdes, em Ji-Paraná (RO), ela é fundadora da primeira grife indígena de Rondônia, criada com o objetivo de ressaltar a cultura do povo Arara.

O convite para desenhar a roupa de Gabriê surgiu depois de várias conversas e espera pela oportunidade perfeita. Tudo aconteceu muito rápido: o convite chegou na quinta-feira (28) e no dia seguinte ela recebeu a peça para pintar.

“Foi uma loucura tanto da minha parte como da dela. Loucura dela de ter me dado esse voto de confiança. Loucura da minha parte, porque peguei com um dia a peça pra poder pintar”, revela.
Mas a “loucura” deu certo e levou um pedaço de Rondônia e dos povos indígenas para todo o Brasil. O grafismo, feito no vestido branco, carrega uma mensagem de resistência.

Os acessórios que compõem o look também são de arte indígena, produzidos pelo artesão Tiago Karitiana. Nas redes sociais, a cantora destacou a importância da representatividade.

*Por Jaíne Quele Cruz, da Rede Amazônica RO

Livro registra 310 espécies de aves em Terra Indígena no Alto Rio Negro, no Amazonas

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Foto: Divulgação/Equipe do projeto

Um livro produzido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) une conhecimento científico e tradicional indígena sobre a biodiversidade amazônica. A parceria intercultural entre pesquisadores não indígenas e indígenas deu origem a obra ‘Espécies de Aves da Região do Rio Cubate – Terra Indígena do Alto Rio Negro’, guia com o registro de 310 espécies da comunidade indígena de Nazaré do Rio Cubate, no município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas

A obra é escrita em Nheengatu, Baniwa e Português. Para cada espécie de ave, a edição traz os alimentos consumidos e o ambiente onde é encontrada. O livro foi produzido em conjunto com a comunidade, Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e Instituto Socioambiental (ISA), como fruto de pesquisa financiada pelo Edital Biodiversa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). 

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Foto: Divulgação/Equipe do projeto

Segundo Ribas, o projeto de reunir o conhecimento sobre as aves avistadas na região surgiu em 2019, a partir de uma solicitação da comunidade indígena de Nazaré do Rio Cubate. A demanda foi feita pelos representantes institucionais Isaías Pereira Fontes (Foirn) e Juvêncio Cardoso, nome não-indígena de Dzoodzo Baniwa (Organização Baniwa e Koripako Nadzoeri). 

A obra foi desenvolvida dentro do projeto ‘Biogeografia de aves para conservação e desenvolvimento sustentável na Bacia do Rio Negro’ realizado de 2022 a 2024, na região do Rio Cubate financiado pela Fapeam. Além de Ribas, colaboram com a obra o pesquisador do Inpa e curador da Coleção de Aves, Mario Cohn-Haft, e os pesquisadores Fernando Horta e Ramiro Melinski, bolsistas vinculados ao Inpa durante a execução do projeto.

Sete-cores-da-amazônia (Tangara chilensis) chamada de Fitiáka pelos falantes de Nheengatu e Hiitsa pelos falantes de Baniwa. Foto: Priscilla Diniz.
 Foto: Priscilla Diniz

Intercâmbio de conhecimentos

Os comunitários participaram de forma direta na produção do livro em colaboração com cientistas nas diversas fases da iniciativa, indo do levantamento das espécies à tradução do conteúdo para as línguas indígenas. A professora de Língua Indígena e moradora de Nazaré do Rio Cubate, Gracilene Florentino Bittencourt, trabalhou na tradução para o Nheengatu, idioma falado pelos povos indígenas Baniwa, Baré e Warekena. 

A professora conta que estar integrada ao projeto ampliou seus conhecimentos sobre os pássaros que observa na região onde mora e permitiu o aprofundamento de seu conhecimento da língua Nheengatu, falada na comunidade. O processo de tradução foi executado durante um mês por Bittencourt em Manaus usando o aplicativo de teclado de línguas indígenas Linklado, que está entre os finalistas do Prêmio Jabuti 2024.

Leia também: Pela segunda vez, Teclado Linklado está entre os 10 semifinalistas do Prêmio Jabuti

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 Foto: Divulgação/Equipe do projeto

“A pesquisa reavivou a mitologia, a nossa crença, e que as futuras gerações possam entender que realmente a mitologia local existe. Nossos avós e mães, eles têm essas histórias na mente, mas às vezes não é contada e muito menos escrita, mas através desse livro, muitos jovens e crianças vão poder ler”, completa a professora.

Além das informações científicas de identificação e hábitos, a obra reúne curiosidades e histórias contadas por comunitários sobre as espécies catalogadas.

A professora Gracilene Florentino Bittencourt aponta que a possibilidade de compartilhamento de conhecimentos com os pesquisadores do Inpa vem se somar aos saberes populares da comunidade. 

Uma das aves encontradas na região da comunidade é o Galo-da-Serra (Rupicola rupicola) também chamado de Galu iwitera pura, em Nheengatu; ou Makama, em Baniwa, e foi a partir do avistamento dessa espécie que surgiu o projeto. Dzoodzo Baniwa conta que a parceria das comunidades indígenas de São Gabriel da Cachoeira com o Inpa é antiga e que o trabalho que resultou no livro veio da necessidade da comunidade de Nazaré do Rio Cubate entender sobre a potencialidade e a diversidade de aves daquela região, pensando na atividade econômica de observação de aves. 

Leia também: Galo-da-serra: conheça o pássaro que serviu de inspiração para famosa toada do Boi Garantido

Foto: Ramiro D. Melinski

“A região do rio Cubate apresenta características específicas da paisagem, com vegetação baixa dominada por campina, coloração da água do rio escura, com formação de muitos lagos e solo arenoso. Isso dificulta apontar uma potencialidade associada à agricultura e de recursos florestais não madeireiros. Conversando mais particularmente com os diretores da Associação da Comunidade Indígena do Rio Cubate (AIRC) sobre as particularidades daquela região, relataram que existe um ambiente perto da comunidade frequentado pelas aves, com destaque para o galo-da-serra”, declara.

Para os organizadores da obra, o levantamento das espécies e as oficinas realizadas no contexto do projeto reforçam a missão do Inpa de gerar e sintetizar conhecimentos sobre a biodiversidade da Amazônia. 

*Com informações do INPA

Fotógrafo do Amapá se inspira na região amazônica para exposição

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Foto: Serginho Silva/Arquivo pessoal

Fotografias registradas ao longo de 25 anos na Amazônia através das lentes do fotógrafo Serginho Silva estão expostas em Macapá. A exposição ‘Essência Amazônica’ inicia nesta quarta-feira (4) e segue até sábado (7) no Tribunal de Justiça do Amapá (Tjap), no Centro de Macapá.

A mostra conta com 30 fotos e retrata paisagens naturais dos municípios amapaenses e personagens característicos do contexto amazônico do estado, como indígenas, quilombolas e ribeirinhos.

Para o fotógrafo, a exposição destaca a importância da preservação da identidade e cultura amazônidas, além de reforçar que cada imagem carrega a assinatura de quem aprendeu a observar com o coração e a alma da Amazônia amapaense, em composições precisas e cheias de vida.

Sobre Serginho Silva

Fotógrafo Serginho Silva, no Amapá. Foto: Serginho Silva/Arquivo pessoal

Com 35 anos de profissão no audiovisual, Pedro Sérgio da Silva, de 59 anos, é pai de duas filhas. Nascido em Fortaleza (CE), já trabalhou em seu estado natal, no Rio de Janeiro, no Amazonas e adotou o Amapá há quase meio século. Atuou em TVs, agências de publicidade, produtoras e instituições públicas.

*Com informações da Rede Amazônica AP

Ailton Krenak afirma que a educação foi a primeira vítima da crise do clima

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Foto: Paulo Roberto Ferreira/Semec

Numa roda de conversa promovida pela Secretaria Municipal de Educação (Semec) de Belém na tarde desta terça-feira (3), o líder indígena, escritor e ambientalista Ailton Krenak citou Carlos Drummond de Andrade, Oscar Niemeyer e Greta Thunberg para falar dos desafios nos tempos futuros, tanto para a educação como para o planeta Terra.

O encontro no Cine Dira Paes, no Palacete Pinho, reuniu dezenas de professores e técnicos e teve caráter formativo, aproveitando a presença do imortal da Academia Brasileira de Letras, que nesta quarta-feira (4) participa dos ‘Diálogos dos Saberes’, no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Krenak afirmou que os ancestrais sabiam viver o tempo presente e nem imaginavam que iríamos viver “a agonia do futuro, que é o sofrimento mental”.

O escritor citou o poema ‘O homem; as viagens’, de Carlos Drummond de Andrade, escrito em 1973, que trata do insaciável desejo do ser humano de conhecer outros planetas, mas a tudo ele descarta. E que a verdadeira viagem que deveria fazer seria para dentro de si mesmo. “Uma parte de nós acredita que, se essa terra se tornar inabitável, podemos ir para outro planeta”, diz Krenak.

E logo em seguida lembrou de Oscar Niemeyer que afirmava que “todos nós tivemos origem junto com os outros animais”. E arremata: “o homem, bicho pequeno na Terra, enjoa da Terra. Quer dizer, enjoa desse planeta magnífico, maravilhoso”.

Krenak prestou homenagem ao líder quilombola Nego Bispo, que viveu no Piauí. “Eu acho maravilhoso alguém que vive uma situação de privação, que sofre racismo, preconceito, segregação e tudo, mas levanta a cabeça e fala, você não pode ter medo de pensar. É maravilhoso, porque pensar é a libertação. Para além de qualquer outra estratégia, primeiro a gente tem que pensar, ter coragem de pensar”.

O líder indígena afirmou que o impacto ambiental que o planeta experimenta aponta para um futuro muito sombrio.

Citou a líder ambientalista sueca, Greta Thunberg, que afirma: “os adultos roubaram o futuro da minha geração”. Ela convocou os seus colegas a não ir para a escola na sexta-feira. Então a semana escolar agora é de segunda a quinta, porque sexta-feira é o dia de fazer protesto. “Quer dizer, ela introduziu uma nova disciplina no currículo, que é protesto”.

Krenak aproveitou para explicar que: “se a gente pensar que vamos criar uma educação de excelência e preparar a próxima geração, isso é uma outra ideologia protelatória. Tipo assim, o planeta quando ficar ruim mesmo, quem vai sofrer com isso não sou eu, são os nossos descendentes. E a outra hipocrisia é dizer que esse período de agravamento do clima no planeta vai ser resolvido”.

Ele prosseguiu dizendo: “se a educação é uma atribuição do mundo adulto, ao transmitir conhecimento para as novas gerações, a fim de darem conta do mundo, a gente falhou. Isso põe em xeque a nossa própria ideia de educação.Tem muita gente convencida ainda de que pode pegar as novas gerações, enquadrar as novas gerações e reproduzir no pensamento das novas gerações as ideologias extravagantes que nos deram sobrevivência até ontem”.

Krenak finalizou lembrando que “a secura dos nossos rios, a mudança dos climas regionais, o desaparecimento de alguns desses ecossistemas que a gente achava que era eterno, agora a gente está vendo que não é. Nós estamos vendo que não é porque temos a possibilidade de fazer o teste vivo, visual. Vocês sentem aqui a mudança da temperatura no corpo”.

*Com informações da Agência Belém

Tocantins tem potencial para produção de insumos agrícolas, aponta estudo do SGB

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Foto: Divulgação/SGB

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) apresenta uma pesquisa sobre o potencial agromineral de Tocantins, destacando alternativas para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados. O Informe de Recursos Minerais ‘Avaliação do Potencial Agromineral no Brasil – Área: Estado do Tocantins‘, que é parte do programa Mineração Segura e Sustentável, visa avaliar descartes da mineração ou de depósitos ainda não explorados, que possam ser usadas como fontes de nutrientes para a agricultura.

O estado foi escolhido devido à sua diversidade geológica e por integrar a fronteira agrícola Matopiba (que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), uma das regiões mais promissoras para o agronegócio. Tocantins é destaque na produção de grãos e frutas tropicais, além de abrigar empreendimentos minerários com potencial para o uso de rochas agrícolas.

Foram analisadas 326 amostras de rochas coletadas em diversas áreas do estado. Entre os destaques estão:

  • Garimpos de esmeraldas em Monte Santo: os biotita-xistos, associados às esmeraldas, contêm nutrientes como potássio (K), magnésio (Mg), cálcio (Ca), ferro (Fe), silício (Si) e manganês (Mn).
  • Mineração Rodolita, em São Valério da Natividade: rochas como biotititos e flogopititos são fontes de potássio, manganês, ferro e silício.
  • Basaltos do nordeste do estado (Filadélfia e Palmeiras do Tocantins): essas rochas fornecem nutrientes essenciais, como cálcio, magnésio, potássio, ferro, silício, níquel e manganês.
  • Paragnaisses da Formação Xambioá próximo a Araguaína: os finos do produto da lavagem do pó de brita dos biotita-xistos fornecem potássio, magnésio, cálcio, silício e ferro.

Além disso, há depósitos de rochas fosfatadas e de gipsita, utilizados como fertilizantes, além de pedreiras de calcário, que fornecem produtos para correção da acidez do solo. Essa etapa é fundamental para ser aplicada antes ou junto ao pó de rocha.

Redução da dependência de fertilizantes importados

De acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, atualmente o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que usa. Os números indicam que esse quadro de dependência externa deve se manter por um bom tempo. O Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), lançado em 2022 pelo governo federal, tem como meta reduzir a importação de 85% para 45% até 2050.

O uso de remineralizadores é uma alternativa sustentável e econômica, capaz de fornecer macro e micronutrientes para o sistema solo/planta na agricultura.

Próximos passos

Embora os dados químicos e mineralógicos confirmem o potencial do Tocantins, estudos agronômicos, em parceria com outras instituições, ainda são necessários para confirmar sua eficiência em diferentes tipos de solos e culturas.

O informe representa mais uma fonte de informações indispensável para a atração de novos investimentos no uso de remineralizadores de solo a partir de descartes da mineração, fornecendo insumos não tradicionais para o setor agrícola, contribuindo para impulsionar as economias regional e nacional.

*Com informações do SGB

Assembleia Legislativa do Pará reconhece Bloco Império Romano patrimônio cultural imaterial do Estado

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Foto: Reprodução/Facebook-Bloco Império Romano

O Bloco Recreativo Carnavalesco Líbero-Musical e Antifóbico “Império Romano”, de Belém, foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado pela Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). O reconhecimento ocorreu no dia 3 de dezembro, por meio do projeto de Lei Nº 600/2023, proposto pela deputada Lívia Duarte (PSOL).

O bloco carnavalesco foi fundado em 1970 e é realizado sempre no dia 25 de dezembro, dia de Natal, nos bairros do Reduto e Umarizal. Aprovado por unanimidade, o PL deve ir para sanção do governo.

Biotecnologia é aliada para inovar na produção de mudas in vitro da Amazônia

Foto: Ayrton Lopes/Decon Fapeam

Em Manaus (AM), pesquisadores têm utilizado a biotecnologia para garantir mudas de espécies nativas da Amazônia de alta qualidade e uniformes para os setores agroflorestal, medicinal e ornamental. A iniciativa faz parte do projeto ‘Biotecnologia 4.0: Biofábrica de Plantas in vitro’ e visa produzir mudas com uma velocidade maior do que os métodos convencionais, para espécies de valor econômico como pau-rosa, copaíba, sucuuba e jucá. O projeto conta com o apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Coordenado pelo doutor em Biotecnologia e Biodiversidade, Daniel da Silva, da empresa ‘Magnus Amazônia‘, a ação amparada pelo Programa Centelha Amazonas 2, utiliza uma técnica identificada como micropropagação, que consiste numa clonagem de plantas em escala industrial. A tecnologia de micropropagação pode produzir milhares de mudas geneticamente idênticas e livres de doenças em um tempo menor que os métodos tradicionais.

Foto: Ayrton Lopes/Decon Fapeam

O pesquisador explica que a produção de mudas de alta qualidade, por meio da biotecnologia, contribui para a recuperação de áreas degradadas, a conservação da biodiversidade e a geração de renda para as comunidades locais. Além disso, a utilização de espécies nativas fortalece a economia regional e promove o desenvolvimento de produtos com alto valor agregado.

Benefícios

Entre os benefícios destacam-se a uniformidade, ou seja, todas as mudas produzidas por micropropagação são geneticamente idênticas à planta mãe, o que garante um crescimento uniforme e características homogêneas. As mudas também são livres de doenças e pragas, aumentando significativamente suas chances de sobrevivência após o plantio.

Por ser um processo mais rápido também permite a produção de um grande número de mudas em um curto período de tempo, dessa forma agiliza os processos de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas. A técnica contribui ainda para a multiplicação de espécies ameaçadas de extinção, favorece a conservação da biodiversidade.

Parceria

A empresa Magnus Amazônia mantém parceria com instituições de ensino, como a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Inpa, por meio da integração de alunos de pós-graduação dos cursos de biotecnologia e ciências florestais, respectivamente, em seus projetos de pesquisa, o que fortalece a capacidade de inovação e a aplicação de novas tecnologias no setor de bioeconomia.

*Com informações da Fapeam