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Do resgate ao acolhimento: a vida tranquila de uma anta no Bosque dos Papagaios

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Anta no Bosque dos Papagaios. Foto: Andrezza Mariot/SEMUC/PMBV

No Parque Ecológico Bosque dos Papagaios, bairro Paraviana, em Boa Vista (RR), em meio às árvores e os pássaros coloridos, vive uma anta dócil e tranquila. Apesar da agitação das aves, que não param de tagarelar, o animal segue calmo, mastigando folhas, frutas, verduras e legumes que fazem parte da alimentação diária.

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Moradora desde 2023, quando foi resgatada, a anta tem pelagem escura, focinho alongado e flexível, semelhante a uma pequena tromba. De acordo com o diretor do Parque Ecológico, Luciano Ibiapina, por se tratar de um animal extremamente dócil, ela não tem condições de ser reintegrada à natureza.

“Essa anta era criada em cativeiro no município de Cantá e foi resgatada pelo Cetas [Centro de Triagem de Animais Silvestres]. Como se trata de um animal selvagem, os visitantes precisam respeitar o espaço dela, não podem tocá-la, nem alimentá-la. Aqui no bosque, ela tem uma vida tranquila”, disse.

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Anta no Bosque dos Papagaios. Foto: Andrezza Mariot/SEMUC/PMBV

Animal chama atenção de visitantes

Com 5 anos, apesar de ter porte robusto e patas fortes, a anta é um animal geralmente tímido e de hábitos noturnos. Jhonata Kauan, de 17 anos, tem ido ao Bosque dos Papagaios com frequência para fazer a trilha e admirar os animais que vivem no local, sem contar que garante muitas fotos dos moradores do parque.

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“Esta é a terceira vez que eu venho ao bosque. Gosto de observar os animais mais de perto. É bom saber que tem lugares como esse que aceitam animais e ajudam o meio ambiente. Dentre todos os bichos daqui, a anta me chama atenção, pois tem grande porte, sem contar que é bem bonitinha”, contou.

Anta no Bosque dos Papagaios. Foto: Andrezza Mariot/SEMUC/PMBV

Funcionamento do Bosque dos Papagaios

Com exceção das segundas-feiras, feriados e pontos facultativos, o horário de funcionamento do bosque é das 8h às 18h. Aos fins de semana, é das 8h às 12h e das 14h às 18h. Vale ressaltar que no local não é permitido a entrada de animais domésticos e consumo de alimentos e bebidas alcoólicas nas trilhas, dentre outros.

QUIZ: você sabe dizer o que é verdade ou mentira sobre a região amazônica?

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Você sabia que algumas das histórias mais inacreditáveis sobre a Amazônia são, na verdade, verdadeiras? Em alusão ao Dia da Mentira, celebrado em 1º de abril, a equipe do Portal Amazônia preparou um quiz especial para desafiar seus conhecimentos sobre curiosidades da maior floresta tropical do mundo.

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Mitos e fatos surpreendentes fazem parte do universo amazônico. Mas será que você consegue distinguir o que é verdade e o que não é? Teste seus conhecimentos e descubra:

5 mentiras famosas sobre o Acre

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Memes que circulam na internet questionam a existência do estado do Acre. Foto: Reprodução

O popular Dia da Mentira, “comemorado” no dia 1º de abril, faz com que as pessoas “preguem uma peça” em familiares e amigos. O Acre, inclusive, já foi — e ainda é — alvo de muitas mentiras.

Fora do estado, mentiras sobre a própria existência do estado mais ocidental do Brasil sempre foram muito populares entre os brasileiros. Entre as que se tornaram populares estão:

  • A clássica “o Acre não existe”;
  • O Acre tem dinossauros;
  • O Acre não tem internet;
  • O Acre é tão distante que leva dias para chegar;
  • O Acre foi trocado por cavalo.

Mas, e aí, é verdade ou mentira? Veja mais abaixo a explicação para cada uma dessas histórias:

O Acre não existe

Essa é, provavelmente, a mentira mais famosa envolvendo o Acre. Muitas pessoas, principalmente de fora da região Norte do Brasil, fazem essa brincadeira, dizendo que o Acre é um “estado fictício”, uma espécie de “lenda urbana”.

    Isso surgiu devido à localização do estado, além do fato de que o Acre demorou a ser amplamente integrado ao resto do Brasil. O Acre é um estado legítimo, com cultura, história e uma população vibrante. O Grupo Rede Amazônica fez uma reportagem que explica algumas das razões pelas quais a piada surgiu.

    “O Acre, durante muito tempo, ficou geograficamente isolado. Quando surgiu o [território do] Acre, propriamente dito, a partir do Tratado de Petrópolis, em 1903, até 1960, quando surgiu a BR-364, voos de aviões a partir da década de 1940, principalmente de 1950 para cá, o Acre era totalmente isolado. Então, aí vem esse isolamento histórico, geográfico. Levou-se a essa coisa da inexistência do Acre”, comentou o historiador Airton Chaves da Silva, da Universidade Federal do Acre.

    Leia também: ‘O Acre existe?’ Saiba como surgiu a piada sobre a existência do Estado

    O Acre tem dinossauros

    Essa também é uma das maiores fantasias relacionadas ao Acre. A ideia é que, por ser uma região de floresta densa e difícil de explorar por completo, o Acre seria um lugar onde dinossauros teriam sobrevivido à extinção e estariam vivendo secretamente.

      Essa história é, claro, completamente infundada. Os dinossauros foram extintos há cerca de 65 milhões de anos e não existem mais vestígios de dinossauros vivos em qualquer parte do mundo.

      Mas o Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal do Acre (Ufac) possui um acervo com mais de 6 mil peças de fósseis de animais que viveram entre 5 e 8 milhões de anos na região amazônica. Entre as peças mais famosas estão o crânio de um Purussauro – um réptil pré-histórico –, o fóssil de um Jabuti Gigante e o de um “super-jacaré”.

      Leia também: Purussaurus brasiliensis: o jacaré com a mordida mais potente do mundo viveu na Amazônia

      Dinossauro não tem. Por enquanto, só o fisiculturista Ramon Dino e o personagem fictício Dino do Acre.

      O Acre não tem internet

      Apesar de o Acre ter sido uma das últimas regiões do Brasil a se integrar ao resto do país em termos de comunicação e infraestrutura, o estado tem sim acesso à internet, transporte e outros serviços básicos.

        Claro, existem desafios devido à sua localização geográfica, mas é longe de ser um “deserto digital” como algumas pessoas costumam pensar.

        O Acre é tão distante que leva dias para chegar

        Embora o Acre seja, de fato, o estado mais ocidental do Brasil, a ideia de que é necessário “dias” para chegar lá é completamente infundada. Com a construção de rodovias e melhorias na infraestrutura, é possível chegar ao Acre em poucas horas de voo, inclusive a partir de grandes centros urbanos, como São Paulo e a própria capital Brasília.

          Mesmo que o estado tenha suas peculiaridades geográficas, isso não significa que o estado esteja isolado. Com a comunicação via internet, transporte aéreo frequente e até viações rodoviárias que conectam o estado a outras partes do Brasil, o Acre está bem integrado com o resto do país.

          Isto está ligado também a questões históricas de que criminosos eram mandados ao Acre como forma de punição.

          “No início da história, pessoas eram enviadas para o Acre como forma de punição. Alguma situação de guerra, de conflito que tinha aqui no país, presos políticos, as cadeias estavam cheias, então pegavam essas pessoas e enviavam para o Acre. Essa questão foi representada, foi noticiada nos jornais, tinham charges políticas que falavam de isso, de uma ideia de vir pro Acre como uma punição”, diz a pesquisa da jornalista Giselle Lucena, da Ufac.

          O Acre foi trocado por cavalo

          Segundo o historiador Marcos Vinicius Neves, a história tem um fundo de verdade, mas o resultado é mentira, já que o Acre foi anexado como território brasileiro somente com a assinatura do Tratado de Petrópolis, em 1903. A história do cavalo vem de antes.

            Na época, o Brasil vivia a guerra do Paraguai, quando coube a Mariano Melgarejo, presidente da Bolívia, conhecido como El Loco Melgarejo, negociar as questões fronteiriças com o cônsul brasileiro Regino Correa.

            “El loco era um ditador sanguinário e era apaixonado por cavalos de raça. O cônsul brasileiro, muito esperto que era, aproveitou esse ponto fraco e, para adquirir a maior vantagem possível pro Brasil, condecorou o presidente da Bolívia com duas medalhas brasileiras e presenteou Mariano com um cavalo de raça puro sangue inglês”, conta Neves.

            Envaidecido com o presente, o presidente boliviano propôs que os dois países não brigassem ainda por terras desconhecidas e, sendo assim, apontando no mapa, doou “dois dedos de terra” para o governo brasileiro. Assim, assinam o Tratado de Ayacucho, em 1867.

            De fato existiu um presente, que não era uma negociação. Só que, segundo Neves, esse ‘regalo’ gerou boa vontade do presidente da Bolívia, que presenteou o Brasil com um triângulo enorme de terras. Porém, as terras ao norte da linha oblíqua Cunha Gomes nunca fizeram parte do território acreano.

            Leia também: A verdade por trás do mito: Acre foi trocado por um cavalo?

            Como surgiu o dia da mentira?

            Entre os registros que justificam a criação do Dia da Mentira estão um do século 16, quando o Papa Gregório 13 criou um novo calendário que mudou a data do ano novo de março para janeiro. A mudança teve resistência de parte da população francesa.

            Para zombar dos “revoltados” com o novo calendário, pessoas convidaram “os inconformados” para festas inexistentes em 1º de abril, marcando uma tradição de zombaria.

            Outra história faz menção à criação da tradição no Brasil. Em 1° de abril de 1828, o jornal “A Mentira” publicou em sua capa a falsa notícia da morte de Dom Pedro I.

            *Por Renato Menezes, da Rede Amazônica AC

            Preguiça-de-bentinho: a vida calma e solitária de um habitante da Amazônia

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            Foto: Eduardo Gomes/Acervo INPA

            A preguiça-de-bentinho (Bradypus tridactylos), também conhecida como preguiça-de-três-dedos, é uma das espécies mais conhecidas da fauna amazônica. Sempre lembrada por sua movimentação lenta e seu estilo de vida solitário, essa espécie é um exemplo vivo da adaptação dos animais ao ambiente florestal amazônico.

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            Com um comprimento médio de 60 centímetros, incluindo a cauda, e pesando cerca de 5 quilos, a preguiça-de-bentinho passa a maior parte do tempo nas copas das árvores, onde encontra alimento e abrigo.

            Leia também: Como o bicho-preguiça se hidrata na floresta amazônica?

            Foto: Vanessa Gama/MUSA

            Apesar de sua aparente letargia, a preguiça-de-bentinho é bem adaptada ao seu hábitat. Seu metabolismo extremamente lento permite que sobreviva com uma dieta pobre em energia, composta basicamente de folhas. Essa alimentação, aliada a uma digestão que pode durar dias, faz com que o animal desça ao solo apenas uma ou duas vezes por semana para urinar e defecar.

            Sua rotina também inclui longos períodos de sono. Estudos apontam que a espécie dorme em média 14 horas por dia, se mantendo ativa tanto durante o dia quanto à noite. Quando se movimenta, geralmente o faz no período noturno, aproveitando as temperaturas mais amenas da floresta.

            A preguiça-de-bentinho possui uma pelagem marrom-acinzentada, com uma mancha amarelada na testa e na garganta. Essa coloração, aliada à presença de algas em seus pelos, permite que o animal se camufle entre a vegetação, dificultando sua detecção por predadores como onças e aves de rapina.

            Leia também: 4 curiosidades peculiares sobre os bichos-preguiça

            Quando ameaçada, a estratégia principal é, claro, manter-se imóvel, confiando na sua camuflagem para evitar ataques. Seus predadores podem ser de sucuris à onças-pintadas.

            Onde vive a espécie?

            De acordo com informações do ICMBio, é uma espécie que pode ser encontrada no Amapá, Amazonas, Pará e Roraima (Brasil), além da Guiana Francesa, Guiana, Suriname e Venezuela.

            Apesar das ameaças causadas pelo desmatamento e pela perda de hábitat, a preguiça-de-bentinho ainda é considerada abundante em áreas protegidas, como a Reserva Biológica Adolpho Ducke (AM), o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (PA) e o Parque Nacional do Viruá (RR).

            Repelente sustentável é desenvolvido em Manacapuru com ajuda de estudantes

            Foto: Erico Xavier/Arquivo Fapeam

            Um grupo de estudantes da Escola Estadual Nossa Senhora de Nazaré, em Manacapuru (AM), está na vanguarda de uma inovação que pode mudar a forma como doenças transmitidas por mosquitos são combatidas. O projeto, intitulado ‘Inovação Amazônica: Repelente Sustentável que promete revolucionar a luta contra mosquitos’, sugere um modo sustentável para lidar com os transmissores da dengue e da malária.

            Sob a coordenação de Alessandro dos Santos Couto e com a participação dos bolsistas Felipe de Souza Gomes, Lauane Marcele Araújo de Oliveira e Neldilene Lima da Cruz, o projeto de prototipagem de um repelente à base do óleo da semente da seringueira está alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e as diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

            Ciência e tecnologia contra o mosquito

            O projeto é realizado com apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), via Programa Ciência na Escola (PCE). O texto é compartilhado da edição especial da Revista PCE 20 anos. Leia AQUI.

            Contemplado no edital nº 004/2022, que se destaca na área de Ciências Exatas e da Terra, propôs uma solução criativa para um problema antigo: a proliferação de doenças como dengue e malária. Utilizando um processo de extração que envolve secagem, moagem, cozimento, destilação e condensação, os alunos conseguiram isolar o óleo essencial da semente da seringueira. Este óleo é então misturado com uma base neutra alcoólica para criar um repelente eficaz, capaz de formar uma barreira protetora contra mosquitos

            Um impacto socioeconômico e ambiental positivo

            Além de seu potencial científico, o repelente natural oferece benefícios econômicos e sociais significativos. Ele representa uma alternativa sustentável e acessível aos repelentes convencionais, podendo ser produzido localmente e contribuir para a economia da região amazônica.

            Ambientalmente, o projeto contribui para a redução das doenças sazonais e promove o uso consciente dos recursos naturais, reutilizando as sementes da seringueira para um propósito nobre.

            Desafios e conquistas

            Os desafios enfrentados durante a prototipagem incluíram a falta de equipamentos adequados para a extração do óleo, mas a perseverança e a inovação permitiram superar essas barreiras, segundo informou o professor. O apoio do Programa foi crucial, incentivando os alunos a desenvolverem suas habilidades e a aplicarem o conhecimento científico em soluções práticas.

            “O Programa Ciência na Escola tem uma grande importância de divulgar projetos e incentivar professores e alunos da rede pública de ensino do interior a mostrar seus potenciais na execução de projetos de grande relevância como o Repelente do óleo da semente da seringueira”, declarou Alessandro.

            O futuro do repelente amazônico

            Os próximos passos para o repelente incluem aprimorar a prototipagem e garantir a eficácia e segurança do produto em larga escala. A equipe espera que o repelente não só alivie os impactos econômicos e sociais da pandemia, mas também se torne uma ferramenta valiosa no aprendizado dos alunos, inspirando-os a buscar carreiras que valorizem a ciência e a tecnologia.

            Alessandro explicou que foram produzidas prototipagens de baixa, média e alta fidelidade de repelentes a base do óleo da semente da seringueira, possibilitando preparar um produto natural sustentável de baixo custo e que poderá gerar renda a famílias que trabalhem na coleta das sementes.

            “Esperamos que a pesquisa contribua como uma forma alternativa de amenização dos impactos provocados pela pandemia no setor econômico e social com base nos manufaturados e amenize os efeitos sazonais das doenças provocadas por mosquitos como os da dengue e malária”, enfatizou o professor.

            A expectativa é de que o projeto seja útil também para o aprendizado dos alunos, contribuindo nos cursos de extensão e em suas vidas profissionais.

            Perspectiva de um jovem cientista

            Felipe de Souza Gomes, um dos alunos participantes, relatou que a experiência foi extremamente gratificante. Aprendendo técnicas como a destilação simples e o uso de estufas, ele adquiriu habilidades práticas que serão valiosas em sua futura carreira acadêmica ou profissional.

            Para Felipe, o projeto não foi apenas uma oportunidade de aprendizado, mas também uma chance de contribuir para o bem-estar de sua comunidade. “Foi muito gratificante, primeiro ano sendo bolsista Júnior, adquiri vários conhecimentos e habilidades”, comentou.

            *Com informações da Fapeam

            Multifunções? Potencial do caroço de açaí é estudado no Amapá: do asfalto a produção de energia

            Foto: Luciana Pombo

            O mundo já conhece as potencialidades alimentícias do açaí, mas cientistas estão empenhados em conhecer novas aplicações para esse fruto que é uma das maiores riquezas da Amazônia. E uma das linhas de pesquisa, desenvolvidas por pesquisadores da Universidade do Estado Amapá (Ueap) em parceria com outras instituições de ensino, identificaram diversas possíveis utilidades do produto, como a geração de energia e a produção de ligas asfálticas e biofertilizantes.

            Isso é possível através de um processo chamado pirólise, que carboniza os caroços do açaí e os transforma em carvão ativado. A partir desse material uma série de outros produtos podem ser gerados, entre eles um bio-óleo, que segundo o professor do colegiado de Engenharia Química da Ueap, Menyklen Penafort, se assemelha muito ao petróleo.

            “Nós fizemos análises em laboratório e descobrimos que esse óleo tem propriedades químicas muito parecidas com o petróleo, o que pode permitir a produção de subprodutos que esse material também gera, como biogasolina, querosene verde, diesel verde, bioligante asfáltico, biofertilizantes e bioinseticida”, relatou o professor.

            Leia também: Bio-óleo produzido a partir do caroço de açaí no Amapá pode ser alternativa ao gás e petróleo

            A pesquisa faz parte de um projeto mais amplo coordenado pelo professor Nélio Machado, da Universidade Federal do Pará (Ufpa), intitulado ‘Gasolina Verde’ que, além do açaí, também utiliza caroços de tucumã na produção de combustíveis.

            O objetivo do grupo é apresentar os resultados na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30) marcada para novembro deste ano, em Belém, no Pará. 

            Energia Verde

            O grande diferencial do projeto é que a produção do insumo é sustentável, já que todo gás carbônico produzido é absorvido pelo processo de fotossíntese dos açaizeiros que eventualmente serão plantados para alimentar o ciclo.

            Além disso, o processo aproveita um resíduo que seria descartado no meio-ambiente e que representa 80% do fruto – apenas o restante é aproveitado para o consumo.

            Núcleo de Energia e Biorrefinaria Sustentável da Amazônia

            Para desenvolver projetos como o do bio-óleo de caroço de açaí, a Ueap está estruturando o Núcleo de Energia e Biorrefinaria Sustentável da Amazônia (NEBSA), que terá suas ações focadas pesquisa, consultoria e inovação em tecnologias limpas, com foco em energias renováveis, biocombustíveis e valorização de resíduos da Amazônia.

            Outro projeto que também envolve o caroço do fruto regional é o Açaí Biogás Prime, que utiliza uma miniusina experimental, demonstrando na prática como o caroço de açaí pode ser convertido em biogás, produto que pode ser utilizado para geração de energia elétrica e produção de biofertilizantes.

            *Com informações da UEAP

            O clamor silencioso dos pets na enchente do Madeira

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            Cachorros na comunidade de Nazaré, no Baixo Madeira. Fotos: Divulgação

            Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

            As águas do rio Madeira continuam a subir, engolindo espaços, esperanças e histórias. As comunidades ribeirinhas em Porto Velho, em Rondônia, lutam contra essa força implacável da natureza que não distingue, não perdoa. A defesa civil da prefeitura age para atender às pessoas, mas há vítimas silenciosas que também sofrem – os pets e animais silvestres, relegados à sombra da tragédia.

            Esses seres, que também experimentam dor, medo e alegria, são agora prisioneiros de um destino cruel. Muitos enfrentam ataques de jacarés, picadas de cobras e o abandono. Sem suprimentos básicos, eles padecem à própria sorte. Alguns, encolhidos em ilhas de lama, esperam por um resgate que talvez nunca chegue. Outros, que outrora eram companheiros leais, agora olham ao redor em busca de qualquer fragmento de esperança.

            Mas onde há humanidade, há também solidariedade. Professores, acadêmicos dos cursos de Geografia e Direito da Universidade Federal de Rondônia e voluntários de toda parte lançaram uma campanha com um nome que carrega o peso de sua missão: Direito à Vida: Ajude a Salvar um Pet da Enchente do Rio Madeira. Nos meses de março e abril, essa iniciativa apoia a Associação Voluntário Animal, que trabalha incansavelmente em prol dos animais ribeirinhos. Eles precisam de abrigos, alimentos, medicamentos, cobertores – qualquer coisa que possa devolver dignidade aos que também chamam Rondônia de lar.

            Carlitos, um cão que sobreviveu ao ataque de um jacaré, arrasta-se com feridas abertas. Belinha, uma gata de olhos grandes e assustados, sumiu de sua família. E tantos outros têm histórias não contadas, mas igualmente urgentes. Quem puder, doe. Não apenas ração E medicamentos – doe um pouco de esperança.

            As doações podem ser feitas diretamente à Associação Voluntário Animal, pelo telefone (69) 99349-7742, ou à Clínica Veterinária Paraíso dos Animais, pelo número (69) 99972-8519, ambas em Porto Velho (RO). Nessa corrente de ajuda, cada ato tem o poder de salvar uma vida.

            Porque a luta pela sobrevivência não pertence só aos humanos. Que tal ser o próximo a fazer a diferença? Esses pequenos companheiros esperam, e você pode ser a mão amiga que muda o curso do seu destino.

            Sobre o autor

            Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

            *O conteúdo é de responsabilidade do colunista

            O amazônida e o ato mágico de escrever

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            Foto: Jan Santos/Acervo pessoal

            Por Jan Santos – jan.fne@gmail.com

            Como tenho dito em textos recentes, acredito firmemente que escrever é uma forma de magia.

            Não digo isso como um exagero, eu realmente acho que o ato da escrita se trata de uma maneira de afetarmos a realidade de forma quase sobrenatural.

            O primeiro texto literário do mundo, afinal, foi escrito por uma alta-sacerdotisa mesopotâmica, Enheduanna, em honra à deusa Inanna. Trata-se de um texto que combina a criação poética com a experiência religiosa, evidenciando que, desde sua concepção, a escrita tem raízes mágicas.

            As runas nórdicas, os ogham celtas e até mesmo os salmos cristãos são exemplos de como a escrita é compreendida como uma maneira de organizar intenções para garantir que a realidade seja transformada, ou para que tenhamos alguma forma de controle sobre ela.

            Afinal, todos crescemos com a ideia de que “palavras têm poder”. 

            No livro de Gênesis, vemos que o Deus hebraico formou todas as coisas, mas coube ao ser humano o último ato criador: nomear cada elemento do mundo recém-feito. Em Língua Portuguesa, nossos enunciados (leiam-se “frases”) mais desenvolvidos são compostos de dois grupos de palavras (chamados de sintagmas), cujos núcleos são sustentados por duas classes de palavras em específico: os substantivos e os verbos. Dessa forma, não é estranho que o ato de nomear, de substantivar, dar substância, seja entendido como um ato mágico.

            Dando nome, Adão concede a existência às coisas, chamando-lhes à realidade. Se o ser humano é associado à substância no Gênesis, em João, ao lermos que “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”, a construção da frase fica completa, pois o verbo é ação, o substantivo em movimento. Dessa forma, o ato de enunciar – produzir frases – traduz em linguagem a ação que é conferida à matéria, em um movimento consciente de criação verbal.

            Nessa compreensão, dar nome é dar vida à matéria, mas é o “sobre-natural” – ou talvez, o ato mais natural do mundo – que lhes anima, que lhes confere alma, que lhes põe em movimento. Proferir (“declarar”, “trazer à frente”) é um ato de poder, daí a noção de que o profeta é quem anuncia as palavras de um ser superior, organizando em palavra, em narrativa, a vontade dos deuses.

            Sempre achei curioso a quantidade de sentidos na palavra inglesa “spell”, que se deriva de uma versão arcaica da língua germânica. Em inglês, ela tanto se traduz como “soletrar” quanto “feitiço”, mas não qualquer feitiço: trata-se de um feitiço falado, narrado, uma vez que, em suas raízes germânicas, também se associa com “contar”, “narrar”. Entendo “spell” como “amarrar em palavra”, e se levarmos para o contexto esotérico, relaciona-se com todo ato mágico que envolve a enunciação.

            O mesmo se dá com a palavra “maldição”. Do latim “maledicere”, “dizer mal”, refere-se à toda palavra “mal-dita”, dita para o mal. Em nosso contexto ocidental, é a forma mais ilustrativa da relação entre pronunciar e enfeitiçar, uma vez que sua ação, ainda que pouco salientada, é profundamente temida. Afinal, há quem diga que “maldição de mãe” é eterna, e temos medo de falar sobre coisas que tememos justamente pelo medo de atraí-las. Não seria esse um ato de invocação?

            Os sons e intenções que amarramos em palavras revelam um potencial imenso, tanto de criação quanto destruição. Nesse sentido, qual seria o papel do escritor, senão acionar os dois gumes dessa lâmina?

            Quando falamos de representatividade em mídias, em aqui foco especialmente em literatura, falamos em trazer à existência, por meio da palavra, vivências e experiências que Adão não teve no início dos tempos. Ou que adãos, sendo humanos, não conhecem, de modo que não podem pronunciá-las, dar-lhes vida. 

            Quando um amazônida fala sobre sua realidade, quando transforma em prosa ou poesia aquilo que sente, que enxerga, que vive, dá forma a um mundo que a maioria das pessoas desconhece. Escrever, assim, é um ato consciente de criação, de manifestação, a revelar um Éden que os adãos ignoram.

            Foto: Jan Santos/Acervo pessoal

            Não à toa, os povos indígenas celebram a força ativa da oralidade, pois é na palavra falada que se concretiza matéria e movimento.

            As paragens amazônicas, lar de tantas gentes, ainda têm uma infinidade de édens a revelar, pois têm uma infinidade de adãos e evas a contar suas histórias. É nesse ponto que, entre criar e destruir, a escrita também revela sua propriedade mais potente: a de curar.

            Nosso passado colonial nos impõe um presente tortuoso, pautado pelas vontades de um mundo que há muito tempo deixou de pensar em magia. Presos apenas na matéria sem movimento, em um substantivo morto, que tem preço mas não valor, somos esvaziados também dessa magia, de uma potência criativa que jaz latente em nosso sangue.

            Estamos doentes, fracos, amarrados nos dizeres do expediente.

            Quando nos calamos, deixamos de bendizer, de maldizer, de atingirmos uma forma mágica de existência. No entanto, há algo mágico em compartilhar histórias, em saber que não estamos doentes sozinhos, e nisso, encontramos possibilidades de cura.

            Escancarar as mazelas de nosso passado colonial e oferecer nossas contribuições para curá-lo é como sarjar um tumor. Aceitar a dor da cura é uma sensação que, me arrisco dizer, toda pessoa que escreve deve abraçar para produzir um bom texto, pois, da mesma forma que o ferimento não foi individual, a cura também precisa ser coletiva.

            Contemos nossas histórias, cantemos nossas toadas, tragamos à realidade nossas dores e nossos deleites.

            Quem escreve sabe que pôr em palavras o que nos assombra é materializar o abstrato, é dar nome ao que nos dói, e, dando nome, damos a essa dor um limite. Verbalizando, damos movimento ao que nos estagna, e podemos, quem sabe, conjurar curas.

            Diferente das outras colunas que escrevi, este texto é também minha forma de buscar uma cura, pois, enquanto escritor amazônida, tenho apenas uma crença quando me encontro profundamente desacreditado de tudo:

            Palavras têm poder.

            Sobre o autor

            Jan Santos é autor de contos e novelas, especialmente do gênero Fantasia. Mestre em Literatura pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e com graduações em Língua Portuguesa e Inglesa, é um dos membros fundadores do Coletivo Visagem de Escritores e Ilustradores de Fantasia e Ficção Científica, além de vencedor de duas edições dos prêmios Manaus de Conexões Culturais (2017-2019) e Edital Thiago de Mello (2022).

            *O conteúdo é de responsabilidade do colunista

            Ameaça: garimpo ilegal está a 1 km da segunda árvore mais alta da Amazônia

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            Angelim Vermelho: maior árvore da Amazônia localizada na fronteira do Amapá e do Pará. Foto: Reprodução/Arquivo GEA

            Imagens de satélite divulgadas pelo Ministério Público do Amapá mostram que um garimpo ilegal de ouro está a apenas um quilômetro da segunda árvore mais alta da Amazônia, um Angelim-vermelho de 85 metros de altura.

            Leia também: Maior que o cristo redentor: conheça o Angelim Vermelho, a árvore mais alta da Amazônia

            A árvore foi apontada como 2ª mais alta da Amazônia por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) em levantamentos de 2018 e 2019, em um santuário de árvores gigantes na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru, em Porto Grande. A árvore mais alta tem 88,5 metros.

            Garimpo ilegal de ouro está a apenas um quilômetro da árvore mais alta do Amapá e segunda maior da Amazônia. Foto: Reprodução/MP-AP

            Saiba mais: Pesquisadores alcançam pela primeira vez a maior árvore da Amazônia

            Em outubro do ano passado, a Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público do Amapá recomendou que a Secretaria de Meio Ambiente do Amapá (Sema) monitorasse a região por conta do perigo dos garimpos para o santuário das árvores gigantes.

            Foi solicitado ainda que a secretaria criasse mecanismos de proteção no raio de um quilômetro ao redor de cada árvore gigante.

            “[Que a Sema] Declare como área de preservação permanente o raio de um quilômetro a partir da localização de cada uma das espécies tornadas imunes a corte, derrubada ou qualquer outra exploração econômica. A necessidade de proteção dessas áreas e de sua área de entorno em razão de sua raridade, beleza e importância para a biodiversidade amazônica”, disse na recomendação o promotor Marcelo Moreira, da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e Conflitos Agrários.

            A região abriga pelo menos três grandes garimpos ilegais. No dia 11 de fevereiro deste ano, a barragem de um desses garimpos se rompeu, provocando a liberação de rejeitos de minério no rio Cupixi e graves problemas ambientais na região.

            Segundo o MP, as primeiras informações oficiais sobre a presença de garimpeiros e a extração ilegal de ouro na região são de fevereiro de 2022.

            O santuário

            As árvores na reserva de desenvolvimento sustentável foram localizadas em 2021 por pesquisadores. O Angelim-vermelho encontrado na reserva é a maior árvore do Amapá e mede de 85,44 metros de altura, o dobro da média das árvores na Amazônia – que varia 40 e 50 metros de altura.

            Para o pesquisador Eric Bastos Gorgens, do departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), que participou do projeto que identificou a existência das árvores gigantes no Amapá e Pará, a situação é preocupante.

            O cientista descreveu que, por não passar por processo de licenciamento, os garimpos ilegais não avaliam os riscos que levam ao meio ambiente.

            “O garimpo ilegal é uma ameaça ao nosso patrimônio natural. Quando a gente faz uma intervenção não planejada, não licenciada, a gente nunca tem certeza se os cuidados, sejam eles ambientais ou sociais, estão sendo seguidos”, disse o pesquisador.

            Leia também: Mistérios das árvores gigantes da Amazônia são investigados por pesquisadores

            Árvore mais alta já mapeada no Amapá tem 85,44 metros de altura e, na Amazônia, tem 88,5 metros. Foto: Divulgação/Ifap

            Gorgens destacou ainda que o processo de retirada da vegetação sem os devidos estudos, compromete um patrimônio que é de todos os brasileiros. Descreveu ainda que o principal mecanismo de proteção são as unidades de conservação.

            “Você vai ter duas grandes categorias, que são as unidades de proteção integral, onde a gente não pode executar nenhuma atividade nessas áreas de exploração. E nós temos as unidades de conservação de uso sustentável, que são unidades que permitem uma exploração mediante um plano de manejo devidamente aprovado”, explicou o pesquisador.

            Árvores gigantes da Amazônia

            Os angelins-vermelhos foram detectados inicialmente em 2018 durante uma pesquisa com sensores aeroembarcados do Inpe com a UFVJM.

            Em 2019, pesquisadores realizaram a primeira expedição até o santuário, onde existe a maior árvore, com 88,5 metros de altura (equivalente a um prédio de 30 andares). Os pesquisadores consideram gigantes as árvores que têm mais de 80 metros na região, ou seja, o dobro do dossel da floresta.

            A diferença na média de altura é estudada pelos pesquisadores que compõem o projeto Monitoramento Integrado das Árvores Gigantes da Amazônia, coordenado pelo Instituto Federal do Amapá (Ifap), em Laranjal do Jari.

            *Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

            Entenda o que são barreiras sanitárias e sua importância para povos indígenas na Amazônia

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            Foto: Reprodução/Emergência Indígena APIB

            As barreiras sanitárias são medidas implementadas pelos governos para proteger a saúde humana, animal e vegetal contra pragas e doenças. Segundo dados de 2017 do então Ministério das Relações Exteriores, essas medidas fazem parte de um conjunto de regras conhecidas como Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS, na sigla em inglês), que regulamentam tanto a produção doméstica quanto o comércio internacional de produtos agrícolas.

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            Para evitar que essas medidas se tornem barreiras comerciais indevidas, a Organização Mundial do Comércio (OMC) estabeleceu, em 1994, o Acordo sobre Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (Acordo SPS). Esse acordo determina que as medidas sanitárias adotadas pelos países devem ter base científica, ser proporcionais aos riscos envolvidos e não criar restrições comerciais desnecessárias.

            Além disso, elas devem seguir padrões internacionais definidos por organizações como:

            • Codex Alimentarius (que regula a segurança alimentar);
            • Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA);
            • Convenção Internacional de Proteção dos Vegetais (CIPV).

            Como o Brasil lida com as barreiras sanitárias?

            O governo brasileiro, por meio do Itamaraty e do Ministério da Agricultura e Pecuária, trabalha para garantir que as barreiras sanitárias impostas ao país sejam justificadas e não configurem protecionismo comercial. Entre as principais estratégias adotadas estão:

            • Monitoramento e negociações bilaterais: O Ministério das Relações Exteriores acompanha, em tempo real, restrições indevidas e busca soluções junto a outros governos.
            • Preocupações Comerciais Específicas (PCEs): Quando um país impõe barreiras sem justificativa científica, o Brasil pode apresentar reclamação formal no Comitê SPS da OMC.
            • Painéis de solução de controvérsias: Se as negociações falharem, o Brasil pode levar a questão para arbitragem internacional.
            • Acordos bilaterais e regionais: No âmbito do Mercosul e de outros tratados, o Brasil busca regras mais flexíveis e prazos rápidos para solução de disputas.

            Impactos no comércio internacional

            As barreiras sanitárias podem ser decisivas para a exportação de produtos agropecuários. Se bem aplicadas, garantem segurança alimentar e proteção ambiental. No entanto, quando usadas de forma protecionista, podem prejudicar o acesso dos produtores brasileiros a mercados internacionais.

            Por isso, é essencial que as medidas sanitárias sejam equilibradas, protegendo a saúde sem comprometer o livre comércio global.

            A Terra Indígena Uru Eu Wau Wau é demarcada. Foto: Mário Vilela/Funai

            Impacto na vida indígena

            A barreira sanitária foi além no que diz respeito às populações indígenas e tradicionais na Amazônia. Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a pandemia da Covid-19 “afetou dramaticamente a vida de toda a população brasileira”, mas desde o começo a previsão era que “a população indígena seria fortemente impactada”.

            A organização criou um site com informações sobre o processo de emergência na saúde indígena, no qual expõe, em uma linha do tempo, dados coletados desde o início da pandemia e as decisões tomadas sobre o caso.

            “O diagnóstico feito pela APIB a levou a tomar importantes providências, como fazer seu próprio levantamento independente de dados e a propor a ADPF 709 motivada pela iminência de uma tragédia. No momento em que se decidiu construir a Arguição, o Brasil registrava o já assustador número de 55 mil mortos por Covid-19 e pouco mais de um milhão de contaminados, números que aumentavam aceleradamente a cada dia”, expõe.

            A Associação explica: “no dia 29/06/2020, às 20h45, a APIB protocolou a ação que entraria para a história do constitucionalismo brasileiro. Nessa petição inicial a APIB aborda a proteção dos povos indígenas no combate à pandemia do novo coronavírus e, ao final, faz alguns pedidos ao STF. Os pedidos podem ser divididos em três grandes escopos: i) povos indígenas em geral; ii) povos indígenas isolados e de recente contato e iii) retirada de invasores de terras indígenas. No dia 08 de julho de 2020 o Ministro Luís Roberto Barroso, relator da ADPF 709 no Supremo Tribunal Federal proferiu uma decisão monocrática concedendo, cautelarmente, a maioria dos pedidos da APIB”. Leia completo AQUI.

            Assim, entre as decisões, no que se referia aos povos indígenas em isolamento ou de recente contato, estabeleceu-se a “criação de barreiras sanitárias, que impeçam o ingresso de terceiros em seus territórios, conforme plano a ser apresentado pela União, ouvidos os membros da Sala de Situação (infra)”.

            A APIB então reuniu mapas com as barreiras sanitárias propostas para a região. Confira algumas delas:

            Pará

            Roraima e Amazonas

            Rondônia

            Acre

            Mato Grosso

            Amazonas

            Maranhão

            *Com informações do Governo do Brasil e do site Emergência Indígena