A diversidade de cores e sabores de uma culinária única reunida em um roteiro gastronômico inédito. Esse é o objetivo do Projeto ‘Papa Chibé: mapa gastronômico da cidade de Belém‘, que está sendo elaborado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), para mapear 2.500 estabelecimentos ligados ao setor de bebidas e alimentação da sede da COP30 (conferência mundial sobre mudanças climáticas). A Fundação está cadastrando estabelecimentos da capital que queiram participar da pesquisa.
“O levantamento iniciou na segunda semana de janeiro e deve seguir até o final de fevereiro. A previsão é que, até abril, possamos divulgar o resultado dos dados coletados durante a pesquisa de campo”, informa Marcio Ponte, diretor de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural (Diepsac/Fapespa).
A pesquisa iniciou na Estação das Docas, um dos principais pontos turísticos de Belém, onde todos os restaurantes e lanchonetes já foram mapeados. A cada semana, um novo roteiro de visitas a estabelecimentos é montado, e novos empreendimentos são adicionados ao mapa gastronômico.
Para participar da pesquisa, os empreendimentos receberão presencialmente um pesquisador, em data e hora agendados, quando será passado um questionário com perguntas em torno de temas que vão desde a especialidade gastronômica até a localização e número de funcionários.
A análise desses dados será disponibilizada em uma plataforma on-line, com mapas indicando as rotas da culinária belenense. Para esclarecimentos adicionais, os responsáveis por empreendimentos devem entrar em contato pelo e-mail conjuntura.fapespa@gmail.com.
“No ano em que a cidade irá receber a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP 30, o mapa se torna uma estratégia eficaz para apresentar à sociedade paraense e aos visitantes do mundo a importância desse setor, e o quanto ele movimenta a economia local. Por isso, reforçamos o convite para que donos e donas de estabelecimentos ligados ao setor de bebidas e alimentação participem da pesquisa, que é inédita no Estado”, ressalta Marcio Ponte.
Estabelecimentos que têm interesse em participar da pesquisa podem entrar em contato pelo e-mail conjuntura.fapespa@gmail.com, mencionando o “Projeto Belém Papa Chibé” no assunto.
Belém está entre as quatro cidades brasileiras que possuem o título de Cidade Criativa da Gastronomia. O reconhecimento é dado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que leva em consideração características como a diversidade culinária e seu desenvolvimento sustentável e modo socialmente justo. A capital integra essa rede de cidades desde 2015, tornando-se referência na gastronomia mundial.
“Belém já é conhecida mundialmente pela sua gastronomia, mas não são só os sabores que nos importam. Importa, para nós, conhecermos quem são as pessoas que trabalham, onde estão, qual é o volume de recursos gerados e o que precisa ser feito para melhorar. É isso que a Fapespa faz de melhor: criar relatórios, levantar e gerar informações indispensáveis para a tomada de decisão. Afinal, é assim que se faz uma boa política. E é nisso que o nosso governador tem pautado toda a sua trajetória, com base na ciência, na informação qualificada para a tomada das melhores decisões para levar o Pará ao topo, como está sendo feito desde 2019”, reforçou Marcel Botelho, diretor-presidente da Fapespa.
Cerca de 50% do desmatamento na Amazônia ocorre em terras públicas, sobretudo nas Florestas Públicas Não Destinadas (FPNDs), áreas ainda sem destinação específica que somam 63 milhões de hectares na Amazônia Legal. No sul do Amazonas, onde as FPNDs cobrem 11,7 milhões de hectares, o desmatamento já alcançou 813 mil hectares até 2023 e pode destruir outros 1,4 milhões de hectares até 2050, é o que revelam estudos publicados hoje, 12 de fevereiro, pela Iniciativa de Legalidade Florestal, do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).
As consequências econômicas dessa destruição são alarmantes. A análise aponta que o desmatamento nas FPNDs do sul do Amazonas pode gerar um prejuízo acumulado de R$ 15 bilhões em 30 anos. Por outro lado, a conservação e a destinação adequada dessas áreas poderiam criar um modelo econômico sustentável, gerando bilhões de reais em receitas e fortalecendo cadeias produtivas locais.
“Ao analisarmos os impactos econômicos e ambientais, fica claro que conservar essas florestas não é apenas uma questão ambiental, mas também um imperativo econômico. O uso sustentável das FPNDs é muito mais eficiente do que sua conversão para pastagens, por exemplo”, destaca Pedro Gasparinetti, um dos autores dos estudos.
A rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, é um dos principais vetores do desmatamento no sul do Amazonas. Estima-se que 87% do desmatamento na Amazônia ocorre em áreas próximas a rodovias, e a BR-319 intensifica essa pressão ao facilitar a criação de ramais ilegais, que conectam a estrada a áreas de FPNDs, facilitando a exploração predatória.
De acordo com o estudo, as FPNDs próximas à BR-319 têm enfrentado o avanço do desmatamento e da ocupação ilegal. Mais de 52% das FPNDs federais e 77% das estaduais estão sobrepostas a registros [TC1] no Cadastro Ambiental Rural (CAR), um indício de grilagem de terras e uma prática que vem facilitando a destruição ambiental.
“Se nada for feito, o cenário da BR-319 pode se tornar semelhante ao do arco do desmatamento, onde milhares de hectares foram perdidos para atividades ilegais. É urgente implementar ações de fiscalização, destinação adequada e políticas de bioeconomia na região,” afirma Gasparinetti.
Desde 1988, o desmatamento acumulado nas FPNDs do sul do Amazonas já atingiu 813 mil hectares, o equivalente a 7% de toda a área dessas florestas. O estudo do Imaflora aponta que grande parte desse desmatamento está concentrado em áreas próximas à BR-319, onde estão a maioria das FPNDs federais, que são as mais impactadas: pelo menos 14% da área das FPNDs federais já foi desmatada, enquanto nas FPNDs estaduais o índice é de apenas 1%; cerca de 44% do desmatamento total em FPNDs federais e estaduais ocorreu entre 2019 e 2022, período de enfraquecimento das políticas ambientais no país.
O desmatamento não apenas destrói o patrimônio ambiental, mas também compromete serviços ecossistêmicos essenciais, como o regime de chuvas e a captura de carbono. “As FPNDs no sul do Amazonas estão localizadas na nova fronteira do desmatamento na Amazônia e estão no centro de disputas territoriais, agravadas pela falta de destinação e pelo avanço de atividades ilegais que comprometem não só o equilíbrio ambiental, mas também o desenvolvimento sustentável da região,” aponta Tayane Carvalho, coautora do estudo.
Sobreposição de CAR e grilagem de terras
O Cadastro Ambiental Rural (CAR), que deveria ser um instrumento de regularização ambiental, é frequentemente usado como ferramenta de grilagem nas FPNDs. O estudo aponta que 52% das FPNDs federais no sul do Amazonas estão sobrepostas por registros fraudulentos no CAR; nas FPNDs estaduais, a situação é ainda mais grave: 77% da área total têm sobreposição de CAR.
As áreas com sobreposição de CAR apresentam taxas de desmatamento maiores, indicando uma relação entre grilagem e destruição florestal. “O CAR, quando utilizado de forma fraudulenta, transforma terras públicas em alvos de especulação fundiária, incentivando o desmatamento e dificultando a destinação dessas áreas para conservação e uso sustentável,” explica Júlia Niero, coautora do estudo.
Manejo sustentável: o potencial econômico das FPNDs
A pesquisa do Imaflora destaca que conservar as FPNDs é economicamente mais vantajoso do que desmatá-las. Além de desempenharem um papel fundamental na regulação do clima global e na conservação da biodiversidade, as florestas públicas não destinadas conservadas podem gerar ganhos significativos por meio de concessões florestais, créditos de carbono e o manejo de produtos não madeireiros.
A pesquisa do Imaflora destaca que conservar as FPNDs é economicamente mais vantajoso do que desmatá-las. Foto: divulgação
Cerca de R$ 6,5 bilhões em 30 anos é o valor que pode ser gerado por concessões florestais de manejo sustentável de madeira e carbono. Produtos florestais não madeireiros, como castanha-da-Brasil e borracha, têm potencial de retorno de R$ 70,00 por hectare/ano, beneficiando diretamente comunidades locais. Aliado aos outros serviços que a floresta em pé proporciona, esse valor aumenta exponencialmente.
Um hectare de FPND conserva 324 toneladas de carbono, o que pode atrair bilhões em investimentos de mercados de carbono. “Em comparação, a pecuária extensiva, que é um dos principais motores do desmatamento na região, gera apenas R$ 500 a R$ 750 por hectare/ano, um valor muito inferior ao que as florestas em pé podem proporcionar”, avalia Marco Lentini, coautor do boletim.
Essas florestas são habitat para uma biodiversidade única, incluindo espécies endêmicas que dependem de blocos contínuos de floresta para sobreviver. “Destinar essas áreas para conservação e uso sustentável é essencial para manter sua capacidade de regular o clima e proteger serviços ecossistêmicos que vão além da Amazônia,” reforça Maryane Andrade.
Soluções práticas
Os estudos apontam a necessidade de priorizar a criação de Áreas Protegidas, como Unidades de Conservação e Terras Indígenas, além da expansão das concessões florestais em FPNDs previamente avaliadas, tanto para restauração florestal, a fim de recuperar áreas desmatadas, como para a promoção do manejo florestal sustentável, que produz madeira de origem legal. Outras ações importantes envolvem cancelar registros fraudulentos no CAR e combater a grilagem de terras e o desmatamento ilegal; investir em cadeias produtivas sustentáveis, como as de produtos florestais não madeireiros; promover o mercado de carbono; condicionar a pavimentação da rodovia a salvaguardas ambientais e sociais robustas, para evitar a expansão de atividades predatórias e resguardar os direitos das comunidades tradicionais locais.
“A destinação adequada e a proteção das FPNDs requerem uma abordagem integrada, envolvendo governos, setor privado e comunidades locais”, destaca Leonardo Sobral, diretor de Florestas e Restauração do Imaflora. Para ele, as Florestas Públicas Não Destinadas no sul do Amazonas estão em uma encruzilhada: podem se tornar um modelo global de conservação e uso sustentável, ou seguir o caminho de devastação que outras áreas da Amazônia já enfrentaram.
A combinação de destinação estratégica, fiscalização efetiva e promoção de cadeias produtivas sustentáveis é o caminho mais promissor para garantir que essas florestas continuem beneficiando tanto a economia quanto o meio ambiente.
“As FPNDs são uma oportunidade única de reposicionar o Brasil como um líder global em conservação ambiental e bioeconomia. Ignorar seu potencial seria desperdiçar um patrimônio insubstituível,” conclui Sobral.
Os boletins Timberflow nº 17 e nº18 estão disponíveis no site do Imaflora, trazendo análises detalhadas e estratégias práticas para a proteção das FPNDs.BT nº17BT nº18.
O rio Acre perdeu 40% de mata ciliar desde que começaram as ocupações das suas margens pela atividade agropecuária extensiva, a partir da década de 1970. É o que aponta um estudo feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) no núcleo que funciona na Universidade Federal do Acre (Ufac).
Historicamente, o desmatamento da mata ciliar causado pela abertura de fazendas para pecuária e agricultura nos arredores do rio Acre fez com que se perdesse 4,5 mil hectares (45 km²) dos11,6 mil hectares (116 km²) de vegetação nativa em toda extensão. O estudo do Inpa considerou 100 metros de floresta nativa derrubada a partir da margem do rio, a chamada mata ciliar, conforme define o Código Florestal Brasileiro.
No estudo do Inpa, o município de Epitaciolândia, na divisa com Brasiléia, foi a área com maior degradação de floresta. Além disso, foi em Brasiléia onde o rio Acre passou por dois extremos em 2024: uma seca severa e a maior cheia registrada na região.
Com a perda gradual da mata ciliar ao longo dos anos, o reflexo da devastação no rio Acre pode ser o de colapso ambiental, com risco até de apartar o curso d’água em 2032 na região que passa pela capital Rio Branco, estima Evandro Ferreira, engenheiro agrônomo e pesquisador do Inpa na Ufac e um dos responsáveis pelo monitoramento.
Ferreira alerta, ainda, que a crise climática é agravada pelos os impactos do desmatamento desenfreado. Por isso, o rio tende a registrar, cada vez mais, níveis compatíveis com os de seca extrema ou de inundações.
“O desmatamento da mata ciliar faz com que tenhamos o assoreamento do rio, altera o ciclo natural hidrológico da água, a capacidade de água reciclada dentro da bacia é menor, o que amplifica os impactos de uma seca”, explicou.
O rio Acre está entre os rios da Amazônia impactados pela seca, conforme análise exclusiva da InfoAmazonia feita a partir do monitoramento do Serviço Geológico do Brasil (SGB).
Com a perda de quase metade da vegetação nativa desde 1970, o rio Acre ficou mais vulnerável aos eventos climáticos extremos. Em épocas de chuvas, as inundações invadem as cidades e as comunidades ribeirinhas, enquanto volumes baixos de água comprometem a segurança hídrica da população nos períodos de seca. O rio é o responsável por abastecer a população de 416 mil pessoas que vivem na capital.
Rio Acre também registrou seca extrema em 2024. Foto: Divulgação/Alexandre Cruz-Noronha
Análise ampliada revela desmatamento ainda maior
O desmatamento no rio Acre está além da mata ciliar analisada pelo Inpa. Análise exclusiva da InfoAmazonia revela que entre 2008 e 2023, o rio Acre perdeu 141.20 km² de vegetação nativa no limite de até um quilômetro ao redor de sua margem. queentre 2008 e 2023, o rio Acre perdeu 141.20 km² de vegetação nativa no limite de até um quilômetro ao redor de sua margem. Após 2018, houve uma intensificação do desmatamento, reunindo 50% da área desmatada (71,02 km²) nesses 15 anos.
A maior taxa ocorreu em 2021, quando foram desmatados 17,4 km² ao redor do rio, segundo análise da reportagem. O levantamento teve como base as taxas do programa de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
A análise revela uma intensificação na perda de floresta ao redor do rio no período em que a AMACRO começou a ser discutida em 2018, à época sob a gestão de Jair Bolsonaro (PL). Os dados mostram que o auge da devastação ocorreu justamente em 2021, no ano de lançamento da AMACRO pelos governos estaduais, com apoio do governo federal.
A AMACRO é uma região de 45 milhões de hectares na divisa entre Amazonas, Acre e Rondônia, criada a partir de um projeto idealizado para incentivar o agronegócio como modelo de desenvolvimento, mas que ficou conhecida como “fronteira do desmatamento”. Em 13 dos 32 municípios que compõem a região, lavouras e pastos já ocupam uma área maior do que a de floresta.
Distante cerca de 240 quilômetros da capital Rio Branco, Brasiléia fica no sudeste do Acre, na fronteira do Brasil com o Peru e a Bolívia. No município, o rio Acre saiu de uma inundação histórica em fevereiro de 2024, quando o nível da água chegou a 15,58 metros, para uma seca extrema em outubro — o nível ficou com apenas 50 cm, uma redução na vazante 31 vezes menor em oito meses.
À época da enchente, 93 comunidades indígenas foram afetadas e perderam as roças que serviriam de consumo para o ano todo. O Acre enfrentou o maior desastre ambiental da história, segundo o governo local, com 10,7 mil desabrigados devido às cheias dos rios, que afetam 86% dos municípios.
Rio Acre em 2024 quando registrou cheia histórica. Foto: Marcos Vicentti/Secom-AC
Na seca, o cenário não foi diferente. Famílias acreanas foram impactadas e o governo chegou a distribuir água para regiões que tiveram o abastecimento comprometido.
Os dois extremos registrados em Brasiléia revelam, segundo o pesquisador do Inpa, um reflexo do que o desmatamento de mata ciliar pode causar.
“A bacia do rio Acre tem a sua dinâmica em função da quantidade de chuvas que cai aqui. O desmatamento tem este efeito de alterar o regime de chuvas. Quanto mais desmatamento, menor o período de chuvas e também de você ter menos água disponível para o próprio rio”, pontuou Ferreira, pesquisador do Inpa na Ufac.
O pesquisador enfatiza que as fazendas onde há criação de gado são as principais causadoras do desmatamento da mata ciliar. Nessas propriedades, há o uso da água do rio Acre para os açudes usados pelos rebanhos, além da escavação de canais para abastecer barragens e até igarapés, o que impede o rio de receber água de afluentes menores.
“Se você pensar na quantidade de água que eles estão armazenando sem dar satisfação a ninguém, pagar um tostão para a sociedade, é um absurdo. Teoricamente, toda essa água era para estar sendo devolvida para o rio Acre”, comentou.
O rio Acre nasce no Peru e tem 1.190 quilômetros de extensão que percorrem ainda a Bolívia e o Brasil – sendo nove municípios do Acre, e deságua no rio Purus, no município de Boca de Acre, no Amazonas. Quando está com o volume de água dentro do normal, o rio é o que define a tríplice fronteira. Em contrapartida, nos períodos mais secos do ano, é possível fazer uma travessia internacional a pé, de tão baixo que fica o volume de água.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela InfoAmazonia, escrito por Fabio Pontes: Esta reportagem é uma parceria com o Varadouroe faz parte da Rede Cidadã InfoAmazonia, iniciativa para criar e distribuir conteúdos socioambientais da Amazônia. Foi produzida na Unidade de Geojornalismo InfoAmazonia, com apoio do Instituto Serrapilheira.
Florada de café Robusta Amazônico. Foto: Enrique Alves
Devido ao trabalho pioneiro com cultivo de cafés clonais, Rondônia é considerado o berço dos Robustas Amazônicos. Estudos mostram que esses cafés resultam da mistura entre cafés conilon, trazidos para a região na década de 1970, por produtores mineiros, paranaenses e capixabas, e materiais genéticos 100% robusta, trazidos do Instituto Agronômico (IAC), em Campinas (SP), pela Embrapa Rondônia, em 1990.
De acordo o pesquisador Marcelo Curitiba, da Embrapa Café, responsável por estudos com cafés clonais na Amazônia, esses materiais seminais se adaptaram bem ao clima e solos da região e se disseminaram entre agricultores da Amazônia. A denominação Robustas Amazônicos contempla todo material genético de café desenvolvido na região, por meio de cruzamento entre cafés conilon e robusta, sejam clones selecionados de forma empírica, pelos agricultores, ou desenvolvidos pela pesquisa.
“Esses cafeeiros híbridos reúnem características predominantes do café robusta e tiveram origem em processos de cruzamento natural, realizados por agricultores de diferentes localidades da Amazônia, que aprenderam a técnica de clonagem e passaram a selecionar plantas com elevado potencial de produção, nas lavouras comerciais. As plantas obtidas foram utilizadas como matrizes na produção de mudas para formação de novos plantios e serviram como base genética para renovação do parque cafeeiro da região, nos últimos dez anos”, explica o pesquisador.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café. Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia e Rondônia são os principais produtores do grão.
Mudas de café clonal Robusta Amazônico. Foto: Aliny Melo
Contribuições da pesquisa para a cafeicultura amazônica
O interesse crescente por cafés clonais Robustas Amazônicos e a ausência de informações sobre suas características genéticas gerou a necessidade de estudar esses materiais. Os estudos para melhoramento genético desses cafés, realizados pela Embrapa Rondônia, desde 2003, contam com a parceria da Embrapa Acre, produtores rurais e instituições de ensino. Como resultado desse esforço coletivo já foram recomendadas, pela Embrapa, 10 cultivares de café clonal para a Amazônia.
“Esse material genético foi muito bem caracterizado em relação à produtividade, rendimento no beneficiamento, resistência a doenças, vigor vegetativo, espaçamento necessário, ciclo de maturação, tamanho do grão e qualidade da bebida, entre outros aspectos agronômicos”, conta Curitiba.
Segundo ele, conhecer bem as características de cada clone permite ao agricultor escolher o arranjo mais adequado aos seus objetivos de produção. “Também é importante que o plantio seja realizado com outros materiais clonais, para diversificar o cultivo”, complementa o pesquisador.
A pesquisa científica também gerou informações técnicas essenciais para a implantação e manejo das lavouras, adubação, controle de pragas e doenças e monitoramento do estresse hídrico, além de práticas que ajudam a garantir eficiência na colheita, pós-colheita e beneficiamento dos grãos. Esse vasto conhecimento, compartilhado entre cafeicultores e profissionais da extensão rural, tem contribuído para consolidar a cafeicultura amazônica como uma atividade sustentável no bioma.
De acordo com o pesquisador Enrique Alves, entre os clones desenvolvidos e recomendados pela Embrapa, há materiais que proporcionam um café de alta qualidade, com foco na participação em concursos e acesso a mercados diferenciados.
“As colheitas cuidadosas, com alto índice de frutos maduros, a secagem lenta e o uso de técnicas de processamento em via úmida e de fermentação autoinduzida possibilitam uma bebida exótica, genuína, com aroma agradável, doçura, corpo aveludado e sabor marcante. Essas características, aliadas à origem amazônica e produção sustentável, favorecem o uso desses cafés como componente principal de bebidas finas no Brasil e em mercados internacionais”, ressalta o especialista.
Expansão da cafeicultura para além da Amazônia
O último censo agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que 19,9 famílias rurais praticam o cultivo comercial de café clonal na Amazônia, número ainda pequeno frente à existência de mais de um milhão de agricultores existentes na região. Para ampliar o cultivo de cafés Robustas Amazônicos, a Embrapa, em parceria com produtores familiares, universidades, empresas privadas e outras instituições, investe na transferência dessas tecnologias para propriedades rurais de diferentes estados.
Produção de café Robusta Amazônica no Sitio Rio Limão, em Cacoal, Rondônia. Foto: Renata Silva
“Além dos 10 clones desenvolvidos pela pesquisa, outros 50 clones de café estão em avaliação em Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Amapá e Mato Grosso. O objetivo é conhecer aspectos do cultivo desses materiais genéticos e identificar os melhores clones para cada estado, mas a disseminação dos cafés Robustas Amazônicos não se restringe à Amazônia. Enviamos esses clones também para outras localidades como Ceará, Piauí, Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais”, enfatiza Curitiba.
Outro fator decisivo para a expansão e fortalecimento da cafeicultura na Amazônia é a produção de mudas clonais com qualidade genética e fitossanitária, em larga escala. Para viabilizar a atividade, a Embrapa atuou fortemente no apoio à formação de uma rede de viveiristas. Atualmente, centenas de empresas estão credenciadas pelo Mapa e órgãos responsáveis pelo processo de Certificação Fitossanitária de Origem para o processo de multiplicação de clones de cafés Robustas Amazônicos nos diversos estados da região.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa
Pesquisador clínico especialista em malária do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), o médico infectologista Marcus Larcerda é destaque da revista The Lancet, edição de fevereiro/2025, em artigo publicado sobre a sua trajetória como pesquisador em saúde pública na Amazônia e a relevância do seu trabalho como cientista no enfrentamento a doenças infecciosas, em especial a malária, do tipo Plasmodium vivax, predominante na região amazônica brasileira.
A publicação destaca a importância dos estudos, coordenados por Larcerda, sobre o uso da Tafenoquina, única terapia para a cura radical da malária causada pelo Plasmodium vivax, aprovada nos últimos 40 anos. Há 24 anos, Lacerda tem se concentrado nessas pesquisas, conforme salienta a publicação no The Lancet.
O texto ressalta que, embora a malária seja o seu principal foco, Lacerda também contribuiu para outras áreas de pesquisa em doenças infecciosas, com o reconhecimento da comunidade científica internacional. “A adesão à Fiocruz possibilitou me envolver mais intimamente nas questões relacionadas às drogas”, diz o especialista à revista.
A publicação destaca que “o trabalho de Lacerda é valorizado pelos colegas” e exemplifica: Quique Bassat, diretor geral do ISGlobal, em Barcelona (Espanha) comentou que “Marcus Lacerda é um especialista em saúde global do século 21 gigante que dedicou sua vida profissional a dar visibilidade aos problemas de saúde da região amazônica brasileira e além. Sua pesquisa fundamental sobre o manejo da malária vivax e eliminação, seu trabalho incrivelmente rigoroso sobre o COVID-19 durante as dificuldades da pandemia, e seu compromisso destacando doenças tropicais ainda muito negligenciadas, são todos testemunho de sua motivação e lealdade para servir às necessidades de seus pacientes e comunidades”.
Na pandemia de COVID-19, Marcus Lacerda liderou um grupo de pesquisadores que fez um estudo de segurança de duas doses de difosfato de cloroquina para COVID-19 grave. Os resultados negativos do ensaio desafiaram as opiniões de alguns líderes mundais e por um período Lacerda recebeu ameaças online por extremistas políticos. “É estranho ser mais conhecido pelo público por este trabalho do que as duas décadas de trabalho que tenho feito sobre a malária”, diz Lacerda ao The Lancet.
O artigo descreve ainda aspectos pessoais da vida do cientista. Conta que Lacerda nasceu na periferia de Brasília e que foi inspirado em seu tio João Felix Cunha, ginecologista, que decidiu ingressar na faculdade de medicina na Universidade de Brasília, aos 16 anos. Como estudante de medicina, morou por três meses com missionários católicos canadenses, período no qual trabalhou como único médico, ainda não qualificado, no município de Caapiranga, interior do Amazonas.
Durante seus estudos médicos, Marcus Lacerda começou a ver a importância da pesquisa. Sua primeira experiência na área foi em imunologia e mais tarde em malária. Em 2002, passou a fazer parte da Fundação de Medicina Tropical Dr Heitor Vieira Dourado, em Manaus (AM), onde continua a trabalhar como Especialista em Doenças Infecciosas/Tropicais Especialista em Medicina.
Seu primeiro ensaio clínico teve como finalidade testar arteméter – lumefantrina para malária falciparum não grave nas Américas, que mais tarde se tornou o regime padrão no Brasil. Concluiu seu Doutorado em Medicina Tropical em 2007 e prosseguiu sua carreira em medicina e pesquisa.
Lacerda foi presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical entre 2015 e 2017, tendo dedicado grande parte do seu tempo para formar alunos de pós-graduação na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Manaus. Também levantou financiamentos para ensaios clínicos junto a agências brasileiras e internacionais.
O artigo relembra também que não foi só na malária que Lacerda tem a sua marca. Trabalhando com Beatriz Grinsztejn, que lidera a área de HIV e questões de saúde sexual para a Fiocruz, Marcus Lacerda utilizou a infraestrutura que havia estabelecido em Manaus para o teste de implementação no Brasil da profilaxia oral pré-exposição (ImPrEP) para prevenção do HIV em 2018, além de testes de cabotegravir e lenacapavir como PrEP injetável de ação prolongada.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo ILMD/Fiocruz Amazônia, escrito por Júlio Pedrosa
O cultivo de variedades de café clonal, conhecidas como Robustas Amazônicos, associado a outras tecnologias recomendadas pela Embrapa, tem possibilitado lavouras mais produtivas e grãos de qualidade em propriedades rurais familiares da Amazônia.
Produtores do Acre, Rondônia, Amazonas, Roraima e outras localidades da região têm conseguido quadruplicar a produção, em relação a cultivos seminais, saindo de uma produtividade entre 20 e 30 sacas de 60 quilos de café em grãos por hectare, para até 120 sacas. Esse resultado garante mais renda e qualidade de vida para as famílias rurais.
Os cafés Robustas Amazônicos são cultivados há décadas na Amazônia e, nos últimos dez anos, ganharam visibilidade no mercado e a preferência dos cafeicultores da região.
A atividade iniciou com agricultores de Rondônia e se expandiu entre produtores de outros estados, que passaram a renovar antigos cafezais seminais e implantaram novos plantios com variedades clonais. Segundo a pesquisadora da Embrapa Acre, Aureny Lunz, os cafés seminais apresentam alta variabilidade genética, fator que limita a produção e torna a cultura pouco competitiva.
“Já os cafés clonais Robustas Amazônicos, além de altamente produtivos, proporcionam maturação uniforme, essencial para obtenção de grãos de qualidade, e o uso de variedades precoces ou tardias permite planejar a colheita. Esses materiais genéticos, aliados a tecnologias de manejo, conferem à cafeicultura expressiva capacidade de gerar renda e agregar valor à produção familiar e elevam o potencial de transformação da cultura, ainda mais visível na vida de pequenos produtores”, destaca.
Salto na produtividade
De acordo com Enrique Alves, pesquisador da Embrapa Rondônia, a cafeicultura na Amazônia evoluiu de um modelo quase extrativista para uma produção tecnológica sustentável. A atual média de produção de estados como Acre (45 sacas por hectare) e Rondônia (52 sacas), em nada lembra a produtividade de um passado recente, que raramente superava 10 sacas por hectare.
“Alcançamos avanços significativos na cultura e dispomos de tecnologias que possibilitam aproveitar todo o potencial agronômico dos clones de cafés Robustas Amazônicos e elevar a produção. Por isso, é comum encontrar propriedades familiares com produtividade de 120 a 150 sacas de café por hectare e algumas lavouras superam 200 sacas”, ressalta o pesquisador.
O agricultor Wanderlei de Lara, morador de Acrelândia, principal polo de produção de café do Acre, plantou os primeiros clones de Robustas Amazônicos em 2016, depois de conhecer, junto a outros produtores, a experiência de cafeicultores de Nova Brasilândia, em Rondônia.
Foto: Diego Gurgel
Ele conta que esses cafés possibilitaram um salto na produtividade, resultado da qualidade genética dos materiais clonais e adoção de práticas adequadas de manejo e irrigação das lavouras.
“Saímos de 20 sacas de 60 quilos, com os cafés seminais, para 100 sacas por hectare. Na safra de 2024 produzimos 120 sacas por hectare, comercializadas entre mil e duzentos e mil e trezentos reais, cada”, relata o produtor, informando que o retorno econômico na atividade possibilitou modernizar a produção e a infraestrutura da propriedade.
“Hoje, vendemos o nosso café todo torrado e moído, pronto para ser embalado. Minha família tem melhores condições de trabalho e uma vida mais confortável, graças à cafeicultura clonal”, enfatiza Lara, que também investe na produção de café fermentado, produto vendido pelo dobro do preço do café em coco.
Foto: Diego Gurgel
Negócio familiar rentável
No Juruá, uma das regionais do Acre, o café é cultivado há mais de duas décadas, mas a produção ganhou força a partir de 2021, com a criação da Cooperativa dos Cafeicultores do Vale do Juruá (Coopercafé), iniciativa que reúne 92 produtores familiares e incentiva o uso de clones Robustas Amazônicos em pequenas propriedades.
Na propriedade do agricultor Romualdo da Silva, em Mâncio Lima, a produção chama a atenção pelo vigor do cafezal e os resultados alcançados possibilitaram a criação do café Vô Raimundo, já disponível em mercados locais.
“Somente com o uso de clones adequados, manejo nutricional baseado nas necessidades das plantas e um sistema de irrigação eficiente, a cultura evoluiu. Produzimos 120 sacas de grãos em uma área de 1,2 hectares, um desempenho produtivo excelente. Com o apoio da cooperativa, adequamos a propriedade para um processo de produção que vai do campo à xícara e transformamos a atividade em um negócio familiar rentável. Ver o nosso café nas prateleiras de supermercados é a realização de um sonho”, declara o agricultor.
Para Michelma Lima, agrônoma da Secretaria de Agricultura do Acre (Seagri), a cafeicultura é uma atividade em expansão na Amazônia, processo fruto de investimentos em tecnologias.
“No Acre, o aumento da área cultivada e da eficiência produtiva na cafeicultura é prioridade do programa de fortalecimento da produção agrícola do estado. Além de excelentes ganhos no rendimento dos cafezais, o acesso dos produtores a clones adaptados à região e à assistência técnica continuada reduz custos na produção”, avalia.
Cafeicultura gera turismo rural sustentável
Foto: Imagem cedida pela família Bento
Outro exemplo de como a cafeicultura tem ajudado a transformar a produção familiar e a vida no campo é a família Bento, de Cacoal (RO), que mantém uma produtividade de 100 sacas de café por hectare, desempenho que gera renda para cinco famílias no Sítio Rio Limão.
O trabalho compartilhado e os investimentos em tecnologias de cultivo e para melhoria da qualidade dos grãos tornaram a propriedade uma referência em cafés Robustas Amazônicos de excelência e em turismo rural sustentável na Amazônia.
O produtor Ronaldo Bento explica que a colheita no tempo certo e os processos de secagem e fermentação bem orientados, além de procedimentos adequados no armazenamento, transformaram o perfil sensorial dos grãos, resultando em um café especial, premiado em concursos estaduais e nacionais. A qualidade e notoriedade do produto chamou a atenção de turistas e, nos últimos cinco anos, a propriedade já recebeu visitantes de mais de 20 países.
“Atendemos cerca de dois mil turistas por mês, que buscam conhecer as lavouras e o processo produtivo e degustam um típico café colonial. Vendemos uma média de 200 quilos de café por semana, somente na propriedade. Cada embalagem com 500 gramas de café comum ou 250 gramas de café gourmet custa 25 reais. Além disso, nosso café abastece mercados locais e de outros estados. Produzir café está no nosso sangue. Não imagino minha família em outra atividade”, enfatiza Bento.
Café indígena
Foto: Aliny Melo
Os cafés Robustas Amazônicos também são cultivados em diferentes terras indígenas e se destacam como vitrine da sociobioeconomia amazônica. Em Rondônia, o “Projeto Tribos”, iniciativa do Grupo 3 Corações, apoiada pela Embrapa, implementa um modelo de produção sustentável que gera renda para cerca de 150 famílias, de oito etnias que habitam as terras indígenas Sete de Setembro e Rio Branco.
“O trabalho se baseia na transferência de tecnologias que preconizam a preservação das florestas, o protagonismo indígena e a qualidade da produção. Entre os resultados alcançados está um café especial, produzido por uma família Suruí, avaliado com nota 100, máxima pontuação atribuída a cafés Robustas em premiações, no mundo”, explica o pesquisador Enrique Alves.
No estado de Roraima, a produção de Robustas Amazônicos envolve agricultores de diferentes municípios, incluindo indígenas da comunidade Kauwê, na Terra indígena Raposa Serra do Sol, localizada em Pacaraima, onde os primeiros cafezais foram implantados em 2020, com apoio da Embrapa.
Idauto Pedrosa Lima cultiva 10 variedades desses cafés, com a participação de toda a família, e o rigor na atividade, especialmente na colheita, seleção e torra dos grãos, resultou em um café indígena com qualidade aprovada por consumidores de diversas partes do mundo.
“Testamos a bebida com a comunidade e a aceitação foi muito positiva. A partir desse resultado, buscamos um nome e uma identidade visual que refletissem a sua origem e batizamos o produto de Café Uyonpa (“café família” na língua Macuxi). A produção é vendida para turistas que visitam a Terra Indígena e pela internet e gera uma renda média mensal de quatro mil reais. Queremos expandir o cultivo e aprimorar ainda mais a produção porque acreditamos que com a cafeicultura podemos melhorar a vida da família e garantir um futuro próspero para filhos e netos”, declara o agricultor.
O analista da Embrapa Roraima, Lourenço Cruz, que acompanha as atividades na Terra Indígena, considera o apoio às famílias indígenas essencial para viabilizar uma atividade econômica sustentável.
“Os produtores são comprometidos com a produção de café de qualidade e já estão gerando renda para suas famílias. O projeto tem potencial para ser replicado em outras comunidades indígenas de Roraima”, afirma.
Aproveitamento de áreas degradadas
Segundo o pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental (AM) Edson Barcelos, o cultivo de cafés clonais no Amazonas começou há pouco mais de uma década e tem se tornado uma alternativa para o aproveitamento e conversão de áreas alteradas em espaços produtivos.
“A cafeicultura é uma importante atividade econômica para dez municípios amazonenses; a maioria dos cultivos tem até dois hectares e predominam clones Robustas Amazônicos”, destaca.
Foto: Rafael Rocha
No município de Silves, a atividade teve início, a partir de 2015, com Unidades de Referência Tecnológica (URTs) implantadas com apoio da Embrapa, na área da Associação Solidariedade Amazonas (ASA), na estrada da Várzea. A família Lins, uma das primeiras a aderir à parceria, passou a colher dez vezes o que produzia com o café seminal. Além de boa produtividade e qualidade diferenciada, a atividade, realizada somente em áreas de capoeira, permite conservar a floresta em pé.
Conciliar produção de qualidade e conservação ambiental rendeu à família o prêmio Florada Premiada, na categoria Campeãs Regionais Canéfora, em 2024. Para a matriarca Maria Karimel Lins (a dona Vanda), a conquista é resultado do conhecimento adquirido em capacitações sobre diferentes aspectos da cafeicultura. “Melhoramos procedimentos de colheita, pós-colheita e os cuidados para manutenção da qualidade dos grãos”, relata a produtora, que acredita que a premiação pode inspirar outros agricultores a valorizar a qualidade e o meio ambiente na produção de café.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa
Empreendimentos de turismo e de pesca esportiva apoiados pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), na região do Baixo Rio Negro e na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, no Amazonas, geraram um faturamento de R$ 6,3 milhões no período de janeiro a novembro de 2024.
O resultado veio em um ano de desafios impostos por mais uma estiagem severa na Amazônia e mostrou a importância do Turismo de Base Comunitária (TBC) para as famílias ribeirinhas que dependem dessa atividade econômica, além de contribuir para a manutenção da floresta em pé.
Por meio do programa ‘Conservação da Amazônia: uma Aliança entre Natureza e Criatividade’, em parceria com o grupo LVMH, a FAS apoiou 25 empreendimentos de turismo com capacitações, beneficiando 17 comunidades situadas em quatro Unidades de Conservação (UCs) do estado do Amazonas.
Na região do Baixo Rio Negro, foram 17 empreendimentos de turismo apoiados, que geraram um faturamento bruto de R$ 4,56 milhões. A região recebeu um fluxo de 5.910 turistas, beneficiando nove comunidades locais.
Já durante a temporada de pesca esportiva na RDS do Uatumã, foram 12 os empreendimentos do ramo apoiados pela FAS, resultando em um faturamento bruto de R$ 1,74 milhão e um fluxo de 350 turistas. Ao todo, oito comunidades foram beneficiadas com a atividade.
Capacitações e intercâmbio
Uma das ações de destaque do programa foi a capacitação em gastronomia realizada para um grupo de 22 mulheres que trabalham com o TBC no baixo Rio Negro, na comunidade Tumbira, distante 69 quilômetros de Manaus. Durante quatro dias, as participantes receberam aulas teóricas sobre segurança dos alimentos e reconhecimento de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), aulas práticas sobre técnicas de preparo com ingredientes regionais, utilização de PANCs e preparação de cardápios diversificados que atendam clientes com restrições alimentares (como intolerância à lactose) e opções vegetarianas e veganas.
A comunidade do Tumbira também foi espaço para um intercâmbio de conhecimentos sobre TBC entre alunos do curso de Gestão em Turismo da Universidade Nilton Lins, da modalidade presencial, em Manaus, e os alunos da modalidade Ensino a Distância (EaD), que vivem em comunidades ribeirinhas de Unidades de Conservação, no interior do Estado do Amazonas. Ao todo, 38 pessoas participaram do intercâmbio, entre alunos e comunitários, que destacou os potenciais empreendimentos, atrativos culturais e naturais da região.
Foi ofertado o curso de arrais amador para 26 comunitários que atuam com pesca esportiva na RDS do Uatumã. Arrais Amador é uma habilitação náutica que permite a condução de embarcações recreativas, como lanchas, barcos de pesca e veleiros, em águas abrigadas (rios, lagos e baías).
Resiliência
Para o empreendedor Roberto Brito, o ano foi de muito trabalho e superação de desafios. Proprietário da Pousada do Garrido, na comunidade Tumbira, um dos empreendimentos apoiados pela FAS, ele relata que a temporada de 2024 iniciou bem, com destaque para os meses de junho a agosto. A partir de setembro, com a seca dos rios, as atividades turísticas paralisaram. Roberto enfatiza a importância do TBC, não só para a geração de renda, mas também para a conservação da floresta, que contribui para o combate aos efeitos das mudanças climáticas.
“O turismo de base comunitária agrega os três pilares da sustentabilidade, o econômico, o social e o ambiental. Ninguém quer vir de fora ver a natureza destruída, o rio poluído, a floresta queimada. Quanto mais conservado, mais clientes e mais renda. É uma parte que gera muito resultado positivo. Nosso empreendimento faz esses avanços para a melhoria da qualidade de vida das pessoas que trabalham com isso”, explica o empreendedor.
Ele também cita as ações que valorizam a cultura regional, como o curso de gastronomia para mulheres. “A capacitação fortaleceu e trouxe opções que têm na própria comunidade e que as pessoas não usam na culinária. Isso foi ótimo, pois trouxe para os empreendimentos, principalmente os que trabalham com turismo, a melhoria da parte da gastronomia com os ingredientes que já estão aqui na comunidade”, afirmou.
Segundo Wildney Mourão, gerente do Programa de Empreendedorismo da FAS, a força do turismo de base comunitária está não só na capacidade de gerar renda, mas também de ser uma ferramenta de conservação e conservação ambiental.
“Estamos enfrentando eventos climáticos extremos que mostram cada vez mais a importância de manter a floresta em pé para combatermos os efeitos das mudanças climáticas. O TBC é uma das alternativas econômicas neste cenário, pois é uma atividade sustentável, que gera emprego e renda, fomenta os empreendimentos locais e promove a valorização da biodiversidade, envolvendo as comunidades e os turistas que vêm conhecer a nossa região. Os resultados dos empreendimentos de turismo apoiados pela FAS, mesmo num cenário desafiador de seca, demonstram a importância dessa atividade e que é sim possível gerar renda de forma sustentável sem prejudicar a floresta”, declarou.
Cândido Mariano da Silva Rondon foi um dos exploradores do Brasil de maior destaque, deixando um legado que se estende da construção de redes telegráficas à defesa dos direitos indígenas. Sua trajetória foi marcada por desafios extremos, pioneirismo e uma visão humanista que o diferenciou de outros exploradores de sua época.
Rondon nasceu em 5 de maio de 1865, no distrito de Mimoso, em Mato Grosso. Filho de um vaqueiro e descendente de indígenas bororo e terena, perdeu os pais ainda na infância e foi criado por um tio. Seu sobrenome “Rondon” foi uma homenagem a esse tio, Manuel Rodrigues da Silva Rondon. Desde cedo, se destacou nos estudos e ingressou na Escola Militar do Rio de Janeiro, onde se formou em Engenharia, Matemática e Ciências Físicas e Naturais.
Em 1890, ainda como tenente, Rondon integrou uma comissão de engenharia que tinha como objetivo construir uma rede telegráfica entre Mato Grosso e Goiás. Naquela época, Mato Grosso sofria com o isolamento, pois a comunicação com o Rio de Janeiro dependia de longas viagens fluviais pela Bacia do Prata. O trabalho de Rondon ajudou a reduzir esse isolamento e possibilitou a integração da região ao restante do país.
Posteriormente foi designado para liderar uma nova comissão, desta vez expandindo a rede telegráfica até as fronteiras do Brasil com a Bolívia e o Paraguai. Entre 1890 e 1906, participou da construção de mais de 1.700 km de linhas telegráficas, atravessando territórios desconhecidos e estabelecendo contato com diversas etnias indígenas.
Rondon foi um verdadeiro explorador da Amazônia. Foto: Reprodução/Senado
Defesa dos indígenas
Em 1907, Rondon embarcou em uma das suas maiores missões: liderar a Comissão Construtora de Linhas Telegráficas do Mato Grosso ao Amazonas. A jornada, que durou até 1910, exigiu coragem e resistência, levando os exploradores a enfrentarem doenças tropicais, territórios hostis e dificuldades de abastecimento. Durante essa missão, Rondon manteve seu compromisso com a paz, promovendo contatos amistosos com os povos indígenas.
Em 1910, Rondon ajudou a criar o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), tornando-se seu primeiro diretor. A instituição tinha como objetivo proteger os indígenas de violências cometidas por seringueiros, fazendeiros e garimpeiros, além de garantir direitos básicos para essas comunidades.
Expedição Rondon-Roosevelt
Em 1913, Rondon participou de uma das expedições mais notáveis da história: a Expedição Rondon-Roosevelt. Junto ao ex-presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, explorou o chamado ‘Rio da Dúvida’, que posteriormente recebeu o nome de Rio Roosevelt. A jornada foi exaustiva e quase fatal para Roosevelt, que contraiu malária e ficou gravemente debilitado.
Nas décadas seguintes, Rondon esteve envolvido com diversas questões políticas e diplomáticas. Durante a Revolução Paulista de 1924, foi promovido a general. Posteriormente, supervisionou as fronteiras do Brasil e atuou como mediador em conflitos entre Peru e Colômbia. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi um ferrenho opositor do fascismo e defendeu a entrada do Brasil ao lado dos Aliados.
Foram muitas as realizações de Cândido Mariano. Algumas marcaram a história; como a criação do Parque Nacional do Xingu; primeiro mapa com todas as referências do estado de Mato Grosso; proposição e criação dos primeiros açudes na região Nordeste (seca de 1919); demarcação de todas as 10 fronteiras do Brasil (1930) e o acervo de Rondon deu origem ao Museu Nacional do Índio no Rio de Janeiro.
O reconhecimento pelo trabalho de Rondon veio em vida. Em 1955, foi promovido ao posto de Marechal. Sua dedicação à exploração, ciência e defesa dos povos indígenas resultou em diversas homenagens, incluindo a nomeação do Estado de Rondônia e do Meridiano 52 em sua honra.
Marechal Rondon faleceu em 19 de janeiro de 1958, deixando um legado inestimável para a história do Brasil. Seu lema, ‘Morrer se for preciso; matar, nunca’, resume seu compromisso com a paz e a justiça. Seu trabalho pioneiro na exploração e defesa dos povos originários continua a inspirar gerações de pesquisadores, indigenistas e historiadores.
No dia 29 de abril de 2014, a Câmara Federal aprova o Projeto de Lei 1834/07, do Senado, que inscreve o nome de Cândido Mariano da Silva Rondon no Livro dos Heróis da Pátria.
Rondon foi uma das personalidades brasileiras mais importantes e recebeu inúmeras honrarias tanto no Brasil quanto no exterior. “O prestígio de Rondon transpunha fronteiras. O meridiano 52 tem o nome de Rondon. Rondônia também é o único estado brasileiro que tem nome de ser humano. Em 1957 foi indicado, por Nova York, para o prêmio Nobel da Paz, mas não pôde concorrer, pois morreu em 19 de janeiro de 1958”, relata Gabriel.
Na data em que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) celebra seus 36 anos de fundação, e, 21 de fevereiro, o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, oficializou a criação do Programa Arapaima no estado do Amazonas. A assinatura da portaria nº 22 de 20 de fevereiro de 2025 institui o Programa de Manejo Sustentável do Pirarucu (Arapaima gigas) e Conservação dos Ecossistemas de Várzea. A solenidade contou com a presença de diversas autoridades, incluindo a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
“É um projeto muito importante, que é um sucesso no Estado do Amazonas. Temos um desafio enorme de levar essa experiência para os demais estados”, declarou o presidente do Ibama durante a cerimônia.
A criação do programa é celebrada como um marco histórico para o sistema de manejo do pirarucu, desenvolvido por pescadores e cientistas há 26 anos. Cristina Buck, analista ambiental do Ibama e uma das pessoas que estiveram à frente da estruturação do programa, destacou a importância da conquista: “A publicação do programa é uma vitória coletiva. A força do grupo, somada à conjuntura atual, foi fundamental para avançarmos. Somos muito gratos ao apoio do Coletivo e de todos os manejadores e manejadoras”, comemorou.
Rodrigo Agostinho, presidente do IBAMA e Joel Araújo, superintendente do Ibama no Amazonas. Foto: Divulgação/Ibama
Sobre o Programa
O Programa Arapaima visa estimular práticas comunitárias de proteção dos ambientes aquáticos onde ocorrem naturalmente as populações de pirarucu (Arapaima gigas), bem como fomentar a organização coletiva dos pescadores envolvidos no manejo e apoiar a geração de benefícios socioeconômicos para as comunidades envolvidas na conservação dos ecossistemas de várzea amazônica.
Os principais objetivos da iniciativa incluem fortalecer o manejo sustentável do pirarucu, aprimorando a proteção territorial, a contagem, a pesca e as avaliações de sustentabilidade nas áreas de manejo; garantir a rastreabilidade para monitoramento, controle e exportação da espécie; conservar ecossistemas de várzea, contribuindo para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas; promover a bioeconomia com inclusão social das comunidades ribeirinhas, indígenas, pescadores e populações tradicionais; e apoiar a vigilância comunitária nas áreas de manejo, fortalecendo a proteção dos territórios.
O Programa Arapaima será implementado nas áreas naturais de ocorrência do pirarucu na bacia do rio Amazonas, com foco no estado do Amazonas e possibilidade de expansão para Acre, Amapá, Pará, Roraima e Rondônia.
A Entidade Administradora de Faixa (EAF) concluiu, no dia 20 de fevereiro, o lançamento do cabo subaquático da Infovia 02, parte do Programa Norte Conectado. A conclusão da instalação do cabo no leito do Rio Solimões representa mais uma etapa da operação que está implementando a infraestrutura para levar sinal de dados estável e de alta velocidade a 13 municípios do Amazonas, cobrindo mais de mil quilômetros com cabos de fibra óptica.
“Estamos concluindo uma importante etapa da Infovia 02 para levarmos internet à população do Amazonas, especialmente às pessoas que vivem em áreas de difícil acesso. Após o trecho de Tabatinga, faremos os trabalhos por via terrestre a partir de Belém de Solimões. Com essa infraestrutura digital pronta, haverá benefícios como conectividade segura e de qualidade, melhor acesso aos serviços públicos e progressos na educação, na saúde e na segurança pública”, disse o ministro das Comunicações, Juscelino Filho.
“Trata-se de uma iniciativa essencial para a inclusão digital nesta região. Com a conectividade, a população terá acesso a todos os benefícios que a Internet proporciona aos cidadãos e cidadãs”, afirma Carlos Baigorri, presidente da Anatel.
“Estamos comprometidos em entregar uma infraestrutura de qualidade que servirá de base para políticas públicas transformadoras”, explica Antonio Parrini, diretor de operações da EAF.
Com um investimento de R$ 268 milhões, a Infovia 02 vai beneficiar aproximadamente 370 mil pessoas em localidades como Tefé, Alvarães, Uarini, Fonte Boa, Jutaí, Tonantins, Santo Antônio do Içá, Amaturá, São Paulo de Olivença, Belém do Solimões, Tabatinga, Benjamin Constant e Atalaia do Norte, que será interligada por terra, pela BR-307. Em Belém do Solimões, a infraestrutura também atenderá cerca de 12 mil indígenas distribuídos em 30 aldeias.
“A conclusão do lançamento do cabo de fibra optica subfluvial da Infovia 02 representa uma etapa técnica importante para a evolução das obrigações da EAF e para a expansão a conectividade na Região Amazônica”, explica Leandro Guerra, CEO da EAF. “Nosso trabalho se concentra em garantir que cada quilômetro de fibra óptica seja instalado de forma segura e eficiente, considerando os desafios logísticos e ambientais únicos da região.”
A infraestrutura subfluvial instalada será conectada às redes metropolitanas, também implementadas pela EAF, que levarão conexão de alta capacidade para escolas públicas, unidades de saúde, prefeituras, tribunais e organizações das Forças Armadas nas localidades beneficiadas, que ainda contarão com uma praça pública equipada com Wi-Fi, ampliando o acesso à internet para toda a comunidade.
Implantação da infovia. Foto: Divulgação
Descarte responsável de resíduos na operação
A operação de lançamento do cabo da Infovia 02 seguiu rigorosos protocolos ambientais exigidos pelo IBAMA para obtenção da licença de operação, garantindo o correto gerenciamento dos resíduos gerados tanto pela tripulação embarcada quanto pela instalação da infraestrutura. Durante os 20 dias de expedição, mais de 100 pessoas estiveram a bordo da plataforma de lançamento, o que demandou um planejamento detalhado para a coleta, armazenamento, tratamento e destinação adequada de resíduos orgânicos, recicláveis e não recicláveis.
Foram seguidas as práticas do Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Efluentes (PGRSE), em conformidade com as diretrizes do Licenciamento Ambiental, para minimizar impactos ambientais, incluindo a trituração e o armazenamento de resíduos orgânicos em freezers durante o período de navegação, a separação seletiva de recicláveis e o descarte seguro de materiais não reutilizáveis.
Os resíduos recicláveis foram classificados, armazenados em big bags e encaminhados para pontos de coleta especializados. Já o lixo orgânico foi triturado, transformado em ração animal e doado a fazendas da região. Materiais de risco, como restos de fibra óptica e combustíveis, foram lacrados e incinerados conforme as normas ambientais vigentes. Toda a operação foi acompanhada por fiscais do IBAMA.
Implantação da infovia. Foto: Divulgação
Norte Conectado
A Infovia 02 faz parte do Programa Norte Conectado, que contempla a implementação de oito infovias nos rios da Amazônia. A EAF é responsável pela construção de seis delas, totalizando mais de 9 mil quilômetros de cabos de fibra óptica subaquáticos e investimento de cerca de R$ 1,34 bilhão, provenientes do leilão do 5G. A entidade já concluiu a implementação da Infovia 03, conectando Belém (PA) e Macapá (AP).
A Infovia 04 – que passa por Vila de Moura (AM), Santa Maria do Boiaçú (RR), Caracaraí (RR) e Boa Vista (RR) – teve o lançamento do cabo subaquático finalizado e encontra-se em fase de implementação da infraestrutura terrestre. Já as Infovias 05, 06 e 08 fazem parte da segunda etapa de implementação.
Sobre a EAF
A Entidade Administradora de Faixa (EAF) é uma instituição não governamental e sem fins lucrativos, responsável por liderar a construção de seis infovias na região Amazônica, apoiar a migração do sinal dos canais abertos de TV das parabólicas tradicionais (Banda C) para as parabólicas digitais (Banda Ku) e construir redes privativas para o governo federal. A entidade é formada pelas operadoras Claro, TIM e Vivo, vencedoras dos blocos nacionais do leilão do 5G com as licenças da faixa de 3,5 GHz.