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Produtor de mandiocultura no interior do Maranhão triplica produção após assistência técnica

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Foto: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

No interior de Humberto de Campos, no Maranhão, a produção de mandioca tem melhorado tanto em quantidade quanto em qualidade. Os produtores da região, desde a chegada de Assistência do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem compreendido melhor sobre como gerir seus negócios e técnicas novas de plantio.

O produtor José Maria da Silva relatou sobre os inúmeros benefícios alcançados após receber a assistência do Senar, tanto nos serviços mais simples, quanto nos mais complexos que, para ele, era a gestão da produção.

“Antes eu não tinha planejamento e nem sabia cultivar direito. Com a chegada do Senar as coisa mudaram, comecei a me organizar melhor, aumentei de 50% a 100% a produção, me apaixonei pela atividade e quero aumentar ainda mais. Antes eu quase não tinha para consumo agora consigo até estocar”, contou.

Foto: Reprodução/ YouTube – Amazon Sat

A equipe técnica do Senar lista uma série de ações tomadas inicialmente em propriedades como a de José, destacando-se:

  • Diagnóstico e Planejamento Estratégico – Identificação dos principais desafios da propriedade e elaboração de um plano de ação com soluções viáveis.
  • Adequação Tecnológica – Introdução de boas práticas agrícolas, melhoramento genético de variedades, mecanização da área, e manejo adequado do solo.
  • Correção e Manejo do Solo – Recomendações para correção da acidez com calcário e gesso, adubação equilibrada e melhoria da fertilidade do solo.
  • Capacitações Profissionais – Realização de treinamentos específicos para produtores e trabalhadores, abordando temas como preparo do solo, plantio, tratos culturais e colheita.
  • Monitoramento e Avaliação Contínua – Acompanhamento técnico periódico, coleta e análise de indicadores de desempenho para ajustes no planejamento.
  • Gestão da Produção e Comercialização – Introdução de ferramentas gerenciais para controle de custos, análise de rentabilidade e planejamento da comercialização.
Foto: Reprodução/ YouTube – Amazon Sat

Ao longo de um ano de atendimento, os indicadores produtivos e econômicos são comparados com os dados iniciais do diagnóstico, permitindo avaliar os impactos das ações implementadas.

Quanto a gestão, os técnicos relatam algumas práticas administrativas realizadas em propriedades que estão iniciando a produção. A gestão, segundo a equipe técnica, começa com a implantação de práticas administrativas simples, mas essenciais para a organização e tomada de decisões.

O processo conduzido inclui os seguintes passos:

1- Registro de Informações Financeiras e Produtivas – O produtor deve anotar todas as receitas, vendas de produtos e despesas, insumos, mão de obra, maquinário, entre outros, garantindo um controle financeiro eficiente.

2- Uso do SISATEG (Sistema de Acompanhamento da ATeG) – Os dados coletados pelo produtor são repassados mensalmente aos técnicos do Senar, que inserem as informações no sistema para análise e acompanhamento.

3- Análise de Custos e Rentabilidade – Com base nos registros financeiros, são calculados indicadores como custo operacional efetivo, custo operacional total, custo total, margem bruta e líquida, e rentabilidade da atividade.

4- Planejamento Financeiro e Estratégico – Definição de metas e estratégias para melhorar a eficiência produtiva e a rentabilidade do negócio.

5- Capacitação em Gestão Rural – Treinamentos para o produtor e sua família sobre temas como administração rural, precificação, comercialização e acesso a mercados.

6- Acompanhamento e Ajustes – Com o passar do tempo, os dados são analisados para identificar pontos de melhoria e ajustes na gestão da propriedade.

Esse modelo de gestão permite que o produtor tenha maior previsibilidade sobre os custos, tome decisões mais assertivas e aumente a sustentabilidade econômica da propriedade ao longo do tempo.

Anistia política: extremistas ontem a favor, hoje contra

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Ato pela anistia na Praça da Sé, em São Paulo. Foto: Ennco Beanns/Arquivo Público do Estado de São Paulo

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Avolumaram-se defensores do movimento “sem anistia”, refrão entoado e estampado por alguns foliões do carnaval deste ano. A malta intransigente, dogmática, fanática e radical assim agem provavelmente por desconhecer a história republicana durante a qual em diversos momentos “anistias” têm sido concedidas a adversários no Brasil. Basicamente, a anistia expressa sobretudo em um “goodwill”, um ato de boa vontade, um vamos começar de novo, unindo antagonistas e atuais detentores do poder em busca da construção de um país econômica, social e politicamente justo e progressista. Única condição, assim comprova a história da humanidade, para sustentação e êxito do desenvolvimento de uma nação, seja ela de que origem for. A China moderna e o Vietnã, penso eu, são os exemplos mais contundentes da premissa segundo a qual, inimigos a parte, acima de tudo o bem estar da sociedade.

Como nos dias correntes, a Lei da Anistia do regime militar também provocou controvérsias ao conceder perdão todos os envolvidos em “crimes políticos ou conexos”, incluindo agentes da repressão que cometeram torturas, assassinatos e desaparecimentos de presos políticos até 1979, ou de terroristas que assaltaram bancos, sequestraram embaixadores, assassinaram companheiros e “inimigos” da ditadura do proletariado que, apoiados pela União Soviética pretendiam impor ao povo brasileiro. No afã de formar, ao lado de Cuba a grande frente de transformação da América Latina num quintal do regime comunista, mesmo que já claudicante nas suas origens, tanto na China de Mao Tse-tung quanto na URSS. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, que existiu de 1922 a 1991 período em que vigorou a Revolução bolchevique de 1917, e transformou a monarquia da Rússia em uma república socialista.

A anistia de 1979

Em síntese, necessário se torna, nesse momento conturbado em que o país perde o rumo por ausência de lideranças políticas autênticas e responsáveis refletir sobre os 46 anos da Lei da Anistia (Lei 6.683, de 1979) – ampla, geral e irrestrita -, sua importância na história recente do Brasil e o papel que ainda desempenha no processo de construção democrática. Discuti-la abertamente e sem reserva foi a proposta de audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) na terça-feira, 27 de agosto de 2024. O debate foi requerido pelo presidente do colegiado, senador Paulo Paim (PT-RS), a partir de sugestão de entidades de classe, sindicatos e organizações da sociedade civil que cobram a apuração dos crimes cometidos pelo regime militar contra opositores políticos, assim como a responsabilização de quem os cometeu.

A Lei da Anistia, promulgada em plena ditadura militar, em 1979, teve como objetivo principal conceder perdão aos perseguidos políticos durante o regime autoritário. Com sua aprovação, foram libertados mais de 100 presos políticos, e cerca de 2 mil exilados puderam voltar para o Brasil — explicou Paim. Entre os beneficiados, destacou o senador, estavam personalidades de grande relevância para a história e a cultura brasileira, como o sociólogo Herbert José de Souza, o Betinho; o jornalista Fernando Gabeira, os intelectuais Darcy Ribeiro e Paulo Freire, os governadores Leonel Brizola e Miguel Arraes, o ex-vereador Antônio Losada.

A anistia de Vargas (1945)

A Anistia de 1979, não foi a única concedida no Brasil. A história assim o comprova. Um pouco antes desse período havia beneficiado inimigos abertos da ditadura Vargas, restabelecendo o regime republicano e a democracia no país. No dia 18 de abril de 1945, o decreto-lei da anistia assinado por Getúlio Vargas permitiu a libertação dos últimos 600 presos políticos da ditadura do Estado Novo. A decisão garantia anistia geral para todos os condenados por crimes políticos praticados a partir de 16 de julho de 1934, data da promulgação da Constituição de 1934. Isso implicou na libertação tanto de comunistas, presos desde a Intentona Comunista de 1935, quanto dos camisas verde, encarcerados desde 1938 por conta do Levante Integralista. Entre os libertados, estavam os comunistas que se elegeriam parlamentares, como o senador Luiz Carlos Prestes, os deputados federais Carlos Marighella e Gregório Bezerra e o vereador Agildo Barata, pai do ex-humorista Agildo Ribeiro. Presos há quase dez anos, com exceção de Marighella, detido em 1939. A anistia de 1945 também foi resultado das manifestações democráticas e populares inspiradas na luta contra o autoritarismo.

Getúlio já era presidente quando, com o apoio do comando das Forças Armadas, conduziu o golpe de Estado em novembro de 1937. Com a medida, cancelou as eleições presidenciais, fechou o Congresso, aumentou a repressão, censurou a imprensa e perseguiu a oposição. O ano de 1945 apontava para mudanças. Mas Getúlio Vargas resistia. Nesse contexto, a abertura política era necessária. Assim, o presidente tomou a frente, estabelecendo relações com a União Soviética; pôs fim à censura à imprensa e convocou eleições para dezembro de 1945.

Por seu turno, os “camisas verdes”, constituidos por membros movimento Integralismo Brasileiro, foi uma ideologia política de extrema-direita de caráter nacionalista e fascista, desenvolvida pelo escritor brasileiro Plínio Salgado no início da década de 1930 e que se agregou, a princípio, na Sociedade de Estudos Políticos, e, a partir da publicação do Manifesto de Outubro de 1932, na Ação Integralista Brasileira (AIB). Em seus quase cem anos de história, o Integralismo atravessou diversas fases e ciclos, refletindo as transformações políticas, sociais e culturais do Brasil.

Fundado em 1932 por Plínio Salgado, o movimento inspirou-se nas ideologias fascistas da Europa, adaptando-as ao contexto brasileiro. Durante a década de 1930, o Integralismo ganhou considerável influência, alcançando seu auge em 1937. O movimento adotava como símbolo a letra grega Sigma (Σ), em uma bandeira de fundo azul, e defendia pautas como o nacionalismo, o patriotismo, o espiritualismo, a democracia orgânica corporativista e da civilização cristã.

O Pacto de Moncloa, o acordo que tirou a Espanha da miséria

O Brasil vive um momento crucial de sua história. Infelizmente as notícias não são boas. São muito ruins, na verdade. Fundamentalmente em relação à conjuntura social, política e econômica. Sociólogos e cientistas políticos descrevem este momento marcado por acentuado divisionismo interno, estado de clivagem social, termo empregado nas Ciências Sociais para se referir ao processo de fragmentação ou divisão das classes sociais existentes. Processo que leva a confrontos motivados especialmente por dissensões religiosas, ideológicas, étnicas, sociais, econômicas e culturais.

Independentemente do sentido, o Brasil está de forma tão radicalmente dividido que só uma agenda política de governabilidade, no padrão do espanhol Pacto de Moncloa, poderá aliviar as tensões. E com efeito resolver os mais diversificados e graves problemas que sufocam o país, como a ilegitimidade de alguns setores dos poderes da República, a corrupção desenfreada, o baixo crescimento da economia, a insegurança institucional, o alto índice de desemprego, a violência extremada, a queda no padrão educacional, da saúde pública, da segurança, do transporte, do saneamento básico.

O Pacto de Moncloa (originário do Palácio de la Moncloa, sede do governo espanhol, em Madri, onde foi assinado), refere-se a um marco da redemocratização da Espanha. Pôs fim a um dos mais difíceis momentos da história política nacional que se seguiu à morte do ditador fascista Francisco Franco, em 1975. Integrante do golpe de Estado de julho de 1936 contra o governo da Segunda República, o qual deu início à Guerra Civil Espanhola (1936-1939, Franco, com apoio do nazismo alemão de Hitler e do fascismo italiano de Mussolini, governou com “puños de hierro” o país ibérico entre 1938 e 1973.

A Espanha de então se encontrava com sua economia combalida e tão dividida quanto o Brasil contemporâneo. O pacto de governabilidade, após duras negociações e ameaças de golpe de Estado, foi assinado em 25 de outubro de 1977. Tinha três grandes objetivos: político, o mais importante, econômico e social. Participaram das negociações o governo, todos os partidos políticos criados ou autorizados pelo plebiscito e pela nova constituição, os sindicatos influenciados por comunistas (organizações obreras) e socialistas (a União Geral dos Trabalhadores, a UGT) e a poderosa associação de empresários do país: Confederação Espanhola das Organizações Empresariais, a CEOE. Restaurada a Monarquia parlamentarista e fortalecida a democracia, a Espanha de hoje, com uma renda per capita em torno de US$ 34 mil, é uma das economias mais prósperas da Europa e do mundo, enquanto no Brasil se arrasta ao nível de US$ 2,10 mil.

Indicador que, no lugar de inócuos slogans populistas, deveria estar prioritariamente ocupando a mente dos brasileiros. Não é ocioso lembrar que nosso país, com visão patriótica, boa vontade, discernimento e honestidade política também poderá chegar a tal nível de entendimento e desempenho econômico. Basta, sobretudo, superar o divisionismo, o ódio, a intolerância, permitindo o início de novos tempos de paz, justiça social, equilíbrio fiscal, progresso e crescimento econômico.

O caso Rubens Paiva

Segundo fontes da Agência Senado, corria o ano de 1969 quando Rubens Paiva, deputado federal pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em 1962, cassado em 1964 pelo primeiro Ato Institucional, se autoexilou. Ao retornar ao Brasil, voltou a exercer a engenharia e cuidar de negócios, mas, na mesma linha de Frei Betto, manteve contato com exilados, na verdade atuavam como pombos correios levando e trazendo mensagens ou sacos de dinheiro para o movimento. Depois de uma visita a Santiago, para ajudar a exilada Helena Bocayuva Cunha, filha de seu amigo Bocayuva Cunha (também deputado cassado após o golpe), que fora implicada no sequestro do embaixador Charles Burke Elbrick. Algum tempo depois, pessoas que traziam uma carta de Helena endereçada a Rubens foram presas pelos órgãos da repressão política. Os agentes descobriram por meio de informantes que Rubens Paiva, assim como Frei Betto, como relata em seu livro “Batismo de Sangue” e outros frades dominicanos eram na verdade contatos de “Adriano”, codinome de Carlos Alberto Muniz, militante do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8) e de Carlos Lamarca, na época o homem mais procurado do país.

Entre o dia de sua prisão (20 de janeiro de 1971,) e o seguinte, Rubens Paiva foi transferido da III Zona Aérea para o Destacamento de Operações Internas (DOI-CODI), no quartel da Polícia do Exército, onde teria sido novamente torturado. No caminho reclamava que não conseguia respirar, mas chegou consciente ao quartel.Foi interrogado e à noite outros prisioneiros ouviram-no pedir água a um carcereiro. De madrugada, o médico do DOI-CODI, Amílcar Lobo, foi chamado ao quartel e encontrou o prisioneiro nu, deitado numa cela no fundo do corredor com os olhos fechados, corpo marcado de pancadas e sinais de hemorragia interna.O médico aconselhou que levassem-no ao hospital, mas o major que lhe acompanhava achou melhor retê-lo. Segundo testemunho de Lobo, Paiva morreu por causa dos ferimentos sofridos em sessões de tortura.

Rubens como tantos outros que partiram para o confronto direto, a guerrilha, pagam o preço dos conflitos armados entre grupos organizados, como estados, governos, sociedades ou grupos paramilitares. Em tais circunstâncias, sem exceção: um lado vence, outro perde; uns morrem, outros sobrevivem.

Fonte dos dados: Agência Senado (2025) e a “História do Brasil”, de Boris Fausto.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Carnaboi 2025: Veja as atrações do segundo dia da festa em Manaus

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Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM

O Carnaboi 2025 será realizado nos dias 7 e 8 de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul de Manaus, com entrada gratuita. E, com uma programação recheada de sucessos dos bois-bumbás, diversas atrações foram confirmadas.

Confira as que marcarão presença e horários das apresentações do dia 8 de março:

2ª noite – ‘Exaltação indígena: Viva os Povos da Floresta

19h – Boi Brilhante / Boi Garanhão / Boi Corre Campo
19h45 – Márcia Novo & Curumins da Baixa
20h30 – Luanita Rangel & Jardel Bentes
21h15 – Márcia Siqueira & Mara Lima
22h – Edilson Santana & Paulinho Viana
22h45 – Tony Medeiros & P.A Chaves
23h40 – Carnaboi 2025 – É Festa de Boi-Bumbá
01h10 – Patrick Araújo & Arlindo Neto
01h50 – David Assayag & Helen Veras
02h30 – Gean Figueira & Adriano Aguiar

Veja também: Carnaboi 2025: Veja as atrações do primeiro dia da festa em Manaus

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Biomassa do cavaco de acácia vira alternativa energética em Roraima

Cavacos de acácia recolhidos para a extração de energia na região da Serra da Lua, em Bonfim, Norte de Roraima. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Fora do Sistema Integrado Nacional (SIN) de energia, Roraima tem, predominantemente, o fornecimento feito por termelétricas. Em meio a esta realidade, energias de biomassa surgem como alternativa para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e garantir maior segurança energética ao estado.

Usinas utilizam os chamados cavacos de acácia como biocombustível e já responde por 25% da geração de eletricidade em Roraima.

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As quatro usinas que extraem energia das árvores de acácia são da empresa OXE Energia, presente em Roraima desde 2022. Sete usinas ao todo extraem energia de biocombustível no estado a partir de óleos vegetais e resíduos do óleo de palma, extraído da planta do dendê, e do cavaco.

O que são cavacos? São resíduos de madeira resultante da trituração de toras, galhos ou sobras de troncos. São uma fonte de energia renovável, limpa e econômica.

O Grupo Rede Amazônica visitou duas usinas de biomassa do grupo OXE no dia 21 de fevereiro – a usina Bonfim e a Cantá. As duas ficam localizadas em um polo (chamado de cluster) localizado na região da Serra da Lua, no município do Bonfim, Norte de Roraima para entender como funciona o processo.

Cada usina tem uma capacidade de 10 megawatts. Outro cluster fica em Boa Vista, chamado de Jacitara, também conta com duas usinas, Santa Luz e Pau Rainha. Ao todo, a OXE envia 40 megawatts por dia aos 15 municípios de Roraima.

“Nosso projeto foi desenvolvido para transformar a matriz energética do estado, que antes dependia do óleo combustível e da energia vinda da Venezuela. Agora, oferecemos uma alternativa segura”, explicou Marcos Caldas, diretor industrial da OXE Energia.

Energia limpa

A OXE é proprietária de uma área de 2,8 milhões de metros cúbicos de acácia da espécie mangium – usada para a extração do cavaco. O processo envolve a queima de cavacos de madeira, produção de vapor, e operação de turbinas, com um ciclo fechado de água e reaproveitamento de cinzas.

Leonardo Centenaro, gerente de unidade do cluster Serra da Lua, explica que cada etapa é feita em seis partes: processamento da matéria-prima, classificação, armazenamento, combustão, geração de vapor e, por fim a geração de energia. Ao todo, são cerca de 400 funcionários que trabalham em cada etapa.

“Nossa matéria-prima é processada no campo e transportada até a usina. Ao chegar, passa por uma peneira classificadora que separa os materiais adequados para a queima. O cavaco é então armazenado em silos, garantindo segurança operacional e controle de umidade para uma queima eficiente nas caldeiras”, explicou Leonardo.

Usina de extração de energia por cavaco de acácia no município de Bonfim, Norte de Roraima. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Toda a biomassa utilizada vem de áreas de reflorestamento próximas às usinas, localizadas a 15 quilômetros do cluster. A madeira é picada no campo e transportada continuamente para “garantir o suprimento das caldeiras 24 horas por dia”.

“O ciclo de geração é altamente sustentável. Utilizamos água subterrânea de poços semiartesianos, e o sistema de vapor opera em um ciclo fechado, reduzindo significativamente o consumo de água. Além disso, as cinzas resultantes do processo são reaproveitadas como adubo nos próprios plantios, garantindo que nada seja desperdiçado”, detalha Leonardo.

OXE em Roraima

A empresa chegou no estado por conta da “ambiente propício para a plantação de acácia”. Essas madeiras foram plantadas entre 1996 e 2006 por outra empresa e foi adquirida pela OXE em 2022.

“A localização na região amazônica também foi um ponto decisivo para os acionistas, considerando a viabilidade da operação e manutenção de forma sustentável”, destacou Marcos Caldas sobre a escolha de Roraima.

A OXE Energia gera aproximadamente 400 empregos diretos e indiretos, impulsionando a economia local. A empresa possui um contrato de 15 anos com a distribuidora local, estando no terceiro ano de vigência, com possibilidade de renovação por mais 15 anos.

“Nossa geração de energia é 100% limpa, com emissões significativamente menores do que as fontes anteriores, como o óleo combustível pesado. Isso representa um avanço ambiental importante para Roraima”.

Há um acordo firmado entre as usinas de produção de biocombustível e a Roraima Energia. A energia produzida por biomassa é entregue à companhia, que distribui para os consumidores em um contrato firmado com o Governo Federal.

A bioenergia de Roraima é fornecida pelas seguintes usinas termelétricas:

  • Usina Bonfim, que produz biomassa por resíduos florestais (cavaco), localizada no município de Bonfim, Norte de Roraima;
  • Usina Pau Rainha, que produz biomassa por resíduos florestais (cavaco), localizada em Boa Vista;
  • Usina Santa Luz, que produz biomassa por resíduos florestais (cavaco), localizada em Boa Vista;
  • Usina Cantá, que produz biomassa por resíduos florestais (cavaco), localizada no município de Cantá, Norte de Roraima
  • Usina BBF Baliza, que produz biocombustível por resíduos de óleos de palma, localizada no município de São João da Baliza, Sul de Roraima;
  • Usina BBF Forte São Joaquim, que produz biocombustível por meio de óleos vegetais, localizada em Boa Vista
  • Usina Palmaplan, que produz biocombustível por meio de óleos vegetais, localizada em Rorainópolis, Sul de Roraima.

Para seguir com a extração de energia por cavacos, a OXE iniciou o plantio de eucalipto e a previsão é que as árvores estejam prontas para a extração de energia em 2040.

Rede Amazônica visita usinas

O CEO do Grupo Rede Amazônica Phelippe Daou Jr visitou as usinas da OXE na Serra da Lua para conhecer os processos. Para ele, o crescimento da matriz renovável também abre caminho para novos investimentos no estado e esse avanço cria um ambiente favorável ao desenvolvimento econômico.

“Empreendimentos como esse garantem segurança energética e impulsionam novos negócios. Roraima tem um grande potencial de crescimento, principalmente com a expansão da energia limpa”, afirma o CEO.

CEO do Grupo Rede Amazônia, Phelippe Daou Jr visitou a usina da OXE em Bonfim, Norte de Roraima. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Ele destaca a importância de valorizar fontes de energia renováveis para garantir a sustentabilidade a longo prazo e reduzir a dependência de combustíveis fósseis, que além de caros, impactam negativamente o meio ambiente.

“Fiquei impressionado com o trabalho da OXE Energia em Roraima. Visitar as usinas nos permitiu entender melhor essa operação, que, apesar de parecer simples, é extremamente bem executada”.

Isolamento energético

Roraima é o único estado do país que não é ligado ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e, durante anos, dependeu da energia fornecida pela Venezuela. No entanto, o país parou de enviar energia ao estado em março de 2019 e, desde então, o trabalho é feito por quatro termelétricas da Roraima Energia.

O parque térmico do estado é formado pelas usinas termelétricas de Monte Cristo, na zona Rural de Boa Vista, Jardim Floresta e Distrito, ambas na zona Oeste, e Novo Paraíso, em Caracaraí, região Sul do estado.

Atualmente, duas turbinas da Usina Termoelétrica Jaguatirica II já estão em operação e ajudam a reduzir o consumo da usina termelétrica do Monte Cristo, que funciona a óleo diesel.

Os 715 km do Linhão de Tucuruí são apontados como o fim do isolamento elétrico e dos constantes blecautes. O início da obra foi foco de um impasse por 11 anos, já que 122 km de torres vão atravessar a reserva Waimiri Atroari.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o Linhão de Tucuruí?

Sem a energia importada, o custo para fornecimento elétrico estado é de R$ 8 bilhões por ano — conta que é dividida entre todos os consumidores de energia elétrica do país. E, para reverter esta situação, a solução é construção do Linhão de Tucuruí.

*Por Caíque Rodrigues, da Rede Amazônica RR

Propostas de redução das unidades de conservação brasileiras ameaçam compromisso com desmatamento zero

Parque Estadual do Cristalino II (MT) é uma das áreas sob pressão mapeadas pelo trabalho. Foto: Aline Gama Baptista/Wikimedia Commons

As unidades de conservação são fundamentais para a manutenção da biodiversidade, a regulação dos ecossistemas e a redução dos impactos das mudanças climáticas. Também são cruciais para que o Brasil cumpra o compromisso de atingir o desmatamento zero até 2030.

No entanto, as políticas públicas brasileiras não têm sido exitosas em proteger e ampliar esses territórios. É o que constata artigo publicado no dia 24 de fevereiro na revista científica ‘Perspectives in Ecology and Conservation‘ por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e parceiros de outras instituições brasileiras.

O estudo alerta para os riscos associados à tendência de propor redução, rebaixamento ou extinção do status de proteção de unidades de conservação brasileiras. Os autores apresentam o caso do Parque Estadual Cristalino II, criado em 2000 e localizado no estado do Mato Grosso, na parte sul da Amazônia – região conhecida como “arco do desmatamento”.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a nova fronteira do desmatamento?

Em abril de 2024, o Tribunal de Justiça do estado (TJMT) decidiu a favor da extinção do parque a partir de ação movida por empresa privada. No final de 2024, o Ministério Público Federal (MPF) pediu que a ação fosse analisada pela Justiça Federal alegando que a manutenção do parque é fundamental para a proteção da Amazônia.

Os cientistas também mencionam projetos de lei que buscam diminuir o nível de proteção dos parques nacionais da Serra do Divisor, no Acre, e do Iguaçu, no Paraná. A ameaça é resultado de uma pressão política e econômica que favorece os interesses de grandes proprietários de terras e do agronegócio, avalia o pesquisador do INPA Philip Fearnside, um dos autores do artigo. “É uma coisa evidente no Brasil. O parque Cristalino é um problema urgente, imediato, mas o alerta não é só sobre ele, mas sobre todas as áreas que precisam ser preservadas no país”.

Segundo os autores, o Congresso Nacional tem dado suporte a políticas que enfraquecem as leis ambientais e as agências de fiscalização, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Essa situação cria um cenário de desmonte da proteção ambiental, com redução de multas e embargos por crimes ambientais, e a noção de que a proteção ambiental impede o desenvolvimento econômico, avaliam.

Para Fearnside, a conservação da Amazônia deve ser uma questão constante na COP30, que acontece em novembro de 2025 em Belém (PA). Segundo ele, a conservação das áreas protegidas precisa ser vista como uma prioridade estratégica para o Brasil, não apenas para o cumprimento de acordos internacionais, mas para a garantia do bem-estar social e econômico do país. Por isso, os cientistas seguirão acompanhando as políticas públicas de proteção ambiental diante da necessidade de combate ao desmatamento e à degradação ambiental.

DOI: https://doi.org/10.1016/j.pecon.2025.01.001

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Égua com corpo de mulher? Saiba de qual bloco de Manaus essa boneca é símbolo do Carnaval

Foto: Paulinho Tavares/Acervo pessoal

No Carnaval tudo é possível, mas você já ouviu falar da banda que tem como mascote uma boneca com corpo de mulher e cara de égua? Para dizer no mínimo que é algo inusitado, essa é uma das surpresas divertidas do Carnaval em Manaus (AM).

Com mais de 30 anos de história e tradição nas festividades carnavalescas de Manaus, a Bhanda da Bhaixa da Hégua faz a alegria dos foliões do Bairro Educandos, na Zona Sul de Manaus, com uma presença ilustre. 

O nome é o mesmo desde sua criação, escolhido na época pelos fundadores Wagner ‘Vavá’, Paulo Tavares, João Branco, Coronel Benfica, Renato Freitas e demais amigos. O uso de ‘Hs’ extras no nome vem da expressão “isso é H”, ou seja, isso é mentira, uma expressão típica da região. Muito utilizada quando uma pessoa diz que vai fazer algo, quando se sabe que ela não vai.

Foto: Paulinho Tavares/Acervo pessoal

E a presença de um mascote tão diferente é explicada pelo presidente da banda, Paulo Tavares, o ‘Paulinho’. Afinal, como surgiu a ideia de representar o famoso bloco manauara com uma boneca tão diferente? 

“A origem se deu em razão de uma famosa rua do bairro Educandos que tem uma baixada, a rua Inácio Guimarães. O nome se deu porque na baixada da rua existiam duas éguas, que viviam lá, na década de 50. As éguas eram usadas para transportar água para os tanques das casas pelas ruas do bairro. Já a forma como se escreve, se deu em razão de na década de 90, surgir um jargão popular com a letra H, em que diziam ‘você só tem H’, para alguém que estivesse mentindo”.

Vira, mexe e então surgiu a Hégua: a boneca que, segundo Paulinho, foi criada com o intuito de valorizar as curvas da mulher brasileira, mas com o rosto da égua, representando o bairro. O curioso é que a personagem foi baseada em uma mulher real: a ex-primeira dama do Brasil, Roseane Collor, esposa do ex-presidente Fernando Collor de Mello.

Segundo ele, foi enviada uma carta para o gabinete do presidente pedindo autorização para seguir com a ideia. “Eles acharam o maior barato e responderam que sim, que podiam fazer a boneca da primeira dama. Infelizmente, a carta presidencial desapareceu e até hoje ninguém sabe quem levou”, conta.

A boneca foi usada pela primeira vez em 1991, sendo esta a data de fundação e legalização da documentação da banda. Porém, segundo Paulinho, a banda existe de fato, historicamente, desde 1986, sendo uma das mais antigas de Manaus.

Paulo Tavares conta também que, no início, a forma como a boneca se apresentava em público era diferente, além de ter sido reestruturada várias vezes durante a sua história. 

Foto: Paulinho Tavares/Acervo pessoal

Não tem tripa

Tradicionalmente, no Amazonas, os manipuladores de grandes bonecos como os bois de Parintins são conhecidos como ‘tripas’. No entanto, a Hégua não é desse jeito. Em forma de charge, a grande boneca é levada pelos foliões ganhando destaque por onde passa.

“A boneca já foi remodelada várias vezes, passando por algumas mudanças. Antigamente era só a cabeça e embaixo ficava uma pessoa dançando. Mas hoje não existe mais essa pessoa, somente a boneca”, revelou o fundador. 

Versão da Hégua em 2017. Foto Reprodução/Rede Amazônica AM

“A manutenção da tradição do verdadeiro Carnaval de rua que se mantém vivo até hoje, sem cobrança de taxa, ingresso ou qualquer tipo de valor, essa é a diferença da Hégua para as demais bandas”, declara o presidente sobre a função social e cultural da banda, de permanecer acessível e incentivar não só a alegria, mas também o comércio local.

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Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Livro colaborativo reúne conhecimentos e práticas Kayapó no uso de plantas medicinais

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Foto: Reprodução/Livro ‘Mebêngôkre nhõ pidj’y: remédios tradicionais Mebêngôkre-Kayapó’

Evidenciar os conhecimentos e as práticas do povo Kayapó relacionadas ao uso de plantas medicinais é o tema central do livro ‘Mebêngôkre nhõ pidj’y: remédios tradicionais Mebêngôkre-Kayapó‘, de autoria de especialistas indígenas da etnia, editado pela etnobotânica Márlia Coelho-Ferreira e pela antropóloga Claudia López Garcés, pesquisadoras do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), está disponível no formato digital no portal da instituição.

Os autores, lideranças indígenas e especialistas-sabedores dos tratamentos tradicionais em saúde Mebêngôkre (Mebêngôkre Djukanê), são: Parityk Kayapó, Kaikwa-re Kayapó, Tabo Kayapó, Takwyri Kayapó, Banhi-re Kayapó, Bekwynhbô Kayapó, Bekwyhngoti Kayapó, Nhakture Kayapó.

A obra, publicada em 2020 no contexto da pandemia de Covid-19 pelo Núcleo Editorial de Livros do Museu Goeldi, é resultado da experiência de pesquisa participativa “Saúde e soberania alimentar entre os Mebêngôkre-Kayapó: conhecimentos, práticas e inovações”, desenvolvida em colaboração com os Mebêngôkre-Kayapó das aldeias Las Casas e Moikarakô, localizadas nas Terras Indígenas Las Casas e Kayapó, respectivamente, na região sudeste do Pará.

Outro resultado do trabalho foi o documentário “Mebengôkre Djukanê”, produzido pelo cinegrafista Banhi-re Kayapó e pelas cientistas do Museu Goeldi, com o intuito de registrar audiovisualmente o trabalho realizado no livro com os conhecimentos e as práticas de especialistas em saúde Mebêngôkre e de mães de família da etnia. No filme, o foco são as experiências individuais e o papel desempenhado por cada um no âmbito da medicina tradicional.

Lançamento – A divulgação do livro e do documentário foi um dos destaques do I Encontro de Parteiras, Pajés e equipe de Saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena – DSEI Kayapó do Pará, no campus da Universidade Estadual do Pará (UEPA), em Redenção, em dezembro de 2024. Segundo a pesquisadora e coorganizadora do livro, Márlia Coelho-Ferreira, o evento veio ao encontro de uma reivindicação de reconhecimento dos especialistas tradicionais que perdurava desde 1986, quando houve a 1ª Conferência Nacional de Saúde Indígena. Somente em 2024 foi criado o grupo de trabalho “Medicinas Indígenas” dentro da Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (SESAI/MS) para elaborar a proposta de programa em medicinas indígenas no Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, unidade do Sistema Único de Saúde (SasiSUS).

“A divulgação do livro e a exibição do visual “Mebêngôkre Djukanê” nesse Encontro foi providencial, sobretudo porque contou com a participação de representantes de instituições de saúde do Município e do Ministério da Saúde, profissionais da saúde indígena, acadêmicos de medicina e a comunidade mebêngôkre. Ambos os produtos vêm sendo reconhecidos como fundamentais nesse contexto”, enfatiza a etnobotânica.

Obra coletiva

A equipe que realizou o trabalho foi formada pelas pesquisadoras do MPEG responsáveis pela organização do livro e por lideranças indígenas e especialistas-sabedores dos tratamentos tradicionais em saúde Mebêngôkre (Mebêngôkre Djukanê): Parityk Kayapó, Kaikwa-re Kayapó, Tabo Kayapó, Takwyri Kayapó, Banhi-re Kayapó, Bekwynhbô Kayapó, Bekwyhngoti Kayapó, Nhakture Kayapó. Os autores indígenas são dois pajés (wayangá), um raizeiro (me kuté pidjy màre), três mulheres mães de família, o representante, naquela ocasião, do Conselho Indígena de Saúde (CONDISI) junto ao DSEI Kayapó do Pará, em Redenção, e o jovem cinegrafista do quadro do distrito.

Os Kayapó receberam o livro e o documentário com alegria e reconhecimento, pois atendem, de certa maneira, aos anseios pontuados décadas atrás.

“Para eles, tanto o livro quanto o documentário são motivo de orgulho, pois, por um lado, participaram ativamente da concepção e elaboração de ambos, dos quais são reconhecidamente autores; por outro, os vêem como um passo inicial e imprescindível para a valorização da medicina tradicional Kayapó ou do ‘Mebêngôkre Djukanê’”, afirma a pesquisadora Márlia Coelho.

A repercussão foi muito positiva aos olhos dos órgãos que apoiaram as produções, nomeadamente a FUNAI, CR de Tucumã e CL de Redenção, e sobretudo o DSEI Kayapó, que vem fazendo a divulgação do trabalho, incentivados pela criação do GT de Medicinais Tradicionais.

O Museu Goeldi e os Mebêngôkre-Kayapó

Os primeiros registros das práticas e saberes tradicionais de plantas medicinais dos Mebêngôkre-Kayapó foram feitos pela etnofarmacóloga Elaine Elisabetsky no Projeto Kayapó, coordenado pelo antropólogo Darrel Posey (in memorian), que foi pesquisador do Museu Goeldi. O projeto permitiu uma profunda compreensão da vida e da estrutura do conhecimento dos Mebêngôkre.

O início do trabalho foi na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), onde Darrell Posey era professor. Em 1986, já contratado pelo Museu Goeldi, estabeleceu o Núcleo de Etnobiologia e reformulou o projeto ampliando a rede científica, com foco nos processos de mudanças causados no ambiente pela presença indígena e suas práticas de manejo. O intuito final era utilizar o conhecimento indígena sobre plantas e animais úteis em projetos de manejo sustentável de recursos nos Territórios Indígenas e áreas vizinhas em estado de degradação ou desmatadas pela pecuária, mineração e pela extração de madeira.

No artigo científico ‘Para além do colonialismo: a sinuosa confluência entre o Museu Goeldi e os Mebêngôkre’, de autoria de Nelson Sanjad, Claudia Leonor López-Garcés e Roberto Araújo, pesquisadores e pesquisadora do Museu Goeldi, Matheus Camilo Coelho (UFPA) e Pascale de Robert (IRD-FR), e publicado na revista Anais do Museu Paulista, é recuperado o histórico da relação entre os indígenas e a instituição. A partir do século XXI foi originada uma colaboração em museologia participativa expandida também para outras categorias patrimoniais. Através de pesquisas etnobotânicas realizadas nos territórios Mebêngôkre foram coletadas amostras que, posteriormente, foram identificadas e depositadas no Herbário João Murça Pires, do MPEG.

A prática, regulamentada na legislação brasileira, acabou dando origem a uma segunda categoria de coleção Mebêngôkre, caracterizada como coleção biocultural, uma vez que espécimes botânicos aparecem associados a saberes tradicionais, sejam rituais, medicinais, alimentícios, tecnológicos, ornamentais ou para uso doméstico. Da mesma maneira, a cultura material Mebêngôkre continua sendo documentada na Reserva Técnica Curt Nimuendajú, porém, agora selecionada pelos próprios indígenas, que decidem o que e como deve ser preservado.

Nos primeiros momentos, a assimetria caracterizou essa relação. Entretanto, nos momentos posteriores foi possível observar tanto o Museu Goeldi quanto os indígenas envolvidos em movimentos de reconfiguração, pautados por questões políticas, sociais e ambientais. “Na atualidade, essa relação pode ser caracterizada como colaborativa, na medida em que os indígenas são incorporados como pesquisadores nos projetos de investigação. Por outro lado, esses projetos também levam em conta demandas das comunidades onde são executados, isto é, são concebidos e planejados a partir de uma agenda negociada que conflui em responsabilidades e benefícios partilhados”, de acordo com o artigo.

*Com informações do Museu Goeldi

Estradas cortam ou se aproximam de 41% da área de floresta na Amazônia, mostra mapeamento inédito

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Trecho da BR-319 no Amazonas. Foto: Divulgação/DNIT

Relacionadas com o avanço do desmatamento, as estradas já cortam ou estão a menos de 10 km de 41% da área florestal amazônica no Brasil. A conclusão foi de um mapeamento inédito realizado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) com auxílio de inteligência artificial, que identificou 3,46 milhões de km de vias na Amazônia Legal.

Leia também: 2025 inicia com registro de aumento de 68% no desmatamento da Amazônia

Publicada recentemente na revista científica internacional Remote Sensing, a pesquisa também mostra em quais tipos de territórios estão as estradas mapeadas. Embora a maior parte fique em propriedades privadas e assentamentos (67%), um terço está sobre terras públicas (33%). E, entre as diferentes categorias de áreas públicas, as que têm o maior comprimento de estradas são as chamadas de “não destinadas”: 854 mil km. Elas concentram um quarto das vias mapeadas em toda a Amazônia (25%), o que provavelmente indica que estão sendo pressionadas por crimes ambientais como extração ilegal de madeira, garimpo e grilagem.

Já nas áreas protegidas foram encontrados 280 mil km de estradas, 8% do total na Amazônia, sendo principalmente em unidades de conservação, 184 mil km (5%), e em terras indígenas, 91 mil km (3%). Números que os autores da pesquisa afirmam representar uma alta pressão de vias e, consequentemente, do desmatamento nesses territórios.

“Por isso, mapear e monitorar as estradas é crucial para identificar ameaças à floresta e aos povos e comunidades tradicionais que vivem nela, como indígenas, quilombolas e ribeirinhos. Em estudos anteriores, já havíamos indicado que 95% do desmatamento na Amazônia se concentrava em até 5,5 km das estradas. E que 85% das queimadas ocorriam em até 5 km delas”, explica o coordenador da pesquisa, Carlos Souza Jr.

Além da proteção ambiental, o estudo também chama a atenção sobre a importância do mapeamento e do monitoramento das estradas para aprimorar o planejamento urbano e os sistemas de transporte. Ou seja: pode ajudar gestores públicos a tomar melhores decisões para o desenvolvimento sustentável da região.

Territorios - Estradas cortam ou se aproximam de 41% da área de floresta na Amazônia, mostra mapeamento inédito
Territorios2 - Estradas cortam ou se aproximam de 41% da área de floresta na Amazônia, mostra mapeamento inédito

Maior densidade de estradas está no arco do desmatamento

Realizada a partir de imagens de satélite de 2020, a pesquisa mostra que a maior densidade de estradas está no chamado “arco do desmatamento”. A região abrange os territórios de Rondônia, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão, além da parte do Pará que faz divisa com esses últimos três estados. No entanto, em relação a um estudo anterior do Imazon que mapeou estradas de forma manual, em 2016, os pesquisadores identificaram que há mais vias atualmente nas regiões chamadas de “novas fronteiras do desmatamento”. São o Sul do Amazonas, o Oeste do Pará e a Terra do Meio, também em solo paraense.

mapa densidade estradas - Estradas cortam ou se aproximam de 41% da área de floresta na Amazônia, mostra mapeamento inédito
Mapa mostra densidade de estradas na Amazônia Legal. Imagem: Reprodução/Imazon


Na comparação por estado, a pesquisa mostrou que o Mato Grosso e o Pará possuem as maiores quilometragens de estradas. Porém, foram o Tocantins e o Maranhão que apresentaram a maior densidade de vias.

Estados km percentual densidade - Estradas cortam ou se aproximam de 41% da área de floresta na Amazônia, mostra mapeamento inédito

Algoritmo de inteligência artificial revolucionou análise das estradas

Este foi o primeiro estudo que mapeou estradas com auxílio de inteligência artificial na Amazônia, o que foi feito a partir de um algoritmo criado pelo Imazon. Essa tecnologia permitirá realizar o monitoramento com maior agilidade, frequência e assertividade. Isso porque, após receber treinamento de como identificar as vias nas imagens de satélite, o algoritmo foi capaz de mapear mais estradas do que o olho humano. Ou seja, será possível fazer análises mais assertivas da relação entre as vias e os danos socioambientais na Amazônia.

 “O trabalho manual de identificação das estradas nas imagens de satélite, que demorava meses para ser feito pelos pesquisadores, agora é realizado por apenas sete horas pelo nosso algoritmo de inteligência artificial. A equipe de pesquisa ficará mais livre para realizar diversas análises a partir desses dados”, comemora Souza Jr.

A publicação ainda alerta que, justamente por ter sido o primeiro mapeamento com esse tipo de tecnologia, não é possível compará-lo com estudos mais antigos, onde a identificação das estradas ainda era manual. Para analisar o avanço das vias ao longo do tempo na Amazônia, os pesquisadores pretendem usar o método de mapeamento por inteligência artificial com as imagens de satélite dos anos anteriores. Assim, será possível criar uma série histórica.

Além disso, o estudo recém-publicado também não separa as estradas mapeadas entre oficiais e não oficiais. Estima-se, no entanto, que a grande maioria das vias identificadas não sejam oficiais, passando de 3 milhões de quilômetros.

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Dados das estradas já estão em uso por plataforma de previsão de desmatamento

A base de dados das estradas gerada com auxílio de inteligência artificial pelo Imazon já está sendo usada na prática pela plataforma de previsão de desmatamento PrevisIA. Aliás, devido à grande relação entre a abertura de estradas e os novos desmatamentos, essa é a principal variável do modelo de risco da ferramenta.

Criada no ano passado pelo Imazon em parceria com a Microsoft e o Fundo Vale, a PrevisIA já se mostrou uma plataforma assertiva na indicação das áreas sob maior risco de derrubada da floresta. Na última análise realizada, 75% do desmatamento ocorrido estava em um raio de até 4 km do ponto estimado pela ferramenta.

Clique aqui para baixar o estudo completo.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon

Carnaboi 2025: Veja as atrações do primeiro dia da festa em Manaus

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

O Carnaboi 2025 será realizado nos dias 7 e 8 de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul de Manaus, com entrada gratuita. E, com uma programação recheada de sucessos dos bois-bumbás, diversas atrações foram confirmadas.

Confira as que marcarão presença e horários das apresentações do dia 7 de março:

1ª noite – ‘Exaltação Cultural: O Amazonas é Boi-Bumbá

19h – Grupo A Toada & Robson Jr
19h40 – Grupo Kboclos & Márcio do Boi
20h20 – João Paulo Faria & Carlos Batata
21h – Fabiano Neves & Klinger Jr
22h15 – Carnaboi 2025 – É Festa de Boi-Bumbá
23h45 – Sebastião Jr. & Leonardo Castelo
00h25 – Prince do Caprichoso & Júnior Paulain
01h05 – Israel Paulain & Carlinhos do Boi
01h45 – Edmundo Oran & Canto da Mata
02h25 – Toada de Roda & Felipe Júnior

Veja também: Carnaboi 2025: Veja as atrações do segundo dia da festa em Manaus

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Exposição reúne fotografias históricas de Jacques Huber no Museu do Círio, em Belém

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Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

A exposição ‘Encontros: círios de fé, resistência e identidade na Amazônia’ está aberta e disponível para visitação no Museu do Círio até 15 de setembro de 2025 em Belém (PA). A realização da mostra é fruto da parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e conta com a co-curadoria de Nelson Sanjad, historiador e pesquisador da instituição sesquicentenária.

Dividida em cinco eixos, a mostra celebra a religiosidade e a memória coletiva. Na seção ‘O Círio negro de Jacques Huber’ os visitantes podem conferir preciosas imagens do Círio de Nossa Senhora de Nazaré produzidas entre 1895 e 1905  capturadas pelo botânico suíço, ex-diretor do Museu Goeldi e pioneiro que impulsiona os estudos botânicos na Amazônia brasileira.

Leia também: Confira 14 curiosidades sobre o Círio de Nazaré

Jacques Huber (1867-1914) foi para Belém em 1895 contratado por Emílio Goeldi, então diretor do Museu Paraense de História Natural e Etnografia, antigo nome do MPEG, e comandou a instituição de 1907 até o seu falecimento, em 1914.

Huber é também um dos pioneiros da fotografia científica, tendo aprimorado os seus métodos de registro fotográfico, aplicando-os não somente à pesquisa em botânica, como também à documentação de cenas do cotidiano, o que o torna igualmente o primeiro a fazer uma etnografia visual do Círio.

A seção intitulada ‘O Círio negro de Jacques Huber’, da exposição  ‘Encontros: círios de fé, resistência e identidade na Amazônia’, tem como intuito trazer à tona as identidades das pessoas que formavam a procissão e foram invisibilizadas na memória coletiva  e também na historiografia.

De acordo com Sanjad, as obras apresentam uma perspectiva absolutamente diferente da procissão:

“Já se sabia que a devoção à Nossa Senhora de Nazaré foi apropriada por afro-brasileiros no século XIX e que eles acompanhavam a procissão em massa. Mas não tínhamos imagens que demonstrassem isso, a dimensão da participação de negros nem seu papel ou protagonismo na festa”.

Para Sanjad, a inexistência de fotografias do Círio no século XIX está diretamente relacionada ao protagonismo dos afro-brasileiros na procissão e nas festividades do arraial.

“As elites simplesmente não se interessavam ou não se identificavam, apesar de participarem da procissão, de longe ou de suas varandas e balcões, e de algumas atrações do arraial, sobretudo os homens. As fotografias de Huber vieram para preencher essa lacuna, demonstrando o protagonismo dos negros na procissão”, enfatiza o pesquisador.

A primeira fotografia dele sobre o Círio é um registro realizado da varanda do Theatro da Paz em direção à atual Avenida Presidente Vargas. A foto foi produzida dois meses após a chegada do cientista em Belém, em 1895, quando ele assistia à procissão pela primeira vez. A partir deste contato inicial, Jacques Huber fez registros pioneiros da festividade, que geraram novas questões e pesquisas depois de as fotos serem (re)descobertas no ano de 2014, graçasa um projeto de pesquisa do Museu Goeldi, financiado pela CAPES e desenvolvido em colaboração com o Museu de História Natural de Berna, na Suíça.

A colaboração estabelecida entre o Museu Goeldi e o Sistema Integrado de Museus e Memoriais (SIMM), unidade da Secretaria de Cultura do Pará (Secult-PA) que mantém o Museu do Círio, começou a ser discutida em 2024. Segundo o Coordenador de Museologia do MPEG, Emanoel Fernandes Jr., “a parceria surgiu pautada na ideia de que as instituições museais da região partilham muito mais do que definições conceituais e, eventualmente, acervos em comum, e que por isso devem se organizar em torno de cooperações dessa natureza”.

Emanoel considera que aborda  a exposição o Círio como palco de múltiplas identidades e resistências culturais que, ao longo dos séculos, vêem moldando essa manifestação tão importante para a região.

A exposição está disponível no Museu do Círio (Rua Pe. Champagnat, s/n, Cidade Velha – Complexo Feliz Lusitânia), de terça a quinta-feira (9h às 14h) e sexta a domingo (9h às 17h).

*Com informações do MPEG