A disputa entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido no Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, atrai milhares de pessoas que buscam conhecer de perto a festa popular. Mas muito além do Bumbódromo, a principal atração da festa, por se tratar do local onde a disputa ocorre, Parintins possui uma rota turística rica e cheia de atrativos.
Pensando em como fazer o turista, ou até mesmo o parintinense, conhecer outros locais da cidade, que foi criado o ‘Passaporte Parintins’, disponibilizado pelo Governo do Amazonas, por meio da Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur).
Na edição de 2025, a entrega começou no dia 26, na Estação do Turismo, instalada no complexo Turistódromo, na Avenida Amazonas, em frente a praça da Catedral Nossa Senhora do Carmo.
O Passaporte indica os principais atrativos turísticos da cidade e, por meio de carimbos personalizados, o público faz o percurso os coletando, para no fim receber um brinde.
O circuito deste ano inclui:
Estação do Turismo,
Bumbódromo,
Catedral de Nossa Senhora do Carmo,
Praça Digital,
Mercado Municipal Leopoldo Neves,
Universidade do Estado do Amazonas (UEA/Estande),
Panavueiro Fest
e Porto da cidade.
A distribuição do Passaporte Parintins segue até domingo (29/06) com quantidade limitada, sendo de 9h30 e 14h30. Já no domingo, somente às 9h30h.
Confira os pontos selecionados para este ano no percurso:
Depois de pegar o Passaporte Parintins, que já vem carimbado com o Turistódromo, o público pode iniciar o percurso por onde achar melhor. Um dos pontos é a Catedral de Nossa Senhora do Carmo. Foto: Clarissa Bacellar/Portal AmazôniaNão muito longe é possível encontrar três pontos próximos: o primeiro deles é a Praça Digital. Foto: Clarissa Bacellar/Portal AmazôniaBem ao lado, o segundo local é o Mercado Municipal. Foto: Clarissa Bacellar/Portal AmazôniaO terceiro ponto pegando esta rota é o Porto. Foto: Clarissa Bacellar/Portal AmazôniaVoltando, o estande da UEA fica ao lado da Catedral. Foto: Clarissa Bacellar/Portal AmazôniaE “colado” à UEA é possível pegar o carimbo na área do Panavueiro Fest. Foto: Clarissa Bacellar/Portal AmazôniaNesta rota, o último local foi o Bumbódromo. Foto: Clarissa Bacellar/Portal AmazôniaAo retornar para o Turistódromo e entregar o Passaporte na Estação do Turismo, se recebe o carimbo final, validando para a escolha do brinde. Foto: Clarissa Bacellar/Portal AmazôniaBrindes são entregues no fim do roteiro após a validação de todos os carimbos. O público escolhe o que gostar mais. Foto: Clarissa Bacellar/Portal AmazôniaEstande abre para a distribuição do Passaporte Parintins 9h30 e 14h30. Já no domingo (29), somente às 9h30. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Ao lado da Catedral de Nossa Senhora do Carmo e do Bumbódromo – os dois maiores templos religiosos e culturais de Parintins –, o estúdio de vidro da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) iniciou, nesta quinta-feira (26/6), a transmissão, ao vivo, do programa “Toada do Milton”. A revista eletrônica comandada pelo artista Milton Cunha será exibida até domingo (29/6), pelo canal oficial da UEA, no YouTube, das 14h30 às 18h30.
Além das redes sociais da UEA, o público poderá acompanhar o programa pelo canal do Amazon Sat e Portal Amazônia, que transmitirão, na integra, a revista eletrônica para o Amazonas e mais outros quatros estados: Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Macapá (AP) e Boa Vista (RR). O portal G1 Amazonas também fará a exibição do “Toada do Milton”.
O start do programa foi dado pelo reitor da UEA, prof. Dr. André Luiz Nunes Zogahib, que participou da abertura, por vídeo, diretamente de Londres. Em seguida, o secretário de Cultura do Amazonas, Caio André, confirmou a presença no estúdio da UEA para falar da grandiosa produção para o festival de Parintins e, também, parabenizar a universidade por mais essa ação que contribui para difundir e fortalecer a cultura do Amazonas.
“É com muita honra que anunciamos a presença do artista Milton Cunha que, além de carnavalesco e comunicador, é pesquisador do Laboratório de Estudos do Discurso, Imagem e Som (Labedis), motivo pelo qual foi escolhido pela UEA para colaborar com esse projeto acadêmico. Então, como acadêmico e bolsista da UEA na categoria extensionista visitante, Milton Cunha está presente nesse grande movimento festivo e cultural que é o Festival de Parintins.”, completou André Zogahib.
O programa “Toada do Milton”, além de ser uma ferramenta que mostrará a importância do ensino, pesquisa e extensão universitária no cotidiano do festival, destacará a produção e difusão da cultura e do conhecimento e expressão folclórica da universidade para a região Norte, por meio de um grande pesquisador. Servirá como base para a produção do terceiro pós-doutorado de Milton Cunha, pelo Museu Nacional e Laboratório de Estudos do Discurso Imagem e Som (Labedis).
No escopo das atividades do projeto, a UEA, por meio de sua Editora, produzirá uma obra a partir dos discursos, imagens e sons captadas durante o programa. O livro, que será parte do terceiro pós-doutorado de Milton, terá como título: “Opera Cabocla: narrativas dos bumbás Caprichoso e Garantido”, a ser lançado ainda em 2025.
Programa “Toada do Milton”
A atração conta com diversos quadros que foram pensados para regionalizar as entrevistas e transportar os convidados a uma viagem na história dos bumbás Caprichoso e Garantido, além de outros setores da cultura Tupinambarana.
Milton Cunha receberá os convidados em um estúdio que foi pensado para que, além dos telespectadores do canal, os visitantes da ilha também possam acompanhar, de perto, vivenciando o clima de festividade que invade Parintins no mês de junho e que, agora, fará parte do programa “Toada do Milton”.
O projeto Parintins de 2025 marca a presença da UEA, com expressão nacional, a partir da participação de Milton Cunha, ícone da cultura nacional e um estudioso das festas populares do Brasil.
Conheça alguns dos quadros que dão o tom irreverente e amazônico ao “Toada do Milton”: “Estouro da Boiada“, “Miolo dos Bois“, “Tô Brocado“, “Berrante Histórico“, “Mugido do Boi“, “Mecenas“, “Acredite Se Quiser“, “Criador e Criatura“ e “Universidade Cabocla“.
Assista o primeiro:
Editora UEA
No primeiro dia do “Toada do Milton”, a UEA lançou a história da cunhã Isabelle Nogueira. Em outra, a obra celebra o legado das lendas do boi Caprichoso. Na história, Cunhã sai de uma sala de aula e embarca, com seus amigos Manu e Gerson, sua mãe Jaqueline e a arara Jackson, em uma viagem de barco rumo ao Festival de Parintins. Pelo caminho, o grupo vive aventuras que celebram os mitos, os saberes do povo da floresta e os encantos da Amazônia, em uma narrativa que mescla coragem, fantasia e tradição.
Com ilustrações marcantes e linguagem acessível, a HQ busca dialogar com leitores de todas as idades, despertando o interesse pelas raízes culturais da região, por meio de uma estética cuidadosa que transporta o leitor para a Parintins, a Ilha da Magia.
Do lado azul, a Editora UEA também apresentou a obra organizada por Diego Omar, professor da UEA, além de Thayron Rangel e Roberto Sena. O livro é resultado de trabalho iniciado no Centro de Documentação e Memória do Boi-bumbá Caprichoso. A obra reúne, em palavras e imagens, as lendas que encantaram o público nas apresentações do Caprichoso no Festival de 1996, resgatando parte essencial do legado artístico e da memória cultural amazônica.
3 cursos no Liceu de Parintins que incentivam artistas. Arte: Jorel Carter
Localizado no Centro Cultural de Parintins – Bumbódromo, o Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro incentiva a arte e o legado dos parintinenses para o mundo. O local recebe o embate anual entre Caprichoso e Garantido, mas também é a casa em que muitos artistas se formam.
Esta é a primeira unidade do liceu mantida pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, fora da capital Manaus.
Segundo o turismólogo do Liceu Parintins, Jair Almeida, em pouco mais de uma década o liceu já transformou a realidade dos parintinenses, pois investe na formação de toda uma geração que mantém viva a chama dos bois-bumbás. Confira alguns dos cursos mais procurados oferecidos pela escola de artes:
Paikicés e Kaçaurés são os nomes dados aos trabalhadores responsáveis por mover as gigantescas alegorias do Festival Folclórico de Parintins dos bois Caprichoso e Garantido, respectivamente. Embora pouco reconhecidos, esses homens são essenciais para a magia que se desenha na arena do Bumbódromo.
No boi Garantido, esses trabalhadores são chamados de Kaçauerés, termo que vem da língua Nheengatu e significa ‘formiga’. Já no boi Caprichoso, eles recebem o nome de Paikicés, palavra de origem Munduruku que pode ser traduzida como ‘formiga de fogo’.
Ambas as denominações remetem a imagem da formiga por um motivo especial: assim como os insetos são capazes de carregar objetos muito maiores que seu próprio corpo, os trabalhadores movimentam as imensas estruturas cenográficas que encantam o público durante as apresentações.
Kaçauerés trabalhando no translado de alegorias. Foto: Reprodução/Facebook-Boi Garantido
O termo e a função surgiram oficialmente em 1990, quando a complexidade das alegorias cresceu e se tornou necessário organizar um grupo específico para o translado dessas estruturas. Hoje, mais de 100 homens se inscrevem, com cerca de um mês de antecedência, para atuar na função.
Apesar de não serem considerados itens oficiais da disputa, os Kaçauerés e Paikiscs são parte vital do item 16, alegoria, garantindo que tudo esteja posicionado no tempo e local certos, e do item 21, pois além de tudo são responsáveis por manter a organização do Conjunto Folclórico.
Paikicés trabalhando no translado de alegorias. Fotos: Arleison Cruz/Site oficial Boi Caprichoso
Com o calor da Amazônia, o som das toadas e o espírito do Festival Folclórico de Parintins no ar, as filas para a galera dos bois Caprichoso e Garantido voltaram a se formar oficialmente nesta sexta-feira (27), após liberação do Ministério Público do Amazonas (MP-AM). A espera, para muitos, é sinônimo de paixão, resistência e entrega total à tradição que move a ilha Tupinambarana.
A fila azulada ganhou vida com a presença de Juliangela Souza, de 48 anos, que há mais de três décadas acompanha o Festival e, há mais de dez anos, participa da galera do Caprichoso. Na cidade desde o dia 17, ela não esconde a emoção e a devoção pelo boi da estrela na testa.
“Cheguei dia 12 em Parintins, e tô aqui na fila desde o dia 17. Isso aqui é a minha vida. Podem me chamar de louca, mas sou louca pelo Caprichoso. Há 31 anos brinco boi e sempre torcendo por esse preto perfeito. Não tem palavra pra definir esse amor”, declarou, emocionada.
Juliangela Souza conseguiu a tão sonhada vaga na fila da primeira noite do Festival de Parintins. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Mais atrás, entre os quase 200 torcedores que já ocupavam o espaço, estava o mineiro Nathan Lopes, analista de sistemas que hoje trabalha em Manaus e decidiu realizar o sonho de assistir ao Festival pela primeira vez.
“Sempre gostei da cultura popular, das tradições brasileiras. Desde que me mudei pro Amazonas, em 2023, escolhi o Caprichoso como meu boi. Hoje, tô aqui, enfrentando o calor, mas feliz por viver essa experiência”.
Nathan também garantiu uma vaga no Bumbódromo. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Do lado vermelho
Do outro lado da disputa, a vibração da galera do Boi Garantido também tomou conta da fila vermelha. Entre cantos, bandeiras e muita animação, Vitória Santos se destacou pelo entusiasmo e pelo amor declarado ao boi do coração na testa.
“Todo ano eu venho. Se eu não vier, eu passo mal, fico até com febre! O Garantido é acolhimento, é carinho, é emoção. Vale a pena enfrentar tudo pra sentir essa energia. A gente ama mesmo”, disse a jovem, que aguardava com um grupo de amigos.
Vitória se emociona ao falar sobre o Garantido. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Na mesma sintonia, a aposentada Edna Magalhães, torcedora fervorosa do Garantido, não mediu palavras para expressar o sentimento. “Pode me chamar de masoquista, eu gosto é de sofrer pelo meu boi! Vou ficar o dia inteiro nesse sol porque isso me fortalece, me dá energia. O Garantido é amor demais!”, disse, rindo.
Ela também comentou sobre a reestruturação da fila, após intervenção do MP-AM, que retirou as formações anteriores e estabeleceu novos critérios de acesso.
“Achei necessário, porque tem gente que vem só pra vender lugar. Mas ainda precisa melhorar. Podia ter pulseira, organização melhor, pra gente não passar 12, 14 horas aqui. Mas tá valendo, o importante é ver o Garantido brilhar”, sugeriu.
Edna contagiava pessoas próximas a ela. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Mesmo com os ajustes, a expectativa para a primeira noite de apresentações é alta dos dois lados. A emoção compartilhada entre Caprichoso e Garantido transcende rivalidade: une os brincantes em um só sentimento de pertencimento e paixão.
Água para os brincantes
Durante os três dias do Festival Folclórico de Parintins, a Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), em parceria com o Governo do Estado, promove a ação “Água nas Torcidas” para garantir a hidratação do público que enfrenta as longas horas de espera sob o forte calor da Ilha Tupinambarana.
Entrega de água para os brincantes. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Coordenada por Marcus Pelodan, a iniciativa prevê a distribuição de 100 mil copos de água por dia nas filas das torcidas dos bois Caprichoso e Garantido.
“A Cosama vem atuando para minimizar os impactos do calor intenso que faz aqui em Parintins. Sabemos que as filas começam a entrar apenas às 18h, então nosso papel é garantir o acesso à água de qualidade, oferecendo hidratação tanto para os turistas quanto para os brincantes e moradores”, explicou Pelodan.
A ação reforça o compromisso do Governo do Amazonas em oferecer mais conforto e segurança para quem participa da maior festa folclórica do estado, que atrai milhares de pessoas todos os anos.
Alok durante ritual indígena. Foto: Reprodução/ Youtube Brasil Filmes
Os rituais indígenas são práticas ancestrais que fazem parte da cultura e da espiritualidade dos povos originários. Esses ritos são cerimônias que expressam a relação dos indígenas com a natureza, e que marcam a mudança de um indivíduo ou de um grupo de uma situação social para outra. Muitos desses rituais estão relacionados às mudanças de estações, como por exemplo os ritos de iniciação, os ritos matrimoniais, os funerais e outros.
Eles muitas vezes contam ou recriam um mito, promovendo uma espécie de retorno a um tempo onde os seres humanos, animais e plantas se comunicavam entre si. As populações indígenas acreditam que esta comunicação deve se dar de maneira mediada e é indispensável para a produção de pessoas e da própria sociedade.
Com toda a força cultural e espiritual que envolve os rituais, muitas pessoas buscam por eles, seja pela curiosidade quanto pela busca de conhecimento. Inclusive alguns artistas, tanto brasileiros quanto internacionais, já participaram de alguns desses ritos. Confira:
Fábio Assunção
Durante o Carnaval de 2019, o ator Fábio Assunção optou por um retiro espiritual na aldeia Morada Nova, do povo Shanenawa, localizada no Acre. Conhecida por receber pessoas em busca de cura, especialmente aquelas que enfrentam dependência química, a aldeia se tornou um ponto de referência para práticas tradicionais de saúde e espiritualidade indígena.
Na ocasião, Fábio participou de um ritual de purificação conduzido pelos próprios Shanenawa. O tratamento é realizado com o uso do chá de ayahuasca, bebida ancestral também conhecida como Santo Daime, e envolve experiências sensoriais intensas provocadas por suas propriedades alucinógenas.
Para os indígenas, a ayahuasca tem poder de cura tanto para doenças físicas, como câncer e barriga d’água, quanto para distúrbios psíquicos, como depressão e dependência química.
Em 2021, o DJ Alok se aventurou em uma difícil jornada até a tribo Yawanawá, localizada na aldeia Mutum, no coração da Floresta Amazônica. A comunidade indígena fica localizada em uma região de difícil acesso e a viagem até lá dura cerca de 8 horas de voadeira (tipo de embarcação amazônica).
O vídeo publicado no canal do Youtube da Brasil Filmes, acompanha o artista na que para ele “foi a melhor jornada da sua vida’’. A viagem, que até então era apenas de trabalho, tornou-se uma verdadeira imersão cultural, em que o DJ participou do ritual Ayahuasca e do ritual de Kambô.
O ritual do Kambô é realizado com o objetivo de promover a limpeza do organismo, nele a toxina de uma perereca é retirada e aplicada em pequenas queimaduras na pele geralmente feitas nos braços ou nas pernas. Após a aplicação a pessoa apresenta reações como vermelhidão, náuseas, vômitos e até desmaios.
O artista, ao recobrar a consciência, descreveu a experiência como uma sensação de quase morte.
Alok durante ritual indígena. Foto: Reprodução/ Youtube Brasil Filmes
Gretchen
O terceiro casamento da cantora Gretchen, com Esdras de Souza, contou com um ritual indígena realizado na Ilha do Marajó, no Pará. O ritual de pajelança aconteceu com a autorização de entidades espirituais que guiam o pajé responsável pela cerimônia.
A pajelança é um ritual realizado em busca de proteção e cura, muitas vezes visa limpar o ambiente do mal ou proteger os indivíduos de influências negativas. No ritual, o pajé bebe uma espécie de bebida afrodisíaca, conhecida como tafiá, e evoca espíritos de ancestrais ou de animais da floresta.
Casamento de Gretchen na Pajelança. Foto: Reprodução/ Instagram-Gretchen
Lana Del Rey
Em sua passagem pelo Brasil em 2023, a cantora Lana Del Rey visitou a comunidade indígena Tatuyo, em Manaus, e participou de um ritual com dança.
O ritual, também conhecido como Maloca do Tuchaua Pinot, é uma apresentação de aproximadamente 40 minutos que celebra festas de colheita, caça e pesca e inclui a participação de visitantes.
Lana Del Rey participando do ritual de dança. Foto: Reprodução/ Instagram Cunhã Poranga.
Ed Staford
O aventureiro e explorador britânico Ed Stafford, em sua passagem pelo Amazonas, participou do ritual da Tucandeira na aldeia Ponta Alegre, localizada na região do Rio Andirá.
Ed é conhecido por entrar para o Livro dos Recordes – o Guinness – como a primeira pessoa a andar por toda a extensão do Rio Amazonas. Além disso, ele apresenta programas nos canais fechados.
O ritual da Tucandeira é uma cerimônia ancestral que simboliza a passagem dos meninos para a vida adulta. Mais do que um simples desafio físico, o rito é um verdadeiro teste de coragem, resistência e força espiritual, já que durante a iniciação, os jovens vestem luvas feitas de palha ou folhas, onde são colocadas dezenas de formigas tucandeiras e com as mãos enluvadas, eles devem suportar a dor por aproximadamente 15 minutos, sem demonstrar fraqueza.
Em 2011, o biólogo e apresentador brasileiro Richard Rasmussen também participou do ritual da Tucandeira. Em vídeo publicado em seu canal do Youtube, Richard compartilha como foi vivenciar a experiência mais dolorosa de sua vida, na tribo Sateré Mawé, nas proximidades de Manaus.
Richard durante ritual da tucandeira. Foto: Reprodução/ Instagram-Richard Rasmussen
Na tribo Sateré, os indígenas homens começam a praticar o ritual aos 8 anos e seguem até o casamento. As crianças não são obrigadas, porém ao realizarem o ritual pela primeira vez tem a obrigação de realizá-lo até o casamento como um sinal de respeito.
Após o ritual, o biólogo foi encaminhado ao hospital onde passou por exames e fez uso de medicações para dor.
Entre o vermelho e o azul, tradição familiar mantém receita que agrada todos os gostos. Foto: Matheus Castro, Rede Amazônica AM
Em Parintins, a rivalidade não fica só entre os bois Caprichoso e Garantido. Ela ultrapassa o Bumbódromo e invade a feira, o porto, as conversas de calçada — e até a cuia de tacacá. Por lá, a tradicional iguaria amazônica — que leva jambu, camarão, goma e tucupi — ganha versões que despertam debates: tem quem prefira o tacacá salgado, puxado no alho e no tucupi concentrado, e quem defenda com fervor o tacacá mais adocicado.
No meio dessa disputa culinária, há quem prefira não tomar partido. É o caso do seu Manoel Garcia, servidor público e vendedor de tacacá no porto da cidade. Há mais de 40 anos, ele serve o caldo quente, acompanhado de goma e jambu, com uma receita que resiste ao tempo — e aos gostos variados.
“Meu tacacá é neutro. Não puxa pra doce, nem pra salgado. Vai bem com todo mundo”, diz seu Manoel, entre uma cuia e outra, sob o olhar atento de uma das filhas, que já aprende o ofício. A tradição, ali, é passada de pai para filho, como uma herança viva da cidade.
“Nós começamos aqui com a minha mãe e estamos aqui há muito tempo. Hoje, tenho minha esposa ao meu lado, além da minha filha e netos. O nosso segredo é tratar o nosso cliente com respeito e atender a todos sem distinção nenhuma — seja Caprichoso ou Garantido, seja quem gosta de tacacá doce ou salgado”.
Entre cuias, histórias e gerações, banca de tacacá conquista paladares sem entrar na disputa dos bois. Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM
A neutralidade no tempero não significa falta de sabor. Pelo contrário: o equilíbrio conquistado ao longo das décadas atrai moradores e turistas que querem provar um tacacá raiz, feito com respeito aos ingredientes e à história local.
“O segredo está no tucupi, sumo extraído da mandioca. Aqui, ele não é azedo nem adocicado. E isso também vem do fornecedor. Temos o mesmo fornecedor há muito tempo, o que colabora para mantermos a nossa tradição. Mas, para quem quer algo mais adocicado, nós também fornecemos adoçante. E tem muita gente que pede”, ressaltou.
Em tempos de festival, quando Parintins pulsa em ritmo acelerado e tudo parece ser azul ou vermelho, é na banca do seu Manoel que muita gente encontra um ponto de paz — e um tacacá que une, em vez de dividir. Ele até tem cadeiras para ambos os públicos.
E, olha, tem gente que chega na ilha e já desembarca pensando no caldo. A aposentada Luzia Araújo chegou na ilha nesta segunda (23) e já visitou a banca do seu Manoel.
“Eu vinha no barco pensando nisso, pensando nesse tacacá maravilhoso. E assim que desembarcamos, deixei a mala no hotel e vim tomar. Eu amo isso aqui”, falou.
O pensamento foi o mesmo do funcionário público Sandro Teixeira. “Eu já conhecia esse tacacá porque já tomei outras vezes quando vim à cidade, e cheguei pensando nele. Descemos da lancha e já viemos tomar”, finalizou.
Pela primeira vez, o Festival Folclórico de Parintins, conhecido como a maior festa a céu aberto, conta com um programa exclusivo comandado por um dos nomes mais emblemáticos da cultura brasileira: Milton Cunha. Intitulado ‘Toada do Milton’, o programa é exibido ao vivo diretamente da praça da Catedral de Parintins, com transmissão pelo canal oficial da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) no YouTube e pelo canal Amazon Sat.
A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Governo do Amazonas, por meio da UEA, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado e da Amazonastur, e faz parte de um projeto de extensão universitária da UEA.
Com dois pós-doutorados em cultura, arte e literatura pela UFRJ, Milton Cunha é extensionista bolsista da universidade, na categoria visitante, e foi escolhido para comandar a atração por sua expertise e paixão pelas manifestações culturais brasileiras.
O programa será exibido até o dia 29 de junho, sempre das 14h30 às 18h30, oferecendo quatro horas diárias de conteúdo dinâmico, informativo e bem-humorado. “É uma revista eletrônica, variedade. Muito bom humor, divertimento, informação. Cultura, arte, fofoca. Vai ser ótimo”, assegurou Milton Cunha à equipe do Portal Amazônia.
A programação do programa foi cuidadosamente elaborada para refletir o espírito da festa dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso. Os quadros têm nomes criativos e temáticas diretamente ligadas à cultura amazônica e ao universo do festival: “Estouro da Boiada”, “Miolo dos Bois”, “Tô Brocado”, “Berrante Histórico”, “Mugido do Boi”, “Mecenas”, “Acredite Se Quiser”, “Criador e Criatura” e “Universidade Cabocla”.
Milton vai apresentar o programa direto de Parintins. Foto: Divulgação/UEA
Se engana quem pensa que Milton Cunha chegou agora ao Festival de Parintins. A relação do artista com a Ilha Tupinambarana remonta ao ano de 1972, quando, aos 10 anos de idade, fez sua primeira viagem à cidade a bordo de um navio que saiu de Belém com sua família. Desde então, construiu uma trajetória de amor e dedicação à cultura local.
“Eu já venho nessa terra há 50 e tantos anos, então eu sou, eu pertenço, eu sou das lendas, sou dos estudos, sou da pesquisa, sou da voz, da floresta”, relembra, emocionado. “Agora que os bois me dão esse reconhecimento. Porque o que eu gosto é que os bois, o folclore, dizem: ‘Ele merece’. Então vai prefeito, vai vereador, mas é dos bois, é do folclore. Estou muito feliz de ter conseguido isso”, afirmou o artista.
Cidadão parintinense
Por esse motivo que no dia 24 de junho, Cunha recebeu o título de cidadão de Parintins, em cerimônia realizada na Câmara Municipal. Apaixonado pela cultura da Ilha Tupinambarana, Cunha tem se destacado ao longo dos anos por sua atuação acadêmica e artística em prol do Festival Folclórico de Parintins, se tornando uma das principais vozes na divulgação nacional do evento.
O Projeto de Decreto Legislativo que concede o título é de autoria da vice-presidente da Câmara, vereadora Márcia Baranda. Ela atendeu a uma sugestão do presidente do Boi Caprichoso, Rossy Amoedo, feita durante uma visita de Milton aos galpões do boi.
Para Milton, o grande diferencial do Festival de Parintins está na autenticidade da expressão amazônica. “O festival tem o tambor indígena. Então eu sempre estou muito interessado em lenda amazônica, em celebração folclórica. Se tem um lugar de fala da floresta, é Parintins”, destacou.
O artista ainda faz um chamado à valorização do conhecimento local: “Escutem Parintins, porque quem sabe da Amazônia é o amazonida. Então não vem querer, estrangeiro, impor nada. Escuta o caboclo, o ribeirinho, o indígena, o originário. Porque deles virá toda a solução”, disse.
Canais oficiais do Amazon Sat
A cobertura completa da festa em Parintins pode ser acompanhada pelas redes sociais do Amazon Sat e do Portal Amazônia, além dos canais oficiais do Amazon Sat:
Manaus/AM: 44.1 Porto Velho/RO: 22.1 Rio Branco/AC: 31.1 Macapá/AP: 29.1 Boa Vista/RR: 23.1 Parintins/AM: 46.1
O Boi Caprichoso recebeu na noite da última terça-feira (25), em Parintins (AM), o Manto Tupinambá, objeto de profundo valor simbólico e espiritual para os povos indígenas que se organizavam no litoral brasileiro, antes da chegada dos portugueses. A entrega da peça ocorreu em cerimônia oficial, conduzida por representantes do Conselho de Arte do bumbá azul e branco, com a presença de membros do povo Tupinambá. A ocasião marcou um momento de conexão entre tradição, espiritualidade e reconhecimento cultural.
A entrega do Manto Tupinambá foi realizada com rituais e reverência à ancestralidade indígena. Segundo os organizadores, o momento foi precedido por práticas tradicionais que asseguraram a chegada respeitosa do objeto ao Boi Caprichoso, que o integrará ao espetáculo “É Tempo de Retomada” no Bumbódromo de Parintins durante o Festival Folclórico.
O presidente do Conselho de Arte do Caprichoso, Erick Nakanome, explicou que o manto, anteriormente interpretado apenas como uma peça de vestuário cerimonial, passou a ser compreendido como uma entidade sagrada. “Muito recentemente a gente compreende que não é isso. Trata-se de um ser com opinião e vida própria”, declarou Nakanome durante coletiva de imprensa.
O Manto Tupinambá é uma peça confeccionada com penas de aves como o guará, historicamente utilizada por lideranças indígenas do povo Tupinambá, que habitava originalmente a região do litoral atlântico brasileiro. Mais do que um elemento estético, o manto possui significados espirituais e sociais profundos: representa liderança, autoridade e conexão com os ancestrais.
Durante o período colonial, diversos mantos foram levados para a Europa, onde ainda hoje permanecem em museus e coleções. Atualmente, o povo Tupinambá e outras lideranças indígenas lutam pela repatriação dessas peças, que são consideradas sagradas. A utilização simbólica de um manto como esse em um espetáculo cultural requer autorização e realização de rituais específicos, conforme os protocolos tradicionais dos povos originários.
Participação e autorização indígena
A cerimônia de entrega do manto ao Boi Caprichoso contou com a presença de lideranças indígenas. Entre elas, estiveram a cacica Paula Denício, a Senhora Iacuí e Naya, representantes do povo Tupinambá. Também participaram Vanda Witoto, Adam e Gilvana Borari. Esta última foi a única pessoa autorizada pelos protocolos tradicionais a tocar e defumar o manto antes de sua entrega.
Nakanome agradeceu às lideranças indígenas pelo envio da peça e destacou que a aproximação entre o boi-bumbá e os povos originários foi feita de maneira cuidadosa, com escuta e respeito às tradições.
“Foi feita uma escuta verdadeira com os povos. Houve cuidado, respeito e rituais para garantir que essa presença sagrada chegasse até nós”, afirmou.
Foto: Reprodução/Facebook-Boi Caprichoso
Segundo o Conselho de Arte, o Manto Tupinambá será utilizado no contexto do espetáculo como uma forma de homenagear e reconhecer a presença ancestral indígena na formação cultural da Amazônia. O uso foi autorizado diretamente pelas lideranças responsáveis, seguindo os protocolos estabelecidos pelos próprios povos indígenas.
Tempo de retomada
O espetáculo “É Tempo de Retomada”, apresentado pelo Boi Caprichoso em 2025, terá o manto como um de seus elementos centrais. A proposta artística busca valorizar a resistência indígena e a reafirmação das identidades tradicionais no contexto da cultura popular amazônica.
O Festival de Parintins é considerado uma das maiores manifestações culturais do Brasil. Realizado anualmente na cidade de Parintins, no Amazonas, o evento reúne os bois Caprichoso e Garantido em uma disputa de apresentações que mesclam folclore, música, dança e narrativas sobre a história e cultura da região.
A inserção do Manto Tupinambá no espetáculo do Caprichoso representa um marco simbólico dentro do festival. A peça estará presente no Bumbódromo sob orientação e conforme os rituais autorizados pelos povos originários envolvidos.
Continuidade e preservação cultural
O Conselho de Arte do Caprichoso informou que outras ações de aproximação com comunidades indígenas estão sendo desenvolvidas como parte de um processo contínuo de valorização das raízes amazônicas. O Manto Tupinambá, nesse contexto, simboliza um elo entre passado, presente e futuro das culturas originárias.
O uso e a exibição da peça seguem acordos e diretrizes definidos coletivamente com os povos indígenas, reforçando a importância do reconhecimento de seus patrimônios simbólicos e espirituais.
Bois-bumbás de Parintins. Fotos: Reprodução/Arquivo Secretaria de Cultura e Economia Criativa
Uma pesquisa de opinião realizada em junho de 2025 pela empresa Action Pesquisas revelou um cenário de empate técnico entre as torcidas dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido entre os moradores da cidade de Manaus (AM). O levantamento, de caráter quantitativo, entrevistou 1.646 pessoas com 16 anos ou mais residentes na zona urbana da capital amazonense, e apresenta margem de erro de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
Segundo os dados da pesquisa, 29,9% dos entrevistados se declararam torcedores do Boi Garantido, enquanto 26,5% disseram torcer pelo Boi Caprichoso. Considerando a margem de erro, os percentuais apontam para uma situação de equilíbrio estatístico entre os dois bois, sem possibilidade de afirmar com segurança qual possui a maior torcida na capital.
Além dos torcedores declarados de Garantido e Caprichoso, 6,2% afirmaram gostar dos dois bois, enquanto 37,2% declararam não torcer para nenhum deles ou não acompanhar o Festival de Parintins. Apenas 0,2% preferiram não responder à pergunta.
Perfil dos torcedores
A pesquisa também traçou o perfil demográfico e socioeconômico dos torcedores de cada boi. Os dados mostram que a torcida do Garantido é predominantemente feminina (60,2%), com maior concentração na faixa etária de 35 a 49 anos (40,7%).
Em relação à escolaridade, 61,0% têm ensino médio completo ou incompleto, e 20,3% possuem nível superior. A maior parte (53,3%) possui renda familiar de até dois salários mínimos.
Já a torcida do Caprichoso também é composta majoritariamente por mulheres (53,7%), com destaque para as faixas etárias de 35 a 49 anos (31,7%) e de 16 a 24 anos (22,0%).
Em termos de escolaridade, 65,1% têm ensino médio completo ou incompleto, e 20,6% concluíram o ensino superior.
Quanto à renda, 50,5% dos torcedores possuem renda familiar de até dois salários mínimos, enquanto 35,8% recebem entre dois e cinco salários.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa foi realizada de forma presencial entre os dias 20 e 24 de junho de 2025, por meio de questionário estruturado aplicado face a face. O processo de amostragem seguiu três etapas: escolha de setores censitários com base no tamanho da população (IBGE, 2022), sorteio de logradouros e abordagem aleatória de domicílios em quarteirões. A tabulação dos dados foi feita com o software Sphinx 5.0®, utilizando métodos de estatística descritiva e análises complementares.
O universo pesquisado corresponde à população manauara com 16 anos ou mais, estimada em 1.446.315 pessoas segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consultado em junho de 2025.
Considerações sobre a pesquisa
Embora o Boi Garantido apresente um índice ligeiramente superior ao do Caprichoso no total de respostas, a margem de erro de 2,5% impede conclusões definitivas quanto à liderança das torcidas em Manaus. A pesquisa indica que ambos os bois possuem bases de apoio sólidas e representativas na capital, o que reforça a rivalidade histórica entre eles e a relevância cultural do Festival de Parintins no estado do Amazonas.
Este ano, o festival acontece nos dias 27, 28 e 29 de junho, último fim de semana do mês de junho. De acordo com o Governo do Amazonas, de 2022 a 2024, mais de 340 mil turistas passaram por Parintins durante o período da festa bovina, gerando emprego, renda e movimentando mais de R$ 438 milhões na economia amazonense.
“A expectativa que manteremos a mesma média de visitantes do ano passado e esperamos a geração de 184 mil reais na economia do estado e a geração de 20 mil empregos diretos e indiretos no festival desse ano”, declarou o governador Wilson Lima durante o evento.
A festa folclórica, que já é tradicional no calendário cultural amazonense, ocorre no Bumbódromo de Parintins, no interior do estado.
As duas agremiações defendem um tema. Este ano, o Boi Caprichoso vai defender o tema ‘Tempo de Retomada’. “A gente sempre faz um estudo pra ser maior e melhor , a régua esse ano está lá em cima”, destacou o presidente da agremiação, Rossy Amoedo. Já o Boi Garantido vai trabalhar esse ano, o tema ‘Boi do Povo, Boi do Povão’. “Fazemos um festival que mostra a humanidade, mostra a parte humana pela arte”, afirmou o presidente do Garantido, Fred Góes.