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Café Robusta Amazônico de Rondônia conquista nota máxima em concurso e alcança feito inédito

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Café Robusta Amazônico. Foto: Armando Júnior

O Café Robusta Amazônico de Rondônia atingiu nota máxima e registrou um feito inédito durante a 6ª edição do Concurso Tribos. A pontuação foi alcançada pelo cacique Rafael Mopimop Suruí, da Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondônia.

Durante a avaliação das amostras, os especialistas analisaram os parâmetros do Fine Robusta Cupping Form, como fragrância, sabor, acidez e equilíbrio, entre outros. Mais de 78 amostras de microlotes foram avaliadas nesta edição por um time de nove especialistas.

Confira os vencedores da 6ª edição do Concurso Tribos 2024

  1. Rafael Mopimop Surui – 95,11
  2. Yab Lor Surui – 90,68
  3. Goemanhama Rifate Surui – 89,89
  4. Mehpoy Mopid Suruí – 89,64
  5. Pilatos Mopidgot Surui – 89,50
  6. Elena Sobeb Suruí – 89,46
  7. Goepid Malu Surui – 89,46
  8. Yaminan Surui – 89,18
  9. Natanael Pabikar Surui – 89,04
  10. Credival Pabab Suruí – 88,71

O café rondoniense de alta qualidade 100% Robusta Amazônico, que atingiu a nota máxima e foi o grande campeão do concurso com 100 pontos, poderá ser degustado durante a Semana Internacional do Café, que acontece em Belo Horizonte (MG), entre os dias 20 e 22 de novembro, no Expominas.

O que é o projeto Tribos?

O projeto é uma iniciativa da 3 Corações e se baseia em três focos: protagonismo indígena, produção de cafés com qualidade e sustentabilidade. Ou seja, o Tribos foi desenvolvido para fomentar um desenvolvimento sustentável da floresta.

O Projeto Tribos já beneficiou mais de 150 famílias de indígenas cafeicultores dispostas em 28 aldeias em Rondônia.

Extremos climáticos e baixa concentração de oxigênio são apontados como possíveis causas da mortandade de peixes no Rio Acre

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Extremos climáticos e baixa concentração de oxigênio são apontados como principais causas da mortandade. Foto: Odair Leal/Sesacre

O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e do Instituto de Meio Ambiente (Imac), em parceria com a Universidade Federal do Acre (Ufac), tornou pública nesta quinta-feira (21) a conclusão da nota técnica da análise detalhada dos fatores potencialmente influenciadores da mortandade de peixes registrada entre os dias 4 e 6 de outubro no Rio Acre, em Rio Branco.

A equipe técnica, composta por técnicos do Imac, Sema e Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semeia), além da Defesa Civil Municipal, realizou vistorias num trecho de aproximadamente 27,5 km ao longo do rio, partindo do Bairro da Base, no centro da capital, em direção à jusante, até o local de denúncia, na zona rural do Quixadá.

Com base nas amostras e dados coletados, evidenciou-se como possível causa da mortandade de peixes a diminuição da concentração de oxigênio dissolvido na água (94,01mg/l e 3,85mg/l, respectivamente) que, mesmo após cinco dias da ocorrência do evento, ainda se encontrava abaixo dos limites aceitáveis pela legislação nos pontos de amostragens localizados na região do Quixadá.

Fatores agravantes

Conforme a nota técnica, a baixa concentração de oxigênio pode ter sido agravada pelos seguintes fatores:

a) Elevadas temperaturas, associadas ao baixo nível da coluna d’água, que na semana de ocorrência do evento apresentava-se abaixo da mínima histórica;

b) Carreamento (detritos) de cargas poluentes que estavam acumuladas em igarapés, ao longo de todo o período de estiagem, e que foram transportadas para o rio após a chuva que irrompeu sobre Rio Branco; e

c) Presença de material particulado suspenso no corpo d’água, em virtude da recirculação da coluna d’água, após a chuva, promovendo o surgimento de partículas do fundo para as camadas mais superficiais, podendo ter causado a obstrução das vias branquiais, dificultando a respiração dos peixes.

Foto: Odair Leal/Sesacre

Além de fatores hidrológicos e alterações climáticas, foram citados fatores externos que impediram uma análise mais conclusiva, a exemplo da demora no acionamento dos órgãos competentes, uma vez que, ao longo do tempo, o cenário vai gradativamente perdendo os vestígios. 

A falta de laboratórios habilitados no estado a realizar as análises necessárias, assim como a impossibilidade de envio de amostras para fora do estado, em função dos protocolos quanto à preservação das amostras e tempo de análise, foram outros impeditivos para uma análise mais conclusiva.

Na parte conclusiva, o governo do Estado ressalta a importância de firmar parcerias e acordos de cooperação técnica com instituições de referência, além de estudos minuciosos sobre as ocorrências de mortandade de peixes no Acre, bem como a estruturação dos órgãos competentes, de modo a subsidiar a identificação das causas e propor ações de prevenção, mitigação e resiliência.

*Com informações da Agência Acre

MPF pede suspensão do licenciamento das obras na BR-319 entre Manaus e Porto Velho

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MPF quer suspensão de obras em trecho da BR-319, que liga Amazonas a Rondônia. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

O Ministério Público Federal (MPF) propôs, na quinta-feira (14), uma ação civil pública para suspender as obras em um trecho da BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). O órgão exige que as licenças ambientais sejam emitidas somente após a consulta prévia às comunidades indígenas e tradicionais que serão impactadas pela pavimentação da rodovia.

Em outubro, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) derrubou uma decisão liminar que havia suspendido a reconstrução e o asfaltamento do trecho central da rodovia. Na semana passada, o presidente Lula confirmou ao prefeito de Manaus, David Almeida, que as obras seriam realizadas.

Na ação, o MPF também solicita que o Ibama, a União e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) sejam obrigados a apresentar e executar um plano para o mapeamento das comunidades tradicionais localizadas a até 40 km da rodovia.

Após o mapeamento, o MPF requer que a União, o ICMBio e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) apresentem um plano de consulta, elaborado em conjunto com as comunidades tradicionais e indígenas impactadas. O plano deve ser específico para a rodovia, respeitando e observando os protocolos de consulta já estabelecidos.

Na ação, o MPF destaca que as comunidades tradicionais não foram consultadas sobre a obra, e que a mesma pode impactar na rotina e na vida dos moradores dessas comunidades.
Para o MPF, a região em questão é reconhecida pelo Conselho Nacional da Amazônia Legal como uma área onde o principal potencial econômico é a economia florestal, o que pressupõe a preservação da floresta. O órgão enfatiza que essa área deve ser especialmente protegida.

O MPF destaca que, na área de influência da BR-319, 33 das 60 terras indígenas e 24 das 42 unidades de conservação monitoradas registraram focos de calor apenas no mês de agosto de 2024. A degradação ambiental já afeta as comunidades impactadas pela rodovia, que ainda não tiveram seus direitos devidamente respeitados.

Caso o processo não seja resolvido de forma consensual, o MPF solicita, além da condenação dos réus à realização da consulta, a nulidade do Termo de Referência da Funai e a imposição de multa diária em caso de descumprimento das obrigações.

O MPF também pede que a União, a Funai e o ICMBio sejam condenados ao pagamento de R$ 20 milhões por dano moral coletivo, devido à omissão no cumprimento da consulta conforme a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

*Com informações da Rede Amazônica

Após 12 anos, Yanomami fazem encontro sagrado de xamãs

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Xamãs Yanomami fazem ritual para salvar a Terra após 12 anos. Foto: Samantha Rufino/g1 RR

“Xapiri para o Yanomami quer dizer saúde”, diz Davi Kopenawa, principal liderança do povo, ao explicar as entidades que dão origem aos xamãs ou pajés indígenas. E para reforçar a conexão entre sabedoria e ancestralidade, dezenas de líderes se reuniram, entre os dias 9 e 11 de novembro, num grande encontro para curar o planeta e pedir proteção à Terra Yanomami, ameaçada pelo garimpo ilegal. O ritual não acontecia há 12 anos.

Na cosmovisão Yanomami, os xapiris são a ponte entre o mundo visível e o invisível, que ajudam na proteção da terra-floresta contra os males humanos e não-humanos.

Durante três dias, o Grupo Rede Amazônica acompanhou o encontro considerado sagrado para os Yanomami. A festa também celebrou os 20 anos da Hutukara Associação Yanomami (HAY), a mais representativa organização do povo Yanomami, presidida por Davi Kopenawa. O encontro reuniu mais de 500 indígenas de 18 regiões de Roraima e Amazonas na comunidade Yakeplaopi, em Palimiu, no município de Alto Alegre.

Em meio a imensidão da floresta amazônica e as margens do rio Uraricoera, a festa aconteceu em uma região alvo de diversos ataques a tiros de garimpeiros contra indígenas em maio de 2021. A região era rota de garimpeiros e chegou a ter troca de tiro entre policiais federais e os invasores.

Agora, a comunidade conta com uma base de fiscalização das forças de segurança federal e um cabo de aço entre uma margem e outra do rio, o que impede a passagem de embarcações dos garimpeiros. Antes da barreira, havia uma média de cinco barcos por dia entrando na região.

A escolha do local para celebração não foi por acaso. Davi, presidente da Associação, explica que comemorar em Yakeplaopi foi uma maneira de “ocupar o nosso espaço [dos Yanomami e Yekw’ana]” e mostrar os invasores que o território pertence aos indígenas.

Com pinturas de urucum, cocar, adornos, cantos e danças tradicionais, os Yanomami comemoraram ao longo dos três dias o aniversário da organização e também a diminuição da presença de garimpeiros na região de Palimiú.

“Nós vamos marcar [a festa] na comunidade Palimiu, onde passa invasores. Ali é nossa terra, não é terra dos garimpeiros não, não é terra dos brancos não, é nossa!”.

Pajés de comunidades de Roraima e do Amazonas se reuniram novamente depois de 12 anos para a celebração em Palimiú. O último encontro foi em 2012, em um evento na região de Missão Catrimani, em Roraima.

Neste ano, o ritual de encontro dos pajés durou cerca de 5 horas ininterruptas no malocão feito especialmente para a festa. Organizados em círculo, cada um se apresentou com cantos e danças. Em seguida, se uniram em uma grande roda com um pajé, Davi Kopenawa e duas crianças no centro.

Foto: Samantha Rufino/g1 RR

Como um Yanomami se torna xamã?

Mas para o Yanomami se conectar com os Xapiris não é tarefa fácil. A jornada começa a partir dos sonhos, quando o xapiri escolhe quem deve se tornar xamã. A decisão, no entanto, cabe ao escolhido pelo xapiri, que pode ou não ter a vontade de estudar para se tornar pajé.

E apesar da maioria serem homens, não há restrição de gênero ou idade. Neste último encontro, por exemplo, três mulheres xamãs participaram do que os povos da Terra Yanomami chamam de “pajelância”.

O trabalho do xamã exige estudos e é passado de geração para a geração. O conhecimento oral de um familiar que já exerce a função é a porta de entrada para o encontro com os xapiris. A iniciação pode começar entre os 11 e 14 anos – quanto mais jovem, mais fortes se tornam os conhecimentos do xamã.

Além dos estudos, o portal da conexão também é o pó vegetal “Yakoana”, alucinógeno extraído da árvore yakona hi. Os pajés cheiram o pó e só assim conseguem se conectar com as entidades da terra-floresta. Todo esse conhecimento foi repassado há milhares de anos por Omama [Deus da criação para os Yanomami] para o primeiro Yanomami, segundo Davi Kopenawa.

“O xapiri eu não consigo chamar de espírito, espírito os brancos e igreja usam espírito, é diferente do Xapiri. Xapiri ele [Omama] repassou para o filho [primeiro Yanomami]. O filho estava com 13, 14 anos e estava com vontade de conhecer xapiri. Ele estava muito interessado. Então, ele [Omama] disse eu vou plantar uma árvore especial, a Yakoana […] Yakoana é o alimento dos xapiris”, contou.

🪵 Para extrair o pó, os indígenas deixam a casca da árvore secar no sol, misturam em um recipiente — na história contada por Kopenawa foi usada uma panela de barro, com o líquido que sai da própria árvore e em seguida amassam até surgir o pó. Durante o ritual, o pó é soprado no nariz do xamã através de um tubo feito de árvores ou plantas nativas, como a canaflecha.

Ainda dentro do processo para se tornar xamã, o iniciante precisa se isolar na floresta por 15 a 30 dias. O acesso ao alimento e a água fica limitado. Apenas quem está conduzindo o novo xamã na iniciação o autoriza ou não a comer nesse período.

Desafios

Após adquirir os conhecimentos necessários, os pajés podem curar doenças espirituais e aquelas trazidas por não-indígenas para o território, como malária e pneumonia. Eles também conseguem curar mordida de animais ou até atrair caças através do xapiri. Porém, as doenças da cidade são muito mais desafiadoras para eles, de acordo com o líder indígena Peri Xirixana Yanomami, de 61 anos, da região do Alto Mucajaí.

Ele foi um dos pajés que começou os estudos ainda quando criança. Além de ser xamã, Peri também é agente de saúde indígena na comunidade dele. Por isso, quando se trata de doenças que podem ser curadas através do xamanismo, ele mesmo comunica à equipe de saúde.

“Quando eu tinha 11 anos eu comecei a apreender porque eu pedi do meu primo. Ele falava assim ‘tu tem que aprender a ser pajé, quando você aprender você vai defender seus netos, tu vai defender tua mulher pela saúde. Quando o espiritual fizer mal pro teus netos, teus filhos, é tu mesmo que vai curar’. Eu pedi para aprender, mas não foi brincadeira não”.

Ao explicar as regras para se tornar pajé, Peri contou que quem tem interesse não pode ter feito relações sexuais e tem que se alimentar de comidas leves, pois os xapiris preferem pessoas que comem pouco. As obrigações podem variar de acordo com cada comunidade.

Um dos desafios é manter a tradição. Por conta da responsabilidade, muitos jovens preferem não se tornarem xamãs, como é o caso do filho de Peri. “Eles [jovens] têm medo. Só tem Mário, meu tio e eu. Eu ainda falei para o meu filho ‘Ó Abelardo, filho se você quiser aprender de pajelância eu ensino vocês'”, detalhou Peri.

Imposição das religiões cristãs preocupa Kopenawa

Kopenawa também fala sobre outro desafio: a imposição das religiões cristãs aos Yanomami. Missões evangélicas muitas vezes adentram o território e acabam reprimindo as manifestações religiosas dos Yanomami, como é o caso da própria comunidade de Yakeplaopi.

“Aqui tinha dois xapiri muito forte, há 40 anos atrás. Os crentes, pastor, chegaram aqui e atrapalharam. Falaram assim: ‘vocês estão fazendo xapiri, xapiri é satanás. Satanás está ensinando vocês a fazer xapiri’. Para nós não existe essa palavra satanás. Quando vocês [não-indígenas] chegaram aqui no Palimiú vocês proibiram, proibiram tomar Yakoana, proibiram xapiri e xapiris ficaram com medo”, disse, em referência a Missão Evangélica da Amazônia (MEVA), que não ocupa mais o local.

Kopenawa revela que agora a comunidade conta apenas com um pajé, mas que a esperança é inspirar outros jovens e crianças através da celebração e do encontro dos xamãs.

Hutukara: 20 anos de história e resistência

Nascida através da luta do xamã e liderança política, Davi Kopenawa, a criação da HAY aconteceu em uma assembleia indígena, na comunidade de Watorikɨ, região do Demini, no Amazonas, em 2004. A assembleia é convocada a cada quatro anos e desde sua fundação, Davi Kopenawa vem sendo reeleito como presidente da associação, e seu filho Dário Vitório Kopenawa, foi escolhido para ocupar o cargo de vice-presidente, em 2022.

Leia também: Hutukara: o ‘mundo’ unificado dos povos Yanomami

🇳🇴 Entre os participantes da assembleia de criação estava o sueco Kristian Bengton, representante da embaixada da Noruega no Brasil. Convidado para a celebração do aniversário, Bengton, filho de mãe brasileira, mantém uma relação de longa data com os povos da Terra Yanomami. Nos últimos 20 anos, visitou o território ao menos cinco vezes e recorda que a embaixada norueguesa foi a primeira a apoiar financeiramente a HAY.

“Para mim é muito gratificante estar aqui, 20 anos depois, e ver o quanto cresceu a Hutukara, o quanto ela se consolidou, mas também com muita preocupação e tristeza quando a gente ver a situação que ainda persiste na região com garimpo, madeireiros, envolvidos com narcotráfico e crime organizado. Continuam sendo muitos desafios, mas eles estão cada dia mais fortalecidos, principalmente para fazer sua voz ser escutada”, disse, ao comentar que a Embaixada deve continuar com ações de apoio a HAY.

Além disso, a HAY também se articula com outras organizações do movimento indígena brasileiro, como é o caso da Aliança em Defesa dos Territórios, que une os povos Munduruku, Kayapó e Yanomami na luta contra o garimpo ilegal.

Mydjere Kayapó, natural da Terra Indígena Baú, em Santarém (PA), faz parte da iniciativa e também foi um dos convidados para a festa de aniversário. Ele também faz parte do Instituto Kabu, organização indígena que reúne 18 aldeias afiliadas nas Terras Indígenas Baú, Menkragnoti e Panará, no sul do Pará e norte do Mato Grosso. Pela primeira vez no território Yanomami, ele agradeceu o convite da associação.

Foto: Samantha Rufino/g1 RR

A partir da criação da Hutukara, surgiram outras associações da TIY que comportam os estados de Roraima e Amazonas – Associação Wanasseduume Ye´kwana (Sedumme), Associação Kurikama Yanomami (Kurikama), Associação das Mulheres Yanomami (Kumirayoma), Texoli Associação Ninam do estado de Roraima (Taner), Ypasali Associação Sanöma, Associaçao Xoromawë Indígena do Médio Rio Negro, Associação Parawami Yanomami e Urihi Associação Yanomami (Urihi).

Atualmente, a HAY tem a função de articulação política gere projetos voltados à proteção territorial, principalmente frente à invasão do garimpo ilegal. A organização também possui outras iniciativas com parcerias nacionais e internacionais, uma delas é a formação de comunicadores indígenas.

Na festa, a equipe de 10 jovens de diversas comunidades ficou responsável pela cobertura audiovisual do evento. Uma delas foi a jovem Cleosamar Santos Pereira, de 23 anos. De Maturacá, no Amazonas, ela afirma que pretende estudar para continuar na área e ficou “feliz” em participar como comunicadora.

“Estou achando muito legal, eu nunca vi isso que o pessoal da Hutukara está fazendo. É a primeira vez que eu estou vendo esse movimento. Está muito excelente!”.

Além do encontro de xamãs, a programação da festa incluiu a exibição do filme “Segurando o céu (2023)”, do cineasta bélgico Pieter Van Eecke, danças e músicas Hymuu e Wãyãmu.

Com mais de nove milhões de hectares, a Terra Indígena Yanomami é a maior do Brasil, localizada entre os estados do Amazonas e Roraima, com cerca de 32 mil habitantes, entre os povos Yanomami e Yekwana, divididos em mais de 380 comunidades. O acesso às comunidades é de 98% via aérea e 2% terrestre. Na terra Yanomami, também existe um grupo de indígenas considerados isolados, os Moxihatëtëma.

O território é alvo de garimpeiros ilegais desde a década de 80, mas nos últimos anos enfrentou o aumento desenfreado da atividade, que causa malária e desnutrição entre os indígenas. Desde 2023, o governo federal implantou ações de combate ao garimpo e apoio a saúde dos indígenas, com forças de segurança na Terra Indígena e distribuição de cestas básicas nas comunidades.

*Por Samantha Rufino, da Rede Amazônica RR

Pará teve melhor desempenho com exportações do agronegócio na Região Norte, segundo análise

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Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

O Pará é o Estado da região Norte com o melhor desempenho no ranking das exportações de produtos do agronegócio, segundo o levantamento feito pelo Núcleo de Planejamento e Estatísticas da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap). Até o mês de outubro deste ano, a exportação de produtos do agronegócio do estado acelerou em 4,27%, (considerando o valor exportado), em comparação ao mesmo período do ano anterior, com Valor de Exportação de US$ 3,19 bilhões (2,28% da exportação agro nacional e 16,93% do Valor Global Exportado do Estado do Pará).

A Sedap elaborou o estudo com base nas informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), através do Portal AGROSTAT – Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro e Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), através do sistema Comex Stat.

Segundo avaliou o estatístico João Ulisses Silva, responsável pelas análises locais, o Pará ocupa o décimo lugar no ranking das unidades federativas exportadoras de produtos do agronegócio do país no acumulado até outubro de 2024, com participação de 2,28% das exportações nacionais do agro.

“As maiores participações estão concentradas nos Estados do São Paulo (18,41%), Mato Grosso (16,94%) e Paraná (11,33%). O Pará aparece na frente na região Norte , concentrando 39% das exportações e também de estados de outras regiões, como por exemplo, o Espírito Santo”, detalhou o estatístico.

Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

Produtos

A soja continua sendo o principal produto da pauta de exportação do estado, registrando até o momento (outubro/24), segundo informou a coordenadora de planejamento da Sedap, Maria de Lourdes Minssen, o valor de US$ 1,50 bilhões (47,09% do total Agro do Estado). Logo em seguida aparecem os grupos das carnes (US$ 630,37 milhões); animais vivos (exceto pescado) (US$ 399,85 milhões); produtos florestais (US$ 166,34 milhões) e os cereais, farinhas e preparações (US$ 154,13 milhões).

“Os cinco principais grupos de produtos citados correspondem aproximadamente 89,40% do valor de exportação agro paraense no acumulado do ano (janeiro a outubro de 2024)”, explicou a coordenadora.

O agronegócio paraense tem como principal destino, segundo informou, a China, onde os seus produtos totalizam US$ 1,15 bilhões (36,02% do valor total Agro paraense), seguido dos países como a Espanha (valor de US$ 196,33 milhões e 6,15%), Iraque (valor de US$ 195,72 milhões e 6,13%), Estados Unidos (valor de US$ 182,81 milhões e 5,73%), Egito (valor de US$ 121,93 milhões e 3,82%), Turquia (valor de US$ 12,59 milhões e 3,81%) e Holanda (Países Baixos) (valor de US$ 101,54 milhões e 3,18%).

*Com informações da Agência Pará

Técnicas ao combate de pragas tem aumentado a produção de fruticultura no Maranhão 

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Foto: Reprodução/ Youtube/ Amazon Sat

No Maranhão, assim como em boa parte da região Amazônica, a fruticultura tem se tornado uma atividade de importância tanto sob o ponto de vista nutricional, quanto econômico e social. Segundo a Embrapa, o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de frutas, com cerca de 45 milhões de toneladas ao ano. A maior parte desta produção é voltada para o mercado consumidor interno somente 2,5% é exportada.

Conhecimento e práticas simples como a limpeza, análise do solo e adubação, são fatores que contribuem para a prevenção de maiores danos na produção. O produtor rural Joel Alves, de 73 anos, é referência no cultivo de caju e, através das orientações técnicas e gerenciais do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem aumentado a comercialização de seus produtos.

Foto: Reprodução/YouTube/ Amazon Sat

A equipe do Senar lista uma série de atividades que tem desenvolvido junto aos produtores assistidos pelas equipes técnicas do Maranhão no combate às pragas:

•Diagnóstico e monitoramento: Identificação precisa das pragas e avaliação do nível de infestação.

•Capacitação técnica: Treinamentos sobre práticas de manejo integrado de pragas (MIP), que envolvem métodos culturais, biológicos e químicos para controlar pragas de forma sustentável.

•Recomendações de produtos: Orientação sobre o uso correto e seguro de defensivos agrícolas, respeitando normas ambientais e de saúde.

•Acompanhamento contínuo: Visitas técnicas regulares para verificar a eficácia das medidas aplicadas e ajustar as estratégias conforme necessário.

A equipe técnica conta, ainda, quais os principais impactos positivos que um pequeno fruticultor tem ao ser assistido por uma equipe com esses conhecimentos.

Foto: Reprodução/ Youtube/ Amazon Sat

O acompanhamento técnico traz benefícios como:

•Aumento da produtividade: Aplicação de técnicas modernas de manejo que otimizam o desenvolvimento das frutas.

•Melhoria na qualidade dos frutos: Orientações sobre nutrição, irrigação e controle de pragas resultam em produtos mais atrativos e saudáveis.

•Redução de custos: Uso eficiente de insumos e recursos, evitando desperdícios.

•Sustentabilidade: Implementação de práticas agrícolas que conservam o solo e os recursos naturais.

Já na área administrativa e no manejo delicado das frutas como o caju, que é uma das frutas cultivadas por Joel Alves, as principais orientações passadas ao fruticultor vão do planejamento de safra até a logística e comercialização:

•Planejamento de safra: Organização das etapas do cultivo, desde o plantio até a colheita, para otimizar o uso dos recursos.

•Gestão financeira: Controle de custos de produção, análise de rentabilidade e formação de preços.

•Logística e comercialização: Estratégias para armazenamento, transporte e negociação com compradores, garantindo a preservação da qualidade das frutas.

•Capacitação em boas práticas agrícolas: Treinamentos sobre o manejo adequado de culturas delicadas como o caju, incluindo poda, colheita e armazenamento, para evitar perdas.

•Registro e controle: Uso de ferramentas simples, como planilhas, para acompanhar a produção e identificar pontos de melhoria.

Vídeo: Youtube/Amazon Sat

Livrarias físicas de Manaus resistem a era digital

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Apesar do crescimento do comércio eletrônico, livrarias ainda resistem à modernidade. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Comprar um livro hoje é mais fácil do que nunca: do conforto do sofá, você pode fazer a encomenda com alguns cliques e, em poucos dias, o exemplar chega em sua casa. No entanto, ainda há quem prefira a experiência de ir até uma livraria física.

Segundo um estudo divulgado em 2023 pela Associação Nacional de Livrarias, existem quase 3 mil livrarias no Brasil, resistindo à crescente popularização do comércio eletrônico.

A produtora de eventos Loren Lunière, por exemplo, destaca a importância do contato com o livro físico:

Apesar da sua singularidade, as livrarias de rua enfrentam grandes desafios. Além dos custos operacionais elevados, elas precisam competir com a facilidade e a conveniência das compras online.

Fundada em 1975, uma livraria localizada no Centro de Manaus (AM) é um verdadeiro marco literário da cidade. Com um acervo de 60 mil livros, o espaço sempre foi referência na busca por obras raras e no contato direto com pesquisadores e estudantes. Mesmo com o cenário desafiador, ela continua a se afirmar como um espaço de resistência cultural.

“A livraria, nos anos 80 e 90, era um centro de referência, um local onde os intelectuais gostavam de estar, então vinham pra bater papo, reencontrar amigos. A partir dos anos 2000, nós tivemos o início dessa inversão de público, com a criação da internet e a facilidade de comunicação, além do acervo de livros que já começava a ser disponibilizado em PDF nas redes sociais”, explicou José Maria Mendes, proprietário da livraria.

Em um movimento contrário ao avanço do mercado digital, outra livraria, também localizada no centro da capital, inaugurou suas portas há dois meses. Com foco em um ambiente acolhedor e na venda de obras clássicas, o espaço busca criar uma conexão especial com o universo literário.

“A gente viu o quanto a cidade tem buscado a livraria, o quanto essa questão do pegar no livro, embora tenhamos todas as tecnologias, é diferente. Então, pensamos em um espaço que transmitisse isso, com interação e um layout bonito. Acho que hoje, ao pensar em livro, é pensar também em como atrair essas pessoas para esse consumo”, afirmou João Fernandes, dono da livraria.

Os negócios, que resistem às mudanças do mercado, continuam a lutar para garantir seu “final feliz”, criando espaços que vão além da simples venda de livros, mas que também cultivam a cultura e o prazer da leitura em um mundo cada vez mais digital.

*Por Ciana Lobato, da Rede Amazônica AM

Urucum e abelha jataí estão entre espécies-chave para restauração da Amazônia, propõe estudo

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Entre as plantas selecionadas para a nova metodologia de restauração, estão o estão o urucum (Bixa orellana). Foto: Mauricio Mercadante/Flickr

Uma pesquisa brasileira identificou dez espécies de abelhas e dez espécies de plantas capazes de formar redes de interação ecológica que promovem a restauração inicial de áreas degradadas na Amazônia Oriental. Publicado na revista “Restoration Ecology” nesta quarta (20), o estudo foi conduzido pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV), o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e as universidades federais do Pará (UFPA) e de Minas Gerais (UFMG), e propõe uma abordagem inovadora para integrar plantas e polinizadores nos esforços de restauração ambiental.

Entre as plantas selecionadas estão o urucum (Bixa orellana), o muricí-da-praia (Byrsonima stipulacea) e o fedegoso-gigante (Senna alata). Para as abelhas, destacam-se a uruçu boca de renda (Melipona seminigra), a abelha-borá (Tetragona clavipes) e a jataí (Tetragonisca angustula).

O estudo analisou interações entre polinizadores e espécies vegetais em diferentes estágios de recuperação ambiental na Floresta Nacional de Carajás, no Pará. A área também abriga um dos maiores projetos de extração mineral do mundo, com destaque para a mineração de minério de ferro e areia. A equipe de pesquisadores coletou visitantes florais de plantas – os polinizadores – no sub-bosque em áreas de restauração de minas de areia e de depósitos de resíduos de ferro, além de áreas de floresta primária para comparação. A amostragem foi realizada três vezes em cada local, entre abril de 2018 e outubro de 2019.

No total, os pesquisadores identificaram 118 espécies de plantas, 137 espécies de abelhas (1.090 indivíduos) e 51 espécies de vespas (170 indivíduos), mas observaram que apenas cinco espécies de abelhas e doze espécies de plantas respondiam por mais da metade das interações registradas. Na seleção final, consideraram as espécies com maior potencial de utilização nos estágios iniciais da restauração, priorizando os polinizadores mais generalistas, ou seja, que interagem com mais parceiros.

Segundo Rafael Cabral Borges, pesquisador do ITV e autor principal do estudo, o trabalho oferece uma nova abordagem para restauração de ecossistemas, que vai além do simples plantio de árvores. “Em geral, os projetos de restauração são muito focados em introduzir plantas em uma área específica. Mas integrar polinizadores — que apoiam a reprodução das plantas — é fundamental para garantir interações duradouras e a estabilidade de longo prazo dos ecossistemas restaurados”, avalia.

Além de considerar as redes de interação entre plantas e polinizadores, a escolha dos especialistas ponderou características das espécies que podem facilitar o processo de restauração, oferecendo uma base para tomadas de decisão e alocação de recursos. “Por exemplo, plantas que se reproduzem por sementes e abelhas que nidificam em cavidades simplificam o manejo”, cita Borges.

O pesquisador enfatiza, ainda, que o trabalho tem como objetivo fornecer subsídios para projetos de várias escalas. “Essa lista pode ser útil tanto para pequenos agricultores, que enfrentam déficits de polinização, quanto para grandes empreendimentos, como mineradoras, ajudando os tomadores de decisão a embasar suas ações em conhecimento científico”, finaliza Borges.

DOI: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/rec.14334

*Com informações da Agência Bori

Balsa de saúde de Atalaia do Norte, no Amazonas, vence a 19ª Mostra ‘Brasil, aqui tem SUS’

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Foto: Divulgação/PMATN

O projeto Balsa de Saúde de Atalaia do Norte, no Amazonas, venceu a 19ª Mostra ‘Brasil, aqui tem SUS’ no dia 14 de novembro. A mostra é uma iniciativa do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). A unidade de saúde, que promove equidade com atendimentos a ribeirinhos e indígenas do Vale do Javari, foi idealizada pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) da Prefeitura de Atalaia do Norte.

Em abril, o projeto passou pela etapa estadual e foi um dos sete colocados entre 191 projetos de todo o Amazonas e mais de 300 em toda a região Norte. Agora, na etapa nacional, concorrendo com iniciativas de todo o Brasil, Atalaia do Norte sagrou-se campeã na categoria de maior nota para municípios até 20 mil habitantes, sendo um dos melhores do país.

“Uma estratégia inovadora de assistência em saúde”, frisou o idealizador do projeto e secretário da Semsa à época, enfermeiro James Guedes.

A estrutura da unidade dispõe de uma equipe fixa composta por médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, tradutores indígenas, além de uma parceria firmada com a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) para atendimentos sobre programas sociais e outros serviços.

Além disso, acompanhamento pré-natal, exames e coletas de lâminas para testagem de malária, busca-ativa em embarcações, dentre outros serviços também são realizados diariamente pelas equipes da balsa.

O projeto premiado da balsa de saúde, a partir de agora, pode se tornar referência de política pública a ser implementado em municípios brasileiros com as mesmas características de Atalaia do Norte, tudo com o foco de promover equidade e igualdade a quem mais precisa, com respeito e garantindo os direitos de todos os cidadãos.

*Com informações da Prefeitura de Atalaia do Norte (PMATN)

Porto de Chancay no Peru: empresários acreditam que Acre passará a ser “porta de entrada para o Brasil”

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Porto de Chancay, no Peru. Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

Autoridades e empresários do Acre participaram da inauguração, no dia 14 de novembro, do megaporto de Chancay, no Peru, localizado a 80 quilômetros de Lima, capital do país vizinho, que contou com a presença do presidente chinês, Xi Jinping.

Entre as muitas expectativas comerciais, uma delas é que o Acre se torne um importante ponto logístico da Rota Interoceânica.

Ainda segundo ele, o Acre vem trabalhando com diversas instituições “para poder aumentar a atividade econômica por esse corredor e esse porto representa exatamente o incremento o que o estado precisa para fortalecer essa nossa rota”.

Nova rota da seda

Iniciada há oito anos, a obra tem importância estratégica para as relações comerciais da China com toda a América do Sul. Nesse contexto está o Acre, que integra a mais importante rota rodoviária entre o Brasil e o Peru pela Rodovia Transoceânica.

O megaporto de Chancay foi concebido como parte da nova ‘rota da seda’, iniciativa estratégica que há anos vem sendo implementada para aumentar o comércio da China com a região.

Ao mesmo tempo em que a obra proporciona uma grande capacidade de desembarque de mercadorias chinesas na América do Sul, também possibilita o transporte dos produtos da região para o mercado asiático. Principalmente minérios, como lítio e cobre, e produtos agrícolas, como a soja.

A estimativa é que o porto possa diminuir em até 15 dias a viagem entre os continentes. Um investimento de aproximadamente R$ 20 bilhões, liderado pelo governo chinês. Além da vantagem em termos geográficos, a profundidade da baía de Chancay permite ao porto capacidade para receber os maiores navios cargueiros do mundo, que podem transportar até 24 mil contêineres.

O presidente da Associação Comercial do Acre (Acisa), Marcelo Moura, elogiou a grandiosidade da infraestrutura e afirmou que um novo tempo nas relações comerciais entre a América Latina e a Ásia começam agora.

O presidente da Assembleia Legislativa do Acre, Luiz Gonzaga, participou de reuniões com o presidente do congresso peruano, para discutir a criação de um centro aduaneiro integrado e melhorias no transporte de cargas e voos comerciais.

“Nós estamos aqui vivendo um momento histórico. A inauguração de um porto que se Deus quiser vai mudar em muito o nosso estado do Acre. Vai desenvolver, crescer, porque a partir de agora nós teremos oportunidade de exportar os nossos produtos para o maior continente do mundo. Mais de 50% da população mundial está na Ásia”, finalizou.

*Por Andryo Amaral, da Rede Amazônica AC