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Minissérie mistura missão astronauta com salinização das águas enfrentada no Bailique, no Amapá

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Foto: Divulgação/Equipe ‘A Ancestral’

O Arquipélago do Bailique se tornou o palco de uma grande produção cinematográfica durante 13 dias. A minissérie ‘A ancestral’ é produzida no local e conta uma história de ficção científica sobre uma missão de uma astronauta, inserindo no enredo os problemas atuais enfrentados pela mudança climática no interior do Amapá.

O projeto é um dos contemplados pela Lei Paulo Gustavo. As gravações foram finalizadas no dia 18 de dezembro em uma parte do Bioparque da Amazônia, em Macapá.

‘A ancestral’

A história se passa cerca de 40 anos no futuro, com duas histórias paralelas que se encontram no Bailique, retratando as mudanças no clima enfrentadas atualmente já completamente avançadas.

Em outro momento, a história da exploradora de Marte colide com as dificuldades enfrentadas pelos habitantes do interior do Amapá.

“Ao mesmo tempo, está acontecendo a exploração espacial chinesa, quando a China está explorando Marte. Nessas duas histórias que aparentemente não têm nada a ver, que são contemporâneas nessa realidade alternativa, se cruzam no Bailique”, explicou o diretor.

A produção da série contou também com o apoio das comunidades tradicionais do Bailique que cederam espaços e as próprias casas como cenário.

“Nós procuramos alguns recortes, escolhemos casas específicas, paisagens específicas, fazendo o uso do fenômeno das terras caídas para retratar esse mundo de condições extremas. Os cenários, nós não construímos. Eles estão lá, representando a realidade daquelas pessoas de como elas vivem hoje e como vivem em um lugar muito frágil, onde essas mudanças climáticas se evidenciam de forma mais rápida”, complementou o diretor.

O presidente da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique, Geová Alves, disse que a produção é uma forma de registro aos autuais problemas enfrentados pelos moradores, dando uma maior visibilidade à problemática.

Foto: Divulgação/Equipe ‘A Ancestral’

Além disso, a produção movimentou completamente o local onde foi filmada, nas vilas Macedônia e Progresso, com transporte, alimentação, hospedagem, infraestrutura, comércio local, entre outras necessidades da equipe.

O elenco conta com uma equipe de atores de dentro e fora do Amapá. O Yoran Blaschkauer, é um dos atores que integram o elenco e conta que as experiências no Bailique são únicas.

“Vim especialmente pela primeira vez aqui em Macapá, tá sendo lindo, uma experiência inesquecível, uma equipe maravilhosa. Meu personagem tem o nome de ‘Gringo’, eu sou um norte-americano e biólogo que já esta aqui nessas terras fazendo pesquisa há um bom tempo e tenho essa relação um pouco mais íntima com os nativos daqui e tive a oportunidade de conhecer o Bailique que é apaixonante, com pessoas maravilhosas”, disse.

Outra integrante que deu a vida a uma personagem nativa do Bailique foi a artista Ana Caroline. Ela contou que nos bastidores a admiração ao local gravação ao grande, ainda por se tratar de problemas reais contados de forma ‘descontraída’.

“Meu personagem é um personagem ‘real’, é uma pessoa que é do Bailique, que é essa mulher incrível, uma ativista do Bailique, que atua há muito tempo. Esta sendo uma experiência muito boa, interessante e desafiadora, é uma ficção que trabalha dentro de uma realidade”, contou.

Após o fim da fase das gravações, a minissérie segue para a fase pós-produção e em breve estará disponível em plataformas de streaming. A previsão para o lançamento da obra é dentro de 6 meses, no Bailique e em Macapá.

Foto: Divulgação/Equipe ‘A Ancestral’

Problemas além da ficção científica

A obra é um retrato sobre um possível futuro em que as consequências da mudança climática já estão completamente avançadas. O fato é que atualmente, em 2024, as consequências da salinização do Rio Amazonas continuam avançando, o que leva a uma reflexão em que o diretor de ‘A ancestral’ passa aos telespectadores, levantando uma reflexão sobre o presente e um futuro distante, no entanto, possível.

O Arquipélago do Bailique enfrenta uma situação de emergência climática reconhecida nacionalmente no ano de 2023 em que a água potável se encontra completamente indevida para o consumo. Máquinas que ajudam no processo de ‘dessalinização’ estão sendo enviadas para as comunidades. A ajuda busca tratar ao menos 18 mil litros de água por dia.

A mudança se dá por conta dos fenômenos La Niña e El Niño, que causam alterações anormais nos oceanos Pacífico e Atlântico, o que acaba influenciando diretamente nas recentes catástrofes que acontecem no Arquipélago.

Ainda como parte destas consequências, o local enfrentou a seca do Canal do Livramento, na Foz do Rio Amazonas, um dos principais, que é o responsável pela conexão entre 56 comunidades existentes no conjunto de ilhas. O canal ficou intrafegável com as consequências ainda mais agravadas devido ao forte período de estiagem.

Sinopse

Em um futuro não muito distante, acompanhamos a descoberta de restos humanos em Marte, que datam de mais de 10 mil anos atrás. Uma descoberta que traz diversas perguntas, para uma sociedade que não está pronta para absorver tal informação. Enquanto aqui na Terra, no arquipélago do Bailique, Dayane, sua familia e outros moradores, se preparam para ir embora para a capital, Macapá.

São os últimos moradores desse povoado isolado e alheio as notícias, que sofrem com a subida extrema do nível dos mares e salinização do rio Amazonas. Não bastasse isso, enfrentam conflitos locais com um fazendeiro ambicioso que os impede de ter energia elétrica e os proíbe de pescar no rio que os alimentou por gerações. Uma história de resiliência, a luta pela sobrevivência em um momento extremo da humanidade.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Instituto constrói primeira torre da Amazônia para medir gases do efeito estufa em florestas de várzea

Torre de fluxo em meio à floresta de várzea da Reserva Mamirauá. Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá

Despontando acima da copa das árvores da Reserva Mamirauá, no Amazonas, uma estrutura metálica se destaca na paisagem amazônica. Trata-se da Torre de Fluxo do Mamirauá, que chega a 48 metros de altura e é equipada com sensores que irão monitorar pelos próximos anos as emissões de gases de efeito estufa pelas florestas de várzea, em especial o gás metano, importante gás no processo de aquecimento global.

Diante da necessidade de se compreender a dinâmica dos gases de efeito estufa a nível mundial, visto que têm impacto direto sobre as mudanças climáticas, pesquisadores do Instituto Mamirauá, Stanford University e Universidade Federal de Santa Maria formaram uma parceria para preencher uma importante lacuna de conhecimento. Apesar dos ecossistemas tropicais serem responsáveis pela emissão de 50-60% de todo o gás metano oriundo de áreas úmidas no mundo, existem poucas estações de medição e monitoramento deste gás nestas regiões, e nenhuma em florestas de várzea da Amazônia – até agora.

Com financiamento da Fundação Gordon & Betty Moore, o projeto realizou a construção de uma torre de fluxo que abriga instrumentos avançados de medição de gás metano, gás carbônico e vapor d’água, além de diversos outros equipamentos para medir variáveis hidrometeorológicas. A torre foi construída em meio à Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, maior área protegida de áreas úmidas continentais do Brasil, sendo também o primeiro sítio Ramsar do Brasil, reconhecida internacionalmente por sua importância ecológica.

O monitoramento dos gases de efeito estufa com a torre de fluxo permitirá, pela primeira vez, coletar dados sobre a emissão destes gases de maneira contínua em florestas de várzea, analisando a variação ao longo dos períodos de seca e cheia, onde o nível da água pode variar de 10 a 12 metros por ano.

“Existe uma discrepância muito grande entre o levantamento realizado por satélites da emissão de gases de efeito estufa em ambientes tropicais e as estimativas modeladas para essas áreas. Se sabe muito pouco sobre a dinâmica de gases de efeito estufa em áreas de floresta de várzea, especialmente do gás metano ”, comenta Ayan Fleischmann, pesquisador titular do Instituto Mamirauá e um dos coordenadores do projeto.

Neste intuito, a Torre de Fluxo do Mamirauá fará parte de redes de torres espalhadas por todo o mundo, contribuindo com dados inéditos e essenciais oriundos de áreas úmidas da Amazônia. A torre irá integrar a Rede FLUXNET-CH4, um banco de dados internacional de torres de fluxo localizadas em diversos ecossistemas, e o LBA (Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia) coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia, que há 25 anos busca compreender as dinâmicas ambientais da Floresta Amazônica e seu papel na regulação do clima, em escala regional e global.

Segundo Daniel Michelon, pesquisador do Instituto Mamirauá e da Universidade Federal de Santa Maria, “medir de forma contínua e precisa as trocas de metano entre o solo e a atmosfera fornece dados essenciais para entender as fontes e os processos de emissão nesse ecossistema específico. Além disso, esses dados ajudam a quantificar o impacto da região nas emissões globais de gases de efeito estufa, oferecendo informações valiosas para políticas de mitigação das mudanças climáticas e para o manejo sustentável da floresta”.

A Reserva Mamirauá, além de ser um excelente local para a construção da mais nova torre de fluxo, também abriga centenas de comunidades ribeirinhas e indígenas, cujos modos de vida estão intimamente ligados ao ciclo hidrometeorológico da região. Assim, o projeto da Torre de Fluxo do Mamirauá terá várias ações para engajar as comunidades locais, além da geração de renda proveniente do envolvimento de comunitários nas ações relacionadas à construção e manutenção da torre.

O projeto prevê a participação da escola local de São Raimundo do Jarauá, comunidade mais próxima da torre, com atividades educativas diretamente na área da torre e trocas de conhecimento sobre mudanças climáticas e seus impactos na região com os estudantes e comunitários.

A Torre de Fluxo do Mamirauá é um importante marco no avanço do conhecimento sobre a dinâmica ambiental de áreas úmidas da Amazônia, ecossistema de grande relevância socioeconômica e biológica, porém sub-representado em pesquisas científicas. Os dados coletados também serão essenciais para melhor compreender quais serão os impactos e o papel da Floresta Amazônica nas mudanças climáticas. O apoio e participação de comunidades tradicionais, instituições nacionais e estrangeiras tornam o projeto ainda mais pertinente, solidificando o seu alcance local, regional e internacional.

*Com informações do Instituto Mamirauá

Rondônia assume liderança regional das Rotas Amazônicas Integradas pelo próximo biênio

Foto: Daiane Mendonça/Secom RO

O governo de Rondônia foi escolhido para coordenar as Rotas Amazônicas Integradas (RAI), na Região Norte, durante o biênio 2025/2026. O estado terá a responsabilidade de liderar as ações para fortalecimento do turismo na região, com foco em um modelo sustentável, alinhado às diretrizes nacionais e demandas globais de preservação ambiental e valorização cultural.

Por meio da Superintendência Estadual de Turismo (Setur), o governo de Rondônia tem investido em ações e projetos para impulsionar o desenvolvimento do turismo sustentável. A realização da ExpoTurismo 2024, em julho, em Porto Velho, gerou R$ 1,9 milhão em investimentos e movimentou aproximadamente R$ 4,7 milhões na economia local.

Com o projeto Rondônia tem Turismo, o governo pretende alcançar todos os 52 municípios do estado, com apresentação do projeto aos gestores municipais, a fim de fomentar e fortalecer o setor em cada município, incentivando a prática turística; e despertar a população quanto às potencialidades, por meio de concursos, vídeos, folders e plataformas digitais.

Protagonismo rondoniense

O governador de Rondônia, Marcos Rocha, reforçou o engajamento do estado com o turismo sustentável, tema central do biênio da RAI.

O superintendente da Setur, Gilvan Pereira Júnior destacou que, com essa nova atribuição, o estado reforça sua posição como destino turístico emergente na Amazônia, investindo em estratégias que promovem o ecoturismo, valorização da cultura local e integração entre os estados da Região Norte. “A expectativa é que essa gestão estimule parcerias, atraia investimentos e potencialize o protagonismo da Amazônia como referência mundial em turismo sustentável.”

Rotas Amazônicas Integradas

As Rotas Amazônicas Integradas, lançada em 2021, reúne um portfólio de produtos turísticos unificado com os principais atrativos de cada estado, com divulgação em revistas, mapas, redes sociais, sites, feiras, congressos e demais eventos direcionados ao turismo. O objetivo é unir roteiros com perfis turísticos similares e, assim, elevar a atração de turistas nacionais e internacionais

*Com informações do Governo de Rondônia

Peixe ao molho de caju: receita de chef indígena com itens regionais é aposta para inovar no Natal

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Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Em dezembro, duas coisas são certas em Roraima: o Natal e o caju. Presente em quintais por todo o estado, o caju é quase uma fruta símbolo local, marcando presença na época mais festiva do ano. Pensando nisso, o Grupo Rede Amazônica convidou a chef Kalu Brasil — um dos maiores nomes da culinária roraimense — para ensinar como preparar uma receita exclusiva: peixe ao molho de caju, perfeita para inovar nas celebrações natalinas com sabores regionais.

A receita foi criada pela própria Kalu e está presente no livro “Kalu Brasil – Da Aldeia Para o Mundo”, lançado no início do mês. O prato leva filé de peixe (podendo ser qualquer dourado ou tambaqui), cebolas, tomates, pimentões e, claro, o caju. A receita tem grau de dificuldade média e pode ser acompanhada por arroz branco e farinha. (veja a receita completa no vídeo acima).

Kalu conta que criou o prato há 8 anos — a ideia era fazer uma receita que aproveita a época do caju, que é uma fruta muito típica e só aparece no fim do ano.

“É uma forma de valorizar tanto o peixe como as frutas regionais. Recomendo preparar com o dourado que é um peixe muito parecido com o bacalhau, só que mais acessível. Fico muito feliz em compartilhar essa receita, que considero uma realização, por ser apreciada e valorizar nossa cultura e sabores regionais”, conta a chef.

Ingredientes

4 kg de filé de dourado
4 dentes de alho
1 colher de sopa (rasa) de sal
1 xícara de chá de azeite extra virgem
2 cebolas
2 tomates
1 maço de cheiro verde (opcional)
2 pimentões, sendo um verde e um vermelho
4 cajus
250 g de castanha de caju torrada
2 limões

Modo de preparo

Lave o peixe utilizando água e limão, depois corte-o em pedaços com aproximadamente cinco centímetros de comprimento. Escorra bem e transfira para uma tigela grande. Amasse o alho com o sal, use para temperar o peixe e adicione um fio de azeite de oliva;
Fatie as cebolas e os pimentões em rodelas, retire as sementes dos tomates e corte-os também em rodelas. Misture todos esses vegetais com o peixe;
Em uma travessa grande de vidro, disponha os pedaços de peixe já temperados e intercale rodelas de caju entre eles, espalhando uniformemente. Asse em forno baixo (entre 150 e 180 graus) por cerca de 20 minutos. Confira se o peixe está bem cozido e, caso o caldo esteja reduzido, adicione uma xícara de água. Salpique as castanhas sobre o prato e leve de volta ao forno para gratinar por mais 20 minutos.

Caju para Kalu

Filha de mãe indígena Wapichana e pai não indígena, Kalu Brasil é chef de cozinha, culinarista, matriarca e dona de uma simpatia singular. Para ela, a receita é uma alternativa por ser acessível.

“Esse prato também valoriza os ingredientes que temos aqui na região, uma opção deliciosa e econômica. Afinal, nem todos podem comprar bacalhau, mas o dourado, por exemplo, encontramos facilmente em mercados locais”.

O caju para ela remete memórias de infância e por isso tem um valor simbólico.

*Por Caíque Rodrigues, da Rede Amazônica RR

Você sabia que é possível ver o alinhamento solar anual de inverno em sítio milenar construído por indígenas da Amazônia?

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Alinhamento solar é visto do stonehenge da Amazônia. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

No estado do Amapá, turistas de vários lugares se reuniram para apreciar a chegada do ‘Solstício de Inverno‘, o fenômeno de alinhamento solar com as rochas no ‘Stonehenge da Amazônia‘ ou ‘Parque do Solstício’ como é popularmente conhecido o Sítio AP-CA-18 Rêgo Grande 1, construído por indígenas habitantes da região há cerca de mil anos.

O Solstício acontece apenas duas vezes no ano, no período do verão e inverno. No inverno, este alinhamento pode ser visto nos dias 21 ou 22 de dezembro, além disso, as noites se tornam mais longas que os dias.

Leia também: Rochas milenares eram usadas como calendário solar por povos indígenas: conheça o Stonehenge da Amazônia, no Amapá

Observação astronômica através das rochas

Os turistas do Amapá partiram em uma jornada rumo ao local megalítico histórico do Amapá por volta das 5h30 da madrugada para acompanhar o nascer do sol até o principal momento do dia. Cada um conseguiu ver de perto as rochas de granito arrastadas ao local pelos povos originários.

Em seguida, às 6h20, foi possível enxergar à olho nu o alimento do sol entre duas rochas. O sol atravessa a ‘pedra do furo’, que possui um círculo em sua extensão e segue até a pedra da ponta oposta, apontando o local exato do sol no alvorecer do solstício.

Durante a tarde do mesmo dia, a partir das 14h39, um dos blocos passa a não projetar sombras nas faces principais. A sombra concentra-se ao leste e o sol no oeste. Ao longo do ano, o sol se posiciona no sentido norte, sendo a posição ‘máxima’ no hemisfério sul.

O Lúcio Costa Leite, gerente do centro de pesquisas arqueológicas do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), explicou ao g1 sobre o momento em que a estação é marcada.

Turistas chegaram ao local ainda pela madrugada. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

O professor de história que esteve como turista assistindo ao solstício Carlos Haussler, contou ao g1 que já tinha conhecido parque, mas nunca no período de alinhamento solar.

“Antes eu não tinha a leitura que eu tenho agora desse espaço, dessa região, que são monumentos históricos, isso é um fator que de grande valorização para o município de Calçoene”, contou o professor.

As informações sobre o parque como observatório foram constatadas conforme uma pesquisa realizada pelo Iepa. Segundo os pesquisadores, esta era a principal função do sítio, a observação dos fenômenos astronômicos, monitorando além dos solstícios, os equinócios.

Segundo os pesquisadores, outra forma de funcionamento do parque era através de rituais religiosos e manifestações culturais e funerais de figuras importantes da época.

Engenharia Indígena

A estrutura do sítio é formada por diversos formatos de rocha granítica que totalizam 127, fixadas em diferentes locais e composições que somam 30 metros de diâmetro. Alguns dos blocos apresentam desgastes e lascamentos nas bordas.

O pesquisador Lúcio contou ainda que o mais fascinante é o posicionamento das rochas que possuem cerca de 4 toneladas chegando a alcançar 2 metros e meio de altura, que estão perfeitamente alinhadas no topo de uma pequena colina, o que evidencia um esforço coletivo devido a ausência de qualquer máquina ou tecnologia.

O pesquisador disse ainda que a etnia dos indígenas habitantes da região está sendo estudada com base nos materiais utilizados. Lúcio esteve à frente como guia turístico na data, explicando aos turistas a criação, propósito e funcionamento do observatório em meio a Amazônia.

“Nós temos esses fenômenos expressos nas rochas e também nos materiais arqueológicos que foram escavados pela nossa equipe em diferentes épocas e que hoje fazem parte da reserva arqueológica”, complementou o gerente sobre as pesquisas.

Visita ao passado amapaense

Os materiais coletados ou preservados no local são protegidos por lei. É proibida a destruição e venda. Por se tratar de peças históricas preservadas, apenas instituições autorizadas podem levá-las à público.

As coleções guardadas em questão se tratam de diversas cerâmicas, instrumentos de pedra, peças decoradas e outros e estão sob reparos do NuPArq, para estudos e visitação.

O NuPArq informou que os achados em Calçoene possuem características próprias e uma “assinatura própria”. As peças consistem em poços funerários com câmaras laterais em formato de bota com placas de granito como se fosse um mausoléu.

Uma das visitantes, a bibliotecária Marília Shibayama contou que o local é mais um para sua lista de culturas conhecidas.

“Eu adoro conhecer a cultura, conheço várias culturas do nosso Brasil, mas aqui no Amapá, até a questão do acesso é difícil. Estamos aproveitando essa oportunidade do dia do solstício. Aqui a gente tem a questão da cultura, da história. E tudo feito aqui foi pensado”, disse.

O local é aberto á visitas apenas em ocasiões especiais como a chegada do solstício, ou com a solicitação prévia para a autorização de um rápido acesso.

Além disso, existe um fenômeno chamado de megalitismo amazônico ou megalitismo atlântico, onde há a ocorrência de 40 sítios do conhecimento do Iepa, inclusive ao longo de toda extensão do Amapá. O próximo solstício a acontecer é o de verão, em que os dias são mais longos, que acontece entre os dias 20 e 22 junho.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Amazônia: além das ideologias, um compromisso com a vida

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Floresta Serra da Escama com cidade de Óbidos (PA) ao fundo. Julho 2021. Foto: Olímpio Guarany

Por Olimpio Guarany

Hoje, venho me posicionar diante de um argumento que infelizmente tenho ouvido: o de que a Amazônia contribui pouco para o clima global. Essa visão não só é equivocada, como também ignora evidências científicas e o papel vital que a maior floresta tropical do mundo desempenha para todos nós.

A Amazônia é um dos maiores reguladores climáticos do planeta. Ela é responsável por produzir cerca de 20% do oxigênio da Terra e atua como um dos maiores sumidouros de carbono, ajudando a mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Quando árvores capturam dióxido de carbono, elas combatem o aquecimento global de forma direta e indispensável.

Além disso, a floresta gera um fenômeno único chamado rios voadores: um transporte massivo de vapor d’água que alimenta chuvas em boa parte da América do Sul, incluindo regiões agrícolas essenciais para a economia brasileira. Sem a Amazônia, sofreríamos severas crises hídricas, afetando diretamente a produção de alimentos e o fornecimento de energia elétrica.

Do ponto de vista socioeconômico, a floresta sustenta mais de 30 milhões de pessoas, incluindo povos indígenas e comunidades ribeirinhas que dependem diretamente dos recursos naturais para sua sobrevivência. Além disso, a bioeconomia amazônica – baseada no uso sustentável da biodiversidade – tem o potencial de transformar a região em um polo global de inovação, gerando empregos e riqueza sem destruir o meio ambiente.

Floresta Serra da Escama, Óbidos (PA). Julho 2021. Foto: Olímpio Guarany (Drone)

Infelizmente, discursos que incentivam o desmatamento, sob o pretexto de desenvolvimento econômico, escondem intenções predatórias. Essas narrativas não trazem progresso; elas abrem caminho para a destruição. Defender a voracidade de quem só quer explorar a Amazônia sem limites é, na prática, ser contra a sustentabilidade, contra a biodiversidade e, no final das contas, contra a vida.

É fundamental entender que desmatar a Amazônia não apenas libera enormes quantidades de carbono, mas também destrói habitats e espécies únicas que podem conter a chave para medicamentos e tecnologias ainda desconhecidos. Proteger a Amazônia não é uma questão ideológica; é uma questão de sobrevivência para o Brasil e para o mundo.

A Amazônia é nosso maior patrimônio. Preservá-la é um dever de todos nós. Vamos nos unir para defender a floresta, porque, no final das contas, proteger a Amazônia é proteger a vida na Terra.

Sobre o autor

Olimpio Guarany é jornalista, documentarista, economista e professor universitário. Realizou a expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru) por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes e depois subiu a Quito, Equador (2020-2022), refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Tocantins registra menor índice de focos de incêndios dos últimos dois meses, mostra boletim

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Foto: Cleide Veloso/Governo do Tocantins

O Governo do Tocantins, por intermédio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), divulgou no dia 19 de dezembro o menor índice de focos de incêndio registrado nos últimos dois meses. Com 37 ocorrências, o 15º Boletim Climático e de Riscos de Incêndio aponta também a redução de 71% dos focos na semana de 12 a 18 de dezembro, comparada à semana anterior que registrou 126 incidências.

Sem ocorrências na região do Bico do Papagaio e em Araguaína nesta semana, o relatório aponta registros em 22 municípios, tendo em Natividade cinco focos, o que equivale a 13,5% do total do período e com três focos em cada município, Araguacema, Crixás do Tocantins e Sandolândia, que somaram 24,3% do registro.

As condições meteorológicas do Tocantins, na última semana, apontaram, na região norte, a precipitação de 26,8 mm, com temperatura média de 25,7ºC e umidade relativa do ar de 86%. Na região central, houve 36,7 mm de chuva, temperatura de 27,0ºC e 79% de umidade relativa. Já na região sul, a precipitação alcançou 6,0 mm, a temperatura foi de 26,3ºC e a umidade relativa foi de 80%.

Nesse período, em média, Palmas manteve a boa qualidade do ar na faixa de classificação, com registro de 3,63 µg/m³, conforme classificação Guia Técnico para o Monitoramento e Avaliação da Qualidade do Ar, do Ministério do Meio Ambiente, com dados coletados pela estação de monitoramento instalada na Procuradoria Geral do Ministério Público do Tocantins (MPTO).

De acordo com o Boletim Hídrico deste período, na maioria das estações monitoradas, houve registro do aumento do nível dos rios, com destaque na estação UHE Peixe Angical da Bacia Hidrográfica do rio Paranã com 4,62 m, na estação Araguacema da Bacia Rio Araguaia com 4,09 m e estação Fazenda Grupo AgroPaulo da Bacia do Rio Caipó com 3,71 m.

Boletim

Com divulgação semanal, o Boletim Climático e de Riscos de Incêndio do Tocantins é produzido pelo Centro de Inteligência Geográfica em Gestão do Meio Ambiente (Cigma) da Semarh, com dados do Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Esse relatório fornece informações detalhadas sobre o monitoramento climático, os focos de queimadas, qualidade do ar, nível dos rios nas bacias hidrográficas do estado e a distribuição dos incêndios em áreas estaduais e federais.Para mais detalhes, consulte o 15º Boletim Climático e Riscos de Incêndio.

*Com informações do Governo do Tocantins

Projeto busca desenvolver biomateriais com fungos amazônicos para degradar pesticidas

Fungos presentes em plantas amazônicas serão fundamentais na pesquisa. Foto: Grasiele Cavallini

Docentes do Mestrado em Química da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Câmpus de Gurupi, conquistaram mais de R$ 3 milhões em recursos para o desenvolvimento do projeto ‘Produção de sistemas para biorremediação de agrotóxicos utilizando fungos endofíticos da região amazônica‘. A proposta foi aprovada no edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) voltado para Centros Avançados em Áreas Estratégicas para o Desenvolvimento Sustentável da Região Amazônica.

O projeto visa criar biomateriais inovadores capazes de degradar pesticidas presentes no ambiente. A metodologia utiliza fungos encontrados em plantas da Amazônia para produzir bioprodutos que possam contribuir para a conservação ambiental e a exploração sustentável da biodiversidade.

A iniciativa conta com a colaboração de renomadas instituições, como a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

De acordo com a coordenadora do projeto, Grasiele Cavallini, a aprovação do recurso é um marco para a pesquisa em Química no Tocantins.

*Com informações da UFT

Pesquisa identifica cerca de 200 espécies de algas no Rio Uiacurapá, em Parintins

Foto: Angela Maria da Silva Lehmkuhl/Acervo pessoal

No município de Parintins, no Amazonas, pesquisadores realizaram um levantamento das algas diatomáceas (microalgas) presentes no rio Uaicurapá para avaliar os impactos das atividades locais sobre a qualidade da água e ecológica do rio.

A pesquisa apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), identificou cerca de 200 espécies de diatomáceas entre endêmicas (exclusivas de determinada região) e indicadoras de excelente qualidade da água.

Amparado pelo Programa de Apoio à Interiorização em Pesquisa e Inovação Tecnológica no Amazonas (Painter) o estudo intitulado ‘Diatomáceas como indicadoras ambientais: avaliação do impacto das atividades locais sobre a qualidade da água do rio Uaicurapá, Parintins, Amazonas, Brasil’ foi realizado em quatro pontos do Rio Uaicurapá, que foram delimitados para abranger um gradiente com áreas de menor uso e ocupação da terra até áreas com maior atividade humana.

Coordenado pela doutora em Biologia, Angela Maria da Silva Lehmkuhl, do Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia (ICSEZ), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o estudo apontou a alta diversidade que o rio possui em espécies de diatomáceas, e realizou o registro de uma espécie rara e possivelmente endêmica para a região (Actinella gessneri), além da descrição de uma espécie nova (Actinella cordiformis).

A pesquisadora explica que as diatomáceas são microalgas, eucarióticas, fotossintetizantes que possuem uma parede celular impregnada por sílica, que parecem com um porta-joias de vidro ornamentado. Foram realizadas quatro coletas ao longo de um ano, levando em consideração as fases do ciclo hidrológico do rio, sendo elas: enchente, cheia, vazante e seca.

Foto: Angela Maria da Silva Lehmkuhl/Acervo pessoal

“A comunidade de diatomáceas variou em espécies e quantidades ao longo das fases do ciclo hidrológico e ao longo dos pontos de coleta. Algumas espécies abundantes no pico da cheia, não foram abundantes e ou não estiveram presentes no período da seca”, disse Angela Maria.

Segundo ela, a alteração na estrutura da comunidade ajuda a prever alterações climáticas e períodos de seca dos rios. Algumas espécies presentes nos pontos com menor atividade humana (à montante) foram menos abundantes ou ausentes nos pontos com maior atividade antrópica (à jusante).

O estudo avalia a presença das algas diatomáceas que podem ser encontradas nos mais variados tipos de ambientes aquáticos. Devido a características como um ciclo de vida curto e rápida resposta às alterações na qualidade da água, são consideradas excelentes bioindicadores, principalmente em relação ao grau de nutrientes presentes.

As espécies de diatomáceas planctônicas, ou seja, aquelas que ficam livres na coluna d’água, foram coletadas com uma rede cônica com malha de 25 micrômetros, e as espécies perifíticas, ou seja, aquelas aderidas à um substrato, foram coletadas de partes submersas de plantas.

Outro detalhe foi a identificação das espécies por meio da análise em lâminas sob microscopia de luz e sob microscopia eletrônica de varredura das amostras coletadas.

*Com informações da Fapeam

‘Legado para a literatura amapaense’: livro explora relação transfronteiriça entre Amapá e Guianas

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Cantora e vocalista da Banda “Negro de Nós”, Silmara Lobato. Foto: Lidiane Lima/GEA

Personalidades da cultura amapaense estiveram presente no lançamento do Livro Região das Guianas: Território, História e Cultura‘, da Editora Letra 1, assinado por Clícia Vieira Di Miceli e Gutemberg Silva, com fotografias de Gabriel Flores. A noite de autógrafos aconteceu na última sexta-feira (20), no auditório do Sebrae-AP.

Os autores levaram 7 anos e quatro expedições na Guiana Francesa, Suriname, República da Guiana, Venezuela e no Norte do Brasil, para reunir em pouco mais de 400 páginas, a construção das relações internacionais e a contribuição para o Amapá.

Para a cantora e vocalista da banda “Negro de Nós”, Silmara Lobato, de 44 anos, o livro é uma importante contribuição para a história do Amapá e traduz em palavras, a herança cultural deixada por essa proximidade.

Silmara disse ainda, que essa mistura apresentada na obra, agora condensada em palavras, é tudo que a banda “Negro de Nós” trabalha desde a criação. Ela destaca ainda que se sentiu representada por contribuir há 30 anos com a música amapaense.

“O Negro de Nós é fruto dessa mistura, é fruto dessa cooperação, dessa miscelânea da nossa fronteira. Em 1999, quando a banda surgiu, ela foi criada justamente para trazer essa riqueza da mistura através da nossa sonoridade. E isso, na época, ainda não era bem visto, fomos muitos criticados, inclusive. E hoje, vimos que estava tudo certo, porque tudo está conectado”, finalizou Silmara.

A assistente social e professora Eli Moura, de 59 anos, fez questão de conferir o lançamento do livro e garantir uma dedicatória dos autores. Apaixonada pela literatura amapaense, ela ressaltou a importância de ter, cada vez, obras que contam a história do Amapá sob vários aspectos, inclusive, sobre as relações de fronteira.

A obra conta com a apresentação escrita pelo governador Clécio Luís e o prefácio assinado pela cônsul-geral do Brasil na Guiana Francesa no período de 2008 a 2013, a embaixadora Ana Lélia Benincá Beltrame, diz que o livro presta um notável serviço para os estados e à cultura Amazônica.

Os leitores podem acessar o livro de forma digital e também conhecer as ilustrações que foram feitas pelo geógrafo, professor e ilustrador Carliendell Magalhães

“Esse livro é um documento potente e grandioso pelas informações técnicas, fotos, pelo conjunto de cartografia e pelas ilustrações que tive a honra de fazer, além de ser um livro moderno e vivo que vai contribuir muito com o conhecimento dos amapaenses, só tenho que agradecer pela oportunidade”, frisou Magalhães.

*Com informações do Governo do Amapá