Home Blog Page 295

Cacau produzido no Pará ganha destaque mundial por gerar desenvolvimento com sustentabilidade

0

Foto: Divulgação/Fapespa

O Pará é o maior produtor de amêndoa de cacau do Brasil, responsável por quase 145 mil toneladas, o que supera em 53% toda a produção nacional. O Estado conta com mais de 31,5 mil produtores, segundo dados da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa). Medicilândia, Uruará, Anapu, Brasil Novo, Placas, Altamira, Vitória do Xingu, Senador José Porfírio, Tucumã e Pacajá são os municípios paraenses que mais produzem o fruto.

No contexto da economia mundial, o Brasil se destaca dentre os principais produtores, estando na sétima posição, com quase 270 mil toneladas em 2020, o que corresponde a 4,7% da produção global. E o Pará figura entre os maiores produtores do planeta, seguido pela Bahia.

A comercialização externa é outra dimensão da cacauicultura. De 1998 a 2022 o preço do cacau bruto paraense no comércio externo passou de US$ 1,6 por kg para US$ 3,4 por kg – um aumento de 118,4% no período.

Já o cacau em pó, com maior valor agregado, começou a ser mais comercializado pelo Pará a partir de 2018, saindo de US$ 2,2 por kg, para US$ 5,2 por kg, correspondente a quase duas vezes o preço do cacau bruto nos últimos anos.

Agricultura familiar

Esses dados mostram o resultado de investimentos do governo do Estado na cadeia produtiva do cacau. Atualmente, a Fapespa destina R$ 2.535.079,20 para dez projetos que envolvem cacau, sendo sete de pesquisa e três de apoio a Startups.

Grande parte do cacau produzido no Pará é oriundo da agricultura familiar, geralmente de sistemas agroflorestais (SAFs), os quais permitem um ecossistema diversificado e benéfico ao desenvolvimento das plantas e à qualidade do solo, garantindo maior eficiência.

O engenheiro agrônomo e florestal Deyvison Medrado, diretor Científico da Fapespa, explica que a sustentabilidade dessa cadeia produtiva é resultado de vários fatores, incluindo aumento da produtividade, com utilização de técnicas adequadas de manejo, como poda, controle de pragas e doenças, e uso eficiente de fertilizantes. Essas técnicas resultam em mais cacau produzido por hectare, aumentando a renda dos agricultores sem a necessidade de expandir a área cultivada.

Outro fator essencial é a conservação do solo e da água, uma vez que práticas como o plantio em contorno, cobertura do solo e sistemas agroflorestais ajudam a conservar esses dois recursos naturais, o que melhora a saúde do cacaueiro e protege o solo e os cursos d’água, garantindo sustentabilidade em longo prazo.

Foto: Divulgação/Fapespa

Diversificação

A sustentabilidade da cacauicultura também depende da diversificação de culturas, pois a integração do cacau com outras espécies em sistemas agroflorestais pode diversificar a renda dos agricultores, o que os ajuda a enfrentar flutuações de mercado e mudanças climáticas. A diversidade de plantas também pode melhorar o ecossistema agrícola.

Deyvison Medrado destaca ainda as certificações de mercado premium, práticas de manejo sustentável que permitem aos agricultores obter certificações, como Fair Trade ou Rainforest Alliance, que muitas vezes permitem acesso a mercados premium e preços mais competitivos para o cacau.

“Daí a importância de o Estado investir nas pesquisas, uma vez que o aprimoramento das técnicas de manejo agronômico do cacau potencializa a produtividade, a qualidade dos frutos e seus derivados, o que reflete no escalonamento das vendas”, informa o pesquisador.

Inovação tecnológica

Entre os projetos apoiados pela Fapespa está “Utilização de inteligência artificial para reconhecimento por imagem das principais doenças da cultura do cacau na região amazônica”, denominado “CIDD: Cacau Inteligente – Diagnóstico de Doenças”, cujo objetivo é prevenir possíveis pragas nas lavouras paraenses que acometem o cacau, como a vassoura-de-bruxa, a podridão parda e o mal do facão, que se destacam visualmente, permitindo que sejam detectadas com o uso de técnicas de reconhecimento de imagem (também conhecidas como técnicas de visão computacional).

O projeto coletou imagens de cacau de diferentes regiões do Pará, como Paragominas (no sudeste), Tomé-Açu (nordeste), Benevides (Região Metropolitana de Belém) e Altamira (oeste), e montou um banco de dados, que serviu de base ao treinamento para o modelo de inteligência artificial. A partir desse modelo, foi construído um aplicativo móvel (CIDD).

A pesquisa também resultou em parcerias com a República Dominicana para implantação do Projeto “Use of artificial intelligence for image recognition of the main diseases of cocoa cultivation in the Dominican Republic”, desenvolvido naquele país da América Central e financiado pelo FONDOCyT, do “Ministry of Higher Education, Science and Technology (MESCyT), que está em execução desde o início de 2024.

Prevenção

Entre os desafios futuros, o grupo de pesquisadores pretende acrescentar a tecnologia molecular (Ciências Ômicas) ao projeto, elevando o combate aos fungos para atingir um nível preventivo, e não apenas reativo. O grupo propõe a implantação de uma vigilância genômica do cacau, o que permitiria detectar de forma antecipada pragas bem mais severas, como a Monilíase.

“As pesquisas fomentadas pela Fapespa são fundamentais para o desenvolvimento de novos produtos e pela intensificação e o aprimoramento daquelas cadeias produtivas já existentes. No caso do cacau, nosso Estado já detém a maior produtividade do mundo, e certamente com essas novas tecnologias teremos a oportunidade de ampliar ainda mais essa vantagem competitiva”, enfatiza o presidente da Fapespa, Marcel Botelho.

*Com informações da Fapespa

A promessa de Natal que não pode ser cumprida

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Momentos mágicos. O Natal nos traz lembranças de lugares adormecidos, misturando nós mesmos com pessoas que fomos um dia e com pessoas que já não estão por aqui. Quanto mais idade, mais natais e mais misturas. Quando eu era criança, existia o Papai Noel. Quando minhas filhas nasceram, Papai Noel voltou. Na época, o Natal na casa dos meus pais tinha quase 10 crianças, e a família crescia a cada ano. A árvore cheia de presentes aguardava até meia-noite para que fossem abertos. Eu era o locutor oficial da distribuição. Gritava alto de fulano de tal para beltrano e entregava o presente que era aberto imediatamente, na presença de todos. Nos bastidores, fofocas de família, brigas de ocasião e, na hora certa, o clima de final de novela, com todos em paz, amando uns aos outros, como nos ensina o aniversariante.

A memória vai para a frente e estou agora em outro Natal. É literalmente outra vida. Minhas filhas já estão em seus próprios natais, em outras localidades. Meus pais, um dos irmãos e minha primeira esposa já não estão por aqui. Estou conhecendo uma outra família. Neste momento, eu já não sou o sogro, papel que me acostumei ao longo dos anos. Agora eu sou o genro. Nunca tive sogros antes, pois os pais da minha primeira esposa, com quem fui casado por mais de 30 anos, morreram antes de nos casarmos e o pai dela, nem cheguei a conhecer. Eu me tornei sogro muito novo e, agora, bem mais velho, virei genro.

A casa também estava cheia e as pessoas felizes. Era o mesmo Natal, mas não existem Natais iguais e este também era único. Também era mágico. Na nova condição de genro, sem pensar muito, fiz uma promessa aos meus sogros. Uma promessa que sempre esperei dos meus genros. Algo que todo pai pediria ao Papai Noel. Disse a eles: “farei a sua filha feliz”.

Fui sincero na minha promessa, mas não verdadeiro. Ninguém pode fazer ninguém feliz. Hoje, passados doze anos, e estudando melhor o assunto, sei que a felicidade precisa ser construída pela própria pessoa. Falamos sobre isso em outros artigos, quando tratamos da felicidade nas empresas. As organizações têm um papel, mas a cada pessoa cabe a responsabilidade de construir a sua própria felicidade.

É Natal e as famílias já se juntaram. Daqui a poucas horas, será a ceia e o Papai Noel é esperado. Não é possível juntar todo mundo. Uma filha e neta estão por aqui e outra filha e cinco netos estão no exterior. Mundo pequeno e mundo grande demais. Além de outros parentes nossos, por parte da minha mulher estão: filhos, irmãos, sobrinhos e os seus pais, que lideram a comunhão de todos.

Relembro a promessa que fiz aos meus sogros, agora meus amigos do peito: “farei a sua filha feliz”. Eles estranham e olham para ela. A filha deles está com um sorriso aberto e transborda alegria na maior parte de seus dias. Ela é, grata, possui um propósito, cultiva amizades e trabalha por atingir seus objetivos, além de gostar de ser útil. Ela é feliz. Ela constrói a sua felicidade e eu apenas busco ajudá-la nesta jornada.

Voltando às empresas e, também, ao papel de pais, amigos, ou profissionais, não é o que podemos fazer? Criar condições para que cada um construa a sua própria felicidade? Penso que é o melhor presente que Papai Noel pode nos dar neste e nos próximos natais. Que todos sigam construindo felicidade para o seu redor e para si mesmos. O mundo precisa, e a felicidade tem poder multiplicador, muito além do que podemos supor. Que os próximos natais sejam ainda mais mágicos e mais felizes!

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Artigo mostra importância de comunidades tradicionais na preservação da biodiversidade

0

Foto: Divulgação/Acervo da pesquisa

Desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV), o artigo intitulado ‘The Importance of Traditional Communities in Biodiversity Conservation’ buscou mapear a literatura científica que explora a importância das comunidades tradicionais na conservação da biodiversidade. Destacando tendências, lacunas, contribuições das comunidades indígenas e não indígenas e áreas de maior relevância científica global, o estudo analisou 519 artigos científicos que foram publicados entre 1994 e 2024.

O artigo foi publicado na revista científica Biodiversity and Conservation e conta com autoria dos pesquisadores Everton Cruz da Silva (UFPA), Mayerly Alexandra Guerrero-Moreno (UFOPA), Fernando Abreu Oliveira (UFOPA), Leandro Juen (UFPA), Fernando Geraldo de Carvalho (ITV) e José Max Barbosa Oliveira-Junior (UFOPA). A pesquisa analisou os artigos científicos das bases de dados Scopus e Web of Science. O estudo destacou como o conhecimento ecológico tradicional e as práticas sociais têm sido fundamentais para a preservação de ecossistemas e recursos naturais.

Foto: Divulgação/Acervo da pesquisa

Entre as principais contribuições identificadas no artigo estão o manejo sustentável, práticas culturais, educação ambiental, restauração de habitats e monitoramento comunitário. Outro destaque do estudo foi na relevância das populações locais na formulação de políticas públicas que valorizem seu conhecimento como uma ferramenta essencial para enfrentar os atuais desafios ambientais globais. Além disso, a pesquisa também evidenciou uma disparidade significativa na produção científica sobre o tema, com o Brasil e a Índia levando destaque nas produções, liderando as áreas mais estudadas.

A pesquisa também mostrou que, até os dias atuais, ainda se mantêm as desigualdades históricas de exploração de dados, recursos e infraestrutura de pesquisa, com um fenômeno conhecido como “ciência de paraquedas”, que reforça o neocolonialismo científico ao tratar as comunidades do Sul Global como objetos de estudo, sem reconhecer seu protagonismo e valorizar seus conhecimentos ecológicos tradicionais.

Para Leandro, o artigo é importante pois “destaca como essas práticas podem ser integradas às políticas de conservação, oferecendo soluções mais inclusivas e eficazes para os desafios ambientais que enfrentamos. Ele reforça a ideia de que a conservação não pode ser dissociada das pessoas que habitam essas áreas. Incorporar os conhecimentos e práticas das comunidades tradicionais pode promover um equilíbrio entre preservação ambiental e justiça social. Além disso, o estudo traz um alerta de que reconhecer e valorizar as comunidades tradicionais é urgente, especialmente em um contexto de degradação ambiental acelerada. Isso nos dá uma oportunidade única de aliar ciência, tradição e políticas públicas para construir um futuro mais sustentável”.

O discente do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFPA (PPGECO-UFPA), Everton Cruz da Silva, que participou da pesquisa e que é originário da Comunidade tradicional São Benedito do Ituqui, em Santarém, Pará, diz que “o desconhecimento sobre a importância dessas comunidades ainda persiste, mas é inegável que seu conhecimento é essencial para superar os desafios ambientais e promover justiça social e equidade”.

*Com informações da UFPA

2025 chegando, desarmonias e novos desafios a vencer

0

Foto: Dedhie Rihadi/Pixabay

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Como na vida e no cosmo nada permanece o mesmo desde a grande explosão que fez o Senhor do Universo criar tudo em sete dias, a Terra e seus habitantes. De fato, amanhã não somos os mesmos de hoje. Segundo o Yuval Harari, em “Uma Breve História da Humanidade”, há cerca de 13,5 bilhões de anos, a matéria, a energia, o tempo e o espaço surgiram naquilo que é conhecido como o Big Bang. Por volta de 300 mil anos após seu surgimento, prossegue, “a matéria e a energia começaram a se aglutinar em estruturas complexas, chamadas átomos, que então se combinaram em moléculas; a história dos átomos, das moléculas e de suas interações é denominada química”.

Ele faz um recorte do que muito tempo depois passou a ser conhecido como “história”, observando que “há cerca de 3,8 bilhões de anos, em um planeta chamado Terra, certas moléculas se combinaram para formar estruturas particularmente grandes e complexas chamadas organismos. Há cerca de 70 mil anos, os organismos pertencentes à espécie “Homo sapiens” começaram a formar estruturas ainda mais elaboradas chamadas culturas. O desenvolvimento subsequente dessas culturas humanas é denominado história”. Segundo Harari, “três importantes revoluções definiram o curso da história. A Revolução Cognitiva deu início à história, há cerca de 70 mil anos.

A Revolução Agrícola a acelerou, por volta de 12 mil anos atrás. A Revolução Científica, que começou há apenas 500 anos, pode muito bem colocar um fim à história e dar início a algo completamente diferente”. Afirma que “muito antes de haver história, já havia seres humanos. Animais bastante similares aos humanos modernos surgiram por volta de 2,5 milhões de anos atrás”. Os “humanos”, na verdade, mesmo que, desesperadamente tentam provar o contrário, não passamos de simples grãos de areia no seio de um vasto, incomensurável e insondável Universo que se sustenta nas galáxias, nas imensidões da abóbada celestial, nos sistemas solares, dentre os quais se destaca o nosso, ao que tudo indica, por suas características astrofísicas e geopolíticas, único.

Nesta quadra natalina e da proximidade do fim de mais um ano, ditas conjecturas, ao que presumo, assumem especial relevância e significado por nos induzirem a reflexões particulares sobre a essência e o real significado da vida. O dia a dia, as atribulações existenciais, os conflitos políticos e ideológicos, as crises econômicas, as adversidades e assimetrias diplomáticas, tudo somado nos conduz a refletir sobre as amplas possibilidades e talentos com que somos dotados e que podem ser utilizados para o bem ou para o mal, em proporções até hoje não precisamente dimensionadas. Mais ainda: nem sempre de acordo com nossas convicções sobre Deus, religiões e liberdades, o poder que tem o cidadão de exercer a sua vontade dentro dos limites que lhe faculta a lei.

Diante das complexidades que a vida inexoravelmente nos impõe, recorro a Rudyard Kipling e ao seu extraordinário poema “Se” por meio dos seguintes versos: “Se és capaz de manter tua calma, quando, todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa. De crer em ti quando estão todos duvidando, e para esses no entanto achar uma desculpa. Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes, e, entre Reis, não perder a naturalidade. E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes, se a todos podes ser de alguma utilidade. Se és capaz de dar, segundo por segundo, ao minuto fatal todo valor e brilho. Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo”.

O poema preconiza que a pessoa deve confiar em si mesma, no livre arbítrio, o poder que cada indivíduo tem de escolher suas ações; de exercer com autodeterminação sua capacidade de assumir riscos ao seguir em frente segundo seus próprios impulsos. Assim sendo, desejo a cada amazonense, a todos os brasileiros que as alegrias do Natal se prolonguem ao longo de 2025, pleno de realizações, paz, harmonia, tolerância e fé nos desígnios do Criador.

Feliz Ano Novo!

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Jovens amazonenses criam projetos para enfrentamento de queimadas e previsão de seca

Projeto criado por estudante de 12 anos tem objetivo de reduzir os impactos das queimadas na Amazônia. Foto: Sabrina Rocha/g1 Amazonas

Dois estudantes adolescentes desenvolveram projetos que podem ser usados como soluções inovadoras para o enfrentamento de queimadas florestais e à previsão de seca nos rios do Amazonas. As iniciativas, apresentadas em uma mostra tecnológica em Manaus, tem como objetivo minimizar os impactos da crise climática na região.

Neste ano, o Amazonas viveu um cenário ambiental crítico devido à combinação de seca dos rios e queimadas. Na capital, o Rio Negro atingiu 12,11 metros, o menor nível já registrado em mais de 120 anos de medição. Além disso, um levantamento realizado pela WWF-Brasil, com base em dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostrou que o número de queimadas na Amazônia aumentou 43,7% nos 11 primeiros meses de 2024.

Davi Bonifácio Guimarães Sanches Ruiz, de 12 anos, é um dos criadores do projeto “Resfrecadinho”, que consiste em um sistema de extintores inteligentes instalados na floresta para combater incêndios.

Projeto “Resfrecadinho” consiste em um sistema de extintores inteligentes instalados na floresta para combater incêndios. Foto: Sabrina Rocha/g1 Amazonas

Em entrevista ao g1, o jovem explicou que a ideia surgiu a partir dos recorrentes problemas enfrentados pelo estado durante o período de estiagem, quando densas nuvens de fumaça encobriram o céu das cidades, principalmente devido às queimadas em áreas de mata.

“Quando a gente pensa em problemas que temos na Amazônia, a primeira coisa que a gente pensa é: fumaça, fogo, queimadas, então, por isso eu pensei [no protótipo]; acho que consegue ajudar a combater esses incêndios”, afirmou.

O jovem explicou que o sistema foi projetado para detectar níveis de focos de calor. Ao identificar a queimada, o sistema enviaria um sinal para dois outros dispositivos interligados, instalados em torres de transmissão com conexões via satélite. Esses dispositivos registrariam, por meio de imagens, a localização exata das chamas e, em seguida, as autoridades seriam avisadas para fazer o combate ao fogo.

Paralelamente, um alarme instalado nas árvores começaria a emitir um sinal sonoro, alertando as pessoas próximas sobre o incêndio. Quando acionado, o sistema dispara uma barreira de contenção, utilizando espuma mecânica ou água, para conter o avanço das chamas.

A mãe do jovem, Melania Bonifácio, disse estar orgulhosa pela criação de Davi e contou que ele já revelou o sonho de colocar o protótipo em prática. “Ele chegou em casa e disse: ‘eu queria tornar isso realidade’, e eu falei que não era impossível, só precisava estudar e correr atrás”, salientou.

Sistema de previsão da seca

Na mesma mostra tecnológica, João Marcos Glória apresentou o “RiverTrack”, um sistema que utiliza Inteligência Artificial (I.A) para prever a estiagem nos rios do Amazonas. O jovem explicou ao g1 que, além de calcular o nível da seca para o próximo ano, o software também fornece dados sobre o mês em que a estiagem atingirá o ponto crítico, com a maior queda no nível das águas.

João Marcos Glória apresentou o “RiverTrack” para prever estiagem dos rios do Amazonas. Foto: Sabrina Rocha/g1 Amazonas

O sistema ainda oferece informações adicionais, como a previsão do tempo e os índices de umidade na região.

Para o professor da Manaós Tech, Pedro Cabral, que orientou o desenvolvimento dos sistemas, o objetivo foi justamente aproximar os estudantes do mundo real, os desafiando a resolver problemas existentes.

“Quando eles atingem um certo nível de habilidade com softwares e programas que a gente utiliza, a gente traz eles para o mundo real e propõe um problema para que pensem e trabalhem para achar uma solução”, completou.

*Por Sabrina Rocha, da Rede Amazônica AM

Indígenas da Etnia Miranha promovem primeiro intercâmbio entre parentes do Brasil e da Colômbia

0

Elio Miraña ensina jovens da aldeia São Pedro do Cuiú Cuiú a realizar cantos e danças tradicionais do povo Miranha. Foto: Miguel Monteiro

Em novembro deste ano, foi realizado um encontro histórico entre indígenas Miranha do Brasil e da Colômbia, movido pela vontade de resgatar uma cultura que foi violentamente arrancada de um povo ao longo do tempo.

Os preparativos e a realização deste encontro foram marcados por iniciativas e trocas extremamente simbólicas entre os parentes que vivem às margens do mesmo rio, mas foram divididos por uma fronteira territorial e linguística. Neste processo, ao resgatar o seu passado, os Miranha esperam também consolidar a sua trajetória futura.

Histórico do Povo Miranha

A história entre os Miranha no Brasil e na Colômbia se conecta com a economia da borracha. A partir de meados do século XIX, o rio Japurá foi cenário de grandes seringais, gerando processos migratórios para este rio, sendo a etnia Miranha uma das submetidas a um sistema de exploração do trabalho para a extração da borracha até o início do século XX.

Desse modo, com seus territórios ancestrais situados na região dos rios Cahuinari e Caquetá na Colômbia (Japurá no Brasil), os Miranha habitantes no Médio Rio Solimões são os descendentes dos inúmeros processos de deslocamentos forçados da etnia ao Brasil, onde reconstruíram sua identidade e resistiram às tentativas sistemáticas de invisibilizar sua cultura na região , habitando atualmente quatro Terras Indígenas: Méria, Miratu, Igarapé Grande e Cuiú Cuiú.

Buscando reconhecer essas histórias, lideranças e gestores da aldeia São Pedro do Cuiú Cuiú, com aproximadamente 300 moradores, não mediram esforços para colocarem em prática um antigo sonho: o de promover o fortalecimento da cultura e da governança local e o resgate da língua materna. Desde dezembro de 2023, o grupo Miranha vem executando junto aos parceiros do Instituto Mamirauá, ACT – Amazon Conservation Team e CIMI – Conselho Indigenista Missionário, o projeto “Fortalecimento da História, cultura e resgate da língua materna”.

Para a equipe de apoiadores institucionais, o projeto emerge da premissa desses atores em buscar instrumentos que possibilitem ao grupo o amadurecimento das formas locais de governança do território e das práticas de gestão comunitárias. Para isso, o projeto foi proposto de modo que possibilitasse o engajamento diversificado de moradores, envolvendo crianças, jovens, adultos e anciões, com diferentes trajetos, experiências e conhecimentos, envolvendo lideranças, professores, agricultores, pescadores, estudantes, agentes de saúde indígenas, entre outros.

Nesse sentido, o projeto buscou gerar instrumentos didáticos e pedagógicos através dos quais o grupo da aldeia São Pedro possa ter contato e iniciar o processo de aprendizado da língua indígena, além da realização do Iº Intercâmbio Miranha Brasil-Colômbia. Para isso, ao longo do ano, o Instituto Mamirauá e ACT-Brasil apoiaram a organização de uma oficina de audiovisual com os moradores da aldeia São Pedro para que o grupo obtivesse autonomia para realizar seus próprios registros. Dessa forma, os moradores da aldeia produziram um conjunto de registros audiovisuais, compostos de narrativas de vida, histórias de formação do território, no passado e no presente.

Estas ações somaram-se às atividades de pesquisa documental sobre a história do povo e formação de seu território. Estas atividades preparatórias, incluindo a construção de uma maloca, caminhadas pelo território, reuniões para elaboração de roteiros para conteúdos didáticos e pedagógicos, mobilizou crianças, jovens, adultos e anciãos em um processo de aprendizado e produção coletivos de reconexão com suas próprias histórias e modos de vida Miranha. Em paralelo, a equipe organizadora Miranha do Cuiú Cuiú reunia-se virtualmente com os parentes colombianos para discussões e planejamentos do encontro, iniciando a realização do sonho do reencontro entre parentes.

Em novembro, entre os dias 23 e 28, a segunda etapa do projeto promoveu o intercâmbio que envolveu o grupo Miranha da aldeia São Pedro do Cuiú Cuiú e os parentes Miranha colombianos, da região do Rio Caquetá/Cahuinari. Do território colombiano, vieram quatro indígenas Miranha, um casal de anciões, Gregório Miranha e Angelina Bora-Miranha, um professor e pesquisador, Elio Miranha, e o presidente da organização indígena Miranha e Bora PANI, Roque Miranha. A PANI, cujo significado em Miranha é “Deus do Centro e seus Netos” (Piine Ayveju Niimu’e Iaachimu’a) é uma associação de autoridades indígenas tradicionais Bora-Miranha.

Foto: Miguel Monteiro

O Encontro

Após meses de expectativa, o início do encontro foi marcado por uma recepção calorosa e trocas comoventes. Em um primeiro momento, o grupo como um todo decidiu como seria a dinâmica dos próximos dias do intercâmbio. Decidiu-se que atividades cotidianas orientariam os dias de encontro, de modo que os aprendizados da língua estivessem relacionados com atividades práticas e culturais como a importância dos bailes tradicionais, facilitando a sua apropriação.

A partir de temáticas como alimentação tradicional, pintura corporal, cantos e danças; aulas-vivências geraram trocas de conhecimentos sobre os principais elementos da cultura Miranha. Também ocorreram momentos de trocas de conhecimentos e informações sobre a história dos grupos e dos territórios do Brasil e da Colômbia na maloca, que foram mesclados com atividades de aprendizagem práticas no território.

O fio condutor do encontro foi a proposta de que o coletivo estaria aprendendo a preparar um “baile” tradicional Miranha na maloca. Para isso, ao longo dos dias, os anciões Miranha, Gregório e Angelina, conduziram e ensinaram sobre os costumes e rituais de sua tradição, o significado dos cantos e danças e os grafismos e a pintura tradicional de jenipapo e urucum. Também ensinaram a preparar bebidas e alimentos tradicionais, como o “maao” – beiju, e o “ca`guunuko” – bebida de goma de tapioca e abacaxi. Com auxílio dos netos, Roque e Elio Miranha, os aprendizados transmitidos pelos anciões em atividades específicas transformavam-se em momentos de contato e conhecimento da língua materna, exercendo os aprendizados conjuntamente.

O encontro foi intensamente produtivo e emocionalmente forte aos participantes indígenas de ambos os países. Por um lado, o intercâmbio oportunizou cumprir com os objetivos centrais do projeto, relacionados com gerar instrumentos para o resgate da língua, fortalecimento da cultura e história indígena Miranha. Ao mesmo tempo, durante o encontro, os Miranha vivenciaram um momento histórico de reconexão entre os grupos, o reencontro de histórias políticas e trajetos de resistência deste povo, desta vez, reunidos não apenas para se conhecerem, mas com o anseio de traçarem juntos os caminhos futuros, envolvendo estratégias conjuntas de fortalecimento da língua materna e das formas de governança indígena em ambos os territórios.

Compromissos Futuros

A intensa troca de saberes e conhecimentos gerou um conjunto de materiais e conteúdos que serão subsídios para as ações do projeto em 2025, voltadas para a construção de materiais para uso na escola indígena e a realização do IIº Intercâmbio Miranha Brasil-Colômbia – em novembro de 2025, em território Miranha, na Colômbia.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá, escrito por Patrícia Rosa e Miguel Monteiro

Cerâmica Tukano dá pistas sobre o manejo da floresta amazônica

0

Coleta da argila em igarapé próximo a Taracuá. As mulheres costumam entoar cânticos e fazer benzimentos, que evocam cura e proteção durante o período de passagem pelas jazi-das, locais sagrados para as oleiras. Foto: Maurício de Paiva

Na Amazônia, o elo entre elementos forma a paisagem cultural da floresta. Terra, mata e água são componentes de uma complexa rede de relações que os povos locais compreendem como o “manejo do mundo”. Uma das formas como isso se apresenta é a arte cerâmica do povo Tukano, no Alto Rio Negro.

Em comunidades como Taracuá, localizada às margens do baixo Rio Uaupés – o segundo maior tributário do Rio Negro –, o trabalho de resgate do conhecimento ancestral mantém viva a tradição oleira até os dias de hoje. As últimas anciãs, detentoras dos saberes que incorporam a manufatura da cerâmica na região, transmitiram às filhas e netas um legado que imprime resistência e conecta passado e presente na Amazônia.

Fundada em 1987, a Associação das Mulheres Indígenas da Região de Taracuá (Amirt), a primeira integralmente feminina do Alto Rio Negro, ocupa lugar de destaque na cadeia produtiva da arte local. A comunidade compreende o “Triângulo Tukano” – Taracuá, Yauaretê e Pari-Cachoeira –, área delimitada por três distritos que, desde as primeiras décadas do século 20, conta com a presença dos missionários católicos salesianos.

O contato com o modelo de colonização trazido pelos europeus acarretou perdas significativas para as populações tradicionais, tais como a substituição gradativa dos artefatos confeccionados há milênios pelas mercadorias dos pehkasã – os não indígenas, em Tukano. Entretanto, a mobilização das ceramistas estimulou mulheres de diferentes gerações a se unir na luta pelo fortalecimento da identidade sociocultural e pela defesa de seus direitos, previstos na legislação vigente.

Carlos Augusto da Silva, conhecido como Tijolo, arqueólogo indígena, descendente das etnias Munduruku e Apurinã, esclarece que a cerâmica faz parte de um sistema de diálogo criado pelos povos da Amazônia para administrar a floresta. “Eles sabem quando colher as matérias-primas, como armazenar e lidar com os recursos naturais à sua volta. É assim que interagem com o meio, compartilhando com plantas e animais o ambiente ao redor”, comenta Tijolo, que é professor doutor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Há, portanto, uma conexão direta entre o trabalho das ceramistas e a construção de paisagens. Os diferentes tipos de queima são exemplos de uma contribuição intelectual milenar dos povos originários, capaz de gerar solos férteis, como as Terras Pretas Antropogênicas (TPAs). As casas de forno, onde o uso adaptado do fogo pelas mulheres é uma constante, constituem centros de cultivo da terra extraordinários.

“O fogo já vem do começo. Quando voltamos do mato, queimamos primeiro a casca do caraipé [conjunto de árvores nativas usadas para reduzir a plasticidade da argila]”, relata a artesã Maria Lucimar Araújo Costa.

Na Amazônia, o manejo do ambiente ao longo do tempo garante a regeneração cíclica da biodiversidade. Há um grupo representativo de espécies vegetais com as quais as ceramistas interagem, seja durante a coleta da argila, extraída para a confecção das peças, seja na distribuição das plantas cultivadas nos quintais e nas roças. As mais de 20 mulheres associadas à Amirt são também “donas de roça” – nomenclatura utilizada pelos povos rionegrinos para qualificar àquelas que desempenham um papel fundamental no cotidiano das comunidades.

Maria Lucimar Araújo Costa atiça o fogo em casa de forno durante período de produção. O manejo do elemento é imprescindível no decorrer de todo o processo. Foto: Maurício de Paiva

Futuro ancestral

A arte Tukano de fazer cerâmica compõe o chamado Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, reconhecido em 2010 como patrimônio cultural imaterial pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Alguns dos bens inventariados nesse sistema são plantas cultivadas, redes sociais de trocas de sementes, sistemas alimentares e artefatos da cultura material, o que inclui a arte cerâmica confeccionada em Taracuá. Sua disseminação é essencial para o resguardo da alta agrobiodiversidade da floresta. Entre hortas e pomares, no ir e vir das casas de forno para as moradias, os residentes acondicionam os produtos da roça, tiram azeite de pupunha, descascam mandioca, amolam terçado, ajeitam polpa de cupuaçu.

As mulheres rionegrinas carregam consigo o conhecimento tecnológico escrito na memória de seus povos. A queima das peças é tão bem feita por elas que as artesãs obtêm a medida ideal entre leveza e resistência. “A cerâmica é como um coração dentro do sistema. Há uma relação sentimental muito forte entre as populações locais e esta arte”, reitera o arqueólogo Tijolo.

A produção se divide em diversas etapas: cerca de 12 dias dedicados ao ofício, dos ritos que antecedem a coleta ao acabamento. Segundo a narrativa mítica dos Tukano, Di’i Mahso (Vovó Argila) é a guardiã das jazidas de argila, locais sagrados para as artesãs. A defumação – que exige extrema habilidade das ceramistas ao manejar o fogo – confere às peças, enegrecidas pelo contato com a fumaça, uma das marcas do povo Tukano.

A valorização dos saberes tradicionais e da ciência mateira fortalece as cadeias produtivas sustentáveis, que conservam e restauram a vegetação nativa, além de garantir o bem viver das populações locais. “Para mim, trabalhar com as nossas próprias mãos é algo muito valioso: ensinar os nossos conhecimentos pra outras pessoas, pros nossos filhos, e nossos filhos vão ensinar para os filhos deles e assim a cultura vai expandindo”, afirma Maria Suzana Menezes Migues, uma das ceramistas veteranas da associação.

A maior parte das vendas da Amirt é destinada à Wariró, marca coletiva ligada à Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn). Com o Amireta, barco adquirido em 2018, a associação presta serviços para as comunidades indígenas, além de escoar a cerâmica e os produtos das roças locais. As peças produzidas pelas mulheres Tukano chegam a lojas de São Gabriel da Cachoeira, Manaus e São Paulo.

A reportagem integra o projeto “Amazônia: fogo contra fogo” e foi produzida com o apoio do Rainforest Journalism Fund, em parceria com o Pulitzer Center.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Carolina Pinheiro e com fotografias de Maurício de Paiva

Lei que torna Cruzeiro do Sul, no Acre, capital nacional da farinha é sancionada

0

Farinha é símbolo do município de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. Foto: Gleison Miranda/Secom AC

Uma lei que torna a cidade de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, a capital nacional da farinha foi sancionada pelo presidente Lula e publicada no Diário Oficial da União (DOU) no dia 23 de dezembro.

A lei n.º 15.051/2024, projeto de autoria do senador Alan Rick (União Brasil), foi sancionada após ser aprovada nas duas casas do Congresso Nacional, e reconhece a importância do município na produção nacional do ingrediente originado a partir da mandioca.

“A produção da farinha, além de gerar empregos e contribuir para a economia local, é uma tradição passada de geração em geração, que remonta aos costumes e conhecimentos tradicionais dos habitantes originários da região, indígenas, cujas técnicas artesanais garantem a preservação dos sabores e aromas típicos. O produto é conhecido por sua coloração amarela e sua textura fina e macia, o que o diferencia das demais farinhas do País”, destaca a justificativa do projeto.

Conforme o governo do estado, em 2017, a farinha de Cruzeiro do Sul se tornou o primeiro produto brasileiro derivado de mandioca a obter o selo de Identificação Geográfica (IG). A qualidade do produto foi reconhecida por meio de marca registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), órgão federal ligado ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

Produção de farinha chega a 335 mil toneladas em uma área de cerca de 14 mil hectares. Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

Ainda de acordo com a justificativa do projeto, produção de farinha no Vale do Juruá chega a 335 mil toneladas em uma área de cerca de 14 mil hectares, o que dá uma média de 23,8 toneladas por hectare. Até 2019, a cadeia produtiva da mandioca correspondia a 50% da produção agrícola do estado.

Como boa parte da história acreana, a produção da farinha remonta à chegada de imigrantes cearenses na região, e se destacou após o fim dos ciclos da borracha. A produção depende da colheita da mandioca do solo, transporte até a casa de farinha, geralmente feito em carros de boi, onde é colocada num equipamento chamado bolador, onde, em seguida, são retiradas as impurezas.

*Por Victor Lebre, da Rede Amazônica AC

29 de dezembro, o dia em que 11 municípios do Pará celebram aniversário

0

Comemorar o aniversário é um símbolo de passagem importante. E quando se trata de cidades mostra a marcação histórica de sua construção. Com 144 municípios, o Pará é um dos estados da Amazônia Legal que possuem um volume grande de cidades criadas quase ao mesmo tempo. Prova disso é que 11 municípios do estado comemoram aniversário no mesmo dia.

Conheça as principais características de cada cidade e a importância delas para o desenvolvimento do Estado:

Jacundá

A população da cidade de Jacundá chegou a 37.707 pessoas no Censo de 2022, o que representa uma queda de -26,58% em comparação com o censo de 2010. O município possui como principal manifestação religiosa a festa em homenagem ao seu padroeiro, São João Batista, comemorado no dia 24 de junho.

Legislação – O parlamento do Pará aprovou o Projeto de Lei de n°291/2019, de autoria do deputado Fábio Freitas que declara e reconhece como de Utilidade Pública para o Estado do Pará, o Centro Social e Educacional de Jacundá – CSEJ; além disso, foi aprovado também o PL de n°150/2014, de autoria do ex-deputado Pio X que declarou de Utilidade Pública para o Estado a Associação Desportiva Jacundá Kart Clube.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Jacundá

História – Habitada inicialmente pelos indígenas gaviões, a área originária do município de Jacundá teve entre os seus primeiros ocupantes brancos o Coronel Francisco Acácio de Figueiredo, integrante da comitiva do Deputado e Coronel Carlos Gomes Leitão, que chegou ao local em 1892. O pequeno povoado ribeirinho servia de parada para quem navegava pelo Rio Tocantins e sediou a 2º circunscrição judiciária do município de Baião, ao qual pertencia.

Em 1915 cem moradores fizeram um abaixo-assinado e conseguiram fixar o povoado ao território de Marabá. Na época, a principal atividade econômica era o extrativismo da borracha, do caucho, da castanha-do-pará e do diamante. Já no final dos anos 30, a exploração de diamantes às margens do Tocantins, na localidade de Foz do Riacho (depois chamado de Jacundá) era a principal fonte da economia local. Por Jacundá passava um trecho da estrada de ferro Tocantins.

Jacundá tem duas fases históricas importantes: a primeira começa no dia 29 de Dezembro de 1961 – data da emancipação – e se estende até 1980. A segunda começa do ano de 1980 e estende-se até os dias atuais. Esta segunda data refere-se à transferência da sede do município (ainda conhecida como Vila Arraiá”), que antes era localizada às margens do Rio Tocantins, para as margens da Rodovia Paulo Fontelles (PA-150), em virtude da necessidade de remanejamento da população ribeirinha do rio Tocantins para a formação do grande lago da Hidrelétrica de Tucuruí. Arraiá, por sua vez, na condição de sede municipal, passou a denominar-se Jacundá ainda em 1962, formando o único distrito do município.

Santa Maria do Pará

A população do município de Santa Maria do Pará, situado na região nordeste do estado, aproxima-se dos 24.700 habitantes, o que representa um aumento de cerca de 6,94%, em comparação com o censo de 2010. O Balneário Paraíso dos Pardais, e a Praça Matriz da cidade, onde fica localizada a Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, onde são celebradas as tradicionais missas e os festejos religiosos do município, são os locais de maiores concentrações dos turistas e dos moradores do município nos dias de festejo.

Legislação – A Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) aprovou o Projeto de Lei n° 577/2023, de autoria do deputado Carlos Bordalo (PT) que declara e reconhece como de Utilidade Pública para o Estado do Pará, a Associação da Família e Amigo do Autista de Santa Maria do Pará – AFAMA; Além disso, o parlamento do Pará aprovou também o PL de n° 449/2023 de autoria do deputado Lu Ogawa que declara de utilidade pública para o Estado, em reconhecimento aos serviços que presta em sua área de atuação o Centro de Convivência e Abrigo dos Idosos de Santa Maria do Pará – CASISMP; e por fim, de autoria da deputada Lívia Duarte (PSOL) o PL de n° 413/2023 que institui no calendário oficial de eventos do Pará, o Dia Estadual “Jacinta Maria de Santana” de Enfrentamento ao Racismo Científico, a ser celebrado no dia 26 de novembro.

Foto: Representação/Prefeitura de Santa Maria do Pará

História – A lei nº 2.460, de 29 de dezembro de 1961, criou o município de Santa Maria do Pará, com território desmembrado do município de Igarapé-Açu. O historiador Carlos Rocque, entretanto, afirma que o município de Santa Maria do Pará foi integrado com terras dos municípios de Nova Timboteua, São Miguel do Guamá e Igarapé-Açu. Contudo, nos atos que afetam a circunscrição legal dos municípios de Nova Timboteua e São Miguel do Guamá, inexistem quaisquer referências ao desmembramento de seus territórios para compor Santa Maria do Pará, nem sequer há indícios sobre a evolução do principal núcleo populacional que lhe deu origem.

Assim como os demais Municípios da Zona Bragantina, sua criação deu-se em decorrência da Estrada de Ferro de Bragança, atualmente extinta. Quando Augusto Montenegro assumiu o governo do Estado, por volta de 1897, uma das metas de sua administração era a conclusão da Estrada de Ferro de Bragança e a colonização da Região Bragantina, que se aproveitaria da Ferrovia para escoar seus produtos para Belém.

Benevides

Benevides, na região metropolitana de Belém, comemora seus 62 anos de fundação, nesta sexta-feira, 29 de dezembro. A população da cidade de Benevides aproximou-se dos 63.600 habitantes, segundo o último censo de 2022, representando um aumento de 23,07% em comparação com o censo de 2010. Para aqueles que desejam se divertir e aproveitar os momentos de lazer, o Parque Água Claras, o Centro Amazônico de Herpetologia, a Orla de Benfica e o Centro Mariápolis Glória são algumas das inúmeras opções que o município oferece à população.

Legislação – O Projeto de Lei de n°370/2023, de autoria do deputado Chicão (MDB) foi aprovada este ano pela Alepa, e reconheceu como de Utilidade Pública para o Estado do Pará, a Associação Menino de Belém, Município de Benevides; além disso, em 2011, o legislativo paraense aprovou o PL de n°56/2011, de autoria da ex-deputada Luzineide Farias, que declara como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Pará, a Comemoração do dia 30 de março, Dia da Libertação dos Escravos em Benevides.

Foto: Reprodução/Agência Pará

História – Carinhosamente conhecida como ‘O berço da Liberdade’, Benevides foi a cidade pioneira do Estado do Pará, e a segunda do Brasil, em conceder liberdade aos escravos presos. Foi em Benfica, vila de Benevides que no dia 30 de março de 1884, o então presidente Visconde de Maracaju, da província do Grão-Pará, assinou as cartas de alforria dos primeiros escravos negros, pardos e indígenas que ganharam a liberdade no estado do Pará, quatro anos antes da Princesa Isabel assinar a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888.

Além disso, Benevides foi uma das primeiras cidades paraenses que recebeu imigrantes vindos de inúmeros países, como França, Itália e italianos e espanhóis, para trabalharem na produção agrícola da região. No dia 24 de junho de 1884, é inaugurada a Estrada de Ferro de Bragança, passando a cortar a região (inclusive a vila de Benfica) e a escoar toda sua produção ao porto fluvial da capital Belém e posteriormente à cidade de Bragança, que além do transporte de passageiros, foi a responsável pelo desenvolvimento da cidade.

Limoeiro do Ajuru

A população da cidade de Limoeiro do Ajuru aproxima-se dos quase 30.000 habitantes, de acordo com o último censo de 2022 divulgado pelo IBGE, o que representa um aumento de 18,18% em comparação com o censo de 2010.

Legislação – A Alepa aprovou o Projeto de Lei de n° 702/2023 de autoria do deputado Carlos Bordalo (PT) que declarou e reconheceu como de Utilidade Pública para o Estado do Pará, o Instituto Agro-ambiental e Econômico Solidário de Limoeiro do Ajuru – IAESOL; além disso; foi aprovado também, o PL de n°166/2012, de autoria da deputada Cilene Couto que reconhece como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Pará o Festival do Açaí realizado em Limoeiro do Ajurú.

Foto: Reprodução/Agência Pará

História – No ano de 1956 houve uma tentativa de provocar o desmembramento de parte da área territorial do município de Cametá, para dar lugar ao nascimento do município de Limoeiro do Ajuru. Entretanto, a ação não prosperou, com a decisão do Supremo Tribunal Federal, a corte declarou a ação como um ato inconstitucional.

Em 1961 o desmembramento foi efetivado, mediante a promulgação da Lei de nº 2.460, assim, Cametá cede as terras pertencentes ao distrito de Janua-Coeli, surgindo então o Município de Limoeiro do Ajuru, que teve como primeiro prefeito Laurentino da Silva, que contribuiu para o desenvolvimento do município.

Peixe-Boi

O município de Peixe-Boi, na região nordeste paraense, celebra seus 62 anos de fundação, nesta sexta (29). A população da cidade chegou a quase 8.300 habitantes, de acordo com o último censo demográfico de 2022, divulgado pelo IBGE, representando um aumento de 5,49% em comparação com o censo de 2010. A Orla da Beira Rio Peixe-Boi; Balneário Urubuquara de Peixe-Boi, são uma das opções de lazer para os turistas e moradores da região.

Legislação – O parlamento do Pará aprovou o PL de n° 214/2016, de autoria do ex-deputado Dr. Jaques Neves, que declara e reconhece como Entidade de Utilidade Pública para o Estado a Associação Cultural Arraial do Peixe-Boi; além disso, o PL de n°110/2014, de autoria do ex-deputado Fernando Coimbra, que reconhece como entidade de Utilidade Pública para o Estado do Pará a Associação dos Proprietários dos bares na Beira Rio Peixe-Boi, no município de Peixe-Boi.

Foto: Reprodução/Agência Pará

História – A posse da região, onde encontra-se o município de Peixe-Boi, teve início ainda no ano de 1885, quando os primeiros colonos subiram o rio Peixe-boi e estabeleceram a sua confluência com o Rio Timboteua e o igarapé Jaburu. O território de Peixe-boi, pertenceu, inicialmente, ao município de Nova Timboteua, de onde foi desmembrado. Com a expansão das culturas da fibra e da malva, entre outras, a localidade se desenvolveu e, em 1961, adquiriu categoria de município.

Bonito

O município de Bonito, no nordeste paraense, conta com um quantitativo populacional de aproximadamente 12.700 pessoas, de acordo com o censo de 2022, divulgado pelo IBGE, representando uma queda de -7,4% em comparação com o censo de 2010.

Legislação – A Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) aprovou o Projeto de Lei de n° 9/2014, de autoria do ex-deputado Fernando Coimbra, que declara e reconhece como de Utilidade Pública para o Estado do Pará a Associação dos Amigos Unidos do Município de Bonito.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Bonito

História – Bonito surgiu de um pequeno povoado chamado Açaizal, fundado por famílias evangélicas, sendo a sua grande maioria vindas do nordeste brasileiro, segundo o resumo narrado e transcrito por Samuel dos Santos Monteiro.

Bonito pertencia ao município de São Miguel do Guamá, do qual foi desmembrada a maior parte física de seu território. Em 1958, Bonito foi pela 1ª vez elevado à categoria de município sendo à época, o Marechal Alexandre Zacarias de Assunção, que nomeou o Sr. Deoclécio Godinho, como Prefeito Interino, até que fosse eleito o novo Prefeito. Entretanto, através da Lei nº 2.460 de 29 de dezembro de 1961, o Município de Bonito foi definitivamente emancipado.

Capitão Poço

Capitão Poço é uma das onze cidades paraenses que celebram seus 62 anos de criação nesta sexta-feira, 29. O município conta com quase 56.400 habitantes, de acordo com o censo demográfico de 2022, o que representa um aumento de 8,55% em comparação com o censo de 2010. A Praça da Alvorada e a Igreja Matriz do município são um dos locais mais frequentados pelos moradores e turistas que vão conhecer a região.

Legislação – O parlamento paraense aprovou o Projeto de Lei de n° 381/2022 de autoria do deputado Antônio Tonheiro (PP) que declara e reconhece de Utilidade Pública para o Estado do Pará o Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Capitão Poço; além disso, foi aprovado também, outros dois projetos de lei, o primeiro o PL de n°238/2020 que declara de utilidade pública estadual o Instituto de Desenvolvimento Educacional e Social de Capitão Poço (IDESCAP-PA);e o segundo PL de n° 343/2019 que declara como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Pará a “Festividade de Santa Luzia”, no Município de Capitão Poço – ambos de autoria da deputada Diana Belo (MDB).

Foto: Reprodução/Agência Pará

História – No dia 15 de junho de 1945, chegavam a Capitão Poço 15colonos nordestinos vindos em sua grande maioria do Arraial do Caeté e Peixe-boi. Capitão Poço naquele tempo era composto por mata, onde viviam indígenas e madereiros que exploravam a madeira no local, especialmente cedro e feijó, onde eram tiradas e conduzidas em forma de jangadas pelo Igarapé Capitão Poço e pelo Rio Guamá, para serem comercializadas principalmente no município de São Miguel do Guamá.

Colares

A população do município de Colares chegou a quase 12.900 habitantes de acordo com censo demográfico de 2022, o que representa um aumento de 13,07% em comparação com o censo do IBGE de 2010. A Praia do Humaitá e a Praia do Machadinho são um dos locais mais visitados pelos moradores e turistas que vão ao município.

Legislação – O parlamento do Pará aprovou o Projeto de Lei de N° 286/2020, de autoria da ex-deputada Paula Gomes que declara e reconhece como de Utilidade Pública para o Estado do Pará a Liga Esportiva Municipal de Colares – LEMC; outro PL aprovado também foi o de n° 402/2019, de autoria do deputado Chicão, que declara e reconhece como de Utilidade Pública para o Estado do Pará, o Grêmio Recreativo Cultural Bloco Carnavalesco “VEMTIMBORA”, do município de Colares.

Foto: Reprodução/Agência Pará

História – Nos seus registros históricos, há referência de que o povoado original encontrava-se assentado em território da nação dos índios Tupinambás, a mesma que foi colonizada pelos frades da Ordem Jesuíta, por volta do século XVII, o que veio a resultar na constituição do município de Vigia, no ano de 1693.

Em 29 de dezembro de 1961, através da Lei Estadual nº 2.460, Colares voltou a ganhar autonomia como Município ficando, dessa forma, desmembrado do município de Vigia. Hoje, conta com o único distrito que leva o seu nome, constituindo-se a sede municipal.

Senador José Porfírio

A população da cidade de Senador José Porfírio aproxima-se dos 22.600 habitantes, segundo o último censo divulgado pelo IBGE em 2022, o que representa um aumento de 73,06% em comparação com o censo de 2010.

Legislação – O parlamento paraense aprovou o Projeto de Lei n° 21/2020, de autoria do ex-deputado Orlando Lobato, que declarou de Utilidade Pública do Estado do Pará a Colônia de Pescadores Z – 70, com de sede no Município de Senador José Porfírio

Foto: Reprodução/Agência Pará

História – A história de Senador José Porfírio compreende, tradicionalmente, o período que vai da instalação da missão jesuíta formadora da cidade até os dias atuais. Entretanto o território municipal é habitado, desde tempos imemoriais, por povos indígenas nômades e seminômades.

Elevado à categoria de município com a denominação de Souzel, pela lei estadual nº 2460, de 29 de dezembro de 1961, desmembrado de Porto de Moz e de Altamira, com sede no antigo distrito de Souzel. Foi formalmente instalado em 11 de abril de 1962.

Pelo decreto-lei nº 164, de 23 de janeiro de 1970, o distrito de Souzel passou a denominar-se Senador José Porfírio, em homenagem ao político José Porfírio de Miranda Junior.

São João do Araguaia

Por fim, o município de São João do Araguaia celebra seus 62 anos, nesta sexta (29). A população da cidade aproxima-se dos 13.500 habitantes, de acordo com o censo de 2022, o que representa um aumento de 2,36% em comparação com o censo de 2010.

Legislação – A Alepa aprovou o Projeto de Lei n°337/2019, de autoria do deputado Dirceu Ten Caten (PT) que declara e reconhece de Utilidade Pública para o Estado do Pará a Associação dos Moradores da Comunidade de Ponta de Pedra do Araguaia – AMCPPA, do Município de São João do Araguaia Estado do Pará; além disso, outro PL aprovado foi o de n° 246/2014, de autoria da ex-deputada Tetê Santos, que reconhece como de Utilidade Pública para o Estado do Pará a Associação dos Moradores e Agricultores de São João do Araguaia e Região-PA.

Foto: Reprodução/Agência Pará

História – A localidade de São João do Araguaia surgiu no fim do século XVIII por iniciativa da capitania do Grão-Pará, para estabelecer um entreposto militar na confluência dos rios Tocantins e Araguaia. O nome São João do Araguaia foi dado por localizar-se próximo a confluência do rio Araguaia.

Por sediar um destacamento militar, característica que dava grande importância política no século XIX, a localidade atraiu moradores de Santa Teresa e de Frei Manoel Procópio do Coração de Maria. Depois foi elevada à categoria de povoado em 1901; anos depois, foi elevado à categoria de município com a denominação de São João do Araguaia, amparado pela Lei Estadual n.º 2460, de 29 de dezembro de 1961, desmembrando-se do município de Marabá.

Piçarra

O município de Piçarra aproxima-se dos 12.900 habitantes de acordo com o censo de 2022, o que representa um aumento de 1,06% em comparação com o censo de 2010.

Legislação – A Alepa aprovou o Projeto de Lei de n°421/2023, de autoria do deputado Josué Paiva que Declara e reconhece como de utilidade pública para o Estado do Pará, o Instituto Amor Sem Fronteiras, de Piçarra; por fim, o PL de n° 93/2015, de autoria da deputada Cilene Couto, que declara e reconhece como de utilidade pública para o Estado do Pará a Associação Cultural e de Radiodifusão Comunitária de Piçarra do município de Piçarra.

História – A primeira denominação do atual Município de Piçarra foi Cruzelândia e se constituía num vilarejo, que evoluiu com o crescimento de São Geraldo do Araguaia. Piçarra surgiu quando, em 1978, o Batalhão de Engenharia e Construção – BEC, iniciou a estrada de São Geraldo do Araguaia à Itaipava, em um percurso de 90 km. Em decorrência da grande distância tornou-se necessária a montagem de um acampamento para alojar a equipe e guarda do maquinário.

Foto: Reprodução/Agência Pará

Em seguida decidiu-se por dividir a distância ao meio e montar o acampamento no km 45, que, coincidentemente, seria em cima de uma cascalheira. Por ser uma região totalmente de mata, o BEC mantinha em sua equipe profissionais da área de saúde (médicos e dentistas), que atendiam as pessoas que necessitavam de cuidados médicos e que na época eram conhecidas como ‘sobra de terra’. Como consequência dos atendimentos médicos realizados na região, pois havia muita malária e tifo, muitas pessoas se aproximaram e por conseguinte passaram a montar barracos junto ao acampamento da Piçarreira, como era conhecido o lugar, originando assim o povoado e sua denominação.

O município de Piçarra foi criado através da Lei nº 5.934, de 29 de dezembro de 1995, sancionada pelo governador Almir Gabriel, desmembrado do Município de São Geraldo do Araguaia. A instalação deu-se no dia 01 de janeiro de 1977, com a posse do primeiro prefeito, sr. Milton Pereira de Freitas.

Descobertas surpreendentes: rato nadador e outras 26 novas espécies são encontradas na Amazônia peruana

0

Foto: Ronald Díaz/Conservação Internacional

Uma expedição científica realizada em Alto Mayo, bacia alta do rio Mayo, no norte da região de San Martín, no Peru, fez uma descoberta surpreendente: a descoberta de 27 novas espécies de fauna no coração da floresta amazônica, o que confirma que é um ecossistema de grande riqueza biológica. A descoberta causou surpresa e admiração no mundo.

Entre as descobertas mais surpreendentes feitas pela equipe, composta por cientistas da organização sem fins lucrativos Conservação Internacional e membros de grupos indígenas locais, estava um rato anfíbio com pés palmados e um peixe com cabeça redonda. O estudo foi desenvolvido em Alto Mayo, área que se estende dos Andes à Amazônia, “um mosaico complexo e diversificado de ecossistemas e comunidades locais”, segundo os pesquisadores.

A expedição científica, que faz parte do Programa de Avaliação Rápida da CI, durou 38 dias. Segundo a instituição, outras 48 novas espécies também podem ter sido encontradas, mas serão necessários mais estudos para determinar isso.

Em relação ao rato anfíbio, a Conservação Internacional destaca que esta espécie semi-aquática vive num ecossistema conhecido como aguajeles, áreas pantanosas dominadas por palmeiras aguaje. O desmatamento para o cultivo de arroz, detectado em uma área designada como zona de recuperação de ecossistemas, ameaça o habitat único do rato.

Foto: Reprodução/Agência Andina

Larsen afirmou que esta espécie, que provavelmente só vive em Alto Mayo, pertence a um grupo de roedores semi-aquáticos para os quais a maioria das espécies conhecidas são extremamente raras. Documentar até mesmo um único indivíduo “é uma grande conquista”, segundo o diretor.

Outra descoberta notável foi um sapo marrom escuro com um focinho longo pulando nas folhas, revelando brevemente uma barriga rosa brilhante.

Este sapo arlequim (Atelopus seminiferus), que já foi uma visão comum, agora é extremamente raro. Ao que tudo indica, de acordo com Larsen, ele nem deveria estar lá.

“Quase não pude acreditar”, acrescentou. “Este sapo não só está em perigo, mas esta espécie nunca foi encontrada tão abaixo na encosta da montanha. Foi a nossa primeira descoberta importante e um prenúncio de mais por vir”, disse ele.

Da mesma forma, foi descoberto um peixe com cabeça arredondada. Embora seja uma descoberta nova para a ciência, os indígenas Awajún que ajudaram na expedição já sabiam de sua existência.

Os cientistas que estudam peixes ficaram especialmente surpresos com sua cabeça alargada, algo que nunca tinham visto antes.

Os investigadores da Conservação Internacional dizem que as descobertas da expedição são a prova de que a natureza e as pessoas podem prosperar juntas, mas devem ser tomadas medidas agora para preservá-las.

Um tesouro de descobertas

Foto: Divulgação/Conservação Internacional

Durante a expedição, os pesquisadores cruzaram pântanos, lagoas e rios, escalaram montanhas até florestas nubladas e campos agrícolas. Enquanto isso, a equipe de 20 pessoas, incluindo guias indígenas e cientistas, coletou amostras, montou armadilhas fotográficas e redes e ficou atenta aos movimentos e sinais dos animais.

A equipe, formada por 13 cientistas e sete assistentes Awajún, registrou mais de 2.000 espécies de plantas e animais, incluindo 27 novas para a ciência e 49 que estão em perigo de extinção. Em particular, quatro das novas descobertas eram espécies de mamíferos.

Equipados com armadilhas fotográficas, sensores bioacústicos e outras tecnologias, eles exploraram até sete tipos de florestas em Alto Mayo, que vão de 570 a 2.230 metros acima do nível do mar, em busca de plantas, peixes, répteis, anfíbios, aves, mamíferos, borboletas e besouros.

No total, foram registradas 2.046 espécies, entre elas o camundongo anfíbio do gênero Daptomys, com dedos adaptados à água, e três novos anfíbios: um sapo-de-boca-estreita, outro do gênero Pristimantis e uma salamandra arbórea. Eles também encontraram oito peixes, 10 borboletas e dois escaravelhos. Outras 48 espécies aguardam análises que também possam confirmar sua novidade para a ciência.

Um besouro rola-bosta também foi encontrado. Esta espécie é normalmente encontrada apenas em florestas que não foram danificadas pela atividade humana, são indicadores de um habitat saudável. No entanto, lá estavam eles, no meio de uma floresta com cicatrizes claras onde os humanos haviam derrubado árvores, bem como plantações de café.

Da mesma forma, foi identificado um esquilo anão medindo apenas 14 cm, metade do comprimento do esquilo cinzento médio no Reino Unido. “Cabe facilmente na palma da sua mão. É adorável, tem uma linda cor marrom e é muito rápido”, disse Larsen.

*Com informações da Agência Andina