Cordão da Bicharada em apresentação no primeiro dia de programação da COP30. Foto: Reprodução/Ministério do Turismo
A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que acontece em Belém, no Pará, foi palco de uma manifestação que destaca a força da cultura amazônica e a importância da preservação ambiental.
No primeiro dia do evento que reúne lideranças mundiais (10), uma apresentação do Cordão da Bicharada, tradicional desfile de foliões fantasiados de animais que acontece há mais de 50 anos no município paraense de Cametá, foi realizada.
A participação da Bicharada na maior conferência anual do planeta foi considerada um marco para a história da tradição carnavalesca, porém, parte do público no local recebeu com estranheza e até sarcasmo o desfile das representações animais.
“Animais” percorreram o trajeto até o Green Zone, espaço reservado para sociedade civil, instituições e líderes globais. Foto: Reprodução/Ministério do Turismo
O Cordão da Bicharada começou lá na década de 1970 e hoje é uma das principais manifestações culturais do Pará que acende o alerta à preservação da fauna amazônica.
O que é o Cordão da Bicharada?
O Cordão da Bicharada é uma expressão cultural que surgiu em 1975, no distrito de Juaba, localizado na região do Baixo-Tocantins, no município de Cametá, interior do Pará. O idealizador foi o mestre Zenóbio Ferreira, ex-morador da cidade, que decidiu criar o bloco carnavalesco para conscientizar a população sobre a preservação do meio ambiente.
Segundo historiadores, a brincadeira saiu do imaginário de Zenóbio através das histórias que seu pai contava sobre os animais amazônicos. A partir daí, o tema virou uma preocupação sobre os prejuízos ao meio ambiente causados por queimadas e desmatamentos, surgindo em Zenóbio a ideia de dar voz aos animais.
Mestre Zenóbio Ferreira foi o grande idealizador do Cordão da Bicharada. Foto: Reprodução/Instagram-Museu Juabense
Durante o carnaval de 1976, um grupo de moradores fantasiados de animais foram às ruas de Cametá para soltar o “grito” dos bichanos. Nascia ali o Cordão da Bicharada.
Araras, jacarés, cobras, macacos, jabutis, tucanos, botos e outros animais típicos da Amazônia eram representados através de danças e marchinhas, no propósito claro de unir a diversão do carnaval com a urgência de preservar o meio ambiente.
O primeiro Cordão da Bicharada deu origem a 22 bichos feitos de materiais como lona, juta e demais materiais recicláveis.
Tradição de gerações
Os historiadores contam que o Cordão da Bicharada, no início, só permitia que adultos pudessem se fantasiar. As crianças apenas admiravam seus pais e vizinhos imitando as espécies durante a manifestação cultural, algumas até ficavam assustadas com tanto realismo dos brincantes.
Mas, desde 1993, Zenóbio decidiu incluir meninos e meninas no Cordão da Bicharada, passando a tradição de geração em geração. De acordo com o mestre, as crianças começaram a pedir para brincar com as fantasias dos animais feitas para os próprios pais, o que acabou se transformando numa grande brincadeira para todos, sem distinção de idade.
Há 30 anos, tradição do Cordão da Bicharada é passada de geração em geração na cidade de Cametá, no Pará. Foto: Raimundo Paccó
Porque o nome Cordão?
De acordo com registros históricos, o termo Cordão diferencia a brincadeira dos blocos de carnaval, porque os “animais” costumavam entrar na casa das pessoas, num trajeto que imitava o formato de um cordão.
Hoje, os “cordões” pouco entram nas casas dos ribeirinhos, mas são levados de barco para o Carnaval oficial da cidade de Cametá, o chamado Carnaval das Águas, quando se apresentam para o grande público.
Cordão da Bicharada, em Cametá, no Pará, chegando para se apresentar em comunidades ribeirinhas. Foto: Acervo Zenóbio Ferreira
COP30
No primeiro dia de programação da COP30, o tradicional Cordão da Bicharada se apresentou no espaço Green Zone, espaço reservado para a participação da sociedade civil, instituições públicas e privadas e líderes globais, em conjunto com o mascote da cúpula, o Curupira.
A apresentação contou com a presença do ministro do Turismo, Celso Sabino, que prestigiou de perto a manifestação cultural criada nos anos 1970.
“A Amazônia é símbolo da força do nosso povo e do compromisso do Brasil com a preservação ambiental. Queremos que cada visitante da COP30 sinta a energia desse bioma e entenda que o turismo sustentável é um caminho eficaz para garantir desenvolvimento e proteção da floresta”, afirmou o ministro.
Ministro do Turismo, Celso Sabino (de azul, no centro) acompanhou o desfile do Cordão da Bicharada. Foto: Reprodução/Ministério do Turismo
Desconhecimento
Apesar de ser um dos grandes patrimônios culturais do Pará, sede da COP30, a apresentação do Cordão da Bicharada foi alvo de críticas. Num exemplo de desconhecimento da história dessa expressão cultural, parte do público que prestigiou a apresentação demonstrou estranhamento.
Alguns veículos de imprensa também descreveram a manifestação cultural como constrangedora e denominou os brincantes como “pessoas trajadas de animais rastejando no pavilhão”, num grande exemplo de desconhecimento de uma das maiores expressões culturais e artísticas do estado paraense.
A Fundação Rede Amazônica (FRAM) promove nesta terça-feira (12), em Belém (PA), uma nova edição do Painel Amazônia Que Eu Quero, com o tema “Gestão de Resíduos Sólidos”. O encontro acontece em um cenário diferente: dentro da embarcação Banzeiro da Esperança, projeto da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), parceira da Fundação.
O evento reúne especialistas e gestores públicos para discutir soluções sustentáveis voltadas à destinação correta dos resíduos na região amazônica. Entre os convidados confirmados estão o ex-ministro do Meio Ambiente e conselheiro da FAS, José Carlos Carvalho, o diretor de negócios da Guamá Tratamento de Resíduos, Reginaldo Bezerra, e a secretária executiva de Inclusão Produtiva da Prefeitura de Belém, Pâmela Massoud.
A edição será transmitida ao vivo pelo G1 Amazonas, Amazon Sat e Portal Amazônia, das 8h30 às 9h30 (horário de Manaus).
A iniciativa integra a série de painéis realizados pela Fundação Rede Amazônica para promover o diálogo sobre o futuro da região e reforçar o papel da Amazônia nas discussões climáticas globais, ja inserido no âmbito da COP 30, que está sendo realizada em Belém.
A Fundação Rede Amazônica tem se consolidado como uma ponte entre diferentes setores da sociedade, promovendo debates que vão além da superfície das discussões políticas. O painel sobre Reforma Tributária reforçou esse papel de mediação — conectando poder público, empresários e especialistas em um mesmo espaço de reflexão.
Correntes de vapor-d’água se formam sobre a floresta na Amazônia são conhecidos como rios voadores. Foto: Gerard Moss/Projeto Rios Voadores
Um grau e meio acima da média: essa foi a temperatura média na Amazônia Brasileira em 2024 – uma marca que idealmente não deveria ter sido atingida, conforme o Acordo de Paris. Não foi um caso isolado: em outros locais do nosso país essa marca também foi ultrapassada no ano passado.
É o caso do Pantanal, onde o aumento em relação à média foi de 1,8°C. Estes são alguns dos dados inéditos que o MapBiomas lançou em 5 de novembro, às vésperas da COP30, em sua nova plataforma, o MapBiomas Atmosfera. A partir de imagens de satélite e modelagem de dados, a plataforma disponibiliza dados climáticos sobre variações de temperatura e precipitação entre 1985 e 2024, além de dados sobre poluentes atmosféricos entre 2003 e 2024 cobrindo todo o território brasileiro.
“O MapBiomas Atmosfera é uma nova ferramenta que auxilia o Brasil a implementar políticas públicas baseadas em evidências experimentais e mostra quais seriam as regiões mais impactadas pelas mudanças do clima e mudança de uso da terra. É uma nova ferramenta importante para auxiliar na preservação de nossos ecossistemas”, destaca Paulo Artaxo, professor da USP e que faz parte da iniciativa do MapBiomas Atmosfera.
O MapBiomas também lança uma publicação para apoiar negociadores, jornalistas, pesquisadores e demais stakeholders participantes da conferência do clima de Belém com um guia contendo um compilado dos mais recentes dados de cobertura e uso da terra no Brasil, traduzidos em blocos temáticos que mostram como essas informações podem orientar ações de mitigação e adaptação climática em diferentes contextos.
“A ciência é a base sobre a qual os países decidiram estabelecer uma ação global conjunta de enfrentamento dos grandes desafios ambientais deste século. Nestas últimas três décadas de negociação, não foi só o clima que mudou: a cobertura e uso da terra, no Brasil e no mundo, também mudaram. E isso tem impacto direto sobre o clima”, explica Julia Shimbo, coordenadora científica do MapBiomas.
“A Amazônia perdeu 52 milhões de hectares, ou -13%, de área de vegetação nativa desde 1985. No mesmo período o bioma teve um aumento médio da temperatura em 1,2°C. Os estudos mais recentes apontam que a perda de florestas modifica as trocas de calor e de vapor d’água com a atmosfera, resultando em temperaturas mais elevadas”, acrescenta Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas.
Recentemente, utilizando essa base de dados, um estudo publicado na Nature Geoscience mostrou que o desmatamento causa 74% da redução das chuvas e 16% do aumento da temperatura na Amazônia durante a seca.
Nas quatro décadas entre 1985 e 2024, a temperatura tem aumentado em todo o Brasil a uma taxa média de 0,29oC por década, segundo o MapBiomas Atmosfera. Alguns biomas, no entanto, estão se aquecendo mais rapidamente. É o caso do Pantanal (+ 0,47°C / década) e do Cerrado (+ 0,31°C / década) – ambos na parte mais continental do país.
A Amazônia, como um todo, permaneceu na média (+ 0,29°C / década), enquanto outros biomas costeiros apresentaram um ritmo mais brando de aquecimento: Caatinga (+ 0,25°C / década), Mata Atlântica (+ 0,21°C / década) e Pampa (+ 0,14°C / década).
“Os últimos três relatórios do IPCC já apontavam estas tendências de aquecimento e de alteração da precipitação que estamos observando na plataforma MapBiomas Atmosfera”, coloca Paulo Artaxo. “Estes aumentos de temperatura têm impactos significativos em todos os biomas brasileiros. A redução de precipitação também tem efeitos importantes, especialmente na Amazônia e no Pantanal”, complementa.
Há uma década, desde 2014, a temperatura no Brasil tem se mantido acima da média do período analisado (1985-2024). O maior valor de anomalia foi observado em 2024, quando a temperatura ficou 1,2 oC acima da média dos últimos 40 anos. Desde 2019, temperaturas acima da média têm sido registradas em quase todos os biomas. Nos biomas Caatinga, Cerrado e Pampa, as anomalias de temperatura têm se mantido em até 1 oC acima da média.
Já o bioma Pantanal registrou um recorde de anomalia em 2024, com temperaturas 1,8 oC acima da média. Esse bioma é alimentado pelas chuvas na Bacia do Alto Paraguai que, em 2024, registrou precipitação 314 mm abaixo da média, com 205 dias sem chuva. O ano de 2024 foi especialmente quente em todo o Brasil, sendo que a temperatura ficou de 0,3 a 2,0oC acima da média histórica em todos os estados.
O MapBiomas Atmosfera mostra também que a temperatura do ar está aumentando em todo o Brasil, mas com variações de estado a estado. Nas unidades federativas mais continentais, como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Piauí, a temperatura está subindo mais rapidamente, com taxas entre 0,34oC e 0,40oC por década. Já os estados ao longo da costa brasileira tendem a apresentar menores taxas de aumento de temperatura, como Rio Grande do Norte, Alagoas e Paraíba (0,10oC a 0,12oC/década). Na região metropolitana de São Paulo, a temperatura do ar aumenta a uma taxa de 0,19oC por década.
A nova plataforma MapBiomas Atmosfera inclui ainda dados sobre poluição do ar entre 2003 e 2024, estimados a partir de modelos atmosféricos globais. Eles mostram que o ar mais limpo do Brasil se encontra em estados litorâneos do Nordeste, como Bahia, Sergipe e Pernambuco, onde a concentração de material particulado fino (MP2,5) foi inferior a 7 µg/m3 em 2024. O MP2,5 consiste em pequenas partículas suspensas no ar, sendo um dos principais poluentes atmosféricos. O MP2,5 está presente na fumaça emitida pela queima de combustíveis fósseis e de biomassa.
“O material particulado fino (MP2,5) é composto por partículas microscópicas presentes no ar, que representam uma das formas mais nocivas de poluição atmosférica e oferecem riscos à saúde da população”, explica Luiz Augusto Toledo Machado, professor visitante da USP e membro da equipe MapBiomas Atmosfera.
Em Rondônia e Mato Grosso, os estados que apresentaram as maiores concentrações de material particulado fino do Brasil em 2024, a média anual de MP2,5 foi estimada em 42 e 30 µg/m3, respectivamente.
Vista aérea de floresta na Amazônia. Foto: Reprodução/MapBiomas
“De forma geral, a poluição do ar na região Norte foi mais intensa do que em áreas fortemente urbanizadas da região Sudeste em 2024. A baixa qualidade do ar em estados amazônicos tem relação direta com a fumaça dos incêndios florestais, que ocorrem principalmente na estação seca do bioma, entre julho e setembro, quando as chuvas diminuem de 250 mm/mês para 100 mm/mês, aproximadamente”, esclarece Luciana Rizzo, professora da USP e integrante da iniciativa do MapBiomas Atmosfera.
Seca na Amazônia
O clima mais seco favorece a ocorrência de fogo. Em 2024, choveu 448 mm (-20%) abaixo da média do bioma Amazônia, enquanto a temperatura ficou 1,5oC acima da média. Em alguns locais da Amazônia, a anomalia de precipitação atingiu -1000 mm/ano. A diminuição das chuvas contribuiu para o aumento da área queimada, que atingiu 15,6 milhões de hectares no bioma em 2024. A fumaça dos incêndios contém MP2,5, cuja concentração alcançou uma média anual de 24,8 µg/m3 em 2024.
No pico da estação do fogo, em setembro, a área queimada na Amazônia atinge dois milhões de hectares, em média. A concentração média de MP2,5 pode chegar a 43 µg/m3 nessa época do ano. Por outro lado, na época das chuvas, as concentrações de MP2,5 ficam abaixo de 15 µg/m3 na Amazônia.
“Esses números são valiosos para compreender e gerir a qualidade do ar, apesar de não poderem ser tomados de maneira absoluta. Eles indicam a presença de plumas de poluição, áreas e períodos críticos, comportamentos temporais de concentração e dispersão de poluentes, entre outros, o que pode auxiliar na identificação dos problemas de poluição e no desenho de soluções”, diz David Tsai, gerente de projetos do IEMA responsável pela Plataforma da Qualidade do Ar, que reúne os dados de monitoramento da qualidade do ar gerados por estações de medição em solo dos órgãos estaduais de meio ambiente.
“Porém, é importante lembrar que atualmente os dados de satélite e modelagem não têm a acurácia necessária para aferir o cumprimento de padrões de qualidade do ar”, ressalta.
Em 2024, os estados da região Norte registraram déficits de precipitação, com destaque para Rondônia, onde choveu 648 mm (36% abaixo da média histórica entre 1985 e 2024). Os estados com menor número de dias chuvosos foram Sergipe, Pernambuco e Alagoas, variando entre 266 e 272 dias sem chuva.
Se por um lado choveu menos no norte do país em 2024, os estados da região Sul registraram chuvas acima da média, especialmente o Rio Grande do Sul, onde choveu 328 mm (19% acima da média histórica). Em maio de 2024, choveu mais do que o dobro do esperado para o Rio Grande do Sul: foram 370 mm, 150% acima da média histórica. A região serrana do estado registrou volumes de chuva até 500 mm acima da média em maio de 2024.
“Esse padrão de seca na maior parte do Brasil e de chuvas na região Sul é tipicamente observado em anos de fenômeno meteorológico El Niño, resultado do aquecimento anômalo das águas do oceano Pacífico”, explica Luiz Machado.
Enquanto a temperatura do ar tem aumentado sistematicamente em todo o país, a precipitação anual mostra um comportamento mais complexo, com alternância entre períodos secos e chuvosos nos últimos 40 anos em todo o Brasil. Em 2009 choveu 252 mm (+ 14%) acima da média no país. Já 2023 foi o ano mais seco, com chuvas 308 mm (- 18%) abaixo da média, quando se registrou o volume de 1446 mm.
A região do Matopiba, fronteira agrícola do Cerrado, perdeu 27% de áreas naturais entre 1985 e 2024, majoritariamente (99%) para a agropecuária. No Matopiba, a temperatura tem aumentado a uma taxa de 0,32oC por década. A precipitação mostra uma alternância entre períodos secos e chuvosos, com número de dias sem chuva variando de 145 a 210 dias por ano.
No caso da Caatinga, o ano mais quente e seco foi 2023, com temperatura 0,8 oC acima da média histórica e precipitação média de 547 mm/ano (27% abaixo da média). A distribuição espacial das chuvas no bioma é desigual, e, em seu interior, foram observadas regiões com precipitação inferior a 300 mm em 2023.
Além das informações mencionadas, o MapBiomas Atmosfera também reúne dados sobre o número de dias sem chuva e a disponibilidade de água no solo — indicadores para a análise do estresse hídrico no Brasil. O sistema ainda apresenta informações sobre dias de chuva persistente, que ajudam a identificar regiões com excesso de precipitação e monitorar áreas vulneráveis a enchentes. Por exemplo, os dados de 2024 mostram anomalia de dias com chuva persistente no Rio Grande do Sul, especialmente entre os meses de abril e junho.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo MapBiomas
O acendimento das luzes no Parque do Rio Branco inicia a temporada natalina em Boa Vista. Foto: Giovani Oliveira/PMBV
O clima natalino chegou a Boa Vista com muita emoção, cores e sorrisos. O início desse momento mágico foi marcado pelo acendimento das luzes do Mirante Edileuza Lóz, no parque do Rio Branco e na Orla Taumanan, neste domingo, 9. Os famosos pontos turísticos da capital ficaram ainda mais lindos e iluminados, reunindo diversas famílias.
Com imagens de trenós, renas, laços gigantes e um Papai Noel subindo no mirante, o Parque do Rio Branco se transforma em um cenário natalino perfeito para passear, registrar fotos e criar memórias afetivas. Segundo o presidente da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (Fetec), Dyego Monnzaho, este é um dos momentos mais aguardados do ano pelas famílias de Boa Vista.
Parque do Rio Branco é o cenário perfeito para experiências inesquecíveis. Foto: Giovani Oliveira/PMBV
“O acendimento do Mirante simboliza o cuidado da Prefeitura com a cidade e com as pessoas. A iluminação especial, que também será levada a outros pontos turísticos, transforma Boa Vista em um ambiente mais bonito e acolhedor, reforçando o clima natalino com mensagens de paz, esperança e motivação para toda a população”, disse o presidente.
Também receberão iluminação natalina os seguintes pontos:
Parque do Rio Branco
Orla Taumanan
Teatro Municipal de Boa Vista
Complexo Ayrton Senna
Praça do Cinturão Verde
Avenida Ville Roy
Avenida João Alencar
Mangueira da Ataíde Teive
Praça do Centro Cívico
Praça do Cruviana
Praça do Mirandinha
Além disso, haverá uma novidade na Praça Fábio Paracat, que será divulgada nos próximos dias.
Famílias criam memórias afetivas no maior cartão postal da Boa Vista
O servidor público Alexsandro Nascimento foi com a esposa Elaine e o filho Theo para curtirem o início da temporada natalina. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
Com um cenário natalino pronto, as famílias aproveitaram para viver experiências inesquecíveis de final de ano. O servidor público Alexsandro Nascimento foi com a esposa Elaine e o filho Theo para curtirem o início da temporada natalina.
“A gente já sabia que ia ter o acendimento das luzes e decidimos aproveitar esse momento de lazer, trazendo o nosso filho para acompanhar o evento. Assim como todo mundo que está aqui, viemos desejar um feliz Natal para todas as famílias presentes e viver isso junto à população. É uma lembrança que a gente vai guardar com carinho”, disse.
“Esse é um período importante. As crianças já aguardam por isso, querem colocar luzes em casa e se fantasiar. Então, é divertido viver isso na cidade”, contou Valter. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
O militar Valter Benfica prestigiou o acendimento com a esposa Vanessa e o filho Gustavo e contou nunca ter visto um evento assim em outros lugares.
“Já estava na programação vir para o mirante. Chegamos cedo para ver tudo de perto, pois é a primeira vez que participo. Foi muito legal, bacana e bonito. Esse é um período importante. As crianças já aguardam por isso, querem colocar luzes em casa e se fantasiar. Então, é divertido viver isso na cidade”, contou.
A pequena Giselle Sofia, de 11 anos, foi com a mãe e contou que amou ver a nova iluminação do mirante. “Eu gostei demais. Quero vir mais vezes. Amei estar com a minha família. Achei tudo muito bonito”, enfatizou.
Programação natalina
Acendimento das árvores de natal
Parque Germano Augusto Sampaio – 16/11, às 19h
Praça Fábio Marques Paracat – 16/11, às 20h
Natal da Paz 2025
6 de dezembro, 19h, no Palco Aderval da Rocha Ferreira
Mel produzido das flores dos açaizeiros. Foto: Arthur Corrêa/Nectar Amazônia
O mel feito com flores de açaí por duas startups do Amapá virou sucesso na COP30. Produzido pela Néctar da Amazônia e BioNéctar Ativos da Amazônia, o produto tem sabor marcante e já teve quase todo o estoque vendido durante o evento.
A produção envolve abelhas sem ferrão, que coletam o néctar das flores de açaí durante a florada. Cerca de 300 pessoas de comunidades tradicionais do Amapá participam da colheita.
O biólogo Richardson Frazão, responsável pela BioNéctar, espera dobrar o número de colaboradores com apoio de investidores da COP30. A meta é alcançar 600 pessoas envolvidas na produção.
“A próxima etapa é conversar com os investidores e entender como eles podem colaborar com nosso programa para ampliarmos o número de famílias alcançadas”, disse Frazão.
Ele também reforça que o mel valoriza a agricultura sustentável e a biodiversidade da Amazônia. “O mel vem de uma iguaria que são as flores do açaí. O mundo precisa conhecer isso”, disse o biólogo.
Cada pote custa cerca de R$45. A primeira remessa, com 250 unidades, foi comprada por um banco privado que apoia a conferência.
A startup também quer adquirir investimentos em outros produtos das abelhas, como bio suco, própolis e cera. Durante a COP30, a equipe participa de duas mesas redondas e apresenta um pitch para investidores.
As empresas participam do painel Conexão Pororoca (no dia 10), que reúne as startups Açaidirect, Engenho, Flor de Samauma, Açaí Maps, Amazonbai e Sumano Ingredientes.
Outro ponto destacado por Richardson é o papel das abelhas na polinização do açaí. Segundo estudo da Embrapa, as abelhas fazem 90% da polinização do açaí. Em áreas com floresta preservada, isso pode aumentar a produção de frutos em até quatro vezes.
As startups integram a delegação do Amapá, com cerca de 300 participantes. Eles estarão na Green Zone, no estande oficial do estado, dentro do Pavilhão Amazônico, inaugurado nesta terça-feira (11).
O nome Neymar ultrapassou as fronteiras do futebol e chegou aos registros civis do Amazonas. No levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o estado está entre os três com maior número de pessoas batizadas com o nome inspirado no jogador da Seleção Brasileira.
De acordo com o estudo ‘Nomes do Brasil‘, o Amazonas soma 239 registros de pessoas chamadas Neymar, ficando atrás apenas de Minas Gerais e São Paulo — estado natal do atacante. Os dados mostram que o fenômeno cultural em torno do atleta refletiu diretamente nas escolhas de nomes em várias regiões do país.
A influência de Neymar é ainda mais perceptível no interior do Amazonas. Seis municípios aparecem entre os dez com maior concentração proporcional de registros com o nome. O destaque é para São Paulo de Olivença, que ocupa a segunda colocação nacional, seguida por Santo Antônio do Içá, Tabatinga, São Gabriel da Cachoeira, Maués e Manaus, que completa a lista na décima posição.
Segundo o IBGE, a popularidade do nome cresceu significativamente a partir de 2010, período em que Neymar se consolidou como uma das principais promessas do futebol brasileiro, jogando pelo Santos Futebol Clube e chamando atenção pela habilidade e pela visibilidade na mídia esportiva.
O levantamento aponta que há 2.443 brasileiros registrados com o nome Neymar, sendo 98% do sexo masculino. A média de idade dessas pessoas é de 11 anos, o que indica que a maioria nasceu durante o auge da carreira do jogador — especialmente entre 2010 e 2015, quando o atleta conquistou títulos importantes e se transferiu para o Barcelona, um dos maiores clubes do mundo.
Neymar na Arena da Amazônia em Manaus. Foto: Reprodução/CBF
Neymar segue escolha popular
Entre os anos de 2020 e 2022, o estudo identificou 131 novos registros do nome em todo o país, demonstrando que a influência do jogador permanece presente mesmo após mais de uma década de carreira.
O IBGE destacou que a escolha do nome de figuras públicas é um fenômeno recorrente no país. Nomes de artistas, atletas e personalidades costumam registrar picos de popularidade após momentos de destaque na mídia, como títulos esportivos, prêmios ou grandes aparições públicas.
No Amazonas, a escolha do nome também reflete o alcance do futebol entre as populações do interior. Em municípios como São Paulo de Olivença e Santo Antônio do Içá, o esporte é uma das principais formas de lazer, e a figura de Neymar se tornou símbolo de sucesso no cenário esportivo nacional.
Disputa rara entre tatus da maior espécie do mundo. Foto: Reprodução/Instagram-reservaaguadoce
Um registro inédito feito por câmeras de trilha na Reserva Água Doce, em Cacoal (RO), revelou um comportamento raramente observado na natureza: dois tatus-canastra machos em confronto. A disputa durou cerca de 34 minutos.
As imagens foram captadas por uma câmera instalada próximo a um barreiro apelidado de “Lost”, área frequentemente usada por diversos animais da floresta. Ao Grupo Rede Amazônica, o fundador e administrador da reserva, Jorge Antônio Cavallet, informou que nunca havia presenciado uma disputa tão longa e intensa entre dois tatus-canastra.
“Temos outros registros de comportamento natural — alimentação, deslocamentos, marcação de território —, mas uma briga entre machos adultos dessa espécie é raríssima”, disse.
O tatu-canastra, que pode ultrapassar um metro de altura e chegar a 60 quilos, é o maior tatu do mundo e está ameaçado de extinção. Encontrá-lo já é um evento raro; observar dois machos adultos em confronto é ainda mais incomum.
Segundo Jorge, o que mais chama a atenção nas imagens é a resistência e a força dos animais. Para ele, a cena ajuda a compreender melhor o comportamento da espécie.
“O que mais impressiona é a resistência física e a força dos animais, que se enfrentam de forma instintiva, sem ferimentos graves aparentes. O som da mata ao redor permanece constante, mostrando que a natureza segue seu curso, sem intervenção humana”, disse.
O registro inédito é resultado de um trabalho contínuo de monitoramento iniciado há seis anos. Além dos tatus, outros animais selvagens já foram flagrados passeando pela reserva.
“Ao longo desse período foram feitas centenas de gravações que documentam a presença de onças, antas, veados, capivaras, tatus e inúmeras aves, como harpia e o gavião-de-penacho”, relata o fundador.
Conflito e conservação
Para Jorge, só em áreas preservadas é possível registrar cenas como essa. Manter a floresta protegida e monitorada ajuda a cuidar dos animais, conhecer melhor a natureza e fazer as pessoas perceberem a importância de conservar a vida selvagem.
“Essas cenas ajudam pesquisadores a compreender melhor o comportamento reprodutivo e os limites de convivência entre indivíduos da espécie, informações valiosas para a conservação.”
O tatu-canastra é territorial, especialmente entre machos. Segundo Jorge, durante o período de acasalamento, podem ocorrer confrontos para definir dominância ou acesso à fêmea.
“Cada imagem registrada é um lembrete de que a floresta não precisa de espetáculo — ela é o próprio espetáculo da existência”, disse.
De acordo com o biólogo Flávio Terassini, o confronto registrado entre os tatus-canastra é um evento raríssimo que ajuda a compreender o comportamento reprodutivo da espécie. Segundo ele, provavelmente havia uma fêmea dentro da toca, e os machos disputavam o acesso a ela.
“Esses dois machos, a gente pode observar que um já é um adulto, e o outro, provavelmente um jovem, estão brigando. Esse é o ritual, e aquele que ganhar essa briga, é claro que ele vai ter como recompensa o poder de ficar com a fêmea”, explicou.
Terassini informou que o tatu-canastra é considerado um animal pré-histórico, descendente de tatus gigantes que construíam tocas enormes conhecidas como paleotocas. Hoje, a espécie é vulnerável à extinção devido à perda de habitat, à caça e à fragmentação da floresta, mas ainda é relativamente mais comum em áreas preservadas da Amazônia.
O registro revela características da espécie que impressionam até os especialistas.
“Como a gente está vendo aí nesses mamíferos, é algo fantástico. Confesso que foi a primeira vez que eu vi, fiquei impressionado”, comenta Flávio.
*Por Amanda Oliveira e Luciana Kuster, da Rede Amazônica RO
Ao abrir a COP30, Lula afirmou que o Brasil quer inspirar o mundo a transformar compromissos em ação concreta. Foto: Ricardo Stuckert/PR
A 30ª Conferência das Partes da Convenção‑Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) começou oficialmente nesta segunda-feira (10), em Belém (PA), no coração da Amazônia. Pela primeira vez, a principal conferência mundial sobre clima acontece na região que simboliza a urgência e a esperança do planeta. Durante duas semanas, líderes e negociadores de todo o mundo discutirão caminhos para transformar compromissos em ação e fortalecer as alianças globais pelo clima.
Na cerimônia de abertura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que trazer a COP30 para Belém foi “uma decisão política e simbólica”, com o objetivo de mostrar que a Amazônia é parte essencial da solução climática, e não apenas um tema de debate.
“O bioma mais diverso da Terra é a casa de quase 50 milhões de pessoas, incluindo 400 povos indígenas. A Amazônia não é uma abstração, é um lar, é economia, é cultura, é vida. Trazer a COP para o coração da Amazônia foi árduo, mas necessário. Quando deixarem Belém, os delegados levarão o compromisso de agir, e o povo da cidade ficará com os investimentos que esta conferência trouxe. O mundo, enfim, poderá dizer que conhece a realidade da Amazônia”.
O presidente também apontou três eixos de ação que deverão orientar as negociações da COP30: o cumprimento dos compromissos climáticos já assumidos, o fortalecimento da governança global e a colocar as pessoas no centro das decisões sobre o clima.
Entre as propostas, Lula defendeu a criação de um Conselho Global do Clima vinculado à Assembleia Geral da ONU, para garantir maior coordenação e responsabilidade política entre os países. “Precisamos de instituições à altura da crise que enfrentamos”, assegurou.
Ao projetar o papel da COP30 no cenário global, o presidente Lula reafirmou o objetivo de que esta seja a COP da Verdade, um espaço de enfrentamento à desinformação e de valorização da ciência, e também a COP da Implementação, marcada pela transformação dos compromissos em ações concretas. Ele reiterou que, apesar dos avanços alcançados desde o Acordo de Paris, o ritmo global ainda é insuficiente para conter o aquecimento do planeta. “Estamos andando na direção certa, mas na velocidade errada”.
“A mudança do clima já não é uma ameaça do futuro, é uma tragédia do presente”, afirmou o presidente ao lembrar das recentes enchentes no Sul do Brasil e o furacão Melissa, no Caribe. “Vivemos uma era em que os obscurantistas rejeitam as evidências científicas e atacam as instituições. É hora de impor uma nova derrota ao negacionismo”.
Na mesma linha, o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, ressaltou durante a cerimônia que a conferência marca uma transição histórica: o início da década da implementação do Acordo de Paris.
“Esta COP precisa ser lembrada como a COP da ação, uma conferência que transforma compromissos em resultados. É o momento de integrar clima, economia e desenvolvimento, criando empregos, reduzindo desigualdades e fortalecendo a confiança entre as nações”.
Corrêa do Lago também destacou o esforço coletivo que tornou possível sediar a conferência na Amazônia, agradecendo o empenho das equipes técnicas e do governo brasileiro. “O mundo vê no Brasil um exemplo de união e de propósito. A COP30 é fruto de um mutirão, uma palavra brasileira que o mundo aprendeu e que simboliza a essência desta conferência: trabalhar juntos”.
Lula com chefes de Estado e de Governo na ‘foto de família’ da Cúpula do Clima, em Belém (PA): ‘As decisões que tomarmos com relação ao setor energético definirão nosso sucesso ou nosso fracasso na batalha contra a mudança do clima’. Foto: Ricardo Stuckert / PR
O secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, sigla em inglês), Simon Stiell, salientou o papel central da COP30 como ponto de inflexão para o processo climático global.
“Estamos na foz do maior rio do mundo, e o que ele nos ensina é que grandes resultados vêm da convergência de muitos fluxos. A COP precisa funcionar da mesma forma, impulsionada pela cooperação e pela coragem”, disse Stiell. E completou: “A economia da transição é inegável. As renováveis já superaram o carvão como principal fonte de energia global. Agora é hora de transformar ambição em ação concreta. É assim que mostramos ao mundo que o multilateralismo ainda entrega resultados”.
Da COP29 à COP30: a era da entrega
O presidente da COP29, Mukhtar Babayev, entregou simbolicamente o comando do processo climático global à presidência brasileira, destacando que o mundo entra em “uma nova era de implementação”.
“A COP30 inaugura o primeiro ciclo de entrega total do Acordo de Paris. A partir de agora, não há mais espaço para promessas sem ação. Esta é a década da execução, da solidariedade e da credibilidade”, comentou.
Babayev relembrou que a conferência anterior, em Baku, consolidou um acordo financeiro histórico e enfatizou que a COP de Belém deve aprofundar os compromissos firmados, “com foco em resultados tangíveis e justos, especialmente para os países em desenvolvimento”.
Osvaldo Duarte lança livro de poesias na ABL. Foto: Divulgação
Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com
Professor no campus da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) em Vilhena, o premiado poeta Osvaldo Duarte teve o seu livro “À sombra do escondido” lançado em Portugal. E neste mês de novembro saiu a edição brasileira (Inmensa Editorial) em capa dura. E não é só isso: Duarte lança seu livro, dia 13 de novembro, na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro.
Guns N’ Roses atrai 40 mil pessoas em Cuiabá
A banda norte-americana Guns N’ Roses reuniu uma multidão de 40 mil pessoas na Arena Pantanal, em Cuiabá (MT), no dia 31 de outubro. O espetáculo atraiu fãs de várias partes do Brasil e até da Bolívia: cerca de 33% do público era formado por turistas.
Entre os que encararam a viagem estavam muitos rondonienses. Uma delas foi a professora e jornalista Magda Hussein, 51 anos, apaixonada por rock. Trabalhando na comunicação do Governo de Rondônia, Magda partiu de Porto Velho rumo a Cuiabá – 1400 km de estrada (ou o dobro disso na ida-e-volta) – para viver a experiência de ver os “gringos” de perto.
Produzido pela Escola Municipal Felipe Rocha de Lima da cidade de Vilhena (sul de Rondônia) com o apoio técnico da Secretaria Municipal de Comunicação, o documentário “Vilhena: Minha Cidade Tem História” conquistou o 3º lugar no 15º Prêmio da Editora Opet, realizado em Curitiba. A premiação contou com 154 trabalhos inscritos de diversas regiões do país.
Sob a coordenação da professora Josy Mari, o filme destaca os principais pontos históricos de Vilhena, com ênfase na Casa de Rondon, considerada o marco-zero da cidade. Desde 2019, a educadora lidera o projeto, que tem como objetivo valorizar a memória local e despertar o interesse dos alunos pela história regional. A conquista representa um reconhecimento nacional ao trabalho desenvolvido na rede municipal de ensino e reforça a importância da educação como ferramenta de preservação cultural.
Cantor John Douglas brilha na cena artística europeia
Jhon Douglas durante show em Paris. Foto: Divulgação
Nascido em Vilhena, o cantor, compositor e multi-instrumentista Jhon Douglas tem levado seu talento muito além das fronteiras brasileiras. Atualmente radicado em Portugal, o artista se apresenta em diversos palcos da Europa, encantando públicos com sua versatilidade musical e presença cativante.
Apesar da distância, ele mantém viva a conexão com suas raízes: “Vilhena está comigo para onde eu vou”, afirma com orgulho.
Além da música, Jhon Douglas também se destaca como artista plástico, demonstrando sensibilidade em todas as formas de expressão que abraça.
O adeus ao premiado escritor rondoniense Carlos Paraguassu
Vítima de câncer, faleceu no dia 3 de novembro, em Porto Velho, aos 64 anos, o escritor premiado, ex-superintendente do Ibama em Rondônia e professor universitário Carlos Alberto Paraguassu-Chaves.
Membro da Academia Rondoniense de Letras, ele deixa, segundo nota da instituição, “uma trajetória marcada pela educação, pela pesquisa e pelo amor por Rondônia”.
Carlos Paraguassu, falecido em Porto Velho. Foto: Divulgação
Reconhecido como referência na ciência e na educação, Paraguassu-Chaves era professor titular do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Rondônia (Unir). Doutor em Ciências da Saúde, conquistou em 2013 o Prêmio Internacional de Literatura Científica da Racco Europa, com a obra Geografia Médica ou da Saúde: Espaço e Doença na Amazônia Ocidental.
Ao longo de sua carreira, publicou diversos livros que investigam a relação entre saúde, espaço e sociedade na Amazônia, entre eles Aspectos Fundamentais da Sanologia e Trajetória à Imortalidade. Suas pesquisas e publicações consolidaram um legado de dedicação à academia e ao desenvolvimento científico da região, tornando-o uma das vozes mais respeitadas da intelectualidade rondoniense.
Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.
Roraima tem a 9ª maior população de rua do Brasil, segundo relatório. Foto: Ivonisio Lacerda Júnior/Rede Amazônica RR
Roraima concentra quase metade da população de rua da região Norte e está entre as 10 maiores do Brasil. É o que mostra um relatório do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (ObPopRua-POLOS), vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
No total, são 9.954 pessoas em situação de rua. O número coloca o estado em 9º lugar no ranking nacional e supera o de estados mais populosos, como Pernambuco (8.066) e Goiás (5.725). Os dados do relatório são coletados com base no Cadastro Único (CadÚnico) do governo federal.
Plataforma do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o CadÚnico reúne dados de famílias de baixa renda e pessoas em situação de vulnerabilidade social para que possam acessar benefícios e programas do governo.
A população em situação de rua de Roraima se concentra quase totalmente na capital. Do total, 9.928 dessas pessoas estão em Boa Vista – apenas 26 estão em outros municípios. O número coloca a cidade em 6º lugar no país com mais pessoas nesta situação, acima de metrópoles como Brasília (8.970) e Porto Alegre (6.420).
O coordenador do Observatório, professor André Luiz Freitas Dias, explica que o número de pessoas em situação de rua no estado têm relação, principalmente, com o contexto migratório venezuelano.
Contexto: Na fronteira do Brasil com a Venezuela, Roraima é, desde 2015, a principal porta de entrada para venezuelanos que buscam melhores condições de vida no país. Mais de 1 milhão de pessoas cruzaram a fronteira, e mais da metade permanece no país, atraída pela política brasileira de acolhimento e interiorização.
Dias disse ainda que esses números de Roraima são vistos com “bastante preocupação”. Além disso, refletem uma complexidade local constatada durante uma visita técnica ao estado em 2023, a convite do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
“Pudemos perceber o quanto as sobreposições de violências e violações de direitos atingem diversos grupos vulnerabilizados no estado, como a população em situação de rua, migrantes, indígenas e refugiados”, afirma Dias.
O coordenador também explicou que o crescimento da população em situação de rua a nível nacional foi influenciado pela precarização do período da pandemia de Covid-19 e a ausência de políticas públicas de moradia.
Pertences de migrantes venezuelanos em alojamentos improvisados. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR
Cenário na região Norte
Sozinho, Roraima concentra 49,2% de toda a população em situação de rua na região Norte: são 20.220 pessoas nesta condição ao todo. O segundo estado da região com mais registros é o Pará, com 4.100, seguido pelo Amazonas, com 3.346.
Entre as capitais, a disparidade é ainda maior. Boa Vista tem mais que o triplo de pessoas em situação de rua em relação a Manaus, que é a segunda colocada no ranking, com 2.971 casos, e mais de quatro vezes a de Belém (2.195).
Estados do Norte que têm um número de habitantes total semelhante à de Roraima, segundo o Censo de 2022, como Acre (830.026 habitantes) e Amapá (733.580 habitantes) figuram entre os três últimos no ranking regional de população em situação de rua.
Roraima registra alta desde 2018
O relatório também fornece dados comparativos de 2018 a 2024, que revelam aumentos consecutivos na população em situação de rua de Roraima nos últimos anos.
Em 2018, o estado registrava 1.046 pessoas em situação de rua e saltou para 7.206 em 2024. A capital Boa Vista acompanhou o salto e subiu de 1.029 pessoas em 2018 para 7.168 em 2024.
No último ano, o estado deu continuidade à série histórica, e foi de 7.206 em 2024 para os 9.954 registrados no levantamento mais recente, um aumento de mais de 38% em menos de um ano.