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Mato Grosso e Tocantins acumulam maiores taxas de crescimento do Brasil em 20 anos

Palmas, no Tocantins. Foto: Adilvan Nogueira/Governo do Tocantins

O Mato Grosso e o Tocantins ganharam destaque na comparação do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo dos últimos 20 anos. Conforme análise dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2003 a 2022 (último ano disponível), o dois estados dividem a primeira colocação dos que mais cresceram no Brasil.

De acordo com o Governo do Tocantins, a série histórica, com base no Sistema de Contas Nacionais do IBGE, aponta que o estado teve crescimento médio anual de 4,8%, mais que o dobro da média nacional (assim como o Mato Grosso), que foi de 2,1%.

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Na agropecuária, o Tocantins chegou a crescer mais que o Mato Grosso. Enquanto o estado tocantinense avançou, em 20 anos, uma média de 8,8% ao ano, o mato-grossense teve um crescimento médio de 7,5% ao ano. No setor industrial, o Tocantins alcançou a média de crescimento de 4,6% ao ano; e no de serviços, atingiu a média de 3,3% ao ano.

Entre as unidades federativas, tanto o Tocantins quanto o Mato Grosso apresentaram o maior crescimento médio anual do país, com 4,8%. O estado de Roraima, com média de 4,5%, aparece em seguida e, depois, o Piauí com 3,7%.

“Analisar os dados consolidados do PIB do Tocantins ao longo dos últimos 20 anos permite compreender o que já funcionou e apontar caminhos viáveis para o crescimento sustentável. O cálculo do PIB trimestral do Tocantins, implantado na gestão do governador Wanderlei Barbosa, representa um avanço importante e oferece uma ferramenta estratégica para tornar o planejamento público ainda mais eficiente, contribuindo com o Tocantins que queremos para o futuro da nossa população”, pontua o titular da Secretaria de Estado do Planejamento e Orçamento (Seplan), Sergislei de Moura, ao acrescentar que a equipe econômica do Governo do Tocantins está atenta aos indicadores que impactam diretamente o desenvolvimento regional.

*Com informações do Governo do Tocantins

Estudante desenvolve creme hidratante à base de óleo de buriti para cuidados com idosos e diabéticos

Giovanna Evelin entre as prefessoras Lunalva Aurélio Pedroso e Márcia Guelma. Foto: Divulgação

A estudante Giovanna Evelin Conceição Lima, do 5º período do curso de Enfermagem/Câmpus Augustinópolis, na Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), desenvolveu um creme hidratante com formulação inédita à base de óleo de buriti, voltado especialmente para a hidratação da pele de idosos e pessoas com diabetes.

A formulação do creme foi desenvolvida em parceria com a professora farmacêutica Márcia Guelma, da Unisulma, em Imperatriz (MA), e já tem como próximo passo o pedido de registro junto à Unitins, com vistas à futura aplicação prática e produção em escala.

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O projeto foi realizado no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibiti), sob orientação da professora doutora Lunalva Aurélio Pedroso.

“O óleo de buriti possui propriedades significativas para o cuidado com a pele, devido à sua concentração de ácidos graxos e outros nutrientes. O desenvolvimento de um creme hidratante com esse ingrediente valoriza as riquezas da nossa região, pois a inclusão de recursos naturais em formulações cosméticas pode contribuir para o fortalecimento econômico de comunidades locais. Além disso, buscamos apoio científico para comprovar os benefícios terapêuticos do óleo, sempre com responsabilidade social e ambiental”, pontuou Giovanna.

Leia também: Palmeira buriti é alternativa sustentável para o isopor na construção civil

Para a professora doutora Lunalva Aurélio Pedroso, o projeto representa uma importante convergência entre saúde, ciência e sustentabilidade: “Eu vejo com grande entusiasmo, pois é um avanço significativo na intersecção entre a saúde, a biodiversidade amazônica e a tecnologia. O desenvolvimento de um creme com formulação inédita, a partir do óleo de buriti extraído na região do Bico do Papagaio, no Tocantins, evidencia o valor da nossa biodiversidade”.

O óleo de buriti é amplamente reconhecido por suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e regeneradoras. Aliado a uma base tecnológica desenvolvida para maximizar seus efeitos, o produto une saberes tradicionais e inovação científica, com potencial de aplicação direta na enfermagem e no cuidado à saúde.

Outro diferencial do projeto é o uso de métodos sustentáveis de extração do buriti, que respeitam o meio ambiente e fortalecem comunidades locais, promovendo a economia solidária e a valorização dos saberes regionais.

*Com informações da Unitins

Mulheres Huni Kuin fortalecem saberes ancestrais e geram renda em novo espaço cultural no Acre

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Mulheres Huni Kuin inauguram Casa de Cultura para fortalecer saberes ancestrais em Jordão, no Acre. Foto: Nara Mattos/Ainbu Daya

Foi com grafismos, cantos tradicionais e sorrisos de orgulho que as mulheres indígenas Huni Kuin celebraram a inauguração da Casa de Cultura, Arte e Saberes Ancestrais Ainbu Daya, no município de Jordão, no interior do Acre. O espaço foi criado para preservar os saberes tradicionais, promover autonomia econômica e fortalecer os laços entre mulheres de diferentes aldeias por meio da arte, do ensino e da valorização cultural.

O projeto nasceu da mobilização das próprias mulheres indígenas e da atuação do Instituto Ainbu Daya, organização formada por mulheres dos três territórios Huni Kuin da região Alto Jordão, Baixo Jordão e Seringal Independência.

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“Esse é um projeto muito importante para que as mulheres possam estar unidas, trocando experiências, fortalecendo esse trabalho. As jovens aprendem e as mais velhas ensinam cestaria, tecelagem, tingimento natural, o cultivo do algodão. Tudo isso faz parte da nossa cultura”, explicou ao Grupo Rede Amazônica a vice-presidente do Instituto, Batani Huni Kuin, de 42 anos.

O nome do projeto, Ainbu Daya, significa ‘Mulher Luz’ em Hãtxa Kuin, refletindo a missão de iluminar caminhos de autonomia e preservação cultural por meio das mãos e saberes femininos.

Hashuani Huni Kuin é aprendiz, mas foi escolhida como artesã representante da comunidade porque também está ensinando. Foto: Nara Mattos/Ainbu Daya

“Pra muitas de nós, sair da aldeia é difícil. Só o transporte das artes já custa caro. Com esse projeto, a gente pode se encontrar e levar nossos trabalhos com mais dignidade. Isso dá coragem pra continuar”, complementou a liderança.

A iniciativa é patrocinada pelo Banco da Amazônia, com apoio do Programa Rouanet Norte, e tem parceria do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Correios, Ministério da Cultura e Governo Federal. A inauguração ocorreu no último dia 4 de junho e também contou com autoridades locais.

Leia também: Primeiro restaurante de comida Huni Kuin inaugurado no Acre preserva cultura e segurança alimentar

Espaço de criação e formação

A Casa foi alugada por um período inicial de seis meses, durante os quais funcionará como ateliê, espaço de encontros e sede das ações do Instituto Ainbu Daya. Durante esse tempo, 44 mestras artesãs, guardiãs dos saberes ancestrais do povo Huni Kuin, receberão bolsas mensais como forma de reconhecimento simbólico e incentivo à continuidade da produção artesanal e transmissão de conhecimentos para as novas gerações.

Reunir mulheres de 44 aldeias Huni Kuin, espalhadas por regiões entre os rios Tarauacá e Jordão, exige não apenas planejamento, mas também recursos. O projeto garante apoio logístico para que essas mulheres possam participar dos encontros, levando suas artes e suas histórias.

Além do apoio financeiro, o projeto prevê seis encontros, um por mês, cada um com foco em um tema como: empreendedorismo, mídias sociais, informática básica, desenvolvimento criativo e planejamento financeiro. Também haverá oficinas online voltadas para a formalização de artesãs, estratégias de venda, gestão e organização do processo produtivo.

“Queremos que elas aprendam não só a criar, mas também a planejar, precificar e vender suas artes com autonomia. O objetivo é que elas façam por elas mesmas, sem depender de intermediários”, explicou Priscilla Romão, uma das integrantes do projeto.

De filha para mãe, de mãe para filha

Entre as participantes está Hashuani Huni Kuin, de 21 anos, que desde os 12 acompanha sua mãe, uma mestra da comunidade, e aprendeu a arte da tecelagem, miçangaria e pintura. Atualmente, além de continuar produzindo, ela também ensina outras jovens da aldeia, incluindo sua própria filha de 8 anos.

“A gente faz arte pra usar, porque é a nossa cultura. Mas também para vender, pra que outras pessoas conheçam o nosso artesanato. Isso traz muita felicidade pra nós”, contou.

Casa foi alugada por seis meses e será sede para ações do Instituto Ainbu Daya no Jordão, interior do Acre. Foto: Nara Mattos/Ainbu Daya

Segundo Hashuani, a chegada do projeto representa um alívio. Antes, ela conta, era difícil vender os produtos. “A gente produzia bastante arte, mas só conseguia vender quando um gringo vinha na aldeia. A gente não sabe mexer no Instagram, nem como vender online. Agora, vamos aprender juntas. Vai dar certo”, comentou.

Entre linhas e grafismos, também se tecem futuros. Enquanto ensina outras jovens, Hashuani sonha que sua filha aprenda não só a arte tradicional, mas também possa estudar e transitar entre dois mundos: o dos saberes ancestrais e o da educação formal.

“Quero que ela aprenda a tecer, a fazer o tingimento natural, mas também que possa estudar, fazer faculdade. Aprender o ‘mundo nauá’ (não indígena), sem esquecer do nosso mundo, dos saberes Huni Kuin”, disse.

Leia também: Consulta pública propõe definir grafismos do povo Huni Kuĩ como Patrimônio Cultural

Um projeto de futuro e floresta

O lançamento do projeto ocorre em um ano simbólico: em 2025, o grafismo Kene Kuĩ, arte tradicional dos Huni Kuin, foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Para o povo Huni Kuin, os grafismos não são apenas estética. São ensinamento, espiritualidade, identidade. “Cada peça produzida carrega a força de nossa história. A arte é uma energia, uma força, a beleza do povo Huni Kuin. É assim que a gente transmite a cultura”, afirma Hashuani.

Casa Ainbu Daya em Jordão, no interior do Acre. Foto: Divulgação/Instituto Ainbu Daya

O apoio financeiro concedido às mestras é descrito pelo projeto como uma forma de reparação histórica e reconhecimento do papel dessas mulheres como guardiãs da memória e do saber.

Mais do que arte, a Casa Ainbu Daya é símbolo de um movimento maior, que integra os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. O projeto articula ações de regeneração cultural e ambiental, reafirmando o protagonismo feminino indígena na preservação da Amazônia.

“Estamos falando de mulheres que produzem, vendem, lideram e ensinam. Elas são protagonistas. Isso é força, isso é futuro. Um futuro tecido pelas mãos das mulheres da floresta”, concluiu Romão.

Hashuani compartilha do mesmo sentimento. “A nossa arte é também um trabalho. É o que a gente tem pra viver e pra mostrar pro mundo quem a gente é. Quando as pessoas compram nossa arte, elas tão levando um pouco da nossa história junto”, frisou.

*Por Renato Menezes, da Rede Amazônica AC

Ferreira de Castro e a Amazônia: sonho de uma humanidade

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Porto de entrada do Seringal Paraíso. Foto: Luzimar Bessa

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

Era uma vez… em Ossela, numa encantadora aldeia do concelho (parte de um distrito) de Oliveira de Azeméis, Beira Litoral, não muito longe de S. João da Madeira e Porto, em Portugal, nasceu a 24 de maio de 1898, um menino que recebeu na pia batismal o nome de José Maria de Ferreira de Castro, destinado pelos deuses ou fadas, a descrever uma trajetória luminosa nos horizontes infinitos das letras portuguesas.

Aos 12 anos, órfão de pai e apenas com o diploma da 4ª classe, emigrou de Ossela rumo a Belém do Pará, no Brasil, munido de um dicionário e no coração a dor da partida e também sonhos lindos e dourados: ser talvez rico e angariar a subsistência de sua mãe, docente, e de seus dois irmãos criança.

Chegando em Belém, empregou-se numa mercearia e após uma breve estada, de uns dois meses, foi despedido. E assim, em março de 1911, ele rumou para o Seringal Paraíso, no Alto Amazonas, nas margens escalavradas do Rio Madeira, na companhia de cearenses, maranhenses, marginais e aventureiros, que à selva iam em busca de sorte e fortuna.

Sentindo a dor da saudade da família, da aldeia, dos amigos, dos campos e do solo pátrio, para esquecer-se, ele escreveu, aos 13 anos, no Seringal Paraíso, o seu primeiro livro, ‘Criminoso por Ambição’, sob a sombra amiga da sapotilheira junto ao barracão do seringal.

Quatro longos e sofridos anos passou Ferreira de Castro no seringal, de março de 1911 a 28 de outubro de 1914, quando se iniciava na Europa a 1° Guerra Mundial, tendo regressado a Belém, onde passou privações e provações.

Em 1916, com a ajuda de um amigo, publicou o livro ‘Criminoso por Ambição’, que foi vender aos amigos e compatriotas, em fascículos. Alguns anos depois, em 1919, regressou a Portugal com apenas 400 mil reis no bolso.

Ferreira de Castro. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Teima seguir a carreira de jornalismo em Lisboa, mas reconhece alguma animosidade por parte de alguns colegas. Então, refugia-se nas comunidades primitivas da Serra do Barroso (Minho) que percorre e na Casa do Capitão, em Padornelos, onde escreve as primeiras páginas do seu livro ‘Terra Fria’, e na Serra da Estrela vai em busca de dramas sociais, quando escreve o livro ‘A Lã e a Neve’. Depois visita as Minas de Aljustrel (Alentejo) e escreve extrema e realista reportagem, que foi censurada.

Enquanto enamora-se de Diana Liz, poetisa, que inspirou ao neófilo escritor uma intensa paixão. Foi sob o olhar terno de Diana de Liz, na Rua Tenente Espanca, em Lisboa, à luz de petróleo vivendo mil dificuldades, que Ferreira de Castro escreveu, em 1929, o imortal livro ‘A Selva’, que publicaria em 1930.

Nesse mesmo ano, de consagração, ele recebe um dos maiores golpes do destino. Diana Liz, que levara a ares para Ossela, morre tuberculosa, à míngua de remédios e recursos financeiros. Profundamente abatido, o romancista refugia-se na ilha da Madeira, onde escreve o livro ‘Eternidade’, um hino de espiritualidade em homenagem a Diana Liz.

Mais tarde, em 1937, e após ter escrito outros livros, vem a conhecer a talentosa pintora Elena Muriel, da Andaluzia, refugiada no Estoril da Guerra Civil espanhola, senhora de uma rara beleza física e moral e companheira dedicada do escritor por mais de 40 anos e com quem vem a casar-se, em Paris (França).

Com Elena Muriel dá a volta ao mundo e escreve, no ensejo, ‘A Volta ao mundo’ e ‘As Maravilhas Artísticas do Mundo’. E escreve mais livros: ‘Emigrantes’ (1929), ‘A Curva da Estrada’, ‘Pequenos Mundos e Grandes Civilizações’, ‘Tempestade’, ‘Missão’, ‘O Instinto Supremo’, ‘Os Fragmentos’ (póstumos) etc.

Em 1970 vê a sua obra ser distinguida com o Prêmio Águia de Ouro Internacional, em Nice, pela Academia Francesa, o que constituiu um dos maiores acontecimentos da vida literária portuguesa. Com o valor desse prêmio constrói a Casa–Museu FC, em Ossela (sua terra natal).

Casa da rua Tenente Espanca, 23, em Lisboa, cujo primeiro andar foi escrito o romance ‘A Selva’. (BRASIL, Jaime. Ferreira de Castro. Lisboa: Ed. Arcádia). Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Considerado o percursor do neorrealismo e o mais humanista escritor português, sua obra é um hino de louvor e reconhecimento a todo o homem oprimido, solitário ou desprezado, a todo o homem que trabalha, servindo, muitas vezes explorado, humilhado ou ofendido.

Da leitura de seus livros, que é dirigida a todos os homens que mandam para melhor compreenderem o drama do homem que trabalha, depreende-se, sempre, uma fina ternura e empatia, que tanto nos subjuga como fascina.

Ao escrever o livro ‘A Selva’, Ferreira de Castro denunciou situações tremendamente injustas, como era o caso dos milhões de seringueiros que a extração da borracha davam o melhor do seu sangue, suor e liberdade. Em todos os seus livros está patente a denúncia – apresentar os fatos tão somente para o leitor ajuizar, sem jamais se socorrer da linguagem da violência ou do ódio.

Aí o seu mérito e a sua missão. A denúncia subtil por amor à humanidade enferma. Daí o ter sido considerado o mais humanista escritor português e um dos mais universalistas, já traduzido em 25 línguas e em Braile.

Em 1980, no Parque Municipal de Ferreira de Castro, em São João da Madeira, é inaugurado um monumento no ensejo do Cinquentenário de ‘A Selva’, um busto em Ossela e mais tarde outros bustos se ergueram em terras do Brasil: em Teresópolis (RJ), Belém (PA), Manaus (AM), em Humaitá (AM) mesmo defronte ao Seringal Paraíso, palco central e geográfico da odisseia.

Em 1979, por iniciativa do pintor do Canto dos Verdes da Amazônia, o professor catedrático Moacir Andrade, fundou a Associação Internacional dos Amigos de Ferreira de Castro, com o propósito de divulgar a vida/obra/mensagem humanista. Entre os amigos: General Carlos Alberto da Fontoura; a viúva do romancista Elena Muriel e sua filha, Drª Elza Muriel; o então Presidente da Assembleia da República, Vasco da Gama Fernandes; Tenente Coronel Júlio Baptista Santos; Presidente da Câmara Municipal de Sintra, Eurico de Andrade Alves (empossado como presidente); Moacir Andrade; Manuela Montenegro; Manuel de Portugal e outras individualidades.

Indígenas parintintins. Fotografia de Silvino Santos. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

A AIAFC na pessoa do seu presidente, realizou já quatro visitas de divulgação cultural ao Brasil, nomeadamente a Belém, Manaus, Brasília e Rio de Janeiro.

Teresópolis, Salvador e Santos, a Humaitá e Seringal Paraíso, já visitado em 1986 e 1989, tendo escrito no ensejo o livro visita ao Seringal Paraíso, além de palestras em Universidades, Centros Culturais e Escolas Técnicas e Televisão, levou longe o humanismo do escritor.

E na zona mais ridente do Porto, na Foz do Douro, em 22 de outubro de 1988, erigiu um monumento ao romancista, de 6 metros de porte, três figuras distintas, mais de três toneladas de bronze, contemplando o oceano e lá longe o Amazonas e o Seringal Paraíso.

Em 1989, no ensejo dos 10 anos da fundação, a AIAFC publicou o livro ’10 anos in memoriam de Ferreira de Castro’, livro muito documental e ilustrado com perto de 100 fotos.

AIAFC tem sua sede em São João da Madeira, conta com 400 associados de Portugal, Brasil, EUA, Espanha, França, Polônia, Japão e Panamá, sendo 200 fundadores.

Ferreira de Castro morreu em 29 de junho de 1974, no alvorecer da Democracia em Portugal e está sepultado, segundo seu desejo expresso em carta, sob um banco de pedra, em campa rasa, no Castelo dos Mouros, em Sintra, “para estar mais perto dos homens, meus irmãos, das árvores, da lua e das estrelas, que tanto amei”.

Fonte: ALVES, Eurico de Andrade. Moacir Ferreira de Castro e a Amazônia.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Plantar árvores na Amazônia é bom, mas não suficiente

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Foto: Reprodução/Pixabay

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O Dia da Biodiversidade, celebrado no último 22 de maio, ensejou ao Idesam “chamar a sociedade para mobilização em prol do plantio de árvores em uma das regiões mais afetadas pelo desmatamento: Apuí, sul do Amazonas”. Com a campanha “Eu Sou Uma Árvore Bonita”, o Instituto definiu como meta “o plantio de 20 mil mudas até final do ano e disseminar informações de educação climática — um gesto de esperança para a floresta e para as comunidades que dela dependem”. Para o Idesam, as datas simbólicas conectadas à “valorização da vida são uma oportunidade para as pessoas (cidadãos) que se perguntam o que elas podem fazer pelo planeta e que a campanha ‘Eu Sou Uma Árvore Bonita’ é uma chance de contribuir de maneira prática com o plantio de árvores na Amazônia e assim contribuir para a transformação do ambiente e de restauração produtiva”, destaca Paola Bleicker, diretora executiva do Idesam.

De acordo com informes disponíveis no site do Idesam, a proposta da ação tem como base doações comunitárias de R$100,00, necessários ao plantio de uma nova árvore na região, que contribuirá para o fortalecimento do sistema de restauração florestal e da agricultura familiar. A restauração produtiva defendida pela campanha, segundo o Idesam, assenta-se nesse modelo, que combina recuperação florestal, segurança alimentar e geração de renda, levando em conta que, “se cada um fizer a sua parte, o município como um todo consegue produzir muitas toneladas e elevar o patamar de Apuí como um grande produtor agrícola, particularmente de café, cuja marca vem conquistando importantes mercados ano a ano. Vale ressaltar que o Idesam há anos atua em Apuí “promovendo a restauração de ecossistemas, o fortalecimento da economia local e o enfrentamento das mudanças climáticas, além de se destacar como um dos protagonistas da Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas (2021-2030)”, afirma Bleicker.

Plantar uma árvore no Apuí é, sem dúvida, uma ideia pertinente, meritória. Contudo, a ação do Instituto não deve restringir-se tão somente a esse objetivo, e sim buscar voos mais elevados. Dotado de excepcional competência técnica no campo da captação de contribuições financeiras de organismos nacionais e estrangeiros, deve ampliar seu raio de ação abrangendo objetivos de maior expressão relacionados à economia do município e da região. Exemplo: liderar ações em favor da implantação do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) do Sul do Amazonas, de uma política de regularização fundiária indispensável à legalização da distribuição de terras agricultáveis a pequenos produtores da agricultura familiar. Intervenções governamentais que se destinam, ao mesmo tempo, a reduzir invasões de terras, eliminar a pirataria ambiental e incentivar o aproveitamento do potencial de desenvolvimento e crescimento da região. Meio caminho para a maximização de resultados econômicos e sociais do trinômio produção sustentável, defesa e preservação do bioma.

A propósito, ao comentar, no Linkedin, meu artigo “Amazonas: Carências e Vulnerabilidades de Ontem e de Hoje”, de 9/6, o consultor empresarial Aécio da Silva Filho observa que “a regularização fundiária e o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) constituem ferramentas essenciais e viáveis ao ordenamento do uso da terra, redução dos conflitos e atração de investimentos sustentáveis; legalizar a terra, portanto, é garantia de acesso ao crédito, assistência técnica e inclusão produtiva”. Nada muito complicado de resolver, ao que entendo, por tratar-se de questões dependentes única e exclusivamente de políticas públicas que assegurem recursos destinados à correção dessas distorções e ao pleno aproveitamento das potencialidades econômicas estruturadas na bioeconomia, no manejo florestal e na mineração sustentáveis, no turismo ecológico, na produção de alimentos, setores essenciais à redução do gap que separa a economia amazonense do Polo Industrial de Manaus.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

“Quero ser cientista”: projeto leva ciência aquática às escolas nas proximidades de Belém

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Foto: Divulgação/Acervo do projeto

“Tia, eu quero ser cientista!”. Carla nunca tinha visto alunos tão entusiasmados com a aula de biologia. Não que ela não tentasse deixá-los empolgados assim nos outros dias, pelo contrário. Quem conhece a realidade da educação básica brasileira sabe o quanto a falta de estrutura e de apoio didático desgasta até os professores mais esforçados e bem-intencionados. Quando o projeto ‘Cientistas nas Escolas’ os visitou, foi diferente.

Naquela sexta, os estudantes de ensino fundamental puderam ver, ouvir e tocar pela primeira vez em materiais que antes pareciam existir só nos livros de ciências. Para os alunos, era como se um universo de novas possibilidades tivesse se revelado.

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Foto: Divulgação/Acervo do projeto

Além de professora de ensino fundamental e médio licenciada em ciências biológicas, Carla Carolina dos Santos também é doutoranda em Farmacologia e Bioquímica pela Universidade Federal do Pará (PPGFARMABIO). Ela e mais 13 voluntários (estudantes de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado) integram o projeto Cientistas nas Escolas, que tem como objetivo levar a ciência desenvolvida dentro da universidade para as salas de aula da educação básica, da educação infantil e do ensino médio. Para acessar esse público, o projeto desenvolve atividades e visitação em forma de circuito, proporcionando o aprendizado de conceitos científicos de forma prática e emocionante. 

“A sociedade como um todo, quando imagina um cientista, pensa naquele químico fazendo poções ou em uma pessoa com muita inteligência, uma coisa fora da média. A maioria não vê o conhecimento científico como algo que faz parte da vida deles. Por isso, cada vez mais, a gente precisa se aproximar da comunidade, inclusive para evitar casos como os que aconteceram durante a pandemia do Covid-19, quando a ciência foi descredibilizada justamente no momento em que se fazia mais necessária. Eu acho que esse é o principal papel do projeto de extensão: aproximar a universidade da sociedade”, explica Lílian Amado, professora da UFPA e coordenadora do Laboratório de Ecotoxicologia da UFPA (LABECOTOX/ICB), o principal grupo organizador do projeto.

Desde que surgiu, em 2022, no contexto pós-pandemia, o grupo já visitou mais de uma dezena de escolas – públicas, privadas, urbanas e ribeirinhas. Entre as temáticas mais abordadas durante as visitações, estão a ciência aquática e a educação ambiental, com as quais faz-se múltiplos paralelos dentro dos conteúdos da Biologia e da Ecotoxicologia.

Ensina-se, por exemplo, sobre fenômenos como a pesca fantasma, que ocorre quando pescadores perdem ou abandonam seus equipamentos nos oceanos e rios, e esses equipamentos abandonados continuam capturando espécimes e colocando em risco a vida aquática. Nesse sentido, a Organização Proteção Animal Mundial estima que, só em águas brasileiras, 25 milhões de animais marinhos são impactados pela pesca fantasma por ano.

Foto: Divulgação/Acervo do projeto

O grande diferencial do Cientistas nas Escolas, no entanto, é a metodologia de ensino. Além das visitações ocorrerem em grupo, os integrantes do Cientistas nas Escolas também levam consigo animais taxidermizados (popularmente conhecidos como animais “empalhados”), fósseis, lupas profissionais e outros equipamentos. Segundo Carla e os demais integrantes do grupo, os materiais científicos aliados às explicações geram um interesse muito maior nos estudantes.

Leia também: Jogo educacional criado no Pará facilita ensino de Ciências a estudantes com TEA

Isso é possível graças aos parceiros do projeto, que cedem seus materiais para as exposições da equipe, como: o Museu de Zoologia da UFRA (MZUFRA), o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Norte (CEPNOR) e o Laboratório de Pesquisa em Monitoramento Ambiental Marinho (LAPMAR). 

“Quando eu pego o livro e falo ‘lê uma página daqui até ali’, eles vão ler, mas eles não veem como aquilo se encaixa na vida deles. Geralmente, o primeiro contato que eles têm com uma lupa ou com organismos e animais taxidermizados, por exemplo, é durante as exposições do nosso projeto, principalmente quando a escola não tem estrutura para aulas de ciências que não sejam teóricas. [Nas exposições], quando eles botam o dedo na lupa e veem coisas que eles não conseguem ver a olho nu, a base da ciência, que é investigar, ter um olhar curioso, querer ir atrás de respostas, começa a fazer sentido para eles”, conclui a integrante Carla dos Santos. 

Como agendar uma visita

Para receber a visita do projeto Cientistas nas Escolas na sua associação, escola, evento ou comunidade, basta entrar em contato via e-mail, pelo endereço lla@ufpa.br, ou pela DM do perfil @labecotoxufpa no Instagram. Em função das limitações de mobilidade do grupo, a escola solicitante deve estar, de preferência, na Região Metropolitana de Belém ou em cidades próximas. O grupo também está aberto para propostas de parcerias. 

*Com informações da UFPA

A difícil arte de montar e fazer parte de um time

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Conceitualmente, há diferenças entre um grupo de pessoas, uma equipe e um verdadeiro time. A classificação como grupo pode envolver um amontoado de pessoas, cada uma com seus interesses e remando para um lado. Em uma equipe, pelo menos, os interesses gerais são comuns. Mas é em um time que todos estão comprometidos com os mesmos objetivos, vivenciam os mesmos valores e são capazes de se sacrificar para o sucesso do todo. Não é fácil formar um time.

Um bom líder pode contribuir muito. Não faltam exemplos de times vencedores, nos esportes e nas empresas, que tiveram como referência uma ou algumas pessoas que exerceram esse papel e que conseguiram fazer com que indivíduos diferentes trabalhassem por um mesmo ideal.

É possível estudar técnicas de liderança alcançáveis por qualquer pessoa que se dedique a estudá-las e a treiná-las, mas não é possível formar grandes líderes exclusivamente pela técnica. Há uma força no líder que vem do caráter, da sinceridade, da capacidade de tirar de algum lugar a palavra certa, para a pessoa certa, da maneira certa, no momento certo. Um grande líder não nasce pronto; ele é formado pela vida. O estudo será um importante complemento, um tempero de retoque final.

Um bom líder não é suficiente para formar um time. Nem o melhor líder tem esse poder. Um time é formado por pessoas, e é o seu conjunto que se transformará em um novo ser, com identidade, personalidade e corpo — exatamente o que ocorre com uma empresa ou uma organização de qualquer tipo. Esse ser é diferente do somatório das partes. Em um time, ele será maior e melhor.

Em uma equipe ou em um grupo, existirão aqueles que jogarão para o conjunto, mesmo que ainda não tenham se tornado um time de verdade. São eles que fazem as coisas acontecerem e merecem todo o reconhecimento. No futebol, costumavam ser chamados de “carregadores de piano”.

Há, porém, os que jogarão contra e que são facilmente identificados. São elementos que estão sempre prontos para apontar defeitos nos outros, transmitir uma mensagem de ceticismo, serem críticos com as próprias conquistas do grupo e estimular uma atitude de oposição à liderança, normalmente de maneira velada. Costumam ser tomadores e colocam seus interesses sempre em primeiro lugar. Mais cedo ou mais tarde, são identificados e tendem a ser excluídos para o bem do conjunto.

Ainda nesses segmentos, entre os dedicados e os do contra, há uma categoria que, se não é negativa em si, também não é positiva. São os que balançam a cabeça, adotam o discurso oficial, porém, mais da boca para fora do que realmente sentido. Podemos chamar essas pessoas de neutras. Não são tomadores nem doadores, para utilizar uma linguagem do Adam Grant no livro Dar e Receber, aqui trazida para outro contexto. É aquele grupo de pessoas que participa de uma atividade voluntária, por exemplo, com as melhores das intenções. No entanto, no dia a dia, não sinaliza se leu ou não mensagens no grupo de WhatsApp; não responde aos e-mails ou às consultas; chega atrasado às reuniões, quando não falta; pode não aparecer no dia, porque algo está sempre acontecendo de última hora. É compreensível que elas estejam travando as suas próprias batalhas, mas como contar com essas pessoas? Como considerar que elas compõem um time?

Montar um time não é fácil. Fazer parte de um time também não. A reflexão que eu gostaria de deixar é: você se sente parte de um time, de uma equipe ou de um grupo? E o seu comportamento como participante, em qual dessas categorias se enquadra? O que fazer para melhorar?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Preservar a Amazônia é questão de segurança nacional, diz especialista

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Foz do Rio Amazonas, Amazônia. Foto: Enrico Marone/Greenpeace

A Amazônia é, historicamente, alvo de cobiça e interesse de estrangeiros. Europeus invadiram a região durante os séculos de colonização. Autoridades dos Estados Unidos cogitaram o mesmo em meados do século 19. No fim dos anos 1990, empresas japonesas chegaram a registrar patente do cupuaçu, fruto típico amazônico. Um caso de biopirataria.

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Especialista em defesa e segurança nacional, Mariana Plum não nega esse histórico de ameaças externas. Mas entende que o foco quase exclusivo do Estado nelas ofuscou as crescentes ameaças internas à biodiversidade, aos povos e aos conhecimentos da região.

Preservar a Amazônia é questão de segurança
Ribeirinhos da Amazonia. Foto Adriano Gambarini/ Insituto Mamirauá

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“Há inseguranças na Amazônia que afetam profundamente a nossa soberania e a de quem vive nela. Narcotráfico, tráfico ilegal, desmatamento, pesca ilegal e crime organizado transnacional. Esses são apenas alguns exemplos”, analisa a especialista.

“Facções criminosas vêm se alastrando de maneira assustadora. Crimes contra a floresta e infrações ambientais cresceram mais de 50% no último ano. A devastação da Amazônia está andando de mãos dadas com a criminalidade. Crimes que não geram nenhuma riqueza, não trazem desenvolvimento e não geram emprego”, complementa.

Mariana conversou com a reportagem da, onde se apresentou no TEDxAmazônia 2025. As falas acima fizeram parte da palestra. O evento reuniu lideranças indígenas, pesquisadores, ativistas ambientais e artistas, que apresentaram reflexões sobre emergência climática e defesa da floresta.

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Preservar a Amazônia é questão de segurança
Amazônia continental. Foto: divulgação

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Ela é diretora-executiva do Centro de Soberania e Clima, uma instituição de pesquisa que defende a Amazônia como tema central da política de segurança nacional. Tem no currículo trabalhos no Ministério da Defesa, no exército e na Escola Superior de Guerra.

Na entrevista, ela reforçou a necessidade de atuação integrada entre governos, instituições militares e sociedade civil na Amazônia. O argumento central é de que a floresta deve ser tratada como uma infraestrutura essencial à segurança nacional, que presta serviços indispensáveis à vida, como regulação climática, segurança hídrica, produção de alimentos e equilíbrio ecossistêmico.

“O que está em risco não é somente a floresta, é a capacidade do Estado de repetir os fundamentos constitucionais mais básicos de cidadania e dignidade humana. Todos esses dependentes do primeiro fundamento constitucional: a soberania. Onde o Estado não chega, o crime ocupa. E onde o crime se instala, a floresta, as pessoas e o futuro ficam sob ameaça”, disse Mariana.

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Mariana Plum, especialista em Defesa e Clima. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Reportagem: Durante a palestra, você citou que um dos problemas na preservação e defesa da Amazônia é a atuação fragmentada de órgãos e profissionais responsáveis. O que seria exatamente essa fragmentação?

Mariana Plum: Usei o termo no sentido de que a gente precisa colocar todas as organizações que têm um papel na região para trabalhar de maneira conjunta. E isso significa estabelecer um plano nacional para a Amazônia, para que todos consigam estar na mesma página e trabalhar em prol dos mesmos objetivos. Quando a gente não tem um plano nacional para a região, acaba que cada ator vai fazendo aquilo que considera mais importante. Nesse processo de falta de escuta e de conversa, em vez de você caminhar para o mesmo objetivo, os caminhos seguem separados e essa não é a opção mais eficiente para resolver as questões na região.

Reportagem: E quem são esses atores principais na Amazônia?

Mariana Plum: A gente tem que falar primeiro do governo federal, dos diferentes governos estaduais e municipais que precisam estar todos articulados. Mas também da sociedade civil, porque ela é muito importante, porque ela também é capaz de ver e propor soluções que os tomadores de decisão muitas vezes não conseguem. Falamos também da academia, das universidades, que fazem pesquisas profundas embasadas em ciência, em metodologias que podem contribuir para formulação de políticas públicas. E a gente precisa dos indivíduos, de quem está na floresta, porque são eles que sentem e vivem diretamente o que acontece ali.

Então, não é possível a gente fazer uma política sem incluir as vozes locais, entender diferenças e complexidades da região pelos olhos deles. Só assim para implementar políticas públicas que façam sentido, não sejam desconectadas da realidade, não sejam perda de vida, de dinheiro e de tempo.

Reportagem: Você também citou as Forças Armadas como protagonistas importantes nesse processo, principalmente em questões de defesa do território.

Mariana Plum: A gente normalmente não olha para as Forças Armadas como tendo um papel na preservação e proteção ambiental. Claro, o papel principal delas é proteger o nosso território, proteger de ameaças externas. Mas elas estão na Amazônia há tanto tempo, há tantos anos que essa parte de preservação ambiental já faz parte do dia a dia das Forças Armadas. 

Então, isso é uma coisa que a gente, quando criou o Centro de Soberania Climática, pensou: como é que a gente pode resolver os problemas da Amazônia sem incluir as Forças Armadas nessa tarefa? Infelizmente, o que a gente vê no Brasil hoje são divergências, polarizações. Temos que resgatar o que a gente sempre teve, que é a capacidade de dialogar criticamente mesmo com as divergências, porque a gente só cresce a partir dessas divergências.

A partir dessas diferentes percepções, construir convergências que façam a gente avançar no nosso propósito mais importante, que é preservar a Amazônia, garantir que as populações que vivem ali sejam respeitadas, tenham direitos humanos, cidadania, oportunidades e consigam crescer e acompanhar o desenvolvimento sustentável. 

Reportagem: E como integrar e reforçar essa atuação das Forças Armadas na Amazônia em um momento tão crítico para a instituição? Há uma crise de imagem e de confiança depois da tentativa recente de golpe de Estado, que teve participação de lideranças militares da ativa e da reserva.

Mariana Plum: Essa questão está relacionada com o próprio tema do TEDxAmazônia 2025, que fala sobre resgate. É tentar resgatar mesmo as boas ações que são feitas com diferentes atores, o que inclui as Forças Armadas. Tentar focar no que é positivo.

Sem esquecer as coisas ruins, porque a gente aprende a partir do que é ruim, mas também focar naquilo que é positivo. Podemos crescer a partir das boas ações que já existem ali lideradas pelos militares. Mas para isso, a gente precisa voltar a conversar, a ter diálogo.

Reportagem: A COP 30 pode ajudar a ampliar essa percepção de que é preciso ter mais investimentos na Amazônia nesse setor de defesa?

Mariana Plum: Sem dúvida. Ano passado, a gente teve exemplos muito contundentes de como não se pode prescindir da participação das Forças Armadas em relação aos efeitos que a mudança do clima traz para o nosso país.

Vimos o que aconteceu no Rio Grande do Sul, as queimadas no Pantanal, a seca na Amazônia. Em todos esses exemplos, as Forças Armadas foram uma presença essencial, porque elas têm meios, porque elas têm capilaridade, porque elas têm um número grande de pessoas. A missão principal das Forças Armadas é proteger o país contra ameaças externas. Mas elas também têm um papel secundário, que tem se mostrado cada vez mais relevante de atuar nas questões climáticas e ambientais.

Então, precisamos incluí-las na conversa, até para que consigam se organizar melhor em conjunto com os outros atores, em conjunto com a defesa civil, que, no caso de desastres, é quem tem a liderança no processo.

*A equipe de reportagem da Agência Brasil viajou a convite da Motiva, umas das principais apoiadoras do TEDXAmazônia. Fonte: Agência Brasil

Detran-RO orienta sobre a emissão da Permissão Internacional para Dirigir no exterior; entenda

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O Detran-RO disponibiliza dois canais para solicitação do documento. Foto: Banco de imagens

Viajar para o exterior é uma experiência empolgante, mas para quem pretende dirigir fora do Brasil, é essencial estar preparado com a documentação correta. A Permissão Internacional para Dirigir (PID) é um documento fundamental para motoristas brasileiros que desejam alugar um carro ou conduzir veículos em outros países. Para instruir os motoristas, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RO) orienta como funciona o documento, essencial para quem pretende dirigir veículos em viagens a outros países.

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A PID é um documento complementar à CNH brasileira. O documento tem o objetivo de permitir que motoristas habilitados no Brasil possam dirigir legalmente em outros países. Contém as mesmas informações da habilitação, mas traduzidas para vários idiomas, o que garante maior compreensão e aceitação pelas autoridades locais.

O governador do Estado, Marcos Rocha, avalia como positiva a divulgação dos canais de solicitação do documento, além de ser fundamental a explanação de como funciona o serviço. “É importante destacar as orientações do Detran quanto à Permissão Internacional para Dirigir. Dessa forma, contribuímos para que os motoristas estejam bem informados e possam viajar com segurança e tranquilidade, evitando transtornos e garantia do respeito às leis internacionais de trânsito”, completou.

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Canais de solicitação

Em Rondônia, o Detran-RO disponibiliza dois canais para solicitação do documento, sendo eles:

  • Presencialmente: comparecendo a uma Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) ou Posto Avançado (PA), que têm expediente das 7h30 às 13h30.
  • Online: através da Central de Serviços do Detran-RO, garantindo mais comodidade ao usuário.
Detran-RO orienta
Permissão Internacional para Dirigir é fundamental para motoristas brasileiros que desejam conduzir em outros países. Foto: Banco de imagens

Após a solicitação, o condutor deve efetuar o pagamento da taxa de emissão da PID, que atualmente está no valor de R$ 190,62. O prazo de entrega pode variar conforme a demanda e o meio de solicitação escolhido.

A diretora Técnica de Habilitação do Detran-RO, Aline Lima, ressalta que a PID não substitui a CNH brasileira. Portanto, o motorista deve sempre portar os dois documentos ao conduzir um veículo no exterior.

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Quem tem direito 

A PID pode ser solicitada por qualquer condutor que tenha uma CNH válida e regular. Para isso, é necessário cumprir alguns requisitos básicos:

  • Ter a CNH dentro do prazo de validade.
  • Não estar com a CNH suspensa ou cassada.
  • Estar em dia com as obrigações de trânsito.
  • Realizar a solicitação e efetuar o pagamento da taxa de emissão.

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Como solicitar

O diretor-geral do Detran, Sandro Rocha, explica que, além disso, a Permissão Internacional para Dirigir tem validade de três anos ou até o vencimento da CNH do motorista, prevalecendo o que ocorrer primeiro. Isso significa que, se a CNH expirar antes do prazo de três anos, a PID também perderá sua validade.

O documento é reconhecido em vários países, especialmente os signatários da Convenção de Viena sobre Trânsito Viário, que inclui grande parte da Europa, América do Norte e outras regiões do mundo. No entanto, é recomendável que o motorista verifique previamente as regras do país de destino.

É importante esclarecer que a PID só pode ser emitida no estado em que a CNH do condutor foi registrada. Caso a habilitação tenha sido emitida em outra federação, será necessário solicitar a transferência da CNH para Rondônia antes de iniciar o processo para aquisição da PID.

Rio que deságua no Amazonas é contaminado por lixão a céu aberto em cidade peruana

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Lixão do vilarejo peruano Islândia que fica ao lado de Benjamin Constant, no Amazonas. Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica AM

Na fronteira do Brasil com o Peru, um grave problema ambiental e de saúde pública preocupa moradores e autoridades do município de Benjamin Constant, localizado no interior do Amazonas. O lixo descartado irregularmente no vilarejo peruano de Islândia, conhecido como a “Veneza peruana”, forma um lixão a céu aberto em plena floresta amazônica e contamina as águas do Rio Javari, que deságuam em território brasileiro.

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Para ver de perto o lixão, só de barco. Todo material descartado fica represado por redes de pesca e troncos. Entre os resíduos há plástico, restos orgânicos e frascos de soro.

“É seguro afirmar que o potencial é muito grande dessa contaminação. Não sabemos se fica parado por causa dessa movimentação hídrica, mas algum tipo de contaminação existe, certamente”, afirmou Geise Canalez, pesquisadora em Ciências Ambientais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que vive na região.

Lixão a céu aberto em cidade peruana contamina rio que deságua no Amazonas. Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica AM

O fluxo do Rio Javari é em direção ao Brasil, e análises feitas por pesquisadores já apontaram a presença de altos níveis de coliformes fecais em pontos próximos à cidade brasileira.

“Altos índices de coliformes fecais, que é o primeiro alerta pra gente porque atinge diretamente a saúde humana”, reforçou a pesquisadora.

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Com a chegada da vazante, o lixo que hoje flutua nas águas do Rio Javarizinho, afluente do Rio Javari, vai ficar exposto em terra firme. Mesmo assim, sem um sistema de gestão adequado, o risco de contaminação permanece alto. E a preocupação da população também.

“A gente mora em frente ao rio, aí eu fico com medo”, desabafa Sofia Alves Ruiz, mãe de Luna Monalisa, de seis anos, que apresentou sintomas de contaminação recentemente.

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Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica AM

O que dizem as autoridades

De acordo com a Prefeitura de Benjamin Constant, o problema persiste há cerca de 20 anos. No entanto, a gestão municipal esclarece que não há capacidade para receber o lixo da cidade vizinha, mesmo que essa fosse uma alternativa.

“Cidade brasileira não pode receber resíduo de uma cidade estrangeira, só pode receber se tiver autorização do governo federal”, explicou Eike Andrade, subsecretário de Meio Ambiente. “A gente tem que ter o apoio do governo federal para a gente evitar esse problema e o apoio do governo federal e estadual, para a gente conseguir implantar dentro do nosso município um aterro sanitário”, completou.

Após ser procurado pela equipe da Rede Amazônica, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informou que Brasil e Peru mantêm um grupo de trabalho com ações na região de fronteira.

A pasta afirmou ainda que solicitou a inclusão do lixão de Islândia na pauta da próxima reunião do grupo, prevista para a semana que vem. O encontro deverá discutir fiscalização ambiental de resíduos sólidos.

Por meio de nota, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) informou que já realizou fiscalizações nos municípios de Benjamin Constant e Atalaia do Norte, e tem conhecimento do descarte irregular de resíduos em Islândia, no lado peruano da fronteira, área fora da jurisdição brasileira, mas que oferece risco ambiental aos rios Javari e Javarizinho.

Segundo o órgão, relatórios técnicos foram elaborados e encaminhados às autoridades federais competentes, e as prefeituras locais foram notificadas para adoção de medidas de remediação. Em Atalaia do Norte, uma fiscalização realizada no dia 5 de março de 2024 resultou na emissão de um relatório técnico e na aplicação de multa de R$ 200 mil à prefeitura por irregularidades no manejo de resíduos sólidos.

Em Benjamin Constant, o Ipaam notificou a gestão municipal nos anos de 2021, 2022 e 2023. Todos os documentos foram encaminhados ao Ministério Público Federal, que acompanha o caso.

Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica AM

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Já o Ministério Público Federal (MPF) informou que não há procedimento aberto especificamente sobre o lixão, mas ressaltou que denúncias podem ser formalizadas presencialmente na Procuradoria da República em Tabatinga ou pelo portal MPF Serviços.

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por sua vez, informou, por meio do promotor de Justiça Alison Almeida Santos Buchacher que apesar de não haver denúncia formal sobre a poluição com origem estrangeira, será instaurado um procedimento próprio para apurar a veracidade dos fatos. Caso confirmadas as irregularidades, serão adotadas providências junto ao município de Benjamin Constant para mitigar os danos à saúde da população.

Além disso, o promotor vai levar a demanda ao MPF para que sejam tomadas medidas em relação vilarejo peruano de Islândia.

O promotor também destacou que há uma ação civil pública em andamento relacionada ao lixão de Benjamin Constant, com o objetivo de regularizar a situação do descarte local.

*Por Ruthiene Bindá, da Rede Amazônica AM