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Prospera Sociobio: webinar orienta interessados em promover ações focadas em povos indígenas

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Seminário online será promovido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) realiza um webinar para apresentar e orientar as organizações interessadas no envio de propostas para o edital do Programa Nacional de Sociobioeconomia (Prospera Sociobio), nesta terça-feira (27), das 16h às 17h30 (horário de Brasília).

Lançado em 2025 durante a COP30, o programa traduz as diretrizes do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) em ações concretas nos territórios, com foco em povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares. 

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O encontro será promovido pelo MMA, em parceria com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e o Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW). O objetivo do edital é selecionar seis redes amazônicas para a criação de Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia, espaços estratégicos para fortalecer iniciativas locais, valorizar saberes tradicionais e impulsionar negócios comunitários sustentáveis. 

O webinar será aberto para organizações comunitárias, cooperativas, empreendimentos locais e instituições de apoio técnico e instituições de ciência, tecnologia e inovação. Representantes do MMA e da FAS apresentarão detalhes da proposta do edital, os objetivos dos núcleos, documentos necessários para submissão e realizarão esclarecimento de dúvidas. As inscrições para o webinar podem ser feitas AQUI.

Leia também: Amapá apresenta na COP30 plano que impulsiona a sociobioeconomia e o desenvolvimento do estado

Oficinas de Apresentação do Edital Prospera Sociobio em Altamira, no Pará. - Foto: Arquivo/FAS
Oficinas de Apresentação do Edital Prospera Sociobio em Altamira, no Pará. – Foto: Arquivo/FAS

O seminário online ocorre após as Oficinas de Apresentação do Edital Prospera Sociobio, realizadas entre 15 e 23 de janeiro de 2026, nos seis Territórios da Sociobioeconomia: Altamira, Macapá, Portel, Juruá-Tefé, Rio Branco-Brasileia e Salgado-Bragantino.

As inscrições para submissão das propostas seguem até 2 de fevereiro. Serão selecionadas organizações regionais diversas, com experiência e capacidade de oferecer um conjunto integrado de serviços para o fortalecimento do ecossistema local.

Acesse o edital de submissão no Prospera Sociobio AQUI. 

Leia também: Atlas da Bioeconomia Inclusiva revela panorama de dados das diversas regiões da Amazônia

Prospera Sociobio

O Prospera Sociobio integra a cooperação entre os governos do Brasil e da Alemanha para a implementação da Estratégia Nacional de Bioeconomia (ENBio), que estabelece como diretriz o estímulo a atividades econômicas sustentáveis que valorizem a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos da floresta.

O projeto é coordenado pela MMA, por meio da Secretaria Nacional de Bioeconomia (SBC), e implementado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com financiamento do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW). Iniciativa transforma as orientações do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) em medidas práticas implementadas diretamente nos territórios tradicionais.

Saiba mais: Entenda como a falta de clareza do conceito de ‘bioeconomia’ pode prejudicar a Amazônia

O edital busca selecionar organizações regionais diversas, com experiência e capacidade de oferecer um conjunto integrado de serviços para o fortalecimento do ecossistema de negócios sustentáveis para a ativação de seis Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia na Amazônia.

São aproximadamente R$ 70 milhões nesse primeiro edital, sendo que cada núcleo poderá receber até R$ 11,5 milhões. Podem se candidatar redes formadas por organizações da sociedade civil, negócios da sociobioeconomia, institutos de pesquisa, ensino e extensão, institutos de ciência, tecnologia e inovação, entidades de assistência técnica e extensão rural, instituições financeiras, entre outros.

O que é sociobioeconomia?

A sociobioeconomia é um dos quatro eixos do PNDBio (junto com Bioindústria e Biomanufatura, Biomassa, e Ecossistemas Terrestres e Aquáticos). Ela se concentra em promover um modelo de desenvolvimento que:

  • Integra saberes tradicionais e conhecimentos científicos para a gestão sustentável da biodiversidade.
  • Garante que comunidades locais, especialmente povos indígenas, quilombolas, extrativistas e agricultores familiares, sejam protagonistas e beneficiários das atividades econômicas.
  • Promove a justiça social, reduzindo desigualdades e ampliando o acesso a mercados, tecnologias e oportunidades econômicas.

*Com informações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança de Clima

Edital prorroga inscrições para restauração em terras indígenas

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O edital ‘Floresta Viva – Terras Indígenas’, que vai investir R$ 8,8 milhões em projetos de restauração ecológica em terras indígenas, foi prorrogado.

Agora, as organizações que queiram submeter propostas para esse edital poderão se inscrever até o dia 27 de fevereiro.

A chamada do edital é focada em projetos de recuperação ambiental que estejam aliadas ao fortalecimento econômico e social das comunidades indígenas e vai selecionar até quatro iniciativas que serão desenvolvidas nos estados de Mato Grosso, do Tocantins e Maranhão.

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Edital prorroga inscrições para restauração em terras indígenas
Povos indígenas na luta pelos direitos. Foto: Divulgação / Agência Pará

Os recursos são aportados pela Fundação Bunge, pela Agrícola Alvorada e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

As inscrições são feitas por meio do site do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), que é responsável pela gestão técnica e financeira do edital.

Dúvidas sobre o chamamento podem ser encaminhadas por meio desse link até o dia 7 de fevereiro.

*Com informações da Agência Brasil

Entenda o que é e como funciona uma rede de apoio

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Em momentos de dificuldade, ninguém precisa ficar sozinho. É nesse contexto que a rede de apoio se torna fundamental, reunindo pessoas, serviços e instituições que oferecem acolhimento, orientação e suporte emocional e social.

Muito se fala atualmente da importância de uma rede de apoio, mas nessas situações, é preciso entender e conhecer instituições e políticas públicas que auxiliem nas crises sociais das mais diversas causas.

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O projeto Bella Causa, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), foi criado com o intuito de reforçar a importância de iniciativas que promovam informação, orientação e oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional para mulheres vítimas de violência.

A rede de apoio é uma das ferramentas que ajudam essas mulheres:

Entenda o que é e como funciona uma rede de apoio

Leia também: Projeto Bella Causa leva orientações para mulheres vítimas de violência em Roraima

Bella Causa

O Projeto Bella Causa surgiu da necessidade de oferecer suporte a mulheres que enfrentam violência doméstica, proporcionando oportunidades para que resgatem sua dignidade e busquem crescimento pessoal e profissional.

É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da LB Construções e Engenharia, PauBrasil RR – materiais para construção e Governo de Roraima.

Bella Causa: confira como foi o primeiro dia do projeto em Roraima

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Foto: Willame Sousa

O projeto Bella Causa deu o ponto de partida nesta segunda-feira (26) em Boa Vista (RR). Realizado na Casa da Mulher Brasileira, o evento segue até o fim de janeiro com palestras, atividades educativas e diversas ações com foco no combate à violência contra a mulher.

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Na abertura, autoridades do Estado e representantes de entidades que defendem a causa participaram e contribuíram para a construção do projeto. E o principal: um grupo de mulheres engajadas em aprender e contar suas histórias.

“Eu acredito que hoje, com destaque, o projeto Bella Causa é onde a gente sabe que vai ter uma transformação na vida cotidiana, através da conscientização, através da capacitação”, comenta Denis Carvalho, especialista em projetos da Fundação Rede Amazônica (FRAM), realizadora do Bella Causa.

Leia também: Projeto Bella Causa leva orientações para mulheres vítimas de violência em Roraima

Para ele, o encontro representa um ponto de partida que revelou a força das mulheres: “Nós tivemos alguns depoimentos de mulheres que venceram, mulheres que estão em processo de superação. Eu acredito que o projeto Bela Causa vem com esse impacto com a sociedade de dar minimamente o poder de soltar a voz, de dar o seu grito de liberdade, e pode até ser um grito tímido, mas é um grito que vai dar o passo para a sua transformação como pessoa, como cidadã, como mulher”, principalmente como mulher, como mãe, como filha. Então, eu acredito que o Bela Causa, ele vai ser transformador e um lugar de acolhimento para essas mulheres”.

Confira alguns momentos do primeiro dia de encontros:

projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa
projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa
projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa
projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa
projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa
projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa
projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa
projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa
projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa
projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa

Bella Causa

O Projeto Bella Causa surgiu da necessidade de oferecer suporte a mulheres que enfrentam violência doméstica, proporcionando oportunidades para que resgatem sua dignidade e busquem crescimento pessoal e profissional.

É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da LB Construções e Engenharia, PauBrasil RR – materiais para construção e Governo de Roraima.

Comunidade quilombola em Rondônia é um dos poucos povos do Brasil autorizados a comer tartarugas e tracajás

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Comunidade Quilombola Pedras Negras é um poucos povos do Brasil autorizados a comer tartarugas e tracajás. Foto: Divulgação/WCS

Na Comunidade Quilombola Pedras Negras, às margens do rio Guaporé, em Rondônia, a tradição alimentar resiste ao tempo: o consumo de tracajá e tartarugas-da-Amazônia segue como parte da identidade cultural local. Os quilombolas estão entre os poucos povos autorizados por lei a consumir esses animais silvestres para subsistência.

Reconhecida como uma das mais importantes populações tradicionais do estado, a comunidade integra a região de São Francisco do Guaporé (RO). Sua história se estende por mais de dois séculos e está ligada à formação do estado. De acordo com a professora e moradora da região, Erineide Rodrigues, o território é ocupado por descendentes de pessoas escravizadas.

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A legislação ambiental permite que comunidades tradicionais — como quilombolas, indígenas e ribeirinhos — consumam carne de alguns animais silvestres para subsistência. Mas há regras: o consumo deve ocorrer apenas dentro dos territórios e não pode haver comercialização. Os limites existem para evitar que a prática ameace a sobrevivência das espécies.

O tracajá (Podocnemis unifilis) e a tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa) são quelônios aquáticos muito populares na Amazônia. A segunda é considerada a maior espécie de água doce do mundo, podendo ultrapassar 50 quilos. Já o tracajá, de porte menor, se destaca pela resistência: pode alcançar até 90 anos de vida, sendo um dos quelônios de água doce mais longevos da Amazônia.

Leia também: Infográfico – Saiba quantas e quais espécies de quelônios existem na Amazônia

Tradição da comunidade resiste ao tempo

A Comunidade Pedras Negras é uma das sete quilombolas reconhecidas em Rondônia. Com aproximadamente 30 famílias, vive principalmente do extrativismo, da coleta de castanha, do turismo comunitário e da pesca.

Os moradores contam que, embora o tracajá e as tartarugas estejam bastante presentes na alimentação cotidiana, eles evitam consumir a carne desses animais quando recebem visitantes.

Segundo o presidente da associação de moradores, Francisco Edivaldo Mendes, a medida serve para evitar que pessoas que não pertencem às comunidades tradicionais consumam o animal. Isso porque o consumo dos animais silvestres é considerado crime ambiental para quem não depende dela.

Conunidade de Pedras Negras. Foto: Jonatas Boni/Acervo Rede Amazônica RO
Conunidade de Pedras Negras. Foto: Jonatas Boni/Acervo Rede Amazônica RO

Na culinária local, a tartaruga é preparada de diferentes formas: assada, cozida ou frita. Mas o aproveitamento do animal vai além da carne. Os moradores mais antigos utilizam também a banha. Ela é processada e transformada em um creme, usado de forma caseira para cuidados na pele.

Outro produto utilizado pela comunidade são os ovos. Eles servem para o preparo de gemada e bolos. Já o uso do casco, era tradicionalmente destinado à confecção de artesanato, mas práticas como essas vem sendo deixada de lado ao longo dos anos.

Fiscalização e mudança de comportamento

De acordo com o superintendente do Ibama, César Guimarães, a legislação ambiental permite o consumo de quelônios por comunidades tradicionais quando a prática ocorre de forma cultural, tradicional e para subsistência. No entanto, a prática tem diminuído muito.

Guimarães ressalta que, mesmo nos casos permitidos por lei, é fundamental respeitar limites, para que o consumo ocorra de forma ordenada, sem colocar a espécie em risco de extinção. “Não é porque a lei permite que a pessoa possa sair matando 100 tartarugas”, destacou.

Caso uma pessoa não autorizada seja flagrada com partes do animal, pode ser multada em R$ 5 mil por cada exemplar, além de responder criminalmente.

Segundo o superintendente, as ocorrências desse tipo vêm diminuindo ao longo dos anos. Por muito tempo, o consumo de tartarugas era comum no estado e chegou a ser considerado símbolo de status — cenário que, segundo ele, mudou com o avanço da fiscalização e conscientização ambiental.

Conservação e risco de extinção

Ao longo da vida, os quelônios enfrentam uma luta constante pela sobrevivência, principalmente na fase de filhote, quando sofrem ataques de aves, jacarés e grandes felinos. Segundo o biólogo Flávio Terassini, de centenas de ovos, apenas poucos indivíduos conseguem chegar à idade adulta.

Para contribuir com a conservação da espécie, foi criado em 1979 o Projeto Quelônios da Amazônia (PQA), coordenado pelo Ibama. A iniciativa atua na preservação das tartarugas de água doce da Amazônia por meio do manejo de ninhos, soltura de filhotes e ações de educação ambiental.

No sul de Rondônia, especialmente no Vale do Guaporé, na fronteira com a Bolívia, o projeto ganha destaque durante o período de desova, transformando a soltura de filhotes em um evento anual voltado à recuperação das populações ameaçadas e ao uso sustentável pelas comunidades locais.

No último balanço divulgado, referente a 2024, cerca de 1,5 milhão de tartarugas foram devolvidas à natureza. A estimativa é que, neste ano, o número seja semelhante.

Apesar do volume expressivo, levantamentos científicos apontam que, naturalmente, apenas cerca de 1,5% dos filhotes chegam à fase adulta. Com o manejo do projeto, essa taxa foi praticamente dobrada, alcançando aproximadamente 3% de indivíduos que atingem a idade reprodutiva.

Por Mateus Santos, da Rede Amazônica RO

Livro reúne décadas de história e pesquisas sobre o ecossistema de Várzea na Amazônia

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Um ecossistema que contribui para minimizar os impactos da crise climática, retém carbono e é fundamental para a subsistência das comunidades ribeirinhas. Assim é a várzea, ecossistema presente em toda a região amazônica.

O tema é a base do livro ‘Amazônia: as várzeas e as novas dialéticas’, lançado na quinta-feira (22) no auditório da biblioteca Lourenço José Tavares Vieira da Silva, na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), campus Belém, no Pará. O livro está disponível na versão impressa e digital, para aquisição na Editora Paka-Tatu. 

Leia também: Três florestas em uma? Conheça os tipos de vegetação da Amazônia

A publicação é a junção de vários estudos desenvolvidos dentro do “Projeto Várzea”, fundado em 1994, ainda na antiga Faculdade de ciências agrárias do Pará (FCAP).

O projeto foi fundado pelo professor Manoel Malheiros Tourinho e desenvolvia estudos a partir do ecossistema de várzea, presente em toda a região amazônica. 

“A várzea é um ambiente inundado que abriga diversas espécies vegetais e animais , e que funciona como um berçário de muitas dessas espécies. É de lá que muitas comunidades ribeirinhas retiram seu sustento. É um ecossistema importantíssimo na contribuição para estoque de carbono e para enfrentamento da crise climática”, explica o pesquisador Silvio Roberto Miranda dos Santos, organizador do livro e membro do Projeto Várzea. 

A obra foi construída por meio de colaboração entre pesquisadores e antigos colaboradores que passaram pelo projeto desde a sua fundação, sendo dividido em três partes e com onze capítulos onde cada um dos parceiros descreve os conhecimentos das pesquisas desenvolvidas por eles. 

Imagem: Reprodução/Editora Paka-Tatu

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No livro é possível ter acesso a estudos sobre gênese da formação da várzeas; a importância da várzea para retenção de carbono na vegetação e solo; a importância na fauna silvestre na composição do carbono desse ecossistema entre outros. 

O pesquisador diz que a ideia do livro surgiu a partir da publicação de um artigo em uma revista científica.

“Percebemos que nosso material era muito mais do que apenas um artigo. De imediato pensamos que poderíamos fazer uma cartilha, mas ele era bastante diverso, havia tanta coisa que partimos para a ideia de publicar tudo isso em um livro”, disse o pesquisador. 

Leia também: Você sabe a diferença entre Igapó e Várzea?

O livro também é uma homenagem ao fundador e professor emérito da Ufra, professor Manoel Malheiros Tourinho. 

“Ele é o fundador do projeto Várzea, atravessou décadas à frente do projeto e, até o hoje, no auge dos seus 85 anos, sempre se faz presente. Ele sempre contribui muito nas pesquisas e nesse livro não foi diferente, ele se faz presente em três, quatro capítulos, inclusive no capítulo do final. Por isso o lançamento do livro vai ser um momento para muitos pesquisadores que estão aqui, muitos que foram formados a partir das orientações do professor Tourinho, de fazerem também uma homenagem ao grande mestre”, diz.

O Projeto Várzea

O projeto surgiu com inspiração nos estudos desenvolvidos pelo professor Rubens Rodrigues de Lima na Escola de Agronomia da Amazônia (EAA) sobre as várzeas amazônicas e a riqueza presente nesses territórios. Atualmente o projeto é formado por um grupo de pesquisadores que criam estudos sobre esse ecossistema na amazônia.

O projeto ainda se mantém ativo na produção de conhecimento científico sobre a região, agora como Grupo de Pesquisa, fortalecendo os estudos amazônicos e contribuindo para a compreensão da riqueza e complexidade desses territórios.

*Com informações da Ufra

A floresta não é rótulo

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Extrativismo na Amazônia: floresta em pé também é economia. Foto: Laura Lobato/Projeto Saúde & Alegria

Olímpio Guarany*

A COP passou e a bioeconomia virou palavra de ordem. No pós-COP, porém, a Amazônia precisa de resultados: dinheiro chegando na ponta, valor agregado no território e respeito ao conhecimento ancestral. Sem isso, repetiremos o velho modelo — matéria-prima barata saindo daqui e “Amazônia” vendida caro lá fora.

A palavra da vez — repetida em palcos, painéis e documentos — foi “bioeconomia”. Os holofotes se apagaram e a pergunta que realmente importa aqui no território é simples e direta: bioeconomia vai virar renda, dignidade e permanência para quem mora e vive da floresta — ou será apenas mais um slogan bem embalado?

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A floresta não é rótulo
Foto: Reprodução/Embrapa

Se a resposta for a segunda opção, estaremos diante de um velho roteiro com roupa nova: a Amazônia segue exportando matéria-prima barata e importando produto pronto caro; segue fornecendo insumos e recebendo migalhas; segue sendo celebrada como “salvação do planeta”, mas tratada como periferia econômica.

A bioeconomia que interessa à Amazônia não é a do discurso bonito. É a da vida real.

O pós-COP precisa dar nome ao risco mais antigo: a captura de valor fora do território. A cena é conhecida. Uma empresa chega, compra a andiroba barata, leva embora o valor — e depois devolve ao mundo um produto premium com uma história “amazônica” no rótulo. Um pingo no creme, uma gota no perfume, um selo verde na embalagem. E pronto: vende-se “Amazônia” em prateleiras distantes, enquanto quem produziu continua preso à instabilidade, ao atravessador e à falta de infraestrutura.

Isso não é bioeconomia. Isso é extrativismo comercial disfarçado.

Bioeconomia de verdade é quando a floresta em pé gera riqueza no território, com mais etapas da cadeia produtiva acontecendo aqui: beneficiamento, controle de qualidade, rastreabilidade, marca, logística, acesso a mercado, inovação e industrialização leve. E, acima de tudo, com regras claras de repartição de benefícios quando houver uso de patrimônio genético e conhecimento tradicional associado.

No pós-COP, duas Amazônias disputam espaço. A primeira é a do marketing: bonita, fotogênica. A segunda é a Amazônia real: a do produtor, do extrativista, do ribeirinho, do indígena, da comunidade tradicional — os donos de conhecimentos ancestrais e os guardiões do território, que sustentam, na prática, a floresta em pé. Quando esses atores ficam no fim da fila do financiamento e do mercado, a bioeconomia vira uma promessa vazia.

E é por isso que o pós-COP precisa cobrar uma mudança de rota: financiamento direto e desburocratizado para quem está na base, e não apenas para grandes estruturas que “representam” a Amazônia sem necessariamente viver dela.

Bioeconomia com gente no centro: mulheres fortalecendo cadeias extrativistas. Foto: Laura Lobato/Projeto Saúde & Alegria

O que precisa acontecer agora?

De forma objetiva, a Amazônia precisa ver pelo menos cinco movimentos:

1) Dinheiro chegando na ponta
Linhas de crédito e fundos voltados a organizações comunitárias, cooperativas e negócios da sociobiodiversidade, com assistência técnica e capacidade de elaboração de projetos — para que o recurso não fique concentrado.

2) Cadeias produtivas com valor agregado e mercado
Apoio real a cooperativas, beneficiamento local, rastreabilidade e acesso a compradores — para transformar o “produto da floresta” em produto competitivo.

3) Economia circular como regra, não exceção
Resíduo não pode ser lixo. Resíduo é matéria-prima. A bioeconomia moderna exige aproveitar subprodutos e reduzir perdas, aumentando renda e diminuindo impacto ambiental.

4) Proteção do conhecimento tradicional e repartição de benefícios
Sem isso, o discurso de bioeconomia pode virar uma nova forma de apropriação. É indispensável garantir respeito, consentimento e repartição justa de ganhos sempre que a biodiversidade e os saberes tradicionais entrarem em cadeias produtivas e inovação.

5) Governança com as pessoas no centro
A floresta não é cenário: é território habitado. Bioeconomia não pode ser construída “sobre” as comunidades; tem que ser construída “com” elas — com protagonismo, transparência e justiça.

A Amazônia não precisa de mais promessas; precisa de uma régua simples para medir o que está sendo feito. Se, nos próximos meses, não for possível responder “sim” a estas perguntas, algo está errado:

  • O extrativista e o produtor estão ganhando mais?
  • A comunidade está vendendo com menos atravessador e mais valor?
  • O beneficiamento está acontecendo aqui ou fora?
  • O conhecimento tradicional está protegido e remunerado?
  • O financiamento chegou direto na ponta?
  • A floresta em pé está valendo mais do que a floresta derrubada?
Manejo comunitário da andiroba: renda no território e valor agregado. Foto: Laura Lobato/Projeto Saúde & Alegria

Conclusão: o pós-COP começa na dignidade

A bioeconomia que o mundo diz querer da Amazônia só faz sentido se produzir um resultado básico: dignidade e renda para quem mora e vive na floresta e da floresta. Sem isso, a Amazônia vira apenas uma marca — e o território, um fornecedor barato de riqueza alheia.

A COP passou. Agora é a hora do essencial: menos palco, mais entrega.
Menos narrativa, mais cadeia produtiva.
Menos “pingo no creme”, mais valor no território.

Porque a Amazônia real não pode ser coadjuvante da própria riqueza.

Cadeias produtivas: o desafio é capturar valor aqui — não só exportar matéria-prima. Foto: Laura Lobato/Projeto Saúde & Alegria

Leia também: COP30: o que revelou a primeira semana de negociações e o que o planeta pode esperar

Sobre o autor

Olimpio Guarany é jornalista, documentarista e professor universitário. Realizou expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru), por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes (Equador) no período 2020-2022 refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639). Atualmente é apresentador do programa Amazônia em Pauta no canal Amazon Sat.

*O conteúdo é responsabilidade do colunista

Estudantes usam cubiu para criar iogurte natural, sorvetes, caldas e frutas cristalizadas em Manaus

Cubiu foi a fruta escolhida para os estudos. Foto: Euzivaldo Queiroz / Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar

Inscritas na 3ª edição do programa Futuras Cientistas com projeto voltado à valorização de matérias-primas regionais, as estudantes Maria Gabriela Porto, do Centro de Educação de Tempo Integral (Ceti) Professor Sérgio Alfredo Pessoa Figueiredo, e Ana Luiza Neri, da Escola Estadual Cívico-Militar Ângelo Ramazzotti, em Manaus (AM), desenvolveram produtos como iogurte natural, sorvetes, caldas e frutas cristalizadas, a partir do cubiu, fruta típica da Amazônia.

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Coordenado e idealizado pela professora titular da faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Eyde Bonatto, o projeto “Futuras Cientistas no Desenvolvimento de Produtos Alimentícios na Amazônia” foi colocado em prática pelas estudantes Maria Gabriela e Ana Luiza, sob orientação da professora de Química da rede estadual de ensino, Alyne Ribeiro.

Leia também: Estudo analisa potencialidades das frutas no Alto Solimões

Uso do cubiu vai além do sabor

A partir do projeto, além do desenvolvimento de produtos alimentícios a partir do Cubiu, foram realizadas análises sensoriais, avaliando características sobre o sabor, aroma, textura, cor e aceitação dos alimentos, aplicando conceitos científicos e metodologias utilizadas na área de tecnologia de alimentos.

Para a orientadora Alyne Ribeiro, a iniciativa fortalece o protagonismo feminino na ciência, além de promover a integração entre escola e pesquisa, utilizando a biodiversidade amazônica como ferramenta de educação e desenvolvimento sustentável.

“Esse projeto vem justamente para gerar nas meninas a vontade de fazer ciência. Elas precisam saber que tem essa escolha. O ideal é que elas escolham participar desse projeto para gerar nelas ainda mais inspiração e interesse”, afirmou a professora.

Estudantes usam cubiu para criar novos produtos em Manaus
Experimentos com o cubiu, fruta amazônica, geraram novos produtos. Foto: Euzivaldo Queiroz / Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar

Desenvolvimento do projeto

Com atividades teóricas diárias, captação de dados para pesquisa em laboratório e diversas visitas à universidade, as estudantes tiveram a chance de aflorar o interesse pela pesquisa científica e o desejo de optar por um curso superior em uma das áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM).

“Com todas as pesquisas que fizemos, fui criando um interesse maior por Agronomia e Engenharia de Alimentos. Eu, particularmente, iria para uma área mais artesanal. Nunca pensei que meu sonho pudesse ser cursar algo nessa área, aqui na Ufam, mas agora é uma vontade que tenho”, compartilhou a aluna Ana Luiza, de 17 anos.

Segundo a estudante Maria Gabriela, 16, participar do projeto foi a porta de entrada para conhecer melhor áreas de estudo que são pouco ocupadas por mulheres no mercado de trabalho.

“É uma experiência totalmente nova porque não costumamos ter amplas possibilidades de participar de um projeto com essa temática, ainda mais sendo mulheres. Então, pra mim, é uma sensação completamente diferente”, declarou a aluna.

Futuras Cientistas: Alunas da rede estadual desenvolvem produtos alimentícios a partir de fruto regional
Estudantes seguem com a pesquisa com cubiu. Foto: Euzivaldo Queiroz / Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar

Futuras Cientistas

Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o programa Futuras Cientistas começou a ser realizado em 2012 pelo Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene). Desde 2023, acontece com abrangência nacional. A iniciativa busca estimular o contato de alunas e professoras da rede pública de ensino com as áreas de STEM, a fim de contribuir com a equidade de gênero.

A apresentação dos resultados finais dos projetos inscritos nesta edição do programa ocorre no dia 28 de janeiro. Ainda este ano, as alunas amazonenses serão convidadas a apresentar seu projeto na Semana Acadêmica de Agronomia da Ufam, realizada pela faculdade de Ciências Agrárias.

*Com informações da Agência Amazonas

“Riscos ambientais da pavimentação da BR-319”: o que há por trás?

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Foto: Reprodução/DNIT

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Soa como um renomado desaforo para o cidadão amazônida de boa fé e comprometido com o desenvolvimento da região as advertências do pesquisador Carlos Nobre, ao prever, no artigo “Pavimentar a BR-319 pode causar danos irreversíveis à Amazônia”, no qual alerta “que o desmatamento a ser causado pelo asfaltamento da estrada Manaus-Porto Velho poderá levar à perda de um milhão de hectares de florestas, com o desaparecimento de 550 árvores e palmeiras por hectare”.

Para ele, “num cálculo simplista e conservador, se isso ocorrer, sem a mudança do modo de ocupar a Amazônia, provocará prejuízo de mais de 100 bilhões de reais”. Nada mais falso e alarmante por uma simples razão: a rodovia existe desde 1978. Pode-se perfeitamente implementar medidas protetivas em relação aos entornos compartilhando projetos ambientais sustentáveis de produção de alimentos, incluindo da agricultura familiar, incentivados por recursos do Fundo Amazônia, de fundos multilaterais não comprometidos com pirotecnias ambientais ou com recursos orçamentários da União e estaduais.

As conclusões de Nobre e seu grupo são no mínimo insultuosas, depreciativas e distanciadas da realidade geopolítica e econômica da região, além de perdidas em obviedades sob qualquer ângulo que se examine a questão. Estradas, seja na Polinésia, na Europa, no Japão, na Malásia, no Vietnam, na China, na Austrália ou no continente americano implicam e haverão de implicar sempre em perdas de florestas do leito do sistema. Há como construí-las de outra forma? Haveria alternativas? Talvez em Marte ou na Lua, quem sabe.

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No planeta Terra, no mundo real, rodovias e ferrovias são essenciais para o desenvolvimento socioeconômico, atuando como principais modais de transporte para cargas e passageiros na maioria dos países, conectando regiões remotas a centros urbanos, além de facilitar o comércio internacional e a circulação interna, promovendo a integração regional. E para implantá-las, haverá sempre algum prejuízo ao meio ambiente no Brasil, na Amazônia ou em qualquer outro bioma. “No pain, no gain”.

Para os “salvadores” da Amazônia, a COP30 realizada em Belém do Pará em novembro passado representou uma oportunidade crucial para debater e encaminhar soluções capazes de proteger todos os ecossistemas do planeta, especialmente no que diz respeito à preservação dos limites ecológicos que sustentam a integridade da floresta amazônica e o bem viver de seus povos. Caminhões de propostas foram apresentadas por órgãos de diversas procedências e grau de interesse, aberto ou escuso. O mais importante, contudo, não se consumou: a formulação de planos, programas e projetos ancorados em recursos permitindo a implementação de intervenções públicas.

Ambientalistas são exímios críticos da questão ambiental, mas paupérrimos na formulação de propostas concretas de solução. A natureza, entretanto, os pune ao demonstrar que não, a terra não corre risco de destruição catastrófica decorrente da atividade humana. Os glaciais se recuperam, como neste rigorosíssimo inverno; as chuvas e tormentas se avolumam neutralizando a alegada desertificação das florestas tropicais, dentre as quais a amazônica eleita o principal alvo. Evidentemente, há fortes interesses por detrás dessas ondas alarmantes, e não são de comprometimento com a preservação da natureza, mas, sobretudo, conectados a fortes interesses econômicos internacionais relacionados às reservas minerais espalhadas pelo mundo, que se exaurem sugadas pelos grandes capitais, como na África e em outras pequenas repúblicas sul-americanas espoliadas até os ossos.

O problema em si não se resume às áreas subtraídas ou degradadas sem projeto de recuperação. Mas à ausência de políticas públicas de proteção do ecossistema ambiental desses espaços. De fato, nem o Ministério do Meio Ambiente (MMA), nem ONGs ambientalistas radicais, nem pesquisadores a elas vinculadas estão minimamente preocupados com as reivindicações do governo do Estado e da própria sociedade sobre exploração sustentável da biodiversidade, Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) ou regularização fundiária.

O que vale, efetivamente, são os interesses econômicos, no geral inconfessáveis, que defendem. Enquanto isso, ignora-se que o Amazonas detém cerca de 97% de seu território absolutamente preservado e que, conforme dados da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas – SDS), 54,73% (85.531.519,5 ha) do seu território de 1.559.146,876 km2 (155,9 milhões de hectares) configuram áreas protegidas, assim distribuídas:

  • Unidade de Conservação Federal (23.351.646,32 ha) – 14,97%;
  • Unidade de Conservação Estadual (18.808.342,39 ha) – 12,06%;
  • e Terra Indígena (43.195.986,77 ha) – 27,7%.

Há de se considerar, adicionalmente, que a BR-319 é cercada por verdadeira “barreira verde” interposta pelos governos federal e do Amazonas através de Unidades de Conservação (UCs) situadas ao longo de toda sua extensão de 875 km, no interflúvio Purus-Madeira, uma das regiões mais biodiversas e intocadas da Amazônia. De acordo com normas do MMA, as UCs visam oferecer garantias segundo os princípios de ordenamento territorial e conservação ambiental em relação ao Sul do Amazonas, abrangendo os municípios de Canutama, Humaitá, Lábrea e Manicoré, e de Porto Velho, capital de Rondônia. No total, são 28 unidades, sendo 11 federais, 9 do Amazonas e 8 de Rondônia, suficientes para assegurar a proteção do bioma em toda sua extensão. Basta que o poder público use de sua autoridade para fazer cumprir os dispositivos legais.

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Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Decreto federal oficializa criação da ZPE de Barcarena no Pará

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ZPE de Barcarena. Imagem: Divulgação/Agência Pará

Fruto de uma articulação técnica e política liderada pelo governo do Pará, por meio da Companhia de Desenvolvimento Econômico (Codec), o Estado alcançou um marco histórico para sua economia com a publicação do Decreto nº 12.823, de 22 de janeiro de 2026. A medida, assinada pelo governo federal, oficializa a criação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Barcarena.

O projeto, estruturado pela Codec em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) e o setor produtivo, posiciona o Pará como um player estratégico nas cadeias globais de valor.

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ZPE Barcarena

Localizada no Distrito Industrial de Barcarena, a ZPE compreende 271 hectares destinados a indústrias voltadas à exportação. O modelo operará sob regime aduaneiro especial, oferecendo incentivos fiscais, cambiais e administrativos.

A localização estratégica, integrada aos corredores logísticos da Amazônia, é um dos diferenciais competitivos assegurados pelo planejamento do Estado.

A consolidação da ZPE é resultado de um trabalho coordenado pelo governo do Pará, envolvendo a prefeitura de Barcarena, a Federação das Indústrias (Fiepa) e a empresa-âncora Bravo Metals.

A Codec atuou na linha de frente, reformulando o projeto para adequá-lo às normas atuais de energia e infraestrutura, além de conduzir o diálogo direto com investidores internacionais.

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Decreto federal oficializa criação da ZPE de Barcarena no Pará

Segundo o diretor de Estratégia e Relações Institucionais da Codec, Pádua Rodrigues, o decreto consolida um processo construído com base técnica e cooperação federativa.

“A criação da ZPE de Barcarena decorre de um trabalho consistente, que envolveu revisão do projeto, diálogo com o setor produtivo e alinhamento entre os entes federativos. Trata-se de um instrumento estratégico para inserir o Pará de forma mais qualificada na agenda da industrialização voltada à exportação”, afirmou.

Para o presidente da Codec, Lutfala Bitar, a iniciativa é um divisor de águas. “A ZPE de Barcarena cria um ambiente favorável para que a produção do Estado avance para etapas de maior valor agregado. É uma oportunidade concreta de transformar potencial econômico em desenvolvimento real”, afirmou.

Com o marco legal estabelecido, o Estado agora avança para as fases de licenciamento ambiental e execução das obras de infraestrutura.

Com a consolidação do marco legal, o empreendimento avança para as fases de atualização do projeto executivo, licenciamento ambiental, reforma de pórtico, construção da infraestrutura e edificações administrativas, além do alfandegamento, além de outras providências técnicas e institucionais necessárias e a preparação das condições para o início das obras de infraestrutura, fundamentais para a futura operação da ZPE sob o regime aduaneiro especial.

*Com informações da Agência Pará