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Instrumentoteca é uma das ferramentas que formam e incentivam novos talentos de Parintins; FOTOS

Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

O Centro Cultural de Parintins, mais conhecido como Bumbódromo, é um local de estímulo artístico que se tornou, em pouco mais de uma década, uma ferramenta importante para incentivar novos talentos na ilha tupinambarana.

Caprichoso e Garantido brigam na arena, mas em volta de toda a produção dos bois estão diversos artistas que passaram a contar com uma formação focada em auxiliar a profissionalização com a instalação do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, a primeira unidade mantida pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, fora da capital Manaus.  

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Entre os cursos de música disponibilizados estão teclado, violão, banda musical, musicalização, flauta, teoria, entre outros.

Confira como é o espaço que ajuda a formar as novas gerações de músicos no Amazonas e também para o próprio Festival de Parintins:

Coleção de instrumentos usados nas aulas do Liceu fica guardada na Instrumentoteca. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Normalmente a sala também pode receber visitas. Foto: Acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro/Cedida Foto: Acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro/Cedida
Além dos instrumentos musicais, equipamentos de audiovisual também ficam guardados no local. Foto: Acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro/Cedida
Foto: Acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro/Cedida
Foto: Acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro/Cedida
Foto: Acervo Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro/Cedida
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Foto: Diego Andreoletti/Amazon Sat
Durante o período do Festival, além de abrigar outros diversos equipamentos, o local fica fechado para as visitas. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Parintins para o mundo ver

O projeto ‘Parintins para o mundo ver’ é realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), correalizado pela Rede Amazônica e Amazon Sat, com o apoio de Amazônica Net, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC-AM) e Governo do Amazonas.

Ladainha do Garantido: entenda como a fé se tornou tradição no São João em Parintins

Foto: Aguilar Abecassis/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

Uma apresentação que já dura mais de oito décadas. A Ladainha (nome que se dá a uma reza cantada) do boi-bumbá Garantido, de Parintins (AM) é uma tradição se repete todos os anos, no dia de São João Batista, para cumprir a promessa feita por Lindolfo Monteverde ao santo de levar um boi para brincar na rua caso fosse curado de uma enfermidade ainda na juventude.

Leia também: Zeca Xibelão e Lindolfo Monteverde: os nomes por trás dos currais dos bois Caprichoso e Garantido

Mais do que um simples cântico, a ladainha representa a união entre religiosidade popular e resistência cultural, sendo uma manifestação que mistura fé, tradição e identidade cabocla. Sua origem remonta às raízes profundas da cultura ribeirinha amazônica e guarda vínculos estreitos com o sincretismo religioso e os rituais de devoção característicos do povo da região.

A palavra “ladainha” tem origem no termo latino “litania” e está historicamente ligada à tradição católica como um tipo de oração repetitiva, na qual se invocam santos e se pede proteção divina. Essa prática foi assimilada ao universo cultural do boi-bumbá na região amazônica durante o século XX, período em que os primeiros bois surgiam em apresentações nos quintais e nas comunidades, geralmente associadas a celebrações religiosas em homenagem a santos, com destaque para São João Batista, o mais venerado entre os santos juninos no Brasil.

Em Parintins, a fé popular sempre caminhou junto com as manifestações do boi, e a ladainha tornou-se uma parte fundamental desse ritual.

Leia também: A fé em São João que deu vida aos bois Caprichoso e Garantido em Parintins

No contexto do Boi Garantido, a tradição da ladainha teve início com Lindolfo Monteverde, fundador do boi vermelho e branco. Homem humilde e profundamente religioso, especialmente devoto de São João, Lindolfo costumava abrir as apresentações de seu boi com orações e cantos de caráter litúrgico, buscando proteção espiritual para o espetáculo e agradecendo pelas bênçãos recebidas, como a saúde dos brincantes e o êxito das celebrações.

Com o passar do tempo, esse momento passou a ser conhecido como a “Ladainha do Garantido” e foi consolidado como um dos marcos simbólicos do início oficial das apresentações do boi, como se lembra a filha de Lindolfo Monteverde, Maria Monteverde:

“A malária era uma doença que matava muitas crianças em Parintins, então quando meu pai adoeceu, minha avó falou para que ele se apegasse a algum santo. E ele escolheu São João Batista para se apegar e como três dias já se viu melhoras nele”.

A ladainha é entoada tradicionalmente nos ensaios gerais e no início das apresentações no Festival Folclórico de Parintins. Ela representa um momento de recolhimento e respeito, em que os brincantes, torcedores e a galera vermelha e branca se unem em oração. Mas no dia 24 de junho, dia de São João, os torcedores do Boi Garantido se reúnem no curral do Garantido, na Rua Lindolfo Monteverde, em Parintins, e de lá seguem por diversas ruas da cidade.

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Recepção na ladainha do Garantido

Para saber para onde o boi deve seguir, pessoas enfeitam suas casas e acendem fogueiras. Esses são os sinais para que o Tripa que comanda o Boi Garantido durante a Ladainha saiba onde deve ir.

O conteúdo da ladainha pode variar de uma edição para outra, mas, em geral, inclui invocações a São João e a outros santos populares, com súplicas por iluminação, proteção e coragem para enfrentar a disputa cultural que está por vir. Frequentemente, os versos também expressam gratidão por conquistas anteriores e formulam desejos de sucesso nas batalhas futuras, tanto no plano simbólico quanto no concreto.

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A ladainha é vista como um dos momentos mais aguardados pelos torcedores do bumbá vermelho e branco. Apesar da evolução do festival e do uso crescente de tecnologias cênicas avançadas, essa tradição se mantém viva como um símbolo de fé e pertencimento. É nessa hora que o Garantido reafirma suas raízes, fincadas na Baixa do São José e nos corações de todos os que amam o boi do coração na testa.

Trata-se de um gesto de resistência cultural, uma conexão com o sagrado e uma homenagem ao legado de Lindolfo Monteverde, nascida da religiosidade de um povo humilde e que traduz a essência de uma tradição que atravessa o tempo.

*Por Hector Muniz, do Portal Amazônia.

Fóssil de tartaruga gigante que viveu na Amazônia há 13 milhões de anos é encontrado no Acre

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Equipe formada por pesquisadores do Acre e de São Paulo atuam na expedição que encontrou o fóssil. Foto: Divulgação/Laboratório de Paleontologia da Ufac

Um grupo de pesquisadores do Acre e de São Paulo pode ter dado um importante passo na busca por registros de tartarugas gigantes que viveram na Amazônia há milhões de anos. Durante escavação às margens do Rio Acre, no interior do estado, a equipe achou um fóssil de uma tartaruga que viveu na Amazônia há cerca de 13 milhões de anos.

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O fóssil é um Stupendemys geographicus, um tipo de tartaruga que viveu no período Mioceno, época geológica que se estendeu de aproximadamente 23 milhões a 5,3 milhões de anos atrás. A equipe faz parte da Iniciativa Amazônia+10.

Os pesquisadores acreditam que a espécie tenha vivido entre 13 e 7 milhões de anos atrás na região onde hoje é o norte da América do Sul, na Amazônia.

A equipe está na localidade desde a última terça-feira (17) e tenta trazer o fóssil para a Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, capital acreana.

A região onde o fóssil foi encontrado é conhecida como Boca dos Patos, na cidade de Assis Brasil, que fica na Terra Indígena Cabeceira do Rio Acre, na divisa do estado acreano com o Peru.

Fóssil ficará no laboratório de paleontologia da Ufac para estudos. Foto: Edson Guilherme/Acervo pessoal

Com o nível do rio abaixo dos três metros nesta época, o percurso da área urbana até o local dura em média 5h, feito por barco e de carro. O fóssil já foi retirado da área de escavação e levado para um acampamento montado na região.

As equipes tentaram fazer o transporte em uma caminhonete, durante o último fim de semana, contudo, por conta do tamanho e peso, não possível e aguardam um caminhão da universidade ir até a localidade buscar o fóssil e trazer para a capital.

Ao Grupo Rede Amazônica, o professor de biologia da Ufac e coordenador do grupo, Carlos D’Apolito Júnior, falou da importância do achado.

“Nunca foi visto [um fóssil] assim tão grande, tão bem preservado, então, é um fóssil muito importante para entender a paleontologia da região aqui, os animais que viveram no passado”, disse.

O coordenador destacou que ainda não mediu e nem pesou o fóssil. “É uma tartaruga, a maior tartaruga de água doce que já existiu, não temos o tamanho exato dela ainda, mas na literatura, essa espécie chegava a mais de 3 metros de comprimento”, explicou o professor.

Achado em 2020

Em 2020, pesquisadores encontraram, no deserto de Tatacoa, na Colômbia, e na região de Urumaco, na Venezuela, um casco de 3 metros de comprimento e um osso da mandíbula inferior, que deu a eles mais pistas sobre a alimentação do animal.

Os primeiros fósseis da espécie foram descobertos na década de 1970. O professor, paleontólogo e membro do laboratório de paleontologia da Ufac, Edson Guilherme, relatou que o fóssil ficará no laboratório da universidade para estudos.

“Só existe uma carapaça completa dela descoberta na Venezuela, a outra descobrimos nesta expedição. Infelizmente, só estava a metade da carapaça. Com o que temos do fóssil será possível estimar o tamanho do animal após os estudos no laboratório”, complementou.

Leia também: Há 18 milhões de anos, megapantanal na Amazônia abrigava animais gigantescos

Pesquisa

A pesquisa é feita dentro do projeto “Novas fronteiras no registro fossilífero da Amazônia Sul-ocidental” financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Acre (Fapac) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O objetivo do projeto é fazer expedições em rios menos explorados e conhecidos, na região sul-ocidental amazônica, em localidades mais remotas, sobretudo no Acre, para prospecção e coleta sistemáticas de fósseis

A escavação na região é feita pelos pesquisadores Carlos D’Apolito, Ighor Mendes, Adriana Kloster, Francisco Ricardo Negri e Edson Guilherme, da Universidade Federal do Acre (Ufac); e Karina Alencar, Edson Jorge Pazini, Gabriel Barbosa, Annie S. Hsiou e Alessandro Batezzeli, da USP de Ribeirão Preto e Unicamp, respectivamente.

*Por Taiane Lima, da Rede Amazônica AC

Indígenas do Amapá participam de assembleia sobre ações emergenciais para segurança alimentar

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Assembleia com indígenas das aldeias Wajãpi no Amapá e representantes do governo do Amapá. Foto: Divulgação/GEA

Uma reunião entre indígenas do Conselho das Aldeias Wajãpi (Apina) e representantes do governo do Amapá foi realizada no dia 23 de junho para discutir ações emergenciais e políticas públicas para a segurança alimentar, além de assistência técnica nas aldeias.

Durante a reunião, foi anunciado o início da emissão do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), realizado pelo Instituto de Extensão, Assistência e Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap), além da entrega de 600 sacas de farinha e tapioca como forma de diminuir os impactos da praga da mandioca na região.

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Outra ação importante que foi divulgada durante a reunião, foi a apresentação da Política de Assistência Técnica e Extensão Rural Indígena (ATER Indígena), executada pelo Rurap, que conta com a atuação de cinco Agentes Socioambientais Indígenas (ASAs), capacitados e contratados pelo Governo do Estado para atuar diretamente no enfrentamento à crise nas aldeias. Esses agentes receberam certificados de capacitação durante o evento.

Um caminhão que vai ajudar na logística de comercialização da produção extrativista dos Wajãpi, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA Indígena), foi anunciado como nova aquisição.

‘Mel’ e ‘Açaí’: nomes foram escolhidos para filhotes de peixe-boi-da-Amazônia

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Campanha escolheu nomes para os filhotes de peixe-boi-da-Amazônia. Foto: Anselmo Affonseca/Arquivo pessoal

Dois filhotes de peixe-boi-da-Amazônia, espécie símbolo e ameaçada da região, ganharam os nomes ‘Mel’ e ‘Açaí’ após votação on-line realizada com o público. Com 48% dos votos, os nomes escolhidos fazem referência a alimentos tradicionais da Amazônia.

A ação teve como objetivo envolver a sociedade na preservação da biodiversidade amazônica e dar visibilidade ao trabalho de conservação da espécie.

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Os filhotes nasceram no Centro de Preservação e Pesquisa de Mamíferos e Quelônios Aquáticos (CPPMQA), localizado próximo à Usina Hidrelétrica de Balbina, em Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas. O centro está em atividade desde 1985 e é responsável pela reabilitação e monitoramento de peixes-bois e outras espécies ameaçadas da região.

Leia também: Filhote de peixe-boi nasce em centro de preservação no Amazonas após 5 anos sem registros

A votação ocorreu por meio de um perfil no Instagram (@eletrobrasoficial), onde o público podia escolher entre três duplas de nomes: Morena e Carabá; Amana e Porã; e Mel e Açaí, sendo esta última a mais votada.

Centro de Preservação e Pesquisa

Mantido pela Eletrobras, o CPPMQA faz parte de um programa de conservação ambiental que, em 2024, contou com investimentos de R$ 269 milhões em projetos de proteção a 92 espécies ameaçadas em todo o país.

Atualmente, 46 peixes-bois vivem no CPPMQA, que em 2024 reintroduziu cinco animais na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, em parceria com a Associação Amigos do Peixe-boi (AMPA). O trabalho é fundamental para a sobrevivência da espécie, que é considerada vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

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Efeitos negativos de queimadas e extração de madeira sobre ecologia da Amazônia perduram por décadas, mostra estudo

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Foto: Reprodução/Greenpeace

É na pequenez das sementes que residem as grandes árvores das florestas de amanhã. E, no caso das árvores mais grandiosas dentre todas – aquelas que compõem as florestas tropicais, como a Amazônica –, este futuro também depende dos animais. Nestes biomas, até 90% das espécies vegetais necessitam das interações com animais para completar seu ciclo de vida. No caso da maior floresta tropical do planeta, a lista de espécies que se alimentam dos seus frutos carnosos inclui de aves a primatas e morcegos, o que torna essas relações ecológicas absolutamente fundamentais para a preservação do bioma.

Estas relações são objeto de estudos atentos por parte dos ecologistas. Mas, no caso da Amazônia, outros importantes fenômenos, como as queimadas constantes e a retirada massiva de árvores, têm ocorrido de forma crescente desde os anos 1990. Estas mudanças tornam mais complexo o quadro da interação entre as espécies, obrigando os estudiosos a mergulharem em pesquisas minuciosas para entender o que, de fato, está ocorrendo no dia a dia da serrapilheira amazônica.

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A bióloga Liana Chesini Rossi dedicou sua pesquisa de doutorado, cursado no Programa de Ecologia e Biodiversidade do Instituto de Biociências da Unesp, Câmpus de Rio Claro, para investigar até que ponto a frequência maior de queimadas e a extração de madeira estão impactando as interações de frugivoria (nas quais animais se alimentam de frutos das plantas e depois dispersam as sementes em suas fezes) na Amazônia. Rossi atualmente é pós-doutoranda no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e os resultados do estudo foram divulgados em um artigo publicado na revista Oikos.

“É a primeira vez que um estudo produz uma avaliação tão abrangente no campo das interações ecológicas — no caso, frugivoria — para a Amazônia”, explica Rossi. “E é pioneiro em examinar os efeitos, em um prazo mais longo, do fogo sobre essas interações em florestas tropicais”, diz.

A pesquisa também está inserida no Programa de Monitoramento Ecológico de Longa Duração do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no âmbito do projeto coordenado pela Rede Amazônia Sustentável.

Esperava-se, diz ela, que o estudo constatasse a ocorrência de impactos negativos sobre a biodiversidade em áreas que foram incendiadas ou onde ocorreu alguma extração de madeira. A gravidade dos dados finais, porém, superou as expectativas. “O estudo mostra que, mesmo passados 20 anos, as interações observadas ainda são simplificadas. Envolvem menos espécies, e elas interagem menos entre si”, explica. “Isso é preocupante, porque essas interações são fundamentais para a regeneração e a consequente manutenção da floresta.”

A investigação abrangeu mais de 1.500 horas de observações focais, além de 30 mil horas de monitoramento por armadilhas fotográficas situadas na região da Amazônia brasileira (veja abaixo vídeos capturados nas armadilhas fotográficas).

Nas áreas impactadas há quase 20 anos, constatou-se, em média, uma redução de 16% nas espécies de frugívoros e um declínio de 66% no número de interações de frugivoria. As mudanças na composição da fauna incluem até o desaparecimento de diferentes espécies, como o pássaro cujubi (Aburria cujubi), o primata coatá-de-testa-branca (Ateles marginatus) e a anta (Tapirus terrestris), fato que chamou a atenção dos cientistas.

O foco da pesquisa recaiu sobre quatro classes de floresta: intacta, explorada, explorada e queimada há 17 anos (queimada 17 anos antes da amostragem) e explorada e queimada há 3 anos (contados antes da amostragem). As florestas intactas sustentaram um número significativamente maior de espécies e interações em comparação com as florestas exploradas e queimadas há 17 anos, e resultaram em números semelhantes às florestas apenas exploradas ou exploradas e queimadas há 3 anos (veja arte abaixo).

O esforço de campo da equipe de investigação resultou em um conjunto de dados bastante robusto. No total, foram registradas  4.670interaçõesdefrugivoria, envolvendo 991 associações únicas entre 165 espécies de plantas e 174 espécies frugívoras. A grande maioria das relações ecológicas (86%) se dá em ambiente arbóreo, enquanto apenas 14% foram observadas no solo. Do total de frugívoros, 146 foram identificados como espécies de aves, responsáveis por 3.665 interações (78,5%), enquanto 28 eram espécies de mamíferos, que realizaram 1.005 interações (21,5%).

Do lado vegetal, as espécies mais frequentemente envolvidas em interações com frugívoros foram Coussapoa tessmannii (Urticaceae, 9,7%), seguida por Ficus morfotipo 1 (Moraceae, 8,7%), Brosimum acutifolium (Moraceae, 7,1%) e Miconia pyrifolia (Melastomataceae, 5,3%). Os animais frugívoros mais observados incluíram três espécies de aves: Ceratopipra rubrocapilla (cabeça-vermelha, 8,9%), Ramphastos vitellinus (tucano-de-bico-canal, 5,1%), Ramphastos tucanus (tucano-de-peito-branco, 3,9%) e Pteroglossus bitorquatus (aracari-de-pescoço-vermelho, 3,9%), além de um mamífero, Dasyprocta leporina (cutia-de-rabo-vermelho, 4,3%).

“Além de empobrecer a biodiversidade nas florestas que foram queimadas, a ausência dessas espécies também priva algumas plantas de seus principais dispersores de sementes”, diz o biólogo Marco Aurélio Pizo, investigador principal do estudo e professor do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro. “Isso pode comprometer a estrutura e a continuidade das populações vegetais a longo prazo.”

Segundo Rossi, apesar de os processos de enfraquecimento ecológico da Amazônia serem familiares aos grupos que estudam a região, alguns dados se mostraram surpreendentes.

“Esperávamos encontrar um forte empobrecimento nas redes de frugivoria naquelas florestas que sofreram queimadas recentes, com um menor número de espécies e menos interações. Isso, no entanto, não se confirmou de forma tão clara quanto imaginávamos”, diz ela. “Porém, observamos mudanças significativas na composição das espécies que habitavam as áreas estudadas e no tipo de interações envolvidas, em especial naquelas áreas que passaram por corte seletivo e queimadas mais recentes.”

Essa percepção sugere que, embora o número total de interações possa parecer semelhante, a identidade das espécies envolvidas e o modo como elas interagem já estejam mudando, o que pode acarretar consequências importantes para o funcionamento ecológico dessas florestas.

Qual o futuro da floresta?

Qualidade, além de quantidade, é fundamental quando se analisa a ecologia das florestas. É por isso que, no caso específico do ambiente amazônico, uma tese apresentada ao mundo nos anos 1990 pelo cientista Carlos Nobre continua sendo evocada, tanto nos meios de comunicação quanto nos congressos e artigos científicos. Esta tese apresentava a possibilidade de que o desmatamento excessivo pudesse comprometer a capacidade da floresta amazônica em regenerar e recompor sua vegetação, alcançando um ponto de não retorno que comprometeria a continuidade do bioma da forma como o conhecemos hoje.

Desde então, a combinação de mudanças climáticas globais e ações antrópicas vem se articulando em uma sinergia cada vez mais robusta a favor da transformação definitiva da floresta e de uma caminhada para o temido ponto de não retorno. O novo estudo permite trazer mais elementos para esse debate, apresentando uma conexão importante e preocupante com a noção do ponto de não retorno, ao revelar que, ainda que a estrutura geral das redes de interações se mantenha, a perda de espécies e de interações pode indicar um empobrecimento funcional dessas florestas. “Embora nosso trabalho não tenha como foco direto os chamados tipping points, os pontos de não retorno, os resultados sugerem que essas florestas podem estar se tornando mais sensíveis a novos distúrbios”, diz Rossi.

A desconexão que ocorre, portanto, entre as plantas e as espécies animais que se alimentam de seus frutos ajuda a fomentar um dos pilares centrais do conceito do ponto de não retorno. Se os níveis de desmatamento e degradação da Amazônia atingirem certos patamares, mostram vários estudos sobre o tema, a floresta perderá a capacidade de se sustentar, independentemente de quaisquer iniciativas posteriores no sentido de mitigar a perda de cobertura vegetal.

Essa degradação ecológica poderia empobrecer a biodiversidade em vastas áreas da floresta tropical, o que traria implicações devastadoras não apenas para a região, mas também para o clima global. Para esboçar um quadro do aspecto que teria essa Amazônia sem a floresta, algumas pessoas recorrem ao termo savana. Mas não é uma descrição lá muito precisa: uma Amazônia sem floresta se mostraria muito mais pobre, tanto em termos de fauna quanto de flora, do que uma savana.

Seca e calor preocupam

Outras descobertas recentes fundamentam a preocupação com a possibilidade de que o ponto de não retorno esteja se aproximando. Uma delas é a constatação de que, nos últimos anos, vem se ampliando a duração da estação seca no sul da Amazônia. É nesta região que está situada boa parte do chamado Arco do Desmatamento, termo cunhado para delimitar um vasto segmento do bioma amazônico onde a devastação avança em ritmo acelerado há décadas.

Carlos Nobre, um dos maiores climatologistas brasileiros, e que se dedica a estudar a resiliência amazônica há 30 anos, prevê um futuro complicado caso a tendência se mantenha. “Atualmente, a estação seca em algumas regiões da Amazônia aumentou em até cinco semanas. Se esse prolongamento continuar, a floresta não sobreviverá a secas que durem mais de seis meses”, diz ele.

Os dados científicos recentes, gerados a partir de pesquisas conduzidas em diversas áreas do bioma, delineiam um cenário ainda mais perigoso, porque a combinação de desmatamento e aquecimento global exacerba os problemas.

Até hoje, por volta de 18% da área da floresta já foram devastados por completo. Quando se somam também os terrenos degradados, chega-se ao percentual de 20% da área do bioma com alterações. Estudos multidisciplinares mostram que, se o desmatamento alcançar 25% da área e o aquecimento global ultrapassar a média global em 2 °C, grande parte da floresta entrará em um ciclo de autodestruição. Se tais condições se concretizarem, as projeções apontam que o ponto de não retorno será alcançado em 25 anos.

As pesquisas sugerem que os efeitos extremamente danosos não se restringirão apenas à Amazônia: devem espalhar-se por toda a América do Sul, como um efeito dominó — em especial, por meio da interrupção do fenômeno conhecido como “rios voadores”, os fluxos de vapor d’água que circulam da Amazônia para outras regiões do continente.

Leia também: Portal Amazônia responde: O que são os rios voadores?

A floresta, nas regiões onde ainda está preservada em sua exuberância original, funciona como uma bomba d’água ativa, que exala umidade para a atmosfera. Esses grandes canais aéreos de vapor são responsáveis por levar umidade para o Cerrado e a Mata Atlântica. A área de influência da Amazônia chega ao Sudeste do Brasil e a partes da Argentina, do Paraguai e do Uruguai.

E sem essa umidade do norte do país, os demais biomas do continente se tornarão certamente mais secos, enfrentando estações com prolongada ausência de chuvas e temperaturas mais altas. Essas alterações colocariam sob ameaça não apenas a biodiversidade do país, mas também sua agricultura. Todo o agronegócio brasileiro, concentrado no Cerrado, estaria, portanto, sob risco.

As mudanças climáticas em curso em todo o planeta – e, no caso específico da Amazônia, o efeito antrópico cada vez mais presente – geram sinergias potencialmente maléficas para todo o ecossistema, como sustentam os autores do artigo publicado na Oikos.

“De um lado, encontramos uma alta diversidade de espécies de plantas, espécies frugívoras e suas interações entre todas as áreas de estudo, bem como dentro e entre as classes florestais, principalmente impulsionada pela substituição de espécies. Mas as florestas exploradas e queimadas há 17 anos apresentaram a composição de interações mais distinta em comparação com as florestas intactas. Nosso estudo fornece evidências inéditas de que distúrbios antrópicos, especialmente a extração seletiva de madeira e os incêndios florestais, afetam negativamente as interações de frugivoria nas florestas amazônicas. Esses efeitos podem persistir por anos após os eventos iniciais de distúrbio e podem ser agravados devido ao aumento previsto dos incêndios florestais impulsionado pelas mudanças climáticas”, afirma Rossi.

O fato de algumas das relações entre animais e vegetais analisadas por Rossi e seus colaboradores envolverem espécies ameaçadas de extinção é outro sinal de alerta importante. O estudo flagrou interações, por exemplo, com a Lepidothrix iris (uiraçu-de-coroa-azul), classificada como Vulnerável pela ONG União Internacional para a Conservação da Natureza — que monitora o risco de extinção de espécies —, encontrada em florestas Intactas e Exploradas. Além disso, as espécies Aburria cujubi (jacupiranga, Vulnerável), Penelope pileata (jacuguaçu-de-coroa-branca, Vulnerável) e Ateles marginatus (macaco-aranha-de-cara-branca, Em Perigo) foram observadas em florestas Intactas, Exploradas e Exploradas e queimadas há três anos (IUCN, 2024).

A corrida contra o tempo para que as ações antrópicas contra o meio ambiente não se tornem irreversíveis dentro do contexto amazônico se impõe cada vez mais. “Menos interações resultam em uma diminuição no processo de dispersão de sementes, levando a uma regeneração florestal mais lenta, o que pode aumentar a suscetibilidade da floresta ao fogo e agravar ainda mais a perda de interações. Os dados reforçam que o tempo de recuperação dessas áreas pode ser maior do que se imaginava. Esse cenário é preocupante, especialmente diante das previsões de continuidade ou intensificação de distúrbios recorrentes, como queimadas e extração seletiva de madeira”, diz Rossi.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unesp, escrito por Eduardo Geraque

Abaetetuba, no Pará, já confirmou 276 casos de Doença de Chagas em 2025

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Foto: Divulgação/Fiocruz

De janeiro a abril deste ano, o serviço especializado em Doenças de Chagas de Abaetetuba, no Pará, já confirmou 276 casos da forma crônica da doença, aquela que não apresenta sintomas imediatos. Outros 272 casos estão em investigação.

Leia também: Mudanças climáticas podem ampliar área de risco da Doença de Chagas na Amazônia

Profissionais de saúde apontam a ligação direta entre o clima, o desmatamento e a exposição da população aos barbeiros, vetores da doença. Fagner Carvalho é médico com especialização em infectologia, professor da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Abaetetuba e coordenador do serviço especializado em Doença de Chagas no município. Ele comenta a situação.

“Porque a Doença de Chagas é causada por um parasita, transmitida principalmente pelo barbeiro, que é um inseto que vive nas áreas silvestres, mas pode se aproximar das casas, especialmente quando o ambiente natural que ele vive ele é derrubado. E as mudanças climáticas, o aumento da temperatura, o desmatamento e alterações, com o clima da chuva, faz com que esses insetos se espalhem mais facilmente para os locais onde antes não tinham áreas para sobreviver, as áreas urbanas. Então, a gente tá tendo um aumento muito grande do parasita convivendo em área urbana. Além disso, as enchentes, as queimadas, elas desorganizam todo o ambiente”.

Além do aumento de vetores, o consumo de alimentos contaminados como açaí mal higienizado também contribui para a transmissão da doença.

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De acordo com o médico infectologista Fagner Carvalho, a maioria dos casos registrados na Amazônia atualmente tem origem nesse tipo de contaminação, agravada pelo modo de produção em áreas ambientalmente fragilizadas. Ele comenta as ações de combate do vetor.

“Em casos relacionados há um aumento do consumo de açaí que é associado à transmissão oral. Mas vale lembrar que nem sempre é só a transmissão oral que vai fazer a transmissão do parasita. E como é que a gente trabalha aqui no município? Abaetetuba, depois do projeto Integra Chagas, está em andamento, um projeto coordenado pela Fiocruz do Rio de Janeiro, onde foi feito a testagem rápida dos pacientes para Doença de Chagas crônicas, observou um aumento muito grande dos pacientes que positivaram, mesmo estando sem sintomas. E, através disso, a secretaria criou um serviço de Doença de Chagas dentro do SUS, no município de Abaetetuba e um serviço que vai integrar três principais grandes áreas. Primeiro, nós atendemos os pacientes que são diagnosticados, confirmados, acompanhando os exames desses pacientes com eletrocardiograma; depois nós trabalhamos junto com a atenção básica, apoiando os profissionais médicos que estão na atenção básica, ajudando o diagnóstico, capacitando esses profissionais; e também a gente atua junto com a vigilância epidemiológica para investigar os casos onde há surto de doença de chagas agudas, principalmente nas zonas rurais, nas zonas ribeirinhas”.

Para discutir os impactos das mudanças climáticas na saúde da população amazônica, especialistas, jornalistas e representantes da sociedade civil se reuniram este mês em Belém no evento Saúde e Clima na Amazônia: histórias reais, soluções urgentes. A proposta foi construir soluções que promovam a união entre saúde pública, segurança alimentar e preservação ambiental.

*Com informações da Rádio Agência Nacional

A fé em São João que deu vida aos bois Caprichoso e Garantido em Parintins

Catedral de Nossa Senhora do Carmo, em Parintins, também abriga a imagem de São João Batista. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Muito antes de encantarem multidões no Bumbódromo de Parintins e se tornarem ícones da cultura popular brasileira, os bois Caprichoso e Garantido nasceram movidos por fé e promessas feitas a São João Batista — o segundo dos três santos juninos, ao lado de Santo Antônio e São Pedro.

Há 58 anos, esses dois bois realizam o maior espetáculo folclórico a céu aberto do Brasil: o Festival Folclórico de Parintins, que neste ano acontecerá nos dias 27, 28 e 29 de junho, reunindo milhares de pessoas no município amazonense em celebração à cultura e às tradições amazônicas.

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Foi no ano de 1913 que a história começou a ser escrita. Em lados opostos da ilha, os dois bois surgiram quase simultaneamente, ambos ligados à religiosidade popular e à devoção que marca o mês de junho na região amazônica.

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A origem do Garantido ❤️

Na Baixa do São José, o vermelho do Garantido começou a pulsar com força quando Lindolfo Monteverde, seu criador, enfrentou uma grave doença.

Movido pela fé, ele fez uma promessa a São João Batista: se fosse curado, construiria um boi para alegrar o povo nas festas do santo. A cura veio, a promessa foi cumprida — e assim nasceu o Boi Garantido, com seu coração vermelho vibrando a cada batida de tambor e cada toada.

​”Minha vó, a dona Alexandrina, conhecida como Xanda, não sabia mais o que fazer e pediu para o meu pai fazer essa promessa para ficar curado. Três dias depois o milagre aconteceu”, contou a filha de Lindolfo, Maria do Carmo Monteverde.

Maria do Carmo Monteverde, guardiã da memória e das histórias do Boi Garantido. Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM

Desde então, o Garantido carrega não só o brilho do folclore, mas também o peso simbólico de uma fé que se renova a cada junho. No dia 24, data dedicada a São João Batista, a comunidade da Baixa mantém viva uma das tradições mais comoventes da festa: a ladainha ao santo, entoada com velas, fé e emoção diante da fogueira acesa.

É nesse clima sagrado que os brincantes aguardam, na madrugada, o cortejo do boi pelas ruas, numa celebração que mistura religiosidade, memória e resistência cultural.

“A ladainha é uma tradição trazida pelo meu pai. Quando ele ficou curado prometeu para São João fazer essa homenagem e antigamente vinham as famílias da Baixa para a oração e depois o Boi Garantido saía pelas casas e visitava as casas. Até hoje fazemos isso”, concluiu Maria do Carmo Monteverde.

A promessa do Caprichoso ⭐

No mesmo ano, do outro lado da cidade, em uma área conhecida como Urubuzal, no então chamado “Reduto do Esconde”, outra promessa a São João dava origem a um boi.

Os irmãos Roque, Antônio e Beatriz Cid, vindos do Crato, no Ceará, sonhavam com dias melhores na Amazônia. Em Manaus, Roque se encantou com um boi chamado Caprichoso que viu na Praça 14 de Janeiro. A imagem e a alegria daquele boi não lhe saíram da cabeça.

Ao chegar a Parintins, e sem que ainda tivessem prosperado na nova terra, os irmãos decidiram que retornariam às origens. Mas antes, como um último gesto de fé, prometeram a São João Batista que, se conseguissem se estabelecer, criariam um boi como aquele que tanto os encantou.

“O Roque sempre foi um apaixonado pela cultura popular. Ele prometeu que se ele e a família conseguissem se estabelecer, eles iam criar um boi para homenagear São João, e conseguiram. Hoje tá aí o Caprichoso, que é o nosso arauto da cultura”, contou Karina Cid, uma das descendentes de Roque Cid.

Promessas feitas a São João Batista deram origem a dois dos maiores ícones da cultura amazônica. Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM

No dia 20 de outubro de 1913, a promessa foi cumprida: nasceu o Boi Caprichoso, construído com as próprias mãos e muita devoção no local onde hoje fica a Travessa Sá Peixoto.

“Hoje o Caprichoso não é mais da família Cid. Ele é do povo. Nasceu aqui, mas ganhou o mundo e tudo isso como uma promessa para São João”, declarou.

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Fé que pulsa no ritmo dos tambores

Mais de um século depois, a fé que deu origem aos bois continua viva nas manifestações culturais e religiosas do povo de Parintins. Caprichoso e Garantido não são apenas símbolos folclóricos — são frutos da fé popular, das promessas cumpridas e do poder transformador das tradições juninas.

Em cada ladainha, em cada Boi de Rua, em cada fogueira acesa, em cada promessa renovada no coração dos brincantes, está presente a essência que fez nascer esses dois gigantes da cultura amazônica: a fé em São João Batista, o santo padroeiro dos bois de Parintins.

*Por Matheus Castro, da Rede Amazônica AM

Saiba como se inscrever para visita guiada ao Bumbódromo no Festival de Parintins

Foto: Aguilar Abecassis/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

O palco do tradicional duelo entre os bois Caprichoso e Garantido, o Bumbódromo, estará aberto para visitação ao público durante o 58º Festival Folclórico de Parintins 2025. A iniciativa do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, ocorrerá entre os dias 25 e 29 de junho, com agendamento prévio e vagas limitadas.

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O link para agendamento será aberto no dia anterior de cada visitação, sendo fechado após o preenchimento das vagas e reabrindo no dia seguinte, sempre às 9h.

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Os interessados poderão realizar o agendamento a partir desta terça-feira (24/06), no Portal Cultura do AM. A visitação será dividida em grupos de 40 pessoas cada, nos horários das 9h às 9h40; 9h40 às 10h20; 10h20 às 11h; e 11h às 11h40. 

Além de conhecer o Bumbódromo, o público também será contemplado com a apresentação teatral ‘Parintins, Folclore em Festa!’, com os alunos do Núcleo de Teatro do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro de Parintins. A encenação será realizada no hall do centro cultural, integrando o roteiro de visitação.

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Os visitantes também vão poder conhecer:

  • o hall de de entrada, onde acontece a exposição 60 anos Festival de Parintins e estandes dos bumbás Caprichoso e Garantido; ⁠
  • Camarote Tapiri (sétimo andar), vista aérea da Arena do Bumbódromo;
  • corredores internos do Bumbódromo, acesso às salas de produção, camarins dos itens individuais, e salas de atendimento ao elenco dos bumbás;
  • Arena do Bumbódromo, visualização e identificação dos lados azul e vermelho e posicionamento de jurados;
  • e área externa (frente do Bumbódromo) – arte em relevo de paisagens de contos, lendas e cotidiano ribeirinho esculpidos no muro do prédio feitas por artistas da Associação dos Artistas plásticos de Parintins (AAPP).

De acordo com o diretor-geral do Circuito da Cultura 2025, Tiago Rocha, para agendar a visita, é necessário que o turista preencha um formulário com nome completo, CPF, data de nascimento e dependentes. São esperadas 160 pessoas por dia durante o período de visitação.

“Para cada horário serão disponibilizadas 40 vagas, todos assistem o espetáculo e em seguida serão divididas em quatro grupos de 10 pessoas para seguir o roteiro”, explicou o diretor-geral do Circuito da Cultura 2025, Tiago Rocha.

Também responsável pela direção e roteiro da peça teatral, Tiago Rocha destaca que a experiência proporciona uma imersão cultural, aproximando turistas e torcedores da magia que envolve o maior festival folclórico do Norte do país.

*Com informações da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

Verão Amazônico: Orquestra Villa-Lobos de Porto Velho emociona público com repertório que mistura cinema, pop e música brasileira

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Orquestra Villa-Lobos de Porto Velho se apresentou neste sábado (21) no Teatro Palácio das Artes. Foto: Divulgação

A noite de sábado (21) foi marcada pela temporada 2025 do Concerto Verão Amazônico, da Orquestra Villa Lobos de Porto Velho. A apresentação foi realizada no Teatro Estadual Palácio das Artes, na capital de Rondônia, e lotou o auditório, levando ao público uma mistura cultural de música erudita e popular.

O repertório trouxe sucessos que atravessam gerações e estilos: de trilhas de filmes como O Rei Leão e Indiana Jones, passando por Beatles, Queen e A-ha, até chegar aos clássicos brasileiros de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Dominguinhos e Luiz Gonzaga.

Para o maestro Marcelo Yamazaki, a apresentação é fruto de anos de dedicação e estudos da turma que compõe a escola de música.

“Não é fácil fazer música erudita em Porto Velho. Tem momentos que dá vontade de desistir. Mas, só de ver os frutos desse trabalho, ver essas crianças que iniciaram como alunos do instituto e hoje estão tocando na Orquestra Villa-Lobos, ver as pessoas gostando e aplaudindo tanto, é muita emoção”, destacou.

Diversidade de pessoas e gostos musicais representados no concerto Verão Amazônico. Foto: Divulgação

Marina Prestes Carvalho, produtora cultural e uma das responsáveis pelo projeto, celebrou o sucesso que a orquestra tem gerado na cena musical local.

“Fazer parte dessa história, pra mim, que sou da terra, é motivo de muita gratidão. A gente trouxe a música orquestral para Porto Velho e é emocionante ver esse sonho se realizando”, afirmou.

Na plateia, quem assistia também se emocionou. A enfermeira Jaciara Aguiar contou que assistir ao filho, músico da orquestra, foi um momento inesquecível para a família.

“Foi uma experiência única. Na nossa casa, todos nós somos envolvidos com a música e o nosso filho toca na orquestra. Então, nos sentimos emocionados vendo que ele está percorrendo esse caminho da música, que é algo cultural e enriquecedor para o conhecimento dele”, disse.

Entre os músicos da orquestra, o sentimento era de alegria e orgulho por fazer parte de algo tão significativo.

“A música é uma ferramenta muito forte para conectar não só com as pessoas, mas com a alma delas e trazer um pouco de alegria e cor para o nosso mundo”, comentou o músico Caio Abrantes.

Para Davi Salomão, músico da orquestra, cada apresentação é uma oportunidade de aprendizado e emoção. “Fazer parte da orquestra me deixa emocionado, porque é algo que vai ficar marcado para o resto da minha vida como músico. Eu consigo adquirir grandes experiências com isso”, disse.

A violinista Linda Félix destacou que, mesmo com a experiência de outras apresentações, o momento no palco continua sendo especial a cada nova performance. “Todas as vezes eu me emociono vendo que tanta gente gosta do nosso trabalho”, relatou.