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Tesouro andino e amazônico: quais atrações de Huánuco são ideais para visitar em julho?

Foto: Reprodução/Agência Andina

A confluência das geografias andina e amazônica faz do departamento de Huánuco, no Peru, um dos locais em que os sentidos são constantemente encantados por paisagens espetaculares e oníricas. Esses cenários naturais são complementados por importantes sítios arqueológicos, monumentos históricos e tradições e costumes herdados de uma herança ancestral e mestiça. Pensando nisso, quais são as atrações ideais para visitar em julho?

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O ponto de partida para visitar este encantador destino é sua capital, Huánuco. Fundada em 15 de agosto de 1539 como “A mui nobre e leal Cidade dos Cavaleiros de León de Huánuco“, esta cidade, onde convergem as geografias andina e amazônica, possui um clima quente na maior parte do ano e está localizada às margens do Rio Huallaga, a 1.894 metros acima do nível do mar, e cercada por belas paisagens naturais.

É também o berço da tradicional e emblemática dança Los Negritos de Huánuco, protagonista do Natal mais longo do mundo e declarada Patrimônio Cultural da Nação.

Atrações turísticas de Huánuco

Campo de desfile

Entre as principais atrações turísticas que esta metrópole oferece estão lugares como a Plaza de Armas, construída durante o período republicano em 1845 e com uma escultura do artista italiano Pedro Caretti em seu centro.

O artista utilizou uma pedra de granito de 4 metros de altura para o acabamento, que em tempos pré-hispânicos era um objeto de culto para os antigos habitantes da região. A praça é adornada com ficus e jacarandás.

Foto: Reprodução/Agência Andina

Catedral

A antiga Catedral foi construída em 1618 e foi reconstruída diversas vezes, a mais recente na década de 1970. Localizada no lado norte da Plaza de Armas, o edifício atual, em estilo moderno e funcional, foi projetado pelo arquiteto alemão Kuno, um projeto único no mundo. A construção apresenta duas torres que simbolizam duas mãos em oração.

Em seu interior, abriga a imagem do Senhor de Burgos, uma escultura de madeira em peça única, muito venerada pelos fiéis de Huánuco. Também abriga relíquias do século XVIII, como a casula que pertenceu a São Toribio de Mogrovejo e o báculo de Monsenhor Teodoro del Valle, entre outras.

Você também pode ver o acervo de pinturas da Escola Cusco. Os exemplos mais impressionantes dessas pinturas são “A Virgem do Rosário”, “Santa Rosa de Lima”, também conhecida como “As Bodas de Santa Rosa”, e “A Virgem de Guadalupe”, presentes de Frei José Mujica. Também dignas de nota por sua beleza singular são as esculturas do Apóstolo João e da Virgem das Dores.

Igreja de São Francisco

Foto: Reprodução/Agência Andina

A igreja foi construída em 1560 por frades franciscanos. Esta é a segunda igreja construída na cidade, anexa a um convento originalmente dedicado ao seu padroeiro, São Bernardino. O fundador do convento é desconhecido, mas documentos contemporâneos comprovam que a igreja foi reconstruída pelo padre Andrés Corzo. Sua arquitetura atual é neoclássica, mas a decoração dos altares dourados é barroca, com uma série de motivos contribuídos por artistas regionais.

Igreja de São Sebastião

A Igreja de São Sebastião foi construída no início do século XVII pelo Irmão Diego de las Casas, segundo relatos não confirmados. A igreja está localizada perto das pontes Tingo e San Sebastián. A igreja apresenta um projeto arquitetônico colonial e abriga a única escultura do mundo representando a imagem de “São Sebastião” com manchas de varíola no corpo. A este santo é atribuído um milagre para o filho do sapateiro Antonio Pantoja, uma das vítimas de uma terrível epidemia de varíola que assolou a cidade.

Foto: Reprodução/Agência Andina

Ponte Calicanto

Localizada nos arredores da cidade, esta é uma obra de arte do século XIX que atravessa o Rio Huallaga. Esta ponte liga as cidades de Huánuco e Tingo María e fica a quinze minutos do centro de Huánuco.

A ponte foi construída usando pedra “boulder” unida com uma mistura de cal, areia e clara de ovo,
de onde deriva seu nome. Tem 60 metros de comprimento e consiste em duas colunas que terminam em varandas semicirculares.

O local marca a execução dos heróis Huánucos que se rebelaram contra o domínio espanhol em 1812, bem como a proclamação da Independência perante todas as outras cidades do Peru, em 15 de julho de 1820.

Kotosh ou Templo das Mãos Cruzadas

Localizado a apenas 5 quilômetros a oeste da cidade de Huánuco, encontra-se o templo Kotosh, que remonta ao período pré-cerâmico ou arcaico tardio (11.000 – 6.600 a.C.). Sua descoberta ocorreu no início da década de 1960, em um estudo realizado por arqueólogos japoneses, liderados por Seiichi Izumi, que conseguiram constatar que, sob um edifício chamado “Los Nichitos”, foi encontrado o que hoje é conhecido como “O Templo das Mãos Cruzadas”, assim chamado porque em uma de suas paredes foram encontradas duas esculturas representando um par de mãos cruzadas.

Kotosh era composto por uma cadeia de três templos semelhantes, erguidos sobre plataformas construídas e apoiados na encosta. Em um caso, a mão direita era colocada sobre a esquerda e, em outro, a mão esquerda sobre a direita, razão pela qual se acredita que esteja relacionado a alguma ideia de dualidade presente na visão de mundo dos antigos peruanos desta região do país.

Casa de Micaela Villegas, “La Perricholi”

Localizada a 19 quilômetros da cidade de Huánuco, a uma altitude de 2.000 metros acima do nível do mar, é o local de nascimento de Micaela Villegas, conhecida como La Perricholi. Este lugar é uma das atrações mais famosas da região.

Foto: Reprodução/Agência Andina

A casa é uma construção de adobe em uma encosta íngreme, de onde se avista a vila de Tomayquichua. Datada de 1739, a casa contém um pequeno guarda-roupa no quarto principal, móveis de época, uma réplica da cozinha, uma carruagem reconstruída e jardins cuidados.

O trecho entre Huánuco e Tomayquichua é uma área rural com uma grande variedade de opções de lazer e restaurantes rurais que servem culinária regional, como lonchecito huanuqueño (um sanduíche típico do estilo Huánuco), chicharrón con mote (um típico torresmo com mote), pachamanca e tamales.

Complexo arqueológico de Huánuco-Pampa

Localizado a 134 quilômetros de Huánuco, na província de Dos de Mayo, este é um centro administrativo inca onde se pode ver o traçado de uma cidade inca, com suas casas, ruas e edifícios. Há várias décadas, tem sido o cenário escolhido para a comemoração do Festival do Sol em Huánuco.

Foto: Reprodução/Agência Andina

No lado leste desta cidadela, você pode ver a construção mais refinada conhecida como Inca Wasi, que aparentemente era a residência dos incas. Perto dali fica o Banho Inca, com uma longa plataforma em forma de terraço com nichos embutidos.

Cordilheira Huayhuash

Localizado na divisa das regiões de Huánuco e Áncash, é composto por diversas montanhas alpinas e himalaias cobertas de neve. Os picos mais importantes e desafiadores são Siula (6.536 metros acima do nível do mar), Sarapo (6.143 metros acima do nível do mar) e Randoy (5.883 metros acima do nível do mar).

Complexo arqueológico de Yarowilca

Localizado a 73 quilômetros da cidade de Huánuco, este é um dos sítios arqueológicos mais importantes da região do Alto Marañón. Possivelmente, foi a sede política e administrativa dos Yaros ou Yarowilcas e é considerado um dos assentamentos mais organizados e densamente povoados do período pré-incaico. Possui uma série de complexos residenciais, administrativos, religiosos e de defesa.

Monte Potrero-Umari

Esta reserva natural está localizada no distrito de Umari, província de Pachitea, a duas horas de carro da cidade de Huánuco. Em seguida, faça outra caminhada de duas horas para apreciar as diversas altitudes encontradas em seus 825 hectares.

Foto: Reprodução/Agência Andina

Este paraíso abriga uma grande variedade de flora e fauna e conta com um centro de resgate projetado para acolher animais selvagens feridos ou abandonados, permitindo sua devolução à natureza. Abriga também o Centro de Interpretação da Biodiversidade e do Artesanato, um espaço que oferece amplas informações sobre as riquezas naturais e culturais deste ecossistema.

A comunidade e as autoridades locais estão fazendo um trabalho louvável para conservar e preservar esta área natural, que permite o ecoturismo e o turismo experiencial.

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Tingo Maria

Fundada em 15 de outubro de 1938, a cidade de Tingo María experimentou um significativo crescimento populacional e desenvolvimento econômico em oito décadas, tornando-se a segunda cidade mais importante do departamento de Huánuco.

Localizado no coração da selva alta, na área do Alto Huallaga, Tingo María possui um ambiente repleto de beleza cênica, enorme biodiversidade e recursos naturais, além de cultura ancestral amazônica e uma gastronomia deliciosa que o tornam um destino cativante desde o primeiro momento, motivando você a retornar mais de uma vez.

O apelido “Cidade da Bela Adormecida” se refere ao fato de ser cercada por uma cadeia de montanhas cobertas de vegetação, formando uma grande silhueta de uma mulher reclinada olhando para o céu azul que cobre esta parte do Peru.

Atrações turísticas de Tingo María

Campo de desfile

É o ponto central das atividades oficiais da cidade de Tingo María e o ponto de partida para diversas atrações turísticas da província de Leôncio Prado. Destaca-se por sua estrutura arquitetônica moderna, com um arco no centro representando a porta de entrada para a Amazônia peruana.

É adornado com árvores de diversas espécies amazônicas, incluindo palmeiras. Ao seu redor estão o Palácio Municipal e a Igreja de Santa Teresita del Niño Jesús, a principal igreja da cidade.

Da Plaza de Armas começa a Alameda Perú, adornada com árvores altas, que leva à emblemática Plaza El Colono e ao oval onde se ergue uma estátua em homenagem ao Coronel Leoncio Prado Gutiérrez, herói da Guerra do Pacífico e que dá nome à província.

Parque Nacional Tingo María

Foto: Reprodução/Agência Andina

Localizada a 12 horas de Lima, esta área protegida abriga a cadeia de montanhas conhecida como Bela Adormecida, que lembra a silhueta de uma jovem donzela descansando enquanto olha para o céu.

Este destino impressionante convida a explorar sua vegetação e seu complexo sistema de cavernas subterrâneas, sendo a mais famosa a Cueva de las Lechuzas (Caverna da Coruja ), habitada principalmente por morcegos e aves-do-petróleo, uma das principais atrações do Parque Nacional Tingo María.

Esta área natural protegida também ostenta uma rica biodiversidade, sendo o galo-da-serra, a ave emblemática da Amazônia peruana, um exemplo notável de sua fauna.

Leia também: Galo-das-rochas-peruano: conheça a encantadora ave nacional do Peru

Foto: Reprodução/Agência Andina

Ao longo do caminho, ficaremos deslumbrados com as enigmáticas formações rochosas, cavernas, galerias e vários riachos de água doce em caminhadas relaxantes sob um céu tropical intensamente azul e o verde cativante das florestas amazônicas.

Caverna das Corujas

Trata-se de uma caverna gigantesca localizada a sudoeste da cidade de Tingo María, em um trecho íngreme do Cerro Bella Durmiente, a 673 metros acima do nível do mar. A entrada é uma abertura geológica de 20 metros de altura por 25 metros de largura, dimensões que aumentam no interior, com uma profundidade total de mais de 170 metros. O interior da caverna é feito de calcário, que, devido à ação da umidade e do vento, gerou inúmeras estalactites que emergem da abóbada, como estalagmites que se projetam do chão.

A primeira seção contém vegetação proveniente da germinação de sementes deixadas por animais selvagens voadores, como corujas, aves-do-petróleo e morcegos, que habitam este local impressionante. Esta atração turística apresenta degraus de pedra esculpida com corrimãos que permitem o acesso à caverna. O acesso a pé é fácil até a segunda seção e, de lá, apenas pessoas treinadas e com os equipamentos de segurança adequados podem continuar o passeio.

Cachoeira Gloriapata

Está localizada a 13 quilômetros da cidade de Tingo María, na margem direita do Parque Nacional Tingo María. O acesso a esta cachoeira é feito pela ponte suspensa Tambillo Grande e, após atravessá-la, é preciso caminhar por cerca de 45 minutos. Ao chegar, a imponente torrente de águas cristalinas que desliza por uma encosta rochosa até a enorme piscina verde-esmeralda convida a um mergulho refrescante e revigorante.

Foto: Reprodução/Agência Andina

Ao longo do caminho, você pode apreciar a abundante beleza cênica com vegetação exuberante, incluindo árvores, plantas medicinais, orquídeas e a vida selvagem, com uma variedade de borboletas e outros insetos.

Spa de água medicinal

Quatro quilômetros a sudeste da cidade de Tingo María, na comunidade de Jacintillo e a apenas 20 metros da estrada asfaltada Tingo María-Monzón, fica este lugar encantador conhecido por suas águas medicinais que vêm do monte Coto Mono.

A grande piscina natural que se forma seduz não só pela sua beleza cênica, mas também pelas propriedades atribuídas às águas que recebe, com sua alta concentração de enxofre, para aliviar males da pele e do aparelho digestivo.

Foto: Reprodução/Agência Andina

Mirante Jacintillo

Mirante localizado no morro de Jacintillo, com uma altitude de 772 metros sobre o nível do mar, e que permite ter uma vista panorâmica da cidade de Tingo María com o fundo da Cordilheira Azul que forma a imagem da “bela adormecida” e também apreciar a esplêndida beleza cênica do vale do Alto Huallaga.

O acesso a este mirante natural, que conta com barracas que vendem artesanato tradicional, é feito por uma estrada de terra a partir de um desvio da rodovia Tingo María-Monzón.

Cachoeira Santa Carmen

Localizada a quase 8 quilômetros a sudeste da cidade de Tingo María, no município de Santa Carmen, a uma altitude de 830 metros acima do nível do mar, esta cachoeira de águas cristalinas desce de uma profundidade de aproximadamente 30 metros.

Ao longo de seu caminho, encontra um planalto rochoso que forma uma piscina de onde descem duas cachoeiras separadas, alimentando uma grande piscina verde-esmeralda na qual os banhistas podem mergulhar.

Lagoa dos Milagres

Está localizado na cidade de Pendencia, em um desvio da rodovia Tingo María-Aucayacu. Para chegar lá, é preciso caminhar por 15 minutos por uma trilha de fácil acesso. No caminho, saindo da cidade de Tingo María, você pode visitar as cidades de Naranjillo, Santa Rosa de Shapajilla e Tulumayo, lar de grupos étnicos amazônicos.

Este cativante corpo d’água cobre uma área de 40.000 metros quadrados e seu nome advém das propriedades místicas que lhe são atribuídas, devido à presença da planta Huairuro, símbolo de boa sorte, e por ser visitada por xamãs e curandeiros amazônicos. A pesca esportiva também é praticada nesta lagoa, pois abriga uma abundância de peixes como tilápia, huasaco e carpa, entre outros.

Mirante La Cruz-São Francisco

Foto: Reprodução/Agência Andina

Está localizado na cidade de Tingo María, em uma colina de cerca de 150 metros de altura e de fácil acesso. No topo da colina, que forma um planalto, ergue-se a efígie de uma grande cruz branca. De lá, você tem uma vista panorâmica da cidade de Tingo María e, especialmente, da cordilheira que forma a silhueta da Bela Adormecida, convidando você a capturar o momento em fotos e vídeos.

Esta plataforma de observação recentemente restaurada conta com bancos, grades de segurança e grandes letras de concreto pintadas de branco formando a palavra “Tingo María”.

Outras atrações de interesse

Além desses locais, Tingo María oferece outras atrações que podem ser visitadas, respeitando os respectivos protocolos de saúde. Entre elas, estão as cachoeiras San Miguel, Neptuno e Ugarteche, a cachoeira Velo de las Ninfas, o balneário Cueva de las Pavas e a cachoeira Sol Naciente, entre outras.

Como chegar a Huánuco?

Para ir de Lima a Huánuco, os visitantes podem escolher entre carro, ônibus ou avião. A viagem de avião até a cidade geralmente leva cerca de uma hora e chega ao Aeroporto Alférez FAP David Figueroa Fernandini, enquanto a viagem de ônibus leva cerca de oito horas.

Como chegar a Tingo María?

Por via terrestre, percorrendo uma rodovia totalmente pavimentada de Lima a Tingo María , com aproximadamente 550 quilômetros de extensão. O tempo médio de viagem é de 10 a 12 horas. O percurso passa por Matucana, San Mateo, Ticlio, La Oroya, Pampas de Junín, Carhuamayo, Cerro Pasco e Huánuco até chegar a Tingo María.

Por via aérea, a cidade de Tingo María é atendida pelo Aeroporto José O. Saavedra Cango, administrado pela Corpac SA. Você pode viajar de qualquer lugar do Peru diretamente ou com escalas. Há voos diários. É acessado por via fluvial através dos rios Huallaga e Monzón.

*Com informações da Agência Andina

Arraiá do Povo conquista público amapaense

Grupo de amigos prestigiando o Arraiá do Povo em Macapá. Foto: Divulgação

O Arraiá do Povo 2025 se consolidou como um dos maiores eventos juninos do Amapá. Realizado na Zona Norte de Macapá pelo Governo do Estado, o festejo atraiu visitantes de diversos municípios e encantou com apresentações culturais, barracas de comidas típicas e uma estrutura pensada para acolher o público com segurança e conforto.

Entre os que se deixaram levar pela animação do arrasta-pé está o casal Maria de Fátima, 64 anos, e Raimundo Ferreira, 74, moradores de Laranjal do Jari, no Sul do estado. Eles encararam a longa viagem até a capital especialmente para participar do evento e prestigiar a quadrilha Encanto Junino, representante de sua cidade natal.

“É a nossa primeira vez assistindo às apresentações das quadrilhas juninas, está tudo maravilhoso. O evento está muito animado e bem organizado. Estamos empolgados para assistir todas as quadrilhas, especialmente o Encanto Junino. Estamos na torcida por eles”, afirmou Maria, com brilho nos olhos e muita animação.

O casal Maria de Fátima, 64 anos, e Raimundo Ferreira, 74, moradores de Laranjal do Jari, no Sul do estado aproveitaram o Arraiá do Povo 2025. Foto: Aog Rocha/ GEA

A presença de visitantes como o casal mostra a força e o alcance do Arraiá do Povo, que integra diferentes regiões do Amapá em torno da cultura junina.

Festa democrática e familiar

A Cidade Junina, montada no quartel do Corpo de Bombeiros Militar no bairro São Lázaro, recebeu diariamente centenas de famílias que aproveitaram o espaço para vivenciar a tradição junina com alegria e segurança. A moradora da Zona Norte, Ana Cláudia, levou seus filhos e até a filha da vizinha para curtir o evento.

Ana Cláudia com seus filhos e até a filha da vizinha durante o evento. Foto: Jhon Martins/ GEA

“Ficamos tão felizes quando soubemos que o Arraiá do Povo seria na Zona Norte. Assim conseguimos chegar cedo, aproveitar tudo e voltar pra casa tranquilamente. Fizemos questão de nos arrumar a caráter, pois o local está lindo e a Zona Norte merece. Muito obrigada ao Governo do Estado por prestigiar os moradores daqui com esse evento grandioso”, destacou a dona de casa em entrevista durante o evento

Além das quadrilhas, as barracas com comidas típicas como vatapá, mungunzá, pamonha e tacacá fizeram sucesso entre o público, que também contou com espaços interativos, decoração temática e muita música nordestina.

Segurança e organização

Para garantir o bem-estar dos participantes, o Governo do Amapá montou um esquema especial de segurança e emergência, com mais de 300 agentes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros atuando na Cidade Junina, reforçando a sensação de segurança dos visitantes.

A pedagoga Vanda Costa, de 38 anos, moradora do bairro Zerão, levou o marido e os filhos para conhecerem a festa pela primeira vez e aprovou a estrutura.

“Eu faço questão de prestigiar. Antes eu dançava nas quadrilhas e agora venho só curtir com minha família. É uma alegria poder participar dessa celebração. A estrutura está segura, muito bem organizada e as apresentações estão encantadoras. A partir de agora venho em todas as edições do Arraiá do Povo”, afirmou Vanda.

A pedagoga Vanda Costa com a família prestigiando o evento. Foto: Cristiane Nascimento/ GEA

Celebração da cultura popular

O Arraiá do Povo se destaca todos os anos por valorizar a cultura popular e dar visibilidade aos grupos folclóricos do estado. As quadrilhas se apresentam com figurinos elaborados, coreografias marcantes e enredos que homenageiam a história e as tradições do povo amazônico.

Leia também: Você sabe a diferença entre quadrilhas juninas tradicionais e estilizadas?

Geise Vilhena, servidora pública e moradora da Zona Sul, aproveitou a liberação de bebidas em cubas térmicas e reuniu amigos de diferentes bairros e até de Tartarugalzinho para curtir a festa.

“A festa está linda. Chegamos cedo, pegamos um bom local e está sendo incrível. Apesar da chuva, estamos bem acomodados em área coberta, com arquibancadas confortáveis. Parabéns aos organizadores”, afirmou Geise.

Muito além da Cidade Junina

O projeto Arraiá Amazônico nas Escolas, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), levou o clima das festas juninas muito além da Cidade Junina. Ações foram levadas para duas escolas estaduais de Macapá (AP), com uma programação especial. “Estamos com mais um projeto aqui no Amapá e buscamos justamente levar essa comemoração junina tão importante, aliada à conscientização sobre temas muito relevantes para a sociedade”, destacou Matheus Aquino, especialista em projetos da FRAM.

Durante a programação, os alunos e a comunidade escolar puderam prestigiar apresentações de três quadrilhas juninas: Mistura Junina, Rabo de Palha e Simpatia da Juventude. “Este ano ficamos felizes em participar levando um tema muito importante, que é o autismo — uma realidade vivida por muitas famílias, não só aqui no estado, como em todo o país. Dentro deste projeto, queremos mostrar um pouco dessa vivência”, explicou Andy dos Santos, diretor da quadrilha Simpatia da Juventude.

Leia também: Arraiá Amazônico leva jovens acolhidas pelo Lar Betânia para assistir apresentações de quadrilhas juninas em Macapá

Arraiá Amazônico

O Arraiá Amazônico é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) em parceria com a Central Única das Favelas (CUFA-Amapá), Associação Casa da Hospitalidade, Lar Betânia – Casa da acolhida Marcello Candia; e apoio da Secretaria de Cultura do Estado do Amapá (Secult), Governo do Amapá e Tratalix Serviços Ambientais.

Estudo mostra que repetição de queimadas ameaça resiliência da Amazônia 

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Repetição de queimadas ameaça resiliência da Amazônia. Foto: divulgação

A repetição de queimadas e a intensidade do fogo têm causado a perda de resiliência de florestas no sul da Amazônia, resultando em diminuição da diversidade de espécies e aumento da taxa de mortalidade de árvores. Os dados constam no artigo “Resiliência da floresta amazônica inferida de mudanças induzidas pelo fogo nos estoques de carbono e na diversidade arbórea”, elaborado por pesquisadores do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e parceiros, foi publicado pela revista científica IOPscience. 

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queimadas na amazônia
Imagem aérea de queimadas. Foto: Victor Moriyama/Greenpeace

Leia também: Queimadas fazem desmatamento crescer 92% na Amazônia em maio, segundo dados do Deter

Para o estudo, os pesquisadores consideraram quatro categorias de tratamento experimental aplicadas a parcelas de floresta: 

  • Controle não-queimado: nenhuma parcela foi queimada durante o experimento; 
  • B1: houve apenas uma queimada, em 2016. Representa um fogo pontual e de baixa intensidade; 
  • B2: a floresta foi queimada duas vezes, em 2013 e 2016. Representa um cenário de repetição de fogo; e 
  • B2 +: também foram registradas queimadas duas vezes, em 2013 e 2016, mas com o adicional de “combustível” para intensificar o fogo — no caso, galhos secos e folhas. É considerado o cenário mais extremo, já que une a repetição e o aumento da intensidade. 
  • Segundo a pesquisa, nos casos em que houve a repetição do fogo (B2 e B2 +), as alterações na diversidade da floresta começaram já em 2014 — um ano após a primeira queima —, mas que se intensificaram depois de 2016, com o segundo evento. De acordo com o artigo, os impactos a longo prazo dos incêndios foram “ainda mais pronunciados” com o aumento da frequência. 

A conclusão dos autores foi de que, além da diversidade das espécies, a composição e o número de indivíduos sofreram “mudanças graduais” de 2014 a 2024. 

Leia também: Efeitos negativos de queimadas e extração de madeira sobre ecologia da Amazônia perduram por décadas, mostra estudo

Foto: Neto Lucena/Secom-AC

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Além disso, no caso B2 +, que trouxe o fator da intensidade, observou-se um aumento da mortalidade das árvores no local. De acordo com o artigo, em 2014, os incêndios com a presença de folhas e galhos secos aumentaram de quatro a cinco vezes a taxa de mortalidade de árvores quando comparado com áreas não queimadas. 

“Quanto aos incêndios com alta intensidade, que é o caso simulado na B2 +, o impacto é muito maior, tanto para a diversidade de espécies quanto na mortalidade, que afeta diretamente o estoque de carbono presente na biomassa aérea das espécies que estão nesse ambiente”, explica um dos autores do artigo, Leonardo Maracahipes-Santos, pesquisador do IPAM. 

O artigo mostra que, com as mudanças climáticas, os cenários em que há “combustível” para intensificar as chamas devem aumentar, considerando o aumento da temperatura nas florestas do sul da Amazônia. Com projeções indicando que até 16% das florestas do sudeste do bioma podem registrar incêndios nas próximas décadas, o estudo diz ser incerto se a resiliência da floresta persistirá sob regimes de incêndios mais frequentes e intensos. 

Leia também: Emissão de CO2 por queimadas na Amazônia cresce 60%, aponta estimativa

Com mais de 10 mil queimadas, Amazonas tem pior mes de agosto (2025) dos últimos 26 anos. Foto: Divulgacao/Ibama

“É provável que as mudanças climáticas aumentem a frequência e a duração das secas severas nas florestas tropicais, o que pode amplificar as cargas de combustível e, potencialmente, aumentar a intensidade e a gravidade dos incêndios futuros”, diz o documento. 

A pesquisa destaca ainda que, embora a floresta seja resiliente, essa qualidade pode ser comprometida sob regimes e intensidade de fogo mais extremos. Como conclusão, os autores reforçam que é necessária a adoção “urgente” de estratégias de proteção e manejo contra incêndios para evitar a perda dos serviços ecossistêmicos da Amazônia. 

O estudo foi conduzido na Estação de Pesquisa de Tanguro, no município de Querência, em Mato Grosso, situada em uma área de transição ecológica entre os biomas Amazônia e Cerrado.

Verão amazônico exige cuidados redobrados com pele e olhos: especialistas dão dicas

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Verão amazônico exige cuidado e atenção. Foto: Maycon Nunes/Agência Pará

Durante o período conhecido como Verão Amazônico, que vai de julho a novembro, o aumento da radiação solar e a redução das chuvas exigem atenção especial com a saúde da pele e dos olhos. Em Belém (PA), o Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR) alerta a população sobre cuidados básicos e reforça a proteção para grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos, pessoas com deficiência, com albinismo e baixa visão.

Leia também: “Verão amazônico”: entenda as origens do fenômeno e suas consequências

A dermatologista Juliana Bacellar, do CIIR, destaca que o primeiro passo é evitar a exposição direta ao sol entre 10h e 16h.

“O uso de protetor solar com FPS acima de 50 é essencial. Para pessoas albinas, o ideal é FPS 70 ou mais, com reaplicação a cada duas horas, inclusive em dias nublados”, orienta.

Juliana também recomenda o uso de barreiras físicas:

  • roupas claras e de manga comprida,
  • chapéus de aba larga,
  • guarda-sóis
  • e óculos com proteção UV.

A hidratação também deve ser constante, com ingestão de água, sucos naturais e alimentação leve.

Hidratação é fundamental para enfrentar o período de calor. Foto: Jader Paes/Agência Pará

Em casos mais sensíveis, como o das pessoas albinas, a médica alerta para cuidados rigorosos: “Esse grupo tem a pele extremamente vulnerável ao sol. Além do filtro solar potente, devem usar roupas com proteção ultravioleta e chapéus adequados. A exposição solar deve ser evitada ao máximo, mesmo fora dos horários de pico”.

A especialista reforça ainda os sinais de alerta. Em crianças, vermelhidão intensa, bolhas ou ardência após exposição podem indicar queimaduras. Em idosos, feridas que não cicatrizam ou pintas que sangram merecem atenção médica imediata.

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Cuidados com a visão

A oftalmologista Maria Maeve, especialista em baixa visão, lembra que os olhos também sofrem com o excesso de luz solar. “O uso de óculos escuros com proteção UVA e UVB, de procedência confiável, é indispensável. Sombrinhas e chapéus também ajudam a proteger a visão”, recomenda.

Para usuários de lentes de contato, os cuidados devem ser redobrados. “Evite abrir os olhos ao mergulhar e sempre higienize corretamente as lentes após o uso”, completa. A exposição sem proteção pode acelerar o surgimento de catarata, provocar lesões na retina e agravar doenças oculares preexistentes.

“Prevenir é sempre melhor que remediar”, alerta Ivan Oliveira, que também incentiva os homens a cuidarem da saúde da pele e da visão. Foto: Tarcísio Barbosa/CIIR

Rotina de proteção

A cuidadora Gabriela Souza, mãe da pequena Ana Gabrielly, de 10 anos, usuária albina atendida no CIIR, relata que a proteção solar faz parte do cotidiano da família. “Ela sempre está de óculos escuros e chapéu, e evitamos sair nos horários de sol forte. Até o banho dela é com água morna, para não irritar a pele”, conta.

Gabriela Souza, mãe da pequena Ana Gabrielly, compartilha os cuidados diários com a filha albina, usuária do CIIR. Foto: Jackson Lobato/CIIR

Outro exemplo é o aposentado Ivan Oliveira, de 52 anos, que trata neurite óptica idiopática no centro. “Já viajei muito atrás de tratamento e aqui fui bem acolhido. Só enxergo com a visão periférica, mas sigo me cuidando: camisa de manga longa, chapéu e óculos escuros fazem parte da rotina”, diz.

Ivan também deixa um recado: “Homem também precisa se cuidar. Usar protetor solar, óculos bons e visitar o oftalmologista. Prevenir é melhor que remediar”.

Dicas práticas para enfrentar o Verão Amazônico:

1. Evite o sol entre 10h e 16h;
2. Use protetor solar com FPS 50+ (ou 70+ para peles sensíveis);
3. Prefira roupas claras, de manga longa e com proteção UV;
4. Use chapéu, sombrinha e óculos escuros com filtro UVA/UVB;
5. Mantenha-se hidratado com água e alimentação leve;
6. Em caso de sinais na pele ou nos olhos, busque atendimento especializado.

Orientações sobre cuidados com a pele

A dermatologista Juliana Barcellar, pontua a desidratação grave e as queimaduras de primeiro ou segundo grau como riscos imediatos. De acordo com a profissional, a melhor forma de hidratar a pele é a ingestão de líquidos. 

O cálculo é de 30 ml por quilo para a pessoa que não se expõe ao sol e de até 50 ml por quilo para uma pessoa que está em um ambiente muito quente e de exposição.

Por via oral, a indicação é água e sucos naturais e na via cutânea, os hidratantes dermatológicos devem ter, preferencialmente, ativos calmantes como o pantenol, vitamina A e E. 

“Em relação às queimaduras, é importante reforçar também que o protetor solar precisa ser reaplicado, mesmo que a pessoa não esteja no sol, porque essa barreira diminui com o tempo. Queimadura solar considerada leve é aquela que o paciente fica com a pele rosada e com um discreto desconforto local, já quando o paciente começa a ficar com a pele demasiada ou começam a aparecer bolhas, a gente já considera uma queimadura solar moderada. Se as bolhas evoluem para grande quantidade, dor intensa e sintomas sistêmicos como febre, calafrio, mal-estar ou queda de pressão já é considerada uma queimadura mais grave”, explica a médica. 

A preferência para exposição ao sol deve ser, de acordo com a dermatologista, nos horários menos intensos, antes das 9h30 e depois das 16h30. A orientação é de que, além do protetor solar (fator de proteção acima de 70 em praias, piscinas e balneários), o uso de proteção solar de barreira seja feito, com blusas de proteção ultravioleta, chapéu, óculos, boné, protetor labial, guarda-sol, entre outros.

Priorizar refeições leves e de fácil digestão 

Em relação à alimentação, a orientação é dar preferência a frutas que sejam ricas em água, refeições mais leves de fácil digestão e, se possível, fracionar pequenas refeições ao longo do dia, sem a opção de frituras e alimentos gordurosos, que são mais difíceis de digerir.

A esteticista Norma Danielle, mãe da Maria Paula, 5 anos, intensifica os cuidados com a criança neste período de férias, quando costuma liberar a brincadeira por mais tempo ao ar livre. “Procuro sempre priorizar roupas leves, cabelo preso por conta do calor, com garrafinha de água ao lado. O uso do protetor solar deve ser indispensável, assim como a reaplicação. Se for pra praia ou piscina, ela já sabe, precisa usar camisa térmica, guarda-sol e reforçar todos os cuidados do dia a dia”, pontua. 

Protetor solar é necessário para todas as idades. Foto: Divulgação/Ascom Unacom

Riscos de doenças por causa da exposição ao sol

A Policlínica Metropolitana, em Belém, intensifica nesse período os alertas sobre os riscos das doenças dermatológicas causadas pela exposição à radiação ultravioleta. Por mês, a unidade oferece cerca de 700 atendimentos gratuitos no serviço de dermatologia, com atendimentos de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, para doenças cutâneas inflamatórias, infecto-contagiosas e biópsia para diagnosticar o câncer de pele. São realizados exames de dermatoscopia, histopatológico de pele e imuno-histoquímica.

No Brasil, o câncer de pele representa 33% de todos os diagnósticos oncológicos, sendo uma das principais doenças associadas ao excesso de sol. Além da doença, outras condições dermatológicas podem ser agravadas, como a queratose actínica, que são lesões pré-cancerígenas que surgem como pequenas feridas vermelhas, endurecidas e ásperas; os Melasma, que são manchas escuras, geralmente no rosto, que podem se intensificar com o sol; e a fitofotodermatose, que é uma reação inflamatória provocada pela combinação de substâncias fotossensibilizantes, como o suco de limão, e exposição solar.

*Com informações da Agência Pará

Amazonas vai ganhar primeira usina de gás natural para operações portuárias

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Amazonas vai ganhar primeira usina de gás natural. Foto: Divulgação

O Super Terminais e o Governo do Estado do Amazonas assinaram no dia 2 de julho o contrato para a construção da primeira usina de Gás Natural voltada a operações portuárias no Norte do Brasil. O investimento de R$ 30 milhões foi anunciado em coletiva de imprensa no píer da empresa em Manaus e consolida uma parceria estratégica com o governo estadual para impulsionar operações portuárias sustentáveis em larga escala.

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“Este projeto começou há dois anos com uma parceria nossa com a Cigás e o Governo do Estado, com quem sempre colaboramos em todas as iniciativas. A gente quer que este pioneirismo traga exemplos para todos os portos, que todos possam abraçar essa ideia de utilizar energias renováveis. O Super Terminais quer estar sempre à frente, trazendo novidades”, afirma Marcello di Gregorio, diretor do Super Terminais.

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Amazonas vai ganhar primeira usina de gás natural
O Super Terminais e o Governo do Estado do Amazonas assinaram o contrato para a construção da primeira usina de Gás Natural. Foto: Divulgação

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Instalada na área da Superintendência da Zona Franca de Manaus – Suframa, além de viabilizar o fornecimento direto de gás natural para o porto, serão implantadas tubulações subterrâneas que ligarão a usina às instalações portuárias. Esse sistema garantirá o abastecimento contínuo dos equipamentos, como os três Konecranes – os primeiros guindastes elétricos do mundo – que operam no Super Terminais.

O novo modelo irá substituir o transporte rodoviário de diesel, reduzindo também o tráfego de caminhões e o impacto logístico na região.

Com essa iniciativa, o Super Terminais vai deixar de emitir cerca de 17.000 toneladas de CO2 por ano somente em suas operações, contribuindo de forma significativa para a diminuição dos gases de efeito estufa. 

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Amazonas vai ganhar primeira usina de gás natural
O Super Terminais e o Governo do Estado do Amazonas assinaram o contrato para a construção da primeira usina de Gás Natural. Foto: Divulgação

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O ganho ambiental não se limita à eliminação do diesel nos guindastes: a redução de emissões também se estende à logística de abastecimento, evitando o transporte do combustível por caminhões e diminuindo ainda mais a pegada de carbono.

“Tudo o que temos avançado na questão do gás natural tem sido muito positivo nos últimos anos. O gás natural, apesar de ser um combustível de origem fóssil, é a fonte mais segura nesse processo de transição energética, poluindo menos que o diesel, gasolina e outros derivados. O estado do Amazonas hoje está em outro patamar com relação ao gás natural”, afirmou o governador do Amazonas, Wilson Lima. 

De acordo com ele, o projeto da usina a gás natural no porto Super Terminais é mais um passo na construção de um modelo de desenvolvimento que combina inovação, responsabilidade ambiental e geração de emprego e renda.

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Super Terminais

Com mais de 25 anos de experiência no mercado de transporte e logística, o Super Terminais é o mais eficiente terminal privativo no Polo Industrial de Manaus e o único porto do Brasil a ser considerado verde. Opera cargas em contêineres, cargas de projetos e cargas soltas. A estrutura oferece ainda os equipamentos mais modernos do mercado. Entre as grandes preocupações da empresa estão a preservação da maior floresta tropical do mundo – a Floresta Amazônica – e a capacitação para promover um ambiente focado em sustentabilidade.

Ipaam registra queda de 52,46% no desmatamento e 64,72% nos focos de calor no mês de junho

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Foto: Reprodução/Arquivo Ipaam

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) registrou uma redução nos índices de desmatamento e nos focos de calor no Estado durante o mês de junho de 2025. De acordo com dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a área desmatada no Amazonas caiu 52,46%, passando de 13.915 hectares em junho de 2024 para 6.614 hectares no mesmo período deste ano.

A diminuição também foi significativa nos alertas de desmatamento, que apresentaram queda de 60,76%, com 255 registros em junho deste ano, frente aos 650 registrados no mesmo período do ano anterior. A maior redução foi verificada nos focos de calor, que caíram 64,72%, passando de 258 ocorrências em junho de 2024 para 91 em junho de 2025.

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O Deter é um sistema que realiza o monitoramento diário da vegetação nativa nos biomas brasileiros, emitindo alertas de supressão e degradação da floresta para os órgãos de fiscalização e para a sociedade. Esses dados subsidiam ações estratégicas de controle e prevenção ao desmatamento ilegal e às queimadas não autorizadas em todo o território nacional.

De acordo com o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, os resultados refletem o fortalecimento das ações de vigilância ambiental e o uso intensivo de tecnologias aplicadas ao monitoramento. Ele destacou que o Instituto tem intensificado a utilização de ferramentas que permitem acompanhar, quase em tempo real, as alterações na cobertura florestal do Estado, o que assegura maior agilidade na resposta aos crimes ambientais.

Leia também: Focos de calor no Amazonas têm nova queda: 37,5% em maio de 2025, informa Ipaam

Centro de Monitoramento

A estrutura do Centro de Monitoramento Ambiental e Áreas Protegidas (CMAAP), coordenado pelo Ipaam, tem papel fundamental nesse processo. O Centro conta com espaços destinados às gerências técnicas e um sistema de dez dashboards (painéis visuais interativos) que disponibilizam diariamente dados atualizados sobre desmatamento e focos de calor em todos os municípios do Amazonas.

Os dashboards apresentam funcionalidades específicas, incluindo o monitoramento contínuo de áreas inseridas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), empreendimentos licenciados, Unidades de Conservação Estaduais e Federais, além de Terras Indígenas. As informações obtidas permitem observar padrões temporais de degradação e realizar o cruzamento de dados com imagens de satélite, possibilitando uma análise precisa dos locais com maior pressão ambiental.

Foto: Reprodução/Arquivo Ipaam

A coordenadora do CMAAP, Priscila Carvalho, enfatizou que a leitura dos dados de focos de calor é feita com cautela, considerando que nem toda ocorrência representa uma queimada ilegal. Segundo ela, os focos podem ser resultado de processos naturais ou de queimadas autorizadas, previstas na legislação ambiental. Por isso, antes de qualquer medida punitiva, o Ipaam realiza uma análise criteriosa das ocorrências, levando em conta o contexto de cada região.

Ela também destacou que a integração entre os órgãos ambientais e as forças de segurança é fundamental para garantir a proteção da floresta e a continuidade da redução dos índices de desmatamento e queimadas.

O técnico do CMAAP, Bruno Affonso, explicou que a exploração ilegal de madeira, geralmente registrada no início do ano, costuma anteceder as queimadas, sendo parte de um ciclo de degradação ambiental. Ele ressaltou que o combate efetivo às queimadas deve necessariamente incluir a repressão ao desmatamento ilegal e à extração irregular de madeira.

Ainda segundo o técnico, queimadas em áreas agropastoris, quando utilizadas para renovação de pastagens ou cultivos agrícolas, também devem seguir critérios técnicos e autorizações específicas. Quando realizadas de forma inadequada ou sem autorização, essas práticas são passíveis de autuação, com multas de R$ 3 mil por hectare ou fração, conforme previsto no Decreto Federal nº 6.514/2008, artigo 58.

Maiores índices

No recorte territorial referente ao mês de junho de 2025, os municípios com maior área desmatada foram:

  • Lábrea, com 2.103 hectares;
  • Apuí, com 1.276 hectares;
  • e Boca do Acre, com 890 hectares.

Em relação à quantidade de alertas de desmatamento, os mesmos municípios lideram o ranking, com Lábrea registrando 59 alertas, seguido por Apuí e Boca do Acre, ambos com 49 registros.

Já no número de focos de calor, os maiores registros foram verificados nos municípios de:

  • Manicoré, com 32 ocorrências;
  • Novo Aripuanã, com 19;
  • e Humaitá, com 11 registros.

De acordo com a legislação ambiental vigente, o desmatamento ilegal pode resultar em multas de R$ 5 mil por hectare ou fração da área afetada, valor que pode ser dobrado em casos de uso de fogo ou incêndios não autorizados. Além das penalidades financeiras, o Ipaam realiza o embargo administrativo das áreas desmatadas e das atividades ilegais, com possibilidade de apreensão de equipamentos utilizados nas infrações.

O Instituto reforça que a população pode colaborar com as ações de fiscalização ambiental por meio de denúncias à Gerência de Fiscalização Ambiental (Gefa), pelo WhatsApp (92) 98557-9454.

*Com informações da Agência Amazonas

Nova ferramenta facilita agricultura do Acre com diagnóstico rápido de solo

Plataforma foi lançada oficialmente na segunda noite de Expoacre Juruá. Foto: Diego Gurgel/Secom AC

Aliando modernização e desenvolvimento, foi lançado na noite do dia 2 de julho, durante a Expoacre Juruá, em Cruzeiro do Sul, o Programa de Análise e Diagnóstico de Solos do Acre, uma iniciativa da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri). A nova tecnologia permite obter resultados rápidos e confiáveis diretamente do solo da propriedade, dispensando o envio para laboratórios.

Chamado ‘Solo Fértil’, o programa agiliza e desburocratiza o processo essencial para que os produtores invistam na recuperação do solo e, consequentemente, ampliem a produtividade de suas lavouras. As análises são oferecidas gratuitamente aos produtores rurais e utilizam a tecnologia NIRS (espectroscopia no infravermelho próximo), que permite um diagnóstico rápido e preciso na própria propriedade.

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De acordo com o governo, a tecnologia representa um avanço significativo para a agricultura acreana, fornecendo informações detalhadas sobre os nutrientes do solo, como cálcio, magnésio, potássio e fósforo, entre outros. Com resultados instantâneos, a tomada de decisões no campo se torna mais ágil e estratégica.

“O Acre é um estado pujante, com uma terra fantástica e clima excelente. Agora, com a análise de solo implementada de forma concreta, temos certeza de que quem colhia 20 ou 25 sacas de café poderá colher 50 ou 60. Isso é dignidade para o produtor rural, que está no campo diariamente trazendo alimento para nossa mesa. Este é um dia histórico para a agricultura do estado”, celebrou o secretário de Estado da Agricultura, Luiz Tchê.

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A análise de solo é uma ferramenta indispensável para o planejamento agrícola, pois fornece informações valiosas sobre a fertilidade do solo e auxilia os produtores na escolha das melhores práticas de adubação e manejo. Com o programa, o governo estadual busca democratizar o acesso a essa tecnologia, promovendo o desenvolvimento sustentável da agricultura no Acre.

O impacto esperado é o aumento da produtividade com responsabilidade ambiental. As coletas são feitas por técnicos capacitados, seguindo um protocolo padronizado. O uso da tecnologia NIRS reduz custos operacionais, economiza tempo e permite um planejamento mais eficaz.

*Com informações da Agência Acre

Você sabe a diferença entre quadrilhas juninas tradicionais e estilizadas?

Na esquerda, um integrante de quadrilha tradicional e na direita de quadrilha estilizada. Fotos: Israel Cardoso/ Secretaria de Cultura do Amapá

Após seis dias de festa, o Arraiá do Povo 2025 chegou ao fim na noite da última quarta-feira (2), marcando a terceira edição do evento realizado pelo Governo do Amapá. A festa aconteceu na unidade do Corpo de Bombeiros Militar (CBM), localizada no bairro São Lázaro, Zona Norte de Macapá, e reuniu as três principais competições juninas do estado: o 6º Festival Municipal Sandro Rogério, o 7º Forrozão do Primo Sebastian e o 16º Arraiá no Meio do Mundo, este último considerado o maior festival junino do Amapá.

Na noite de encerramento, 12 grupos disputaram o título do Arraiá no Meio do Mundo, cada um com cerca de 30 minutos para se apresentar diante do público e dos jurados. As apresentações foram acompanhadas por centenas de espectadores que lotaram as arquibancadas da Cidade Junina, espaço cenográfico montado especialmente para o evento com estrutura completa e entrada gratuita.

Leia também: Arraiá do Povo reúne os três principais festivais juninos do Amapá; saiba quais

Entre os pontos altos da programação esteve a variedade de estilos das quadrilhas juninas participantes, que se dividiram entre os modelos tradicional e estilizado, cada um com características próprias, que ajudaram a enriquecer ainda mais o espetáculo cultural.

Mas qual a diferença?

A quadrilha tradicional, também chamada de matuta, mantem os elementos clássicos das festas juninas: passos simples, formação em roda e coreografias baseadas em comandos como ‘balancê’, ‘anarriê’ e cavalheiro com a dama. O figurino dos grupos dessa categoria são compostos por roupas típicas, como camisas xadrez, vestidos rodados e chapéus de palha, remetendo à estética caipira.

Bagunçados dos Matutos são tradicionais. Foto: Divulgação/GEA

Já a quadrilha estilizada inova com coreografias mais elaboradas, figurinos com brilhos, enfeites e até mesmo temáticas específicas, que fogem do tradicional. As apresentações são mais performáticas, com elementos cênicos, narrativas integradas à dança e músicas escolhidas de acordo com o tema.

Simpatia da Juventude é estilizada. Foto: Divulgação/GEA

“A principal diferença entre as duas categorias está na complexidade da coreografia e no figurino. A tradicional valoriza a espontaneidade e a raiz das festas juninas, enquanto a estilizada aposta em apresentações mais ensaiadas e visualmente impactantes”, explicou Augusto Souza, da equipe de comunicação do Instituto Sociocultural Arraiá no Meio do Mundo.

Premiações e temáticas

Na categoria tradicional, por exemplo, o grupo Bagunçados dos Matutos conquistou o primeiro lugar no 16º Arraiá no Meio do Mundo com o tema “Das brincadeiras de criança, às brincadeiras de São João, os Bagunçados vão te mostrar o que é tradição”. O grupo destacou elementos lúdicos da infância e suas conexões com o universo junino.

Apresentação dos Bagunçados dos Matutos no Arraiá do Povo 2025. Foto: Israel Cardoso/ Secretaria de Cultura do Amapá

O segundo lugar ficou com a Rosa dos Ventos, seguida pelo empate entre Fúria Junina e Garota Safada no terceiro lugar. Rabo de Palha e Piriguetes dos Matutos completaram o ranking na quarta e quinta posição, respectivamente.

Na categoria estilizada, houve empate triplo no primeiro lugar entre os grupos Simpatia da Juventude, Estrela do Norte e Luar do Sertão. As temáticas escolhidas chamaram a atenção pela diversidade e profundidade:

  • Simpatia da Juventude apresentou o tema “Autismo, o Mundo Azul da Fera”, abordando inclusão e visibilidade.
  • Estrela do Norte, que representará o Amapá na competição nacional da Confebraq, trouxe “Isso é o Amapá – Minha Identidade, Meu Orgulho, Meu Lugar”, exaltando a cultura local.
  • Luar do Sertão surpreendeu com o enredo “As Bruxas Estão Soltas”, uma narrativa sobre a luta e libertação das mulheres.

O segundo lugar na categoria estilizada ficou com o grupo Revelação – Sensação Amapaense, enquanto Explode Coração PG e Constelação Junina dividiram o terceiro lugar. Explode Coração STN e Tradição Junina Santana fecharam o pódio.

Segundo a organização, 36 grupos foram selecionados após as seletivas estaduais para participar dos três festivais oficiais promovidos no evento.

“Foram mais de 59 grupos nas seletivas, e 36 vieram para a grande festa. Todos se reinventaram com novas temáticas, figurinos e criatividade. Essa parceria com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura e apoio dos nossos senadores, tem sido fundamental para o fortalecimento da cultura junina no Amapá”, afirmou Augusto Souza.

Arraiá Amazônico

O Arraiá Amazônico é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) em parceria com a Central Única das Favelas (CUFA-Amapá), Associação Casa da Hospitalidade, Lar Betânia – Casa da acolhida Marcello Candia; e apoio da Secretaria de Cultura do Estado do Amapá (Secult), Governo do Amapá e Tratalix Serviços Ambientais.

65 anos da rodovia que ligou Rondônia ao Brasil — um marco de integração assinado por JK

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Moradores da Reserva Aroeira foram trazidos para cumprimentar Juscelino. Foto: Manoel Rodrigues

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

4 de julho de 1960. Vilhena sequer era um povoado — apenas um ponto esquecido no extremo de Porto Velho, a 700 km da sede do município. Na tarde daquela segunda-feira, o presidente Juscelino Kubitschek chegou a bordo de um avião C-47 da Força Aérea Brasileira, vindo de Cuiabá. O pouso se deu em uma pista asfaltada de 1.450 metros, cercada de lama, junto à BR-29, futura rodovia BR-364. Ali, a FAB instalava uma base estratégica para apoiar a ocupação e o desenvolvimento da região — hoje, 65 anos depois, transformada na cidade de Vilhena, com 110 mil habitantes, segundo maior IDH e terceiro maior PIB de Rondônia.

Rondônia era quase vazia: menos de 50 mil habitantes oficialmente registrados. Tropas flutuantes de garimpeiros, seringueiros, tropeiros e indígenas viviam à margem das estatísticas. A real dimensão dos povos originários era ignorada — e muitos consideravam sua presença um “entrave” ao avanço. Cortados pela nova estrada e abandonados pelo desprestigiado SPI (antecessor da Funai), os indígenas pouco importavam à lógica desenvolvimentista do governo federal.

As poucas referências eram o rústico Posto Telegráfico Álvaro Vilhena, os seringais e as aldeias — símbolos “exóticos” do Brasil profundo. Enquanto o país possuía emissoras de televisão e assistia à corrida espacial, em Vilhena o progresso passava devagar, em Código Morse, em sinais de rádio difíceis de serem sintonizados e lombos de burro, que transportavam borracha até o porto improvisado no Rio 12 de Outubro, batizado pelos Nambiquara como Walukatuyausu — o “Rio da Paca”.

Entre afetos e sorrisos – Em seu diário, o presidente registrou sua admiração pelos artefatos dos nativos de Vilhena. Enquanto ele se encantava com o contato e era chamado de “grande pai” pelos indígenas, sua esposa e filha (logo atrás na imagem) permaneciam alheias à cena. Foto: Acervo de Anderson Leno / Colorização: Luís Claro

Até o final da década de 1950, Rondônia possuía uma frota automobilística extremamente modesta. Nos dois únicos municípios existentes na época — Porto Velho e Guajará-Mirim — havia apenas 235 veículos, divididos em: 53 carros de passeio, 21 táxis, 121 caminhões, 10 ônibus, 19 motocicletas e 11 tratores. O território só superava, em quantidade de veículos, Roraima, com 103 unidades, e Fernando de Noronha, com 34.

No cenário nacional, o Brasil também era um país de poucos automotores. Na virada da década de 1960, havia apenas 1 milhão de veículos registrados, em uma nação ainda majoritariamente rural, movida a cavalos, bois e ferrovias que cruzavam parcialmente o território. Ao final daquela década, o país alcançaria 37 mil km de rodovias, das quais apenas 13.200 km eram asfaltadas — sendo mais da metade delas construídas durante o governo Juscelino Kubitschek.

Nenhum veículo havia chegado a Vilhena. Embora o governo tivesse aberto uma estrada para a localidade nos anos 1940, ela foi logo abandonada e tomada pelo mato. No início de 1960, um caminhão Ford F-600, com motor de 167 HP, adquirido pelo Governo do Território, partiu de São Paulo até Vila Bela da Santíssima Trindade e, de lá, seguiu por via fluvial, através do Rio Guaporé, até alcançar Guajará-Mirim. Era impensável, à época, atravessar os caminhos da selva entre Vilhena e Porto Velho com um veículo motorizado, mesmo havendo os caminhos do telégrafo.

Rondônia se locomovia por seus rios. E, longe de Vilhena, o transporte terrestre dependia da antiga e decadente ferrovia de maria-fumaça que ligava os rios Mamoré e Madeira. A abertura de uma rodovia era, portanto, crucial para romper esse isolamento.

A BR-364, embora oficialmente lançada com a ordem de serviço em 1960, já havia sido projetada anteriormente e sua construção avançava até Barracão Queimado, hoje Comodoro (MT). A obra seguiu em ritmo acelerado, viabilizada pela vontade política do presidente, pelo apoio do DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem) e pela atuação da empreiteira Camargo Corrêa, que liderava o consórcio responsável pelas frentes de trabalho. Naquele tempo, os entraves burocráticos eram menores.

Em quatro meses, algo impensável hoje, em que nem mesmo uma licitação seria concluída, as máquinas e os homens já avançavam no traçado. Juscelino não se intimidava com possíveis questionamentos futuros na justiça, e Sebastião Camargo, proprietário da construtora, assumiu o desafio do trecho mais difícil: entre Barracão Queimado e Pimenta Bueno.

Travessia perigosa. Nas imediações da futura Vila Vilhena, operário da Camargo Corrêa tenta a sorte em ponte improvisada. Foto: João Alves Nogueira

Foi aqui, em meio ao cerrado, cercado por trabalhadores braçais, engenheiros, indígenas e autoridades, que JK hasteou a bandeira do Brasil, descerrou uma placa de bronze e derrubou simbolicamente a última árvore que marcava o trajeto da rodovia — ainda um estradão de terra, mas já prenunciando uma das maiores ondas migratórias da história brasileira. A pavimentação só viria em 1984, no governo de João Batista Figueiredo, dois anos após a instalação do Estado de Rondônia.

Na época, milhares de trabalhadores arregimentados pelas empreiteiras atuavam na abertura do trecho conhecido como Brasília-Acre. A imprensa do Sudeste a apelidava de “Rodovia das Onças”. Além dos migrantes vindos do Sudeste e Nordeste, indígenas também participaram das frentes de trabalho, contribuindo na missão de integrar Rondônia e Acre ao restante do país.

Foi somente a partir da BR que surgiu o núcleo urbano de Vilhena, transformado em distrito subordinado a Porto Velho em 1969 e elevado a município em 1977. Ao longo do traçado, outras cidades nasceram ou se consolidaram: Pimenta Bueno, Cacoal, Presidente Médici, Ji-Paraná, Ouro Preto do Oeste, Jaru, Itapuã do Oeste, Ariquemes e Candeias do Jamari, além dos muitos “patrimônios” — como eram chamados os povoados surgidos em decorrência da rodovia, vinculados aos municípios principais.

Durante a década de 1970, a migração se intensificou com o início do Ciclo da Madeira, promovendo a instalação de centenas de serrarias e madeireiras que só foram viáveis graças à BR.

JK agiu com a urgência de quem parecia antever que não voltaria ao poder. Em 1964, o golpe civil-militar interromperia o regime democrático, e o Brasil só voltaria a eleger presidentes em 1989 — quando Juscelino já havia falecido há 13 anos.

“Só a poesia tem o poder de criar coisas grandes”

No palanque improvisado em Vilhena, JK discursou com lirismo e visão de futuro: “Tínhamos que realizar obras que representassem um pouco de sonho, um pouco de poesia, porque só a poesia tem o poder de criar coisas grandes.”

E completou: “Estamos atrasados um século em relação aos Estados Unidos. Mas marchamos mais rápido.”

Ele via em Vilhena o que vira em Brasília: um núcleo nascente, de paisagem parecida e povo destemido. Lá, eram candangos. Aqui, sem nome definido, homens e mulheres abriram com as mãos a clareira onde surgiria a cidade.

JK enxergou longe. E, com poesia, mudou para sempre o mapa da Amazônia.

Entre operários e indígenas

A pedido do DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem), os indígenas que participaram da obra da BR-29 foram vacinados contra febre amarela e conduzidos à solenidade pela liderança local do SNI, o chefe Afonso Mansur. Hospedaram-se no Posto Fiscal 3, sob os cuidados da Comissão Construtora da rodovia, até a chegada do presidente Juscelino Kubitschek. Para o deslocamento ao local do evento, foram providenciados caminhões.

Alguns indígenas, que vieram diretamente das aldeias e não haviam participado da construção da estrada, presenciaram com encantamento o movimento das máquinas — uma realidade totalmente nova para muitos deles. Um dos relatos mais emblemáticos veio do Nambiquara Lito Sabanê, publicado no jornal Folha da Manhã:

“O que eu mais gostei foi de ouvir o ronco do caminhão, de ver o movimento das máquinas. O homem com o colar [referência à gravata de JK] derrubou a árvore com a máquina que eu gostei. Eu gostei disso. Ele andou na árvore caída”. Muitos Nambiquaras, habitantes das vertentes de 16 rios, já estavam pacificados há cerca de meio século.

O presidente chegou a Vilhena acompanhado de familiares e figuras centrais da história brasileira: Israel Pinheiro, engenheiro civil e primeiro prefeito de Brasília; Filinto Müller, engenheiro e então vice-presidente do Senado; Regis Bittencourt, diretor-geral do DNER; Carlos Pires de Sá, engenheiro e um dos diretores do DNER.

Este último, Carlos Pires de Sá, foi o único da comitiva a ter seu nome eternizado na geografia local: o Rio Pires de Sá corta a cidade de Vilhena. Natural de Sousa (PB), Pires de Sá nasceu em 1921, formou-se engenheiro civil em 1947, pela tradicional Escola Nacional de Engenharia, no Rio de Janeiro. Chegou a Vilhena aos 39 anos e faleceu no Rio, em 2016. Foi o responsável direto pelos estudos de viabilidade técnica da BR-29 e esteve presente em diversas etapas da obra. Também foi ele quem autorizou a construção do aeródromo provisório onde JK pousou.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Comissão de Defesa do Consumidor da Aleam atende mais de 2.400 pessoas durante o Festival de Parintins 2025

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Foto: Leandro Cardoso/Gabinete do deputado Mário César Filho

A Comissão de Defesa do Consumidor (CDC), da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), presidida pelo deputado estadual Mário César Filho (UB), encerrou no domingo (30/06) sua participação no Festival de Parintins 2025 com um balanço expressivo e um forte impacto social.

Durante cinco dias de atuação no Turistódromo, ponto de apoio, informação e acolhimento para moradores e turistas, a CDC realizou, ao todo, 2.440 atendimentos, com orientações jurídicas, esclarecimento de dúvidas e recebimento de denúncias.

Além dos atendimentos, ainda foram distribuídos gratuitamente 3.900 copos personalizados e 6.000 abanadores informativos, todos com conteúdos educativos sobre os direitos do consumidor e as ações parlamentares conduzidas pelo deputado Mário César Filho.

Segundo o parlamentar, entre as denúncias recebidas, destacaram-se 10 casos de cobrança indevida no transporte fluvial para acompanhantes de pessoas com autismo, além de reclamações sobre telefonia, filas bancárias abusivas e falta de acessibilidade no evento.

“A presença da CDC em Parintins é o nosso jeito de cuidar das pessoas de perto. Estivemos na linha de frente para garantir dignidade, respeito e informação. Ouvir o povo, buscar soluções e mostrar que dá, sim, pra fazer diferente — esse é o nosso compromisso. E ainda vem muito mais por aí”, destacou.

A ação reforça o papel da Assembleia Legislativa, por meio da CDC, como instrumento de transformação social e aproximação entre o poder público e o cidadão, em todas as regiões do Amazonas.