Rio Cupixi, com lama de garimpo onde barreira se rompeu no Amapá. Foto: Divulgação/GTA-AP
Sete árvores gigantes localizadas no Amapá — todas da espécie angelim-vermelho, com mais de 80 metros de altura — correm risco de desaparecer por falta de proteção efetiva e avanço do garimpo ilegal. O alerta foi feito por organizações ambientais que integram a campanha “Proteja as Árvores Gigantes”.
Para Angela Kuczach, articuladora da campanha e diretora-executiva da Rede Pró-UC, mesmo com boa parte do Amapá coberta por unidades de conservação, as árvores gigantes do estado ainda não têm proteção total.
“A gente tem que lembrar que o angelim-vermelho é uma espécie explorada comercialmente. Do ponto de vista madeireiro, todos os dias caminhões saem pelas estradas do Amapá carregados com toras dessa árvore. Ou seja, árvores de grande porte, consideradas gigantes, mas que não estão dentro de unidades de conservação, precisam ser protegidas”, descreveu.
No Amapá, as árvores estão distribuídas em três áreas:
Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru (RDS Iratapuru), em Laranjal do Jari
Floresta Nacional do Amapá (Flona)
Assentamentos na região de Maracá-Camaipi
A segunda maior árvore já registrada na Amazônia — com 85,44 metros — está na RDS do Rio Iratapuru.
A RDS permite exploração madeireira autorizada, o que não garante proteção integral às árvores. Por isso, ambientalistas defendem a criação de uma unidade de conservação de proteção total, como um parque estadual, semelhante ao que foi feito no Pará.
A cerca de 1 km da segunda maior árvore, há um garimpo ilegal operando próximo ao garimpo São Domingos, conhecido ponto de mineração clandestina. A atividade coloca em risco direto o santuário das árvores gigantes.
Em novembro de 2024, a Polícia Civil do Amapá realizou uma operação em Laranjal do Jari, apreendendo uma aeronave e interditando um aeródromo usado como base logística para garimpos ilegais no Pará.
Tombamento como patrimônio natural
Quarta expedição encontrou novo exemplar de árvore gigante em Mazagão. Foto: Rafael Aleixo/Arquivo GEA
O Ministério Público do Amapá recomendou o tombamento das sete árvores como patrimônio natural. A proposta inclui a criação de uma Área de Preservação Permanente (APP) com raio de 1 km ao redor de cada exemplar, proibindo corte ou exploração econômica.
A recomendação foi aceita pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amapá (Sema), mas ambientalistas afirmam que apenas o tombamento não é suficiente. Eles defendem a criação de uma unidade de conservação de proteção integral.
As árvores gigantes funcionam como arquivos vivos da história da Amazônia. Seus anéis de crescimento registram dados sobre clima, estoques de carbono e eventos extremos. Uma única árvore pode armazenar até 80% da biomassa de carbono de um hectare.
A pesquisa que identificou os exemplares no Amapá foi feita com tecnologias de sensoriamento remoto e mais de 900 sobrevoos. Apenas 1% da floresta foi mapeada, o que indica que outras árvores gigantes podem ter sido derrubadas antes de serem descobertas.
Árvore mais alta já mapeada no Amapá tem 85,44 metros de altura. Foto: Divulgação/Ifap
O estudo contou com participação de pesquisadores do Instituto Federal do Amapá (Ifap), Universidade Estadual do Amapá (Ueap), e outras instituições nacionais e internacionais.
“Encontrar uma árvore com 60 metros já é raro. Estamos investigando os fatores que causaram esse fenômeno de gigantismo e esperamos encontrar muitas outras árvores gigantes, inclusive maiores que 88 metros”, explicou o pesquisador Robson Lima, da Ueap.
O pesquisador, integrante da equipe do estudo, passou a realizar o monitoramento das árvores após a descoberta.
Uma pesquisa foi realizada em Manaus (AM), com o objetivo de integrar o diagnóstico da poluição do Igarapé do Mindu e analisar o uso de uma solução sustentável altamente eficaz baseada em fungos nativos da região como alternativa sustentável para o biotratamento da água.
Amparada pelo Programa Biodiversa/Fapeam, a pesquisa intitulada ‘Características Físico-Químicas, Microbiológicas e Utilização de Fungos Filamentosos na Melhoria da Qualidade das Águas do Igarapé do Mindu da Cidade de Manaus’ avaliou o nível de poluição das águas ocasionada pelo despejo de agentes poluentes, por meio de análises físico-químicas e microbiológicas, e verificou a viabilidade da utilização de fungos filamentosos no seu tratamento e melhoria.
Após a aplicação dos biotratamentos com os consórcios de fungos filamentosos, os resultados foram bastante promissores, demonstrando que a própria biodiversidade local pode ser uma aliada na recuperação ambiental e na melhoria da qualidade de vida nas cidades. Além de trazer benefícios concretos para a saúde pública, reduzir riscos de contaminação e contribuir para a recuperação ambiental de corpos hídricos degradados, como o Igarapé do Mindu.
Foto: Ingrid Reis da Silva/Acervo pessoal
A bacia Hidrográfica do Igarapé do Mindu ocupa aproximadamente 1/4 do território urbano de Manaus. A nascente, localizada na Cidade de Deus, Zona Leste, sofre com expansão urbana desregulada, lançamento de esgoto doméstico e resíduos sólidos.
A coordenadora do estudo e doutora em biotecnologia, Ingrid Reis da Silva, do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), explicou que foram realizadas três coletas de água em diferentes pontos do Igarapé do Mindu, abrangendo áreas urbanas com diferentes níveis de impacto ambiental. A água coletada foi analisada em laboratório para verificar a presença de poluentes físico-químicos e microbiológicos, como pH, oxigênio dissolvido (OD), turbidez, DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) e a presença de bactérias indicadoras de contaminação fecal, como a Escherichia coli.
Os resultados revelaram um alto nível de poluição da água. Os valores de oxigênio dissolvido, um dos principais parâmetros indicativos da qualidade da água, essencial para a sobrevivência de organismos aeróbios, variaram entre 2 e 3 mg/L, muito abaixo do valor mínimo exigido de 5 mg/L para águas doces de classe II, segundo a Resolução Conama 357/2005.
Já os níveis de Demanda Bioquímica de Oxigênio ultrapassaram 47 mg/L em alguns pontos, enquanto o limite aceitável é de 5 mg/L. Esses valores indicam alta carga de matéria orgânica presente na água. Além disso, a concentração de coliformes termotolerantes chegou a 3 x 10⁵ UFC/100 mL, o que representa um risco à saúde pública e torna a água imprópria para uso humano ou recreativo.
Foto: Ingrid Reis da Silva/Acervo pessoal
Fungos filamentosos
Após o diagnóstico, foi aplicado o processo de biorremediação, utilizando fungos filamentosos da Coleção Microbiológica do CBA, especialmente dos gêneros Trichoderma, Fusarium e Beauveria. Esses fungos foram organizados em consórcios e incubados com a água contaminada por um período de 10 dias, em condições controladas de temperatura e agitação.
“Ao final do tratamento, realizamos novas análises dos mesmos parâmetros para avaliar a eficácia dos consórcios fúngicos na melhoria da qualidade da água. Os resultados demonstraram uma redução significativa nos níveis de contaminação, especialmente nos indicadores microbiológicos e na carga orgânica da água”, detalhou a pesquisadora.
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Uma das grandes responsáveis pela transformação da produtividade da agropecuária brasileira, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tem um novo desafio: apoiar o produtor na transição para uma agropecuária mais verde, regenerativa, conservacionista e de baixo carbono. “Passamos por um novo momento em que, além de falarmos que podemos aumentar a produção e a produtividade com sustentabilidade, precisamos comprovar com métricas. A Embrapa tem um papel importante, por ser um grande articulador, um novo indutor e facilitador da revolução verde”, diz a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, no cargo desde 2023, período em que tem focado em inovação tecnológica e na atração de novos talentos para a instituição.
De acordo com o site da empresa, o caminho, por conseguinte, passa por desenvolver e transferir novas tecnologias aos 5 milhões dos produtores brasileiros, quer sejam os bioinsumos, a calculadora da pegada de carbono, ou a integração lavoura-pecuária-floresta, ou em levar indicadores para mostrar a sustentabilidade da agropecuária brasileira. “Mas temos também de avançar, estimulando os produtores de forma que possam ser recompensados por adotarem práticas mais sustentáveis”, defende. Saliente-se que a Embrapa foi fundamental para o agronegócio e a agricultura familiar darem salto de produtividade, mas novos desafios surgem como a nova revolução verde em curso no setor, do alimento à energia.
A Embrapa, historicamente, teve papel fundamental no estímulo à produção agropecuária. Desde sua criação, o país passou de importador para grande exportador de alimentos resultante de um processo de desenvolvimento de tecnologia avançada aplicável em qualquer tipo de clima e solo, ou seja, para a agricultura tropical. Foram tecnologias para aumentar a produtividade, o chamado efeito “poupa terra”, que permitiram expandir em 140% a área plantada e em 580% produção de grãos nos últimos 50 anos. Segundo Silvia Massruhá, “hoje passamos por um momento em que, além de mostrarmos que podemos aumentar a produção e a produtividade com sustentabilidade, precisamos comprovar isso com métricas. Vejo que, neste novo momento, a Embrapa tem um papel importante por ser um grande articulador, um novo indutor e facilitador da revolução verde”.
Na prática, a Embrapa, afirma sua presidente, pode ser um novo indutor, oferecendo o portfólio de tecnologias, participando desse movimento de agricultura sustentável. Por exemplo, com a fixação biológica de nitrogênio, o plantio direto, os sistemas integrados de lavoura, pecuária e floresta (ILPF), os sistemas agroflorestais, os sistemas consorciados, a recuperação de florestas e o próprio incentivo aos bioinsumos. São maneiras de incentivar o melhor aproveitamento do solo e com a visão de agricultura regenerativa, adotando práticas mais sustentáveis. Em relação a terras degradadas, a empresa vem trabalhando na recuperação com pastos e práticas sustentáveis ou sistemas agroflorestais, a depender da região. Está em curso o programa de recuperação de pastagens degradadas (mais de 160 milhões de hectares mapeados), com a meta de converter 40 milhões de hectares de pastos em dez anos.
A empresa, ressalta a presidente Silvia Massruhá, vem realizando estudos com o cruzamento de informações dessa área possível de ser recuperada com o zoneamento agrícola de risco climático, para mapear qual a maior aptidão agrícola de cada área. O Ministério da Agricultura tem apresentado o projeto no mundo todo para captar recursos. A Embrapa entra com tecnologias. A partir do cruzamento de dados das pastagens com o zoneamento, “veremos quais são as tecnologias mais adequadas que podemos aplicar. Já existe um embrião que começamos a testar no Rio Grande do Sul este ano junto com Banco do Brasil e a Cooperativa Central Gaúcha. Programas que, em síntese, garantem ao Brasil continuar a manter liderança na produção mundial de alimentos ao lado de gigantes como China e Estados Unidos”, salienta.
A Embrapa, entretanto, vive um dos momentos mais dramáticos de sua riquíssima e frutífera história. A empresa registrou, em 2024, déficit orçamentário geral de aproximadamente R$ 200 milhões. Para 2025, a situação não deverá melhorar. A previsão é de que o orçamento para custear a atividade dos pesquisadores na ponta seja ainda mais reduzido. A narrativa de sucesso da empresa, tantas vezes celebrada, parece estar em rota de colisão com a realidade atual. Nas últimas semanas, a Embrapa voltou às páginas dos jornais e às redes sociais, não pelas suas inovações, mas pelas preocupações com o esvaziamento orçamentário, a perda de protagonismo e os sinais de crise institucional. E, como em outras ocasiões, reaparecem propostas de “salvação” com uma tônica preocupante: o financiamento com recursos privados e a colagem das atividades de pesquisa às demandas diretas das empresas e do setor privado.
A crise atual da Embrapa, apontam pesquisadores e analistas especializados, não pode ser resolvida simplesmente com o aporte de fundos privados e redirecionando seus esforços para demandas privadas. Isso equivale a amputar sua capacidade de pensar o futuro, de atuar em áreas negligenciadas pelo mercado, de liderar missões nacionais de interesse estratégico. Instituições como a Embrapa, as universidades públicas, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para citar algumas, foram desenhadas para isso: ocupar o espaço em setores de alta tecnologia em que o mercado não entra essenciais ao crescimento econômico do país.
Enquanto isso, atingem volumes nunca antes imaginados na história brasileira recursos orçamentários da União comprometidos com Emendas Parlamentares, fundos partidários, viagens internacionais bilionárias, fundos sociais sem retornos planejados, crescimento de déficits monumentais em empresas públicas como os Correios. O populismo orçamentário no Brasil hoje refere-se a uma conduta do governo que prioriza a expansão do gasto público e a construção de um discurso eleitoral para 2026, mesmo que isso resulte em desequilíbrio fiscal e altas taxas de juros, prejudicando a confiança e a previsibilidade necessárias para o crescimento econômico sustentável. Críticos sustentam que essa estratégia, embora destinada a agradar ao eleitorado, não é acompanhada por reformas estruturais ou cortes de gastos compensatórios, levando a um quadro de “gastança” em detrimento da responsabilidade fiscal e do bom funcionamento da economia.
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
O Projeto Água para Todos, fruto de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) e a empresa New Fortress Energy (NFE), foi vencedor do 13º Prêmio ESG da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil – Seccional Pará (ADVB-PA), na categoria Social – Médias e Grandes Empresas, no dia 28 de agosto.
O projeto é uma solução baseada na natureza (SbN) que tem como objetivo o aproveitamento da água da chuva, com sua transformação em água potável, por meio de um sistema inteligente de captação, filtragem, desinfecção e abastecimento.
A iniciativa está levando tecnologia sustentável para famílias da Ilha do Combu, em Belém, promovendo acesso a água de qualidade e impacto direto na melhoria da qualidade de vida da comunidade. A primeira fase do projeto prioriza a implantação da solução nas escolas e empreendimentos da sociobiodiversidade, liderados por coletivos ribeirinhos da ilha.
O projeto é parte da implementação do componente climático do licenciamento ambiental, cujas ações ESG desenvolvidas pela New Fortress no Pará têm foco no bem-estar e desenvolvimento de comunidades resilientes. A empresa opera um terminal de gás natural (GNL) desde abril de 2024 e afirma que o gás natural representa uma fonte de energia de transição, com menor impacto ambiental e maior segurança energética.
Ilha do Combu. Foto: Reprodução/Agência Sebrae de Notícias
A rede de parcerias de implementação do projeto também articula a integração com a Pluvi Soluções Ambientais Inteligentes, Prefeitura de Belém, por meio das Secretarias Municipais de Meio Ambiente (Semma), de Saúde (Sesma) e de Educação, Ciência e Tecnologia (Semec), Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do Núcleo de Meio Ambiente (Numa), e Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM).
“Os investimentos da New Fortress Energy no Pará vêm sendo construídos com muito talento, dedicação e respeito às normas mais rigorosas de ESG. Projetos como o Água para Todos, no Combu, e o Aquavila, no Salgado, em apoio à ostreicultura, têm na parceria com a Semas uma inspiração e um apoio técnico essencial. Essa sinergia garante que as ações tenham impacto real nas comunidades e promovam transformação social e ambiental”, destacou o diretor de Relações Externas e Governamentais da NFE, Paul Steffen.
A 54ª Expofeira do Amapá começou no dia 30 de agosto e segue até 7 de setembro, no Parque de Exposições da Fazendinha, em Macapá. O evento, realizado pelo Governo do Estado, reúne negócios, sustentabilidade, cultura e lazer, consolidando-se como o maior da história do estado.
Para orientar o público, foi divulgado omapa oficialdo espaço, com detalhes sobre a localização de shows, pavilhões, parques e praças de alimentação.
Estrutura da Expofeira
O parque foi dividido em áreas específicas para melhor organização do público e dos serviços oferecidos. Logo na entrada, os visitantes encontram o setor de concessionárias e feirão de veículos, além do pavilhão da agricultura irrigada e do Mercadão do Produtor.
Na parte central, fica o espaço destinado à ExpoAmazônia, feira voltada à bioeconomia, sustentabilidade e novas tecnologias para o desenvolvimento regional. Perto dessa área estão também os galpões de paisagismo e economia solidária, além de pavilhões reservados a empreendedores locais e caravanas de oportunidade.
As famílias têm à disposição a Mini Fazenda, o setor de currais e o Parque de Diversões, que este ano conta com uma roda-gigante com vista para a Arena Rio Amazonas, onde acontecem os principais shows da programação. As praças de alimentação estão distribuídas em diferentes pontos, garantindo acesso rápido a opções gastronômicas variadas.
O espaço ainda oferece áreas de leilões, boates e camarotes, além do Galpão do Empreendedorismo, com espaços de inovação e oficinas voltadas a novos negócios.
Destaques do mapa
Entre os pontos destacados no mapa oficial do evento estão:
Arena de Shows e Rodeios, palco das grandes apresentações musicais e culturais;
ExpoAmazônia, espaço central dedicado à sustentabilidade, inovação e bioeconomia;
Mini Fazenda, que oferece contato direto com animais e atividades educativas;
Roda-Gigante e Parque de Diversões, com brinquedos e atrações para todas as idades;
Pavilhões de Empreendedores e Economia Solidária, com exposições de negócios locais;
Áreas de Alimentação, distribuídas em diversos pontos do parque;
Currais e Leilões de Gado, voltados ao agronegócio;
Heliponto e Postos Médicos, para situações de emergência.
A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.
A Fundação Rede Amazônica (FRAM) lançou o projeto ‘ExpoFeira na Rede‘, durante a 54ª Expofeira do Amapá, com ações culturais, educativas e de comunicação multiplataforma.
Reforçando a Expofeira como espaço de integração entre negócios, turismo e desenvolvimento sustentável, saiba quais são as ações da FRAM:
Expofeira na Rede
A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.
Bezerra nasceu durante a Expofeira e passou a representar o evento como mascote. Foto: Sal Lima/GEA
Agora a 54ª Expofeira do Amapá tem uma mascote: uma bezerra da raça Nelore, saudável e cheia de vida. O nascimento aconteceu no Parque de Exposições da Fazendinha, em Macapá, na madrugada do dia 31, e marcou simbolicamente o início da feira, considerada a maior vitrine de negócios do estado.
Para celebrar, o Governo do Estado lançou uma campanha para escolher o nome da mascote. A proposta é que o nome represente o orgulho e a esperança.
“A feira trouxe negócios, cultura, oportunidades e agora, também vida. Queremos que a população participe escolhendo um nome bonito e simbólico”, afirmou Beatriz Barros, secretária de Desenvolvimento Rural.
A edição de 2025 da Expofeira no Amapá conta com atrações diversificadas — superando 500 eventos culturais, incluindo gastronomia, parque de diversões, atrações esportivas e shows nacionais gratuitos. Uma das inovações é a instalação de uma roda-gigante com vista panorâmica para o palco da Arena Rio Amazonas, reforçando o ambiente de integração e entretenimento.
Durante o parto, a equipe veterinária esteve de plantão para garantir a saúde da mãe e da bezerra. “O parto durou cerca de cinco horas. Foi normal, mas demorado. Estamos acompanhando os dois de perto para garantir bem-estar e uma vida longa”, explicou Carlos Napoleão, médico veterinário da Secretaria de Desenvolvimento Rural.
A escolha do nome será feita por meio das redes sociais do governo do Estado. A população poderá sugerir opções e votar na final. O resultado será divulgado nos próximos dias, durante a programação oficial da feira.
Quem quiser conhecer a mascote pode visitá-la no pavilhão dos animais, no curral coberto de número 28.
Foto: Cleito Souza/GEA
Expofeira 2025
Com o tema “Amazônia Sustentável e Desenvolvida”, a 54ª Expofeira do Amapá começou no sábado (30) e vai até 7 de setembro. Organizado pelo Governo do Estado e pela Associação dos Músicos e Compositores do Amapá (AMCAP), o evento é o maior da história, com área 46% maior que a edição anterior.
São 482 empresas expositoras e expectativa de movimentar mais de R$ 600 milhões em negócios. A segurança foi reforçada em 35%, e os serviços de urgência e emergência também foram ampliados.
A feira sedia ainda a 1ª ExpoAmazônia, evento que prepara o Amapá para a COP 30, com foco no desenvolvimento sustentável e na economia verde.
Expofeira na Rede
A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.
A Glocal Amazônia 2025 promoveu, neste sábado (30), o painel ‘O Brasil que o Mundo Quer Visitar: Turismo de Experiência e Sustentabilidade’, que reuniu especialistas, representantes do poder público e empreendedores para debater os rumos do turismo na região amazônica e seus impactos no desenvolvimento sustentável.
O painel foi marcado por reflexões sobre como transformar a visita à Amazônia em uma experiência significativa para o turista, sem perder de vista a preservação da natureza e a valorização das comunidades locais.
Cristiane Barroncas, professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), destacou a importância da integração entre universidade, poder público e iniciativa privada.
“O painel traz reflexões sobre qual é o turismo que estamos construindo na Amazônia. Será que as pesquisas que vêm sendo desenvolvidas estão de fato contribuindo para mudar o cenário? Esse diálogo é essencial”, pontuou.
Diretamente do município de Maués, Ítalo Michiles, da Experiência Mawê, reforçou que a Glocal abre espaço para que realidades do interior do estado sejam conhecidas.
“O turismo é uma alavanca que movimenta toda a economia local. Precisamos mostrar o que cada município tem a oferecer. Muitas vezes recebemos mais visitantes de fora do que de Manaus ou das capitais da região. O interior precisa ser descoberto também por quem está mais perto”, afirmou.
Com duas décadas dedicadas ao tema, Mariana Madureira, do projeto Raízes Desenvolvimento Sustentável, lembrou que o turismo responsável deve valorizar a sociobiodiversidade. “A gente precisa usar os biomas, a ancestralidade e a cultura exuberante do Brasil para construir um diferencial. Mostrar esse Brasil é também uma forma de conservar a natureza e a cultura”, disse.
Foto: Francisco Cabral
Painel da Glocal enfatiza experiências com consciência
A secretária de Turismo de Parintins, Karla Viana, trouxe a experiência do município que se torna mundialmente conhecido durante o Festival Folclórico. “Recebemos o dobro da população da ilha nessa época. É um destino de grande orgulho, mas que precisa ser tratado com cuidado. O turismo de massa exige estratégias de sustentabilidade, e já começamos esse trabalho, embora ainda seja um início que precisa ser ampliado”, declarou.
Representando a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA), Cristiano Gonçalves ressaltou o potencial das unidades de conservação para atividades turísticas. Ele apresentou iniciativas em andamento, como o turismo de pesca esportiva e o turismo de base comunitária na RDS Uatumã.
“Essas práticas são operadas pelos próprios moradores e mostram como é possível unir conservação ambiental, geração de renda e experiência diferenciada para o visitante. Precisamos chamar mais turistas para conhecer as riquezas da Amazônia”, destacou.
O dia 28 de agosto, instituído como Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento, chama atenção para um dos acidentes mais traumáticos ainda enfrentados pelas populações ribeirinhas da Amazônia. No Pará, um estudo da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), elaborado pela Diretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural (Diepsac), revela avanços no enfrentamento do problema e reforça a necessidade de atuação conjunta de instituições para erradicação dos casos.
A nota técnica ‘Menina, mulher e ribeirinha da Amazônia paraense e o acidente em embarcações com escalpelamento’, publicada em janeiro de 2024, disponibilizado no site da Fapespa, reúne dados da Capitania dos Portos da Amazônia Oriental, da Casa de Apoio Espaço Acolher e de levantamentos estaduais, traçando um panorama histórico das ocorrências no Pará.
“O estudo mostra claramente que apesar das inúmeras iniciativas o acidente de escalpelamento ainda é uma realidade constante nos nossos rios, por isso é preciso ainda mais investimento nas campanhas de conscientização dos usuários e dos donos dessas embarcações”, avalia o presidente da Fapespa, Marcel Botelho.
De acordo com o levantamento, a Secretaria de Saúde Pública do Pará (Sespa) contabilizou 483 ocorrências de acidentes com escalpelamento no Estado. As localidades com maior número de casos foram:
Belém (42),
Portel (37),
Cametá (32),
Breves (32),
Curralinho (26),
Anajás (20),
Muaná (19),
São Sebastião da Boa Vista (18),
Igarapé-Miri (16),
Melgaço (14),
Bagre (12),
Santarém (12),
Oeiras do Pará (12),
Almeirim (11),
Oriximiná (11),
Gurupá (11),
Abaetetuba (10),
Limoeiro do Ajuru (10),
outros municípios (95)
e sem informações dos usuários a respeito do município (43).
Na linha do tempo de acidentes, o ano de 2009 marcou negativamente a luta contra o escalpelamento, pois foi um momento em que o Pará registrou o mais alto índice de casos, com 22 vítimas. Porém, foi neste mesmo ano que também tudo mudou, a partir da criação da lei federal de proteção e atenção às vítimas de acidente de escalpelamento. A norma foi criada determinando a obrigatoriedade no uso de proteção do eixo do motor e de partes móveis de embarcações.
A Fundação de Estudos e Pesquisas informou que “entende que ao se organizarem, interpretarem e disponibilizarem dados, informações e diagnósticos do Estado do Pará, aumenta-se a possibilidade de acertos nas tomadas de decisões rumo às metas estabelecidas na gestão administrativa, nas diversas esferas de Governo. Assim, disponibilizar informações fidedignas permite aos Governos disporem de instrumentos adequados para uma gestão descentralizada”.
O escalpelamento atinge principalmente mulheres ribeirinhas de cabelos longos, quando o couro cabeludo é abruptamente arrancado em contato com o eixo em alta rotação do motor de pequenas embarcações. Poucos segundos bastam para uma vida ser tomada por sequelas físicas e danos psicológicos.
A ocorrência dos acidentes com escalpelamento ocorre, majoritariamente, com mulheres que ainda são meninas, residentes às margens dos rios e furos de rios da Amazônia paraense. O estudo identificou que 98% das pessoas vítimas de acidentes com escalpelamento são mulheres e 2% são homens. A causa pode estar relacionada à preponderância do número de mulheres ribeirinhas que habitualmente escolhem ter cabelos compridos, podendo estar associado ao fato de 56,5% serem praticantes da religião evangélica.
Outro aspecto é que, além de serem mulheres, 67% das vítimas são crianças e adolescentes entre 2 e 18 anos de idade. Pessoas adultas e idosas corresponderam a 33% dos casos. Ao verificar os percentuais por faixas etárias, com base nos atendimentos feitos pelo Espaço Acolher, ligado à Santa Casa de Misericórdia, entre os anos de 1964 e 2023, percebeu-se ainda que o maior número de eventos de acidente de escalpelamento envolve crianças de 7 a 9 anos de idade, correspondendo a 24%; seguido de crianças de 10 a 12 anos, com 19% das situações; e, posteriormente, 10% dos casos correspondentes a crianças de 13 a 15 anos.
Amazônia
Com esse estudo foi possível constatar que apenas três Estados registram escalpelamento: Pará, Amapá e Amazonas e constatou-se que peculiaridades da região contribuem para o surgimento de casos. A Região Amazônica tem a extensão de 8 milhões de km², com a maior bacia hidrográfica do planeta. Nesse contexto, percorrer áreas de grandes ou de pequenas extensões de rios, igarapés e furos, requer o uso de embarcações. Para ribeirinhos, grupo reconhecido como povos tradicionais que moram às margens dos rios da Amazônia, o processo é habitual, sendo pelas águas, muitas vezes, o único caminho possível para conseguirem realizar deslocamentos cotidianos.
De acordo com o estudo, a Capitania dos Portos registrou a existência de 21.232 mil embarcações, dentre as quais 6.163 seriam somente de uso para o transporte de passageiros. Todavia, estima-se que aproximadamente 40 mil embarcações naveguem em condições clandestinas. Fatores que contribuem para situações de escalpelamento em pequenas embarcações de transporte de passageiros no Estado.
De 2006 a 2022, a instituição constatou 173 episódios de acidentes de escalpelamento. O ano de 2009 foi o que apresentou o maior número de acidentes na série histórica, com 22 casos. A partir deste ano, os números alcançaram patamares mais baixos, fechando 2022 com 7 ocorrências no Pará e Amapá.
Foto: Divulgação
Rede de apoio
A marca de impacto do acidente é proporcionar às vítimas um sofrimento inimaginável, reverberando em expressivo sofrimento físico, psicológico e social para toda a vida. A proteção das vítimas vem em forma de políticas públicas e uma consistente rede de proteção e atenção social. Em Belém, o atendimento às vítimas de escalpelamento ocorre, desde 2002, na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, por meio do Programa de Atendimento Integral às Vítimas de Escalpelamento (Paives).
Dentro das ações governamentais na luta pela erradicação do acidente, foi criada a Comissão de Erradicação dos Acidentes com Escalpelamento (CEEAE) em embarcações do Pará, que aglutina a cooperação de várias instituições do Estado na perspectiva de intervenção intersetorial na questão, a partir de abordagens multiprofissionais.
Já a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), tem como atribuição realizar ações de prevenção, capacitação de profissionais, articulação e mobilização de colaboradores do estado e sociedade civil para o enfrentamento da questão. A Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho e Renda (Seaster) atua viabilizando o acesso de vítimas a programas, projetos, serviços e benefícios da política pública.
Outro recurso de atenção às vítimas de acidente com escalpelamento no Pará, é a Casa de Apoio Espaço Acolher. O local caracteriza-se em uma residência de acompanhamento prolongado, tendo em suas dependências classe hospitalar, a partir da atuação da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), com relativas condições de infraestrutura para a garantia de mínimo bem-estar às vítimas de escalpelamento em tratamento na cidade de Belém.
Nesse processo há ainda a participação da Marinha do Brasil, através da Capitania dos Portos, que desenvolve várias ações, como fiscalização de embarcações, instalação gratuita da cobertura do eixo de pequenas embarcações, campanhas de prevenção, entre outras. De 2009 a 2022, a Marinha implantou 5.339 eixos de cobertura de embarcações. A instalação da cobertura do eixo nas pequenas embarcações é um procedimento crucial pela sua eficácia na erradicação dos acidentes com escalpelamento.
Quando há 53 anos optei em ser jornalista nem imaginava que estava acertando no que queria ser e, desde então, tenho me dedicado com a maior intensidade na busca da excelência – com a consciência da impossibilidade.
Quando estamos na função, apenas pensamos no melhor daquilo que nossa missão exige. Tenho feito, desde o meu diploma em jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), dezenas de cursos, pós-graduações, simpósios, seminários, enfim, sempre na busca de aumentar o meu conhecimento e melhorar a qualidade de meu trabalho.
No dia 8 de dezembro deste ano estarei completando 53 anos de jornalismo e 44 de jornalista graduado. Desde o início de minha vida (e faz muito tempo) estou envolvido no esporte, iniciado como praticante e complementado como jornalista.
Entretanto, poucos imaginam que o esporte é um vetor social de grande potencialidade. Com isto tive o contato sempre com o comportamento socioeconômico dos praticantes da mais diversas modalidades.
Quis a natureza que eu estivesse no início das atividades da televisão colorida, que foi se expandindo por toda a Amazônia e, afinal, são mais de 53 anos de jornalismo, vivendo momentos marcantes em muitos lugares e sempre dentro da já conhecida “telinha”.
Quis também a natureza que eu pudesse estar na frente do conhecido e popular programa Globo Esporte. E enumerar a quantidade de pessoas que entrevistei é humanamente impossível. No começo, a forma de se arquivar as matérias era extremamente rudimentar, portanto, não espere de mim esta milagrosa memória.
Mas, ao longo desta vida, tenho recebido demonstrações de carinho que muitas das vezes me surpreendem. Neste recente domingo fui até a despedida de minha amiga Francisca Amorim, de 95 anos. A minha amiga, que desencarnou na plenitude de suas faculdades mentais, era uma pessoa que gostava de ouvir as minhas aventuras e se divertia muito.
Ela era mãe de pessoas que tenho estima como minha família. Outra coisa que é da maior importância: ela me deixava bastante a vontade de contar da forma que eu falava para mim mesmo, sem o receio de dizer palavras de forma que identificasse a situação que eu descrevia. Liberdade plena que somente os amigos aceitam.
Lógico que mesmo sabendo que nossa vida desaparecerá um dia, temos que ter fé para acreditar na vida eterna, na vida espiritual. Posso afirmar que, no caso desta minha amiga, isto é uma verdade, pois ela sempre esteve e estará dentro de minha alma.
Foi uma cerimônia simples e familiar como se propunha a situação. Todos emocionados pela partida, sempre prematura! A cerimônia religiosa foi presidida pelas palavras do capelão da [Funerária] Canaã, que fez uso de belas palavras de conforto a todos nós.
Estava eu, lógico, perto do corpo de minha amiga, quando o capelão dirige-se direto a mim lembrando o fato não só de ter entrevistado o pai dele (ex-jogador de futebol), mas de termos tirado uma foto com ele e o pai pouco antes de sua partida.
Fui invadido por uma emoção diferente. Foi nesse momento que, seguro que nos meus 53 anos de jornalismo, percebi que hei de ter vivido muitas aventuras e histórias, sempre no cumprimento de meu dever social. Quando você se forma em uma universidade, lê-se um juramento que diz nossos deveres e obrigações e tenho seguido fielmente o que eu pretendo no meu trabalho.
Portanto, sempre me surpreendo com situações como essas (e são muitas). Sempre serei grato a Deus, que encaminhou pessoas maravilhosas no meu caminho – a começar com os meus pais, irmãos e milhares de amigos. É sempre bom saber que você ajuda aos outros em qualquer que seja o momento.
Por hoje é só. Semana que vem tem mais! Fuiii!!!
Sobre o autor
Eduardo Monteiro de Paula é jornalista formado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com pós-graduação na Universidade do Tennesse (USA)/Universidade Anchieta (SP) e Instituto Wanderley Luxemburgo (SP). É diretor da Associação Mundial de Jornalistas Esportivos (AIPS). Recebeu prêmio regional de jornalismo radiofônico pela Academia Amazonense de Artes, Ciências e Letras e Honra ao Mérito por participação em publicação internacional. Foi um dos condutores da Tocha Olímpica na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.