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Se Rasgum: festival completa 20 anos e amplia compromissos ambientais na Amazônia

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Foto: Mariana Almeida

O Festival Se Rasgum completa duas décadas em 2025 reafirmando um princípio que já faz parte de sua identidade: celebrar a música e a cultura amazônica com responsabilidade climática. O evento, que se tornou referência em inovação cultural no Norte do Brasil, expande este ano sua Plataforma de Sustentabilidade com novas metas, parcerias internacionais e ações de impacto que dialogam diretamente com a COP 30, que será realizada em Belém em novembro.

Leia também: PSICA: há mais de uma década festival celebra multicultura amazônica

As iniciativas seguem os parâmetros da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e buscam elevar o patamar de atuação do festival. A meta é desviar 90% dos resíduos do aterro sanitário e garantir 100% de destinação correta.

Isso inclui a separação integrada entre recicláveis e orgânicos, a logística reversa e o reaproveitamento criativo de materiais, como banners e lonas, transformados em novos produtos.

A compostagem é um dos destaques, com estações que tratarão os resíduos orgânicos produzidos no evento, reduzindo emissões de gases de efeito estufa e gerando insumos que podem retornar como adubo para a cidade. O público encontrará sinalizações claras para descarte, além de ativações lúdicas que transformam a experiência em aprendizado coletivo.

Além disso, um inventário detalhado medirá todas as emissões geradas pelo festival, desde o transporte de público e artistas até o consumo de energia. A neutralização será feita com créditos de carbono certificados.

O festival realizará ainda ações de plantio de mudas em áreas estratégicas, ampliando a biodiversidade, combatendo as mudanças climáticas e deixando marcas positivas para as próximas gerações.

Inovação e circularidade

A Plataforma ganha novo fôlego com a entrada do Regenera Project, iniciativa que une tecnologia, economia circular e design regenerativo para transformar resíduos em oportunidades. A parceria aproxima ciência, inovação e arte, mostrando que grandes eventos podem ser laboratórios vivos de práticas sustentáveis.

Todas essas ações são coordenadas pela Composta Belém, startup socioambiental reconhecida por sua expertise em transformar grandes eventos em experiências sustentáveis. A integração de cooperativas de catadores formalizados garante não apenas eficiência na gestão de resíduos, mas também inclusão social e geração de renda, valorizando trabalhadores que estão na linha de frente da reciclagem.

Cultura e clima em diálogo global

O Se Rasgum também reforça sua dimensão internacional ao receber o projeto Earth Sonic, da ONG britânica In Place of War (IPOW), em colaboração com a British Council. A iniciativa conecta artistas amazônidas e britânicos em criações musicais que traduzem os impactos da crise climática em linguagem artística.

O resultado será um EP colaborativo, performances ao vivo em Belém e apresentações durante a COP30 e em Londres, projetando a Amazônia para o mundo como fonte de inovação cultural e ativismo climático.

Esse intercâmbio ocorre dentro da Conferência ALMA (Amazônia Legal Música & Arte), realizada de 3 a 5 de setembro, que antecede o festival e se consolida como espaço de diálogo e formação. A ALMA propõe mesas, oficinas e encontros gratuitos que conectam artistas, pesquisadores, lideranças comunitárias e o público em debates sobre meio ambiente, economia criativa e o papel da cultura como ferramenta de transformação social.

Amazônia no centro das soluções

Com a COP 30 se aproximando, Belém se prepara para receber chefes de Estado, cientistas e organizações de todo o planeta. O Se Rasgum, que nasceu e cresceu na cidade, entende esse momento como oportunidade única para mostrar que a região não é apenas palco de discussões, mas produtora de soluções concretas.

Ao completar vinte anos, o festival reafirma que promover música na Amazônia é também afirmar compromissos ambientais. Sua Plataforma de Sustentabilidade conecta economia circular, neutralização de carbono, inovação social e diálogo cultural, mostrando que o futuro pode ser desenhado a partir da floresta.

Em 2025, o Se Rasgum celebra a música, mas também planta sementes, literais e simbólicas, de um amanhã mais justo, consciente e sustentável para Belém, para a Amazônia e para o mundo.

Pesquisa de Mato Grosso apresenta tratamento inovador com fotobiomodulação em humanos

Tratamento com fotobiomodulação em humanos. Foto: Reprodução

Um estudo desenvolvido por pesquisadoras da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) acaba de registrar um marco na literatura científica. O primeiro relato de caso humano tratado com fotobiomodulação a laser para fístula vesico-cutânea (anormalidade entre a bexiga urinária e a pele). Até então, os trabalhos publicados sobre o tema estavam restritos a modelos experimentais com camundongos e ratos.

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Pesquisa apresenta tratamento inovador com fotobiomodulação
Imagem ilustrativa de fotobiomodulação. Foto: Reprodução/fisioterapeutaclaudia.com.br

Leia também: Arqueologia no Coração da Amazônia: pesquisa destaca a contribuição de comunidades tradicionais para a arqueologia

De acordo com a professora e pesquisadora, a fístula vesico-cutânea é uma condição rara e de difícil tratamento, caracterizada pela saída de urina pela pele, o que provoca dor, risco de infecção e impacto significativo na qualidade de vida. Os tratamentos tradicionais envolvem cateterismo vesical ou cirurgia, muitas vezes invasivos e com risco de recidiva.

No estudo, o paciente foi tratado com laser vermelho (658 nm) e infravermelho (830 nm), alcançando o fechamento completo da fístula em apenas 17 dias, sem recorrência após um ano de acompanhamento. O artigo, publicado na revista científica Desafios, classificada como Qualis A4 (alto padrão acadêmico), reforça o potencial da fotobiomodulação como alternativa terapêutica menos invasiva, segura e eficaz.

Leia também: Pesquisadores de Mato Grosso e parceiros criam bioinsumo contra percevejos

Imagem ilustrativa de fotobiomodulação. Foto: Reprodução/fisioterapeutaclaudia.com.br

Segundo as autoras, o resultado abre caminho para novas pesquisas clínicas e para a ampliação do uso da laserterapia no cuidado a pacientes com condições complexas, representando uma importante contribuição da UFMT para a ciência e para a prática em saúde.

A fotobiomodulação

Imagem ilustrativa de fotobiomodulação

A terapia com fotobiomodulação (FBM) é uma técnica que utiliza luz em comprimentos de onda específicos, como o vermelho e o infravermelho, para estimular respostas biológicas nas células do corpo humano.

A pesquisa

O estudo que foi desenvolvido por pesquisadoras da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Campus Sinop, foi conduzida pela professora do curso de Enfermagem do Campus Sinop, Patrícia Reis de Souza Garcia, em parceria com a professora Jeane de Oliveira (Campus Cuiabá), médicos urologista e radiologista, além de outros pesquisadores do Grupo de Estudo e Pesquisa em Feridas e Curativos (GEPFeC).

O artigo completo pode ser acessado AQUI.

*Com informações da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

Acre tem queda de mais de 82% no número de focos de incêndios em 1 ano, aponta pesquisa

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Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) suspendeu a autorização para queima controlada no Acre. Foto: Reprodução/Arquivo CBM-AC

Com 342 chamados, agosto apresentou uma queda de 82,87% no número de ocorrências de focos de incêndios registrados no Acre em comparação com o mesmo período do ano passado. Em 2024, o Corpo de Bombeiros do Acre disse que foram 1.997 ocorrências.

A redução também é similar aos registros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), através do satélite de referência Aqua. De 1º de janeiro até 30 de agosto, foram identificados 577 focos, enquanto no mesmo período do ano passado foram 2.654, uma queda de 78%.

“Apesar de atendermos pouco mais de 500 focos de incêndio em 2025, já foram 1.471 ocorrências atendidas. Isso porque inclui as atividades preventivas, as rondas e o combate aos incêndios em vegetação. Então, mesmo que o número de focos seja pequeno, nós estamos indo lá trabalhando e sendo efetivos, se não for no combate, é na prevenção”, informou o órgão.

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Em maio de 2024 foram atendidas 11 ocorrências e, em 2025, foram 8, uma diminuição de 27,27%. Em junho do ano passado, os bombeiros foram chamados em 101 ocorrências de focos de incêndio. No mesmo mês em 2025, os bombeiros só precisaram se deslocar 21 vezes, uma diminuição de 79,21%.

Em julho, a diminuição foi ainda maior, de 72,97%, isso porque em 2024 foram atendidos 603 focos de incêndio e em 2025, apenas 163.

Queima controlada

No dia 13 de agosto, o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) suspendeu a autorização para queima controlada no estado por 180 dias.

A decisão considerou a situação de emergência provocada pela estiagem prolongada e pelo baixo nível dos rios, que aumenta o risco de incêndios florestais e compromete o abastecimento de água no estado.

incêndios na amazônia
Incêndio na Amazônia. Foto: Christian Braga/Greenpeace

Com a suspensão das autorizações, o Imac orienta que qualquer uso de fogo em áreas rurais e urbanas seja evitado, mesmo que para fins de limpeza de terreno. A suspensão é uma medida preventiva para evitar que a situação piore.

Segundo o órgão, quem descumprir a decisão pode ser responsabilizado criminalmente com base na legislação ambiental.

Motivos

A suspensão das autorizações para queima controlada não afeta apenas produtores e proprietários de terras, a medida tem impacto na preservação ambiental, no abastecimento de água e na saúde pública.

  • Risco elevado de incêndios: a queda da umidade do ar e o aumento da temperatura tornam qualquer queima mais fácil à chamas descontroladas.
  • Preservação dos recursos hídricos: com os rios em níveis críticos, o uso controlado do fogo pode agravar ainda mais a crise de abastecimento para a população.
  • Proteção à saúde: as queimadas afetam a qualidade do ar e podem desencadear problemas respiratórios, especialmente em populações vulneráveis.

Acre em emergência

além de incêndios, seca também preocupa no acre
Rio Acre segue em situação crítica e preocupa autoridades. Foto: Jhenyfer de Souza

O Acre enfrenta neste ano uma das secas mais severas dos últimos tempos, com temperaturas elevadas, baixa umidade e previsão de chuvas abaixo da média, em julho por exemplo, choveu apenas 8 milímetros na capital.

O governo do Acre sancionou, no dia 6 de agosto, o decreto que coloca o Acre em situação de emergência por causa da seca nos rios que cortam o estado. No mesmo dia, o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, também assinou o decreto de situação de emergência por conta da seca do Rio Acre.

Os decretos foram publicados em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE).

Leia também: Rio Branco é o último município acreano a ter emergência reconhecida por conta da seca

*Por Hellen Monteiro, da Rede Amazônica AC

Saiba como acessar a programação no aplicativo da 54ª Expofeira do Amapá 

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Com uma programação extensa, a 54ª Expofeira do Amapá conta com um aplicativo para ajudar a população. A plataforma oficial é gratuita, disponível em três idiomas e funciona como um centro de comunicação integrado da maior vitrine de negócios da Amazônia.

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O aplicativo reúne a programação completa do evento, localização dos estandes, além de enviar notificações em tempo real sobre as principais atividades.

BAIXE O APP AQUI: Android / iOS

Expofeira na Rede

A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.

Pássaro de aço: Catalina voou pelos céus da Amazônia e “navegou” pelos rios

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Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

O pouso fora feito com segurança e os agentes que representavam a Panair do Brasil em qualquer lugar da Amazônia que se encontravam chegavam a bordo em uma pequena e frágil canoa, era o primeiro contato com aquele enorme avião que trazia passageiros e mercadorias da civilização. Tudo ocorria como previsto, a tripulação permaneceu em seus postos para eventuais emergências e naturalmente fatos inesperados. Havia piranhas em volta da embarcação e naturalmente o perigo era eminente, caso em um acidente a canoa virasse.

Catalina afastava-se lentamente levado pela correnteza, contudo, com auxílio dos motores era feita a correção, a fim de permitir sua atracação para junto da boia e o hidroavião parava novamente no ponto de translado para desembarque de passageiros e mercadorias.

Foram momentos importantes daquele período com o sentimento de desafio e naturalmente o começo de muitas descobertas. Outro fato interessante era a comunicação por rádio com navios estrangeiros que promoviam o diálogo crescente e de cordialidade, na verdade, uma troca de conhecimento, de emoções e de histórias que por muito tempo fariam parte do imaginário daqueles navegantes com os povos da floresta e de seus visitantes.

Normalmente suas chegadas no interior do estado eram no amanhecer, o que permitia aquela população ribeirinha assistir ao transitar frenético de passageiros e tripulantes em direção ao flutuante, em meio de pacotes, mercadorias, malas, baús e gaiolas que amontoavam à espera de acomodação no interior do hidroavião Catalina. Sua tripulação de uniforme azul e branco impecavelmente vestidos, ao mesmo tempo que se ouvia uma passageira contar a lenda do Uirapuru, observava aquelas pessoas que quase isoladas do restante do país aguardavam a lembrança de um parente, uma encomenda, a esperança de um remédio, ou simplesmente a oportunidade de receber notícias de um mundo desconhecido.

Foram muitas as celebrações, que se renovavam a cada passagem da Panair do Brasil desde sua chegada inaugural, em 25 de outubro de 1933, até sua partida três décadas mais tarde. Na verdade, era a celebração da solidariedade, da amizade e principalmente muitas saudades do encontro de porções diferentes de pessoas de um mesmo Brasil.

Catalina atraia os olhares dos moradores da Orla do Amarelinho em Manaus. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Catalina, o pássaro de aço na Amazônia

A Amazônia recebia a presença da Panair do Brasil como elo de brasilidade perdida na vastidão do território amazônico:

“[…] Quando o caboclo olhava o céu e nele via cruzar a certeza da boa nova, a resposta para sua espera ouvia apenas a marcação do meio dia, aproximação no meio da tarde e o anunciar do entardecer”.

Fonte: As asas da história. Lembranças da história da Panair do Brasil. 1996. Pág.: 13.

“O Amazonas, sob o impacto de nossa vontade e trabalho, deixará de ser um simples capítulo na história do mundo e, tornado equivalente a outros grandes rios transformá-se-a em capítulo na história da civilização. Tudo que foi feito até agora no Amazonas, seja na agricultura ou na indústria extrativista deverá ser transformado em exploração nacional, discursava o Presidente Getúlio Vargas em 1940, quando de sua visita a Manaus”.

“A bem da verdade, a Panair do Brasil antecipou-se a este projeto e com muita sabedoria contribuiu nos idos dos anos 40, quando os Estados Unidos da América entraram na guerra e foi firmado o acordo de Washington (1942), no qual o Brasil se comprometia em fornecer borracha, matéria prima estratégica. A campanha da borracha começava e utilizava a estação de rádio da Panair do Brasil em Canafa, Estado do Amazonas, e os planos de viagem da Bacia Amazônica contratados pela Rubber Development Company”.

Fonte: As asas da história. Lembranças da história da Panair do Brasil. 1996. Pág.: 15.

Ao sabor do balanço das águas os hidroaviões como o Catalina não se perturbavam diante dos novos desafios. Eram pioneiros nos ares da Amazônia, acompanhando o serpenteado do rios até por medida de segurança. E a cada decolagem, a certeza de um pouso mais distante como quem tem a missão de tocar fundo o coração da floresta. A tarde caía e com ela o vento trazia o sabor da tarefa cumprida. Era comum ver os passageiros alegres, experimentando a recepção afetuosa de parentes e amigos em seguida acomodados nas canoas. Sumiam nas curvas do igarapé, levando consigo a lenda de outros pássaros da floresta.

A tripulação do Catalina tinha sua bagagem arrumada em outra canoa e preparava-se para mais um pernoite, e o rapaz de uniforme impecável percorria com os olhos a paisagem, possivelmente encantado ou à espera de um canto especial. Ao seu lado, um caboclo sorria, apenas sorria, agarrado à um pacote que haviam depositado em suas mãos.

O sol tocava o horizonte em uma cena incomparável e mais uma vez testemunhava as expectativas e sonhos dos povos da floresta embarcados num pássaro de prata, cujo destino estava escrito na sorte de chegar aos lugares esquecidos do Brasil.

O sentimento de desafio daqueles heróis era de grande valia para nossa Amazônia naquele período, sempre cercado por moradores da área que, por curiosidade, permitiam uma crescente cordialidade e naturalmente uma troca de conhecimento, de emoções e histórias que por muito tempo fizeram parte do imaginário dos povos da floresta, em especial do jovem Samuel Isaac Benchimol que acabara de completar seus dezoito anos.

catalina
Catalina pousava na água e encantava população. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

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Samuel Isaac Benchimol guardava essas lembranças como uma celebração, que se renovava a cada chegada e saída da Panair do Brasil, que fez sua primeira chegada inaugural em 25 de outubro de 1933. A celebração da solidariedade, da amizade e de algumas saudades que ele não cansava de comentar, como se fora ao encontro de poções diferentes de um mesmo Brasil. A presença da Panair do Brasil na Amazônia, de brasilidade perdida na vastidão do nosso território serpenteado pelas águas. Samule Isaac Benchimol na sua juventude, sob o impacto do seu primeiro trabalho descreveu um capitulo da sua história da Panair do Brasil.

Foi um período rico da nossa história, ao sabor do balanço das águas, Catalina era aquele pássaro de alumínio que não se perturbava diante de novos desafios e singrava os céus da Amazônia e o serpentear dos rios e a cada decolagem a certeza de um novo pouso em um espaço mais distante da Amazônia. Foram muitas vezes que a tripulação da Panair do Brasil fazia seu pernoite em alguma cidade da Amazônia e, mais uma vez, testemunhava expectativas e sonhos dos povos das barrancas dos rios, fatos como esses marcaram profundamente o início da carreira profissional do jovem Samuel Isaac Benchimol.

O apego à vida laboriosa mostrava o que seria, mais tarde, aquele jovem. Ele acreditava no itinerário de vida, explorando ações empreendedoras procurando construir o próprio caminho. Rica e intensa foram suas experiências despachante de bagagem da Panair do Brasil.

“[…] Relembro com saudade e emoção que neste tempo eu era humilde despachante de bagagem da Panair do Brasil, exercendo funções no flutuante ao lado Roadway da Manaós Harbour onde atendia os passageiros dos hidros aviões da Panair e da Pan Amarican, que transportavam borracha dos seringais para suplemento das Forças Aliadas na Guerra. Trabalhava no expediente da madrugada, das 3horas às 6horas da manhã. Às 7 horas já estava na Faculdade de Direito assistindo aulas. Era meu companheiro de trabalho Francisco Xavier de Albuquerque, que fora Ministro do Supremo Tribunal Federal. À noite lecionava Economia Política na Escola de Comércio Solon de Lucena”.

Fonte: BENCHIMOL, Samuel. Amazônia: Um Pouco-Antes e Além-Depois. Manaus: Calderaro, 1977. Pág.: 31 e 32.

O porto situado as margens do Rio Negro, era naquele período a porta de entrada daquela cidade. Cercado de prédios construído no período do látex, emoldurado pelo verde da mata. É nesse espaço físico que brota o aprendizado nas vertentes da vida e que proporcionaria uma excelente oportunidade para o desenvolvimento da cidade de Manaus.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Adaptação climática na Amazônia deve priorizar segurança alimentar da população com espécies resilientes

Agricultura familiar no Acre. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Na Amazônia, impactos das mudanças climáticas como alterações na temperatura e no regime de chuvas, comprometem a biodiversidade e, por consequência, a vida das populações que dependem diretamente da floresta para sua sobrevivência.

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A adaptação à nova realidade deve incluir a valorização da natureza e dos conhecimentos tradicionais, a restauração florestal em larga escala e a proteção das águas – essenciais tanto para a produção agrícola como para o transporte na região, dependente das rotas fluviais.

Também estão entre as medidas necessárias a proteção e restauração de serviços ecossistêmicos como a polinização e a dispersão de sementes, com a formação de bancos de sementes e redes de coletores, por exemplo, além da identificação de espécies alimentares resilientes às mudanças climáticas – e de sua diversidade genética.

Leia também: Estudo aponta que caça de subsistência tem papel importante para segurança alimentar de comunidades tradicionais

É o que propõe o policy brief ‘Estratégias de Adaptação Climática Visando o Bem-Estar das Populações Amazônidas’, lançado na sexta (29) e elaborado por pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV) em parceria com autores de instituições como Universidade de São Paulo (USP) e Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (INPE). A partir da literatura científica, o material reúne um conjunto de recomendações e ações para políticas públicas que garantam segurança alimentar e hídrica especialmente a povos indígenas, comunidades ribeirinhas e quilombolas, além de moradores das áreas rurais e urbanas.

Adaptação na Amazônia reúne diversas frentes

A pesquisadora do ITV Tereza Cristina Giannini, coordenadora da publicação, explica que a iniciativa multidisciplinar reúne cientistas que trabalham com bioeconomia e sustentabilidade de cadeias alimentares na Amazônia e faz parte de projetos em andamento vinculados ao ITV e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

adaptação climática na amazônia envolve alimentação
Sistemas agroalimentares. Foto: Reprodução/Agência Brasileira de Cooperação

A principal motivação foi a constatação, em estudos prévios da equipe, de cenários negativos do impacto das mudanças climáticas sobre cerca de 200 espécies de plantas consumidas por povos nativos da Amazônia, como a castanha-do-pará.

A equipe também busca responder à indicação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) de priorizar a adaptação às mudanças climáticas, já que alguns impactos ambientais são irreversíveis, indo além de esforços voltados somente à mitigação – ou seja, à tentativa de redução dos efeitos das mudanças climáticas.

“Às vezes, acredita-se que a mudança climática é unidirecional, mas não é. É um mosaico de impactos muito amplos e que envolve as comunidades humanas de um jeito complexo”, pontua Giannini.

Os projetos de pesquisa seguem adiante e têm como próximos passos:

  • a criação de uma cartilha sobre “plantas do futuro”, com foco em espécies potencialmente resilientes e pouco conhecidas;
  • análise do impacto das mudanças climáticas em polinizadores agrícolas, especialmente os envolvidos na produção de cacau, açaí e castanha-do-pará;
  • o mapeamento da vulnerabilidade alimentar de povos indígenas, identificando áreas onde essas populações podem ser mais afetadas por mudança de clima e vulnerabilidade alimentar;
  • e a finalização de um trabalho sobre o genoma do cacau, buscando adaptações às mudanças climáticas para indicar possíveis melhorias genéticas e áreas de preservação.

Leia também: Aquicultura na Amazônia promove segurança alimentar com menos impacto que a pecuária

“O policy brief foi uma grande síntese do conhecimento multifacetário que existe sobre impacto da mudança climática no que diz respeito à alimentação. Essa talvez tenha sido a maior contribuição: ter tantos pontos de vista diferentes e igualmente capacitados, engajados em expor a complexidade do tema e traçar caminhos possíveis”, conclui Giannini.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

21 segmentos em 9 espaços: saiba como está dividido o Parque de Exposições da 54ª Expofeira do Amapá

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Foto: Fêlix Alencar/Agência Grito

A 54ª Expofeira do Amapá abriu suas portas neste sábado (30) com uma explosão de cores, sons e movimentos. Além da feira de negócios e da programação de shows nacionais, a cultura amapaense também é protagonista, com apresentações que animam o público no Parque de Exposições da Fazendinha.

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Ao todo, a programação conta com nove espaços culturais que reúnem 21 segmentos artísticos diferentes. São cerca de 500 atrações locais escaladas para se apresentar ao longo dos nove dias de evento, garantindo visibilidade para grupos de teatro, dança, música, capoeira, hip hop, circo, literatura, artes visuais e tantas outras expressões que revelam a identidade do Amapá.

“O Governo do Estado entende que a cultura é uma força econômica e também um patrimônio vivo do nosso povo. Essa programação valoriza quem faz arte no estado e leva ao público a riqueza da nossa diversidade. É a oportunidade de mostrar que o Amapá tem produção artística potente e criativa em todas as áreas”, afirmou a secretária de Estado da Cultura, Clicia Vieira Di Miceli.

Com uma agenda intensa, a cada dia novos artistas sobem aos palcos e ocupam os espaços culturais da Expofeira. Para o público, é a chance de conhecer diferentes linguagens e prestigiar a produção feita no próprio estado. Para os artistas, é o momento de se conectar com novos públicos e ampliar o alcance de seus trabalhos.

Os espaços estão divididos em: Palco Rainha da Expofeira, Miniteatro Caboco, Maloca dos povos indígenas do Amapá e Norte do Pará, Coletivo Fostixg, Barracão de expressões Afro-Amapá, Palco Piseiro, Circo do Meio do Mundo – (Espetáculos de circo, teatro, dança, contação de história), Galeria de Artes e Palco Tucupi Caravela.

A programação cultural segue até o dia 7 de setembro, com entrada gratuita. Para conhecer a programação basta baixar o aplicativo oficial.

Expofeira na Rede

A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.

Quadrinho amazonense busca resgatar episódio esquecido da história do Brasil

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Arte retrata a batalha entre as duas embarcações. Imagem: Divulgação

Uma história em quadrinhos (HQ) produzida no Amazonas revisita um episódio pouco conhecido da Revolução Constitucionalista de 1932: a batalha naval que ocorreu no município de Itacoatiara, no interior do estado. A obra é assinada pelo Black Eye Estúdio, tem lançamento previsto para novembro, e busca valorizar o papel da região Norte em um dos momentos mais marcantes da história política do Brasil.

Leia também: A batalha naval que aconteceu no Rio Amazonas

A Revolução Constitucionalista de 1932 foi um levante liderado por São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas, exigindo a convocação de uma nova Constituição.

No Amazonas, cidades como Parintins aderiram à revolta, improvisando embarcações para tentar alcançar Manaus. A repressão em Itacoatiara impediu o avanço, mas o episódio revelou a força da insatisfação regional.

O quadrinho recria, em imagens cinematográficas, o confronto entre tropas governistas e rebeldes, ocorrido às margens do rio Amazonas.

“A principal mensagem é que temos histórias incríveis de Norte a Sul do Brasil que merecem ser lembradas e transformadas em grandes narrativas. Ao mesmo tempo, queremos reforçar que, apesar da força das imagens, a guerra nunca é bem-vinda — ainda mais quando falamos de uma guerra civil”, explicou o jornalista e roteirista da obra, Emerson Medina.

Além de Medina, o projeto traz artes de Romahs, participação de Beatriz Mascarenhas na revisão, Thais Mannala com a edição e Tieê Santos responsável pela arte final.

O prefácio do quadrinho é assinado pelo jornalista e pesquisador Gonçalo Junior, conhecido por seus estudos sobre cinema, imprensa e quadrinhos.

Segundo Raphael Russo, historiador e integrante do estúdio, o objetivo da obra é destacar a relevância da Amazônia no cenário político nacional.

“A Batalha de Itacoatiara mostra que o movimento de 1932 não ficou restrito ao Sudeste. Ele teve repercussões em todo o país, inclusive na nossa região”, afirmou.

historia em quadrinhos batalha naval amazonas
Trecho de uma das páginas do quadrinho. Foto: Divulgação

Entenda a batalha naval que inspirou o quadrinho

A batalha naval ocorrida em Itacoatiara é considerada a única do século XX antes da Guerra das Malvinas. O confronto aconteceu em 24 de agosto de 1932, durante a Revolução Constitucionalista.

Na ocasião, os navios Ingá e Baependy, que apoiavam os legalistas paulistas, enfrentaram as embarcações Jaguaribe e Andirá, ligadas às forças governistas. O embate aconteceu em frente à cidade de Itacoatiara, às margens do rio Amazonas, e marcou a chegada da guerra civil ao Norte do país.

O doutor em história social Caio Giulliano Paião, explica que o movimento é um exemplo emblemático da capilaridade da Revolução Constitucionalista. Civis e militares da região do Baixo Amazonas, insatisfeitos com a centralização política promovida por Vargas e com a nomeação de interventores federais, decidiram apoiar a causa paulista.

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A tomada dos vapores Jaguaribe e Andirá como embarcações de guerra improvisadas mostra a criatividade e a ousadia dos revoltosos, que pretendiam alcançar Manaus e ampliar o levante no extremo norte do país

Conforme o professor, a chegada dos navios rebeldes Jaguaribe e Andirá, vindos do Pará e ocupados por militares insatisfeitos com o governo de Getúlio Vargas, representava uma ameaça direta à nova administração estadual.

“A chegada dos dois navios que os transportavam podia acender um pavio perigoso para a instalação da nova administração estadual. O prefeito e o vigário da cidade, padre Joaquim Pereira, foram a bordo dos navios rebeldes para tentar evitar um bombardeio”, destaca o especialista.

As negociações não progrediram e, após uma trégua para evacuar a cidade, os navios iniciariam o ataque. É dito que a ação dos dois serviu para ganhar tempo até a chegada dos legalistas. Então, antes do prazo terminar, os navios legalistas realmente chegaram, dando início ao que ficou conhecido como ‘Batalha Naval de Itacoatiara’.

O historiador ainda cita que a população itacoatiarense ficou inquieta com os boatos sobre o confronto. ”Certamente, o medo deve ter se instalado e as informações deviam ser aumentadas e desencontradas, insuflando o pânico. As pessoas temiam morrer no fogo cruzado”.

“A batalha entre os navios rebeldes e legalistas durou cerca de 40 minutos. Boa parte das vítimas, em torno de 60, morreu afogada com o naufrágio dos navios rebeldes. Os sobreviventes nadaram e adentraram a mata. Mais tarde, agricultores chamaram as autoridades para prender os fugitivos. Ninguém queria arrumar problema para si depois do conflito”, relata Paião.

93 anos da Revolução Constitucionalista de 1932

A Revolução Constitucionalista foi um movimento armado liderado pelo estado de São Paulo, que defendia uma nova Constituição para o Brasil e era contra o autoritarismo do Governo Provisório de Getúlio Vargas

Segundo informações da cartilha “A Participação dos Prudentinos no Movimento da Revolução Constitucionalista de 1932”, da Polícia Militar, Getúlio Vargas havia tomado o poder, em 1930, por meio de um golpe e retirou o poder da hegemonia política de São Paulo e Minas Gerais.

O descontentamento paulista aumentava e o governo getulista, que se dizia provisório, já se consolidava no poder e nomeava interventores para administrar os estados. E São Paulo recebia interventores que não eram paulistas e que administravam seguindo determinações da União.

Para o historiador Benjamin Resende, de 89 anos, o momento de estopim do conflito foi quando, em 23 de maio de 1932, jovens foram mortos por agentes ligados a Vargas.

“A situação foi aumentando cada vez mais e chegou em maio de 1932, a turma não aguentava mais. Os estudantes do Largo São Francisco fizeram uma revolta e cinco deles foram mortos, M.M.D.C.A. [Martins, Miragaia, Dráusio, Camargo e Alvarenga]. Eles falam em quatro, mas são cinco. Então, aí, praticamente São Paulo foi à luta”, avalia Resende

Foi então que, em 9 de julho de 1932, dava-se início à Revolução Constitucionalista, que tinha como objetivo a retomada do poder democrático e a promulgação de uma nova Constituição.

“Com a morte dos estudantes, essa reunião toda se expandiu por todo o Estado de São Paulo. E a função da Revolução de 32 era contra a Constituição que Getúlio fez em 1930, porque ela era uma Constituição antidemocrática”, frisa Resende.

Oficialmente, morreram 943 pessoas na Revolução Constitucionalista de 1932. Os conflitos começaram em 9 de julho – feriado estadual em São Paulo – e foram encerrados em 2 de outubro, quando as tropas constitucionalistas se renderam.

Soldados prudentinos no front de batalha. Foto: Museu e Arquivo Histórico

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Não basta ser um adulto

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Nair era a quinta dos nove filhos. O pai vivia do plantio de algodão no interior do Paraná. A mãe era professora de uma escola isolada, um tipo de colégio muito simples, de madeira, cujos únicos recursos eram um quadro negro e giz e que reunia quatro ou cinco turmas em estágios diferentes. Nair acompanhava a mãe e aos cinco anos, sozinha, aprendeu a ler e a escrever. Um pouco depois, a própria Nair, em alguns dias, com a sua pequena cartilha, sem que a família soubesse, alfabetizou a irmã caçula.

A vida era de escassez e de muita luta para os onze integrantes da família, mas nunca passaram fome. Nair lembra que uma baguete era dividida pelos onze. Descobriu o mundo da leitura, lia revista Grande Hotel escondida dos pais e frequentava a biblioteca pública. Aos 18 anos, já na capital, Nair teve a sua primeira boneca, um presente de seu namorado. Foi inscrita em um concurso de poesias concorrendo com 4.400 trabalhos e teve o seu selecionado. Ganhou outras premiações em concursos de poesia e de literatura, chegando a publicar 5 livros, enquanto estudava e trabalhava. Um destes empregos foi como como atendente e encarregada de telemarketing, onde formou amizades para toda a vida. Nair é mãe de 4 filhos e lutou com eles enormes desafios, que cada um precisou enfrentar, sempre amparados pela mãe guerreira.

Com um pouco mais de sessenta anos, Nair se aposentou e foi para casa, se isolando de tudo. A família se preocupava, pois ela perdera a vontade de viver, sentindo-se vazia. Não imaginava que ainda poderia ser útil a quem quer que fosse, ela, que a vida toda se sentira assim.

Nair foi salva por um convite de uma de suas amigas dos tempos do telemarketing, que agora era uma empresária e que precisava de alguém qualificado e de confiança. Nair ganhou uma nova vida. Aos 64 anos, iniciou uma nova carreira, em uma nova área e em uma nova empresa, onde diz, aprender e ensinar a cada dia. Passados agora quase seis anos, uma de suas novas formações, foi como coach e mentora, o que lhe qualifica a fazer uso de seu conhecimento e experiência, sem ser invasiva, utilizando o potencial de cada um de sua equipe e dos que a procuram.

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Neste momento, muitas pessoas maduras estão em fase de transição profissional. Alguns estão saindo de empresas por onde estiveram muito anos. Outros vivenciam uma sequência de mudanças, típicas de nossos dias. Há os que buscam uma troca de carreira, visando uma maior realização pessoal. Ou os que precisam de uma grande transformação, mesmo permanecendo na mesma atividade. Há ainda os que sonham com a aposentadoria e os que se desiludiram com ela, saudosos de outros tempos, em que se sentiam mais necessários.

Cada história é única e todas são ricas. De comum, existe algo inerente ao ser humano, que é a necessidade de sentir-se útil, necessário, pertencente à vida. Ao invés de retirar-se para os aposentos (origem da expressão aposentar-se), costuma ser mais realizador buscar um novo tipo de aprendizado: como fazer uso do seu conhecimento em benefício de outras pessoas e contribuir para um mundo melhor. É um tipo de qualificação que nunca termina e que pode fazer do tempo um grande aliado.

Ouço de Breno, um executivo que desfruta da dor e das delícias de quem tem 45 anos e lida com novos questionamentos: “Me sinto um tanto incomodado. Quero ser mais do que um adulto. Quero ser um verdadeiro líder, alguém que some positivamente na vida das pessoas”. Bruno e Nair vivem momentos diferentes de uma trajetória que talvez faça parte de uma Missão comum de todos nós: aprender, realizar e compartilhar. Diferente para cada um será o Propósito, o que toca o nosso coração, que vem de dentro e que é que capaz de nos fazer vibrar, nos qualificando para fazermos isso da melhor maneira que conseguirmos.

E quanto a você? O que faz de você mais do que um adulto? O que a sua história traz de aprendizado e realização? O que faria você feliz em compartilhar?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

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