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Cientista indígena enviada especial à COP 30 propõe demarcação de terras como política climática global

Cientista indígena e liderança do povo Wapichana, Sineia do Vale é referência mundial nas discussões sobre o tema. Foto: Valéria Oliveira/Rede Amazônica RR

A cientista indígena e liderança do povo Wapichana, Sineia do Vale, foi nomeada enviada especial do Brasil para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30). Sineia do Vale pretende atuar para que a demarcação de terras indígenas seja reconhecida globalmente como política climática. O encontro, que reúne líderes de várias nações, ocorre em novembro, em Belém, no Pará..

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Referência nas discussões climáticas no país e no cenário internacional, Sineia do Vale também é co-presidente do Fórum Internacional dos Povos Indígenas sobre Mudanças Climáticas (IIPFCC), o Caucus Indígena, onde trabalha para garantir a participação e os direitos dos povos indígenas nas negociações.

“O que se espera é que seja feita uma política de clima reconhecendo a demarcação das terras indígenas. Que eles [líderes dos países] reconheçam que demarcando as terras indígenas se trata é uma política de clima. A gente precisa que isso seja garantido para que os indígenas possam continuar fazendo seu papel [de proteção ambiental]”, destacou.

A defesa de Sineia pela demarcação de territórios dos povos originários está ligada à estabilidade climática proporcionada pelas florestas: áreas preservadas regulam a temperatura, conservam a biodiversidade e absorvem gases de efeito estufa, o que garante maior proteção ambiental.

Para se ter ideia, em três décadas, as TIs perderam apenas 1% da floresta nativa, contra 20% em áreas privadas. Esses territórios armazenam 12 bilhões de toneladas de carbono, que ajudam a regular o clima e evitam a emissão anual de mais de 31 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global e pelas mudanças climáticas.

Sineia frisou que a expectativa é que a demarcação de terras seja incluída oficialmente nas metas firmadas entre os países e a ONU durante a COP30, especialmente por ser a primeira vez que a conferência será realizada na Amazônia, onde o Brasil terá papel central no debate sobre financiamento climático. Essas metas são conhecidas como NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas).

“Que realmente possamos ter os recursos para as comunidades indígenas, pois, neste momento, estamos vivendo perdas e danos irreparáveis”, destacou, sobre o os recursos para financiamento climático global que estão em discussão em Belém.

Leia também: Entenda as etapas de demarcação de terras indígenas

Cientista indígena sineia do vale
Sineia do Vale, líder indígena do povo Wapichana referência em estudo sobre mudanças climáticas. Foto: Divulgação/CIR

‘Transformações do tempo’

Sob a coordenação de Sineia, indígenas de Roraima elaboraram o “Plano de Adaptação Indígena”, que detalha como as comunidades percebem a crise climática a partir do conhecimento tradicional. O estudo, inédito no país, será levado à COP para orientar negociações internacionais sobre os povos originários.

O plano inclui as chamadas “transformações do tempo“, expressão que usam para descrever a crise do clima. O documento detalha alterações nos padrões climáticos que têm afetado diretamente os modos de vida tradicionais – tudo com depoimentos e desenhos feitos pelos próprios indígenas.

“Plantas, canto de pássaros. Tudo isso é indicador [de alterações no clima] para os povos indígenas na sua vida cultural, nas plantações, nas criações”, frisou.

Como resultado do trabalho de Sineia e com o apoio do Ministério dos Povos Indígenas, uma comitiva de 28 indígenas de Roraima se prepara para participar da COP30. Os representantes, escolhidos em todas as regiões indígenas do estado, foram definidos durante o evento “Ciclo CoParente“, uma série de encontros preparatórios para a conferência que tem ocorrido em todo o país.

Todos os membros da comitiva serão credenciados e participarão da chamada Zona Azul (Blue Zone), espaço onde ocorrem as negociações oficiais da cúpula de líderes globais e de onde devem sair as decisões sobre as futuras políticas climáticas internacionais.

Em Roraima, o ciclo CoParente foi realizado no Lago do Caracaranã e teve a participação da ministra Sônia Guajajara, do Ministério dos Povos Indígenas.

A cientista indígena Sineia do Vale

Sineia do Vale é gestora ambiental de formação e mestre em desenvolvimento sustentável junto aos povos tradicionais pela Universidade de Brasília (UnB). Ela participa da COP desde 2011. Junto com outras lideranças indígenas, promove a avaliação climática a partir do conhecimento ancestral.

Foi dela o primeiro estudo ambiental sobre as transformações do clima ao longo dos anos na vida dos povos tradicionais em Roraima. A publicação é considerada referência mundial quando se trata da emergência climática e povos tradicionais.

Em 2024, recebeu o prêmio de “Cientista Indígena do Brasil” pela atuação sobre crise climática. Ao receber o título das mãos de Carlos Nobre, destacou que quando se trata da crise climática, a ciência também precisa levar em conta a experiência de vida que os indígenas vivenciam no dia a dia – discurso que ela sempre defende nos debates sobre o assunto.

Há mais de 30 anos, Sineia do Vale integra o Conselho Indígena de Roraima (CIR) e foi responsável pela criação do Departamento de Gestão Territorial e Ambiental da instituição. O setor elabora planos para enfrentar a crise climática no estado, que afeta diretamente os modos de vida dos povos indígenas devido à imprevisibilidade do clima causada pelas mudanças climáticas.

Em 2021, Sineia foi a única brasileira a participar da Cúpula dos Líderes sobre o Clima. Ainda em 2024 recebeu o “Troféu Romy – Mulheres do Ano”, honraria concedida a mulheres que se destacaram em suas áreas de atuação em 2023.

Sinéia do Vale, liderança indígena wapichana, participou da cúpula em transmissão desde Boa Vista (RR), em 22 de abril de 2021. Foto: Reprodução/Leaders Summit On Climate

*Por João Gabriel Leitão e Valéria Oliveira, da Rede Amazônica RR

Pesquisador do Acre ganha reconhecimento internacional por estudo sobre a Doença de Chagas na Amazônia

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Foto: Dionatas Meneguetti/Acervo pessoal

Com o reconhecimento da comunidade científica internacional, o professor e pesquisador da Universidade Federal do Acre (Ufac), Dr. Dionatas Meneguetti, se destacou com a recente publicação de um artigo científico na revista da editora Elsevier da Holanda, com o estudo sobre a doença de Chagas na Amazônia.

Leia também: Mudanças climáticas podem ampliar área de risco da Doença de Chagas na Amazônia

Para desenvolver a pesquisa, Meneguetti se inscreveu com o projeto em execução pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Acre (Fapac), intitulado “Amazônia +10 no contexto das doenças negligenciadas: caracterização entomoepidemiológica da doença de Chagas em regiões amazônicas de fronteira (Brasil-Bolívia e Brasil-Peru)”.

Um dos resultados do projeto foi a publicação do artigo na revista eletrônica Acta Tropica, da editora Elsevier. O artigo, com o título “Rhodnius montenegrensis Rosa et al., 2012 (Hemiptera, Triatominae) in Peru: a warning for the transmission of Trypanosoma cruzi (Chagas, 1909) (Kinetoplastida, Trypanosomatidae) in periurban areas“, está disponível AQUI.

O estudo foi realizado na região da tríplice fronteira (Brasil, Peru e Bolívia) e registrou, pela primeira vez, a presença do Rhodnius montenegrensis no Peru. Com essa descoberta, o número de espécies de triatomíneos no país aumentou de 18 para 19, e o número de países com a presença do R. montenegrensis passou de 2 para 3 (Brasil, Bolívia e Peru).

A notificação do R. montenegrensis, assim como a taxa de infecção por T. cruzi e a presença de sangue humano como fonte de alimento para este inseto vetor, ressaltam a necessidade de atenção por parte dos programas de controle de vetores de ambos os países.

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“Esse achado é importante não apenas por relatar uma nova ocorrência de triatomíneos para o Peru, mas também por comprovar que esses insetos estão se alimentando de sangue humano em uma região de divisa com o Brasil, o que demonstra a necessidade de intensificação da Vigilância Epidemiológica na região”, afirmou Dionatas Meneguetti.

pesquisa doença de chagas acre
Foto: Dionatas Meneguetti/Acervo pessoal

Mais estudos sobre a doença de Chagas

O pesquisador também destaca que “esse é apenas o primeiro artigo publicado desse projeto. Outros já estão submetidos e em fase de escrita, e em breve serão publicados novos dados relevantes para o conhecimento e a profilaxia da doença de Chagas nas regiões pesquisadas”.

Meneguetti também ressalta que o financiamento do projeto por meio da Iniciativa Amazônia +10 foi fundamental para a realização do estudo, devido aos altos custos com deslocamento e insumos laboratoriais, tornando a pesquisa inviável sem esse auxílio.

O presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Acre (Fapac), Moisés Diniz, enfatizou que a publicação em uma revista de alto impacto como a Acta Tropica é a prova de que o investimento em ciência e tecnologia na Amazônia é um pilar estratégico para o desenvolvimento da região.

Leia também: Mudanças climáticas podem ampliar área de risco da Doença de Chagas na Amazônia

O projeto do pesquisador está sendo executado em consórcio com a Universidade Federal do Acre (Ufac), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Fundação Oswaldo Cruz (RJ), pois se trata de um projeto em rede liderado pelo estado da Região Norte participante, neste caso, o Acre.

O projeto conta com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Acre (Fapac), da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), além do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), totalizando R$ 1.073.732,70 em investimento em pesquisa.

*Com informações da Agência Acre

54ª Expofeira do Amapá: Quem é Antônio Roberto Ferreira da Silva, o nome oficial do Parque de Exposições da Fazendinha?

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O engenheiro agrônomo Antônio Roberto Ferreira da Silva. Foto: Acervo da família

O Governo do Amapá promove a 54ª Expofeira em sua tradicional locação, o Parque de Exposições da Fazendinha, na Zona Sul de Macapá. Cenário de evento desde os primórdios, seu nome oficial é ‘Parque de Exposições Engenheiro Agrônomo Antônio Roberto Ferreira da Silva’, uma homenagem para uma figura que marcou a história da agronomia no estado. 

Antônio Roberto Ferreira da Silva nasceu no município de Amapá em 1945, de onde saiu em busca da sua formação. Se formou engenheiro agrônomo pela Faculdade de Ciências Agrárias do Pará, instituição que frequentou de 1971 a 1974. Retornou ao estado, na época Território Federal do Amapá, no qual fez história como pioneiro na sua profissão.

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Como servidor público atuou pela Prefeitura de Macapá, pelo território e pela Aster Amapá, órgão que antecedeu o Instituto Estadual de Extensão, Assistência e Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap). Foi um dos primeiros pesquisadores e colaboradores da Embrapa no estado, além de ter sido contratado para desenvolver o Projeto Rondon na região, na época do Ministério do Interior. Junto de seu conterrâneo Iraçu Colares, fundou em 1977 a Associação dos Engenheiros Agrônomos do Amapá.

Uma perda prematura

A perda de Roberto ainda jovem, aos 36 anos de idade, abalou profundamente todos que o conheciam, porém, ele jamais foi esquecido. A proposta de homenagear Roberto veio do coração de um amigo de longa data, colega de profissão e compadre. 

Dois anos após o falecimento do amigo, Iraçu Colares atuava como Secretário da Agricultura em 1983, na gestão do governador Comandante Aníbal Barcellos. Em consenso à comunidade, solicitou a mudança do nome do Parque de Exposições, que passou a carregar o nome de Roberto naquele mesmo ano. 

Iraçu, que atualmente é presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amapá (Faeap) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Administração Regional do Amapá (Senar-AR/AP), afirma que Roberto era mais que um profissional, mas alguém que conquistou o carinho e o respeito de todos ao seu redor.

“Roberto e eu nos conhecemos lá atrás, no município de Amapá, depois fizemos o mesmo curso ao mesmo tempo, no Pará.  Em 1974, quando ele voltou para trabalhar em Macapá, foi um reencontro e a nossa relação só foi se fortalecendo. Quando ele se foi tão cedo houve uma comoção geral, porque ele era muito conhecido, muito querido, brincalhão, afável com as pessoas. Isso levou a ideia de a gente colocar o nome dele no Parque de Exposições, um ponto tão importante para a agricultura do estado, que ele tanto contribuiu em vida”, compartilhou Iraçu. 

Iraçu Colares sugeriu a homenagem ao amigo Antônio Roberto Ferreira da Silva. Foto: Ruan Alves/GEA

O legado de Antônio

“Antônio Roberto tinha uma habilidade ímpar em lidar com as pessoas. Sua educação e sua simpatia eram notáveis. Ele conseguia transformar qualquer conversa, por mais difícil que fosse, em algo leve e agradável”, relembrou com carinho Iraçu Colares. 

A amizade, o profissionalismo e a empatia são elementos que, juntos, compõem o retrato de um homem que fez história e deixou um legado de amor para a esposa Francisca Goés e os filhos Franck Roberto, Keity Uana e Fred José. 

Os filhos de Antônio Roberto enxergam a homenagem como um gesto de grande carinho e respeito, que trouxe conforto para a família e reafirmou a importância da memória do pai para a agronomia do estado. 

“Nosso pai nos deixou uma herança de valores, caráter e exemplos. Sua dedicação como um dos pesquisadores pioneiros daqui continua a inspirar até os dias atuais. Ter esse reconhecimento é também reafirmar que sua presença se mantém entre nós através do que construiu”, compartilhou Fred José. 

Expofeira na Rede

A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.

Mesmo na seca, Rio Negro está 7 metros acima do nível de 2024 em Manaus

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Rio Negro está sete metros acima do nível registrado no mesmo período de 2024 em Manaus, aponta porto. Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM

Mesmo em período de seca, o Rio Negro marcou 26,58 metros na terça-feira (2) em Manaus (AM) e está 7,05 metros acima do registrado no mesmo dia de 2024, quando o rio media 19,53 metros. Em agosto, a diferença entre as medições de 2025 e 2024 era de quatro metros. Os dados são do Porto de Manaus, responsável pelo monitoramento oficial das águas na capital amazonense.

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A diferença chama atenção, sobretudo porque, em setembro de 2024, o rio chegou a baixar mais de 21 centímetros em um único dia. Atualmente, a descida ocorre de forma mais lenta: nesta segunda (1º), o nível caiu 9 centímetros e, na terça (2), a redução foi de 10 centímetros.

O volume de água registrado em 2025 é reflexo de uma inundação severa. Neste ano, o Negro alcançou 29,05 metros, superando em cinco centímetros a cota de inundação, fixada em 29 metros.

A cheia teve início em 13 de outubro do ano passado, logo após a maior seca em um século no Amazonas. Após um período de oscilações, em 7 de novembro as águas passaram a subir de forma constante, até atingirem o pico em 8 de junho.

Leia também: Pescadores relatam escassez de peixes mesmo com cheia do Rio Negro, em Manaus

rio negro
Foto: Delmy Ruiz

Seca do Rio Negro é diferente de 2024

Foram oito meses de enchente, que deixaram 42 dos 62 municípios do estado em situação de emergência. A Defesa Civil estima que mais de 500 mil pessoas foram afetadas, com prejuízos na agricultura, dificuldades de transporte e alagamentos em comunidades ribeirinhas.

A partir de julho, a vazante começou a se consolidar. O nível subiu apenas três centímetros no início do mês e estagnou no dia 8. Já em processo de descida, o rio caiu apenas 50 centímetros.

Em agosto, o Rio Negro desceu 1,72 metro, numa média de 5,5 centímetros por dia — cenário bem diferente do registrado no ano passado.

*Por Matheus Castro, da Rede Amazônica AM

Aplicativo ‘Eu Amazônia’, do Grupo Rede Amazônica, é finalista do prêmio IBC 2025

Rede Amazônica lança nova ferramenta de interação com telespectadores. Foto: Reprodução/Grupo Rede Amazônica AM

O aplicativo ‘Eu Amazônia’, desenvolvido pelo Grupo Rede Amazônica, é finalista do prêmio da International Broadcasting Convention (IBC) 2025. O app funciona como uma grande rede social de notícias da Região Norte e conta com a participação dos telespectadores como fonte ativa de conteúdos jornalísticos.

O aplicativo ‘Eu Amazônia’ está disponível para Android e iOS.

A plataforma chega à final na categoria Impacto Social, que reconhece iniciativas com efeitos positivos no setor midiático e na sociedade. O aplicativo ‘Eu Amazônia’ se destaca por dar voz e visibilidade às populações amazônicas e fortalecer a inclusão digital, além de conectar informações de usuários em toda a região diretamente às redações do Grupo Rede Amazônica.

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Idealização do aplicativo

O app ‘Eu Amazônia’, idealizado em parceria com a plataforma SOUV, tecnologia da SNEWS Broadcast Solutions, permite que o usuário envie textos, fotos, vídeos, mensagens de saudações e até denúncias anônimas. Todas as informações são analisadas pela equipe de jornalismo do Grupo Rede Amazônica antes de serem disponibilizadas na plataforma e em pautas para os telejornais e portais de notícia.

Eu Amazônia
Foto: Reprodução/Google

Leia também: Eu Amazônia: Rede Amazônica lança nova ferramenta de interação com telespectadores

O diretor de Tecnologia da Rede Amazônica, Eduardo Lopes conta que a tecnologia ajuda a vencer o desafio de ter repórteres em todos os lugares em uma região tão grande quanto a Amazônia.

“Enquanto os moradores das áreas urbanas lidam com certos tipos de problemas, as comunidades ribeirinhas e mais isoladas vivenciam outras dificuldades. O aplicativo ‘Eu Amazônia’, surge justamente como uma ponte, permitindo que essas populações tenham voz direta na redação. Oferecer a oportunidade de relatar, em tempo real, o que acontece em suas localidades é o que torna essa ferramenta tão inovadora e valiosa”, destaca Lopes.

Disponível gratuitamente para Android, o aplicativo ‘Eu Amazônia’ reforça o princípio de que o jornalismo é a presença que faz a diferença.

A cerimônia de premiação de inovação do IBC 2025 vai acontecer no dia 14 de setembro, às 18h, em Amsterdã. O Grupo Rede Amazônica será representado no evento pelo CEO Phelippe Daou Junior, o vice-presidente Alexandre Caxias, o diretor de Mercado Eduardo Fiore e o diretor de Tecnologia Eduardo Lopes.

Sobre o International Broadcasting Convention (IBC)

O International Broadcasting Convention (IBC) 2025 é uma das maiores feiras e conferências globais voltadas para o setor de mídia, entretenimento e tecnologia. O espaço ajuda a definir o futuro da indústria global no setor ao movimentar o mercado, oferecer conteúdo em múltiplas plataformas e incentivar novas discussões. O evento conecta as comunidades criativa, tecnológica e empresarial para trocar conhecimento, formar parcerias e explorar novas oportunidades.

Leia também: Grupo Rede Amazônica celebra 53 anos com foco renovado nas pessoas e no desenvolvimento da região

Foto: Marianne Ottemann

Na edição de 2025, expositores e especialistas de diversos países apresentarão inovações de impacto e tratarão das principais tendências e desafios do setor. O evento é voltado às emissoras, produtores de conteúdo, detentores de direitos, prestadores de serviços e outros profissionais.

Comprometida com a indústria, a IBC promove transformações através de liderança intelectual, debates relevantes, estímulo à criatividade e geração de resultados concretos para o mercado.

Pesquisadores identificam alta concentração de terras raras no interior de Roraima

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Terras raras são minerais que compõem um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

Pesquisadores do curso de geologia da Universidade Federal de Roraima (UFRR) identificaram rochas argilas com alta concentração de elementos de terras raras, minerais químicos essenciais para o setor de tecnologia, em uma área privada em Caracaraí, município ao Sul de Roraima. O grupo agora estuda a existência de uma jazida no local.

Terras raras (ETRs) são minerais que compõem um grupo de 17 elementos químicos, encontrados na natureza, normalmente misturados a outros minérios nas rochas ou no solo e com alto valor comercial.

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Os elementos foram encontrados em quase toda a superfície, o que indica o potencial da área. Os pesquisadores ainda precisam confirmar se também estão presentes na camada abaixo do solo e em quantidade suficiente para exploração econômica. Nesse caso, o local será classificado como uma jazida.

Complexo Mineral Barreira fica na zona Rural de Caracaraí, distante cerca de 140 km da capital Boa Vista. A área de 36 hectares — aproximadamente 50 campos de futebol — é de propriedade do advogado Gustavo Hugo de Andrade, de 34 anos, e o empresário Lucergio Barreira Abreu da Silva, de 46.

A pesquisa é conduzida por três professores da UFRR: Vladimir de Souza, doutor em bioestratigrafia, Carlos Eduardo Lucas Vieira, doutor em geociências, e Lorena Malta Feitosa, doutoranda e mestre em geofísica. Eles começaram a estudar a área a convite dos proprietários, há cerca de um mês, em agosto.

O estudo está na fase de caracterização mineralógica, processo que identifica a quantidade de minerais presentes em uma amostra. Segundo os pesquisadores, análises do solo apresentaram resultados fora do comum, com alta concentração de elementos terras raras, além de outros elementos críticos, essenciais para setores estratégicos, como tecnologia e transição energética.

O pesquisador Vladimir de Souza explica que a ocorrência de terras raras em Roraima é comum, mas algumas áreas apresentam mais elementos e minerais do que outras, como é o caso da propriedade em Caracaraí.

“Tem a ocorrência e os valores desta ocorrência estão bem acima do normal encontrado. Então, você encontra [elementos com teores] 100 vezes acima do que é normal. Já é um bom indicativo, porque as outras ocorrências que a gente encontra são pequenas, com um elemento muito alto. Essa área tem vários elementos com altíssima concentração”, explicou Vladimir ao Grupo Rede Amazônica.

Pesquisadores da UFRR estudam existência de jazida de terras raras em Roraima. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

Entre os elementos identificados na região, o ítrio — metal que é usado na produção de diversos eletrônicos — apresentou concentração de 296 partes por milhão (ppm), considerado acima do normal pelos pesquisadores quando comparado ao encontrado no solo de outros lugares.

“Nossa grande questão agora é descobrir se esses teores se mantém ao longo do corpo e que tamanho tem esse corpo, porque daí a gente vai poder dizer o quanto que existe de um determinado depósito”, explicou o pesquisador Carlos Eduardo.

Para confirmar a existência de uma jazida mineral, os pesquisadores seguem várias etapas. O trabalho começa pelo mapeamento de superfície, quando os geólogos vão a campo, coletam amostras e analisam sua composição química.

Jazida é uma área geológica que contém um depósito natural de elementos minerais ou fósseis com valor econômico.

Em seguida, são aplicadas técnicas de geofísica. Depois, realizadas perfurações, sondagens, trincheiras e poços. Após isso, é feita a cubagem, que determina o tamanho e a quantidade do corpo mineralizado. Caso tenha um valor econômico, a área é oficialmente considerada uma jazida.

“Aí deixa de ser uma ocorrência para ser uma jazida, um depósito […] Para confirmar uma jazida são necessárias várias pesquisas geológicas, iniciadas pelo mapeamento de superfície, que os geólogos vão lá bater martelo, como a gente fala, e fazer coleta para a química. Depois, se utiliza a geofísica e por fim se faz furos, sondagens, trincheiras, poços e por aí vai. Se tiver um um valor econômico, ele é considerado como uma jazida”, explicou Lorena Feitosa.

O estudo busca mapear a ocorrência e identificar a viabilidade de extração. A iniciativa ainda não tem vínculo oficial com a UFRR, mas o termo de acordo de cooperação deve ser firmado, segundo os pesquisadores.

Carlos Eduardo Lucas, Lorena Malta e Vladimir de Souza, pesquisadores do Departamento de Geologia da UFRR. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

Material brilhoso despertou interesse

O solo do Complexo Mineral Barreira começou a ser estudado em junho de 2025 em Caracaraí, com pesquisas privadas e a análises laboratoriais. O terreno tem um solo brilhoso, que despertou o interesse dos proprietários.

“Nossa área aflora um material brilhoso na superfície, uma argila com mica brilhosa. Em razão disso, iniciamos as análises geoquímicas e todas apontaram para essas terras raras e outros minérios estratégicos. O afloramento desse material em toda a superfície motivou as pesquisas, até por uma eventual viabilidade econômica de extração”, explicou Gustavo.

A área já passou por processo de licenciamento de pesquisa privada, com a autorização do Conselho de Defesa Nacional e alvará de pesquisa emitido em junho de 2025 pela Agência Nacional de Mineração (ANM).

“Fechamos vários quadrantes com perfurações, todas com amostras recolhidas e testadas, corroborando [os resultados]. Estamos concluindo o relatório com a geofísica e o próximo passo é a cubagem, onde quantificaremos o potencial completo dessa área de 36 hectares, autorizada para pesquisa”, afirmou.

O objetivo dos proprietários é conseguir licenças ambientais para a área de mineração na Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Roraima (Femarh) e na ANM para iniciar operações, “gerar empregos e avançar para a exploração e comercialização” na região.

Na prática, as investigações privadas já realizaram a abertura de 13 pontos de perfuração, distribuídos em áreas de afloramento do material. As trincheiras, variam de um metro de largura por até três metros de comprimento, com profundidades que vão de 50 cm a três metros. Em locais onde o minério se mostrou mais profundo, as escavações chegaram a sete metros.

O que são terras raras?

Amostra de rocha com terras raras encontrada em Caracaraí (RR). Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza, geralmente misturados a outros minérios e de difícil extração. São eles: lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hálmio, érbio, escânio, túlio, itérbio, lutécio e ítrio.

Apesar do nome, elas não são necessariamente raras — mas difíceis de isolar em alta pureza, o que torna o processo caro e complexo. O desafio é encontrar depósitos (jazidas) onde a extração seja economicamente viável.

Leia também: Brasil tem cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras; veja onde estão na Amazônia

Esses minérios são indispensáveis para a produção de turbinas eólicas, motores de carros elétricos, cabos de transmissão de energia, foguetes, equipamentos médicos e dispositivos eletrônicos de última geração.

Os elementos também são fundamentais para a indústria de defesa, presentes em aviões de caça, submarinos e equipamentos com telêmetro a laser. Também é por essa relevância estratégica que o valor comercial é elevado.

O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China. São 21 milhões de toneladas, o equivalente a 23% do total global, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME).

Um levantamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB) apontou que 12 estados brasileiros apresentam potencial para a presença de terras raras no solo, incluindo Roraima. São áreas em que há estudos para detectar se, de fato, há presença desses minerais ou regiões em que já foram confirmados depósitos desses elementos químicos, como é o caso de Goiás e Minas Gerais.

*Por Yara Ramalho, da Rede Amazônica RR

Cappuccino gelado de açaí? Startup do Amapá lança novidade como opção saudável para o calor

Capuccino gelado de açaí criado por startup do Amapá. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

O empreendedor Francisco Soares, fundador da startup Café de Açaí Faustina, do Amapá, lançou nesta semana um produto inédito no mercado de bebidas saudáveis: o cappuccino gelado de açaí. A novidade foi apresentada na 54ª edição da Expofeira do Amapá, em Macapá, e tem como público-alvo estudantes e praticantes de esportes.

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A bebida é vendida em garrafinhas e não contém cafeína nem aditivos químicos. Segundo o criador, ela pode ser consumida como parte da merenda escolar ou como alternativa nutritiva para quem busca se hidratar sem recorrer a refrigerantes.

“A proposta é oferecer o cappuccino gelado de açaí como uma bebida refrescante, nutritiva e que pode acompanhar a merenda, como um suco ou refrigerante. Ele mantém os valores nutricionais do açaí, que já faz parte da base alimentar dos estudantes aqui no estado”, explicou Francisco.

O produto foi pensado especialmente para o clima quente de Macapá, onde as temperaturas médias chegam a 40 °C. “Como vender café quente para alunos em uma cidade tão quente? A versão gelada é mais adequada e ainda valoriza um ingrediente regional”, disse.

Além do capuccino: o café de açaí em pó

Além do cappuccino gelado, a startup também produz café de açaí em pó. A ideia surgiu da combinação entre memória afetiva e preocupação ambiental. Francisco conta que se inspirou na avó, que fazia café tradicional no interior do Nordeste.

capuccino de açaí
Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

Leia também: Protocolo viabiliza mudas em larga escala para cultivo sustentável de açaí-solteiro na Amazônia

“Minha avó fazia café tradicional no interior do Nordeste, torrava e pilava o pó no pilão. Eu quis aplicar essa mesma receita ao café de açaí, aproveitando um produto abundante que muitas vezes é descartado e acaba indo para o lixo, causando problemas ambientais”, afirmou.

O cappuccino gelado ainda está em fase de testes e o rótulo definitivo será lançado em breve. A garrafinha deve custar R$ 10 no varejo, mas o valor pode cair para R$ 5 em compras feitas por escolas, dependendo da demanda.

“A ideia é tornar o produto acessível, especialmente para instituições que queiram oferecer uma opção saudável na merenda escolar”, completou o empreendedor.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

‘Exposita’: bezerra que nasceu durante a Expofeira do Amapá ganha nome por meio de votação do público

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‘Exposita’, a bezerra que nasceu durante a Expofeira do Amapá e virou mascote do evento. Foto: Cleito Souza/GEA

Exposita” é o nome da bezerra da raça Nelore que nasceu na madrugada de segunda-feira (1º), durante a 54ª Expofeira do Amapá. O animal chegou saudável e é fruto do primeiro parto de uma vaca jovem em exposição. O nascimento foi natural e sem complicações.

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O nome foi escolhido pelo público nas redes sociais. Exposita se tornou a segunda mascote da feira, nascendo menos de 24 horas após outra bezerra da mesma raça. Com os dois nascimentos, o rebanho da Fazenda Guarani, proprietária dos animais, passou a contar com 102 animais, entre vacas, touros e os novos filhotes.

Segundo o gerente da fazenda, Danilo Trajano, de 40 anos, o parto foi tranquilo e a mãe, com dois anos e meio, já demonstra instinto materno.

“Já dá para ver que é uma boa matriz leiteira, o que é muito importante para a fêmea. Ela tem um grande instinto materno, é uma novilha muito forte e saudável, que já está amamentando. Estamos monitorando com apoio da equipe veterinária para garantir que ambas continuem bem”, afirmou.

Leia também: Mascote da Expofeira: bezerra nasce durante evento no Amapá e encanta visitantes

bezerra nascida na Expofeira 2025 exposita
Foto: Sal Lima/GEA

Durante a visitação, a organização da feira orienta o público a evitar contato direto com os animais e não jogar alimentos nos currais, para preservar o bem-estar dos filhotes e garantir a segurança dos visitantes.

*Por Crystofher Andrade, da Rede Amazônica AP

Expofeira na Rede

A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.

Município do Acre volta a aparecer entre 10 que mais desmatam na Amazônia

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Feijó é a cidade com indicação geográfica para o açaí, atividade que é a identidade do município. Foto: Marcos Vicentti/Secom

O município de Feijó, no interior do Acre, está no ranking dos 10 municípios que mais desmataram na Amazônia entre agosto de 2024 e julho deste ano segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

O levantamento mostrou que a cidade teve 78 km² de área desmatada, o equivalente a, aproximadamente, 7.222 campos de futebol.

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A terra do açaí, como é conhecida, ocupa a sétima posição à frente de Itaituba, no Pará, com 67 km², e União do Sul, no Mato Grosso, com 65 km².

Feijó está no ranking pelo segundo ano consecutivo. Entre agosto do ano passado, e julho desse ano, o município subiu de 47 km² para 78 km² desmatados, um aumento de 66%.

O município acreano também está entre os dez com maior risco de novas derrubadas, que inclui áreas já identificadas com alta pressão. Apesar do numero no último ano, a derrubada de florestas no Acre teve regressão de -4%, representando 372 km² desmatados, ainda segundo o Imazon.

Tarauacá, que ocupou a 4ª posição do ranking entre 2023 e 2024, com 24 km² desmatados, ficou fora da lista desta vez. Ainda assim, segundo o Imazon, o estado do Acre degradou, no último ano, cerca de 230km².

A degradação na Amazônia mais do que duplicou, passando de 175 km² em julho de 2024, para 502 km² em julho de 2025. Segundo os dados da pesquisa, o salto pode ter ocorrido principalmente pelas grandes áreas de mata que são afetadas por queimadas nos períodos de estiagem, é o que afirmou Manoela Athaíde, pesquisadora do instituto.

“A degradação florestal fragiliza a floresta, aumenta a emissão de carbono e deixa a Amazônia ainda mais vulnerável, ameaçando sua biodiversidade e as populações locais. O salto que vimos em 2025 é um sinal de que precisamos olhar com mais atenção para esse tipo de dano”, afirmou.

Leia também: Açaí de Feijó ganha primeira Indicação Geográfica para o produto no país

*Por Walace Gomes, da Rede Amazônica AC

Ações de desintrusão fazem garimpo recuar nas maiores Terras Indígenas da Amazônia, aponta Greenpeace

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Terra Indígena Yanomami. Foto: Leonardo Prado/PGR

Dados inéditos de monitoramento do Greenpeace Brasil revelam que, no primeiro semestre de 2025, o garimpo foi forçado a recuar em todas as terras indígenas alvos das operações de desintrusão sob a coordenação do Ministério dos Povos Indígenas. Nas TIs Yanomami e Munduruku, a redução foi de 95,18% e 41,53%, respectivamente, quando comparadas ao mesmo período do ano passado.

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Apesar da TI Kayapó ter registrado um aumento de 1,93%, o território não registrou a abertura de novas áreas de garimpo após o início da desintrusão em maio. Em junho, a abertura de novas áreas de garimpo nos três territórios chegou a zero. 

“As ações de desintrusão coordenadas pelo Ministério dos Povos Indígenas têm se mostrado eficazes no controle da atividade garimpeira dentro dos territórios Yanomami, Munduruku e Kayapó, diferente de anos anteriores onde o crescimento estava descontrolado. Nossos dados de monitoramento apontam que em junho, a abertura de novas áreas de garimpo dentro desses territórios chegou a zero! E como resultado, nós temos a diminuição dos impactos causados pelo garimpo na biodiversidade amazônica e a possibilidade dos povos indígenas desenvolverem seus modos de vida de forma segura. Por isso, defendemos que a desintrusão aconteça também em outros territórios onde o garimpo é uma ameaça.”, afirma o porta-voz da Frente de Povos Indígenas do Greenpeace Brasil, Grégor Daflon.

Localização das Terras Indígenas monitoradas pelo Greenpeace Brasil. Imagem: Departamento de Pesquisa/Greenpeace Brasil

Em números absolutos, ao longo dos primeiros seis meses de 2025, foram perdidos cerca de 252 hectares de floresta para a atividade de garimpeira, frente aos 417 hectares perdidos nos mesmo período de 2024. A Terra Indígena Yanomami foi a que apresentou o melhor resultados entre as três, com uma perda de 8,16 hectares de floresta; frente a 11,81 hectares na TI Munduruku e 232,1 na TI Kayapó (que só foi alvo de desintrusão em maio deste  ano).

O monitoramento de garimpo do Greenpeace Brasil foi realizado por meio da interpretação de imagens de satélite de alta resolução fornecidas pelo sistema Planet Labs, com resolução espacial de 4,77 metros.

Leia também: Terras Indígenas são as áreas mais preservadas do Brasil, aponta estudo

TI Sararé e a pressão pelo garimpo

Os dados mostram que a Terra Indígena Sararé (MT), território tradicional dos povos Nambikwara, é a mais pressionada pela exploração ilegal de ouro atualmente: ali, o garimpo já ocupa aproximadamente 4,38% dos 67 mil hectares do território.

Entre janeiro e junho de 2025, foram identificados 773,02 hectares de novas áreas desmatadas pelo garimpo, o equivalente a cerca de 1.082 campos de futebol padrão FIFA, mesmo tendo passado por pelo menos quatro operações de combate ao garimpo até maio de 2025.

Garimpo na Terra Indígena Sararé (Mato Grosso). Foto: Departamento de Pesquisa/Greenpeace Brasil
Garimpo na Terra Indígena Sararé (Mato Grosso). Foto: Departamento de Pesquisa/Greenpeace Brasil

O pico de devastação ocorreu em janeiro, com 268,52 hectares, seguido por maio, com 174,86 hectares. As comunidades mais afetadas por essa expansão são as aldeias Pivi, Serra da Borda e Paukalira.

“Na Terra Indígena Sararé, temos acompanhado a operação de combate ao garimpo, protagonizada pelo Ibama e pela Polícia Federal, e celebramos o desmantelamento dos mais 400 acampamentos de garimpo identificados, bem como a inutilização de 100 escavadeiras hidráulicas que potencializam a destruição do território. Esperamos que essas ações de repressão possam evoluir para um processo de desintrusão capaz de também desarticular a logística e os fluxos financeiros, que em geral, viabilizam o retorno da atividade após a desmobilização das ações de repressão”, completa Daflon

Aliança em Defesa dos Territórios

Nos dias 13 e 14 de agosto, estiveram reunidas em Manaus, lideranças Yanomami, Munduruku e Kayapó, que fazem parte da Aliança em Defesa dos Territórios – articulação criada em dezembro de 2021, com povos oriundos das Terras Indígenas mais afetadas pelo garimpo na Amazônia.

O encontro foi marcado pela conclusão de que as ações sistêmicas que marcaram as operações de desintrusão das três Terras Indígenas foram, sem dúvida, efetivas. Ficou evidente também que os planos de pós-desintrusão serão fundamentais para garantir que esses territórios permaneçam livres do garimpo.

Na ocasião, as lideranças receberam em primeira mão os dados do monitoramento realizado pelo Greenpeace Brasil, que confirmam a relação direta entre as operações de desintrusão e a redução da atividade garimpeira em suas terras.

Alessandra Korap Munduruku reforçou a importância das ações estratégicas que combinam a retirada dos invasores, com oportunidades de geração de renda: “O povo Munduruku consegue viver sem garimpo. Temos terra, caça, pesca, artesanato, extrativismo. Mas sem investimento nessas alternativas econômicas, o indígena acaba indo para o garimpo. Precisamos de projetos de etnodesenvolvimento, turismo de base comunitária, cadeias produtivas que fortaleçam nossa autonomia”.

Para Julio Ye’kwana Yanomami, os sistemas de alerta são fundamentais para coibir o garimpo, mas é essencial que o monitoramento seja realizado também pelos próprios indígenas: “Nós, povos indígenas, precisamos estar sempre ativos na defesa do território, não apenas esperar pelo governo. Nossa terra é grande e fiscalizar custa caro. Não podemos depender apenas da Funai ou do governo. Queremos formar jovens para operar drones e realizar o monitoramento territorial por meio das associações Yanomami”.

Ele também destacou os avanços percebidos após o início da desintrusão, em 2023: “Depois da desintrusão, vimos a água voltar a ficar limpa, as crianças retornando para a aldeia e mais segurança. A desintrusão é muito positiva, mas não basta apenas retirar o garimpo, é preciso também criar alternativas econômicas para as cidades vizinhas ao território e para os jovens”.

Patkore Kayapó destacou ao Greenpeace que o garimpo não provoca apenas destruição ambiental, mas também desunião entre as comunidades: “Hoje sofremos com rios contaminados, como o Rio Fresco e o Rio Branco, tomados pelo barro e pela lama. O garimpo traz facções criminosas, drogas, armas e bebidas alcoólicas. Quando os invasores saem, deixam para trás a terra revirada, maquinário queimado e óleo derramado. Precisamos recuperar o território com projetos sustentáveis que garantam nossa sobrevivência e mantenham a floresta viva”.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Greenpeace Brasil, escrito por Camila Garcez