Em 2025, o Brasil registrou mais de 10 mil casos da febre Oropouche, alta de 50% em relação ao ano anterior. Mosquito maruim é estudado. Foto: Divulgação/Dive
Pesquisadores da Universidade Federal do Amapá (Unifap) iniciaram um estudo para avaliar os riscos de transmissão da febre Oropouche na Amazônia. Em 2025, o Brasil registrou mais de 10 mil casos da doença, alta de 50% em relação ao ano anterior.
O vírus Oropouche circula no país há décadas, mas ainda é pouco conhecido. A transmissão ocorre pelo mosquito maruim, comum em áreas de floresta.
Na região amazônica, já foram registrados surtos e casos isolados ao longo dos anos. No Amapá, os cientistas buscam entender como a doença se espalha.
Transmissão da febre Oropouche
O Oropouche é um arbovírus, ou seja, transmitido por insetos. O principal vetor é o mosquito maruim, que também pode carregar outros vírus tropicais de importância epidemiológica.
De acordo com o Ministério da Saúde, há dois tipos de circulação: silvestre e urbana. No ambiente rural, o mosquito transmite naturalmente. Já nas cidades, o ser humano pode se tornar hospedeiro. O professor Nonato Souto, da Unifap, explica:
“Ele é um inseto silvestre, mas consegue vir para o ambiente urbano quando há expansão demográfica”, disse
Foto: Flávio Carvalho/WMP/Fiocruz
Em Macapá, por exemplo, a urbanização avança sobre áreas de floresta. O maruim é atraído por fatores como gás carbônico, ácido lático e a presença de animais.
“Nós exalamos gás carbônico, ácido lático, temos animais. Todos esses fatores acabam atraindo o mosquito da mata para dentro das residências”, detalha Souto.
O mosquito pode percorrer até 1 quilômetro da mata para áreas urbanas, aumentando o risco de transmissão. Os pesquisadores destacam que ainda há muito a ser estudado sobre o comportamento do vetor e do vírus.
Segundo os pesquisadores, em Mazagão a investigação é mais aprofundada. O pesquisador Eric Fonseca, doutorando em entomologia médica, participou da análise do surto registrado em 2024.
“Percebeu-se uma grande proliferação e abundância dos maruins nessa localidade. O ambiente propício, o clima e os depósitos de água favoreceram a reprodução e aumentaram a presença dos vetores”, afirma.
As amostras coletadas no município estão sendo analisadas em laboratório em São Paulo. Atualmente não existe tratamento específico, mas os pesquisadores acreditam que os estudos podem ajudar a desenvolver soluções no futuro.
Os sintomas da febre Oropouche incluem febre, dor de cabeça e dores nas articulações. Eles são semelhantes aos da dengue, zika e chikungunya, mas o vírus tem origem silvestre.
Os cientistas esperam que a pesquisa ajude a criar sistemas de monitoramento mais eficientes e, futuramente, até vacinas contra o vírus. O laboratório da Unifap busca recursos para ampliar os estudos.
“Esse é o nosso desafio: comprar equipamentos, viajar para coletar amostras e firmar parcerias, já que a identificação do vírus exige análises sofisticadas”, disse Nonato.
Locais onde o maruim já foi identificado
Municípios do Amapá:
Mazagão
Porto Grande
Serra do Navio
Oiapoque
Bairros de Macapá:
Brasil Novo
Marabaixo
Cabralzinho
Amazonas
Igarapé Mirim
*Por Isadora Pereira e Mariana Braga, da Rede Amazônica AP
A planta Zamia urarinorum. Foto: Reprodução/Agência Andina
Cientistas peruanos e internacionais identificaram uma nova espécie de planta na Amazônia peruana, considerada única no mundo por sua capacidade de viver em ambientes permanentemente alagados. Sua segunda característica é pertencer a um grupo de plantas conhecidas como “fósseis vivos” devido à sua origem na era dos dinossauros, revelou o Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP).
Trata-se da Zamia urarinorum, uma cicadácea encontrada no departamento de Loreto. A descoberta desta nova espécie vegetal foi feita pelo IIAP em colaboração com o Montgomery Botanical Center, o International Cycad Specialist Group, o Instituto Federal de Educação do Brasil e a Pontifícia Universidade Católica do Peru.
O estudo foi liderado pelos pesquisadores Ricardo Zárate, Michael Calonje e Malcolm A. Jones, e publicado em fevereiro deste ano na revista científica internacional Phytotaxa.
Adaptado a solos saturados de água
O IIAP destacou que a principal característica que distingue a Zamia urarinorum é a sua tolerância fisiológica à falta de oxigênio, o que lhe permite desenvolver-se em solos encharcados e até mesmo com parte do caule submerso.
“Ao contrário de outras espécies do gênero Zamia, ela não precisa de solo seco ou bem drenado para sobreviver, sendo a primeira cícada registrada com essa adaptação extrema”, enfatizaram.
Foto: Reprodução/Agência Andina
O IIAP especifica que a espécie foi localizada nas bacias dos rios Tigrillo e Urituyacu, em Loreto, uma região reconhecida por sua alta biodiversidade. Essa descoberta reforça a importância do Peru como líder em pesquisa botânica de ecossistemas de floresta tropical.
A descoberta foi baseada em trabalho de campo realizado em 2025 nas comunidades indígenas de Raya Yacu, Nuevo Horizonte e Porto Rico Os pesquisadores coletaram amostras botânicas, registraram coordenadas geográficas e descreveram o habitat natural da espécie. Em seguida, compararam essas informações com espécimes de herbário e ferramentas digitais para determinar sua classificação e distribuição.
O nome urarinorum presta homenagem ao povo indígena Urarina, que contribuiu para a conservação dos territórios onde os espécimes foram encontrados.
Características morfológicas
Em termos de morfologia, a planta possui caules delgados e folhas longas que podem atingir até 2,5 metros de comprimento. Seus folíolos são estreitos e dentados. Produz cones reprodutivos e sementes menores do que as de espécies próximas.
Além disso, trata-se de uma espécie dióica, ou seja, possui plantas masculinas e femininas separadas. Suas estruturas reprodutivas exibem cores que variam do marrom escuro ao verde-amarelado.
Foto: Reprodução/Agência Andina
Valor ecológico da planta e ameaças
O IIAP afirmou que a presença de Zamia urarinorum é fundamental para os ecossistemas das florestas de aguajales (buriti), áreas estratégicas para a regulação hídrica e o armazenamento de carbono na Amazônia.
No entanto, os pesquisadores alertam que a espécie enfrenta ameaças imediatas devido à expansão agrícola, derramamentos de petróleo e projetos de infraestrutura que pressionam os pântanos de Loreto.
Portanto, recomendam sua proteção urgente de acordo com os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
O Carnaboi é uma amostra da grandeza do Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas. O evento marca o final do Carnaval e o início da temporada bovina com edições em Parintins e em Manaus. As galeras, ou seja, os torcedores de cada bumbá – Caprichoso e Garantido -, representam o item 9 da competição, pois são incluídas nas avaliações para definir o campeão da disputa que ocorre todo mês de junho, no bumbódromo da ilha da magia.
E, assim como toda torcida, a paixão fala alto quando o assunto é defender o boi escolhido…
Amor pelo boi vermelho e branco:
Cada torcedor tem sua história de como encontrou o boi e sobre sua paixão. Alguns torcedores, inclusive, já fizeram o possível e quase o impossível para provarem o esse amor.
E uma dessas histórias ganhou mais um capítulo na segunda noite do Carnaboi em Manaus este ano. Em meio ao público de 20 mil pessoas, a recifense Jaciara Santos só tinha duas muletas e um sonho: assistir o show principal do Garantido.
E deu certo. Numa digna prova de amor pelo Boi da Baixa do São José, a torcedora superou o acidente doméstico que sofreu na última semana e foi para o Sambódromo prestigiar de perto a apresentação do seu boi preferido.
A perreché de 35 anos admitiu que seria “uma loucura” de sair de casa com a perna engessada para ver o atual campeão do Festival Folclórico de Parintins.
“Caí da escada lá em casa, mas para mim, não tem tempo ruim para ver o Garantido. Achei que não ia conseguir, que não ia aguentar, mas no fim deu tudo certo. Fui forte até o final e foi maravilhoso”, afirmou Jaciara, que é natural de Recife (PE), mas mora em Manaus há 24 anos.
Foto: Dayson Valente/Portal Amazônia
Jaciara contou ainda que o amor pelo Garantido surgiu desde criança, quando os pais mostraram para ela, pela primeira vez, um pouco do Festival Folclórico de Parintins.
“Quando eu era criança, os meus pais falavam muito sobre o Festival de Parintins, dos bois Caprichoso e Garantido. E desde lá, comecei a ver o festival, assistir… Foi aí que gostei do Garantido. Para mim é o melhor boi, tem a melhor torcida, as melhores toadas”, revelou Jaciara, que já esteve duas vezes na arquibancada do Bumbódromo, na ilha tupinambarana, palco do maior espetáculo folclórico à céu aberto do planeta.
Jaciara, na arquibancada do lado vermelho do Bumbódromo de Parintins. Foto: Acervo pessoal/Jaciara Santos
A torcedora do boi vermelho e branco elogiou o retorno do Carnaboi para o Sambódromo de Manaus, que contou com um público superior a 20 mil pessoas nas duas noites do evento e reafirmou sua força como celebração da identidade cultural amazonense.
“Foi fantástico, uma grande festa, com uma ótima organização e um bom público”, destacou.
O Carnaboi é uma amostra da grandeza do Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas. O evento marca o final do Carnaval e o início da temporada bovina com edições em Parintins e em Manaus. As galeras, ou seja, os torcedores de cada bumbá – Caprichoso e Garantido -, representam o item 9 da competição, pois são incluídas nas avaliações para definir o campeão da disputa que ocorre todo mês de junho, no bumbódromo da ilha da magia.
E, assim como toda torcida, a paixão fala alto quando o assunto é defender o boi escolhido…
Amor pelo boi azul e branco: “desde que eu nasci”
Assistir o Caprichoso durante o Carnaboi de Manaus é se lembrar de sua relação com a cultura amazônica. Este é o sentimento de muitas pessoas que foram acompanhar o boi azul e branco no Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho, o Sambódromo de Manaus, nos dois dias de festa este ano, sexta-feira (20) e sábado (21), marcando presença no evento que tradicionalmente abre a Temporada Bovina no Amazonas.
O Carnaboi é considerado o ponto de partida do calendário que culmina no Festival Folclórico de Parintins, no fim de junho. É neste período que itens oficiais, artistas e torcedores intensificam ensaios, eventos e mobilizações, fortalecendo a conexão entre o boi e sua galera antes das três noites de disputa no Bumbódromo.
O evento chegou a sua 25ª edição este ano e é quando começa o alinhamento dos artistas com o público para a apresentação no fim do mês de junho na ilha tupinambarana e a busca por mais um título de campeão do Festival Folclórico de Parintins.
Este sentimento muitas das vezes traz ao torcedor vontade de fazer parte das apresentações. Rogério Jesus de Souza é uma dessas pessoas.
Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), com uma carreira consolidada na área de gerenciamento de recursos pesqueiros e controle de qualidade do pescado de água doce da Amazônia, Rogério Jesus de Souza é o nome pelo qual é conhecido no meio acadêmico. Mas, no meio da torcida do Caprichoso, ele é conhecido apenas como “Roca”.
O amor pelo boi da estrela azul vem do berço, pois ele é natural de Parintins e desde sempre viveu rodeado pela cultura vibrante dos bois parintinenses. Hoje, Roca se dedica tanto à sua carreira quanto à função de coordenador da Marujada de Guerra em Manaus, nome oficial da banda de percussão oficial do touro negro. Já são pelo menos 25 anos que ele coordena parte da equipe que compõe o item 3 do Caprichoso no Festival.
“O meu relacionamento com o Caprichoso foi desde que eu nasci.Porque meu pai, minha mãe, meus avôs, todos são Caprichoso. Desde pequeno eu frequentava Curral [Zeca Xibelão], quando ainda era na rua Cordovil (em Parintins). Mas aí eu vim estudar em Manaus, depois fui fazer graduação de Engenharia de Pesca em Fortaleza (CE), fui fazer minha carreira. Até que em 1982 eu fui nomeado para um cargo em Parintins e tive contato novamente com a Marujada de Guerra. E de lá para cá eu nunca mais saí”, revelou.
‘Roca’ (de chapéu) coordena os integrantes da Marujada de Guerra em Manaus. Foto: Hector Muniz/ Portal Amazônia
‘Roca’ então foi construindo uma carreira dentro do Caprichoso em paralelo ao seu trabalho na formação de engenheiro de pesca. Como engenheiro, em 1988, foi admitido por meio de concurso no Inpa em Manaus e continuou nas atividades do Boi Caprichoso na capital amazonense.
Ele é, inclusive, um dos fundadores do ‘Bar do Boi’, um evento tradicional de Manaus, organizado pelo Movimento Marujada para celebrar o amor pelo Caprichoso na capital amazonense.
“Já aqui no Bar do Boi de Manaus precisava ter o ritmo. Aí nós fundamos a Marujada de Guerra aqui em Manaus também, principalmente para acompanhar o Arlindo Júnior nas apresentações. E então com o tempo fui tesoureiro, fui do administrativo, fui até vice-presidente e presidente, e depois que um amigo saiu para se dedicar a carreira dele de advogado eu assumi como coordenador. E aí já tem 25 anos”, conta com um sorriso no rosto.
Para “Roca”, fazer parte da Marujada de Guerra e participar das apresentações do Boi Caprichoso se tornou algo natural na sua vida.
“O Caprichoso é o meu hobby, porque como profissão eu sou engenheiro de pesca, trabalho no Inpa há quase quarenta anos. Mas durante esse tempo todo eu venho acompanhando o Caprichoso aqui em Manaus. Então é a minha parte cultural, digamos assim. E é principalmente isso que me liga emocionalmente à Parintins”.
É assim que os apaixonados pela cultura do boi-bumbá a perpetuam de geração para geração.
O Carnaboi é uma amostra da grandeza do Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas. O evento marca o final do Carnaval e o início da temporada bovina com edições em Parintins e em Manaus. As galeras, ou seja, os torcedores de cada bumbá – Caprichoso e Garantido -, representam o item 9 da competição, pois são incluídas nas avaliações para definir o campeão da disputa que ocorre todo mês de junho, no bumbódromo da ilha da magia.
E, assim como toda torcida, a paixão fala alto quando o assunto é defender o boi escolhido…
Amor pelo boi vermelho e branco: desde a infância
Assistir o Garantido durante o Carnaboi de Manaus, por exemplo, é reafirmar um sentimento que ultrapassa o espetáculo e se transforma em identidade. Vestidos de vermelho e branco, os torcedores do boi da Baixa do São José, em Parintins, ocuparam o Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho, o Sambódromo de Manaus, nos dois dias de festa este ano, sexta-feira (20) e sábado (21), marcando presença no evento que tradicionalmente abre a Temporada Bovina no Amazonas.
O Carnaboi é considerado o ponto de partida do calendário que culmina no Festival Folclórico de Parintins, no fim de junho. É neste período que itens oficiais, artistas e torcedores intensificam ensaios, eventos e mobilizações, fortalecendo a conexão entre o boi e sua galera antes das três noites de disputa no Bumbódromo.
Um exemplo de torcedor apaixonado pelo boi Garantido é Henrique Segundo. Ele conta que sempre quis contribuir com a história do boi do coração vermelho, seu boi escolhido.
Nascido em Manaus, desde 2021, ele se dedica a treinar justamente o item 19 do boi da Baixa do São José, a “galera encarnada”. Isso porque atualmente Henrique faz parte do Comando Garantido, a torcida oficial do boi vermelho e branco.
E é com muita dedicação que ele esperava pelo início da temporada bovina, com o Carnaboi. “Eu sempre gostei do boi Garantido. Minha mãe já me levava ainda criança para os eventos aqui em Manaus. Para mim essa época da temporada bovina é muito aguardada”, afirmou Segundo.
Henrique Segundo sempre quis participar da Torcida Oficial do Garantido e hoje é um dos coordenadores. Foto: Hector Muniz/Portal Amazônia
Henrique lembra saudoso que foi lá, na infância ainda, que passou a admirar as apresentações da torcida do bumbá parintinense durante o Festival Folclórico. Ele revela que, já adulto e com recursos para viajar, fez questão de assistir presencialmente o Festival em Parintins. Arrebatado pelo sentimento de pertencimento àquela torcida, assegura que foi “um sonho realizado” fazer parte oficialmente da organização.
“Eu entrei no Comando Garantido através de um amigo. Perguntei dele como eu entrava, porque era algo que eu desejava muito. Eu acompanhava como torcedor mesmo indo pra Parintins e tudo desde 2011, mas foi em 2021 que eu comecei a me dedicar para treinar a torcida. E eu me sinto muito feliz por ser parte de um item oficial, que pontua no Festival. É uma paixão de infância que hoje é realidade”.
No amor e na Batucada: compromisso
Marcela Andrade e Ricardo Andrade são um casal que se apaixonou dentro da Batucada do Garantido. Foto: Hector Muniz/ Portal Amazônia
Por falar em paixão: Marcela Andrade e Ricardo Andrade são um casal que participa da Batucada, a banda de percussão oficial do Garantido.
Ricardo buscava entrar na banda e isso foi motivo para falar com Marcela, que já era integrante. Um simples pedido de informação acabou se tornando um namoro que já completa três anos. Hoje o casal se dedica ao item 3 do Garantido.
“Eu sempre fui torcedor do Garantido e há alguns anos eu tava tentando entrar para a Batucada e procurando formas nas redes sociais. Acabei conhecendo ela”, conta Ricardo.
“Já tenho 18 anos de Batucada e ele quando soube disso foi até a mim. E, naturalmente, a gente também foi se conhecendo. Se tornou um compromisso entre nós e um compromisso com o nosso boi”, explica Marcela.
E o compromisso é tão grande que a atuação do casal no item 3 do boi é digna de um “relacionamento”. “As vezes ele não pode ir pras apresentações e até pra Parintins. Às vezes eu que não posso ir. Mas sempre pelo menos um vai. É uma dedicação, acaba se tornando um compromisso, como em um relacionamento de um casal”, brincou Marcela.
Em 2026, pelo menos no Carnaboi, o casal conseguiu comparecer junto. Mas ainda tem muito evento para acontecer nesta temporada bovina para marcar esse amor pelo Garantido.
A Fundação Rede Amazônica (FRAM) realiza, no Acre, as ações do projeto Consciência Limpa, uma iniciativa que envolve educação ambiental, sustentabilidade e participação da comunidade. O projeto atua há mais de 20 anos na Região Norte e busca ajudar a população a entender melhor os problemas ambientais e adotar atitudes mais responsáveis no dia a dia.
Uma das ações do projeto é sobre a importância do descarte correto de resíduos sólidos. O tratamento adequado de materiais ou objetos que não são mais úteis é essencial para a preservação do meio ambiente, conservação de ecossistemas, redução de custos e principalmente para a qualidade da saúde pública.
Isso porque o descarte inadequado, seja de resíduos sólidos quanto de substâncias tóxicas, além de contaminar o solo e a água, compromete a qualidade dos recursos naturais e a saúde humana.
Diante da importância do tema, confira algumas dicas essenciais para o tratamento adequado de como separar e destinar os lixos de forma ecológica e sustentável.
1. Separar resíduo seco do orgânico/úmido
Os lixos recicláveis são os resíduos de papel, plástico, metal, vidro que estão limpos e secos. Se estiverem úmidos ou sujos, especialmente com restos de alimento, esses materiais não podem ser tratados.
Por isso, ao descartar os resíduos que são recicláveis, é preciso limpar e secar antes de misturar com os outros materiais. Você pode aproveitar guardanapos e outros papéis usados para remover a sujeira, por exemplo.
Restos de comidas, borra de café, folhas secas e outros resquícios de jardinagem, apesar de serem confundidos com lixo comum, podem sim ser reaproveitados ao serem transformados em adubo.
O mais correto é destinar os resíduos orgânicos para a compostagem, que pode acontecer desde em grandes centros de compostagem, se a sua cidade dispor de um, até nas próprias casas ou condomínios.
2. Lixos comuns vão para aterros sanitários
Já o lixo comum, também chamado de rejeito, é composto por materiais que não possuem um tratamento adequado ou viável. Alguns exemplos são lixos do banheiro, bitucas de cigarro, materiais adesivos, esponjas e papel térmico, usados em comprovantes bancários. Eles devem ser descartados e destinados aos aterros sanitários.
3. Lixos eletrônicos
O lixo eletrônico, ou Resíduo de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (REEE), são todos os itens que funcionam por meio da eletricidade. Os exemplos vão desde celulares até máquinas de lavar e liquidificadores.
O mais correto a se fazer com esse tipo de material é reuni-los e descartá-los em pontos de coleta especializados. A informação sobre esses locais também deve estar disponível na prefeitura da cidade.
4. Pontos para descarte de pilhas
As pilhas e baterias, por conterem substâncias tóxicas, não devem ser descartadas junto com outros itens, para evitar a contaminação.
Reúna as pilhas usadas e busque Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) perto de você. Essa informação costuma constar no site ou nos informativos da prefeitura da cidade.
5. Óleo de cozinha em garrafas PET ou de vidro
O óleo de cozinha não deve ser jogado na pia ou nos ralos, pois o óleo não é solúvel em água e é altamente poluente. Essa ação também pode provocar entupimento dos encanamentos e da caixa de gordura.
Para descartar esse material, armazene o óleo utilizado em um recipiente que não vaze, como garrafas de vidros ou PET. Quando cheio, descarte em um Pontos de Entrega Voluntária (PEV) específico para essa coleta.
6. Remédios vencidos
Os medicamentos vencidos e até mesmo as embalagens vazias, não podem ser reciclados ou reaproveitados devido à contaminação química. Em especial, não devem ser jogados no vaso sanitário.
O ideal é fazer uma separação distinta para eles, juntando-os em uma sacola de plástico branca. Farmácias e hospitais costumam receber esse tipo de material para destinar corretamente.
7. Produtos químicos
Os produtos químicos, como tinta, solvente, produtos de higiene e limpeza são extremamente perigosos para o meio ambiente e para a saúde humana.
Quando vencidos, o ideal é mantê-los dentro de sua embalagem original ou dentro de garrafas PET. Procure por pontos especializados nessa coleta e faça o descarte correto.
Latas de tintas vencidas devem ser descartadas em pontos especializados de coleta desses materiais. Foto: Seven Soluções Ambientais
Descarte de resíduos no Acre
No Acre, a destinação correta de resíduos tem sido um grandes desafios ambientais no estado. Apesar da responsabilidade pela execução da coleta, tratamento e destinação final dos resíduos seja dos municípios, o Governo estadual tem atuado na formulação de políticas públicas, apoio técnico e ações de educação ambiental, fortalecendo a estrutura necessária para uma gestão mais eficiente e sustentável.
A gestão dos resíduos sólidos segue as diretrizes da Lei nº 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A legislação estabelece responsabilidades compartilhadas entre poder público, setor privado e sociedade, além de metas para eliminação de lixões e incentivo à coleta seletiva e à logística reversa.
Entre as principais frentes de atuação estão:
Capacitação de técnicos municipais;
Apoio na elaboração de planos e políticas públicas;
Fortalecimento institucional das prefeituras;
Promoção da educação ambiental nas escolas.
O Estado também atua em parceria com o Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos do Acre (CINRESOAC), que reúne municípios para buscar soluções conjuntas, como implantação de aterros sanitários e encerramento de lixões a céu aberto.
Campanhas de conscientização
A sensibilização da sociedade é um dos pilares da política ambiental acreana. A SEMA AC, em conjunto com órgãos ambientais, desenvolve ações educativas voltadas a estudantes e comunidades, com orientações sobre:
Separação correta de resíduos;
Redução do consumo e reaproveitamento de materiais;
Importância da coleta seletiva;
Destinação adequada de resíduos recicláveis e orgânicos.
Entre as iniciativas está o Programa Câmbio Verde, instituído pela Lei nº 4.622/2025, que incentiva a troca de resíduos recicláveis por alimentos, promovendo inclusão social e estimulando práticas sustentáveis. Além disso, campanhas pontuais e eventos ambientais reforçam junto à população dicas práticas sobre acondicionamento correto do lixo, horários de coleta e riscos do descarte irregular.
O estado utiliza como principal referência a legislação federal, especialmente:
Lei nº 12.305/2010 – Política Nacional de Resíduos Sólidos;
Lei nº 9.605/1998 – Lei de Crimes Ambientais, que prevê penalidades para descarte irregular que cause danos ao meio ambiente.
No âmbito estadual, a política ambiental é amparada pela Lei nº 1.117/1994, que estabelece princípios gerais de proteção ambiental.
Já na capital, Rio Branco, uma nova legislação municipal voltada ao fortalecimento da gestão de resíduos sólidos amplia os instrumentos de fiscalização, orientação e responsabilização, reforçando o compromisso local com o descarte adequado e a organização da coleta.
Desafios e perspectivas
Com 22 municípios e características territoriais desafiadoras, o Acre ainda enfrenta dificuldades estruturais, especialmente nas cidades do interior. No entanto, o avanço da articulação entre Estado e municípios, aliado à educação ambiental e ao fortalecimento da legislação na capital, aponta para um cenário de evolução gradual na gestão dos resíduos sólidos.
A consolidação de políticas públicas eficazes depende não apenas do poder público, mas também da participação ativa da sociedade. Separar corretamente o lixo, respeitar os horários de coleta e evitar o descarte irregular são atitudes fundamentais para garantir um ambiente mais saudável e sustentável para as futuras gerações acreanas.
O avanço do desmatamento na região de transição entre Cerrado e Amazônia tem provocado mudanças profundas na disponibilidade de água em pequenas bacias hidrográficas, aumentando o risco de cheias no período chuvoso e reduzindo a disponibilidade hídrica na estação seca.
A pesquisa avaliou oito bacias hidrográficas no leste de Mato Grosso ao longo de três anos, abrangendo áreas com diferentes graus de inclinação do terreno e cobertura de vegetação nativa, variando entre 10% e 80%.
Os resultados mostram que bacias mais desmatadas apresentaram aumento consistente no volume anual e diário de água escoada, além de maior variabilidade sazonal.
Nessas áreas, também foram registrados picos mais intensos de vazão durante eventos de chuva forte, indicando maior risco de enchentes e alterações rápidas no comportamento dos cursos d’água.
Os dados indicam que o desmatamento altera o equilíbrio do ciclo hidrológico ao reduzir processos naturais como evapotranspiração e infiltração da água no solo. A conversão de áreas florestais em pastagens ou lavouras diminui a capacidade da paisagem de reter água, favorecendo o escoamento superficial.
Como consequência, o estudo observou que bacias mais desmatadas podem registrar até o dobro do fluxo anual de água em comparação com áreas que mantêm maior cobertura vegetal nativa.
“Conseguimos monitorar a vazão dos córregos de forma contínua, com medições a cada hora, em uma região com poucos dados hidrológicos. Isso nos permitiu entender como o desmatamento acelera o escoamento da chuva, aumenta o risco de enchentes e reduz a água disponível na estação seca. Os resultados mostram que é preciso considerar a sazonalidade, a topografia e os solos para avaliar os impactos na segurança hídrica, especialmente em anos de seca severa”, afirma a pesquisadora do IPAM e principal autora do artigo, Hellen Almada.
Apesar do aumento do volume de água durante o período chuvoso, os pesquisadores identificaram um efeito oposto na estação seca.
Em bacias com alto nível de desmatamento, a vazão no período seco representa apenas 10% do fluxo anual, enquanto bacias com vegetação conservada mantiveram aproximadamente 30% do fluxo de água nesse período, inclusive em anos com menor precipitação.
Além de evidenciar os impactos ambientais, a pesquisa aponta caminhos para conciliar produção agropecuária e conservação dos recursos hídricos. O estudo indica que a manutenção de pelo menos 50% da vegetação nativa em áreas com maior inclinação pode contribuir para maior estabilidade na disponibilidade de água ao longo do ano, reduzindo picos no período chuvoso e sustentando o fluxo no período seco.
E reforça que planejamento territorial e conservação estratégica da vegetação são elementos centrais para garantir segurança hídrica e produtividade no longo prazo.
“Os resultados mostram que o desmatamento impacta diretamente a segurança hídrica e reforçam a importância de conservar a vegetação nativa e planejar melhor o uso da terra”, destaca o pesquisador do IPAM e um dos autores do artigo, Leonardo Maracahipes-Santos.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM, escrito por Suellen Nunes
Resgate de tradição, emoção e muita festa azul e vermelha. Esse foi o tom que ditou a noite de sábado (21) no Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho, o Sambódromo de Manaus (AM), com a segunda e última noite do Carnaboi 2026.
O evento, que marca a transição do carnaval para a temporada bovina, empolgou mais de 40 mil pessoas que voltaram a prestigiar a grande festa dos bois Caprichoso e Garantido nos dois dias do evento.
O retorno ao Sambódromo foi uma das principais novidades deste ano. Tradicional palco da festa bovina, o espaço recebeu na programação do evento a apresentação dos bois de Manaus, Garanhão e Brilhante, que resgataram a brincadeira histórica vivida pelos bois bumbás na capital amazonense, na abertura da segunda noite.
Foto: Edley Oliveira/Amazon SatFoto: Edley Oliveira/Amazon Sat
Já em cima do palco, as atrações comandaram a festa das cores azul e vermelha com as apresentações dos artistas do Caprichoso e Garantido.
Grupo Toada de Roda e Robson Jr., Luiz Carlos Kboclos e Jardel Bentes, além de Carlos Batata e Black Marialva empolgaram os torcedores dos bois com toadas clássicas e atuais.
A rivalidade saudável protagonizada pelos bois também foi sentida no público. Milhares de torcedores azulados e vermelhos dançaram juntos os principais hits que marcaram gerações, como foi o caso do casal de amigos Eveny Braga e Gabriel Façanha. Torcedores de bois diferentes, a dupla contou que a paixão pelo boi-bumbá surgiu na infância, por influência dos pais.
“A minha mãe trabalhava num navio que levava turistas para o Festival de Parintins, ficava cerca de 15 dias e toda vez ela voltava com indumentárias, acessórios, roupas, muitas coisas do Garantido. Então, desde pequena eu sempre gostei do boi vermelho”, conta Eveny, de 23 anos.
Foto: Dayson Valente/Portal Amazônia
“Também foi a minha mãe, porque ela ia todos os anos para Parintins e aí ela conseguiu trazer essa cultura de gostar de boi bumbá para minha família. Então, eu cresci com esse envolvimento com o Boi Caprichoso, que foi o boi que me escolheu”, conta Gabriel, que também foi prestigiar o namorado dançar no Carnaboi.
A noite seguiu com apresentações que mantiveram o público em ritmo de festa com Paulinho Viana, Prince do Caprichoso. Carlinhos do Boi, Leonardo Castelo e Edilson Santana.
União de Caprichoso e Garantido é a marca do Carnaboi
O momento mais esperado, no entanto, foi o show conjunto dos bois Caprichoso e Garantido. Primeiro, o Caprichoso levou a torcida azulada à euforia, para depois o Garantido incendiar a galera vermelha, elevando a energia do público ao ápice. Itens oficiais dos dois bois empolgaram as galeras dos dois bois.
O encerramento simbólico aconteceu com a tradicional entrega da chave aos bois-bumbás Caprichoso e Garantido pela corte carnavalesca, das mãos da Kamélia, marcando oficialmente o fim do Carnaval e a abertura da temporada bovina.
Foto: Dayson Valente/Portal Amazônia
A noite foi finalizada em clima de celebração com as apresentações de Tony Medeiros e P.A. Chaves, Patrick Araújo e Arlindo Neto, Sebastião Jr. e Márcia Siqueira, culminando no encerramento com Mara Lima e Luanita Rangel, que fecharam o evento sob aplausos.
O Carnaboi 2026, em Manaus (AM), realizado nos dias 20 e 21 de fevereiro, não se resume à celebração da festa de boi-bumbá, protagonizada pelos bois Caprichoso e Garantido, de Parintins. A valorização do artesanato local e a expansão dos saberes tradicionais também fazem do evento, que marca a transição do período carnavalesco para a temporada bovina, relevante para a difusão cultural.
Durante as duas noites de evento, o Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho – Sambódromo de Manaus – contou com espaços voltados para a exposição de produtos feitos pelos povos indígenas do Amazonas.
Cerca de 10 artesãos das etnias Baré, Hixkaryana, Kokama, Kambeba, Sateré-Mawé e Tikuna puderam apresentar adereços e acessórios para o público em geral com inspiração nos bois de Parintins e em suas culturas.
Itens como biojoias, cestarias, artigos decorativos para casas, peças produzidas com matérias-primas naturais e técnicas tradicionais da medicina indígena repassadas entre gerações foram alguns dos produtos comercializados no Carnaboi.
Raquel Wosayme, da etnia Hixkariana, é uma das expositoras que faz parte do grupo participante desta edição do evento. Da aldeia Kassawa, no município de Nhamundá, ela conta que usa material natural para suas produções de biojoias, como as miçangas morototó com açaí.
“Morototó, a gente colhe no mato, lavando, secando pra trabalhar”, revela a artesã, que levou cerca de 500 peças para o espaço dedicado à economia criativa, como colares, gargantilhas, pulseiras e brincos. “E tomara que dê certo pra todos nós aqui!”, desejou.
Quando se fala em artesanato é possível que a primeira imagem seja mesmo alguma das que fazem parte da galeria acima, mas não para por aí. Um exemplo é a ‘Cachaça do índio’, uma bebida alcóolica artesanal apresentada por Yuri Magno, da etnia Sateré Mawe.
Foto: Edley Oliveira/Amazon Sat
“A cachaça do índio é preparada de forma natural, a base do caldo de cana, o mirantão, o xixuá, o manacâmara, o puamo e o guaraná, que são as raízes mais afrodisíacas da Amazônia. A cachaça do índio, a diferença dela na preparação, é que ela não vai no fogo, a fermentação dela é de forma natural, então essa é uma diferença”, conta.
Segundo o produtor, com apoio do Governo do Estado, a bebida é apresentada em diversos eventos realizados no Amazonas e, claro, todos os anos está presente em Parintins. “Hoje tem uma faixa de umas 15, 20 mil garrafas já preparadas. E a cachaça do índio não vem sozinha, ela traz também o artesanato indígena de vários povos do Amazonas”, comenta.
Segundo Magno, o grupo produtor conta com cerca de 30 artesãos. “Pra nós é muito importante, a gente já se prepara o ano todo pro Carnaboi, pro festival de Parintins, pras férias”, afirma.
Foto: Edley Oliveira/Amazon SatFoto: Edley Oliveira/Amazon SatFoto: Edley Oliveira/Amazon Sat
Valorização
Para o diretor-presidente da Fundação Estadual dos Povos Indígenas do Amazonas (Fepiam), Nilton Makaxi, a presença de expositores reforça a valorização cultural e o fortalecimento dos povos indígenas do Amazonas.
“Foi uma verdadeira vitrine estratégica para evidenciar que o artesanato indígena carrega arte, memória e resistência. Ao promovermos esses espaços, asseguramos visibilidade, geração de renda e respeito às nossas comunidades, além de impulsionar a autonomia dos artesãos”, ressaltou Nilton.
Torcedores dos bumbás de Parintins se destacaram durante o Carnaboi 2026 em Manaus. Fotos: Hector Muniz/Portal Amazônia e Thiago Costa de Oliveira/Acervo pessoal
Considerada a cor da coragem, o vermelho está associado a sentimentos como força, paixão e coragem. No mundo dos bois bumbás de Parintins, representa o Garantido. E foi nesse contexto que o amazonense Thiago Costa de Oliveira uniu a força de vontade com o amor pelo boi da Baixa do São José para superar preconceitos na dança e realizar o sonho de poder atuar pelo boi do coração.
O dançarino, que é cadeirante, esteve pela primeira vez no palco do Carnaboi este ano, que ocorreu no Sambódromo de Manaus e marcou o fim do Carnaval e o início da temporada bovina. Thiago contou que a experiência inédita de atuar pelo grupo de dança Garantido Show o surpreendeu.
Conhecido no meio artístico como ‘Thiago, o Bailarino’, o jovem de 21 anos está no meio da dança desde a infância, mas sempre enfrentou resistências por ser cadeirante. Tal discriminação, inclusive, levou o artista a cogitar desistir da dança.
“Há anos, eu vinha sofrendo preconceito na sociedade e até por parte das pessoas desse meio por ser alguém com deficiência dentro da dança. Ano passado, cheguei no meu limite, cogite até a largar faculdade e me aposentar da dança. Senti um desânimo muito grande, até eu saber da audição do Garantido Show”, contou Thiago, que cursa o 7º período da licenciatura de dança.
Foi na oportunidade de compor o grupo do boi do coração que Thiago reencontrou a vontade de dançar. Em setembro de 2025, o dançarino decidiu participar de uma seletiva para compor o grupo de dança do Garantido Show, e o final foi positivo.
“Foi entrando no Garantido Show que eu consegui me libertar da depressão que eu estava. Pensei muito no início se tentaria, tive apoio de algumas pessoas que falaram para eu tentar, que eu ia conseguir por ser esforçado, e felizmente consegui passar. Quando me perguntam como está sendo a minha vida dentro do boi, sempre aproveito para dizer às pessoas que foi o boi que me salvou e hoje eu estou aqui feliz fazendo os eventos pelo Garantido”, contou o artista.
Na segunda noite do Carnaboi em Manaus este ano, sábado (21), Thiago subiu no palco principal do evento para dançar toadas clássicas do Boi Garantido. Após realizar o sonho, o artista deixou um recado para quem quer superar a discriminação no meio artístico:
“Sinceramente, eu nunca enxerguei a minha deficiência como algo que fosse me impedir. E as pessoas deveriam ter esse mesmo pensamento porque somos capazes de fazer o que elas quiserem. Ser feliz dançando, atuando ou qualquer outra coisa. Acredite em você”.
Foto: Dayson Valente/Portal AmazôniaFoto: Thiago Costa de Oliveira/Acervo pessoal
Adriane Figueiredo e Maria Eduarda Vieira são integrantes da Raça Azul, torcida oficial do Caprichoso. Foto: Hector Muniz/ Portal Amazônia
Natural de Santarém, município do Pará, Adriane Figueiredo sempre foi torcedora do Caprichoso. Ao conseguir um emprego em Manaus, ela constituiu família e pôde ficar mais próxima das apresentações do boi azul e branco.
A proximidade dos estados na Amazônia revela como o amor pela cultura popular não conhece a geografia e nenhuma barreira que não possa ser vencida.
“Sempre gostei do Caprichoso desde que eu vivia em Santarém. O meu marido é torcedor do Caprichoso e naturalmente minha filha também se tornou. Mas foi por vontade dela. Ela que quis assim. E há pouco mais de um ano, eu fui chamado para a ‘Raça Azul’ que é a torcida oficial do Caprichoso. Então participar dessa torcida e contribuir com o meu boi, que é a minha paixão, é uma alegria muito grande pra mim. E tendo minha filha aqui comigo é melhor ainda”.
A filha de Adriane Figueiredo, Maria Eduarda Vieira, viu também a Raça Azul como uma forma de contribuir com as apresentações do boi Caprichoso, erguendo e balançando grandes bandeiras no meio do público para abrilhantar as apresentações do bumbá parintinense e chamando a atenção dos demais torcedores pela animação e dedicação.
“Gosto muito de participar com a minha mãe. Foi um convite feito pela amiga dela e é assim que a gente se diverte com o Caprichoso”, disse a jovem de 15 anos.
O amor pelos bois Caprichoso e Garantido, e pelo Festival Folclórico de Parintins, revela que há superação, tradição viva e reconhecimento por parte dos torcedores, que tem tido cada vez mais destaque nos eventos.