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Presidente Lula, eleito com 51,1% dos votos dos amazonenses, é obrigado a decidir se é a favor ou contra a BR-319

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Os vetos do presidente da República afetam frontalmente a viabilidade de concessão do licenciamento à conclusão das obras da BR-319. Foto: Reprodução/DNIT

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O setor de infraestrutura nacional, governos, classes política e empresarial da região amazônica avaliam como desastrosos os 63 vetos do presidente Lula da Silva (PT) incidentes sobre trechos que buscavam superar a morosidade do licenciamento ambiental no Brasil. O ato do Executivo opõe-se frontalmente à necessidade de destravamento de investimentos em setores como saneamento, rodovias e hidrovias, particularmente no que concerne às obras de conclusão da rodovia BR-319. Observe-se que a lei aprovada no Congresso em julho, com mais de 400 dispositivos, foi alvo de pressão de ambientalistas liderados pela ministra do Meio Ambiente, Marina da Silva, a inimiga número 1 da Amazônia, que “veem no texto brechas para o descontrole ambiental”.

A aprovação com 63 vetos presidenciais do Projeto de Lei 2.159/202, que institui a Lei Geral do Licenciamento Ambiental deixa claro interferências espúrias de ONGs na questão ambiental do país e evidencia que o governo Lula está comprometido tão somente com “as metas em relação a desmatamento zero e a reduzir entre 59% e 67% de emissão de CO2, perfeitamente mantidas”, não, e fundamentalmente com o desenvolvimento da Amazônia, mesmo levando em conta processo ajustado à proteção do bioma. Evidencia igualmente que o governo federal não tem comprometimento com soluções objetivas de longo prazo a serem levadas à COP 30, a se realizar em novembro, em Belém do Pará. Nenhum projeto nesse sentido foi divulgado até agora.

Entre os principais pontos vetados destaca-se a decisão de barrar a ampliação da Licença por Adesão e Compromisso (LAC) para atividades de médio potencial poluidor, impedindo que empreendimentos de risco, como barragens de rejeitos, obtenham um licenciamento simplificado, adicionando limites ao procedimento autodeclaratório. Além disso, foram vetados dispositivos que transferem a cada ente federativo a responsabilidade por definir critérios de licenciamento de forma ampla e sem padronização, impedindo, com efeito, a flexibilização de regras para atrair investimentos de projetos do interesse ao desenvolvimento regional.

Os vetos do presidente da República afetam frontalmente a viabilidade de concessão do licenciamento à conclusão das obras da BR-319. O texto foi proposto no Congresso pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), com amplo apoio do governo do Amazonas, visando contornar a franca oposição do Ministério do Meio Ambiente e seus órgãos ambientais a qualquer esforço voltado à implantação de projetos de infraestrutura na região, questão que há anos opõe os governos estaduais, as classes empresariais e as bancadas municipais, estaduais e federais à área ambiental do governo federal infestada de ONGs.

O artigo vetado dispensava o licenciamento a serviços e obras direcionados à manutenção e ao melhoramento da infraestrutura em instalações preexistentes ou em faixas de domínio e de servidão, incluídas rodovias anteriormente pavimentadas e dragagens de manutenção. O que significa que a não concessão da licença tem pleno amparo do presidente da República. Do contrário, ele simplesmente demitiria a ministra nascida no estado do Acre, solucionando o impasse. Resta às lideranças políticas e empresariais, aos governos estaduais levantar bandeira e forçar claro e manifesto anúncio de Lula da Silva a favor da Amazônia ou das ONGs que sustentam Marina da Silva no governo.

Afinal, nas eleições de 2022, Lula, candidato do PT ganhou em 58 dos 62 municípios, atingindo 51,1% dos votos do eleitorado do estado do Amazonas. Seu compromisso maior, por conseguinte, é com o Amazonas, não com Marina da Silva, deputada federal por S. Paulo desde 2023. Ainda bem que os três senadores do Amazonas Eduardo Braga, Omar Aziz e Plínio Valério uniram-se para derrubar os vetos presidenciais à lei do licenciamento ambiental que, particularmente, dificultam a conclusão das obras da BR-319, fundamental à integração da logística de transporte do Amazonas ao resto do país.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Estudo inédito mapeia 159 mecanismos de financiamento para a bioeconomia na Amazônia Legal

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Estudo mapeia mecanismos de financiamento para a bioeconomia. Foto: Divulgação

Um diagnóstico inédito sobre o ecossistema de financiamento da bioeconomia na Amazônia Legal foi lançado, neste mês, a partir de uma parceria entre a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), a rede Uma Concertação pela Amazônia, a Frankfurt School of Finance and Management e a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).

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Estudo inédito mapeia 159 mecanismos de financiamento para a bioeconomia
Estudo inédito mapeia 159 mecanismos de financiamento para a bioeconomia. Foto: Ronaldo Rosa

O estudo mapeou 159 mecanismos financeiros e 111 instituições que atuam na região, com foco em identificar formatos, lacunas e oportunidades estratégicas para ampliar o alcance e a eficácia do crédito e dos investimentos voltados ao setor.

A pesquisa adotou um recorte abrangente, que inclui tanto a bioeconomia em sentido amplo quanto a sociobioeconomia — segmento baseado na valorização da sociobiodiversidade e protagonizado por povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares. Do total de mecanismos levantados, 23% são exclusivos para bioeconomia, 28% atendem a comunidades locais, sendo 13% referentes a instrumentos exclusivos para bioeconomia em base comunitária.

O levantamento revelou um ecossistema institucional diverso, mas ainda fragmentado. A filantropia nacional aparece como o ator com maior presença (29%), sendo que 46% de sua atuação é direcionada à sociobioeconomia. Bancos e agencias públicas de fomento públicos exercem papel estruturante: cerca de 50% dos mecanismos que operam são exclusivos para Amazônia Legal e 33% desses têm foco direto na sociobioeconomia. Já o capital empreendedor, apesar do potencial para inovação escalável, tem baixa aderência a iniciativas comunitárias (11%).

Entre as soluções inovadoras identificadas nos estudos de caso, destacam-se garantias estruturadas, fundos híbridos, hubs territoriais, uso de projetistas locais, governança compartilhada e plataformas de cofinanciamento. Essas iniciativas mostram como arranjos adaptados à realidade amazônica podem ampliar o alcance do financiamento, reduzir riscos e aproximar recursos de empreendedores e comunidades.

Apesar dos avanços, persistem gargalos: burocracia, falta de informações claras sobre produtos financeiros, dificuldades logísticas e fundiárias e taxas de juros incompatíveis com o tempo de retorno dos negócios de base comunitária. O estudo recomenda a criação de uma estratégia nacional de financiamento à bioeconomia, capaz de articular fontes públicas, privadas, filantrópicas e multilaterais, estabelecer prioridades territoriais e fortalecer a presença de financiadores junto a comunidades locais.

Para a secretária-executiva de Uma Concertação pela Amazônia, Lívia Pagotto, compreender a pluralidade das “Amazônias” e das diferentes bioeconomias é essencial para direcionar recursos de forma efetiva. “Mapeamos mais de 150 mecanismos e conseguimos enxergar como eles chegam — ou não — à realidade do território. Vemos avanços, mas ainda com grandes ajustes a fazer para consolidar esse campo em desenvolvimento”, afirmou.

Foto: Marcelo Lelis/Agência Pará

A consultora da Frankfurt School, Débora Masullo, reforçou que o estudo não analisou volumes de recursos, mas aprofundou a compreensão sobre a diversidade de instrumentos e gargalos para a bioeconomia. “Somente 23% dos mecanismos mapeados são exclusivos para bioeconomia, e, dentro da sociobioeconomia, esse percentual cai para 13%. Isso mostra o desafio e, ao mesmo tempo, a oportunidade de expandir o alcance de instrumentos adaptados às comunidades tradicionais e agricultores familiares”, explicou.

O diretor-executivo da ABDE, André Godoy, detalha que a realização do estudo está inserida em uma jornada de pesquisas e eventos da ABDE até a COP30, em Belém. “Este trabalho cristaliza o propósito de identificar problemas, trazer soluções e reunir os diversos setores da sociedade para transformar desafios em oportunidades”, finalizou.

O relatório completo está disponível em AQUI 

CCOTI da Aleam bate recorde de atendimentos e prepara expansão para o 2º semestre

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Foto: Matheus Rodrigues/Aleam

O Centro de Cooperação Técnica do Interior (CCOTI) da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), órgão responsável por prestar assessoria a prefeituras e câmaras municipais, alcançou um recorde de atendimentos no primeiro semestre de 2025. Com 24 municípios contemplados, o sucesso das ações desenvolvidas no período abre caminho para uma expansão significativa das atividades no segundo semestre, com a oferta de novos cursos de capacitação para servidores, por meio de parceria com a Escola do Legislativo Senador José Lindoso.

O diretor do CCOTI, Vanderlei Alvino, destacou que o crescimento no número de atendimentos se deve, em grande parte, à demanda por serviços de assessoria técnica.

O Centro oferece suporte na atualização das Leis Orgânicas dos municípios, que funcionam como a “Constituição” municipal, e dos Regimentos Internos das câmaras municipais, que definem as regras e procedimentos do Poder Legislativo local.

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Esses serviços são fundamentais para garantir que as leis e regulamentos municipais estejam em conformidade com a legislação federal e estadual, além de promover uma gestão pública mais eficiente e transparente.

“A nossa equipe do CCOTI presta auxílio jurídico e técnico, orientando os gestores e legisladores no processo de revisão e adequação desses documentos”, explicou Alvino.

Cursos de capacitação

Com o objetivo de fortalecer ainda mais a capacidade de gestão dos municípios, Alvino anunciou que, a partir de outubro, o CCOTI irá expandir seus serviços. O Centro passará a oferecer cursos de formação para servidores de prefeituras e câmaras, com foco em temas essenciais para a administração pública.

Entre os treinamentos, estão cursos sobre prestação de contas públicas e técnicas de cerimonial. Alvino explicou que a ideia é levar o conhecimento diretamente ao interior, por meio de cidades-polo.

Leia também: Aleam reforça ações em apoio ao aleitamento materno durante o ‘Agosto Dourado’

“A primeira turma acontecerá no próximo mês de outubro. Iremos levar os técnicos do CCOTI e da Escola do Legislativo para o município de Eirunepé (distante 1.160 quilômetros da capital) e vamos realizar o treinamento”, afirmou o diretor. Eirunepé servirá como polo, reunindo servidores de municípios vizinhos para participarem dos cursos.

A programação segue em novembro, quando será a vez de Tabatinga (1.108 quilômetros) e dos municípios do Alto Solimões serem contemplados com a mesma oportunidade de capacitação.

“A iniciativa reforça o compromisso do presidente da Casa Legislativa, Roberto Cidade (UB), em auxiliar no desenvolvimento e na qualificação da gestão pública em todo o estado”, enfatizou Alvino.

Estudo revela qualidade desigual da água na Bacia do Tarumã-Açu

Os flutuantes ficam no Taruma-Açú, zona oeste de Manaus. Foto: William Duarte/Rede Amazônica

A Bacia do Tarumã-Açu, uma das mais importantes áreas hídricas da Região Metropolitana de Manaus, está sob constante pressão ambiental, mas ainda apresenta trechos com boa qualidade de água. É o que revela o mais recente relatório técnico do Programa de Monitoramento de Água, Ar e Solos do Amazonas (ProQAS/AM).

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Bacia do Tarumã-Açu
Foto: Raffa Neddermeyer/Agencia Brasil

O estudo utiliza o novo Índice de Qualidade de Águas Pretas (IQAáguas pretas), desenvolvido com base em mais de 340 mil análises laboratoriais e dados coletados entre 2022 e 2025. Foram monitorados 15 pontos ao longo da Bacia do Tarumã-Açu, com ênfase em 164 parâmetros físico-químicos, biológicos e de presença de metais.

Os resultados indicam que as áreas mais preservadas da bacia, próximas às nascentes no km 40 da BR-174 e aos igarapés do Acará, Leão e Mariano, apresentaram índices de qualidade de água classificados como boa a ótima.

os trechos mais próximos à zona urbana de Manaus, especialmente nas imediações da marina do Davi, do aterro sanitário municipal e de áreas com ocupações irregulares demonstraram níveis regulares de qualidade, com presença significativa de coliformes termotolerantes, resíduos sólidos e indicadores de poluição orgânica.

Leia também: Defensoria tenta evitar remoção e garantir futuro de flutuantes no Tarumã-Açú, em Manaus

Ferramenta Estratégica

mpf recomenda combate uso de mercúrio Foto Divulgação Ibama
Foto: Divulgação/IBAMA

Além do Tarumã-Açu, o ProQAS/AM monitora os rios Negro, Madeira e outras microbacias da capital amazonense. As informações geradas já embasaram o novo Plano Estadual de Recursos Hídricos e vão subsidiar políticas públicas de proteção e uso racional da água na cidade.

Para os pesquisadores, o IQA desenvolvido para águas pretas é apenas o primeiro passo. A equipe trabalha, agora, na construção de índices específicos para águas brancas e cristalinas, a partir de expedições no rio Madeira e, futuramente, no Tapajós.

Investimento na Pesquisa amazônica

O Grupo Atem é o único agente privado a apoiar o ProQAS/AM. A companhia construiu o barco “Roberto Santos Vieira”, com 28 metros de comprimento e quatro laboratórios de última geração, além de camarotes, refeitório e estrutura completa para expedições científicas. O nome da embarcação homenageia um dos idealizadores do primeiro curso de Direito Ambiental da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Apoio

Patrocinado pelo Grupo Atem e coordenado pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em parceria com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). A Atem também fornece o combustível utilizado nas campanhas de monitoramento.

“O apoio a este programa, desde o início, só reforça nosso compromisso com o meio ambiente, com as comunidades ribeirinhas, com o Amazonas e com a pesquisa científica”, afirma o CEO do Grupo Atem, Fernando Aguiar.

As aventuras de um poeta no Vale do Rio Madeira em 1910

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Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Em 2025, completam-se exatos 115 anos desde que um personagem singular desembarcou na região do atual município de Porto Velho, capital de Rondônia. Aníbal Teófilo nasceu em 1873, na Fortaleza de Humaitá, em solo paraguaio, durante os últimos anos da Guerra do Paraguai. Filho de um oficial gaúcho do Exército e de uma mulher paraguaia, foi criado no Rio Grande do Sul, antes de partir para o Rio de Janeiro, então capital do Império, onde ingressou na carreira militar.

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Formado pela Escola Militar da Praia Vermelha, participou da Revolta da Armada (1893–94) como cadete. Ainda jovem, abandonou as forças armadas e passou a viver de sua erudição e vocação literária. Atuou como professor em diversas localidades: Salvador (BA), Alto Purus (AC), Humaitá, Manicoré (AM) e Santo Antônio do Rio Madeira (MT) — esta última extinta em 1945, quando foi incorporada a Porto Velho. Entre 1903 e 1911, percorreu comunidades ribeirinhas da Amazônia, estudando idiomas, filosofia e mergulhando na obra de Luís Vaz de Camões, seu poeta de referência.

As aventuras de um poeta no Vale do Rio Madeira em 1910
Em 1903, Aníbal Teófilo deixou esposa e filhos na Bahia para seguir rumo à Amazônia. Três anos depois, reencontrou a família em Manaus, já em situação precária, mas determinado a continuar sua jornada. De lá, seguiu para Lábrea, onde atuou como professor e “médico prático”, atendendo populações indígenas. Após uma breve passagem pelo Acre, sua esposa retornou ao Rio de Janeiro com os filhos. Foto: Reprodução

Em 1910, Aníbal serviu como agente fiscal na vila de Santo Antônio, em plena efervescência da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Embora não tenha presenciado sua inauguração, em 1912, há registros de sua amizade com ferroviários e de sua presença constante nos bares e praças da região, onde declamava versos com a voz potente herdada dos pampas.

Seus poemas foram publicados em jornais de Humaitá e Manaus, e há registros de que anunciava, pela imprensa, o desejo de viajar à Europa para editar dois livros já prontos. Além da escrita refinada e da força física, chamava atenção pelo sotaque gaúcho, que o acompanhava como marca pessoal.

Aníbal Teófilo foi assassinado em 1915, no Rio de Janeiro, dois dias antes de completar 42 anos. Foto: Reprodução

De Canudos à Amazônia

Antes de chegar à Amazônia, Aníbal viveu outras tantas aventuras. Casou-se aos 23 anos, em 1896, no Ceará, com Liberalina, uma jovem de 15 anos, com quem teve três filhos em Salvador. O casamento durou pouco. Em 1897, alistou-se como voluntário no 9º Batalhão e marchou para a Guerra de Canudos, no sertão baiano. Recebeu o título de capitão honorário.

A experiência em Canudos o marcou profundamente. O massacre dos seguidores de Antônio Conselheiro, que culminou na morte de cerca de 25 mil pessoas, o atormentou até o fim da vida. Arrependido, decidiu recomeçar na Amazônia — sozinho, sem esposa nem filhos — em busca do eldorado prometido pelo Ciclo da Borracha.

Passou fome, dormiu ao relento, enfrentou doenças e dificuldades. Mas sobreviveu. Era um idealista. Um poeta.

“Não há quem, no Rio Madeira, tenha conhecido o saudoso poeta Aníbal Teófilo que deixe de recordar-se da sua figura simpática e daquela sua boemia tão característica em homens de espírito igual ao seu. Aníbal foi nestas paragens um itinerante.” (Jornal Alto Madeira, 13 de junho de 1920)

Durante a Belle Époque tropical, com seus cinemas, cabarés e teatros, Aníbal circulava entre os trabalhadores da ferrovia, declamando versos e escrevendo em guardanapos. Porto Velho ainda era um acampamento, e Santo Antônio, o centro da vida regional.

O poeta Aníbal Teófilo, que testemunhou os primeiros passos de Porto Velho, foi sepultado no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro. Foto: Acervo FBN

O poeta errante

Em certo momento, conseguiu juntar algum dinheiro e adquiriu uma partida de borracha, que levou a Manaus. Lá, comprou um automóvel conversível e vendeu a mercadoria pelo dobro do preço — fiado. Nunca recebeu o pagamento. A perda o levou à miséria.

Decidiu partir. Com o que restava, foi ao Rio de Janeiro em busca de melhores condições para desenvolver seus talentos. Antes, realizou o sonho de ir à Europa, onde publicou seu único livro, “Rimas”, em 1911, na capital da República.

Ao retornar, em 1912, tornou-se secretário do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e conviveu com os grandes nomes da literatura brasileira, como Olavo Bilac, Coelho Neto e Olegário Mariano. Seu livro teve boa recepção.

Mas o sucesso duraria pouco. Em 1915, dois dias antes de completar 42 anos, Aníbal Teófilo foi assassinado com três tiros na nuca, após um evento literário no saguão do Jornal do Comércio, na Avenida Rio Branco. O autor dos disparos foi o também escritor e político Gilberto Amado; autor e vítima eram deputados federais.

Anibal era aficionado pela flagrância do perfume “Idèal de Hubricant”. Olavo Bilac tratou de colocá-lo no corpo do poeta na hora de seu sepultamento.

Enquanto isso, Amado foi inocentado pelo júri e mais tarde tornou-se um destacado diplomata. Também foi eleito, em 1963, membro da Academia Brasileira de Letras.

O ator Douglas Coelho interpreta Aníbal Teófilo no filme “A Cidade que Não Existe Mais”, produção rondoniense com estreia prevista para dezembro de 2025. Foto: Divulgação

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Txai Suruí vai integrar grupo da ONU sobre mudanças climáticas

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Walelasoetxeige Suruí, conhecida como Txai Suruí, tem 28 anos e nasceu entre os Povos Suruí, em Rondônia. Foto: Gabriel Ushida

A ativista indígena Txai Suruí, de Rondônia, foi anunciada como integrante do Grupo Consultivo da Juventude sobre Mudança Climática da Organização das Nações Unidas (ONU).

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Txai Suruí
Fala na abertura da COP26 — Foto: Reprodução/COP26

O grupo é formado por 14 jovens de diferentes países e tem como objetivo aconselhar a liderança da ONU sobre ações e soluções relacionadas à crise climática.

Txai Suruí ficou conhecida internacionalmente após discursar na abertura da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP26), realizada no Reino Unido em 2021.

Leia também: Conheça Txai Suruí, a indígena que foi a única brasileira a discursar na COP26

Quem é Txai Suruí?

Walelasoetxeige Suruí, conhecida como Txai Suruí, tem 28 anos e nasceu entre os Povos Suruí, em Rondônia. É filha do cacique Almir Suruí, liderança indígena reconhecida por sua atuação contra o desmatamento na Amazônia, e da indigenista Ivaneide Bandeira, fundadora da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé.

Formada em Direito, ela foi a primeira mulher de seu povo a concluir o curso e utiliza os conhecimentos jurídicos em defesa das causas indígenas. Foto: Foto: Gabriel Ushida

A Kanindé atua há mais de 30 anos na proteção de territórios indígenas, segurança alimentar de comunidades e fortalecimento de organizações de base. Atualmente, a entidade é coordenada por Txai.

Formada em Direito, ela foi a primeira mulher de seu povo a concluir o curso e utiliza os conhecimentos jurídicos em defesa das causas indígenas. Há cerca de três anos, fundou o Movimento da Juventude Indígena de Rondônia.

Ao anunciar o novo Grupo Consultivo da Juventude sobre Mudança Climática da ONU, Guterres afirmou que “a defesa destemida dos jovens tem sido fundamental na luta contra a crise climática”.

Mineração ilegal em terras indígenas terá punições ampliadas, aprova comissão

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Dandara: importante avanço na proteção dos territórios tradicionais. Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados.

A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que estabelece novos tipos penais para a mineração ilegal, com penas agravadas se a atividade ocorrer em terras ocupadas por povos e comunidades tradicionais e para quem a financia ou custeia.

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Mineração ilegal em terras indígenas
mineração em terras indígenas. Foto: Divulgação

Por recomendação da relatora, deputada Dandara (PT-MG), foi aprovado o substitutivo da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável para o Projeto de Lei 2933/22, da ex-deputada Joenia Wapichana (RR) e de outros 18 parlamentares.

“Trata-se de um importante avanço na proteção dos territórios tradicionais e no enfrentamento aos danos provocados pela mineração ilegal”, afirmou Dandara.

Segundo ela, o texto segue princípios constitucionais e acordos internacionais. Na justificativa que sustentou a versão original da proposta, a ex-deputada Joenia Wapichana e os demais autores argumentaram que, apesar de proibida pela Constituição, a mineração em terras indígenas ainda é uma prática permanente.

Leia também: Liminar impede mineração ilegal na Terra Indígena Tenharim do Igarapé Preto, no Amazonas

Principais pontos

Pela proposta aprovada, incorrerá nas mesmas penas previstas hoje para a mineração ilegal quem:

  • colocar em risco a vida ou a saúde de pessoas;
  • causar significativo impacto ambiental;
  • realizar a atividade com emprego de máquinas e equipamentos pesados de mineração; ou
  • realizar a atividade mediante ameaça com emprego de arma.
mineração ilegal
Célia Xakriabá recomendou a aprovação da proposta. Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados.

Além disso, conforme o substitutivo, a pena será aumentada até o dobro se a atividade for realizada em terras ocupadas por povos e comunidades tradicionais e até o triplo para quem a financia ou custeia nessas terras.

Próximos passos

Foto: Polícia Federal

O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

*O conteúdo foi originalmente publicado na Agência Câmara de Notícias.

Taxa de desemprego cai no Amazonas, mas estado ainda lidera índice na Região Norte, aponta IBGE

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taxa de desemprego no Amazonas ficou em 7,7% no segundo trimestre de 2025, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Trimestral, divulgada no dia 15 de agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da queda em relação ao início do ano, o estado segue com o maior índice da Região Norte.

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Taxa de desemprego cai no Amazonas
A taxa de desemprego no Amazonas ficou em 7,7% no segundo trimestre de 2025. Foto: Divulgação

Leia também: Em assembleia da Fecomércio, Governo do Amazonas anuncia novos investimentos, crescimento econômico e mais empregos

No país, a taxa foi de 5,8% no fim de junho, abaixo dos 7% registrados no primeiro trimestre. Esse é o menor resultado para o período desde 2012, quando a pesquisa começou.

O IBGE considera desocupadas as pessoas que não têm trabalho, mas estão ativamente procurando uma oportunidade, mesmo critério usado em padrões internacionais.

Nos outros estados do Norte, Acre, Roraima, Rondônia e Tocantins tiveram variação pequena, considerada estabilidade pelo IBGE. Já Pará e Amapá confirmaram queda. Rondônia registrou 2,3% e tem a segunda menor taxa do país, atrás apenas de Santa Catarina.

Leia também: Conselho da Zona Franca de Manaus aprova 33 projetos com geração de 1.084 empregos para a região amazônica

Nos outros estados do Norte, Acre, Roraima, Rondônia e Tocantins tiveram variação pequena. Foto: Divulgação

Leia também: Rondônia tem recorde de exportações, empregos e uma das melhores economias do Brasil

Apesar da redução, a informalidade continua predominante na região. Mais da metade dos trabalhadores (51,5%) atua sem carteira assinada ou em atividades informais. Pará e Amazonas lideram nesse cenário, seguidos por Rondônia, Acre, Amapá, Roraima e Tocantins, todos com índices acima de 40%.

*Por g1 AM

Verão amazônico exige atenção com a pele: calor extremo e baixa umidade intensificam riscos

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O verão amazônico, marcado por altas temperaturas, radiação solar intensa e períodos de baixa umidade, impõe desafios severos à saúde da pele. A combinação desses fatores favorece desde queimaduras e desidratação até o agravamento de doenças dermatológicas e o aumento de infecções cutâneas.

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Foto: Divulgação/Arquivo/PMM.

Segundo a dermatologista Fernanda Souza, o estilo de vida da população local contribui para a intensificação dos danos. “Atividades ao ar livre, pouca proteção solar e hidratação insuficiente deixam a pele ainda mais vulnerável. A prevenção com medidas simples é essencial para evitar problemas que vão do envelhecimento precoce ao câncer de pele”, afirma.

Leia também: Saiba os horários de banho na praia da Ponta Negra com a chegada do verão amazônico

Cuidados esquecidos

No calor extremo da região, erros comuns comprometem a saúde cutânea. Um deles é o excesso de higiene, com banhos frequentes usando sabonetes agressivos. “Isso remove a barreira natural da pele e provoca ressecamento. Óleos de banho são uma alternativa que limpa e hidrata ao mesmo tempo”, orienta Fernanda.

A especialista alerta também para a necessidade de reaplicar o protetor solar e proteger áreas frequentemente esquecidas, como lábios, orelhas e dorso das mãos. “Outro cuidado é evitar roupas muito apertadas ou de tecidos sintéticos, que aumentam o abafamento e favorecem infecções de pele. E, claro, manter uma boa hidratação oral: beber mais água reflete diretamente na saúde e no viço da pele”, acrescenta.

Verão amazônico exige atenção com a pele. Foto: Divulgação

A intensidade da radiação e o clima seco afetam cada tipo de pele de forma distinta. Peles negras, apesar de terem maior proteção natural, são mais propensas à hiperpigmentação, enquanto peles maduras sofrem mais com o ressecamento e a sensibilidade.

Em doenças crônicas, como rosácea e melasma, o verão amazônico é especialmente desafiador. “O calor e os raios UV são gatilhos diretos. A rosácea piora com a vasodilatação, e o melasma escurece ainda mais com a exposição solar. Esses pacientes precisam de uma rotina rigorosa de fotoproteção e hidratação”, explica a dermatologista.

Leia também: Verão Amazônico leva diversão e conscientização para a Ponta Negra em Manaus

Problemas mais comuns e prevenção

No consultório, as queixas mais frequentes nessa época incluem queimaduras solares, foliculites, acne agravada, micoses e escurecimento de manchas. A boa notícia é que a prevenção pode ser simples e acessível.

Verão Amazônico em Manaus
Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

“O uso diário de protetor solar, mesmo em dias nublados, faz toda a diferença. Há opções de bom custo-benefício e texturas leves, ideais para o clima quente. Evitar roupas que abafam, optar por sabonetes mais suaves e reforçar a hidratação são medidas que cabem na rotina de qualquer pessoa”, reforça Fernanda Souza.

Para a especialista, o recado é claro: “Cuidar da pele no verão amazônico não é luxo, é necessidade. Pequenas mudanças nos hábitos diários podem prevenir problemas sérios e preservar a saúde cutânea por muito mais tempo.”

Atendimento gratuito à população

A Afya Educação Médica desenvolve, em Porto Velho, um programa de atendimento médico gratuito em diversas especialidades, incluindo Dermatologia, como parte das atividades práticas dos cursos de pós-graduação.

Os atendimentos ocorrem mensalmente na sede da instituição, localizada na Rua Alexandre Guimarães, 1927, bairro Areal. “Com essa iniciativa, os médicos estudantes de pós-graduação conseguem tratar casos reais e a comunidade é beneficiada com a oferta de atendimento”, explica o diretor.

Além de Dermatologia, a Afya oferece consultas gratuitas em Geriatria, Gastroenterologia, Pediatria Geral, Cardiologia e Clínica em Dor. Interessados podem entrar em contato pelo telefone (69) 99955-1741 para verificar a disponibilidade de vagas e realizar o agendamento.

Sinésio vai encaminhar demandas da aviação regional

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Foto: Danilo Mello/Aleam

O deputado estadual Sinésio Campos (PT)reafirmou, no dia 11/08, seu compromisso em liderar o encaminhamento das demandas da aviação regional do Amazonas ao Ministério de Portos e Aeroportos. Autor da proposta que resultou na Audiência Pública realizada no plenário Ruy Araújo da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Sinésio reuniu representantes do setor aéreo, órgãos públicos, entidades de turismo e sociedade civil para discutir tarifas, cancelamentos de voos e a precariedade da infraestrutura aeroportuária no estado.

Leia também: Aleam reforça ações em apoio ao aleitamento materno durante o ‘Agosto Dourado’

Durante a audiência, Sinésio destacou que a aviação regional é um serviço essencial para milhares de amazonenses, especialmente para os municípios onde não há acesso por estrada. Ele lembrou que o parlamento estadual já aprovou incentivos fiscais para combustíveis de empresas aéreas, mas que as contrapartidas prometidas não vêm sendo cumpridas.

O parlamentar também apontou que as passagens para o interior do Estado estão entre as mais caras do país, citando casos recentes como o Festival de Parintins, quando houve denúncias de tarifas abusivas.

Segundo ele, o objetivo agora é transformar as informações levantadas na audiência em um plano de ação concreto. Para isso, será criado um grupo de trabalho que, nos próximos dois meses, vai consolidar dados sobre a operação das companhias, infraestrutura dos aeroportos e medidas necessárias para garantir o atendimento regular às cidades do interior.

Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus (AM). Foto: Divulgação/Infraero

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“Vamos a fundo nessas questões. A Azul, por exemplo, tem uma taxa de cancelamento de 62% dos voos. As empresas recebem incentivo fiscal para operar, mas não estão cumprindo com as contrapartidas de atender os municípios do interior. Vamos coletar as informações prestadas nesta audiência e instituir um grupo de trabalho. Nos próximos 60 dias vamos coletar todas as informações e encaminhar um documento conjunto ao Ministério de Portos e Aeroportos”, declarou Sinésio.