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Campo experimental testa variedades do café robusta amazônica em Roraima

Plantio experimental de café robusta amazônico em Roraima. Foto: Reprodução/Rede Amazônica RR

Um projeto de campo experimental em Roraima testa o cultivo de 4.500 pés de café robusta amazônico em um hectare no Projeto de Assentamento Nova Amazônia, em Boa Vista. O objetivo é alcançar até 100 sacas por hectare e consolidar o estado como polo de cafeicultura adaptada ao clima amazônico.

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O projeto é desenvolvido pelo Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Iater), com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

No projeto do campo experimental, são utilizadas técnicas modernas de cultivo, manejo nutricional das mudas e irrigação por microaspersão – em que a água é distribuída em pequenas gotas, formando uma espécie de névoa ou chuveiro sobre a planta ou solo.

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campo de cafe robusta
Café Robusta Amazônico. Foto: Armando Junior

Campo experimental testa diferentes manejos

No campo experimental, técnicos testam diferentes manejos do café com a proposta de avaliar a produtividade por hectare, como explica o engenheiro agrônomo Eliander Trajano, do Iater:

“Especificamente aqui na nossa unidade no PA Nova Amazônia, do café robusta amazônico, estamos trabalhando com um sistema de irrigação por microjets [pequenos jatos], que funciona como um micro nebulizador. Ele forma uma nuvem de água e irriga com bastante eficiência os cafezais. Também estamos adotando o manejo com duas hastes de café, que devem ser nosso potencial produtivo. Cada haste induz ramos produtivos, permitindo maior número de hastes produtivas por hectare”.

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A ideia da iniciativa é ter espécies com uma excelência maior na região. Na unidade demonstrativa, foram plantados três blocos com 1.500 plantas cada.

Seis híbridos estão sendo testados para identificar quais se adaptam melhor ao solo e clima de Roraima. O projeto também busca posicionar o estado no mercado nacional e internacional de café robusta amazônico.

*Por Katiane de Jesus, da Rede Amazônica RR

Pará garante presença dos povos indígenas nas agendas climáticas rumo à COP 30

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Foto: Jaelta Souza/Ascom Sepi

O Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi), informou que reafirma o compromisso de garantir os direitos e assegurar voz ativa às comunidades indígenas na formulação de políticas públicas e nas decisões que afetam seus territórios, culturas e modos de vida em uma atuação integrada à agenda ambiental, “reconhecendo que a proteção das populações originárias é inseparável da preservação da Amazônia”.

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Os objetivos são garantir acesso à terra, cultura, educação diferenciada, saúde e participação política, que também significa proteger a floresta e sua biodiversidade. Esses princípios orientam as ações estratégicas do Pará rumo à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que será realizada em Belém, reconhecendo o papel essencial dos povos indígenas como guardiões do meio ambiente.

povos indígenas pará
Foto: Jaelta Souza/Ascom Sepi

Leia também: Mudanças climáticas ameaçam biomas brasileiros e destacam papel do ecoturismo na COP 30

Caravana dos Povos Indígenas nas etnorregiões

Entre as iniciativas em destaque está a Caravana dos Povos Indígenas rumo à COP 30, promovida pela Sepi com apoio da Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa) e do Banco do Estado do Pará (Banpará). A ação percorre as oito etnorregiões do Estado, levando informação, promovendo escuta ativa e ampliando a participação indígena na construção da conferência ambiental.

“Essa Caravana é um instrumento de acesso à informação e de articulação política diretamente nos territórios, permitindo que cada comunidade leve suas demandas para o centro das discussões da COP30. Ao escutarmos quem vive e protege a floresta, fortalecemos não apenas os direitos humanos, mas também a luta global contra a crise climática”, destacou a secretária de Estado dos Povos Indígenas, Puyr Tembé.

O Pará se consolida como liderança na Amazônia ao unir direitos humanos e proteção ambiental, reforçando que a justiça climática só é possível com a valorização e o respeito aos povos originários. “Defender nossos povos é preservar a Amazônia. É ouvir quem cuida, respeitar quem vive e proteger quem resiste há séculos. O Pará, por meio da Sepi, segue determinado a colocar os povos indígenas no centro das soluções que o mundo precisa conhecer”, reiterou a secretária.

*Com informações da Sepi PA

Produtos da Amazônia passam a ter rota direta para a China via Porto de Santana, no Amapá

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Produtos amazônicos devem ter envio acelerado ao mercado chinês com a nova rota. Canal Dourado, na China. Foto: Divulgação/MIDR

A primeira viagem da nova rota marítima entre o Porto de Santana (AP) e a região da Grande Baía, na China, está em andamento. A informação foi confirmada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que enviou comitiva à cidade chinesa de Zhuhai no último fim de semana.

A iniciativa busca acelerar o envio de produtos amazônicos ao mercado asiático, reduzir custos logísticos e fortalecer o comércio bilateral.

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A comitiva brasileira visitou o Porto de Gaolan, um dos principais terminais da região, e conheceu a sede da Plataforma Integrada de Serviços Econômicos e Comerciais Sino-Latino-Americana — projeto que facilita negócios entre empresas brasileiras e chinesas.

“A rota marítima reduz custos logísticos, diminui o tempo de transporte e fortalece o comércio bilateral. O primeiro navio tem previsão de chegar em breve ao Porto de Santana, o que confirma o progresso da iniciativa”, afirmou o ministro Waldez Góes.

O Porto de Gaolan, em operação há 20 anos, passou a oferecer a nova rota neste ano após o diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping, que intensificou as relações comerciais entre Brasil e China.

Produtos a caminho

Segundo o CEO da empresa Zhuhai Sino-Lac Amazônia, Marcius Nei Santos, o primeiro navio já saiu de Zhuhai e deve chegar ao Amapá ainda neste mês. Um segundo embarque está previsto para setembro.

“Nossa meta é que um navio saindo de Santana chegue a Zhuhai em 30 a 35 dias, o que é excepcional. Hoje, uma carga enviada pelos portos do Arco Norte leva de 90 a 180 dias para chegar à China”, explicou o executivo.

A delegação brasileira também conheceu a estrutura da plataforma comercial em Zhuhai, que inclui armazéns refrigerados, áreas para congelados e carga seca. O espaço conta com dois prédios exclusivos para o Brasil, com capacidade para abrigar até 150 empresas brasileiras interessadas em atuar diretamente na China.

produtos da amazônia serão levados em nova rota marítima para a china
Brasil e China inauguram rota marítima direta com passagem pelo Porto de Santana. Foto: Reprodução/Acervo PMS

O ministro destacou que a parceria com a Província de Guangdong abre espaço para diversificar exportações brasileiras e reforça ações voltadas à bioeconomia, inovação e desenvolvimento regional.

Ainda segundo o MIDR, o novo corredor marítimo atende diretamente zonas estratégicas de produção agrícola e mineral, consolidando os portos de Santana e Salvador como hubs para o escoamento de produtos como soja, minério de ferro, carne bovina e celulose.

Oportunidade para o Amapá

Para o pesquisador Tiago Luedy, que é professor de relações internacionais da Universidade Federal do Amapá (Unifap), a nova rota é uma excelente oportunidade para o escoamento da produção de produtos regionais.

“Uma rota marítima direta com a China não só coloca o Amapá no radar da logística de carga do comércio internacional, como também representa um enorme potencial de desenvolvimento do nosso estado. Apurei que a operação inicial começa com um navio a cada dois meses, sendo que a frequência pode aumentar dependendo da demanda”, explicou Luedy.

Ainda segundo o pesquisador, o tarifaço imposto pelos EUA aos produtos brasileiros e chineses facilita o comércio entre a Ásia e a América do Sul.

Leia também: Setor pesqueiro do Pará pode ser duramente afetado por tarifas dos EUA

“Com a nova rota, o tempo de viagem vai ser reduzido em 30 dias, o que dá uma redução de custo de viagem de cerca de 30%”, informou.

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

5 acidentes aéreos que marcaram a história da aviação no Amazonas

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Alguns dos maiores acidentes aéreos no Amazonas aconteceram devido os desafios logísticos de sua vasta extensão territorial, fatores climáticos e até mesmo por falhas humanas e, ainda, de motores.

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Os acidentes envolveram desde aeronaves de pequeno porte até grandes aviões comerciais e revelam os riscos da aviação em áreas remotas e da falta de revisão das aeronaves. Saiba

Queda do voo 4815 da Rico Linhas Aéreas (Amazonas, 2004)

No dia 14 de maio de 2004, um avião modelo Embraer 120 Brasília, da Rico Linhas Aéreas, caiu enquanto se preparava para pousar no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus (AM). A aeronave havia decolado após uma escala em Tefé com 30 passageiros e três tripulantes a bordo.

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Acidente da Rico Linhas Aéreas. Foto: Reprodução/Policia Militar do Amazonas

O voo fluiu normalmente até o momento em que a aeronave se preparava para pousar em Manaus, quando começou a perder altitude e colidiu com árvores em uma área de floresta a apenas 30 km da capital amazonense. Os 33 ocupantes do voo morreram. 

A investigação da polícia determinou que as causas do acidente incluíram fatores como falhas na coordenação entre os pilotos, ausência de procedimentos de briefing (reunião informativa realizada antes de cada voo com a tripulação) e má gestão da aproximação, já que a aeronave estava em condições de voo normais, sob o controle do piloto, e colidiu com a floresta sem que a tripulação percebesse o perigo a tempo.

Leia também: Levantamento do setor de inteligência da PF informa que aviões ilegais entram diariamente no Território Yanomami

Queda do Manaus Aerotáxi em Barcelos (Amazonas, 2023)

No dia 16 de setembro de 2023, um avião de pequeno porte da empresa Manaus Aerotáxi caiu em Barcelos, no interior do Amazonas, matando todos os ocupantes. A aeronave, Embraer EMB-110 Bandeirante, transportava 12 turistas brasileiros e dois tripulantes que seguiam para uma pesca esportiva no Rio Negro. 

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Destroços do avião do acidente aéreo em Barcelos. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

De acordo com as investigações, chovia bastante na região no momento do acidente e o avião teria chegado a tocar a pista, mas não conseguiu frear a tempo e saiu da área de pouso. As possíveis causas do acidente incluem o mau tempo e falha na decisão de pouso. 

Acidente da Manaus Aerotáxi no Rio Manacapuru (Amazonas, 2009)

No dia 7 de fevereiro de 2009, um avião EMB-110P1 Bandeirante, também operado pela Manaus Aerotáxi, caiu nas águas do Rio Manacapuru. No total, 24 pessoas morreram. A aeronave havia saído de Coari e se dirigia a Manaus, com 28 ocupantes sendo 18 da mesma família que seguiam para uma festa de aniversário.

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Destroços do avião Bandeirante da companhia Manaus Táxi. Foto: Michell Mello.

A aeronave estava certificada para transportar somente 19 pessoas, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e levava 28, incluindo os dois tripulantes, e somente quatro pessoas sobreviveram.

Durante o trajeto, sob forte chuva, o piloto comunicou que retornaria a Coari e pouco depois, o avião desapareceu dos radares e caiu a cerca de 500 metros da cabeceira da pista.

Leia também: Entenda o caso dos aviões abandonados no Aeroporto de Manaus há pelo menos 17 anos

Queda do avião Constellation da Panair (Amazonas, 1962)

No dia 14 de dezembro de 1962, um avião Lockheed Constellation da extinta Panair do Brasil, caiu a cerca de 40 km de Manaus, nas proximidades de Rio Preto da Eva. A aeronave vinha do Rio de Janeiro, com escala em Belém, e deveria pousar no aeroporto de Ponta Pelada, mas desapareceu minutos antes do pouso.

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Acidente Rio Preto da Eva, 1962. Foto: CIGS – Símbolos da Guerra na Selva, TC Souza Abreu.

Após 10 dias de intensas buscas, os destroços foram localizados em uma clareira no meio da selva e todos as 50 pessoas, 44 passageiros e seis tripulantes, morreram no impacto. Atualmente, o local onde o acidente aconteceu é conhecido como Clareira do Avião, onde o Exército do CIGS realiza homenagens anuais às vítimas e aos esforços de resgate.

Queda do Fairchild Hiller da empresa TABA em Tabatinga (Amazonas, 1982)

No dia 12 de junho de 1982, um avião Fairchild Hiller FH-227 da empresa TABA caiu no estacionamento do aeroporto de Tabatinga, no interior do Amazonas. O avião havia saído do município de Eirunepé e se dirigia a Manaus, realizando escalas em Tabatinga, Coari e Tefé.

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Destroços do avião após acidente em Tabatinga. Foto: Reprodução/Sindicado Nacional dos Aeronautas

A aeronave tentou pousar em meio a um nevoeiro denso, no entanto o radiofarol da pista estava fora de operação e por isso a tripulação tentou usar referências visuais como o rio. O avião então colidiu com a torre do próprio radiofarol e explodiu ao atingir o solo, matando todos os 44 ocupantes do voo.

Acidente do voo 1907 da Gol (Mato Grosso, 2006)

Esse acidente é fora do Amazonas, mas envolveu a capital do Estado. Isso porque o avião da Gol saiu de Manaus com destino ao Rio de Janeiro. Ele levava 154 pessoas, todas mortas após a colisão que aconteceu dia 29 de setembro de 2006.

O Boeing 737-800 da Gol colidiu em pleno voo com um jato executivo Legacy, sobre a Floresta Amazônica, na região de Peixoto de Azevedo, no Mato Grosso. O jato Legacy, com sete pessoas a bordo, conseguiu pousar emergencialmente em uma base aérea.

A investigação da polícia apontou falhas na comunicação com o controle aéreo e erro humano, além da desconexão do transponder do Legacy, como causas do desastre. O acidente é considerado o segundo pior desastre da história do Brasil.

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Destroços do avião em Mato Grosso. Foto: Reprodução/ Corpo de Bombeiros

SGB e Marinha realizam mapeamento para assegurar monitoramento hidrológico em Itacoatiara

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Técnicos do SGB e militares da Marinha realizando o monitoramento geodésico da Estação Fluviométrica de Itacoatiara. Foto: Divulgação/Marinha

Para garantir a plena operacionalidade da Estação Fluviométrica de Itacoatiara, no Amazonas, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Marinha do Brasil, por meio do Centro de Hidrografia e Navegação do Noroeste (CHN-9), realizaram atividades de monitoramento geodésico e topográfico na região. O trabalho, que ocorreu em 16 de julho, teve como objetivo coletar dados sobre o nível do rio Amazonas nesse trecho e determinar coordenadas geográficas e altitudes ortométricas na área da estação.

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A Estação Fluviométrica de Itacoatiara pertence à Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) e é uma ferramenta fundamental para o acompanhamento dos níveis dos rios. Com os dados produzidos pela estação de controle, são realizados estudos hidrológicos para planejamento de ações preventivas que visem reduzir os efeitos das estiagens e secas severas. Nesse contexto, a ação do SGB e da Marinha, identificando o nivelamento geodésico na região da estação de Itacoatiara, foi essencial e necessário para que o trabalho de controle hidrológico fosse assegurado.

O que é um monitoramento geodésico?

O monitoramento geodésico é a medição e o acompanhamento de movimentações de estruturas ou áreas terrestres ao longo do tempo utilizando equipamentos receptores de tecnologia GNSS (Global Navigation Satellite System), determinando a posição e a altitude de pontos na superfície terrestre e em corpos hídricos com alta precisão.

Os pesquisadores do SGB estiveram no local para a instalação destes receptores GNSS de alta precisão nas referências de nível (RN) instaladas na seção de réguas, para obtenção das coordenadas geográficas e altitudes ortométricas e assim monitorar possíveis alterações observadas nas leituras diárias da cota do rio Amazonas nesta importante estação de monitoramento.

Equipamento utilizado na realização do mapeamento geodésico, auxiliando no monitoramento.
Equipamento utilizado na realização do mapeamento geodésico. Foto: Divulgação/SGB

De acordo com o técnico em geociências do SGB Carlos da Matta, após a prática do nivelamento geodésico nas RN, com a análise das cotas ortométricas adquiridas, torna-se possível a reconstrução de novos lances de réguas, em caso de ocorrência de danos, sem comprometer o histórico de monitoramento do rio, garantindo a continuidade das leituras antes e após dos reparos de eventuais sinistros na estação fluviométrica. Ressalta-se que o local onde está instalada a estação é um ponto de intensa movimentação aquaviária e já houve acidentes de embarcações derrubando lances de leitura do nível do rio.

Para a Marinha do Brasil, os números obtidos servirão como referência e balizamento no trabalho de batimetria para o mapeamento do leito do rio, possibilitando a atualização das cartas náuticas e informações essenciais para a segurança da navegação nesse trecho do rio.

*Com informações do Serviço Geológico do Brasil (SGB)

Roraima receberá Festival dos Povos da Floresta, evento gratuito que celebra a diversidade cultural amazônica

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Boa Vista será a segunda cidade a receber o Festival dos Povos da Floresta, projeto itinerante que celebra e reafirma a potência criativa e a diversidade da Amazônia. O evento gratuito, que será entre os dias 22 e 28 de agosto, se consolida como espaço de visibilidade, valorização e protagonismo para as artes produzidas pelos povos da floresta.

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Roraima receberá Festival dos Povos da Floresta
Roraima receberá Festival dos Povos da Floresta. Foto: Divulgação

Idealizado pela Rioterra e apresentado pela Petrobras por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com realização do Ministério da Cultura e Governo Federal, o projeto promove o encontro entre tradição e contemporaneidade, e ainda fomenta um espaço de visibilidade nacional para os povos da Amazônia.

Segundo a diretora executiva e responsável pela curadoria musical do Festival dos Povos da Floresta, Aline Moraes, a festa em Boa Vista promete manter e aprofundar o olhar iniciado em Porto Velho, exaltando as mulheres da floresta, a afetividade que conecta a Amazônia ao Brasil e a ancestralidade sonora dos povos originários e mestres de cada território — do movimento Beradero ao Roraimeira.
Com atividades gratuitas e acessíveis para todos os públicos, o festival valoriza mestres da cultura popular, coletivos artísticos, artistas indígenas e lideranças territoriais, compondo um mosaico vivo das expressões amazônicas.

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Atrações

Na sexta, dia 22, o encontro da Orquestra IBVM (Instituto Boa Vista de Música) com Eliakin Rufino e Lionella dialoga com a ancestralidade do Grupo Kapoi (povo indígena de Roraima), o elo interoperacional e a conexão com o Brasil, ao trazer pela primeira vez a Boa Vista Thalma e Heloise com um show que todos irão cantar juntos.

Roraima receberá Festival dos Povos da Floresta. Foto: Divulgação

No sábado, 23, Socorro Lira apresenta Dharma, também inédito em Boa Vista, seguido de Do Cangaço ao Seringal, de Patrícia Morais com Anne Louise e a Quadrilha Agitação, valorizando a Amazônia Nordestina.

No domingo, 24, a força ritual da performance do Povo Gavião (RO) antecede o encontro de Binho (RO) e Leka Denz (RR), celebrando a conexão Rondônia–Roraima e encerrando com a homenagem ao movimento Roraimeira, protagonizados por Neuber Uchôa e Zeca Preto convidando Ana Lu e o Bodó Valorizado. Um palco onde memória, afeto e diversidade constroem pontes entre tradição e contemporaneidade.

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Exposição

A programação ainda inclui a exposição Povos da Floresta que reúne obras inéditas de artistas convidados, como Paula Sampaio (PA) e Gustavo Caboco (RR) que assina o logo do projeto, e selecionados por meio de chamamento público, e segue com uma intensa imersão artística e cultural, a qual contempla vídeos de realidade aumentada, produzidos exclusivamente para a interação com o público e curtas que foram selecionados também por meio de chamamento público.

Roraima receberá Festival dos Povos da Floresta. Foto: Divulgação

A proposta convida o público a vivenciar uma experiência estética profunda, que atravessa o som, a imagem e a relação entre pessoas e territórios.

Além das atrações musicais e exposições, o festival oferece uma programação formativa com oficinas de vídeo e fotografia com celular, rodas de conversa temáticas e vivências culturais. A proposta é promover o encontro entre tradição e contemporaneidade, estimulando o reconhecimento da Amazônia como território de criação, inovação e resistência cultural.

Roteiro nacional

Roraima receberá Festival dos Povos da Floresta. Foto: Divulgação

Depois de Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), o Festival dos Povos da Floresta segue para Macapá (AP), Belém (PA) e Brasília (DF). Em cada cidade, serão realizadas atividades que fortalecem redes de intercâmbio entre artistas, mestres da cultura popular, lideranças indígenas e coletivos culturais, criando pontes afetivas e artísticas em defesa da floresta e de seus povos.

Sobre a Petrobras e a parceria

Roraima receberá Festival dos Povos da Floresta. Foto: Divulgação

A Petrobras apresenta o Festival dos Povos da Floresta reafirmando seu compromisso com a cultura brasileira e com a valorização das múltiplas identidades que compõem o país. O patrocínio à iniciativa integra um amplo programa de apoio à cultura popular, como o Festival de Parintins e as festas juninas do Nordeste, promovendo o fortalecimento de expressões artísticas e tradicionais. Por meio dessa parceria, a Petrobras reconhece a cultura como força de identidade, inclusão e transformação.

Sobre a Rioterra

A Rioterra – Centro de Inovação da Amazônia é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) e uma Instituição de Inovação, Ciência e Tecnologia (IICT) fundada em 1999. Atua no desenvolvimento de projetos que aliam conhecimento, sustentabilidade e inclusão social, contribuindo para o fortalecimento de comunidades e o desenvolvimento territorial da Amazônia. O Festival dos Povos da Floresta marca a criação do seu braço cultural, ampliando a atuação da instituição no campo das artes e da cultura.

Instagram: @festivaldospovosdafloresta
Email: festival@rioterra.org.br

Serviço

  • Festival dos Povos da Floresta – Etapa Boa Vista
  • Data: 22 a 28 de agosto de 2025
  • Locais: Teatro Municipal de Boa Vista
  • Entrada: Gratuita
  • Esquenta – Espaço Marupiara: 21 de agosto de 2025 – a partir de 20h.

Mais informações, horários e programação geral:
@festivaldospovosdafloresta | festival@povosdafloresta.art.br

Setor pesqueiro do Pará pode ser duramente afetado por tarifas dos EUA

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Foto: Divulgação

Após a inclusão de diversos produtos brasileiros na nova política tarifária dos Estados Unidos, o setor pesqueiro do Pará acendeu um sinal de alerta. Além do açaí, amplamente discutido nos últimos dias, o pescado paraense também está entre os itens que devem sofrer forte impacto com a imposição de tarifas adicionais pelo governo norte-americano.

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Setor pesqueiro
Peixes na feira. Foto: Divulgação

Dados do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) mostram que, somente entre janeiro e junho deste ano, o Estado exportou 3.671 toneladas de pescado, totalizando US$ 32,5 milhões. Os Estados Unidos figuram como o segundo maior destino dessas exportações, respondendo por cerca de US$ 12 milhões, o equivalente a 36,94% do total comercializado para o exterior, atrás apenas de Hong Kong.

Mesmo com um crescimento de 8,17% nas exportações para o mercado norte-americano em comparação com o mesmo período do ano passado, a adoção de tarifas pode reverter essa tendência positiva e comprometer parte significativa da receita do setor. Atualmente, o Pará lidera o ranking nacional de exportações de pescado, com participação de 21,33% nas vendas externas brasileiras, seguido pelo Ceará (14,75%) e Paraná (11,48%).

Os principais produtos exportados incluem “cabeças, caudas e bexigas natatórias de peixes”, que somaram US$ 14,1 milhões e representam 43,27% das exportações, além de “outros peixes congelados, exceto filés” (US$ 9,6 milhões) e o tradicional “pargo congelado” (US$ 4,9 milhões).

Tarifas e o setor pesqueiro

No entanto, o bom desempenho recente convive com fragilidades estruturais e operacionais que tornam o setor ainda mais vulnerável a mudanças externas. A ausência de uma regulação eficaz e a falta de apoio governamental às demandas históricas do setor agravam o quadro.

“A situação da indústria da pesca demonstra claramente que, na ausência de uma intervenção e suporte adequados por parte do poder público, a ilegalidade tende a se proliferar enquanto a atividade econômica formal, responsável por gerar emprego, renda e desenvolvimento socioeconômico, sofre um declínio acentuado, prejudicando toda a sociedade”, afirma o presidente da FIEPA, Alex Carvalho.

O cenário é corroborado por Apoliano do Nascimento, presidente do Sindicato da Indústria da Pesca do Estado do Pará (Sinpesca). Ele destaca que a imposição de tarifas adicionais por parte dos Estados Unidos representa um novo e significativo desafio para a cadeia produtiva do pescado no Pará.

setor pesqueiro amazonas
Foto: Divulgação/Acervo Sepror-AM

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Com margens de lucro já pressionadas por fatores internos, o setor corre o risco de perder competitividade internacional, ver seus produtos encarecidos no exterior e, consequentemente, reduzir sua capacidade de gerar emprego e renda em uma das regiões mais dependentes da atividade pesqueira.

“A indústria do pescado é um dos setores mais importantes do agronegócio da região Norte, responsável pela geração de emprego e renda de inúmeras famílias. No entanto, apesar da grande disponibilidade de pescado, a produção industrial ainda não alcança todo o potencial existente, principalmente aqui no Estado”, pontua Nascimento.

*Com informações da Fiepa

Projeto “Escola vai ao Teatro” leva alunos a uma experiência cultural inesquecível

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O espetáculo “A Maravilhosa História do Sapo Tarô Bequê”, da companhia Arte&Fato, está em turnê pela Amazônia. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Risadas, olhares curiosos e muito encantamento marcaram a manhã desta terça-feira, 19, no Teatro Municipal de Boa Vista. Cerca de 645 alunos de quatro escolas da Rede Municipal de Ensino participaram da 2ª edição do projeto “Escola vai ao Teatro”, uma parceria da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC) com a Fundação de Educação, Turismo e Cultura (FETEC).

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Na Sala Roraimeira, as crianças mergulharam em uma verdadeira viagem cultural com o espetáculo “A Maravilhosa História do Sapo Tarô Bequê”, da companhia Arte&Fato, que está em turnê pela Amazônia. Inspirada na mitologia do povo Tukano, a peça conta a história de um sapo que sonha em se tornar humano e arrancou aplausos calorosos da plateia mirim.

Inspirada na mitologia do povo Tukano, a peça conta a história de um sapo que sonha em se tornar humano. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Cultura que transforma

Para a gerente de Arte da SMEC, Ana D’Élia, a iniciativa representa mais do que apenas um passeio escolar. “É uma experiência única para as crianças, muitas delas nunca tinham entrado em um teatro antes. Como são alunos em sua maioria de famílias carentes, estamos proporcionando algo que vai marcar para sempre suas vidas. Além disso, agrega muito ao aprendizado e ao desenvolvimento cultural e artístico de cada um”, destacou.

O vice-gestor da Escola Municipal Professora Ana Sandra Nascimento Queiroz, Márcio Lima, reforçou a importância desse momento. “Muitos vieram ao teatro pela primeira vez e a empolgação deles já começou desde a seleção das turmas. Tenho certeza de que vão levar essa experiência para a vida. É um aprendizado que fica”, disse.

Estudantes vivem a primeira experiência no teatro e levam um aprendizado para a vida. Foto: Diane Sampaio/PMBV

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Pequenos espectadores, grandes emoções

Entre os pequenos, a empolgação foi geral. Diulia Lira, de 7 anos, aluna do 2° ano da Escola Municipal Laucides Inácio Oliveira, não escondia a alegria.

“Nunca tinha vindo ao teatro e assistido a uma peça. Gostei muito! Adorei vir com os coleguinhas”, contou.

Angelina Vitória, de 8 anos, estudante do 3° ano da Escola Municipal Maria Gonçalves Vieira, também foi ao teatro pela primeira vez. “Achei muito bonito. A peça foi bem divertida e adorei os personagens”, disse, sorridente.

“A peça foi bem divertida e adorei os personagens”, disse a estudante Angelina Vitória. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Já a dupla de amigas Rhuanny Victoria, 8 anos, e Maria Eduarda, 9 anos, da mesma escola, aproveitou cada minuto. “Foi legal demais. Nos divertimos muito. Eu já tinha me apresentado aqui no teatro, mas assistir a uma peça foi diferente. Adorei”, completou Rhuanny.

Governo do Acre cria Programa de Residência Técnica na Área Ambiental e Climática

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Foto: Pedro Devani/Secom AC

O governador do Acre, Gladson Camelí, sancionou no Diário Oficial do Estado do Acre, no dia 8 de agosto, a Lei nº 4.640, que institui oficialmente o Programa de Residência Técnica em Serviço na Área Ambiental e Climática no Estado.

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A nova legislação revoga a antiga Lei nº 2.426, de 21 de julho de 2011 e visa formar e capacitar profissionais para atuar em projetos e políticas públicas ambientais, promovendo soluções sustentáveis e integrando ensino, pesquisa e gestão pública.

De acordo com a nova lei, o programa será desenvolvido no âmbito dos órgãos e entidades do Poder Executivo responsáveis pela política ambiental. A proposta é oferecer residência técnica em serviço, ou seja, capacitação com base em treinamento prático supervisionado, realizado junto a entidades públicas e privadas atuantes no setor.

O objetivo é promover a formação de profissionais capazes de desenvolver estudos, projetos e pesquisas voltados a soluções sustentáveis, além do fortalecimento institucional da administração pública e o aprimoramento técnico-científico das equipes envolvidas.

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“O programa vai fortalecer tanto o processo de ensino e aprendizagem quanto o suporte às ações dos nossos órgãos. Com isso, formaremos profissionais multidisciplinares, capacitados para desenvolver soluções sustentáveis e inovadoras, fortalecendo a capacidade técnica da administração pública ambiental. Tudo isso em plena sintonia com os compromissos internacionais do Acre, as metas de conservação da biodiversidade e a Agenda 2030 da ONU,” destaca o secretário de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho.

secretario Leonardo Carvalho do acre
Secretário Leonardo Carvalho. Foto: Uêslei Araújo/Sema AC

Foco no cenário acreano

A residência será aberta a profissionais que se enquadrem em pelo menos um dos seguintes critérios: estar matriculado em cursos de pós-graduação (lato ou stricto sensu) e/ou ser egresso de cursos técnicos, superiores ou de pós-graduação concluídos nos últimos cinco anos, desde que reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC).

O Programa será estruturado por meio de projetos e atividades em parceria com órgãos públicos e privados, sendo regulamentado pelo Poder Executivo, que definirá aspectos como: número de vagas; valor das bolsas pagas aos residentes e critérios e valores das bolsas destinadas a professores preceptores responsáveis pela orientação técnica e avaliação dos residentes.

As bolsas, tanto para residentes quanto para os orientadores, terão natureza indenizatória e serão custeadas com recursos próprios dos órgãos envolvidos, além de financiamento por meio do Fundo Estadual de Meio Ambiente e Floresta (Femaf).

*Com informações da Agência Acre

Pré-COP 30: Sistemas agroflorestais da Amazônia atuam no combate às mudanças climáticas

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Exemplo da SAF visitado pela pesquisadora. Foto: acervo da pesquisa

Conhecidos como SAFs, os sistemas agroflorestais são exemplos de resiliência ambiental, configurando-se ainda em estratégia de combate às mudanças climáticas. Mesmo na Amazônia, rica em biodiversidade florestal, os SAFs possuem um importante papel, contribuindo tanto para o sequestro de carbono e a sustentabilidade ambiental quanto para a geração de renda, principalmente para agricultores familiares.

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“Os sistemas agroflorestais são maneiras de cultivo consorciado que envolvem espécies florestais e agrícolas e também podem inserir o componente animal. Esse tipo de cultivo tem conhecimento na ancestralidade e atualmente se mostra como uma grande alternativa para diversificação de produção, geração de renda e manutenção dos serviços ambientais”, explica Daniela Pauletto, professora do Instituto de Biodiversidade e Florestas (Ibef) da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).

A pesquisadora é autora da tese ‘Sistemas Agroflorestais na Amazônia Oriental: Análise da adoção, composição e características socioambientais’, defendida em abril deste ano no âmbito do doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia da Rede Bionorte, da Universidade Federal do Pará (UFPA). A pesquisa englobou sete municípios da região Oeste do Pará: Santarém, Belterra, Mojuí dos Campos, Rurópolis, Novo Progresso, Alenquer e Monte Alegre, totalizando 68 propriedades visitadas e 75 SAFs analisados.

“A pesquisa investigou a composição, a riqueza, a dinâmica e os fatores socioambientais que influenciam a implantação de sistemas agroflorestais na Amazônia Oriental”, explica.

O estudo envolveu diferentes tipologias de SAFs mantidas por agricultores familiares, incluindo quintais agroflorestais (QAFs) urbanos e rurais; e sistemas silviagrícolas, que são a junção da agricultura com espécies florestais. Os resultados revelaram elevada diversidade de espécies alimentares e florestais, com predomínio de frutíferas e variabilidade na estrutura e manejo dos sistemas.

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Durante a pesquisa, a cientista buscou entender por que as pessoas escolhem aquelas espécies para plantar. “Além de entender as escolhas, eu queria entender as combinações do ponto de vista de quem escolhe o que é imprescindível, o que as pessoas colocam nos seus sistemas consorciados. Eu queria entender as escolhas das pessoas”, explica.

Segundo a pesquisadora, o componente frutífero é o que as pessoas estão buscando. “O público que adere aos sistemas agroflorestais – agricultores familiares, extrativistas, quilombolas – tem realmente mais afinidade com a produção de frutos”, afirma.

“Na teoria mais clássica da engenharia florestal, os sistemas agroflorestais são a junção de um componente agrícola com um componente florestal. No nosso contexto, não é o componente florestal. Em geral, os SAFs não são desenhados para madeira. Eles são SAFs frutíferos. O nosso componente árvore ou arbusto ou palmeira é para fruta”, explica.

Exemplo de SAF encontrado no Oeste do Pará. Foto: acervo da pesquisa

Cumaru

Segundo a pesquisadora, a maioria das propriedades investigadas está expandindo as áreas de SAFs com espécies que dão maior lucro, como o cumaru (Dipteryx odorata). No entanto, essa expansão não compete com as áreas de cultivos tradicionais.

“Nesse perfil de agricultor, o SAF não disputa espaço com cultivos agrícolas tradicionais. Ele divide espaço. É bem interessante. As pessoas não migram a sua atuação para os SAFs. Elas ampliam, criam novas áreas, mas não abandonam a sua área tradicional de monocultivo, de plantio de mandioca, de feijão, de outras espécies que representam sua segurança alimentar”, afirma.

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Outro aspecto revelado pela pesquisa é o crescente interesse dos agricultores familiares pelo cumaru devido à expansão do mercado de sementes. Segundo a pesquisadora, a espécie tem sido muito importante para o aumento do número de sistemas agroflorestais na região.

“É muito interessante a dinâmica do cumaru. Ele realmente se torna uma mola propulsora dos SAFs, como ficou evidente no nosso mapeamento, porque permite o consórcio com outras espécies. O cumaru gera uma renda que incentiva, inclusive, o cultivo de outros espécies perenes”, afirma.

Além da demanda crescente, outra vantagem é a rapidez com que a espécie começa a produzir sementes. “Com dois anos e meio, ela já começa a ter produção de frutos. Com quatro anos, a árvore tem uma produção mais estável, com pouca demanda de manejo para o agricultor”, explica.

“Com a renda do cumaru, o agricultor consegue se “dar ao luxo” de cultivar outros que são mais exigentes, como o cacau e o cupuaçu, que precisam de mais poda e adubação”.

Quintais

Na tese, a pesquisadora também destaca a importância dos quintais agroflorestais como um local de experimentação e de ensaios que precedem a implantação de iniciativas florestais.

“A gente percebe uma estrutura muito mais estável nos quintais. Independente da pessoa ter ou não outros sistemas agroflorestais no seu contexto agrário, é muito difícil uma residência rural não ter um quintal agroflorestal”.

sistemas agroflorestais
Exemplo de quintal agroflorestal. Foto: acervo da pesquisa

“Tenho notado, tanto na revisão de literatura da tese, quanto na pesquisa, que o quintal ainda continua sendo uma grande área de ensaio. Isso é muito interessante, porque ainda é um local onde você multiplica a única muda que você ganhou ou aquela espécie que você não conhece. É onde você faz os primeiros testes: se aquilo realmente é bom, se é doce, se é aquela fruta, algo assim”.

“Os quintais são sempre muito mais diversos, muito estruturados, com espécies medicinais, espécies alimentares. Com relação à questão social, também são utilizados como área de encontro religioso, de descanso, de trabalho, de arrumar malhadeira… Então, os quintais têm um outro contexto. E as árvores, as espécies lenhosas, estão ali para dar esse suporte, dos serviços ambientais e ecossistêmicos”.

COP 30

Discussões socioambientais e pesquisas que envolvem as mudanças climáticas estarão na programação do encontro Pré-COP 30 da Ufopa, que ocorrerá nos dias 28 e 29 de agosto, em Santarém (PA).

*Com informações da Universidade Federal do Oeste do Pará