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Parlamentar destaca a importância da ExpoPIM 4.0 para o futuro do PIM

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Foto: Daniel Santos

O deputado estadual Wilker Barreto (Mobiliza) participou, nesta segunda-feira (6/10), do lançamento da ExpoPIM 4.0 – Nova Indústria do Brasil, evento que busca conectar empresas, profissionais, estudantes e investidores em torno das novas tecnologias que vão marcar a transição do Polo Industrial de Manaus (PIM) rumo à Indústria 4.0. Wilker compôs a mesa de abertura representando a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e na condição de presidente da Comissão de Indústria, Comércio e Zona Franca.

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Durante o evento, o parlamentar destacou que a exposição é um marco importante para preparar o modelo econômico da Zona Franca de Manaus para o futuro, garantindo que o Amazonas siga sendo protagonista do desenvolvimento nacional.

“Esse evento prepara o nosso modelo para o próximo salto, é inegável que a locomotiva do Amazonas continuará sendo por décadas esse modelo econômico. Eu fico feliz que a Suframa, juntamente com todo seu corpo técnico, com os empresários, com a classe política, esteja fazendo sua parte. Essa exposição vai permitir que a classe empresarial tenha as ferramentas necessárias, porque existe uma grande desinformação sobre isso e aqueles que têm a informação e são de fora das nossas fronteiras, não têm a coragem de propagar porque as questões econômicas ainda prevalecem mais que os interesses da república. Esse modelo econômico não é um modelo que beneficia apenas os que moram aqui nessa região, é um modelo que ajuda o país sobre os aspectos econômicos e ambientais”, afirmou.

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Indústria avançada

O superintendente da Zona Franca de Manaus, Bosco Saraiva, também reforçou o papel estratégico da exposição.

“Essa será a melhor feira de negócios que vai acontecer e vocês haverão de perguntar: ‘por que só em março?’. Exatamente porque até março nós vamos propagar através do Instituto Somar no mundo, que quem quiser ver o Polo Industrial de Manaus tem que estar aqui. O que nós queremos é que o investidor venha à ExpoPIM 4.0 sabendo que vai encontrar uma indústria avançada, que só quem visita as fábricas consegue perceber a pujança das fábricas instaladas no Polo Industrial de Manaus”, disse.

A ExpoPIM 4.0 busca posicionar o PIM como um polo estratégico para o futuro da indústria brasileira, alinhado às tendências globais, e reforçar o modelo sustentável da Zona Franca como um ativo de competitividade, inovação e preservação ambiental.

Professor de Boa Vista vence prêmio nacional com projeto Mandala Educativa

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O projeto “Mandala Educativa: Educando com Arte” conquistou o prêmio por integrar acolhimento, expressão e criatividade. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

O poder transformador da arte ganhou destaque nacional com o reconhecimento do professor Claudinero Reis de Lima, da Escola Municipal Rujane Severiano dos Santos, vencedor da categoria Ensino Fundamental 1 do 26º Prêmio Arte na Escola Cidadã, o mais importante prêmio de arte-educação do país.

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O projeto “Mandala Educativa: Educando com Arte” conquistou o prêmio por integrar acolhimento, expressão e criatividade por meio da construção de mandalas com diferentes técnicas — pintura, colagem, recursos naturais, digitais e até mandalas humanas.

No dia 12 de novembro, o professor Claudinero estará em São Paulo para receber oficialmente o certificado e o prêmio de R$ 10 mil, além de participar da gravação de um documentário sobre o projeto. Mais do que uma atividade artística, a iniciativa nasceu como uma proposta de reconexão emocional dentro da sala de aula, promovendo calma, foco e cooperação entre os alunos.

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projeto mandala
As mandalas trabalham o senso estético dos alunos, além de contribuir em diversos fatores, como concentração, organização, dentre outros. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

Um círculo que acolhe e ensina

A “Mandala Educativa” surgiu como resposta a uma necessidade concreta: melhorar o comportamento e o interesse dos alunos em uma turma desafiadora. Inspirado por estudos sobre o simbolismo das mandalas e seu efeito na concentração e na organização interior, o professor criou um ambiente em que cada traço e cor se tornou uma forma de escuta e expressão.

Durante cinco encontros, os alunos criaram mandalas com diferentes materiais — folhas, sementes, tintas, tablets e até os próprios corpos. A culminância do projeto aconteceu na quadra da escola, com uma grande mandala coletiva e uma roda de conversa em que as crianças compartilharam o que aprenderam e sentiram.

O resultado foi perceptível: alunos mais calmos, concentrados e conectados entre si. Segundo o professor, a arte ajudou a transformar o comportamento e o vínculo dentro da turma. “Os pais relatam que os filhos ficaram mais organizados e tranquilos em casa. Na escola, eles melhoraram a concentração e a coordenação motora. Além disso, ficamos mais próximos. Criamos um senso de coletividade muito bonito”, contou.

Claudinero também destacou o sentimento de orgulho ao ser premiado. “É gratificante ver o nosso trabalho reconhecido. Essa conquista mostra que estamos no caminho certo. O prêmio representa não só um incentivo financeiro, mas o reconhecimento de que a arte realmente transforma”, relatou.

“Os pais relatam que os filhos ficaram mais organizados e tranquilos em casa”, contou Claudinero, professor. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

Aprendizado que faz diferença na rotina

Os alunos que participaram do projeto sentiram na prática o poder da arte como ferramenta de equilíbrio e expressão. Ayla Aragão, de 10 anos, conta que o projeto a ajudou a lidar melhor com as emoções.

“Achei muito legal e um jeito fácil de ‘desestressar’. A gente aprende a demonstrar sentimentos nas mandalas e a ficar mais tranquilo. Antes, a turma era bem bagunceira, mas com o projeto a gente ficou mais calmo e mais unido”, contou.

Para Adriel Aires, 11 anos, a mandala trouxe leveza e amizade. “A gente se diverte desenhando. Quando pinta, sente que tudo está bem. A parte que eu mais gostei foi a mandala humana, porque a gente brincou com os colegas e todo mundo ficou junto. Quem se sentia sozinho ganhou muitos amigos”, disse.

Já Yuliannys Veliz, 11 anos, descobriu um novo prazer em criar e pintar. “Eu amei fazer a mandala humana. Ficou linda, vista de cima. Desde que comecei a pintar mandalas, melhorei muito. Pinto melhor, com mais calma. Quando fico chateada, faço uma em casa e isso me deixa tranquila”, comentou.

Alunos vivenciaram na prática o poder transformador da arte como instrumento de equilíbrio, acolhimento e expressão no projeto. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

O reconhecimento nacional da arte-educação

O Prêmio Arte na Escola Cidadã ocorre há 26 edições, sendo o principal reconhecimento brasileiro voltado a projetos de arte desenvolvidos em escolas públicas e privadas. Criado em parceria com a UNESCO, o prêmio destaca educadores que utilizam a arte como instrumento de transformação social e pedagógica.

Além do certificado e da premiação de R$ 10 mil, os arte-educadores vencedores têm seus projetos registrados em um documentário produzido pelo Instituto Arte na Escola, com exibição nacional.

Pesquisa ajuda a identificar perfil de turistas e romeiros do Círio de Nazaré 2025

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Foto: Marco Santos/Agência Pará

Com o objetivo de conhecer melhor as características, necessidades e motivações dos visitantes que participam da maior manifestação religiosa do Pará, a Secretaria de Estado de Turismo (Setur) iniciou, por meio do Observatório do Turismo Paraense, uma série de pesquisas durante o Círio de Nazaré 2025. A ação é realizada em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA) e a Universidade Federal do Pará (UFPA).

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Entre os dias 8 e 12 de outubro, equipes estarão em pontos estratégicos de Belém, aplicando questionários com turistas e romeiros que participam da festividade. Ao todo, 44 pesquisadores irão aplicar 2.400 entrevistas, em locais de grande concentração de visitantes.

O secretário de Turismo do Pará, Eduardo Costa, destaca que as informações levantadas são estratégicas para o fortalecimento do turismo religioso no Estado:

“O Círio de Nazaré é um patrimônio cultural e espiritual do povo paraense, que movimenta milhares de visitantes e impacta fortemente a economia do Estado. Conhecer o perfil desses turistas e romeiros nos permite planejar melhor ações de acolhimento, infraestrutura e promoção turística, além de valorizar a fé e a identidade do nosso povo”.

Leia também: Círio de Nazaré recebe patrocínio inédito do Governo Federal: R$ 2 milhões

Duas pesquisas

A pesquisa ‘Perfil dos Turistas do Círio’ busca levantar dados sobre o número de visitantes de fora do Pará, os estados de origem das pessoas, tempo médio de permanência, gastos durante a estadia em Belém e o impacto econômico gerado para a economia local.

O estudo também investigará os principais meios de hospedagem utilizados — como hotéis, pousadas ou casas de amigos e parentes — e os atrativos turísticos mais visitados na capital paraense.

Já a pesquisa ‘Perfil dos Romeiros do Círio de Nazaré’ tem foco nos devotos que chegam a Belém a pé, de outros municípios. O levantamento busca compreender aspectos como o ponto de partida das caminhadas, o grau de envolvimento religioso, o formato das peregrinações (individual, em grupo ou familiar), a motivação para participar e a percepção sobre o acolhimento recebido ao longo do trajeto.

PESQUISA BUSCA ENTENDEER FLUXO DE ROMEIROS E TURISTAS DURANTE O CÍRIO EM BELÉM
Foto: Rogério Uchoa/Agência Pará

De acordo com o coordenador do Observatório do Turismo do Pará e Região Norte, Admilson Alcântara, a iniciativa envolve ampla articulação técnica. “Na quarta-feira (8), à noite, a partir das 18h, faremos o lançamento da pesquisa com as equipes do Observatório e do Dieese. São 22 pesquisadores para cada pesquisa, nas ruas de Belém, e um total de 2.400 questionários aplicados, com o apoio de parceiros como a UFPA e a Setur”.

“Será um trabalho importante para entendermos com profundidade o perfil dos peregrinos e dos turistas que participam do Círio”, explicou Admilson Alcântara, ao contar que as pesquisas já são realizadas há 20 anos e a parceria com o Dieese também completa este ano duas décadas de trabalho conjunto.

*Com informações da Setur-PA

COP30: ferramenta digital busca garantir direito territorial dos povos tradicionais no Brasil, afirma MPF

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Ilustração: Reprodução/MPF

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), uma das principais contribuições do ministério para o debate sobre justiça social e ambiental é o Projeto Territórios Vivos, desenvolvido a partir da necessidade de reconhecer direitos territoriais dos povos e comunidades tradicionais brasileiros. A iniciativa tem como principal objeto a Plataforma de Territórios Tradicionais (PTT), uma ferramenta digital criada para dar visibilidade e garantir a proteção dos territórios autodeclarados por essas populações. 

Lançada em 2019, a plataforma é um sistema que reúne dados sobre a localização e características dos territórios tradicionais, incluindo informações geográficas, vínculos identitários, histórico de ocupação, demandas, ameaças sofridas e formas de uso da terra.

Os cadastros são feitos pelas próprias comunidades e validados por um comitê técnico interinstitucional e por um conselho gestor formado majoritariamente por representantes das comunidades. Uma inovação que garante segurança, legitimidade e protagonismo às populações envolvidas. 

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“A Plataforma de Territórios Tradicionais é resultado de um esforço coletivo e permanente do MPF para assegurar que os povos e comunidades tradicionais sejam reconhecidos não apenas como beneficiários, mas como sujeitos ativos na formulação das políticas públicas que impactam seus modos de vida”, coordenadora da Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF, Eliana Torelly.

seringueiros fazem parte de povos tradicionais
Ilustração: Reprodução/MPF

As informações servem de base para a atuação do MPF na defesa desses povos e para a execução de políticas públicas voltadas a essas populações, baseadas na escuta e no respeito aos saberes tradicionais. Parte dos dados também pode ser acessada pelo público em geral. Hoje, mais de 400 territórios já estão cadastrados na plataforma, representando a diversidade dos biomas e das culturas tradicionais do Brasil.

O projeto é coordenado pela Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais (6CCR) do MPF, em parceria com o Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT) e a Agência Alemã de Cooperação Técnica para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ). Também conta com o apoio técnico de diversas universidades, instituições de pesquisas e organizações da sociedade civil.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a diferença entre povos originários e povos tradicionais da Amazônia?

O território existe quando é ocupado e reconhecido por seu povo

A ferramenta foi criada após o MPF constatar que milhares de comunidades tradicionais – como indígenas, quilombolas, ciganos, ribeirinhos, quebradeiras de babaçu, entre outras –  permanecem invisíveis no processo de construção e execução das políticas públicas pelo Estado, mesmo preservando seus territórios há séculos. A proposta da plataforma parte de um princípio fundamental: o território tradicional é aquele reconhecido por seus próprios habitantes, ainda que o Estado brasileiro não o tenha oficialmente demarcado.

A iniciativa também reconhece a importância dos povos tradicionais para a preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado.

“Protegendo os territórios, protege-se a totalidade existencial dos povos e comunidades, incluídos os bens ambientais a partir dos quais essas comunidades se constituem como sujeitos coletivos particulares, portadores de modos de vida e de conhecimentos essenciais ao futuro sustentável de toda a humanidade”, explica o procurador da República e diretor-geral do projeto Territórios Vivos, Wilson Assis.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Confira a série de reportagens especiais sobre os 28 segmentos de povos e comunidades tradicionais formalmente reconhecidos pelo Decreto 8.750/2016.

*Com informações do MPF. Leia a matéria completa AQUI.

Portal Amazônia responde: como os peixes enxergam nas águas dos rios Negro e Solimões?

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Encontro das águas dos rios Negro e Solimões em Manaus. Foto: Janailton Falcão/Acervo Amazonastur

Quem já mergulhou nos rios amazônicos e tentou abrir os olhos debaixo d’água, com certeza se deparou com um cenário desfocado e de pouca visibilidade. Mas e os peixes? Como será que funciona a visão deles nas águas escuras e barrentas dos rios Negro e Solimões, respectivamente? Será que eles conseguem enxergar com mais facilidade?

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Para esclarecer essa dúvida, a equipe do Portal Amazônia conversou com o Dr. Luiz Peixoto, pesquisador adjunto no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e especialista em ictiologia (ramo da biologia que se dedica ao estudo dos peixes). Mas, antes da explicação técnica, é necessário entender o que é a visão.

Como funciona a visão humana?

A visão consiste num processo de captação de estímulos luminosos e formação de imagens através do cérebro, sendo os olhos os principais órgãos desse processo.

Quando a luz entra nos olhos, passa pela córnea, pupila e cristalino, que a foca na retina. Nela, células fotorreceptoras, chamadas cones e bastonetes, transformam essa luz em sinais elétricos, que são enviados ao cérebro pelo nervo óptico. O cérebro interpreta esses sinais e forma a imagem que você vê.

E como funciona a visão dos peixes?

Voltando à questão principal, Peixoto explica que a visão dos peixes funciona da mesma maneira que a dos seres humanos, mas adaptada ao meio aquático, e o que diferencia é a capacidade visual a partir das características dos diferentes ambientes aquáticos.

No caso das águas escuras do rio Negro e barrentas do Solimões, a visibilidade depende da quantidade de luz que penetra debaixo d’água e demais fatores como ação do vento, algas e partículas orgânicas suspensas.

“Os peixes conseguem enxergar em ambos os ambientes, tudo depende da disponibilidade de luz e quantidade de sedimento nas águas. Nos olhos dos peixes, os bastonetes são mais intensamente estimulados em ambientes de baixa luminosidade, dada a quantidade absurda de sedimentos como no Rio Solimões. Já os cones requerem luz mais brilhante, proporcionando assim a visão de cores. Portanto, a visão dos peixes é extremamente variável”, explicou o doutor.

Leia também: Conheça curiosidades sobre nove peixes da Amazônia

O especialista exemplifica que a capacidade visual de peixes populares da região amazônica – como tambaqui, pacu, bodó, entre outras espécies – se adapta em qualquer ambiente e se diferencia apenas por características físicas das mesmas.

“O olho do tambaqui em geral é o padrão comum de peixes, contudo, apresenta um estoque substancial de gordura coroidal, que é uma camada vascular e esponjosa do olho localizada entre a esclera – parte branca do olho – e a retina. As piabas normalmente ocupam igarapés, portanto, são mais dependentes de luz para enxergar melhor. Já o bodó tem uma íris que pode ser alterada de forma e tamanho e, hipoteticamente, essas alterações são funcionais para a camuflagem do olho no fundo dos rios e igarapés. Ou seja, além da função sensorial, o olho ajuda também na camuflagem”, reforça Luiz.

peixe tambaqui
Peixe tambaqui. Foto: Siglia Souza/Embrapa

Visão dos peixes x visão humana

O pesquisador destaca que, apesar de serem estruturalmente semelhantes aos vertebrados, os olhos dos peixes tem diferenças peculiares, como lentes esféricas e rígidas e a percepção de cores ultravioleta (UV). Os humanos, por exemplo, possuem apenas três tipos de cones para a visão das cores vermelho, verde e azul.

“De um modo geral, os olhos dos peixes são estruturalmente semelhantes aos de outros vertebrados. Em síntese, a luz perpassa a córnea e penetra no olho pela pupila. Existem espécies com visão focal a curta distância, outras a médias distâncias ou mistas. O que muda é a processo de focalização da imagem. Por exemplo, alguns peixes regulam a posição do olho para mais externamente ou internamente, diferente dos humanos, onde o foco é delimitado pela alteração do formato dos componentes do olho”, pontuou Peixoto.

Leia também: Saiba o significado dos nomes de peixes populares na Amazônia

Super-sentido?

Apesar de a visão ser um dos sentidos essenciais da vida humana, ela não é o principal meio de percepção do mundo utilizado pelos peixes. A linha lateral, como o nome diz, é um sistema sensorial localizado nos dois lados do animal, detecta movimentos e vibrações na água, como uma espécie de radar. Isso permite que os peixes detectem presas ou possíveis ameaças dentro da água.

“Alguns peixes utilizam a visão apenas como um sistema de percepção do meio de modo secundário devido a estruturas como a linha lateral ou a capacidade de perceber e produzir campos elétricos, no caso das tuviras”, revelou o ictiólogo.

Por tudo isso: sim, eles conseguem enxergar dentro dos rios amazônicos e dependem apenas de fatores externos e físicos relativos à luz para poder ver com clareza em seu próprio habitat. Já os humanos, é melhor pegar um óculos de mergulho e pular dentro do rio para imaginar a sensação da enxergar igual aos peixes.

*Por Dayson Valente, repórter do Portal Amazônia

Azeite de açaí é desenvolvido com tecnologia limpa no Pará

Professor Raul Carvalho, coordenador Labtecs. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

Pesquisadores do Laboratório de Tecnologia Supercrítica (Labtecs), da Universidade Federal do Pará (UFPA), sediado no Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, em Belém, desenvolveram um azeite extraído da polpa do açaí. A pesquisa, apoiada pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet), utiliza tecnologia limpa e inovadora, que garante um produto de alta pureza, livre de solventes químicos e com preservação dos compostos bioativos da fruta.

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Rico em ácidos graxos mono e poli-insaturados — conhecidos como “gorduras boas” —, o azeite de açaí auxilia na saúde cardiovascular e no equilíbrio do metabolismo. A concentração de antioxidantes é cerca de 33 vezes superior à da uva, contribuindo para o controle do colesterol.

Além do uso culinário, especialmente em saladas e preparações frias, o produto tem potencial para a indústria cosmética, podendo ser incorporado em shampoos, cremes, hidratantes e sabonetes.

Leia também: Suco, azeite, insumo: diversidade sustentável do açaí é pesquisada no Pará

Valorização da bioeconomia 

O projeto também busca reduzir o descarte de resíduos na cadeia do açaí. Atualmente, cerca de 83% do fruto são eliminados após o consumo da polpa. Com o azeite, esse resíduo pode ser aproveitado, gerando novas oportunidades econômicas em torno de um dos principais produtos da sociobiodiversidade amazônica.

“O azeite de açaí é um exemplo de como a ciência pode agregar valor à biodiversidade amazônica. Utilizamos uma tecnologia limpa e inovadora, que garante um produto de alta pureza e grande potencial gastronômico e cosmético. Além de promover saúde, essa iniciativa contribui para a sustentabilidade da cadeia do açaí e fortalece a bioeconomia regional. Nosso foco agora é viabilizar a inserção do produto no mercado e ampliar seu impacto positivo na Amazônia”, destaca o professor Raul Costa, coordenador do Labtecs.

Açaí
Açaí é uma das frutas mais populares da Amazônia. Foto: Divulgação/Idam

O azeite é definido como o óleo obtido apenas por processos físicos, sem uso de solventes químicos, preservando as características naturais do fruto. Mais conhecido pelo azeite de oliva, o conceito também se aplica ao açaí quando extraído por prensagem mecânica ou tecnologia supercrítica, ambos métodos limpos.

Assim como o de oliva, o azeite de açaí pode ser classificado em virgem ou extra virgem, de acordo com sua acidez e pureza sensorial. No Brasil, o uso do termo “azeite” é regulamentado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A inovação utiliza dióxido de carbono em estado supercrítico, que combina características de gás e líquido, permitindo maior eficiência na extração de substâncias sem solventes tóxicos. Esse método é amplamente usado nas indústrias alimentícia, cosmética, farmacêutica e ambiental, inclusive para a descafeinação do café. Sua principal vantagem é preservar propriedades nutricionais e reduzir impactos ambientais.

Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

Referência em inovação na Amazônia 

O Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá é uma iniciativa do Governo do Pará, em parceria com a UFPA, Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e gestão da Fundação Guamá. Localizado em Belém, o complexo é o primeiro parque tecnológico da região Norte e atua como um polo de estímulo à pesquisa aplicada, ao empreendedorismo e à sustentabilidade.

Atualmente, reúne mais de 90 empresas residentes e associadas, 17 laboratórios com mais de 400 pesquisadores, 44 patentes e uma escola técnica. O PCT integra redes nacionais e internacionais de inovação, consolidando o Pará no mapa da ciência e tecnologia mundial.

*Com informações do PCT Guamá

Setembro tem queda histórica nos focos de queimadas em Rondônia, informa governo

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Por conta das queimadas, em setembro de 2024 o céu de Rondônia estava cinza. Já em 2025, é possível contemplar um céu mais limpo. Fotos: Daiane Mendonça/Secom RO

Em setembro de 2024, Rondônia viveu um cenário marcado pela fumaça e pelos focos de calor acima da média histórica. Os céus, que deveriam ostentar sempre o azul, como descreve o hino estadual, ficaram cobertos pela névoa das queimadas. Os registros chegaram a índices de emergência, resultado direto da forte estiagem e déficit hídrico enfrentados no período.

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Já em setembro de 2025, o panorama se transformou. De acordo com a Sala de Situação do Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia (CBMRO) e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), os focos de calor caíram de forma expressiva, com números próximos ou até abaixo dos mínimos históricos.

No mês de setembro, o acumulado de 2.840 focos representou uma redução de 87,7% do número de focos que já havia sido registrado no mesmo mês do ano passado. Nas Unidades de Conservação, a redução também foi significativa, reforçando o efeito das medidas de monitoramento e prevenção.

Leia também: Acre teve setembro com menor número de queimadas em duas décadas, diz Inpe

Queimadas em Porto Velho Foto Prefeitura de porto velho
Queimadas em Porto Velho. Foto: Reprodução/Prefeitura de Porto Velho

Integração no combate às queimadas

Para o governador de Rondônia Marcos Rocha, esse resultado é fruto das ações integradas do governo de Rondônia.

“Desde o início do ano estamos com operações do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil, da Sedam e de órgãos parceiros que serão sempre muito bem vindos para somar esforços”, salientou.

Com o céu mais limpo os portovelhenses conseguiram enxergar o fenômeno halo solar, no dia 24 de setembro. O fenômeno é formado quando a luz do Sol atravessa cristais de gelo hexagonais presentes em nuvens altas. Mas é necessário que o céu esteja limpo de nuvens baixas, permitindo que os cristais de gelo em nuvens altas sejam visíveis.

Halo solar em Porto Velho. Foto: Daiane Mendonça/Secom RO

Plataforma de monitoramento e tecnologias

Um exemplo de resultado positivo é o estudo que vem sendo feito pelo Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) que resultou em um painel que demonstra os resultados das ações do governo de Rondônia. O técnico do TCE-RO, ferramenta, que já está disponível na plataforma Mapbiomas deve trazer também dados por Unidades de Conservação”.

O comandante-geral do CBMRO reforça que “o uso de tecnologia de satélites de alta precisão, além de campanhas educativas junto às comunidades e produtores rurais. O investimento em prevenção refletiu em céus mais limpos, menor impacto ambiental e melhor qualidade de vida para a população”.

*Com informações do Governo de Rondônia

Universidade Federal de Mato Grosso assina Carta de Belém pela Amazônia; leia na íntegra

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Universidade Federal de Mato Grosso assina Carta de Belém pela Amazônia. Foto: Natália Almeida e Wallace Albuqerque

Em preparação para a COP 30, que será realizada em Belém (Pará), em novembro deste ano, a comunidade científica da Amazônia Legal deu um passo histórico com a publicação da Carta de Belém, documento construído por redes de pesquisa, universidades e instituições de toda a região. A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) é uma das signatárias, reforçando seu compromisso com a ciência, a sociobiodiversidade e a justiça climática.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: o que é a COP 30?

Prof. Dr. Domingos de Jesus Rodrigues, pesquisador da UFMT Campus de Sinop, que atua como coordenador representando o estado de Mato Grosso na rede CAPACREAM (Centro Avançado de Pesquisa-Ação da Conservação e Recuperação Ecossistêmica da Amazônia) e no PPBio-AmOc (Programa de Pesquisa em Biodiversidade da Amazônia Ocidental), esteve presente durante a lançamento da Carta. Domingos destacou a importância da cooperação científica na região.

Universidade Federal de Mato Grosso.
Universidade Federal de Mato Grosso. Foto: Universidade Federal de Mato Grosso

“Esse processo não começou agora: vem sendo estruturado há anos, justamente porque pesquisar a Amazônia exige redes inter e multidisciplinares, capazes de integrar universidades, institutos de pesquisa, comunidades locais e parceiros internacionais. A Amazônia é um território de dimensões continentais, onde o chamado ‘Custo Amazônia’ impacta qualquer iniciativa científica — transporte caro, em muitos locais apenas por rios, falta de infraestrutura, descontinuidade de editais e distâncias enormes. Assim, a UFMT se soma a outras instituições que trabalham em rede colaborativa, buscando superar esses desafios, garantir capilaridade, continuidade e impacto”, refletiu.

Principais propostas da Carta de Belém

O documento também elenca reivindicações estruturais, como financiamento contínuo para a pesquisa, fortalecimento das universidades e institutos amazônicos, criação de programas de comunicação pública da ciência e inclusão da justiça climática como princípio transversal da NDC brasileira.

Compromisso da Universidade Federal de Mato Grosso

Ao aderir à Carta de Belém, a Universidade Federal de Mato Grosso reafirma sua identidade como instituição amazônica e seu compromisso em promover soluções que conciliem sustentabilidade, justiça social e valorização da diversidade cultural da região, como explicou a reitora da UFMT, Profª. Dra. Marluce Souza.

“A ciência produzida na Amazônia precisa dialogar com os grandes desafios globais, mas sem perder de vista os saberes e os modos de vida de quem habita esse território. Neste sentido, a UFMT se une a esse movimento para transformar conhecimento em políticas públicas e contribuir para uma agenda de justiça socioambiental”.

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Universidade Federal de Mato Grosso entre as signatárias da Carta de Belém, documento em defesa da sociobiodiversidade amazônica. Foto: Natália Almeida e Wallace Albuqerque

O pró-reitor de Pesquisa, Prof. Dr. Bruno Araújo, também destacou a relevância da participação institucional. Segundo ele, a presença da UFMT entre as signatárias fortalece a cooperação científica e evidencia o papel estratégico das universidades da Amazônia Legal. “Esse alinhamento é fundamental para que a COP 30 seja um espaço de transformação real, no qual a ciência amazônica tenha centralidade na definição de soluções para a crise climática”, pontuou.

A UFMT desenvolve pesquisas essenciais para a preservação dos biomas brasileiros, como Pantanal, Cerrado e Amazônia. Um exemplo é o livro “Parque Estadual do Xingu: Biodiversidade, recursos naturais, importância ecológica e socioambiental”, lançado em 19 de setembro e organizado pelos pesquisadores pesquisadores Domingos de Jesus Rodrigues, Leandro Dênis Battirola, Thadeu Sobral-Souza, Thiago Junqueira Izzo e a pesquisadora Flávia Rodrigues Barbosa, em parceria com a Sema-MT, Fundação Uniselva e outras entidades.

Foto: Divulgação/UFMT

O livro reúne um mapeamento da flora e fauna do Parque Estadual do Xingu, no sul da Amazônia, resultado de um Termo de Cooperação Técnica com a UFMT e apoio do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA). A publicação evidencia a importância ecológica e histórica da área e apresenta descobertas inéditas, incluindo registros de samambaias, orquídeas, formigas e borboletas, com 1.517 indivíduos de 151 espécies catalogados entre 2021 e 2023, além da diversidade de mamíferos e peixes de médio e grande porte.

Este é mais um exemplo dos resultados alcançados pela UFMT em prol da ciência amazônica. Com a adesão à Carta de Belém, a universidade fortalece sua contribuição técnica e científica para a COP 30 e para a formulação de políticas públicas ambientais.

A carta

A Carta de Belém, sintetiza as contribuições de mais de 120 pesquisadores e pesquisadoras para a implementação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) do Brasil, compromisso firmado no Acordo de Paris para limitar o aquecimento global e mitigar os efeitos das mudanças climáticas. 

O documento é ao mesmo tempo uma síntese técnica das contribuições das redes de pesquisa colaborativa da Amazônia para a implementação da NDC brasileira, bem como um chamado político: “somente com a valorização da ciência em rede será possível transformar conhecimento em ação, convertendo compromissos em políticas públicas concretas e sustentáveis, em uma região historicamente negligenciada”.

*Por: Thiago Crepaldi (Membro do Programa Institucional de Comunicação Pública da Universidade Federal de Mato Grosso/PROPESQ), com informações do “Movimento Ciência” e “Vozes da Amazônia na COP 30”.

Como é a alimentação dos animais da Amazônia? Confira alguns dos mais populares

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Bicho-preguiça comendo folhas. Foto: Reprodução/Mata Ciliar SP

A alimentação é essencial para a manutenção da vida, certo? Quando falamos de alimentação é possível que se relacione imediatamente aos seres humanos, mas você já parou para pensar como é a alimentação e a digestão dos animais da Amazônia?

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A floresta abriga uma variedade impressionante de estratégias alimentares, que vão desde predadores de topo até herbívoros lentos e pacíficos. Conhecer esses hábitos é entender também o equilíbrio ecológico que mantém a maior floresta tropical do planeta em funcionamento.

Que tal conhecer como funciona a alimentação de alguns dos mais populares animais da região?

Sucuri

A sucuri, uma das maiores serpentes do mundo, é uma predadora carnívora que não tem pressa. Sua alimentação é variada: peixes, aves, capivaras, jacarés e até antas. Sem veneno, ela utiliza a constrição, enrolando-se na presa até sufocá-la. Depois, engole o animal inteiro!

Por conta desse processo, a digestão pode levar semanas, período em que a cobra permanece o mais imóvel possível, economizando energia e se preparando para a próxima caçada.

Leia também: De jiboia à ‘anaconda’, conheça as cinco maiores cobras da região amazônica

Foto: Divulgação/Alexandre Almeida

Onça-pintada

A onça-pintada é outro predador de topo, mas muito mais ágil. Dono de uma das mordidas mais poderosas entre os felinos, o animal se alimenta de veados, capivaras, tatus, jacarés, tartarugas e até peixes.

A sua alimentação pode incluir mais de 80 espécies diferentes, variando conforme a disponibilidade. Em cativeiro, uma onça chega a consumir até 7 quilos de carne em uma única refeição.

Leia também: Humanos convivendo com onças-pintadas: histórias de interação com um dos gigantes da Amazônia

Foto: Emiliano Ramalho/Instituto Mamiraua

Formiga saúva

Enquanto isso, debaixo da terra, a formiga saúva cultiva seu próprio alimento. Ao contrário do que parece, ela não come as folhas que corta. Elas servem de substrato para um fungo, que é a verdadeira fonte de nutrição da colônia. Trata-se de uma relação simbiótica sofisticada e eficiente, que mantém milhões de formigas bem alimentadas.

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Foto: Reprodução/Instituto Butantan

Anta

Maior mamífero terrestre da Amazônia, a anta é herbívora e frugívora. Sua alimentação é baseada em frutos, folhas, brotos e flores, usando o focinho alongado para alcançar diferentes tipos de vegetação.

Ao ingerir sementes, atua como uma das mais importantes dispersoras da floresta, ajudando na regeneração de áreas inteiras. Uma anta adulta pode consumir até nove quilos de plantas por dia.

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Foto: Diivulgação/PMBV

Macaco-prego

Inteligente e curioso, o macaco-prego tem uma dieta onívora e variada: come frutos, insetos, ovos, pequenos vertebrados e até utiliza ferramentas, como pedras. Sua digestão é eficiente para lidar com tantos alimentos diferentes, embora tenha dificuldade com fibras muito duras.

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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Bicho-preguiça

Na ponta oposta do ritmo, o bicho-preguiça se contenta com folhas pobres em energia. Seu estômago dividido em várias câmaras abriga bactérias que fermentam a celulose, permitindo a sobrevivência.

O processo é tão lento que a digestão de uma refeição pode levar até um mês. O metabolismo baixo explica o estilo de vida calmo e arrastado desse animal.

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Foto: Eduardo Gomes/Acervo INPA

Peixe-boi

Nos rios, o peixe-boi amazônico se alimenta de capim-agulha, algas e outras plantas aquáticas. Herbívoro exclusivo, chega a ingerir 10% do próprio peso por dia.

Seu intestino, que pode alcançar 40 metros, é adaptado à fermentação da celulose, produzindo gases que ajudam até na flutuação do corpo.

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Foto: Reprodução/ Anselmo d’Affonseca

Acre teve setembro com menor número de queimadas em duas décadas, diz Inpe

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Fumaça de queimadas na região do Bonsucesso, em julho desse ano, na capital. Foto: Lucas Thadeu/Rede Amazônica AC

O Acre registrou 840 focos ativos de queimadas em setembro e chegou à menor marca para o mês desde 2001, última vez que o nono mês havia encerrado abaixo de mil detecções. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Este número representa ainda uma redução de 78,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 3.855 focos.

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O total setembro manteve a tendência de crescimento nas queimadas pelo quinto mês seguido e ficou 62,5% acima de agosto. Contudo, setembro costuma ser o mês mais crítico em relação às queimadas, o que torna ainda mais importante a queda nos números entre 2024 e este ano.

Apesar de estar abaixo da média histórica de setembro (3.370 focos) e distante do recorde registrado em 2022, quando o estado teve 6.693 ocorrências, o total de 2025 ainda ficou acima do mínimo já contabilizado, que foi de 212 focos em 1999. Confira o gráfico com a série histórica mais abaixo.

Os dados fazem parte da comparação feita pelo Inpe com base nos registros de satélite dos últimos 27 anos, ou seja, entre o anos de 1998 a 2025.

O monitoramento aponta uma redução acentuada da atividade de fogo neste ano na capital acreana. A média observada nos primeiros três dias de setembro foi de 12,61 μg/m³, enquadrando a qualidade do ar como boa de acordo com parâmetros internacionais

Chuvas ajudaram a conter o fogo e as queimadas

Um dos fatores que ajudaram a conter o avanço das queimadas foi o aumento do volume de chuvas em setembro. Segundo a Defesa Civil de Rio Branco, foram registrados 90,8 milímetros de precipitação, o que corresponde a 97,8% do volume esperado para o mês.

O índice é o quarto maior dos últimos 10 anos e o melhor desta década para a capital acreana. Mesmo com o resultado ligeiramente abaixo do esperado (92,7 mm), as chuvas amenizaram a estiagem severa que vinha sendo registrada desde o início do ano.

O cenário é bem diferente do observado em setembro de 2024, quando choveu apenas 32,1 mm e a cidade ficou encoberta por fumaça, com a qualidade do ar chegando ao nível perigoso.

À época, nos primeiros dias de setembro de 2024, a qualidade do ar em Rio Branco era considerado “muito insalubre”, com 139,3 µg/m3 de material particulado. A capital chegou a liderar o ranking das cidades brasileiras com piores índices de poluição.

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Cenário nacional

Em todo o país, o Inpe registrou quase 76 mil focos de incêndio nos primeiros nove meses de 2025, o que representa queda de 64% em relação ao mesmo período de 2024.

O total nacional é o menor desde o ano 2000, o que reforça a tendência de redução das queimadas em todo o território brasileiro neste ano.

Na primeira foto, a poluição tomou conta do ar em Rio Branco em 2024. Na segunda foto, o cenário é diferente em 2025. Fotos de Walace Gomes, da Rede Amazônica AC.

*Por Walace Gomes, da Rede Amazônica AC