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Rejeitos de mineração como tecnologia para despoluir rios amazônicos são analisados em estudo

Além da fauna e da flora, população amazônica é afetada por poluição de rios. Foto: LU62/Pexels

A poluição provocada pela mineração é um dos principais desafios ambientais da Amazônia. Somente no Pará, toneladas de resíduos industriais de grandes mineradoras acabam depositadas em barragens ou descartadas em áreas próximas a rios, aumentando o risco de contaminação das águas com metais pesados e corantes industriais. Essas substâncias ameaçam peixes, plantas e comunidades ribeirinhas, que dependem do rio para viver.

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Esses resíduos são sobras geradas durante a extração e beneficiamento de minerais, como vermiculita e manganês, que não atendem aos padrões da indústria e acabam descartadas em barragens ou pilhas de rejeitos. Muitas vezes permanecem sem uso, acumulando-se por décadas e representando risco ambiental, especialmente em regiões como a província mineral de Carajás (PA).

Para enfrentar esse problema, pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), adeptas do que se convencionou chamar de “ciência verde” desenvolveram técnicas para transformar esses rejeitos em materiais capazes de remover poluentes da água.

Rejeitos de mineração passam por experimentos

No estudo, foram criados dois tipos de materiais: a vermiculita ativada com sódio, produzida a partir do resíduo da vermiculita descartada após uso convencional, e a fase tipo Shigaite LDH, sintetizada a partir dos rejeitos da mineração de manganês, que passaram por experimentos que simulam situações reais de contaminação dos rios amazônicos. A pesquisa está na revista REM – International Engineering Journal. 

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Garrafas plásticas jogadas no Rio Amazonas. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

A vermiculita ativada foi usada para capturar corantes industriais presentes em despejos de indústrias, como o azul de metileno, teste em que obteve 99% de eficácia, enquanto a fase tipo Shigaite LDH (material feito do resíduo de manganês) foi avaliada na remoção de metais pesados, como cromo e o próprio manganês, com 100% de eficácia.

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Ambos os poluentes são associados a graves impactos à saúde humana e à fauna aquática. É a primeira vez que a fase tipo Shigaite é testada para essa finalidade.

“A ideia é evitar o acúmulo desses resíduos e transformar passivos ambientais em algo que sirva para o meio ambiente, transformando esse que é um problema ambiental significativo no Norte do Brasil em parte da solução”, afirma Dorsan dos Santos Moraes, pesquisador do Instituto de Geociências da UFPA e um dos responsáveis pelo estudo.

A escolha desses poluentes se deu porque corantes industriais mudam a cor dos rios, prejudicam a entrada de luz e reduzem o oxigênio disponível para peixes e plantas. Já metais pesados persistem no ambiente, entram na cadeia alimentar e oferecem riscos principalmente a comunidades que consomem água e peixes contaminados. 

Os rejeitos de mineração, quando transformados em materiais adsorventes, podem ser uma solução superior para a despoluição de rios amazônicos porque são abundantes, de baixo custo e têm capacidade de capturar poluentes específicos, como metais pesados e corantes industriais, que as alternativas tradicionais muitas vezes não removem de forma eficiente, explicam os autores.

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Diferentemente de métodos caros, complexos ou que exigem insumos importados, esses materiais aproveitaram um resíduo local que já representa um problema ambiental, gerando uma dupla solução: reduzem o passivo das mineradoras e oferecem uma tecnologia acessível, adaptada à realidade e aos desafios da região amazônica.

Apesar dos avanços, o pesquisador destaca que ainda há desafios para a valorização dessas descobertas. “Falta recurso para a pesquisa e falta que as empresas estejam atentas a tudo que a gente vem descobrindo. Mas não faltam alunos interessados em contribuir e já conseguimos chamar bastante atenção quando comparado aos anos anteriores”, comenta Moraes, reforçando o papel das universidades e do engajamento estudantil na busca por soluções para problemas ambientais da Amazônia.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Mercúrio é detectado em peixes do rio Madeira; estudo alerta ribeirinhos para riscos à saúde

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Foto: Gustavo Rodrigues/UEA

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), por meio do Grupo de Pesquisa Química Aplicada à Tecnologia (GP-QAT/UEA), identificaram contaminação por mercúrio em peixes da bacia do rio Madeira durante a expedição ‘Iriru 3’, parte do Programa de Monitoramento da Água, Ar e Solos do Estado do Amazonas (ProQAS/AM).

Segundo a UEA, a campanha analisou água, peixes e sedimentos em 54 pontos ao longo de mais de 1.700 km do rio, avaliando 164 parâmetros do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Entre as espécies analisadas estão jaraqui, pacu, matrinxã, traíra e sardinha, consumidas pelas comunidades ribeirinhas.

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A engenheira ambiental Silvana Silva, responsável pela análise de mercúrio e metilmercúrio, explicou que a contaminação está associada à atividade de garimpo ilegal, que utiliza mercúrio no processo de separação do ouro. Ela destacou que essa prática degrada a qualidade da água, aumenta o assoreamento e contribui para a contaminação dos peixes.

“O monitoramento contínuo permite identificar padrões de contaminação ao longo do rio, oferecendo subsídios para que ações preventivas e educativas sejam planejadas junto às comunidades. É um passo fundamental para minimizar impactos na saúde humana e na preservação dos ecossistemas locais”, explicou.

O biólogo e chefe da expedição, Adriano Nobre, afirmou que os resultados permitem identificar trechos mais vulneráveis do rio, acompanhar alterações ambientais e fornecer dados para políticas públicas e ações de conservação, beneficiando a saúde das comunidades locais.

“Nosso trabalho permite registrar alterações ambientais de forma detalhada, acompanhar impactos progressivos e gerar dados que orientem o planejamento de políticas públicas e programas de preservação, contribuindo para o uso sustentável dos recursos naturais e para a conscientização das comunidades locais”, disse.

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estudo detecta mercurio em peixes
Estudo detecta mercúrio em peixes do rio Madeira e alerta ribeirinhos para riscos à saúde. Foto: Gustavo Rodrigues/UEA

Estudo mostra relevância da ciência na Amazônia

O coordenador do ProQAS/AM, professor Duvoisin Junior, ressaltou a potência da infraestrutura laboratorial do GP-QAT/UEA, que permite analisar múltiplos parâmetros ambientais em tempo real e gerar dados detalhados sobre a qualidade da água, dos sedimentos e das espécies de peixes.

“A robustez da infraestrutura laboratorial é inédita na região e permitirá análises detalhadas de múltiplos parâmetros ambientais, possibilitando que os resultados sirvam de referência para estudos semelhantes em outras áreas da Amazônia”, disse.

Para o reitor da UEA, André Zogahib, a pesquisa reforça a relevância da ciência na Amazônia e a importância das parcerias nacionais e internacionais, contribuindo para o desenvolvimento científico e sustentável da região.

“A experiência das equipes envolvidas fortalece a capacidade da UEA de gerar informações estratégicas sobre fenômenos ambientais complexos, identificar alterações químicas e biológicas na água e nos ecossistemas. Esse trabalho como um todo eleva a ciência na Amazônia e a parceria com instituições nacionais e internacionais é fundamental complementando esse estudo para promover o desenvolvimento científico e sustentável a nível internacional”, destacou.

A maior parte das amostras coletadas, na expedição iniciada no dia 9 de agosto, será submetida a estudos em laboratórios da Escola Superior de Tecnologia (EST/UEA). As análises de mercúrio e metilmercúrio serão levadas ao laboratório da Harvard John A. Paulson School of Engineering and Applied Sciences, parceira internacional do grupo, em Boston, nos Estados Unidos.

Fundação Rede Amazônica lança projeto ‘ExpoFeira na Rede’ e amplia visibilidade do maior evento cultural e econômico do Amapá

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A Fundação Rede Amazônica lançou, nesta sexta-feira (22), o projeto ExpoFeira na Rede, uma iniciativa que valoriza e amplia o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá.

“Nós valorizamos profundamente cada coisa que é produzida na nossa região, pois sabemos que ela carrega histórias e o cuidado com a natureza. Quando realizamos um projeto que é feito aqui, valorizamos as comunidades e ajudamos na economia local, e tudo isso mantendo viva a nossa identidade”, destacou Mariane Cavalcante, diretora-executiva da Fundação Rede Amazônica.

Com mais de sete décadas de história, a ExpoFeira é reconhecida como o maior evento de negócios e cultura do estado, reunindo setores como agropecuária, comércio, indústria, agricultura familiar, turismo, gastronomia, artesanato e economia criativa.

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Agora, com o apoio do Grupo Rede Amazônica, o evento ganha uma nova dimensão, transformando-se em uma experiência ainda mais acessível, educativa e participativa para a população do Amapá, da Amazônia e de todo o Brasil.

“A ExpoFeira na Rede é uma iniciativa que fortalece a tradição e o desenvolvimento do Amapá. Por meio da cultura, do turismo e da inovação, buscamos ampliar o alcance da feira e posicioná-la como uma vitrine estratégica para a região Norte e para todo o Brasil.”, destacou Matheus Aquino, coordenador de projetos da Fundação Rede Amazônica.

O projeto prevê ações culturais, educativas e de comunicação multiplataforma, reforçando a feira como espaço de integração entre negócios, turismo e desenvolvimento sustentável. Entre as iniciativas estão:

  • Juventude na ExpoFeira: visitas guiadas para estudantes da rede pública, integradas a oficinas sobre empreendedorismo, inovação, turismo e mercado de trabalho;
  • Transmissão de Shows: exibição de atrações culturais pelo canal Amazon Sat, ampliando o acesso às manifestações artísticas;
  • Flashes informativos e Programa Especial: cobertura ao vivo e programa exclusivo exibido na Rede Amazônica, reunindo os melhores momentos da feira;
  • Campanha Educativa “Descubra o Amapá”: conteúdos que reforçam o turismo como motor de valorização cultural, geração de renda e preservação ambiental;
  • Coleta de Resíduos e Educação Ambiental: iniciativas voltadas à sustentabilidade e ao turismo responsável.

Com cobertura em TV, rádio, internet e redes sociais do Grupo Rede Amazônica, a ExpoFeira na Rede fortalece a imagem do Amapá como destino cultural e turístico, ampliando o alcance do evento para milhões de pessoas em diferentes regiões do país.

Expofeira na Rede

A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.

PL de Roberto Cidade, que protege crianças nas redes sociais, é aprovado na Aleam

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Foto: Rodrigo Brelaz

O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado estadual Roberto Cidade (UB), conduziu, na tarde do dia 20/08, a votação de 51 matérias legislativas, entre elas o Projeto de Lei (PL) nº 527/2025, de sua autoria, que estabelece diretrizes para a atuação de crianças e adolescentes como influenciadores digitais no Estado do Amazonas. A proposta foi subscrita pela totalidade dos parlamentares presentes e aprovada por unanimidade no plenário Ruy Araújo.

“Estamos desde maio com esse projeto em tramitação e hoje ele foi aprovado por unanimidade. Nos tornamos, a partir da nossa propositura, a primeira Assembleia do Brasil a aprovar uma legislação dessa natureza. A partir dela, vamos cobrar mais agilidade das plataformas digitais na adoção de medidas para preservar as nossas crianças. Hoje a internet é uma ‘terra sem lei’, onde qualquer criança pode ter acesso a conteúdos que prejudicam a saúde mental e induzem a caminhos errados. A Assembleia Legislativa do Amazonas é pioneira e, com essa legislação, teremos condições de cobrar um comportamento adequado nos canais virtuais”, afirmou Cidade.

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A nova lei aprovada estabelece parâmetros para a participação de crianças e adolescentes em atividades como influenciadores digitais ou criadores de conteúdo para fins comerciais ou promocionais.

O objetivo é garantir os direitos à educação, à convivência familiar, ao desenvolvimento saudável e à proteção contra exploração econômica.

De acordo com a medida, a atuação de influenciadores mirins deverá observar: respeito à dignidade, imagem e privacidade; garantia do direito à educação e à convivência familiar e comunitária; proibição de conteúdos vexatórios, violentos ou de caráter sexual; e vedação de práticas que induzam ao consumo de produtos inadequados para a idade. Também fica proibido o trabalho disfarçado sob forma de “diversão”, quando houver intuito comercial.

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A participação em conteúdos pagos só poderá ocorrer com autorização prévia dos pais ou responsáveis, devendo existir contrato formal quando houver remuneração, direta ou indireta. Além disso, a criança ou adolescente deverá estar acompanhado por um responsável durante gravações, eventos promocionais e outras atividades.

A propositura de Roberto Cidade também proíbe a exploração da imagem de crianças e adolescentes com finalidade exclusivamente lucrativa pelos responsáveis, assegurando, de forma obrigatória, o respeito ao direito à educação, ao lazer e à saúde.

Cientistas da Amazônia apresentam carta com soluções ambientais à Janja e presidente da COP30 em Manaus

Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM

Pesquisadores da Amazônia entregaram, na quarta-feira (20), uma carta estratégica ao presidente da COP 30, André Corrêa de Lago, e à primeira-dama Janja da Silva. O documento foi apresentado durante um encontro na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em Manaus.

A carta, elaborada desde terça-feira (19) por mais de 70 instituições acadêmicas, centros de pesquisa e representantes da sociedade civil, destaca soluções concretas e adaptadas à realidade amazônica, reforçando a necessidade de investimentos estruturantes em ciência, tecnologia e inovação.

“A floresta viva é a floresta viva com os povos da floresta. Queremos desenvolver programas e pesquisas científicas que levem dignidade entre as florestas”, disse Janja.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

O ‘Encontro da Comunidade Científica e Tecnológica da Amazônia com a Presidência da COP30’, realizado com apoio da Presidência da República, contou com a participação de mais de 200 representantes e teve como foco alinhar a vasta produção de conhecimento da Amazônia com os 30 objetivos da Agenda de Ação da COP30.

“Pela primeira vez, não é o mundo falando da Amazônia, é a Amazônia falando com o mundo e sugerindo os passos que a humanidade precisa dar”, disse Márcio Macêdo, chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República.

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) será realizada em 2025, em Belém (PA) e é considerada uma oportunidade histórica para consolidar a centralidade da Amazônia no debate climático internacional.

Leia também: Amazon On 2025 – COP 30: setor digital merece atenção por ser forte aliado no enfrentamento de mudanças do clima

carta cop 30 manaus
Carta com soluções para problemas ambientais na Amazônia foi entregue dia 20 ao presidente da COP30 e primeira-dama da república Janja da Silva. Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM

O que diz a carta

Segundo o documento, a Amazônia Legal tem 405 instituições de ensino e mais de 655 cursos de pós-graduação. Cerca de 100 mil profissionais são formados por ano, mas muitos enfrentam dificuldades para atuar em áreas sustentáveis. Os autores defendem que é preciso alinhar educação, inovação e políticas públicas com urgência.

As soluções listadas foram construídas com base em seis eixos temáticos da COP30:

  • Transição energética
  • Gestão de florestas e biodiversidade
  • Transformação da agricultura
  • Resiliência urbana e hídrica
  • Desenvolvimento humano
  • Objetivos transversais, como financiamento climático, bioeconomia e inovação tecnológica

No eixo da transição energética, as instituições amazônicas destacam projetos com energia solar, biomassa, hidrogênio verde e microgeração descentralizada para comunidades isoladas.

Na gestão ambiental, são mencionados programas de restauração florestal, combate ao desmatamento e tecnologias para manejo sustentável com envolvimento de comunidades indígenas.

As propostas para a agricultura envolvem sistemas agroflorestais, segurança alimentar e valorização de produtos da sociobiodiversidade.

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Já no eixo urbano, as soluções apontam para arquitetura bioclimática, infraestrutura verde, gestão integrada das águas e mobilidade sustentável com foco regional.

A área da saúde propõe a adaptação dos sistemas às mudanças climáticas, com vigilância epidemiológica integrada a dados ambientais. Também há foco em formação profissional para empregos verdes, valorização de culturas tradicionais e promoção da bioeconomia por meio de inovação e empreendedorismo.

A carta também aponta obstáculos como falta de orçamento, logística precária, entraves legais e pouca valorização dos saberes tradicionais. Como resposta, propõe soluções como:

  • Investimento contínuo em ciência e tecnologia
  • Modernização de laboratórios e centros de dados
  • Financiamento à bioeconomia e agroecologia
  • Qualificação de recursos humanos
  • Cooperação internacional e valorização dos conhecimentos locais

A carta reafirma que a Amazônia é protagonista na luta global contra as mudanças climáticas e defende que a implementação da política climática brasileira deve ser liderada por suas populações e instituições. A contribuição foi entregue à presidência da COP30, ao governo federal e às representantes da Amazônia no comitê científico da conferência.

“A ciência amazônica está pronta para acelerar a implementação do Acordo de Paris e garantir justiça climática para as populações da floresta, das águas e das cidades”, conclui o documento.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Deputado Carlinhos Bessa articula retomada das aulas na Escola Eduardo Sá

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Foto: Assessoria de Comunicação da ALEAM

O deputado estadual Carlinhos Bessa (PV) anunciou, nesta terça-feira (19/08), que articulou junto ao Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Educação e Desporto Escolar (Seduc), a solução para a suspensão das aulas na Escola Estadual Eduardo Sá, no município de Tefé. Os estudantes estavam há cerca de uma semana sem atividades devido à queima do transformador que abastece a unidade.

Leia também: CCOTI da Aleam bate recorde de atendimentos e prepara expansão para o 2º semestre

Segundo o parlamentar, após ser procurado por pais de alunos, ele entrou em contato com a titular da Seduc, Arlete Ferreira Mendonça, que garantiu a substituição imediata do equipamento. A medida contará ainda com o suporte técnico da Amazonas Energia, responsável pela parte de engenharia elétrica. O novo transformador já está em processo de instalação, o que permitirá a retomada das aulas nos próximos dias.

“Esse é um exemplo claro da importância de termos representantes do interior na Assembleia Legislativa. Quando a população nos procura, conseguimos encaminhar as soluções com rapidez, evitando maiores prejuízos para os estudantes”, destacou o deputado.

Novos investimentos

O parlamentar também aproveitou a oportunidade para anunciar novas melhorias, com a destinação de emenda parlamentar para a construção de uma quadra poliesportiva na unidade, atendendo a um antigo sonho dos alunos. Além disso, está em estudo a reforma e cobertura da quadra da Escola Santa Tereza, também em Tefé.

“Nosso compromisso vai além da resolução imediata desse problema. Queremos oferecer espaços adequados para a prática do esporte, da educação física e para o lazer da comunidade. Educação de qualidade caminha junto com infraestrutura e oportunidades”, afirmou Bessa.

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O deputado reforçou ainda seu agradecimento à população de Tefé e do Médio Solimões, que lhe conferiu grande representatividade, e garantiu que continuará atuando de forma firme e célere para transformar as demandas em soluções reais.

Contador de histórias acreano percorre o país com apresentações sobre imaginário popular

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Foto: Luis Eduardo/Acervo pessoal

Com o maior projeto nacional de circulação artística da Amazônia Legal, o psicólogo e contador de histórias acreano Luis Eduardo já se apresentou no Amapá (AP), Belém (PA), Boa Vista (RR), Manaus (AM) e Palmas (TO). O espetáculo ‘Pequenino Grão de Areia e Outros Contos’, protagonizado pelo artista, ainda deve passar por quatro cidades e retorna à capital acreana em outubro.

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Em 2024, o psicólogo e contador de história havia feito uma turnê com o espetáculo através do projeto “Arte da Palavra”, onde conheceu 52 municípios de Rondônia além de Minas Gerais, Mato Grosso, Roraima e Goiás. Neste ano, ele foi escolhido por meio do Sesc Amazônia das Artes e ainda irá se apresentar em estados do Nordeste, Centro-Oeste e Norte.

“É um prazer gigantesco ter sido selecionado, levando em consideração que ano passado eu estive no maior circuito literário do Brasil, então foi maravilhoso. Sou o primeiro contador de histórias do Acre a fazer esse salto tão grande e isso é muito legal, as vezes eu nem acredito”, comentou ele.

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Os caminhos do contador de histórias

O circuito foi dividido em dois blocos e na primeira fase, iniciada no último dia 4 de agosto, Luis já passou por cinco capitais. No segundo bloco, ele irá percorrer mais cinco cidades e finaliza a temporada no Acre, no Palco Giratório do Sesc.

“Levar um pouquinho do Acre para todas essas cidades tem sido uma experiência incrível, porque é muito legal através da oralidade, da palavra, do contar histórias, você chegar no outro e levar um pouquinho daquilo que é da sua região, do seu estado. Então isso tem sido, para mim, a maior troca, a maior experiência”, afirmou.

Luis Eduardo é psicologo e contador de historias
Luis Eduardo já se apresentou no Amapá, Belém, Boa Vista, Manaus e Palmas. Foto: Luis Eduardo/Acervo pessoal

‘Pequenino Grão de Areia e Outros Contos’

O narrador pontua que a apresentação mistura contos da tradição oral e cantigas populares. Sob a assistência de direção artística de Marília Bomfim, a apresentação convida o público a uma viagem lúdica e afetiva pelo imaginário popular brasileiro.

A inspiração veio da história “Aquele grão de areia”, ouvida pelo artista da voz do mestre Francisco Gregório Filho.

Luis apresenta personagens como o Urubu, o Jabuti e os Três Porquinhos, conduzindo a plateia por diferentes cenários , da floresta ao mar, do céu às estrelas.

De acordo com o contador, as histórias carregam valores como solidariedade, respeito e criatividade. “É um espetáculo que emociona, diverte e aproxima gerações”, frisou.

Confira abaixo as cidades onde a peça irá passar:

Cuiabá (MT): 23/09
São Luís (MA) – 25/09
Teresina (PI) – 27/09
Porto Velho (RO) – 29/09
Rio Branco (AC) – 01/10

*Por Hellen Monteiro, da Rede Amazônica AC

Arqueólogos identificam vestígios de oficina indígena milenar no Amapá

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Marcas nas rochas evidenciam oficinas indígenas milenares. Foto: Kleber Souza e Márcia Miranda

Arqueólogos encontraram vestígios de uma oficina indígena em uma cachoeira do rio Tartarugalzinho, no interior do Amapá. A descoberta foi feita no dia 17 de agosto, durante uma visita técnica, e, segundo os especialistas, o local era usado há cerca de dois mil anos para fabricar machados de pedra.

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“Essas áreas próximas a cachoeiras têm alto potencial arqueológico. Chamamos de sítio oficina porque eram locais onde os povos indígenas moldavam seus instrumentos”, explicou o arqueólogo da Arqueologia Amapá, Kleber Souza.

As marcas nas pedras chamaram atenção da equipe. Algumas têm formato de canoa, outras lembram bacias arredondadas.

“A lâmina do machado era esfregada na rocha até ganhar forma. Esse processo deixava uma marca no meio da pedra, resultado do desgaste”, detalhou Souza.

Leia também: “As florestas amazônicas são produtos da ação humana”, afirma arqueólogo

arqueólogos estudam achado no amapá
Arqueólogos encontram oficina indígena milenar em Tartarugalzinho. Foto: Kleber Souza e Márcia Miranda

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Segundo o arqueólogo, os locais visitados em Tartarugalzinho são áreas de banho frequentadas pela população e podem ser incluídos na rota turística do município.

Além da cachoeira visitada, moradores do município relataram ter terrenos com formações semelhantes. Para os arqueólogos, isso indica que havia várias das oficinas ao longo dos rios Tartarugalzinho e Tartarugal Grande.

“Esses locais eram usados por grupos indígenas sedentários, horticultores e ceramistas. Com a chegada dos europeus e dos machados de ferro, eles deixaram de produzir os de pedra e passaram a usar os novos instrumentos”, explicou o arqueólogo.

A equipe também realiza escavações no centro histórico de Macapá e deve iniciar uma nova etapa na Praça Barão do Rio Branco, com foco no século 19.

A descoberta foi realizada com o apoio da Secretaria de Cultura de Tartarugalzinho. Ainda segundo o arqueólogo, o município possui poucas informações sobre a sua ocupação histórica.

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Tartarugalzinho
Arqueólogos do Amapá encontram vestígios de oficina indígena milenar no Amapá. Foto: Kleber Souza e Márcia Miranda

“Pesquisas arqueológicas permitem reconstruir a trajetória dos povos que habitaram a região há milhares de anos, ajudando a entender dinâmicas de ocupação de povos originários, ao mesmo tempo, orientam políticas públicas de preservação, geoconservação e planejamento ambiental, além de impulsionar o turismo cultural e ecológico, trazendo novas fontes de renda ao município”, completou.

Tartarugalzinho
Equipe de arqueólogos estuda história de Tartarugalzinho por meio de pesquisas de campo. Foto: Kleber Souza e Márcia Miranda

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Doce feito com caroço de cupuaçu leva startup do Amapá à final da Expo Favela Innovation

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Doce é feito com caroço de cupuaçu. Foto: Divulgação/Kupulatte

Uma inovação surgida dentro da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) está ganhando destaque nacional. A Kupulatte, startup criada por estudantes do curso de engenharia química, foi escolhida para representar o Amapá na etapa final da Expo Favela Innovation 2025, evento que reúne iniciativas de impacto social e econômico vindas de diferentes regiões do Brasil. O projeto transforma caroços de cupuaçu, geralmente descartados, em um doce semelhante ao chocolate, e foi selecionado entre 40 expositores da etapa regional.

A proposta nasceu a partir de pesquisas realizadas em sala de aula. Os testes iniciais envolveram sementes de cacau e de cupuaçu, mas foi este último fruto amazônico que chamou mais atenção das alunas. “Desde 2022 essa ideia ficou nas nossas mentes, e em 2024 apareceu um edital, que era justamente para tirar uma ideia do papel e montar um negócio”, explicou Evelyn Silveira, CEO da Kupulatte.

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Origem do doce e processo de produção

O nome da startup combina elementos do tupi e do italiano. “Kupu” significa “parecido com cacau”, enquanto “latte” remete ao leite. A concepção do produto se baseia no reaproveitamento sustentável dos caroços do cupuaçu, parte da fruta que geralmente não tem utilidade comercial.

O processo de fabricação segue etapas semelhantes às usadas na produção de chocolate tradicional. Primeiro, as sementes são separadas da polpa. Depois, passam por fermentação natural, secagem em estufa e torra em forno a temperatura controlada.

Da torra, surgem os nibs de cupuaçu, semelhantes aos nibs de cacau. Em seguida, os nibs são triturados e refinados até formarem uma pasta homogênea, que passa por temperagem e moldagem.

Leia também: Patente de processo inovador para produção de nibs de cupuaçu é registrada pela Ufac

Segundo Evelyn, o objetivo é diversificar ainda mais os produtos: “Uma das nossas ideias futuras é fazer o kupulatte ao leite, com leite de origem vegetal e animal”. Atualmente, a startup produz bombons, nibs e barras em diferentes concentrações — 50%, 70% e 100%.

Reconhecimento em eventos

A presença da Kupulatte em feiras e encontros de inovação tem reforçado a visibilidade da iniciativa. Em julho de 2025, a startup participou da Bioeconomy Amazon Summit, realizada em Manaus. O evento reuniu 150 startups que apresentaram soluções para a bioeconomia da Amazônia, funcionando como vitrine para produtos inovadores baseados em recursos da floresta.

De acordo com a equipe, a aceitação do público tem sido positiva. A utilização do cupuaçu como alternativa ao cacau desperta interesse por unir tradição amazônica, sustentabilidade e potencial de mercado.

“O que antes era descartado pelos produtores hoje pode gerar renda e oportunidades”, comentou Evelyn durante a feira em Manaus.

Expo Favela Innovation 2025

A Expo Favela Innovation é considerada uma das principais vitrines para negócios criados em comunidades e periferias do Brasil. A fase nacional do evento acontece em São Paulo e reúne empreendedores de diferentes estados. O destaque da Kupulatte entre os selecionados da região Norte reforça a presença do Amapá no cenário da inovação e da bioeconomia.

Na avaliação da organização, o potencial de reaproveitamento de resíduos é um dos pontos mais valorizados pelos jurados.

“Trata-se de um produto que alia inovação, tradição cultural e viabilidade de mercado”, destacou um dos avaliadores durante a divulgação dos resultados da etapa regional.

Perspectivas futuras

Com a final nacional da Expo Favela Innovation marcada para o segundo semestre, as estudantes e empreendedoras do Amapá buscam apoio para ampliar a produção e atender novas demandas. A equipe planeja parcerias com cooperativas de produtores de cupuaçu, o que deve garantir fornecimento contínuo das sementes e maior alcance de mercado.

A CEO da startup reforça que a proposta nasceu de uma inquietação acadêmica, mas hoje já ultrapassa os limites da universidade. “O que a gente quer é mostrar que o Amapá tem capacidade de gerar inovação a partir dos seus recursos naturais. O cupuaçu é só o começo de um projeto que pode crescer muito mais”, afirmou Evelyn.

Além da possibilidade de expansão comercial, a Kupulatte se apresenta como uma alternativa sustentável em um setor dominado pelo cacau. A utilização do cupuaçu pode contribuir para diversificar a cadeia produtiva de doces e chocolates, fortalecendo a bioeconomia amazônica e gerando oportunidades para pequenos produtores locais.

Com a presença confirmada na final da Expo Favela Innovation, a Kupulatte leva o Amapá ao centro das atenções e reforça o papel da região na criação de soluções inovadoras com base nos recursos da Amazônia.

*Por Luan Coutinho, da Rede Amazônica AP

Pará registra queda de 74% dos focos de queimadas em julho de 2025

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Foto: Fernando Sette/Agência Pará

O mês de julho de 2025 marcou uma importante conquista no combate às queimadas no Pará. Dados do Núcleo de Monitoramento Hidrometeorológico (NMH), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), apontam uma redução de 74,3% no número de focos de calor em relação ao mesmo mês em 2024, segundo dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Em julho do ano passado, o estado, dentro de um contexto de enfrentamento aos fenômenos climáticas globais, enfrentou um cenário desafiador. O período foi marcado por eventos climáticos extremos, como o El Niño e o Dipolo do Atlântico, que provocaram forte estiagem e favoreceram os incêndios florestais.

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Já em 2025, o mês de julho deste ano registrou apenas 837 focos de calor – em comparação aos 3.265 focos registrados em 2024, reflexo direto do fortalecimento das políticas públicas de prevenção e controle ambiental no estado, além da situação da situação favorável em relação às chuvas e à normalidade das variáveis climáticas e oceânicas.

“Esses números expressivos refletem o compromisso firme do governo do Pará com a preservação da Amazônia e a qualidade de vida da nossa população. Ao garantir a proteção da floresta viva por meio do combate efetivo às queimadas, estamos preservando nossos recursos naturais e promovendo o desenvolvimento sustentável. Seguimos implementando ações contínuas e integradas que colocam o Pará como referência nacional e internacional no enfrentamento às mudanças climáticas e na conservação ambiental”, destacou o governador do Estado, Helder Barbalho.

Estratégia integrada e ações estruturantes no Pará

Esses resultados refletem uma estratégia contínua de comando e controle, valorização da floresta viva e fortalecimento das ações de fiscalização.

Como medida estruturante, o Programa Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PEPIF), o Pará Sem Fogo, foi lançado neste ano pela secretaria em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar, com base em quatro eixos: monitoramento em tempo real, prevenção com base em ciência, resposta rápida coordenada e capacitação de brigadas locais.

O estado já mapeou 22 zonas com risco médio a alto de incêndios e mantém um centro de monitoramento climático e de queimadas, que utiliza imagens de satélite, dados meteorológicos e sensores termais para acompanhar, em tempo real, tanto o desmatamento quanto os focos de calor.

floresta amazônica no pará
Foto: Reprodução/Agência Pará

Além disso, o programa vai criar um Centro Integrado Multiagências de Combate aos Incêndios Florestais, que traz ações da secretaria integradas ao Corpo de Bombeiros Militar do Estado, à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuária e da Pesca (Sedap), à Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi) e ao Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do estado (Ideflor-Bio), para que atuem em um centro de comando único.

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Outro avanço importante foi a oficina de construção participativa do PEPIF, realizada neste mês, conduzida pela Semas com apoio técnico e envolvimento de diversos setores da sociedade civil, pesquisadores e instituições públicas, buscando consolidar diretrizes de longo prazo para enfrentar o uso do fogo de forma ordenada, considerando a realidade territorial do estado.

“A redução significativa nos focos de queimadas em julho é um reflexo direto do esforço coletivo que o Pará vem fazendo para proteger seus territórios. Estamos fortalecendo a fiscalização, investindo em tecnologia e ampliando o diálogo com os municípios e com as comunidades. Esse resultado mostra que é possível aliar desenvolvimento à preservação ambiental e seguir evoluindo a estratégia do Estado para enfrentar os novos desafios climáticos”, afirmou Raul Protazio Romão, secretário de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade.

Municípios com maiores reduções no período analisado

O município de Itaituba, que liderou o ranking em 2024 com 719 focos, reduziu esse número para apenas 83 em 2025 — uma queda de 88,4%. Altamira apresentou redução de 66,3%, passando de 169 à 57 focos. São Félix do Xingu registrou queda de 74,7%, com redução de 162 para 41 focos. Já Novo Progresso e Jacareacanga, que figuraram entre os cinco municípios com mais queimadas em 2024, não aparecem entre os maiores registros em 2025, o que indica uma queda tão expressiva que os retirou do topo do ranking estadual.