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Do BBB à ciência: conheça plantas encontradas na Amazônia que merecem o pódio

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Plantas como o jambu são essenciais na Amazônia. Foto: Reprodução

Se no programa Big Brother Brasil (BBB) o apelido de “planta” é dado para quem é considerado inútil e não contribui com o jogo, fora do BBB algumas plantas são essenciais para fortalecer a imunidade e ajudar a vencer provas diárias de resistência.

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Com orientação da professora Luciana Borges, docente da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), campus Paragominas, conheça algumas plantas que podem estar no pódio do seu dia a dia:

1. Jambu (Spilanthes oleracea L)

As folhas do jambu possuem teores de antioxidante e vitamina C, ajudando a prevenir o envelhecimento precoce. Os antioxidantes ajudam a proteger a pele dos danos oxidativos e a vitamina C favorece a formação de colágeno, que ajuda a manter a saúde da pele. Outras substâncias antioxidantes presentes na planta de jambu são os compostos fenólicos, como flavonóides, fenóis e carotenoides, que podem ajudar a proteger as células contra os danos da oxidação, causados pelos radicais livres no organismo.  

2. Couve (Brassica oleracea)

Hortaliça rica em vários nutrientes benéficos ao organismo, como vitaminas (C e A) e minerais (potássio, cálcio e ferro). O cálcio é importante para a formação dos ossos e manutenção da massa óssea, e ajuda a controlar impulsos nervosos. A vitamina C presente na couve é importante para proteger o organismo de infecções, manter a saúde de ossos, cartilagens e mucosas, facilitando a absorção do ferro. Por ser uma planta rica em potássio, também favorece a regulação da pressão sanguínea.

A alta concentração de clorofila e magnésio promove o relaxamento da musculatura tensionada, prevenindo enxaqueca e cefaleias. A couve também é rica em antioxidantes, como flavonoides e fenóis, substâncias que podem contribuir para a prevenção de vários tipos de câncer.

3. Hortelã pimenta (Mentha piperita)

Essa é uma das plantas que possui ação medicinal e aromática, por apresentar em sua composição óleo essencial, representado pelo aroma refrescante e um sabor característico. O Hortelã contém antioxidantes e vitaminas que lhe conferem propriedades antibacterianas, antifúngicas e anti-inflamatórias. Além de vitaminas A, B6, C, E, K, ácido fólico e a riboflavina, a planta é rica na substância química mentol, que é excelente descongestionante e expectorante, ajudando a expelir o muco e a diminuir a tosse. Consumir chá de hortelã é uma boa pedida para diminuir a dor de garganta e a tosse seca.

4. Cheiro verde/Coentro (Coriandrum sativum)

É rico em Vitamina A, que auxilia na manutenção da saúde ocular, óssea e nervosa, aumentando a imunidade. É eficaz na prevenção de doenças cardiovasculares e no combate ao envelhecimento. É rico em minerais como potássio, ferro e selênio. Possui magnésio, que auxilia na formação óssea e influencia na quantidade dos hormônios que regulam os níveis de cálcio no sangue. As folhas e sementes de coentro, por serem excelentes fontes de antioxidantes, inibem a ação dos radicais livres. As propriedades antimicrobianas e antibacterianas das folhas e das sementes de coentro também podem ajudar a combater infecções. 

hortas ajudam no cultivo de plantas
Pequenas hortas ajudam no cultivo das plantas. Técnicas diferentes podem contribuir. Foto: Reprodução

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5. Alecrim (Rosmarinus officinalis L.)

As folhas são bastante utilizadas para preparos de chá e infusões. Popularmente, o alecrim tem indicações para os distúrbios circulatórios e distúrbios digestivos, é antisséptico, cicatrizante e tem propriedades digestivas, diuréticas e antidepressivas. O alecrim costuma ser utilizado para auxiliar na digestão dos alimentos e no tratamento de dor de cabeça, depressão e ansiedade. Mas atenção: pessoas com doença prostática, gastroenterites, dermatoses e convulsão precisam consultar um médico antes do consumo e verificar possíveis contraindicações.

6. Boldo (Plectranthus barbatus)

As duas espécies de boldo mais utilizadas são o boldo do Chile ou boldo verdadeiro. Popularmente o boldo é usado para  digestão, prisão de ventre, ação diurética e redução de gases, podendo ser também utilizado como remédio caseiro para o fígado, devido propriedades digestivas e hepáticas.

7. Manjericão (Ocimum baslium L.)

Estudos indicam que é rico em nutrientes como ômega-3, vitaminas A, C e K, sais minerais, cálcio, magnésio, ferro. Desta forma, o manjericão pode reforçar o sistema imunológico, reduzir o estresse, aliviar os sintomas de resfriados e melhorar o sistema digestivo. As propriedades do manjericão incluem sua ação antiespasmódica, digestiva, vermífuga, antibacteriana, fungicida, inseticida, adstringente, cicatrizante, febrífugo, estimulante e anti-inflamatória.

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*Com informações da UFRA

Safra da castanha-do-pará impulsiona a bioeconomia no oeste paraense

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Foto: Pedro Guerreiro/ Agência Pará

A Floresta Estadual (Flota) Trombetas, localizada entre os municípios de Óbidos e Oriximiná, no oeste paraense, deu início a mais um ciclo produtivo com a abertura oficial da safra da castanha-do-pará. A cerimônia que marcou a liberação dos portões aos extrativistas ocorreu no dia 7 de fevereiro de 2026, na base do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), no Jamaracaru, reunindo centenas de trabalhadores que dependem da atividade para geração de renda e manutenção de seus modos de vida.

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O evento contou com a presença da assessora de Gestão do Ideflor-Bio, Lena Pinto, do diretor de Gestão e Monitoramento de Unidade de Conservação, Ellivelton Carvalho, e do gerente da Região Administrativa da Calha Norte II, Ronaldson Farias. A abertura da safra simboliza o início das atividades extrativistas em uma das principais unidades de conservação de uso sustentável do estado, onde a exploração dos recursos naturais ocorre de forma planejada e ambientalmente responsável.

Mais de 600 extrativistas cadastrados no Ideflor-Bio estão autorizados a acessar a floresta para a coleta da safra da castanha-do-pará, garantindo a legalidade da atividade e a continuidade de uma prática tradicional que fortalece as comunidades locais. O extrativismo sustentável realizado na Flota Trombetas é reconhecido como um dos pilares da bioeconomia no Pará, ao conciliar conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico.

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Bioeconomia

Durante a solenidade, a assessora de Gestão do Instituto destacou a importância do modelo adotado na unidade.

“São mais de 600 extrativistas trabalhando de forma legal, gerando renda, fortalecendo comunidades e protegendo a Amazônia. Isso é bioeconomia na prática”, afirmou Lena Pinto, ressaltando que a expectativa é de que mais de R$ 2 milhões sejam arrecadados com a coleta da castanha nesta safra.

A atividade extrativista é permitida na Flota Trombetas por se tratar de uma unidade de conservação de uso sustentável, onde o manejo de produtos da biodiversidade ocorre mediante regras claras e acompanhamento técnico. Segundo Lena Pinto, a abertura da safra representa uma oportunidade estratégica para o Pará.

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safra da castanha
Safra da castanha-do-pará impulsiona a bioeconomia no oeste paraense. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

“Essa é uma oportunidade ímpar para a geração de renda e o fortalecimento da bioeconomia no estado, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de um trabalho responsável, que preserve o meio ambiente e respeite as comunidades tradicionais”, destacou.

Oportunidade

Para os extrativistas, a abertura da safra representa mais do que o início do trabalho: é um marco simbólico e econômico. A extrativista Raquel da Silva Sampaio destacou a importância do momento.

“O coração está a mil. Como costumamos dizer, o nosso ano novo começa hoje, com essa abertura, porque a partir de agora a gente vai começar a ter renda na nossa mesa. Somos muito gratos à parceria com o Ideflor-Bio, que nos últimos anos tem sido maravilhosa”, afirmou.

A presidente da Associação Mista Agrícola Extrativista dos Moradores da Comunidade Jaramacaru e Região (Acaje), Cidiane Sampaio, afirmou que os extrativistas estão preparados e otimistas para mais um ciclo de produção sustentável.

Com décadas de atuação na floresta, o extrativista Cornélio Ferreira de Oliveira também ressaltou o significado da cerimônia.

Extrativista Cornélio Ferreira de Oliveira. Foto: Pablo Allves / Ascom Ideflor-Bio

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“Estou aqui desde 1984 fazendo esse trabalho. Esse momento da abertura dos portões é sempre muito esperado. Estamos felizes com essa parceria com o Ideflor-Bio, porque agora as coisas seguem mais organizadas”, disse, ao destacar os avanços na gestão da atividade extrativista.

Passo a passo

A coleta safra da castanha-do-pará ocorre após a queda dos frutos da castanheira (Bertholletia excelsa), conhecidos como ouriços, fenômeno que se concentra entre os meses de dezembro e janeiro. O processo envolve a coleta dos ouriços no interior da floresta, a quebra manual, a retirada das amêndoas, a secagem e o ensacamento, etapas fundamentais para garantir a qualidade do produto destinado à comercialização.

De acordo com o gerente da Região Administrativa da Calha Norte II, Ronaldson Farias, a expectativa para este ano é positiva. A previsão é de que cerca de quatro mil sacos de castanha sejam extraídos da unidade na safra, com planejamento baseado na atualização do cadastro dos extrativistas e no apoio da Polícia Ambiental para o monitoramento da entrada na floresta, assegurando um manejo seguro e eficiente.

Parceria

O trabalho conjunto entre o Ideflor-Bio, a 1ª Companhia Independente de Polícia Ambiental (CIPAmb), associações comunitárias, como a Acaje, e as prefeituras de Óbidos e Oriximiná tem sido fundamental para assegurar que a atividade ocorra de forma ordenada. O controle realizado na Base do Jamaracaru contribui para a conservação da floresta e para a transparência do processo extrativista.

Leia também: Lei aprovada na ALEAM transforma Castanha-do-Pará em Castanha-da-Amazônia

Safra da castanha-do-pará impulsiona a bioeconomia no oeste paraense. Foto: Pablo Allves / Ascom Ideflor-Bio

O diretor de Gestão e Monitoramento de Unidades de Conservação, Ellivelton Carvalho, ressalta que, além do extrativismo, a Flota Trombetas também exerce um papel estratégico na pesquisa científica, ao abrigar estudos voltados à biodiversidade amazônica e às cadeias produtivas sustentáveis. 

“A preservação da área permite avanços no conhecimento científico e gera benefícios diretos às populações locais, que dependem dos recursos naturais para sua subsistência. O extrativismo sustentável da castanha-do-pará na Flota Trombetas se consolida, assim, como exemplo de desenvolvimento responsável, capaz de gerar renda e proteger a Amazônia para as atuais e futuras gerações”, conclui o diretor.

*Com informações da Agência Pará

Projeto prevê pagar 500 famílias por conservar Terra do Meio, no Pará

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Foto: Lucas Maciel/Semas PA

A Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) do Pará iniciou a implementação de um projeto de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) voltado a 500 famílias indígenas e ribeirinhas da região da Terra do Meio, no sudoeste do estado. A proposta prevê repasse financeiro a moradores que desenvolvem ações de conservação da floresta em territórios coletivos.

A iniciativa conta com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com investimento estimado em US$ 3,5 milhões, o equivalente a cerca de R$ 18,45 milhões. Uma oficina técnica realizada em Belém reuniu representantes do governo federal e de instituições parceiras para discutir formatos de execução, critérios de pagamento e experiências já adotadas em outras regiões do país e no exterior.

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Segundo a secretaria, o encontro teve como objetivo alinhar aspectos técnicos do projeto e debater estratégias para viabilizar o pagamento às comunidades participantes, associando conservação ambiental e geração de renda.

Projeto piloto

A proposta é que o projeto piloto na Terra do Meio seja implementado com base em dados técnicos, lições aprendidas e especialmente pelas demandas das comunidades tradicionais do bloco de áreas protegidas da Terra do Meio.

O objetivo é reconhecer o papel dessas populações na preservação da floresta e fomentar modelos sustentáveis de desenvolvimento nos territórios coletivos.

Leia também: Saiba o que é a Terra do Meio e sua importância ambiental para a Amazônia 

Segundo a diretora de Bioeconomia da Semas, Mariana Oliveira, “a oficina tem como objetivo discutir aspectos técnicos para implementação do projeto piloto de PSA em territórios coletivos no Estado do Pará e reúne atores estratégicos que trazem à mesa experiências e lições aprendidas como referência. A partir de um piloto, o Estado busca testar e estruturar um modelo baseado em evidências e na realidade do território. Esse é um caminho que integra uma estratégia estadual mais ampla de PSA e que também contribui para fortalecer e tornar a bioeconomia ainda mais potente”.

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Foto: Lucas Maciel/Semas PA

De acordo com a coordenadora geral da Secretaria Extraordinária de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Nazaré Soares, “os Estados estão em diferentes momentos na construção de suas políticas de pagamento por serviços ambientais. Alguns estão aprimorando, outros começando. A Semas, do Pará, é uma secretaria que vem avançando bastante, já implementando projetos-piloto e aperfeiçoando suas políticas”.

Para a secretária-adjunta de Bioeconomia da Semas, Camille Bemerguy, a ação representa um avanço estruturante na política ambiental do Estado.

“A iniciativa reforça a estratégia do Estado de consolidar instrumentos econômicos, reconhecendo o papel de comunidades e povos tradicionais na conservação da floresta, ao mesmo tempo em que promovem desenvolvimento sustentável. Ao estruturar mecanismos baseados na bioeconomia e na valorização dos serviços ecossistêmicos, a ação contribui para o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis, para a inclusão socioeconômica dos territórios e para a ampliação da efetividade das políticas públicas ambientais”, completou.

*Com informações da Agência Pará

Documentário revela protagonismo feminino na expedição Roncador-Xingu

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Cláudio de Mello Sander, sobrinho de Alda Vanique, e as duas sobrinhas netas, Isabella Smith Sander e Débora Smith Sander, visitam Nova Xavantina. Foto: Reprodução/Prefeitura Municipal de Nova Xavantina

Com previsão de ser lançado em março deste ano, o documentário de curta-metragem ‘Memórias de Alda‘ destaca o protagonismo feminino na Expedição Roncador-Xingu, lançada pelo governo Getúlio Vargas como parte da ‘Marcha para o Oeste’ entre 1943 e 1961.

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Esposa do coronel Flaviano de Mattos Vanique, figura central nos anos iniciais da expedição, Alda Vanique ganha na obra relevância histórica até então pouco retratada num contexto marcado por profundas transformações sociais, políticas e territoriais. As narrativas oficiais estão sob a ótica do marido e dos irmãos Villas-Bôas, que assumiram depois a expedição e acabaram virando referência no trabalho indigenista brasileiro.

Dirigido por Fátima Rodrigues, o documentário é uma proposta pública aprovada no Edital nº 15/2023/SECEL-MT e financiada com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT). A produção conta com apoio institucional do Núcleo de Produção Digital da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Araguaia. O curta é produzido no município de Barra do Garças.  

Documentário reúne histórias

Documentário revela protagonismo feminino na expedição Roncador-Xingu
Foto: Reprodução

A obra evidencia a história de uma jovem mulher da alta sociedade gaúcha, de vida social intensa, que, em 1946, deixou o Rio Grande do Sul para viver no interior de Mato Grosso, no município de Nova Xavantina, ao lado do marido.

A narrativa destaca os desafios enfrentados por Alda em um contexto cultural profundamente distinto daquele em que foi criada. A história da protagonista permanece viva na memória dos moradores, onde integra a narrativa da criação do município. Alda é lembrada no imaginário popular como a “primeira-dama” da cidade. 

O documentário também apresenta a trajetória de Diacui, indígena do povo Kalapalo, que, em 1952, casou-se com o sertanista Ayres Cunha. As histórias de Alda e Diacui se entrelaçam ao longo do documentário e revelam perspectivas distintas femininas em meio à tragédia pessoal, à conquista territorial e ao contexto histórico da Marcha para o Oeste, no eixo Sul-Sudeste-Centro-Oeste do país.

Leia também: Romantização de abusos: Diacuí, primeira indígena a casar oficialmente com um homem branco no Brasil

Produtores do curta realizaram entrevistas com moradores e historiadores de Barra do Garças, Nova Xavantina e Cuiabá, em Mato Grosso, além de Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS). Entre os entrevistados está Cláudio de Mello Sander, sobrinho de Alda Vanique, que esteve em visita ao município de Nova Xavantina em dezembro do último ano.

Meses após a morte da esposa, em 1946, o coronel Vanique deixou a liderança da expedição, que teve a condução repassada aos irmãos Villas-Bôas. Outras cidades também foram criadas em pontos de entroncamento para servir de base à expedição. É neste contexto que, em 1961, foi instituído o Parque Nacional do Xingu. 

Para a diretora Fátima Rodrigues, contar a história de Alda e de Diacui é resgatar narrativas femininas sem visibilidade na história oficial do país.

“Alda tem uma relevância histórica ainda pouco retratada. A história da Expedição Roncador-Xingu quase sempre foi contada sob a ótica do coronel Vanique ou dos irmãos Villas-Bôas. Hoje, temos a oportunidade de apresentar a perspectiva dessas mulheres”, destaca. 

*Com informações do Governo de Mato Grosso

Projeto Rede Educa apresenta série sobre educação ambiental e ESG na Amazônia

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A Fundação Rede Amazônica (FRAM), por meio do Projeto Rede Educa, apresenta uma série sobre educação ambiental e os pilares ESG (Ambiental, Social e Governança) voltada a profissionais, estudantes e demais interessados que vivem na Amazônia.

A iniciativa oferece conteúdos educativos ao longo de 12 meses, com videoaulas exibidas no Amazon Sat e disponibilizadas no YouTube da FRAM, ampliando o acesso à informação qualificada sobre sustentabilidade e gestão responsável.

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O projeto tem como foco fortalecer o conhecimento sobre preservação ambiental, sustentabilidade e o papel da sociedade e das empresas na construção de um desenvolvimento mais responsável, com conteúdos que dialogam diretamente com a realidade amazônica.

Para a analista de projetos, Cleanne Ferreira, o Rede Educa contribui para o acesso contínuo a conteúdos informativos e educativos na região.

“O Rede Educa promove informação de qualidade de forma acessível, com conteúdos que dialogam com a realidade da Amazônia. A proposta é oferecer conteúdos educativos contínuos, que permitam aprender, refletir e aplicar conhecimentos no dia a dia, fortalecendo a educação ambiental, a sustentabilidade e as práticas de gestão”, afirma.

Primeiro episódio da série educativa

O primeiro episódio do Rede Educa abordou o tema Zona Franca de Manaus e ESG, destacando a importância da adoção de práticas ambientais, sociais e de governança pelas empresas instaladas na região. O conteúdo trouxe reflexões sobre desenvolvimento sustentável, responsabilidade socioambiental e o papel estratégico do Polo Industrial de Manaus na promoção de um modelo econômico alinhado às boas práticas de sustentabilidade.

O primeiro episódio marca o início da série educativa do projeto e reforça o compromisso do Rede Educa em conectar conhecimento, gestão e responsabilidade ambiental, preparando os participantes para atuar como agentes de transformação na Amazônia.

O Projeto Rede Educa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM).

‘Quebra-pedra’: planta encontrada na Amazônia pode integrar lista de fitoterápicos do SUS

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Planta ‘quebra-pedra’ (Phyllanthus niruri). Foto: Reprodução/Horto Didático de Plantas Medicinais do HU-CCS (UFSC)

Dos quintais à medicina. Conhecidas por suas características curativas, muitas plantas comuns na Amazônia já tem a comprovação científica que a sabedoria popular reconhece e utiliza há tempos. Recentemente o Sistema Único de Saúde (SUS) anunciou que vai incluir a planta ‘quebra-pedra‘ (Phyllanthus niruri) na lista de medicamentos fitoterápicos para o tratamento de cálculos renais.

O remédio com a quebra-pedra está sendo desenvolvido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Mas que planta é essa?

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Originária das regiões tropicais e subtropicais das Américas, a quebra-pedra ocorre em todo o Brasil.

“É uma planta anual muito encontrada em regiões quentes, úmidas e ensolaradas, como é típico aqui da Amazônia. É muito comum encontrá-la em solos arenosos e lugares inusitados como fendas de calçadas e muros”, explica a professora Márcia Aviz, docente da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).

Por que ela se chama quebra-pedra?

De acordo com a professora a planta tem o nome de “quebra-pedra” por conta da eficácia no tratamento de pedras nos rins. “Ela ganhou destaque por auxiliar na prevenção e eliminação de pedras nos rins e na vesícula. O que explica o nome e o uso principal, além de ser um potente diurético natural”, explica a professora. 

Planta quebra-pedra
Foto: Reprodução/Horto Didático de Plantas Medicinais do HU-CCS (UFSC)

A quebra-pedra também possui uma série de compostos fenólicos que atuam no combate a inflamação e bactérias, pode auxiliar no controle de açúcar no sangue e favorecer no bom funcionamento do sistema urinário. Segundo a professora, o uso da quebra-pedra está fortemente ligado aos saberes ancestrais e a medicina popular brasileira transmitidos por séculos pela oralidade, conhecimentos que passam por gerações e fazem parte do cotidiano de comunidades tradicionais. 

Leia também: Fitoterapia: médico descreve prática ancestral de cura com ervas da Amazônia em livro

A professora, que ministra as disciplinas de plantas medicinais e aromáticas no curso de Agronomia, no campus Belém, diz que os estudos com plantas medicinais valorizam os saberes ancestrais e são responsáveis também pela preservação da floresta, potencializando novas pesquisas sobre o uso de ervas e a promoção da qualidade de vida. 

Para Marcia Aviz, essa inclusão e um marco para comunidades tradicionais, por destacar para a população os valores que a medicina popular possui.

“É apresentar a sociedade em geral os benefícios e o potencial que as plantas medicinais possuem. Muitos de nós, em algum momento da vida, já ouvimos nossos avós falarem ‘tenho um remedinho natural para isso’, que geralmente eram os chás, as infusões, os unguentos, as pomadas”.

*Com informações da Ufra

Sairé é tema de exposição no Museu de Arte Sacra de São Paulo

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Exposição sobre o Sairé leva cultura amazônica ao Museu de Arte Sacra. Foto: Divulgação

A exposição ‘Sairé – Celebração, louvor e disputa dos Botos’, do fotógrafo, documentarista e cineasta paraense Alexandre Baena, foi aberta no dia 7 de fevereiro no Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS-SP). Após uma viagem itinerante pelo país, a mostra retorna ao eixo nacional em uma edição especial, consolidando-se como uma vitrine da cultura amazônica.

A exposição apresenta ao público o universo do Sairé, tradicional manifestação cultural e religiosa realizada anualmente na vila de Alter do Chão, no município de Santarém (PA). Por meio de imagens sensíveis e narrativas visuais potentes, a mostra evidencia o rito de louvor à Santíssima Trindade, que reúne elementos da fé católica e das tradições indígenas Borari, além do momento profano marcado pela emblemática disputa entre os botos Tucuxi e Cor-de-Rosa, símbolos de identidade, pertencimento e ancestralidade amazônica.

Leia também: Sairé ou Çairé: qual é a grafia certa da famosa festa de Alter do Chão?

Durante a cerimônia de abertura, o público acompanhou uma apresentação especial do rito religioso do Sairé, conduzida por uma comitiva da Corte do Sairé, com cânticos, orações e símbolos sagrados que expressam a fusão entre a religiosidade cristã e os saberes indígenas.

O evento contou ainda com a participação das agremiações dos botos Tucuxi e Cor-de-Rosa, que levaram ao museu elementos cênicos, personagens e narrativas representativas da emoção, da fé e da riqueza cultural da vila de Alter do Chão, em um momento de celebração conjunta com a Festa do Divino.

Sairé é tema de exposição no Museu de Arte Sacra de São Paulo
Foto: Divulgação

Sobre a proposta da mostra, o artista explica que “o rito religioso tem a presença forte dos povos tradicionais, como ribeirinhos, quilombolas e indígenas Borari. São traços expressivos que vão desde a colocação dos mastros até as rezas e os cantos de louvor. Já na disputa dos botos, surgem os elementos sobrenaturais, as indumentárias, as cores vibrantes e a presença dos povos tradicionais, evidentes em cada cena apresentada nas telas”.

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Para a Prefeitura de Santarém, a realização da exposição reforça o reconhecimento do Sairé como patrimônio cultural imaterial da Amazônia e do Brasil, uma manifestação com mais de 300 anos de história que preserva valores religiosos, culturais e ambientais dos povos tradicionais.

A iniciativa reafirma o compromisso com a valorização da identidade santarena, o fortalecimento da cultura amazônica e a projeção de Santarém no cenário cultural nacional, levando ao público de todo o país um recorte autêntico, simbólico e profundamente representativo da Amazônia Paraense.

Sairé é tema de exposição no Museu de Arte Sacra de São Paulo
Foto: Divulgação

Leia também: Lula sanciona lei que reconhece Festa do Sairé como manifestação da cultura nacional

Presente na abertura, Rayza Reis, coordenadora de Comunicação da Prefeitura de Santarém, destacou a importância da comunicação no fortalecimento da cultura.

“A comunicação pública tem um papel fundamental nesse processo: não apenas divulgar, mas traduzir com responsabilidade, respeitando os símbolos, os ritos e os significados que fazem parte dessa manifestação. Levar o Sairé para além das fronteiras de Santarém é ampliar vozes, fortalecer a cultura amazônica e garantir que o mundo conheça essa expressão em sua essência, sem descaracterização”, ressaltou.

Para Osmar Vieira, coordenador do Sairé, levar a manifestação para outros territórios tem um significado especial.

“Temos o privilégio de participar desta exposição aqui em São Paulo. É um prazer e uma alegria trazer a nossa fé ao povo paulista e mostrar que o Sairé está nos quatro cantos”, concluiu.

*Com informações da Prefeitura de Santarém

SIAGAS: sistema reúne base nacional de dados sobre poços e águas subterrâneas

O SGB disponibiliza gratuitamente informações atualizadas sobre poços e recursos hídricos subterrâneos em todo o país. Imagem: Reprodução/SIAGAS

O Sistema de Informações de Águas Subterrâneas (SIAGAS) centraliza e disponibiliza dados atualizados no Brasil. Desenvolvido e mantido pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), o SIAGAS reúne uma base nacional de informações de poços, além de ferramentas para consultas, pesquisas, extração de dados e geração de relatórios.

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Resultado do mapeamento e das pesquisas hidrogeológicas realizadas em todo o território nacional, o SIAGAS permite a gestão adequada da informação hidrogeológica e sua integração com outros sistemas de recursos hídricos e meio ambiente, sendo recomendado pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) como base nacional compartilhada para armazenamento, intercâmbio e difusão de informações sobre águas subterrâneas.

Imagem colorida mostra mapa do SIAGAS: sistema que reúne base nacional de dados sobre poços e águas subterrâneas do SGB
Imagem: Reprodução/SIAGAS

Leia também: Você sabia que existe um oceano subterrâneo na Amazônia?

Plataforma reúne dados de poços, rios e rodovias com foco em pesquisa

O Sistema é destinado a estudantes, pesquisadores, gestores públicos, profissionais que atuam com recursos hídricos e meio ambiente, perfuradores de poços e usuários de água subterrânea, além do público em geral interessado no tema. As informações podem ser acessadas por diferentes mídias e níveis de detalhamento, de acordo com o perfil do usuário.

Entre as funcionalidades disponíveis, o SIAGAS Web permite a realização de pesquisas simples e avançadas na base de dados, a produção de relatórios personalizados, o download de informações sobre poços cadastrados, acesso a dados da Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas (RIMAS) e a visualização de pontos d’água em mapas temáticos e imagens de satélite.

Por meio do SIAGAS é possível encontrar informações essenciais para estudos hidrogeológicos, planejamento do uso da água e apoio à gestão sustentável dos recursos hídricos subterrâneos.

*Com informações do SGB

Água usada na criação de peixes por indígenas é reaproveitada em plantações na TI Yanomami

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Plantação da comunidade Sikamabiu, na Terra Yanomami. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

A água utilizada na criação de peixes em tanques na comunidade indígena Sikamabiu, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, é reaproveitada na irrigação de roças com plantio de mandioca, batata e arroz. O sistema, chamado de “fertirrigação”, integra a produção de alimentos e dispensa o uso de fertilizantes químicos, fortalecendo a autonomia alimentar dos indígenas.

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A iniciativa faz parte de um projeto do governo federal que une piscicultura, irrigação de roçados e criação de galinhas, como alternativa à pesca em rios contaminados pelo mercúrio do garimpo ilegal no Baixo Mucajaí, no Sul de Roraima. O trabalho é feito pelos próprios indígenas.

A comunidade Sikamabiu reúne cerca de 400 pessoas, em aproximadamente 30 famílias, a maioria do povo Xiriana (ou Xirixana), subgrupo dos Yanomami. Ao todo, 34 indígenas foram capacitados para atuar em todas as etapas do projeto, desde a construção dos tanques até o manejo dos peixes e o uso da água nas plantações.

O projeto era um pedido antigo da região, segundo Gerson da Silva Xirixana, presidente da associação Texoli, organização que representa os indígenas da localidade.

“Muita gente não acreditou. Diziam que não ia dar certo. Hoje vemos o peixe e as plantas crescerem. É muito bom”, disse.

Produção integrada

Segundo a pesquisadora da Embrapa Roraima, Rosemary Veilaça, bióloga especializada em agroecologia e inclusão, a água dos tanques passa por testes antes de ser reutilizada nas roças.

“Aqui a gente não fala só de segurança alimentar, mas de cidadania alimentar. É um sistema em que uma produção sustenta a outra e garante autonomia para o povo”, afirmou.

A unidade instalada em Sikamabiu conta com 10 tanques de piscicultura e dois açudes, com escavação de 440 m², que abrigam mais de 8 mil alevinos de tambaqui. A espécie, apesar de não ser endêmica da Terra Yanomami, é amplamente consumida na Amazônia.

Os tanques substituem a pesca no Rio Mucajaí, que deixou de fazer parte da rotina da comunidade após a contaminação das águas pelo mercúrio, substância altamente tóxica ao ser humano.

“Esses tanques são uma resposta direta à falta de peixes no rio. O mercúrio desce com a água, e quem está rio abaixo sofre mais. Hoje, o peixe do rio não é confiável”, explicou Rosemary Veilaça.

Leia também: Indígenas criam peixes em tanques para garantir alimento seguro após garimpo contaminar rios na Terra Yanomami

Plantas são irrigadas por água em um sistema de fertirrigação anexado aos tanques de peixe na comundiade Sikamabiu, na Terra Yanomami. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Os peixes devem atingir o tamanho ideal até junho e garantir proteína animal segura à comunidade nos próximos meses.

Para as lideranças, o sistema integrado é essencial para a permanência no território. O tuxaua da comunidade, Carlos Nailson Xirixana, afirmou que, mesmo sem garimpo direto em Sikamabiu, os impactos no rio afetaram toda a região.

“O garimpo não foi aqui, mas o efeito veio pelo rio. Os peixes quase morreram todos. Por isso pedimos esses tanques. O peixe do rio já não dava mais segurança”, relatou. “Esses peixes dos tanques não são para vender. É para alimentar o nosso povo. A gente quer produzir para a comunidade”.

Autonomia e conhecimento

Os tanques foram construídos com geomembrana, uma manta sintética impermeável escolhida por ser mais leve e adequada à logística da região, onde o acesso ocorre principalmente por rios, aeronaves ou trilhas na floresta.

Para manter o sistema em funcionamento, o Instituto Federal de Roraima (IFRR) capacitou 34 indígenas em piscicultura. A proposta, segundo o diretor-geral do campus Amajari, Rodrigo Luiz Barros, é garantir autonomia completa à comunidade.

“O conhecimento fica na comunidade”, afirmou.

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Tanque para a criação de peixes
Indígenas Yanomami diante de um dos tanques instalados para criação de peixes na comunidade Sikamabiu. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

A liderança feminina Luísa Xirixana destacou que a formação técnica garante continuidade ao projeto.

“O que a gente pediu foi aprender a cuidar da terra e do peixe, para ensinar nossos filhos e netos”, disse.

A expectativa é que os indígenas capacitados se tornem multiplicadores do conhecimento dentro do território Yanomami, ensinando outras comunidades a produzir alimento de forma segura, fora do rio contaminado pelo mercúrio.

“O rio não é mais como antes. Se a gente não aprende a produzir aqui, a gente não consegue continuar vivendo aqui”, pontuou o tuxaua Carlos.

Terra Yanomami

Localizada no Amazonas e em Roraima, a Terra Indígena Yanomami tem quase 10 milhões de hectares. No território vivem mais de 31 mil indígenas, distribuídos em 370 comunidades.

Terra Yanomami. Foto: Reprodução/Ascom MPI

O povo Yanomami se divide em seis subgrupos linguísticos da mesma família: Yanomam, Yanomamɨ, Sanöma, Ninam, Ỹaroamë e Yãnoma.

O território está em emergência de saúde desde janeiro de 2023, quando o governo federal, após a posse do presidente Lula (PT), iniciou ações para atender os indígenas, como o envio de profissionais de saúde e de cestas básicas, além do reforço das forças de segurança na região para frear o garimpo ilegal.

*Por Caíque Rodrigues e Valéria Oliveira, da Rede Amazônica RR

Plantio consorciado ajuda pequenos agricultores a manter produção em Roraima

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Plantio consorciado permite o cultivo de mais de uma cultura agrícola na mesma área. Foto: Reprodução/Rede Amazônica RR

Pequenos agricultores do interior de Roraima têm buscado alternativas simples para continuar produzindo e garantir renda no campo. Na região do Paredão, em Alto Alegre, o uso da mesma área para o plantio de mais de um produto é a estratégia para fortalecer a agricultura familiar e enfrentar os desafios do dia a dia.

Na Vicinal 02, a agricultura é a principal fonte de renda de muitas famílias. É o caso de Eduardo Oliveira e Rosângela Oliveira, que encontraram no campo uma forma de sustento e de permanência no interior.

Na propriedade da família, a aposta foi o plantio consorciado, modelo de produção que permite o cultivo de mais de uma cultura agrícola na mesma área. No local, o maracujá é plantado de forma suspensa e divide espaço com a abóbora, cultivada no solo.

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Segundo Eduardo, a ideia surgiu como forma de aproveitar melhor a terra e aumentar a renda da família.

“Nessa área que foi plantada de maracujá, a gente tinha terra embaixo. O maracujá em cima, suspenso. Então, a gente resolveu aproveitar essa terra, com a irrigação da água do maracujá, e aproveitou dessa mesma terra para plantar a abóbora embaixo para ter uma renda extra”, explicou.

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Plantio de maracujá e abóbora no interior de Roraima — Foto: Amazônia Agro/Reprodução

O agricultor também afirma que o clima da região tem favorecido o plantio do maracujá, com menor incidência de pragas em comparação a outras localidades. Após tentativas anteriores sem sucesso, a família buscou conhecimento técnico e voltou a investir na produção, agora com resultados positivos. “Agora tá dando certo, tá tudo carregado. Daqui a uns 20 dias a gente já tem a primeira colheita”, disse.

A produção de maracujá é comercializada principalmente em Boa Vista, na Feira do Produtor, onde a família possui compradores fixos. Além do maracujá e da abóbora, a propriedade também tem criação de gado e plantios de pimenta.

Rosângela explica que a produção agrícola sempre fez parte da vida da família desde a chegada ao Paredão. Sem renda fixa, o cultivo se tornou uma necessidade.

“Desde que a gente chegou aqui, começou a mexer com verdura. Meu esposo e os filhos sempre gostaram de produção. A gente trabalha com maracujá, pimenta-de-cheiro, pimenta-ardelosa e agora voltou novamente com o maracujá”, contou.

Segundo ela, a escolha por culturas como a pimenta está ligada ao baixo custo de produção e à facilidade no manejo: “A pimenta tem pouco gasto, tem mais durabilidade e menos serviço no tempo de colheita. Junta a família, meu marido, meus filhos, todo mundo vem colher. Quando precisa, a gente arruma diarista.

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Apesar dos bons resultados, os pequenos produtores ainda enfrentam dificuldades. Entre os principais desafios estão o alto custo dos insumos e a falta de apoio ao agricultor na região.

“A maior dificuldade do pequeno produtor hoje é a manutenção da horta. O adubo é caro, o veneno é caro. Antigamente forneciam adubo para o pequeno produtor, hoje não. E se você não tem dinheiro para comprar o adubo, como é que você mantém o produto?”, pontuou.

Outro problema apontado é a comercialização. Muitos agricultores acabam vendendo a produção por preços mais baixos por falta de transporte próprio.

Mesmo diante das dificuldades, a família segue persistente e pretende ampliar os plantios nos próximos meses, com culturas como pimenta doce, pimentão e macaxeira.

Agricultura familiar é fonte de renda para muitas famílias — Foto: Amazônia Agro/Reprodução

*Por Raquel Maia, da Rede Amazônica RR