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Pássaro de aço: Catalina voou pelos céus da Amazônia e “navegou” pelos rios

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Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

O pouso fora feito com segurança e os agentes que representavam a Panair do Brasil em qualquer lugar da Amazônia que se encontravam chegavam a bordo em uma pequena e frágil canoa, era o primeiro contato com aquele enorme avião que trazia passageiros e mercadorias da civilização. Tudo ocorria como previsto, a tripulação permaneceu em seus postos para eventuais emergências e naturalmente fatos inesperados. Havia piranhas em volta da embarcação e naturalmente o perigo era eminente, caso em um acidente a canoa virasse.

Catalina afastava-se lentamente levado pela correnteza, contudo, com auxílio dos motores era feita a correção, a fim de permitir sua atracação para junto da boia e o hidroavião parava novamente no ponto de translado para desembarque de passageiros e mercadorias.

Foram momentos importantes daquele período com o sentimento de desafio e naturalmente o começo de muitas descobertas. Outro fato interessante era a comunicação por rádio com navios estrangeiros que promoviam o diálogo crescente e de cordialidade, na verdade, uma troca de conhecimento, de emoções e de histórias que por muito tempo fariam parte do imaginário daqueles navegantes com os povos da floresta e de seus visitantes.

Normalmente suas chegadas no interior do estado eram no amanhecer, o que permitia aquela população ribeirinha assistir ao transitar frenético de passageiros e tripulantes em direção ao flutuante, em meio de pacotes, mercadorias, malas, baús e gaiolas que amontoavam à espera de acomodação no interior do hidroavião Catalina. Sua tripulação de uniforme azul e branco impecavelmente vestidos, ao mesmo tempo que se ouvia uma passageira contar a lenda do Uirapuru, observava aquelas pessoas que quase isoladas do restante do país aguardavam a lembrança de um parente, uma encomenda, a esperança de um remédio, ou simplesmente a oportunidade de receber notícias de um mundo desconhecido.

Foram muitas as celebrações, que se renovavam a cada passagem da Panair do Brasil desde sua chegada inaugural, em 25 de outubro de 1933, até sua partida três décadas mais tarde. Na verdade, era a celebração da solidariedade, da amizade e principalmente muitas saudades do encontro de porções diferentes de pessoas de um mesmo Brasil.

Catalina atraia os olhares dos moradores da Orla do Amarelinho em Manaus. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Catalina, o pássaro de aço na Amazônia

A Amazônia recebia a presença da Panair do Brasil como elo de brasilidade perdida na vastidão do território amazônico:

“[…] Quando o caboclo olhava o céu e nele via cruzar a certeza da boa nova, a resposta para sua espera ouvia apenas a marcação do meio dia, aproximação no meio da tarde e o anunciar do entardecer”.

Fonte: As asas da história. Lembranças da história da Panair do Brasil. 1996. Pág.: 13.

“O Amazonas, sob o impacto de nossa vontade e trabalho, deixará de ser um simples capítulo na história do mundo e, tornado equivalente a outros grandes rios transformá-se-a em capítulo na história da civilização. Tudo que foi feito até agora no Amazonas, seja na agricultura ou na indústria extrativista deverá ser transformado em exploração nacional, discursava o Presidente Getúlio Vargas em 1940, quando de sua visita a Manaus”.

“A bem da verdade, a Panair do Brasil antecipou-se a este projeto e com muita sabedoria contribuiu nos idos dos anos 40, quando os Estados Unidos da América entraram na guerra e foi firmado o acordo de Washington (1942), no qual o Brasil se comprometia em fornecer borracha, matéria prima estratégica. A campanha da borracha começava e utilizava a estação de rádio da Panair do Brasil em Canafa, Estado do Amazonas, e os planos de viagem da Bacia Amazônica contratados pela Rubber Development Company”.

Fonte: As asas da história. Lembranças da história da Panair do Brasil. 1996. Pág.: 15.

Ao sabor do balanço das águas os hidroaviões como o Catalina não se perturbavam diante dos novos desafios. Eram pioneiros nos ares da Amazônia, acompanhando o serpenteado do rios até por medida de segurança. E a cada decolagem, a certeza de um pouso mais distante como quem tem a missão de tocar fundo o coração da floresta. A tarde caía e com ela o vento trazia o sabor da tarefa cumprida. Era comum ver os passageiros alegres, experimentando a recepção afetuosa de parentes e amigos em seguida acomodados nas canoas. Sumiam nas curvas do igarapé, levando consigo a lenda de outros pássaros da floresta.

A tripulação do Catalina tinha sua bagagem arrumada em outra canoa e preparava-se para mais um pernoite, e o rapaz de uniforme impecável percorria com os olhos a paisagem, possivelmente encantado ou à espera de um canto especial. Ao seu lado, um caboclo sorria, apenas sorria, agarrado à um pacote que haviam depositado em suas mãos.

O sol tocava o horizonte em uma cena incomparável e mais uma vez testemunhava as expectativas e sonhos dos povos da floresta embarcados num pássaro de prata, cujo destino estava escrito na sorte de chegar aos lugares esquecidos do Brasil.

O sentimento de desafio daqueles heróis era de grande valia para nossa Amazônia naquele período, sempre cercado por moradores da área que, por curiosidade, permitiam uma crescente cordialidade e naturalmente uma troca de conhecimento, de emoções e histórias que por muito tempo fizeram parte do imaginário dos povos da floresta, em especial do jovem Samuel Isaac Benchimol que acabara de completar seus dezoito anos.

catalina
Catalina pousava na água e encantava população. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

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Samuel Isaac Benchimol guardava essas lembranças como uma celebração, que se renovava a cada chegada e saída da Panair do Brasil, que fez sua primeira chegada inaugural em 25 de outubro de 1933. A celebração da solidariedade, da amizade e de algumas saudades que ele não cansava de comentar, como se fora ao encontro de poções diferentes de um mesmo Brasil. A presença da Panair do Brasil na Amazônia, de brasilidade perdida na vastidão do nosso território serpenteado pelas águas. Samule Isaac Benchimol na sua juventude, sob o impacto do seu primeiro trabalho descreveu um capitulo da sua história da Panair do Brasil.

Foi um período rico da nossa história, ao sabor do balanço das águas, Catalina era aquele pássaro de alumínio que não se perturbava diante de novos desafios e singrava os céus da Amazônia e o serpentear dos rios e a cada decolagem a certeza de um novo pouso em um espaço mais distante da Amazônia. Foram muitas vezes que a tripulação da Panair do Brasil fazia seu pernoite em alguma cidade da Amazônia e, mais uma vez, testemunhava expectativas e sonhos dos povos das barrancas dos rios, fatos como esses marcaram profundamente o início da carreira profissional do jovem Samuel Isaac Benchimol.

O apego à vida laboriosa mostrava o que seria, mais tarde, aquele jovem. Ele acreditava no itinerário de vida, explorando ações empreendedoras procurando construir o próprio caminho. Rica e intensa foram suas experiências despachante de bagagem da Panair do Brasil.

“[…] Relembro com saudade e emoção que neste tempo eu era humilde despachante de bagagem da Panair do Brasil, exercendo funções no flutuante ao lado Roadway da Manaós Harbour onde atendia os passageiros dos hidros aviões da Panair e da Pan Amarican, que transportavam borracha dos seringais para suplemento das Forças Aliadas na Guerra. Trabalhava no expediente da madrugada, das 3horas às 6horas da manhã. Às 7 horas já estava na Faculdade de Direito assistindo aulas. Era meu companheiro de trabalho Francisco Xavier de Albuquerque, que fora Ministro do Supremo Tribunal Federal. À noite lecionava Economia Política na Escola de Comércio Solon de Lucena”.

Fonte: BENCHIMOL, Samuel. Amazônia: Um Pouco-Antes e Além-Depois. Manaus: Calderaro, 1977. Pág.: 31 e 32.

O porto situado as margens do Rio Negro, era naquele período a porta de entrada daquela cidade. Cercado de prédios construído no período do látex, emoldurado pelo verde da mata. É nesse espaço físico que brota o aprendizado nas vertentes da vida e que proporcionaria uma excelente oportunidade para o desenvolvimento da cidade de Manaus.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Adaptação climática na Amazônia deve priorizar segurança alimentar da população com espécies resilientes

Agricultura familiar no Acre. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Na Amazônia, impactos das mudanças climáticas como alterações na temperatura e no regime de chuvas, comprometem a biodiversidade e, por consequência, a vida das populações que dependem diretamente da floresta para sua sobrevivência.

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A adaptação à nova realidade deve incluir a valorização da natureza e dos conhecimentos tradicionais, a restauração florestal em larga escala e a proteção das águas – essenciais tanto para a produção agrícola como para o transporte na região, dependente das rotas fluviais.

Também estão entre as medidas necessárias a proteção e restauração de serviços ecossistêmicos como a polinização e a dispersão de sementes, com a formação de bancos de sementes e redes de coletores, por exemplo, além da identificação de espécies alimentares resilientes às mudanças climáticas – e de sua diversidade genética.

Leia também: Estudo aponta que caça de subsistência tem papel importante para segurança alimentar de comunidades tradicionais

É o que propõe o policy brief ‘Estratégias de Adaptação Climática Visando o Bem-Estar das Populações Amazônidas’, lançado na sexta (29) e elaborado por pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV) em parceria com autores de instituições como Universidade de São Paulo (USP) e Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (INPE). A partir da literatura científica, o material reúne um conjunto de recomendações e ações para políticas públicas que garantam segurança alimentar e hídrica especialmente a povos indígenas, comunidades ribeirinhas e quilombolas, além de moradores das áreas rurais e urbanas.

Adaptação na Amazônia reúne diversas frentes

A pesquisadora do ITV Tereza Cristina Giannini, coordenadora da publicação, explica que a iniciativa multidisciplinar reúne cientistas que trabalham com bioeconomia e sustentabilidade de cadeias alimentares na Amazônia e faz parte de projetos em andamento vinculados ao ITV e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

adaptação climática na amazônia envolve alimentação
Sistemas agroalimentares. Foto: Reprodução/Agência Brasileira de Cooperação

A principal motivação foi a constatação, em estudos prévios da equipe, de cenários negativos do impacto das mudanças climáticas sobre cerca de 200 espécies de plantas consumidas por povos nativos da Amazônia, como a castanha-do-pará.

A equipe também busca responder à indicação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) de priorizar a adaptação às mudanças climáticas, já que alguns impactos ambientais são irreversíveis, indo além de esforços voltados somente à mitigação – ou seja, à tentativa de redução dos efeitos das mudanças climáticas.

“Às vezes, acredita-se que a mudança climática é unidirecional, mas não é. É um mosaico de impactos muito amplos e que envolve as comunidades humanas de um jeito complexo”, pontua Giannini.

Os projetos de pesquisa seguem adiante e têm como próximos passos:

  • a criação de uma cartilha sobre “plantas do futuro”, com foco em espécies potencialmente resilientes e pouco conhecidas;
  • análise do impacto das mudanças climáticas em polinizadores agrícolas, especialmente os envolvidos na produção de cacau, açaí e castanha-do-pará;
  • o mapeamento da vulnerabilidade alimentar de povos indígenas, identificando áreas onde essas populações podem ser mais afetadas por mudança de clima e vulnerabilidade alimentar;
  • e a finalização de um trabalho sobre o genoma do cacau, buscando adaptações às mudanças climáticas para indicar possíveis melhorias genéticas e áreas de preservação.

Leia também: Aquicultura na Amazônia promove segurança alimentar com menos impacto que a pecuária

“O policy brief foi uma grande síntese do conhecimento multifacetário que existe sobre impacto da mudança climática no que diz respeito à alimentação. Essa talvez tenha sido a maior contribuição: ter tantos pontos de vista diferentes e igualmente capacitados, engajados em expor a complexidade do tema e traçar caminhos possíveis”, conclui Giannini.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

21 segmentos em 9 espaços: saiba como está dividido o Parque de Exposições da 54ª Expofeira do Amapá

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Foto: Fêlix Alencar/Agência Grito

A 54ª Expofeira do Amapá abriu suas portas neste sábado (30) com uma explosão de cores, sons e movimentos. Além da feira de negócios e da programação de shows nacionais, a cultura amapaense também é protagonista, com apresentações que animam o público no Parque de Exposições da Fazendinha.

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Ao todo, a programação conta com nove espaços culturais que reúnem 21 segmentos artísticos diferentes. São cerca de 500 atrações locais escaladas para se apresentar ao longo dos nove dias de evento, garantindo visibilidade para grupos de teatro, dança, música, capoeira, hip hop, circo, literatura, artes visuais e tantas outras expressões que revelam a identidade do Amapá.

“O Governo do Estado entende que a cultura é uma força econômica e também um patrimônio vivo do nosso povo. Essa programação valoriza quem faz arte no estado e leva ao público a riqueza da nossa diversidade. É a oportunidade de mostrar que o Amapá tem produção artística potente e criativa em todas as áreas”, afirmou a secretária de Estado da Cultura, Clicia Vieira Di Miceli.

Com uma agenda intensa, a cada dia novos artistas sobem aos palcos e ocupam os espaços culturais da Expofeira. Para o público, é a chance de conhecer diferentes linguagens e prestigiar a produção feita no próprio estado. Para os artistas, é o momento de se conectar com novos públicos e ampliar o alcance de seus trabalhos.

Os espaços estão divididos em: Palco Rainha da Expofeira, Miniteatro Caboco, Maloca dos povos indígenas do Amapá e Norte do Pará, Coletivo Fostixg, Barracão de expressões Afro-Amapá, Palco Piseiro, Circo do Meio do Mundo – (Espetáculos de circo, teatro, dança, contação de história), Galeria de Artes e Palco Tucupi Caravela.

A programação cultural segue até o dia 7 de setembro, com entrada gratuita. Para conhecer a programação basta baixar o aplicativo oficial.

Expofeira na Rede

A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.

Quadrinho amazonense busca resgatar episódio esquecido da história do Brasil

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Arte retrata a batalha entre as duas embarcações. Imagem: Divulgação

Uma história em quadrinhos (HQ) produzida no Amazonas revisita um episódio pouco conhecido da Revolução Constitucionalista de 1932: a batalha naval que ocorreu no município de Itacoatiara, no interior do estado. A obra é assinada pelo Black Eye Estúdio, tem lançamento previsto para novembro, e busca valorizar o papel da região Norte em um dos momentos mais marcantes da história política do Brasil.

Leia também: A batalha naval que aconteceu no Rio Amazonas

A Revolução Constitucionalista de 1932 foi um levante liderado por São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas, exigindo a convocação de uma nova Constituição.

No Amazonas, cidades como Parintins aderiram à revolta, improvisando embarcações para tentar alcançar Manaus. A repressão em Itacoatiara impediu o avanço, mas o episódio revelou a força da insatisfação regional.

O quadrinho recria, em imagens cinematográficas, o confronto entre tropas governistas e rebeldes, ocorrido às margens do rio Amazonas.

“A principal mensagem é que temos histórias incríveis de Norte a Sul do Brasil que merecem ser lembradas e transformadas em grandes narrativas. Ao mesmo tempo, queremos reforçar que, apesar da força das imagens, a guerra nunca é bem-vinda — ainda mais quando falamos de uma guerra civil”, explicou o jornalista e roteirista da obra, Emerson Medina.

Além de Medina, o projeto traz artes de Romahs, participação de Beatriz Mascarenhas na revisão, Thais Mannala com a edição e Tieê Santos responsável pela arte final.

O prefácio do quadrinho é assinado pelo jornalista e pesquisador Gonçalo Junior, conhecido por seus estudos sobre cinema, imprensa e quadrinhos.

Segundo Raphael Russo, historiador e integrante do estúdio, o objetivo da obra é destacar a relevância da Amazônia no cenário político nacional.

“A Batalha de Itacoatiara mostra que o movimento de 1932 não ficou restrito ao Sudeste. Ele teve repercussões em todo o país, inclusive na nossa região”, afirmou.

historia em quadrinhos batalha naval amazonas
Trecho de uma das páginas do quadrinho. Foto: Divulgação

Entenda a batalha naval que inspirou o quadrinho

A batalha naval ocorrida em Itacoatiara é considerada a única do século XX antes da Guerra das Malvinas. O confronto aconteceu em 24 de agosto de 1932, durante a Revolução Constitucionalista.

Na ocasião, os navios Ingá e Baependy, que apoiavam os legalistas paulistas, enfrentaram as embarcações Jaguaribe e Andirá, ligadas às forças governistas. O embate aconteceu em frente à cidade de Itacoatiara, às margens do rio Amazonas, e marcou a chegada da guerra civil ao Norte do país.

O doutor em história social Caio Giulliano Paião, explica que o movimento é um exemplo emblemático da capilaridade da Revolução Constitucionalista. Civis e militares da região do Baixo Amazonas, insatisfeitos com a centralização política promovida por Vargas e com a nomeação de interventores federais, decidiram apoiar a causa paulista.

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A tomada dos vapores Jaguaribe e Andirá como embarcações de guerra improvisadas mostra a criatividade e a ousadia dos revoltosos, que pretendiam alcançar Manaus e ampliar o levante no extremo norte do país

Conforme o professor, a chegada dos navios rebeldes Jaguaribe e Andirá, vindos do Pará e ocupados por militares insatisfeitos com o governo de Getúlio Vargas, representava uma ameaça direta à nova administração estadual.

“A chegada dos dois navios que os transportavam podia acender um pavio perigoso para a instalação da nova administração estadual. O prefeito e o vigário da cidade, padre Joaquim Pereira, foram a bordo dos navios rebeldes para tentar evitar um bombardeio”, destaca o especialista.

As negociações não progrediram e, após uma trégua para evacuar a cidade, os navios iniciariam o ataque. É dito que a ação dos dois serviu para ganhar tempo até a chegada dos legalistas. Então, antes do prazo terminar, os navios legalistas realmente chegaram, dando início ao que ficou conhecido como ‘Batalha Naval de Itacoatiara’.

O historiador ainda cita que a população itacoatiarense ficou inquieta com os boatos sobre o confronto. ”Certamente, o medo deve ter se instalado e as informações deviam ser aumentadas e desencontradas, insuflando o pânico. As pessoas temiam morrer no fogo cruzado”.

“A batalha entre os navios rebeldes e legalistas durou cerca de 40 minutos. Boa parte das vítimas, em torno de 60, morreu afogada com o naufrágio dos navios rebeldes. Os sobreviventes nadaram e adentraram a mata. Mais tarde, agricultores chamaram as autoridades para prender os fugitivos. Ninguém queria arrumar problema para si depois do conflito”, relata Paião.

93 anos da Revolução Constitucionalista de 1932

A Revolução Constitucionalista foi um movimento armado liderado pelo estado de São Paulo, que defendia uma nova Constituição para o Brasil e era contra o autoritarismo do Governo Provisório de Getúlio Vargas

Segundo informações da cartilha “A Participação dos Prudentinos no Movimento da Revolução Constitucionalista de 1932”, da Polícia Militar, Getúlio Vargas havia tomado o poder, em 1930, por meio de um golpe e retirou o poder da hegemonia política de São Paulo e Minas Gerais.

O descontentamento paulista aumentava e o governo getulista, que se dizia provisório, já se consolidava no poder e nomeava interventores para administrar os estados. E São Paulo recebia interventores que não eram paulistas e que administravam seguindo determinações da União.

Para o historiador Benjamin Resende, de 89 anos, o momento de estopim do conflito foi quando, em 23 de maio de 1932, jovens foram mortos por agentes ligados a Vargas.

“A situação foi aumentando cada vez mais e chegou em maio de 1932, a turma não aguentava mais. Os estudantes do Largo São Francisco fizeram uma revolta e cinco deles foram mortos, M.M.D.C.A. [Martins, Miragaia, Dráusio, Camargo e Alvarenga]. Eles falam em quatro, mas são cinco. Então, aí, praticamente São Paulo foi à luta”, avalia Resende

Foi então que, em 9 de julho de 1932, dava-se início à Revolução Constitucionalista, que tinha como objetivo a retomada do poder democrático e a promulgação de uma nova Constituição.

“Com a morte dos estudantes, essa reunião toda se expandiu por todo o Estado de São Paulo. E a função da Revolução de 32 era contra a Constituição que Getúlio fez em 1930, porque ela era uma Constituição antidemocrática”, frisa Resende.

Oficialmente, morreram 943 pessoas na Revolução Constitucionalista de 1932. Os conflitos começaram em 9 de julho – feriado estadual em São Paulo – e foram encerrados em 2 de outubro, quando as tropas constitucionalistas se renderam.

Soldados prudentinos no front de batalha. Foto: Museu e Arquivo Histórico

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Não basta ser um adulto

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Nair era a quinta dos nove filhos. O pai vivia do plantio de algodão no interior do Paraná. A mãe era professora de uma escola isolada, um tipo de colégio muito simples, de madeira, cujos únicos recursos eram um quadro negro e giz e que reunia quatro ou cinco turmas em estágios diferentes. Nair acompanhava a mãe e aos cinco anos, sozinha, aprendeu a ler e a escrever. Um pouco depois, a própria Nair, em alguns dias, com a sua pequena cartilha, sem que a família soubesse, alfabetizou a irmã caçula.

A vida era de escassez e de muita luta para os onze integrantes da família, mas nunca passaram fome. Nair lembra que uma baguete era dividida pelos onze. Descobriu o mundo da leitura, lia revista Grande Hotel escondida dos pais e frequentava a biblioteca pública. Aos 18 anos, já na capital, Nair teve a sua primeira boneca, um presente de seu namorado. Foi inscrita em um concurso de poesias concorrendo com 4.400 trabalhos e teve o seu selecionado. Ganhou outras premiações em concursos de poesia e de literatura, chegando a publicar 5 livros, enquanto estudava e trabalhava. Um destes empregos foi como como atendente e encarregada de telemarketing, onde formou amizades para toda a vida. Nair é mãe de 4 filhos e lutou com eles enormes desafios, que cada um precisou enfrentar, sempre amparados pela mãe guerreira.

Com um pouco mais de sessenta anos, Nair se aposentou e foi para casa, se isolando de tudo. A família se preocupava, pois ela perdera a vontade de viver, sentindo-se vazia. Não imaginava que ainda poderia ser útil a quem quer que fosse, ela, que a vida toda se sentira assim.

Nair foi salva por um convite de uma de suas amigas dos tempos do telemarketing, que agora era uma empresária e que precisava de alguém qualificado e de confiança. Nair ganhou uma nova vida. Aos 64 anos, iniciou uma nova carreira, em uma nova área e em uma nova empresa, onde diz, aprender e ensinar a cada dia. Passados agora quase seis anos, uma de suas novas formações, foi como coach e mentora, o que lhe qualifica a fazer uso de seu conhecimento e experiência, sem ser invasiva, utilizando o potencial de cada um de sua equipe e dos que a procuram.

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Neste momento, muitas pessoas maduras estão em fase de transição profissional. Alguns estão saindo de empresas por onde estiveram muito anos. Outros vivenciam uma sequência de mudanças, típicas de nossos dias. Há os que buscam uma troca de carreira, visando uma maior realização pessoal. Ou os que precisam de uma grande transformação, mesmo permanecendo na mesma atividade. Há ainda os que sonham com a aposentadoria e os que se desiludiram com ela, saudosos de outros tempos, em que se sentiam mais necessários.

Cada história é única e todas são ricas. De comum, existe algo inerente ao ser humano, que é a necessidade de sentir-se útil, necessário, pertencente à vida. Ao invés de retirar-se para os aposentos (origem da expressão aposentar-se), costuma ser mais realizador buscar um novo tipo de aprendizado: como fazer uso do seu conhecimento em benefício de outras pessoas e contribuir para um mundo melhor. É um tipo de qualificação que nunca termina e que pode fazer do tempo um grande aliado.

Ouço de Breno, um executivo que desfruta da dor e das delícias de quem tem 45 anos e lida com novos questionamentos: “Me sinto um tanto incomodado. Quero ser mais do que um adulto. Quero ser um verdadeiro líder, alguém que some positivamente na vida das pessoas”. Bruno e Nair vivem momentos diferentes de uma trajetória que talvez faça parte de uma Missão comum de todos nós: aprender, realizar e compartilhar. Diferente para cada um será o Propósito, o que toca o nosso coração, que vem de dentro e que é que capaz de nos fazer vibrar, nos qualificando para fazermos isso da melhor maneira que conseguirmos.

E quanto a você? O que faz de você mais do que um adulto? O que a sua história traz de aprendizado e realização? O que faria você feliz em compartilhar?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Programação esportiva extensa faz parte da Expofeira do Amapá 2025; saiba mais

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A programação da 54ª Expofeira do Amapá vai muito além dos shows. Ela inclui desafios radicais e programação para toda a família também com eventos esportivos.

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Entre as atrações da Expofeira este ano estão motocross, vaquejada, rodeio, pesca esportiva e muito mais.

Expofeira na Rede

A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.

Garimpo e falta de proteção ambiental ameaçam árvores gigantes no Amapá

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Rio Cupixi, com lama de garimpo onde barreira se rompeu no Amapá. Foto: Divulgação/GTA-AP

Sete árvores gigantes localizadas no Amapá — todas da espécie angelim-vermelho, com mais de 80 metros de altura — correm risco de desaparecer por falta de proteção efetiva e avanço do garimpo ilegal. O alerta foi feito por organizações ambientais que integram a campanha “Proteja as Árvores Gigantes”.

Para Angela Kuczach, articuladora da campanha e diretora-executiva da Rede Pró-UC, mesmo com boa parte do Amapá coberta por unidades de conservação, as árvores gigantes do estado ainda não têm proteção total.

“A gente tem que lembrar que o angelim-vermelho é uma espécie explorada comercialmente. Do ponto de vista madeireiro, todos os dias caminhões saem pelas estradas do Amapá carregados com toras dessa árvore. Ou seja, árvores de grande porte, consideradas gigantes, mas que não estão dentro de unidades de conservação, precisam ser protegidas”, descreveu.

Leia também: Ameaça: garimpo ilegal está a 1 km da segunda árvore mais alta da Amazônia

Onde estão as árvores

No Amapá, as árvores estão distribuídas em três áreas:

  • Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru (RDS Iratapuru), em Laranjal do Jari
  • Floresta Nacional do Amapá (Flona)
  • Assentamentos na região de Maracá-Camaipi

A segunda maior árvore já registrada na Amazônia — com 85,44 metros — está na RDS do Rio Iratapuru.

A RDS permite exploração madeireira autorizada, o que não garante proteção integral às árvores. Por isso, ambientalistas defendem a criação de uma unidade de conservação de proteção total, como um parque estadual, semelhante ao que foi feito no Pará.

Leia também: Maior que o cristo redentor: conheça o Angelim Vermelho, a árvore mais alta da Amazônia

Garimpo ilegal próximo às árvores

A cerca de 1 km da segunda maior árvore, há um garimpo ilegal operando próximo ao garimpo São Domingos, conhecido ponto de mineração clandestina. A atividade coloca em risco direto o santuário das árvores gigantes.

Em novembro de 2024, a Polícia Civil do Amapá realizou uma operação em Laranjal do Jari, apreendendo uma aeronave e interditando um aeródromo usado como base logística para garimpos ilegais no Pará.

Tombamento como patrimônio natural

árvores gigantes são encontradas no amapá
Quarta expedição encontrou novo exemplar de árvore gigante em Mazagão. Foto: Rafael Aleixo/Arquivo GEA

O Ministério Público do Amapá recomendou o tombamento das sete árvores como patrimônio natural. A proposta inclui a criação de uma Área de Preservação Permanente (APP) com raio de 1 km ao redor de cada exemplar, proibindo corte ou exploração econômica.

A recomendação foi aceita pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amapá (Sema), mas ambientalistas afirmam que apenas o tombamento não é suficiente. Eles defendem a criação de uma unidade de conservação de proteção integral.

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Valor científico e climático

As árvores gigantes funcionam como arquivos vivos da história da Amazônia. Seus anéis de crescimento registram dados sobre clima, estoques de carbono e eventos extremos. Uma única árvore pode armazenar até 80% da biomassa de carbono de um hectare.

A pesquisa que identificou os exemplares no Amapá foi feita com tecnologias de sensoriamento remoto e mais de 900 sobrevoos. Apenas 1% da floresta foi mapeada, o que indica que outras árvores gigantes podem ter sido derrubadas antes de serem descobertas.

Árvore mais alta já mapeada no Amapá tem 85,44 metros de altura. Foto: Divulgação/Ifap

O estudo contou com participação de pesquisadores do Instituto Federal do Amapá (Ifap), Universidade Estadual do Amapá (Ueap), e outras instituições nacionais e internacionais.

“Encontrar uma árvore com 60 metros já é raro. Estamos investigando os fatores que causaram esse fenômeno de gigantismo e esperamos encontrar muitas outras árvores gigantes, inclusive maiores que 88 metros”, explicou o pesquisador Robson Lima, da Ueap.

O pesquisador, integrante da equipe do estudo, passou a realizar o monitoramento das árvores após a descoberta.

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

Fungos nativos da região Amazônica funcionam como alternativa sustentável para biotratamento da água

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Foto: Ingrid Reis da Silva/Acervo pessoal

Uma pesquisa foi realizada em Manaus (AM), com o objetivo de integrar o diagnóstico da poluição do Igarapé do Mindu e analisar o uso de uma solução sustentável altamente eficaz baseada em fungos nativos da região como alternativa sustentável para o biotratamento da água.

Amparada pelo Programa Biodiversa/Fapeam, a pesquisa intitulada ‘Características Físico-Químicas, Microbiológicas e Utilização de Fungos Filamentosos na Melhoria da Qualidade das Águas do Igarapé do Mindu da Cidade de Manaus’ avaliou o nível de poluição das águas ocasionada pelo despejo de agentes poluentes, por meio de análises físico-químicas e microbiológicas, e verificou a viabilidade da utilização de fungos filamentosos no seu tratamento e melhoria.

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Após a aplicação dos biotratamentos com os consórcios de fungos filamentosos, os resultados foram bastante promissores, demonstrando que a própria biodiversidade local pode ser uma aliada na recuperação ambiental e na melhoria da qualidade de vida nas cidades. Além de trazer benefícios concretos para a saúde pública, reduzir riscos de contaminação e contribuir para a recuperação ambiental de corpos hídricos degradados, como o Igarapé do Mindu.

Foto: Ingrid Reis da Silva/Acervo pessoal

A bacia Hidrográfica do Igarapé do Mindu ocupa aproximadamente 1/4 do território urbano de Manaus. A nascente, localizada na Cidade de Deus, Zona Leste, sofre com expansão urbana desregulada, lançamento de esgoto doméstico e resíduos sólidos.

A coordenadora do estudo e doutora em biotecnologia, Ingrid Reis da Silva, do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), explicou que foram realizadas três coletas de água em diferentes pontos do Igarapé do Mindu, abrangendo áreas urbanas com diferentes níveis de impacto ambiental. A água coletada foi analisada em laboratório para verificar a presença de poluentes físico-químicos e microbiológicos, como pH, oxigênio dissolvido (OD), turbidez, DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) e a presença de bactérias indicadoras de contaminação fecal, como a Escherichia coli.

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Análise da água

Os resultados revelaram um alto nível de poluição da água. Os valores de oxigênio dissolvido, um dos principais parâmetros indicativos da qualidade da água, essencial para a sobrevivência de organismos aeróbios, variaram entre 2 e 3 mg/L, muito abaixo do valor mínimo exigido de 5 mg/L para águas doces de classe II, segundo a Resolução Conama 357/2005.

Já os níveis de Demanda Bioquímica de Oxigênio ultrapassaram 47 mg/L em alguns pontos, enquanto o limite aceitável é de 5 mg/L. Esses valores indicam alta carga de matéria orgânica presente na água. Além disso, a concentração de coliformes termotolerantes chegou a 3 x 10⁵ UFC/100 mL, o que representa um risco à saúde pública e torna a água imprópria para uso humano ou recreativo.

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Foto: Ingrid Reis da Silva/Acervo pessoal

Fungos filamentosos

Após o diagnóstico, foi aplicado o processo de biorremediação, utilizando fungos filamentosos da Coleção Microbiológica do CBA, especialmente dos gêneros TrichodermaFusarium e Beauveria. Esses fungos foram organizados em consórcios e incubados com a água contaminada por um período de 10 dias, em condições controladas de temperatura e agitação.

“Ao final do tratamento, realizamos novas análises dos mesmos parâmetros para avaliar a eficácia dos consórcios fúngicos na melhoria da qualidade da água. Os resultados demonstraram uma redução significativa nos níveis de contaminação, especialmente nos indicadores microbiológicos e na carga orgânica da água”, detalhou a pesquisadora.

*Com informações da Fapeam

Embrapa: severa crise financeira alcança eixo indutor da revolução verde no Brasil

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Foto: Marizilda Cruppe

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Uma das grandes responsáveis pela transformação da produtividade da agropecuária brasileira, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tem um novo desafio: apoiar o produtor na transição para uma agropecuária mais verde, regenerativa, conservacionista e de baixo carbono. “Passamos por um novo momento em que, além de falarmos que podemos aumentar a produção e a produtividade com sustentabilidade, precisamos comprovar com métricas. A Embrapa tem um papel importante, por ser um grande articulador, um novo indutor e facilitador da revolução verde”, diz a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, no cargo desde 2023, período em que tem focado em inovação tecnológica e na atração de novos talentos para a instituição.

De acordo com o site da empresa, o caminho, por conseguinte, passa por desenvolver e transferir novas tecnologias aos 5 milhões dos produtores brasileiros, quer sejam os bioinsumos, a calculadora da pegada de carbono, ou a integração lavoura-pecuária-floresta, ou em levar indicadores para mostrar a sustentabilidade da agropecuária brasileira. “Mas temos também de avançar, estimulando os produtores de forma que possam ser recompensados por adotarem práticas mais sustentáveis”, defende. Saliente-se que a Embrapa foi fundamental para o agronegócio e a agricultura familiar darem salto de produtividade, mas novos desafios surgem como a nova revolução verde em curso no setor, do alimento à energia.

A Embrapa, historicamente, teve papel fundamental no estímulo à produção agropecuária. Desde sua criação, o país passou de importador para grande exportador de alimentos resultante de um processo de desenvolvimento de tecnologia avançada aplicável em qualquer tipo de clima e solo, ou seja, para a agricultura tropical. Foram tecnologias para aumentar a produtividade, o chamado efeito “poupa terra”, que permitiram expandir em 140% a área plantada e em 580% produção de grãos nos últimos 50 anos. Segundo Silvia Massruhá, “hoje passamos por um momento em que, além de mostrarmos que podemos aumentar a produção e a produtividade com sustentabilidade, precisamos comprovar isso com métricas. Vejo que, neste novo momento, a Embrapa tem um papel importante por ser um grande articulador, um novo indutor e facilitador da revolução verde”.

Na prática, a Embrapa, afirma sua presidente, pode ser um novo indutor, oferecendo o portfólio de tecnologias, participando desse movimento de agricultura sustentável. Por exemplo, com a fixação biológica de nitrogênio, o plantio direto, os sistemas integrados de lavoura, pecuária e floresta (ILPF), os sistemas agroflorestais, os sistemas consorciados, a recuperação de florestas e o próprio incentivo aos bioinsumos. São maneiras de incentivar o melhor aproveitamento do solo e com a visão de agricultura regenerativa, adotando práticas mais sustentáveis. Em relação a terras degradadas, a empresa vem trabalhando na recuperação com pastos e práticas sustentáveis ou sistemas agroflorestais, a depender da região. Está em curso o programa de recuperação de pastagens degradadas (mais de 160 milhões de hectares mapeados), com a meta de converter 40 milhões de hectares de pastos em dez anos.

A empresa, ressalta a presidente Silvia Massruhá, vem realizando estudos com o cruzamento de informações dessa área possível de ser recuperada com o zoneamento agrícola de risco climático, para mapear qual a maior aptidão agrícola de cada área. O Ministério da Agricultura tem apresentado o projeto no mundo todo para captar recursos. A Embrapa entra com tecnologias. A partir do cruzamento de dados das pastagens com o zoneamento, “veremos quais são as tecnologias mais adequadas que podemos aplicar. Já existe um embrião que começamos a testar no Rio Grande do Sul este ano junto com Banco do Brasil e a Cooperativa Central Gaúcha. Programas que, em síntese, garantem ao Brasil continuar a manter liderança na produção mundial de alimentos ao lado de gigantes como China e Estados Unidos”, salienta.

A Embrapa, entretanto, vive um dos momentos mais dramáticos de sua riquíssima e frutífera história. A empresa registrou, em 2024, déficit orçamentário geral de aproximadamente R$ 200 milhões. Para 2025, a situação não deverá melhorar. A previsão é de que o orçamento para custear a atividade dos pesquisadores na ponta seja ainda mais reduzido. A narrativa de sucesso da empresa, tantas vezes celebrada, parece estar em rota de colisão com a realidade atual. Nas últimas semanas, a Embrapa voltou às páginas dos jornais e às redes sociais, não pelas suas inovações, mas pelas preocupações com o esvaziamento orçamentário, a perda de protagonismo e os sinais de crise institucional. E, como em outras ocasiões, reaparecem propostas de “salvação” com uma tônica preocupante: o financiamento com recursos privados e a colagem das atividades de pesquisa às demandas diretas das empresas e do setor privado.

A crise atual da Embrapa, apontam pesquisadores e analistas especializados, não pode ser resolvida simplesmente com o aporte de fundos privados e redirecionando seus esforços para demandas privadas. Isso equivale a amputar sua capacidade de pensar o futuro, de atuar em áreas negligenciadas pelo mercado, de liderar missões nacionais de interesse estratégico. Instituições como a Embrapa, as universidades públicas, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para citar algumas, foram desenhadas para isso: ocupar o espaço em setores de alta tecnologia em que o mercado não entra essenciais ao crescimento econômico do país.

Enquanto isso, atingem volumes nunca antes imaginados na história brasileira recursos orçamentários da União comprometidos com Emendas Parlamentares, fundos partidários, viagens internacionais bilionárias, fundos sociais sem retornos planejados, crescimento de déficits monumentais em empresas públicas como os Correios. O populismo orçamentário no Brasil hoje refere-se a uma conduta do governo que prioriza a expansão do gasto público e a construção de um discurso eleitoral para 2026, mesmo que isso resulte em desequilíbrio fiscal e altas taxas de juros, prejudicando a confiança e a previsibilidade necessárias para o crescimento econômico sustentável. Críticos sustentam que essa estratégia, embora destinada a agradar ao eleitorado, não é acompanhada por reformas estruturais ou cortes de gastos compensatórios, levando a um quadro de “gastança” em detrimento da responsabilidade fiscal e do bom funcionamento da economia.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Projeto para captação de água da chuva leva tecnologia sustentável para famílias da Ilha do Combu

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Foto: Izabela Nascimento/Semas PA

O Projeto Água para Todos, fruto de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) e a empresa New Fortress Energy (NFE), foi vencedor do 13º Prêmio ESG da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil – Seccional Pará (ADVB-PA), na categoria Social – Médias e Grandes Empresas, no dia 28 de agosto. 

O projeto é uma solução baseada na natureza (SbN) que tem como objetivo o aproveitamento da água da chuva, com sua transformação em água potável, por meio de um sistema inteligente de captação, filtragem, desinfecção e abastecimento.

A iniciativa está levando tecnologia sustentável para famílias da Ilha do Combu, em Belém, promovendo acesso a água de qualidade e impacto direto na melhoria da qualidade de vida da comunidade. A primeira fase do projeto prioriza a implantação da solução nas escolas e empreendimentos da sociobiodiversidade, liderados por coletivos ribeirinhos da ilha.

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O projeto é parte da implementação do componente climático do licenciamento ambiental, cujas ações ESG desenvolvidas pela New Fortress no Pará têm foco no bem-estar e desenvolvimento de comunidades resilientes. A empresa opera um terminal de gás natural (GNL) desde abril de 2024 e afirma que o gás natural representa uma fonte de energia de transição, com menor impacto ambiental e maior segurança energética.

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Ilha do Combu. Foto: Reprodução/Agência Sebrae de Notícias

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Projeto conta com parcerias

A rede de parcerias de implementação do projeto também articula a integração com a Pluvi Soluções Ambientais Inteligentes, Prefeitura de Belém, por meio das Secretarias Municipais de Meio Ambiente (Semma), de Saúde (Sesma) e de Educação, Ciência e Tecnologia (Semec), Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do Núcleo de Meio Ambiente (Numa), e Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM).

“Os investimentos da New Fortress Energy no Pará vêm sendo construídos com muito talento, dedicação e respeito às normas mais rigorosas de ESG. Projetos como o Água para Todos, no Combu, e o Aquavila, no Salgado, em apoio à ostreicultura, têm na parceria com a Semas uma inspiração e um apoio técnico essencial. Essa sinergia garante que as ações tenham impacto real nas comunidades e promovam transformação social e ambiental”, destacou o diretor de Relações Externas e Governamentais da NFE, Paul Steffen.

*Com informações da Semas PA