Embrapa apresenta cultivo de banana. Foto: Jackson de Araújo dos Santos/Embrapa
Produtores indígenas de Oiapoque, no extremo norte do Amapá, participaram do Dia de Campo Bananicultura, realizado no dia 9 de outubro, na Aldeia Manga. O evento apresentou o cultivo de banana como alternativa de renda e alimentação para comunidades afetadas pela praga vassoura-de-bruxa, que tem comprometido a produção de mandioca na região.
A ação foi promovida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pelo Instituto de Extensão, Assistência e Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap), com apoio de outras instituições.
Evento em Oiapoque incentiva cultivo de banana para garantir renda e alimentação. Foto: Jackson de Araújo dos Santos/Embrapa
Técnicos apresentaram três variedades de banana recomendadas para o solo e o clima do estado: BRS Terra Anã, BRS Princesa e BRS Pacoua, todas resistentes a pragas e doenças.
Além das orientações técnicas, o evento valorizou o conhecimento tradicional dos povos indígenas. Um dos destaques foi o agricultor Leôncio Oliveira, da etnia Karipuna, que cultiva banana há 16 anos na Aldeia Manga.
Ele compartilhou sua experiência e incentivou outros produtores a diversificarem suas roças. “Hoje oriento outros produtores para que usem esse conhecimento como fonte de renda diante da escassez da mandioca. O Dia de Campo ajuda a motivar mais pessoas”, afirmou.
Cultivo de banana é destaque em ação que busca alternativas à mandioca. Foto: Jackson de Araújo dos Santos/Embrapa
A programação foi dividida em três estações temáticas: manejo de bananal de forma adequada; identificação e combate a pragas; e práticas de pós-colheita e armazenamento para valorizar o produto na hora da venda.
Segundo Cristiane Ramos de Jesus, pesquisadora da Embrapa Amapá, a parceria entre instituições públicas e lideranças indígenas é essencial para fortalecer a produção local.
“Queremos que os produtores conheçam o bananal, conversem com técnicos e agricultores experientes, e levem esse modelo para suas áreas como alternativa de renda”, explicou.
Kelson Vaz, presidente do Rurap, destacou que a banana é uma opção viável para os agricultores que enfrentam perdas com a mandioca. “Enquanto buscamos soluções para a praga, oferecemos outras opções de cultivo. A banana é uma boa alternativa, já conhecida por muitos produtores”, disse.
Praga ‘vassoura de bruxa’ deixa plantio de mandioca com aspecto amarelado ou verde claro. Foto: Divulgação/Embrapa
Dia de Campo
O Dia de Campo faz parte do projeto de enfrentamento à vassoura-de-bruxa da mandioca, financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), por meio do TED Indígena. A iniciativa é coordenada pela Embrapa Amapá, com apoio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Rurap, Prefeitura de Oiapoque, Instituto Iepé, Conselho de Caciques Indígenas e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Foi encontrado três dias após ficar perdido em uma área de floresta. Foto: Alexander Lees
O agricultor Sérgio Dias da Silva, de 55 anos, foi encontrado três dias após ficar perdido em uma área de floresta na comunidade Canoas, em Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas. Segundo ele, o desaparecimento aconteceu no fim da tarde do dia 4 de outubro após uma experiência sobrenatural com o que chamou de “visões” na mata.
“Eu estava em casa, tinha feito a janta, quando vi umas visões me chamando. Entrei na mata e me perdi. Tentei voltar, mas não consegui”, relatou.
Exausto e com o corpo coberto de arranhões, ele contou que sobreviveu sem comida e quase sem água, guiado apenas pela experiência na mata e pela fé. “Passei quase três dias sem comer e dois dias sem tomar água. Aguentei na marra. Eu só pensava que, se dormisse, algum bicho me comia”, contou Sérgio, ainda com arranhões pelo corpo e os pés feridos.
Foi encontrado três dias após ficar perdido em uma área de floresta. Foto: Divulgação
Sem rumo, ele caminhou por horas acreditando estar no caminho de volta, mas foi se afastando cada vez mais. “Fui muito longe, muito longe mesmo. Não sei nem por onde andei. Quando percebi, já estava no meio da floresta fechada”, contou.
Três dias de fome
Sérgio contou que no primeiro dia ainda achou uma pequena fonte de água, mas depois enfrentou sede e fome. “Foram dois dias sem nada. A fome a gente aguenta, mas a sede é pior. Eu procurei fruta, mas não tinha. Só achei uma orelha-de-pau, mastiguei mesmo sem dente. Rasgou minha garganta, mas desceu”, lembrou.
Agricultor Sérgio Dias da Silva que passou três dias perdido na floresta do Amazonas — Foto: Francisco Carioca/Rede Amazônica
Mesmo debilitado, ele continuou caminhando, se abrigando sob troncos caídos durante a noite e se protegendo de animais. “Eu não tenho medo de onça, mas de cobra eu tenho. Dormia no chão, coberto de folha. Carrapato era igual formiga”, contou.
No segundo dia, quando já estava fraco, Sérgio acredita ter caminhado mais de 30 quilômetros. “Foi o dia mais difícil. Tudo seco. Tentei atravessar uma pedreira, mas não consegui. Se eu não parasse ali, acho que nem andava mais uns 300 metros”, afirmou.
No terceiro dia, ele diz ter recebido um “sinal divino” que o guiou até o caminho de volta. “Eu vi como se fosse um anjo me mostrando uma direção, uma seta no chão. Segui por ali e encontrei o caminho”.
Resgate
Moradores da comunidade, com apoio do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil Municipal e cães farejadores, iniciaram as buscas dois dias após o estar perdido. Sérgio foi localizado em um igarapé, debilitado e com ferimentos leves causados pela vegetação.
Agricultor Sérgio Dias da Silva que passou três dias perdido na floresta do Amazonas — Foto: Francisco Carioca/Rede Amazônica
Segundo ele, o momento do resgate foi de grande emoção. “Estava lavando meu calção pra eu atravessar quando vi o povo na beira do barranco. Eu fiquei alegre, eles também”, contou.
Logo depois, foi levado ao Hospital de Presidente Figueiredo, onde recebeu soro e alimentação. “Me trataram muito bem, me deram comida boa e me medicaram. Agradeço ao povo do Canoas, ao Corpo de Bombeiros, à polícia e à minha família. Se não fosse por eles, eu não estava aqui”, disse.
Por Sabrina Rocha, Francisco Carioca, g1 AM, Rede Amazônica — Manaus
A emoção do Círio de Nazaré, celebrado no último dia 12 de outubro, ultrapassou as ruas e chegou ao coração das pessoas por meio da solidariedade. No dia 11, durante a campanha de arrecadação do Círio na Rede, a Fundação Rede Amazônica (FRAM) promoveu mais uma corrente de amor ao próximo, reunindo centenas de fiéis e voluntários dispostos a fazer a diferença.
Este ano, o ponto de arrecadação montado na Praça Santuário de Fátima, em Macapá, se transformou em um verdadeiro símbolo de fé e cooperação. Desde as primeiras horas da manhã, famílias inteiras se uniram em um só propósito: doar. O resultado foi expressivo — 4 toneladas de alimentos não perecíveis, uma marca que superou as mais de 3 toneladas arrecadadas no ano passado.
O gesto, simples mas poderoso, representa mais do que números. Cada alimento entregue carrega consigo um ato de fé, esperança e amor ao próximo. Para a Fundação Rede Amazônica, idealizadora da ação, o sucesso da campanha reforça o compromisso social da instituição e o poder transformador da união entre comunicação e solidariedade.
“O Círio na Rede deste ano foi um exemplo de fé e compromisso coletivo. Conseguimos superar a arrecadação do ano anterior, alcançando a marca de 4 toneladas de alimentos. Esse resultado é fruto da generosidade e do engajamento do povo macapaense, que se uniu em prol de quem mais precisa. Ver a comunidade mobilizada, participando e contribuindo, revela a força da união e do espírito solidário que marcam a nossa fé”, destacou a diretora executiva da Fundação Rede Amazônica, Mariane Cavalcante.
Os alimentos arrecadados serão destinados as famílias em situação de vulnerabilidade, que recebem assistência da Diocese, o que garante que a mensagem de esperança do Círio se mantenha viva por muito mais tempo.
Processo de troca de exoesqueleto da cigarra dura até duas horas, o que explica a estrutura intacta — Foto: Celso Silvério/Acervo Pessoal
Com seu canto em coro, chamativo e característico, as cigarras intrigam curiosos, alimentando a crença popular de que seu som anuncia a chegada da chuva. Mas prepare-se para desmistificar essa ideia! O professor de Ciências Biológicas do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Fabrício Escarlate, revela que essa conexão não é uma simples resposta às mudanças climáticas. Na verdade, o processo é muito mais complexo, envolvendo respostas fisiológicas intrínsecas à regulação hormonal e à idade desses fascinantes insetos.
“Quando o ambiente sinaliza a chegada das chuvas, o sistema nervoso das cigarras interpreta essa mudança e estimula a transição para a fase adulta. Isso ocorre por meio dos hormônios da muda e o juvenil, que regulam a transição entre a forma jovem e a fase adulta das cigarras”, revela o docente do CEUB. Ou seja, a cigarra não “prevê” a chuva, mas sim reage a um conjunto de mudanças ambientais que desencadeiam sua maturidade: “As cigarras não estão percebendo a chuva, mas sim respondendo às mudanças ambientais”.
Com seu canto em coro, chamativo e característico, as cigarras intrigam curiosos. Foto: Anais Prestes
A reprodução delas, segundo Fabrício, coincide com a estação chuvosa. Isso ocorre devido à disponibilidade de recursos nesse período. A sazonalidade das chuvas e a oferta de alimentos desempenham um papel crucial no ciclo reprodutivo. “Essa relação entre cigarras e chuva pode variar em diferentes regiões e biomas, dependendo das condições ambientais específicas”, explica.
Coro masculino da sedução
E a intensidade desse som? O biólogo revela que os machos possuem 11 órgãos especializados no abdômen, chamados “órgãos cimbálicos”, que são os verdadeiros produtores dessa sinfonia. O objetivo? Atrair as fêmeas! E o volume é impressionante: o canto pode atingir mais de 120 decibéis, um nível comparável ao de uma britadeira ou de um show de rock.
A cigarra não “prevê” a chuva, mas sim reage a um conjunto de mudanças ambientais que desencadeiam sua maturidade. Foto: Riuler Corrêa Acosta/Cedida
Portanto, o canto das cigarras não é um barômetro natural, mas sim um elemento vital na fase de reprodução da espécie, uma estratégia de acasalamento que ecoa pela natureza. “Da próxima vez em que ouvir o canto das cigarras, lembre-se que é mais do que uma simples melodia. É a história da adaptação desses insetos à sua busca pela sobrevivência na natureza”, completa Fabrício Escarlate, convidando-nos a ouvir com novos ouvidos.
*Com informação da Centro Universitário de Brasília (CEUB)
O ucuqui é um fruto nativo da região amazônica que pertence à família Sapotaceae e se destaca por crescer espontaneamente às margens do rio no Alto Rio Negro. Embora pertença ao cotidiano das comunidades ribeirinhas e de povos indígenas da região, a fruta ainda é pouco conhecida no restante do país.
O fruto cresce no ucuquizeiro, uma árvore de porte alto e troncos retos, e apresenta formato semelhante ao de uma pera, com a casca amarelada e espessa que protege a polpa e as sementes.
No entanto, sua aparência externa lembra a de um abacate, embora a casca do ucuqui seja mais grossa e resistente, o que faz com que a fruta seja difícil de abrir, aumentando sua durabilidade natural.
A polpa branca, doce e de textura pastosa, tradicionalmente é consumida in natura ou na forma de mingau e bebidas.
Apesar de agradável ao paladar, o consumo exige moderação, já que a fruta é considerada ‘forte’ e adstringente, portanto recomenda-se comer no máximo duas ou três unidades, para evitar irritações na boca.
Além disso, o fruto também pode ser usado como vermífugo natural, quando ingerido nas primeiras horas da manhã, aproveitado como no artesanato, como colares, brincos e pulseiras.
Com o objetivo de preservar e estudar o ucuqui, a Embrapa Amazônia incluiu a espécie em sua coleção de fruteiras nativas. Os primeiros estudos realizados pela Embrapa avaliaram 15 frutos, possibilitando a caracterização detalhada da espécie.
A polpa, parte comestível, correspondeu em média a 10% do peso total do fruto, variando entre 26g e 99g.
No entanto, as sementes, geralmente em número de uma por fruto, são grandes, com peso médio de 65,5 g.
Apenas dois dos frutos avaliados apresentaram duas sementes, sendo mais comum a presença de apenas uma.
A análise desses dados apontou uma variabilidade genética na espécie, especialmente em relação à polpa, o que é um indicativo importante para programas de melhoramento genético, pois mostra que é possível selecionar plantas com maior rendimento de polpa, tornando a fruta mais atrativa para consumo e para a indústria de alimentos.
Pesquisas genéticas buscam melhorar criação de tambaquis. Foto: Cimone Barros/Inpa
Uma série de palestras do Programa de Pós-Graduação em Aquicultura da Universidade Nilton Lins em parceria com o Centro de Aquicultura da Universidade Estadual Paulista (Caunesp) reforçou a cooperação acadêmica e científica entre as instituições nas áreas de aquicultura e genômica aplicada a peixes amazônicos, com destaque para o tambaqui.
A nova colaboração amplia esse alcance, permitindo o intercâmbio de pesquisadores, projetos conjuntos e o uso de tecnologias avançadas de melhoramento genético. Segundo o professor Renato Barbosa Ferraz, pesquisador em aquicultura e genômica da Universidade Nilton Lins, “as palestras e intercâmbios com a Unesp reforçam o compromisso da instituição com a pesquisa científica aplicada e com o avanço da aquicultura sustentável na Amazônia”.
As palestras abordaram as mais recentes descobertas científicas na área de genética e sanidade de peixes, com foco no tambaqui, uma das espécies mais importantes para a piscicultura nacional. O biólogo e pesquisador Diogo Teruo Hashimoto e o zootecnista e pós-doutorando John Fredy Gómez Agudelo, ambos do Centro de Aquicultura da Unesp, ministraram as apresentações das pesquisas.
Inteligência artificial
Hashimoto explicou como a combinação de fenômica e inteligência artificial (IA) está transformando o melhoramento genético de peixes. A tecnologia utiliza sensores e imagens para coletar milhões de dados dos animais, processados por sistemas de IA de forma semelhante ao reconhecimento facial, permitindo identificar peixes com melhor desempenho e resistência a doenças.
Tambaqui (Colossoma macropomum). Foto: Wild life animal
“Em colaboração com professores da Nilton Lins, formamos um núcleo genético em Manaus junto com o Inpa. Esses animais foram avaliados e fotografados, e usamos esse banco de dados para treinar a máquina de inteligência artificial a extrair as informações dos peixes”, disse o biólogo.
O projeto resulta de uma colaboração entre Unesp, Universidade Nilton Lins e Inpa, com apoio da Fapeam e da Fapesp, fortalecida em 2024 por um convênio entre os programas de pós-graduação das instituições.
Na sequência, o zootecnista John Agudelo mostrou os progressos no uso da seleção genômica para combater os acantocéfalos, parasitas que afetam a produção de tambaqui na Amazônia. O pesquisador explicou que o melhoramento genético é uma alternativa eficaz para desenvolver peixes mais resistentes.
Pesquisas genéticas buscam melhorar criação de tambaquis no Amazonas. Diogo Hashimoto (Pesquisador da Caunesp)
“Nessa análise, foram identificados genes relacionados ao estresse, à integridade celular e ao sistema de defesa dos peixes. Selecionando esses genes, é possível obter indivíduos mais resistentes”, afirmou Agudelo.
O estudo demonstrou que a seleção genômica, baseada na leitura direta do DNA, aumenta a precisão e a velocidade da seleção de características desejáveis, sendo uma ferramenta promissora e de baixo custo para a evolução da aquicultura sustentável.
Para a professora Cleuciliz Santana, vice-reitora para projetos de Pós-graduação, Pesquisa e Inovação da Universidade Nilton Lins, o Programa de Mestrado e Doutorado em Aquicultura coordenado pela instituição é estratégico para o Amazonas e para a segurança alimentar na Região Norte. “Poder contar com a parceria de pesquisadores da Unesp, um importante centro de aquicultura no Brasil, amplifica a qualidade das pesquisas realizadas localmente”, completou Santana.
Edna Frazão Ribeiro em trajes de banho. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br
Segundo o autor Leandro Tocantins, Manaus era uma cidade de suaves colinas e que desdobrava-se em vistas múltiplas para quem a cruze nas avenidas e ruas de seu lúcido urbanismo.
“E não deixa de impressionar a obra urbanizadora da capital, creditada ao Governador Eduardo Ribeiro, O Pensador (assim os amazonenses costumavam chamá-lo). A topografia da cidade antes de Eduardo Ribeiro vislumbrava-se em cortes hidrográficos com os seguintes igarapés: Salgado, Castelhana, Bica, Espírito Santo, Manaus, Cachoeirinha, São Raimundo e Educandos. As fachadas residenciais, embora com predomínio neoclássico, apresentava muito sinais de art nouveau. Notável é o foyer de honra, em puro estilo veneziano, com mármores, espelhos e candelabros importados”. Pág. 230¹
Primeiro Concurso de Miss Brasil
Edna Frazão Ribeiro, diferente de outras misses eleitas neste período, teve sua escolha através dos diários associados na época do Jornal do Comércio e Rádio Baré que, enquanto a rádio divulgava o concurso em si o Jornal do Comércio fazia publicar um folheto para que a população recortasse e coloca-se seu voto, que era recebido através de urna na porta do Jornal. Desta forma ela foi a primeira e única a ser escolhida através do voto popular.
A sociedade manauara, através dos dois principais clubes sociais da época, Ideal Clube e principalmente o Atlético Rio Negro Clube, também estavam engajados no processo da escolha da candidata. A viagem ao Rio de Janeiro, cidade onde ocorreria o evento, foi longa. Edna se fez acompanhar pelo seu irmão.
Mulher morena de estatura moderada, rosto iluminado e se faz apresentar naquele momento usando um belo vestido azul-ferrete, partido de branco, com motivos bordados multicoloridos. Em plena elegância moderna para época trazia em seu pescoço um colar gracioso de contas triangulares.
Ela era filha de Adrião Ribeiro Nepomuceno e de Rosa Frazão Ribeiro. Uma de suas principais características era o sorriso que mostrava graça e encantamento.
Embora seu encantamento pela cidade maravilhosa, a nossa miss amazonas destacou-se aos jornais da época no Rio de Janeiro que trazia consigo as lembranças e impressões de nossa região sem nenhum momento perderam o encantamento da cidade que ora visitava. Normalista, dedicada aos estudos, tinha como maior passatempo o conhecimento através de leituras. Seus autores preferidos eram Gonçalves Dias e Castro Alves. Destacava também que papel da mulher na sociedade era o lar.
Declarava também à época que não era desportista, mas admirava a natação. Sua cor predileta era rosa, gostava de pintura e música, amava o sol e quando caminhava pela rua sequer procurava o lado da sombra, afinal vinha de uma cidade de exuberante natureza e rios caudalosos. Apreciava também os passeios de bonde.
Esses pormenores foram dados como entrevista para a revista Flores do Brasil – O livro das Misses, com texto de Raimundo Lopes e desenhos de Porciúncula Moraes, publicado no Rio de Janeiro em maio de 1929. No seu retorno a Manaus ela foi efusivamente recebida pelo povo e homenageada na então sede do Atlético Rio Negro Club, na rua Barroso nº 15.
Sede do Atlético Rio Negro Clube. Rua Barroso, 1929. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
A formação da família
Transcorria o ano de 1930, o jovem magistrado João Pereira Machado homem probo e fiel defensor dos ensinamentos da magistratura que transformara sua vida em sonhos e muito trabalho, apaixonou-se pela beleza e pelo caráter da então jovem Edna Frazão Ribeiro e, assim, casaram-se dando início suas histórias de vida, deixando a cidade de Manaus para trabalhar nos confins do Amazonas na cidade de Humaitá.
Enfrentaram o mundo desconhecido de rios, florestas e muita dificuldade para adaptar-se a nova realidade que com muita coragem desnudaram silenciosamente a tão almejada felicidade. Esse é um aspecto peculiar guardado na memória de um de seus filhos, o médico e humanista Gil Machado, que busca da memória para viajar no tempo como se houvesse falas de um período não muito distante a contar passo a passo esse tempo vivido.
O médico Gil Machado voltou no tempo e com voz pausada sem esmorecer dá lugar ao olhar vazio que vem de dentro de si mesmo para rememorar este tempo sustentado por esteios de forte lembrança. O tempo passa e a família cresce com o nascimento de sua primeira filha, Cláudia Rosa. Era o ano de 1932. Em 1933, celebra-se a chegada do segundo filho João Lúcio e, em 1936, o terceiro filho Gil Machado.
Edna Frazão Ribeiro. Miss Amazonas, 1929. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Estava a porta o ano de 1940 e, por força de sua profissão, a família transfere-se para a cidade de Parintins, os tempos eram difíceis e havia na família uma preocupação relacionada aos estudos dos filhos e dessa forma Cláudia Rosa passou a ser aluna interna do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora e, em seguida, João e Gil também seguem o mesmo caminho: passaram a ser alunos internos do Colégio Dom Bosco.
Em 1943 João Pereira Machado perde sua companheira, naquele período a situação das cidades do interior era muito difícil sem água tratada. Edna contrai o Tifo, doença implacável e sem grandes recursos, e ela vem a falecer, somente em 1950 foi descoberto o antibiótico que combateria este mal, chamado (Cloromicetina). O jovem magistrado tinha que continuar a criação dos filhos e a proposta de uma educação condizente. E assim, o jovem magistrado em 1945 contrai núpcias com Maria Arminda Botelho Mourão de família tradicional e filha do Desembargador Hamilton Mourão. Deste casamento nasceu sua filha Edna Maria Mourão Pereira Machado.
Os filhos Gil e João Lúcio foram estudar no Colégio Pedro II, (hoje Colégio Estadual do Amazonas) e, mais tarde João Lúcio e Gil concluíram o curso de Medicina na Faculdade Federal Fluminense do Rio de Janeiro. O magistrado João Pereira Machado transfere-se para Manaus ainda como Juiz e tempo depois assume o cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas.
Seu filho e médico João Lúcio Machado deu uma importante contribuição na área da medicina para o Estado do Amazonas e empresta seu nome ao grande hospital na zona leste de Manaus.
Quando foi prefeito de Parintins Gláucio Gonçalves juntamente com a Câmara Municipal de Parintins presta em memória de Edna Frazão Ribeiro uma significativa homenagem, além de eloquentes discursos permitiram o translado dos restos mortais de Edna para Manaus e aqui foi enterrada na sepultura perpétua no Cemitério de São João Batista onde já encontrava-se seu esposo João Pereira Machado.
Associação Comercial do Amazonas na época. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Fontes
Revista Café e Cultura – Jornalista Giuliana Vallone
¹TOCANTINS, Leandro. O Rio Comanda a Vida – Uma interpretação da Amazônia. 9ª edição. Manaus: Editora Valer/Edições do Governo do Estado, 2000. Página 230
*Informações dadas pelo seu filho o médico e humanista Gil Machado
Sobre o autor
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Foto: Assessoria de Comunicação/Funai
Um acordo de cooperação técnica foi assinado entre a Advocacia-Geral da União (AGU), a Secretaria-Geral da Presidência da República (SG PR), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e outras instituições para a tradução da Convenção nº 169 daOrganização Internacional do Trabalho (OIT) para as 10 línguas indígenas mais faladas no país. A convenção é um tratado internacional que protege os direitos de povos indígenas e tribais no mundo, como respeito à sua cultura e autodeterminação.
“Esse é um ato histórico de justiça que abre caminhos para a cidadania plena”, afirmou o advogado-geral da União substituto, Flávio Roman. O propósito, acrescentou, é seguir com a diretriz determinada pelo presidente Lula de colocar o povo em primeiro lugar. “Nesse caso, são os povos indígenas que se tornarão protagonistas, conhecendo seus direitos”, declarou o advogado-geral da União substituto e secretário-geral de consultoria, Flavio Roman.
A convenção é um tratado internacional que protege os direitos de povos indígenas e tribais no mundo. Foto: Renato Menezes/AscomAGU
A celebração do acordo representa o compromisso do Governo Federal com a pauta indígena, assegurou a secretária nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas da Secretaria-Geral da Presidência da República, Kenarik Boujikian. Ela lembrou de outra parceria em curso entre a AGU, MPI e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) que visa a tradução da Constituição, ODS e da própria OIT 169 para as línguas Tikuna, Kaiowá e Kaingang – o programa Língua Indígena Viva no Direito, indicando que o acordo que celebram atenderá outras dez línguas indígenas mais faladas no Brasil, segundo levantamento do IBGE.
O advogado-geral da União substituto observou que o programa Língua Indígena Viva no Direito preserva a riqueza e o patrimônio cultural e resulta no enriquecimento de toda a população.
Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Foto: Assessoria de Comunicação/Funai
O diretor do Escritório da OIT para o Brasil, Vinicius Carvalho Pinheiro, ressaltou a importância da tradução da Convenção 169 para garantir direitos e proteção aos territórios e ainda o direito ao trabalho decente.
A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, disse que o ato para a tradução de um instrumento legal e internacional garante o direito dos povos indígenas e significa transformar o sistema como protagonista. “As traduções facilitam o entendimento da Constituição e é fundamental para a compreensão dos direitos pelos indígenas”. Sônia Guajajara acrescentou que a parceria com a AGU para traduzir a Constituição foi abraçada rapidamente pelo ministro Jorge Messias.
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
A geração dos anos 1940, em particular, nasceu e cresceu bebendo refrigerante de guaraná. A indústria se expandiu, enquanto algumas marcas ficaram, à margem do caminho, outras lideram o setor no século XXI. Quem não recorda dos tempos de colégio, anos 50 e 60 do século passado, quando garotos do Colégio Estadual do Amazonas, Brasileiro ou IEA tomavam bonde até a Caixa D’Água, e daí, à pé, corria até o Clube Parque Dez de Novembro para jogar futebol. A passagem em frente a Magistral era incontornável, parada obrigatória para uma “visita” ao Sr. Cruz, que, de coração aberto, usualmente contribuia com iniciativas estudantis. De passo em passo a empresa logo se tornaria uma das mais importantes expressões empresariais do mercado de refrigerante de guaraná no Amazonas.
Fundado em 1945 pelo comendador José Cruz, industrial do ano em 1971, a marca, como diz seu presidente Luiz Cruz, “se entrelaça com a história da nossa família”. Nascido em Nagosa, Distrito de Viseu, Portugal, a 28 de junho de 1911, o Comendador José Cruz fez o percurso de tantos portugueses que deixaram a terra natal em busca de oportunidade: motivado pelo desejo de conquista e esperança de encontrar no Brasil acolhimentos, estabeleceu-se em Manaus, onde fincou suas raízes e iniciou sua trajetória empresarial. Por força de liderança e carisma, tornou-se um dos empreendedores mais respeitados do Amazonas, gozando de reconhecimento e admiração, fato que o credenciou junto aos seus pares, sendo eleito vice-presidente da Associação Comercial do Amazonas, presidente do Conselho da Comunidade Portuguesa e Luso-Brasileira e do Hospital Beneficente Portuguesa, ao qual dedicou grande parte de sua vida.
O empresário Luiz Carvalho Cruz, diretor-superintendente da J. Cruz Indústria de Bebidas (Magistral) compartilha a direção da empresa com o irmão Vítor Cruz e José Cruz Neto, foi homenageado pelo Sistema FIEAM como “Industrial do Ano 2025”, em cerimônia realizada em maio passado. Na oportunidade foram também agraciados Glauco Luzeiro (Microindustrial do Ano) e a Recofarma (Exportadora do Ano 2024). O prêmio Fieam reconhece a liderança na empresa, que celebra 80 anos, uma das mais longevas do Amazonas, ao lado do Grupo Bemol. A Magistral, ao que demonstra sua história, adotou política de crescimento gradual, progressivamente com base na qual foi diversificando seu portfólio com a fabricação de refrigerantes de vários outros sabores assim como a industrialização de água mineral, sempre alicerçada no forte compromisso com a qualidade, a comunidade e o desenvolvimento sustentável no Amazonas.
A história do refrigerante de guaraná no Amazonas tem como referência a segunda metade do século XX em Manaus. O decano do setor, o Magistral, com os selos Magistral, Gold, Regente e Tauá, mantém-se, aos 80 anos, altaneiro representante da iniciativa empresarial do Estado. Ao lado de importantes marcas como o Baré (Ambev); Tuxaua, grupo Simões e Real, da família Pio de Souza, líderes absolutos do mercado. A Magistral cresceu com esforço e soube se reinventar diante dos desafios encontrados ao longo dessas oito décadas. Hoje, ao que afirma Luiz Cruz, “observar que continuamos sendo reconhecidos mais de 50 anos depois é motivo de orgulho, mas, também, de responsabilidade com esse legado que herdamos de nosso pai, o qual devemos fortalecer”. Outras marcas, que remontam aos anos 50, 60 e 70, como o Luzéia, Líder, Andrade e Guti Guti, por razões diversas, tiveram suas atividades encerradas.
No interior do Estado, destaca-se a cidade de Itacoatiara, conhecida por ter uma história de produção local e pela presença de marcas antigas como Guaraná Xexuá (que funcionou até a década de 1970), Guaraná Guanabara (saiu do mercado em 1980) e Guaraná Rio Negro. Maués, a capital nacional do guaraná, concentra-se basicamente na produção do “Guaraná Orgânico de Maués ®”, produto in-natura, o guaraná em pó, totalmente diferente do refrigerante. Cultivado por pequenos produtores em regime de agricultura familiar.
Não tendo acesso a máquinas pesadas e implementos, o fruto é colhido um por um escolhendo somente os maduros, despolpado a mão e lavado em águas limpas antes de ser torrado por mais de 6 horas nos tradicionais tachos de barro para retirar toda a umidade e liberar os aromas característicos. Essa torrefação especial permite que seja retirada aquela película da semente (casquilho) e assim transformado em bastão ou moído com peneiras ultrafinas. Por isso o pó é altamente solúvel e com um sabor inconfundível.
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
A “Carta de Belém” foi assinada pelas principais redes de pesquisa. Foto: Divulgação
O encontro “Conexões Amazônicas: Ciência e Rede para a COP 30”, ocorrido na Universidade Federal do Pará (UFPA) no final do mês de setembro, foi o palco da criação da “Carta de Belém”, documento assinado pelas principais redes de pesquisa em sociobiodiversidade e clima da Amazônia, que reúne proposições, desafios e oportunidades para a Ciência Amazônica informar as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) do Brasil.
A Universidade Federal do Pará (UFPA) foi palco para criação da Carta de Belém. Foto: Divulgação
O que diz a Carta? Na capital paraense, sede da COP 30, os cientistas apresentaram propostas, por eixos temáticos da NDC. A seguir, você confere um resumo dos principais pontos.
Eixo II – Como as florestas, o oceano, as águas continentais e a biodiversidade devem ser geridos, segundo os cientistas Pan-Amazônicos?
Eles sugerem, por exemplo, que os ecossistemas aquáticos, marinhos e límnicos (de água doce), bem como os florestais e de áreas úmidas, devem receber monitoramento de longo prazo, a partir de programas como os PELDs e PPBios. Além disso, o trabalho deve ocorrer com abordagens participativas, incluindo os povos e comunidades tradicionais.
A partir de suas experiências em campo, eles apresentaram também recomendações de quais tecnologias devem ser utilizadas nesse monitoramento, e apontam como fundamentais o desenvolvimento e a aplicação de processos e produtos químicos sustentáveis que reduzem a geração de resíduos, o consumo de energia e a emissão de gases de efeito estufa.
Eixo III – É preciso urgência em novos Planos de Agricultura e sistemas alimentares!
Os cientistas enfatizam na carta de Belém que os impactos das atividades do agronegócio e de toda a infraestrutura envolvida, como as ferrovias, rodovias e hidrelétricas, devem ser avaliados. Do mesmo modo, as práticas produtivas de baixo impacto e com o envolvimento participativo dos povos e comunidades tradicionais devem ser incentivadas.
Tecnologias sociais e Agroecologia são essenciais. Além disso, todos devem estar integrados a essas necessidades: as comunidades internacionais precisam optar por produtos alimentícios oriundos de sistemas sustentáveis, clama o documento.
Eixo IV – Como proteger as cidades e suas populações ante os efeitos das mudanças climáticas?
Diagnósticos participativos sobre os impactos de grandes empreendimentos; fomento e apoio aos municípios para elaboração dos seus Planos Municipais sobre Mudança do Clima, como preconiza o Plano Nacional; além de estratégias de controle e profilaxia de agentes causadores de doenças em animais e humanos a partir das condições de uso e ocupação da terra, estão dentre as recomendações.
Eixo V – Desenvolvimento humano e social
Para os pesquisadores, quando o mundo fala em Amazônia e a ênfase recai sobre o meio ambiente e o clima, há uma grande falha em desconsiderar seus habitantes. Neste contexto, eles argumentam ser de extrema relevância tomadas de decisão como a “criação e execução de programas de formação intercultural voltados para jovens e adultos amazônidas, unindo saberes acadêmicos e ancestrais, desde o nível básico até o ensino superior; a construção de programas de formação e fixação de jovens pesquisadores na Amazônia, em conjunto e com ênfase em pesquisadores indígenas e de comunidades tradicionais; e a implementação de escolas de campo da sociobiodiversidade, como espaços de ensino, pesquisa e extensão para comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e periféricas”.
Eixo VI – Objetivos transversais
Além de reconhecer que a produção do conhecimento científico é fortalecida a partir das contribuições de povos e comunidades tradicionais da Amazônia, os pesquisadores acentuam que todo esse trabalho necessita de integração entre redes e instituições brasileiras e internacionais que reconhecem e promovem o protagonismo da Amazônia como polo de soluções globais, e também para a troca de metodologias e escalonamento de soluções na Pan-Amazônia e em outras regiões tropicais. Também recomendam na Carta de Belém a democratização do conhecimento científico, comunicando os resultados das pesquisas em linguagem simples para tomadores de decisão, comunidades e sociedade civil, ampliando o impacto das evidências.
Reivindicações
A Universidade Federal do Pará (UFPA) foi palco para criação da Carta de Belém. Foto: Divulgação
Os pesquisadores identificaram demandas estruturais para garantir a efetividade da participação da ciência na região, com destaque para: Investimento massivo na formação de base do cidadão amazônico; Editais contínuos e de longo prazo, para fortalecimento dos programas de pesquisa na Amazônia; – Cumprimento dos compromissos assumidos pelas Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) – que também devem complementar bolsas e editais; Fortalecimento das Universidades e Instituições de Pesquisa amazônicas; Criação de um programa de comunicação pública da ciência da Amazônia; e a Inclusão da justiça climática como princípio transversal para orientar todas as ações da NDC.
*Com informação da Universidade Federal de Roraima