Conhecido como “ave fantasma” por seus gritos assustadores e incrível capacidade de camuflagem, um urutau foi resgatado desorientado no dia 10 de outubro no Centro de Porto Velho (RO), durante uma forte chuva que atingiu a capital.
O empresário Matheus Corrêa, de 27 anos, que atua há seis anos no resgate de animais silvestres, foi acionado para prestar socorro. Segundo ele, a ave caiu de uma árvore e estava desnorteado devido às condições climáticas.
“Como a ave é noturna, ficou bastante confusa com a tempestade. Não pude deixar de ajudá-la”, relatou Matheus.
O resgate chamou a atenção de quem estava no local, mas foi realizado com tranquilidade e sem incidentes. Após o atendimento inicial, o urutau foi levado a um médico veterinário, que realizou uma triagem e constatou que o animal estava saudável e apto a retornar à natureza.
A soltura ocorreu à noite, em uma área afastada da cidade, respeitando o comportamento noturno da espécie. Apesar da aparência incomum, o urutau não representa risco às pessoas, e todo o processo de resgate foi feito de forma segura.
Urutau resgatado em Porto Velho. Foto: Matheus Corrêa/Arquivo pessoal
O que é um urutau?
O urutau é uma ave noturna encontrada em grande parte da América do Sul, incluindo a Mata Atlântica, Amazônia e Cerrado, e também em regiões da América Central. Seu nome popular está associado ao canto melancólico e misterioso, que inspirou diversas lendas e superstições, muitas vezes relacionadas ao mau agouro ou ao amor.
Uma das características mais impressionantes do urutau é o seu mimetismo: ele se camufla perfeitamente em troncos e galhos secos, permanecendo imóvel com o corpo ereto, o que o torna praticamente invisível aos predadores.
Carnívoro, o urutau se alimenta exclusivamente durante o voo, capturando insetos com a boca aberta, um comportamento que dificulta sua sobrevivência em cativeiro. Solitário por natureza, apresenta um comportamento reprodutivo minimalista, a mãe cuida do filhote apenas enquanto ele “cabe” por perto, e o pai não participa dos cuidados.
Essas características, somadas à dificuldade de criação em cativeiro, ajudam a proteger a espécie do tráfico de animais. No entanto, o desmatamento continua sendo sua principal ameaça.
Desde o dia 9 de outubro, agricultores do Amazonas tem acesso a uma nova variedade de mandioca desenvolvida para as condições de solo e clima da região. Trata-se da BRS Jacundá, cultivar criada pela Embrapa Amazônia Ocidental (AM), que promete impulsionar a produção ao oferecer produtividade mais de 300% superior à média estadual, além de resistência a pragas e doenças e características que atendem ao gosto tradicional da população local.
Com características agronômicas superiores, a BRS Jacundá ainda possui polpa amarela, ideal para a produção de farinha de mesa.
Lançamento durante dia de campo
A nova cultivar foi apresentada ao setor produtivo durante um dia de campo, realizado na sede da Embrapa, em Manaus (AM). O evento conta com a presença de produtores rurais, técnicos da extensão rural, produtores de maniva-semente, representantes da agroindústria e parceiros institucionais. Na ocasião, foram divulgados dados compilados a partir das experiências de produtores que já testaram a mandioca em seus plantios.
Segundo o pesquisador da Embrapa Ferdinando Barreto, a nova cultivar é adaptada ao ambiente de terra firme e tem potencial para fortalecer a cadeia produtiva da mandioca, especialmente em regiões como o Médio Solimões, onde a cultura é base da economia agrícola.
A cultivar apresenta produtividade de raízes superior a 30 mil quilos por hectare (kg/ha) se comparada à média estadual atual de 10,560 kg/ha, ou seja, é praticamente 300% mais produtiva.
Segundo Barreto, com um manejo adequado, as características qualitativas de raiz e a sua tolerância às principais pragas e doenças tendem a favorecer a adoção da nova cultivar, especialmente em regiões de terra firme.
“Com isso, ela deve contribuir para a segurança alimentar e para o fortalecimento da cadeia produtiva da mandioca no estado do Amazonas”, acredita o pesquisador.
Foto: Maria José Tupinambá
A importância da mandioca para o Amazonas
No Amazonas a mandioca tem sido fundamental no fornecimento de carboidratos, principalmente à população rural de menor renda, contribuindo para a segurança alimentar, a geração de trabalho e renda pela venda do produto ou de seus derivados. Por isso, a cultura possui papel estratégico na vida de milhares de agricultores.
Pesquisas em melhoramento genético de mandioca, desenvolvidas pela Embrapa Amazônia Ocidental, em parceria com a Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA), têm por objetivo identificar materiais genéticos com características agronômicas superiores em comparação aos tradicionalmente em uso pelos produtores do estado.
No Amazonas é hábito consumir farinha de mandioca brava de polpa de coloração amarela. A condição de cor de polpa amarela da BRS Jacundá foi um dos critérios definidos por agricultores para adoção da mandioca, principalmente no processamento da farinha e do tucupi.
Foto: Sara Rangel
Os pesquisadores acreditam que a polpa amarela aliada a outras vantagens como a alta produtividade de raízes, alta disponibilidade de manivas-sementes, alto teor de amido, e tolerância às principais pragas e doenças deve favorecer a ampla adoção da nova cultivar no estado.
A recomendação da BRS Jacundá para o Amazonas também está relacionada ao seu potencial no processamento de farinha. Espera-se que ela seja plantada principalmente em áreas representativas no cultivo de mandioca, como a microrregião do Médio Solimões, de abrangência dos municípios de Tefé, Uarini e Alvarães.
Na microrregião do Médio Solimões, o cultivo de mandioca é a principal atividade agrícola e econômica, atualmente concentrando seus plantios em praticamente uma única variedade: “Catombo”. Tendo como premissa que os cultivos estão permanentemente expostos a estresses bióticos (pragas e doenças) e abióticos (calor, seca, chuvas…), essa situação pressupõe que variedades de mandioca estão em processo de erosão genética, que é a perda gradual da diversidade de genes de uma espécie.
Como foi desenvolvida a nova mandioca?
A BRS Jacundá é resultado de mais de duas décadas de pesquisa e melhoramento genético, iniciadas com a coleta de germoplasma no município de Uarini em 1997. Desde então, passou por rigorosos testes de rendimento, resistência e estabilidade.
Os bancos ativos de germoplasma de mandioca, associados a programas de melhoramento da cultura, contêm material genético que estão sob constante avaliação, e que são usados como base para o desenvolvimento de novas cultivares adaptadas a condições ambientais locais específicas.
A BRS Jacundá é resultante de expedição de coleta de germoplasma realizada no município de Uarini. Esse material genético foi incorporado em 1997 ao Banco Ativo de Germoplasma (BAG) de Mandioca da Embrapa Amazônia Ocidental. De acordo com os agricultores da época, o material genético era de ciclo precoce e fora selecionado em ambiente de terra firme.
Os pesquisadores, então, aplicaram o método de seleção massal no melhoramento da cultivar. Nele, as plantas em campo passaram a ser caracterizadas e avaliadas no BAG da Embrapa, em Manaus (AM), utilizando descritores padronizados para manejo de recursos genéticos da mandioca.
As pesquisas em campo foram iniciadas em 1998 e repetidas por vários ciclos de produção. Em anos subsequentes, a BRS Jacundá participou de diversas avaliações em provas de rendimento agronômico e testes específicos de resistência a pragas e doenças. Também foi submetida a testes de distinguibilidade, homogeneidade e estabilidade (DHE), em ambiente de terra firma de diferentes regiões do estado do Amazonas.
Espaçamentos adequados e populações de plantas ideais são práticas culturais de baixo custo e de fácil adoção pelos agricultores. Em sistemas de plantio solteiro na terra firma, deve-se adotar o espaçamento de 1 m x 1 m, para uma densidade de 10 mil plantas por hectare, situação que também deve ser adotada em plantios mecanizados. Independentemente do sistema de cultivo adotado, recomenda-se evitar plantios sucessivos em uma mesma área, devido ao aumento de podridões de raízes. A cultura da mandioca tem crescimento inicial lento. Quando consorciada, a cultura consorte deve ter crescimento rápido, protegendo o solo, enquanto a mandioca desenvolve a sua copa.
Recomendação de rotação com gramíneas e leguminosas
A produção em sistema de monocultivo, por mais de dois anos na mesma área, provoca degradação física, química e biológica do solo, diminuindo a produtividade da cultura. Na rotação, são usadas outras espécies de plantas na área antes ocupada pela mandioca, evitando a incorporação de novas áreas ao processo produtivo. As espécies recomendadas para uso na rotação são as gramíneas milho e sorgo; e as leguminosas: feijão-caupi, mucuna, tephrosia e flemingia.
O plantio da BRS Jacundá deve ocorrer no início do período chuvoso (novembro e dezembro). Caso necessário, ele pode ser estendido a outros meses, exceto àqueles de menor precipitação pluviométrica.Já o período ideal de colheita da BRS Jacundá varia de oito a dez meses após o plantio. Se necessário, pode ser estendido até 12 meses.
Somente 10 dos 772 municípios da Amazônia Legal foram responsáveis por quase 30% da área desmatada em toda a região nos últimos 12 meses, entre agosto de 2024 e julho de 2025. Conforme o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do instituto de pesquisa Imazon, dos 3.503 km² de floresta destruídos no período, 956 km² (27%) foram dentro dos 10 municípios campeões de devastação, embora eles somem apenas 6% do território amazônico.
Os líderes do ranking foram Lábrea e Apuí, localizados no Sul do Amazonas, que perderam respectivamente 140 e 137 km² de vegetação nativa. Isso equivale à devastação de 76 campos de futebol por dia de floresta, somando quase 30 mil nos últimos 12 meses.
Os outros oito municípios que mais desmataram a Amazônia estão em Mato Grosso (Colniza, Marcelândia e União do Sul), no Pará (Uruará, Portel, Itaituba e Pacajá) e no Acre (Feijó).
Municípios Mais Desmatados – Agosto de 2024 a Julho de 2025
Ranking
Nome
Estado
Área (km²)
1
Apuí
AM
140
2
Lábrea
AM
137
3
Colniza
MT
124
4
Marcelândia
MT
102
5
Uruará
PA
91
6
Portel
PA
89
7
Feijó
AC
78
8
Itaituba
PA
67
9
União do Sul
MT
65
10
Pacajá
PA
63
Ainda entre esses municípios, seis deles também estão entre os dez com maior risco de novas derrubadas apontados pela plataforma de previsão do desmatamento PrevisIA: Apuí, Lábrea, Colniza, Uruará, Portel e Feijó. Esse cruzamento mostra que áreas já identificadas com alta pressão seguem vulneráveis. Ações prioritárias de proteção ambiental nesses municípios e em outros territórios críticos poderiam ter feito o chamado “calendário do desmatamento”, período que por causa do regime de chuvas no bioma vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte, fechar em queda na Amazônia. Porém, o que se viu foi praticamente uma estabilidade. No calendário passado, entre agosto de 2023 e junho de 2024, foram derrubados 3.490 km², 0,4% a menos do que no atual.
“Em relação ao registrado entre agosto de 2022 e julho de 2023, o calendário passado representou uma redução de 46% no desmatamento. Porém, agora tivemos esse leve aumento, o que alerta para a urgência em combater a derrubada nessas áreas mais pressionadas”, afirma Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon.
Imagem: Divulgação/Imazon
No passado, o maior envolvimento municipal no combate ao desmatamento resultou em reduções significativas da destruição. O exemplo histórico desse esforço foi Paragominas, no Pará, onde um programa criado em 2008, chamado Município Verde, fez com que a cidade registrasse uma redução de 90% na derrubada após um ano de trabalho.
À época, a prefeitura e mais de 30 entidades civis firmaram um acordo de combate ao desmatamento, incluindo os produtores de gado, grãos e madeira. O município passou a usar o monitoramento por imagens de satélite para realizar ações de fiscalização e punição e realizou campanhas ambientais, além de uma força-tarefa para registro de Cadastros Ambientais Rurais (CARs), que chegaram a 80% das propriedades em 2009.
A boa notícia foi que no último mês do calendário atual houve uma redução de 45% na destruição da floresta, que passou de 642 km² em julho de 2024 para 352 km² em julho de 2025.
Degradação aumenta quase quatro vezes em 2025
Já a má notícia foi em relação à degradação florestal, que cresceu quase quatro vezes em relação ao calendário anterior, passando de 8.913 km² entre agosto de 2023 e julho de 2024 para 35.426 km² entre agosto de 2024 e julho de 2025. Diferente do desmatamento, que é a remoção completa da vegetação, a degradação ocorre quando a floresta é afetada pelo fogo ou pela extração madeireira.
Esse salto se explica principalmente pelas grandes áreas afetadas por queimadas nos meses de setembro e outubro de 2024.
“A degradação florestal fragiliza a floresta, aumenta a emissão de carbono e deixa a Amazônia ainda mais vulnerável, ameaçando sua biodiversidade e as populações locais. O salto que vimos em 2025 é um sinal de que precisamos olhar com mais atenção para esse tipo de dano”, alerta Manoela Athaíde, pesquisadora do Imazon.
Apenas no último mês, a degradação mais do que duplicou na Amazônia, passando de 175 km² em julho de 2024 para 502 km² em julho de 2025. “Esta foi a segunda maior área degradada desde o início da série histórica, em 2009. O julho mais grave ocorreu em 2016, quando 664 km² foram afetados por esse dano na floresta”, explica Amorim.
Pará, Mato Grosso e Amazonas lideram no desmatamento e na degradação
Os rankings dos estados que mais desmataram e mais degradaram a Amazônia entre agosto de 2024 e julho de 2025 segue a mesma ordem nos três primeiros lugares: Pará, Mato Grosso e Amazonas. Juntos, esses estados foram responsáveis por 76% do desmatamento e 87% da degradação florestal na Amazônia nos últimos 12 meses.
No caso do desmatamento, tanto Pará quanto Mato Grosso apresentaram aumento na área derrubada em relação ao calendário passado, de 6% e de 31%, respectivamente. Outro estado que apresentou crescimento na devastação foi o Tocantins, de 8%.
Estados Mais Desmatados – Agosto de 2024 a Julho de 2025
Ranking
Estado
Área (km²)
Variação
1
PA
1.170
6%
2
MT
747
31%
3
AM
739
-7%
4
AC
372
-4%
5
RR
182
-14%
6
RO
154
-26%
7
MA
106
-36%
8
TO
26
8%
9
AP
7
-59%
Já em relação à degradação, a maioria dos estados apresentou aumento, sendo os mais expressivos Rondônia (1.200%), Mato Grosso (852%) e Pará (449%). Apenas dois estados tiveram redução na área degradada: Tocantins (-10%) e Roraima (-99%).
Estados Mais Degradados – Agosto de 2024 a Julho de 2025
Ranking
Estado
Área (km²)
Variação
1
PA
18.228
449%
2
MT
9.596
852%
3
AM
3.116
291%
4
RO
2.939
1.200%
5
MA
945
223%
6
TO
321
-10%
7
AC
230
265%
8
AP
35
46%
9
RR
16
-99%
Acesseaquio boletim do desmatamento e da degradação em julho Vejaaquitodos os boletins do SAD Saiba mais sobre o SAD aqui
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon
Os bonecos da TV no Amazonasse tornaram verdadeiros ícones locais. Conquistaram crianças, adultos e até mesmo o jornal. Eles foram Peteleco, Galerito e Lino, três personagens que, cada um ao seu modo, marcaram a TV amazonense com humor e carisma entre os anos 1990 e 2000.
Cada um dos bonecos, à sua maneira, contribuiu para o cenário da TV e do humor local, criando diversos momentos que até hoje despertam nostalgia e curiosidade.
Peteleco
Criado pelo ventríloquo Oscarino Farias Varjão, no dia 15 de maio de 1957, o Peteleco é um dos personagens mais queridos do Amazonas. Oscarino, aos 20 anos, se apresentava nas ruas de Manaus para completar a renda familiar, o que chamou a atenção do público e o ajudou a conquistar espaço nos palcos e na televisão.
Peteleco encantava crianças e adultos com sua personalidade atrevida, pois o boneco sempre respondia às perguntas de forma rápida e grosseira, se fosse incomodado. Além disso, Peteleco foi batizado pelo pai de Oscarino, Oscar Lopes Varjão.
Oscarino e Peteleco. Foto: Indiara Bessa/Acervo g1 Amazonas
Em 2016, depois de levar humor ao público manauara por 60 anos e por diferentes gerações, Peteleco e Oscarino foram reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial do Amazonas.
Peteleco e Oscarino fizeram sucesso em todo o país e, em novembro de 2000, a dupla participou do programa ‘Jô Soares Onze e Meia’. Oscarino faleceu em abril de 2018, aos 81 anos, vítima de uma parada cardíaca, em Manaus.
Galerito
Criado pelo intérprete Iserlohn Castro, o boneco fez sucesso no programa ‘canal Livre’, exibido pela antiga TV Rio Negro, nos anos 90 e 2000. O boneco ficou conhecido pelo humor atrevido e provocador, com comentários ácidos e tiradas rápidas.
Foto: Reprodução/Youtube-Tozza
O boneco se tornou ainda mais conhecido depois de um episódio inusitado que se tornou viral. Durante uma apresentação do cantor Nunes Filho no programa, Galerito provocou o vendedor de salgados Gilson Luiz, conhecido como Gil da Esfirra, chamando-o de ‘Rogério’, em referência a uma música de Renato Fechine.
Gil acabou ficando tão irritado e perdeu o controle, reagindo com socos e empurrões, e protagonizando uma cena de briga ao vivo.
O momento foi bastante comentado na época e, anos depois, ressurgiu na internet, chegando a ser exibido na em um documentário na Netflix, intitulado ‘Bandidos na TV’.
A repercussão do episódio levou Galerito a participar de novas atrações, como quando a banda norte-americana Protomartyr lançou o clipe da música ‘Processed By The Boys’, inspirado na cena da briga.
Em dezembro de 2019, Willace Souza criou uma nova versão do programa, com a participação do atrevido fantoche, revivendo a lembrança de muitos espectadores do icônico momento televisivo.
O coelho Lino, personagem do programa Amazonas Evangélico, marcou a programação local e ficou conhecido pelo humor leve e pela forma de interagir com o público. O boneco, que interagia com a missionária Maria José, era interpretado pelo filho dela e conquistou crianças e adultos pelo carisma nas tardes de domingo.
Foto: Reprodução/Youtube-Missionária Maria José
Lino se destacava pela simpatia e pela maneira de transmitir mensagens educativas e religiosas. Embora não tenha alcançado a projeção nacional dos outros fantoches, ele faz parte da memória afetiva de diversos manauaras que cresceram acompanhando o programa.
Peteleco, Galerito e Lino fizeram história com humor, atrevimento e carisma, tornando-se personagens inesquecíveis da cultura amazonense. Você lembra de mais algum boneco famoso na Amazônia?
O fortalecimento dos pequenos negócios transforma a vida de milhares de famílias boa-vistenses. Foto: Diane Sampaio/PMBV
A Agência Municipal de Empreendedorismo (AME BV) atingiu a marca de R$ 8 milhões investidos no fortalecimento de pequenos negócios na capital e 2.089 empreendedores beneficiados. O reflexo desse cenário é sentido não apenas nos números, mas também na vida de milhares de famílias boa-vistenses.
Para se ter uma ideia, dos empreendedores atendidos pela Prefeitura de Boa Vista desde 2022, 44 são da área rural e 109 de comunidades indígenas. As mulheres são maioria: 1.550 empreendedoras, representando 74,2% e 539 homens, atingindo 25,8% do público.
Segundo a diretora-presidente da AME BV, Luciana Surita, a agência não oferece apenas uma linha de crédito, mas uma ponte para a realização de sonhos e autonomia financeira.
“Nosso papel é garantir apoio, capacitação e acompanhamento, para que esses pequenos negócios possam crescer com segurança”, explicou.
As mulheres representam 74,2% do público da AME BV. Foto: Diane Sampaio/PMBV
Empreendedorismo em alta em Boa Vista: os bairros e setores que mais se destacam
Boa Vista segue mostrando sua força no empreendedorismo local, com alguns bairros se destacando pelo número de beneficiários. Cidade Satélite lidera, com 144 empreendedores, seguido pelo Centro (121) e Senador Hélio Campos (110). Os bairros Asa Branca e Dr. Silvio Botelho também aparecem com 56 e 38 beneficiários, respectivamente.
Dentre os setores mais promissores, vestuário e moda estão no topo com 406 negócios ativos, demonstrando grande potencial criativo e comercial. Logo atrás vem o ramo de alimentação, com 399 empreendimentos, provando que o sabor local também é um forte motor da economia. O setor de saúde e beleza mostra sua relevância com 383 negócios, seguido por artesanato (115) e agro (85), que reforçam a diversidade do empreendedorismo na capital.
Cleuciane transformou a panelada em seu negócio de sucesso. Foto: Diane Sampaio/PMBV
Negócios de sucesso
Cleuciane da Silva e Silva, de 36 anos, viu na tradicional panelada a oportunidade de empreender e ajudar nas despesas da família. “Eu queria algo que fosse meu, para não depender só do meu marido e da distribuidora de bebidas que a gente já tinha. Aí pensei: ‘quem bebe, acorda de ressaca. Nada melhor que uma panelada’”, brincou.
Ela começou vendendo só aos sábados, no seu estabelecimento localizado na rua Rio Apiaú, no bairro Professora Araceli Souto Maior, mas hoje já atende também às sextas e domingos. Os pratos variam de R$ 22 a R$ 35. O impulso para crescer veio com o apoio da Agência Municipal de Empreendedorismo.
“As pessoas começaram a comer panelada, gostar e indicar. Fui lá na AME, me cadastrei e consegui um crédito de R$ 3 mil, que usei para ampliar meu espaço, com cozinha. O recurso me ajudou muito”, diz Cleuciane, que hoje participa ativamente dos eventos e ações promovidas pela agência.
Natália Fuhrmann, empreendedora e beneficiária da AME BV desde maio de 2025. Foto: Giovani Oliveira/PMBV
Empreendedora aposta em cookies estilo “Nova York” com sabores amazônicos e impulsiona negócio com apoio da AME
A jovem Natália Fuhrmann, de 26 anos, decidiu transformar uma paixão em negócio ao investir em um tipo diferenciado de cookie. Ao buscar um segmento para empreender, ela encontrou nos cookies altos, macios por dentro e crocantes por fora uma oportunidade de trazer algo novo para o mercado local.
Além do cookie tradicional, apostou em sabores com identidade regional. Um dos destaques é o cookie de tucupi preto com cumaru e castanha de caju, servido com sorvete de cupuaçu e finalizado com tucupi apimentado. A receita inusitada conquistou o público e tem se destacado pelas combinações autênticas da Amazônia.
Atualmente, o negócio funciona por delivery, com pedidos feitos via WhatsApp disponível nas redes sociais. Os cookies variam de R$ 10 (tradicional) a R$ 22 (recheado). Para impulsionar o projeto, ela contou com o apoio da AME BV, onde teve acesso a orientação técnica, capacitações e crédito facilitado.
“A AME foi essencial. Conheci pelas redes sociais e, desde o início, tive apoio para entender melhor como montar meu negócio. Além disso, com o fomento, consegui adquirir um forno industrial, que elevou a qualidade dos produtos e o padrão da produção”, disse.
O combate ao tráfico de vida silvestre ainda é um tema de pouca eficiência na Amazônia. Quem defende essa perspectiva é Antônio Carvalho, especialista no combate ao tráfico de vida silvestre da WCS Brasil (Wildlife Conservation Society), entrevistado do especial ‘Um grau e meio’, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).
“A Amazônia ainda é esquecida em relação ao tráfico de animais pelo Brasil. Todos os órgãos de polícia e de meio ambiente têm a prerrogativa de atuar no combate ao tráfico de animais, mas como poucos servidores são especializados no assunto, o tráfico segue quase impune na Amazônia. A maioria dos servidores do Ibama está focada em garimpo e desmatamento, por isso, os mapas anuais de delitos ambientais não refletem a verdadeira situação de crimes contra a fauna”, avalia.
Antônio Carvalho, especialista no combate ao tráfico de vida silvestre da WCS Brasil, é entrevistado na newsletter Um Grau e Meio. Foto: Divulgação
O especialista faz referência ao Diagnóstico de Delitos Ambientais, publicado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que mostra a pulverização dos crimes contra a vida silvestre na Amazônia, nas páginas 150 e 151.
Quais são os animais silvestres?
Os animais silvestres são aqueles não domesticados, que têm uma história evolutiva independente do ser humano e não dependem das pessoas para desempenhar qualquer função natural, como a reprodução. Esse grupo é composto por uma variedade de seres, desde insetos polinizadores, por exemplo, até mamíferos, como o lobo-guará e a onça-pintada.
“Encontramos anúncios de venda de abelhas em caixas fechadas, saindo de toda parte no Brasil para outras regiões onde as espécies não são nativas, e fizemos a denúncia em artigo científico. Todos os anúncios do Mercado Livre foram derrubados, porém, meses depois, surgiram novos. Nosso trabalho sensibilizou, por meio da distribuição da informação, inclusive as próprias plataformas. Mas isso volta, então não podemos perder de vista. Mais do que casos pontuais, divulgar informação sobre as rotas de tráfico, promovendo a compreensão global do problema na cadeia de exploração relacionada às espécies, é muito mais interessante para contribuir com os órgãos policiais e de fiscalização”, explica Carvalho.
Segundo o especialista, o caso mais emblemático recente envolveu uma investigação internacional sobre apreensões conjuntas das espécies mico-leão-dourado e arara-azul-de-lear em 2023 e 2024. Sua equipe conseguiu levantar dados de apreensões dos últimos 30 anos que mostraram o aumento recente do interesse pelas duas espécies, alertando sobre a possibilidade de um zoológico indiano ser o principal receptor desse tráfico.
“O Brasil é o maior consumidor de carne de tubarão: são 15 mil toneladas sendo consumidas anualmente. Na maioria das vezes, são espécies ameaçadas de extinção, contaminadas com mercúrio Essa é uma carne que não deveríamos estar consumindo”, comenta.
Especificamente na Amazônia, Carvalho destaca o problema da venda ilegal de carne de tracajá e da tartaruga da Amazônia. Os animais, que costumam servir de alimento tradicional a famílias ribeirinhas, sendo a segunda fonte de proteína para essas populações, viraram símbolo de status e passaram a rechear os pratos de eventos em cidades como Manaus.
No começo deste ano, a prefeitura de Careiro (AM) foi multada por servir, em jantar oficial, carne de tartaruga ameaçada de extinção.
“O consumo de tartaruga só está regulamentado na cidade de Manaus. Por aqui, temos algumas peixarias que vendem peixe e tartaruga de criadouro. Mas o desafio está na lavagem de animais, porque, no criadouro, vai demorar cerca de 7 anos para ter um animal grande e no ponto de abate. Então os criadores acabam também recebendo tartarugas, prontas pro abate, pescadas na região”, conta o especialista.
Para Carvalho, a prioridade é mudar a Lei de Crimes Ambientais para tipificar como crime ambiental o tráfico de animais silvestres e considerar a prática um delito grave, com pena de reclusão.
“Nacionalmente, temos trabalho de apoio em alterações de leis, principalmente a Lei de Crimes Ambientais, que ainda hoje abre a possibilidade de o traficante não ser punido; o cara que trafica 200 aves por dia tá no mesmo tipo penal de uma senhora que tem um papagaio em casa, por exemplo. É preciso mudar a Lei de Crimes Ambientais para tipificar o tráfico de animais silvestres e considerá-lo um delito grave, com pena de reclusão”, defende.
Em segundo lugar, o especialista ressalta a importância de os órgãos competentes adotarem uma visão global do crime ambiental antes de determinar a pena e o valor pecuniário, de multa. Muitas vezes, por exemplo, o crime de lavagem de dinheiro está associado ao tráfico, cita.
O terceiro ponto trata da conversão da multa para o reparo do dano, segundo Carvalho, uma vez que as espécies apreendidas nas operações são encaminhadas para centros de triagens que precisam desses recursos para comportar a demanda.
Cada unidade da federação abriga, no mínimo, um CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres) ou um CETRAS (Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres). Além dessas instalações, há também parcerias com criadores de animais legalizados, que recebem animais resgatados e trabalham na reabilitação para soltura.
“Não há mais condições de receber [animais silvestres resgatados do tráfico] porque não tem dinheiro, nem espaço. Raramente esses animais chegam em condições de serem devolvidos à natureza. Deveria ser de passagem, mas os animais ficam muito tempo ali, se recuperando, sendo tratados. E o traficante que foi detido, segue praticando crimes sem obrigação de pagar a multa, porque ele não perde direitos se não pagá-las pela Lei de Crimes Ambientais”, relata.
Em quarto lugar, complementando o ponto anterior, Carvalho argumenta que os autores de crimes ambientais deveriam perder direitos – retenção de passaporte e carteira de motorista ou a impossibilidade de conseguir empréstimos – a exemplo do que já ocorre em outros tipos de delitos, mas ainda não nos crimes ambientais.
O especialista destaca que é preciso ter mais debates públicos sobre o tema, com campanhas e ações de mobilização.
“Cabe a nós estar nesses espaços, não recusar convites, colocar na mídia o que está acontecendo e fazer campanhas. Já fizemos ações em oito aeroportos do Brasil, como a campanha ‘Há viagens que marcam vidas’, informando sobre o tráfico de animais e o impacto nas populações de animais silvestres. São esforços para sensibilizar as pessoas”.
Mais do que isso, reforça que é preciso uma estrutura de governança nacional sobre o tráfico de animais silvestres, com autoridades ambientais e órgãos policiais trabalhando em conjunto e de forma capacitada.
Carvalho menciona como exemplo da dificuldade de manter o trabalho contínuo a troca de delegados da Polícia Federal em um dos municípios que atua: “Em um ano de trabalho, lidei com quatro delegados diferentes na mesma fronteira. Como criar uma estratégia de trabalho conjunto e desenvolver operações dessa forma?”, questiona.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM, escrito por Bibiana Alcântara Garrido
O Parlamento Amazônico (Parlamaz) realizou no dia 8 de outubro, em Brasília, as atividades oficiais da Pré-COP 30, reunindo parlamentares dos oito países que compartilham o território da Amazônia. A programação abordou temas como integração regional, bioeconomia e proteção da floresta, sob a liderança do presidente do colegiado, senador Nelsinho Trad (PSD–MS). Os países amazônicos concordaram, em declaração final, com a necessidade de comprometimento com a proteção da floresta e com a realização da COP 30 em Belém.
Nelsinho destacou o papel do Parlamaz na integração entre os países amazônicos e defendeu a necessidade de fortalecer institucionalmente o colegiado.
“A institucionalização é fundamental para que nossas propostas ganhem legitimidade e continuidade, como já acontece com o Parlamento do Mercosul. Estamos trabalhando para que o Parlamaz deixe de ser apenas um fórum de debates e passe a ter estrutura, orçamento e voz própria”, afirmou o presidente do colegiado.
Para a chefe da Cooperação Parlamentar da COP 30, Alicia Amorim, é importante criar espaços de integração entre os países amazônicos para fortalecer a atuação conjunta diante dos desafios climáticos.
“É fundamental que tenhamos espaços de articulação regional que nos ajudem a entender as semelhanças e as formas de colaboração nos desafios das mudanças no clima e nas oportunidades também que estão colocadas na agenda da mudança do clima, para que possamos ter um modelo de desenvolvimento na região mais compatível com as nossas realidades”, afirmou.
Foto: Reprodução/
Participação de representantes dos países amazônicos
A congressista Ruth Luque, do Peru, defendeu que a Amazônia deve ocupar papel central no debate político e cobrou ações concretas dos governos e do setor privado.
“Precisamos que a Amazônia tenha um peso central no debate político público, não somente com o compromisso que tem que vir do governo, mas também gerando mudanças fundamentais nas legislações já existentes. Não podemos mais permitir a exploração da Amazônia e precisamos gerar um debate político que inclua também as populações indígenas, que há décadas sofrem com a contaminação” — “, afirmou.
Ruth Luque ressaltou ainda que o desmatamento, a degradação de ecossistemas e a presença de economias ilícitas na região têm agravado situações de violência, especialmente contra mulheres indígenas.
Também participaram da reunião:
José Fernando Chumpi – Assembleia Nacional do Equador;
Roy Mohan – Assembleia Nacional do Suriname
Yenica Acosta – deputada colombiana e vice-presidente do Parlamaz;
Vanessa Grazziotin – diretora-executiva da OTCA;
Socorro Neri – deputada PP-AC e vice-presidente do Parlamaz;
Embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, diretor do Departamento de América do Sul do Ministério das Relações Exteriores;
Carlos Alfredo Lazary Plataforma Cipó;
Alice Amorim, chefe da Assessoria Extraordinária para a COP 30; e
Keith Alger, presidente do Instituto Caucus Brasil.
Parlamaz
Reativado em 2020 por iniciativa de Nelsinho Trad, o Parlamaz tem ampliado seu papel como instrumento de integração política da região. O senador lidera as articulações pela formalização jurídica do Parlamento junto à Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) e aos países membros, com o objetivo de consolidar um canal permanente de diálogo e cooperação.
A programação da Pré-COP 30 continua nesta quinta-feira (9), com o painel “Diálogo Parlamentar sobre Harmonização da Legislação necessária para escalar a Bioeconomia Amazônica”, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados.
Amazonas tem terceira maior taxa de insegurança alimentar do país. Foto: Roberto Dziura Junior
Mesmo com melhora no acesso a alimentos entre 2023 e 2024, o Amazonas ainda está entre os estados com mais famílias em situação de insegurança alimentar no país. Segundo dados divulgados na sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 38,9% dos domicílios amazonenses enfrentam algum grau de restrição alimentar, o que coloca o estado em terceiro lugar no ranking nacional, atrás apenas do Pará (44,6%) e de Roraima (43,6%).
O levantamento faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua sobre Segurança Alimentar, realizada em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. O estudo avalia a capacidade das famílias de acessar alimentos em quantidade e qualidade suficientes.
Amazonas tem terceira maior taxa de insegurança alimentar do país, aponta IBGE — Foto: Roberto Dziura Junior/AEN
Entre os casos mais graves — quando a fome é uma experiência concreta no domicílio —, o Amazonas aparece com 7,2% das famílias afetadas, também uma das maiores proporções do país. O índice é superado apenas por Amapá (9,3%).
A insegurança alimentar é mais comum nas áreas rurais (31,3%) do que nas urbanas (23,2%). Nos domicílios rurais, o nível grave atinge 4,6% das famílias, contra 3% nas cidades.
Segundo a pesquisadora Maria Lúcia Vieira, do IBGE, a vulnerabilidade nas áreas rurais está ligada à renda menor e à composição das famílias.
A insegurança alimentar é mais comum nas áreas rurais. Foto: Divulgacão
“Esses dados vão um pouco contra a nossa intuição de que na área rural as pessoas plantam seus alimentos, portanto a insegurança alimentar ali seria menor. Entretanto, parte dos domicílios rurais tem rendimento per capita menor e maior presença de crianças, de tal forma que, mesmo com cultivo agrícola, esse pode ser restrito e não variado, não garantindo nem quantidade e nem qualidade”, explicou.
Proporção é maior no Norte e Nordeste
As regiões com mais domicílios em insegurança alimentar são o Norte (37,7%) e o Nordeste (34,8%), sendo que o nível mais grave chegou a 6,3% e 4,8%, respectivamente. Nas outras regiões, os índices foram menores: 20,5% no Centro-Oeste, 19,6% no Sudeste e 13,5% no Sul.
No Norte, a proporção de domicílios em situação grave foi quase quatro vezes maior que no Sul, que tem a menor taxa (1,7%).
Em números absolutos, o Nordeste tem mais domicílios afetados (7,2 milhões), seguido pelo Sudeste (6,6 milhões), Norte (2,2 milhões), Sul (1,6 milhão) e Centro-Oeste (1,3 milhão).
A pesquisa do IBGE utiliza a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), que classifica os domicílios em quatro categorias, de acordo com a falta ou acesso pleno e regular de seus moradores a alimentos de qualidade nutricional. São elas: segurança alimentar, insegurança alimentar leve, insegurança alimentar moderada e insegurança alimentar grave.
Foto: Mauro Neto/Secom-AM
A pesquisa classifica a insegurança alimentar em três níveis:
Leve: quando há preocupação ou incerteza sobre o acesso a alimentos, com redução da qualidade das refeições;
Moderada: quando há redução da quantidade de alimentos entre adultos;
Grave: quando a falta de alimentos também atinge crianças e adolescentes, e a fome é vivida no domicílio.
A segurança alimentar é classificada como o direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais.
Apesar dos índices ainda altos no Norte, o levantamento mostra uma melhora nacional em 2024. Todos os níveis de insegurança alimentar caíram em relação a 2023:
Leve: de 18,2% para 16,4%;
Moderada: de 5,3% para 4,5%;
Grave: de 4,1% para 3,2%.
Segundo o IBGE, essa redução representa 2,5 milhões de famílias que deixaram de passar por restrição severa de alimentos.
Indígenas da etnia Kayapó, do estado do Pará. Foto: Mário Vilela/Funai
A etnia indígena Kayapó, conhecida como Mebêngôkre (aquele de origem do olho d’água), habita os estados do Mato Grosso e sul do Pará. Divide-se em outros subgrupos: Mekrãgnotí, Gorotire, Kuben-Krân-Krên, Kôkraimôrô, Kararaô, Metyktire e Xikrin.
A comunidade atual é composta por quase 10 mil Mebêngôkre e eles estão entre os 15 maiores povos dos 305 do Brasil. São conhecidos por sua vasta organização cultural, como suas cerimônias, rituais, grafismos feitos por materiais naturais.
A palavra Kayapó significa “semelhante aos macacos”, nome dado por vizinhos da comunidade, pois os Kayapós dançavam com máscaras feitas de pele de macacos. Porém eles se referem a si próprios como mebêngôkre, “os homens do buraco/lugar d’água”.
Sua economia é sustentável, como agricultura itinerante, utilizam a pesca, a caça e a plantação como sustento.
Mesmo com participação política, os Kayapós são a etnia que tem mais Terras Indígenas (TI) invadidas por garimpo ilegal na Amazônia. A TI Kayapó tem 3,2 mil hectares e abriga 6,3 mil indígenas dos povos Mebêngôkre e Isolados do Rio Fresco.
Em 2024, foi o território indígena que mais sofreu com queimadas. De acordo com o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASA/UFRJ), uma área de 697.475 hectares já foi queimada dentro da Terra Indígena Kayapó.
Há cerca de um século, porém, eles não eram os únicos Kayapó no Brasil. Por isso, eram chamados de Kayapó do Norte. A aproximadamente mil quilômetros de distância, na região que se estende do norte de São Paulo ao sul de Goiás, passando pelo Triângulo Mineiro, havia um povo homônimo, os Kayapó do Sul.
Trata-se dos antepassados do povo Panará, que hoje vive ao norte de Mato Grosso, coincidentemente, próximo dos Kayapó. Embora o nome fosse o mesmo, nunca houve grande relação entre os antepassados desses povos.
Trecho do meio na BR-319. Foto: Izabel Santos/Acervo Observatório BR-319
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) afirmou, em nota divulgada no dia 9 de outubro, que uma exigência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) inviabiliza o avanço das obras de pavimentação da BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO).
Segundo o DNIT, o Ibama determinou que todos os requisitos e condicionantes da licença prévia sejam apresentados de forma conjunta para que a análise dos documentos seja iniciada.
Entre os requisitos pendentes estão protocolos com comunidades indígenas, estudos complementares e medidas de governança socioambiental que envolvem outros órgãos federais.
O DNIT afirma que essas ações extrapolam suas atribuições regimentais e dependem da articulação interinstitucional, além de impedir o órgão de solicitar a Licença de Instalação (LI), necessária para a repavimentação do chamado “trecho do meio” da rodovia.
“Ainda que não conste expressamente no Ofício nº 398/2024/CGLIN/DILIC, a exigência do Ibama, na prática, inviabiliza qualquer pedido imediato de Licença de Instalação (LI) por parte do DNIT”, diz o comunicado.
Foto: Reprodução/DNIT
DNIT afirma que já entregou relatório
O Departamento também informou que já entregou ao Ibama, em junho de 2024, o relatório do diagnóstico socioambiental participativo, com os programas ambientais propostos para mitigar impactos e garantir a sustentabilidade da obra.
No entanto, o Ibama só dará continuidade à análise quando todos os demais documentos exigidos forem protocolados simultaneamente.
O Grupo Rede Amazônica questionou o posicionamento do Ibama sobre a nota do DNIT, mas até a atualização mais recente desta reportagem, não obteve resposta.