Anitta em seu novo clipe já publicado no Youtube. Foto: Reprodução/Youtube-Anitta
A presença de uma biojoia produzida no Amazonas no novo projeto audiovisual da cantora Anitta levou a criatividade amazônica para uma vitrine internacional mais uma vez. No clipe de “Abre Caminho”, música do álbum EQUILIBRIVM II, lançado na quinta-feira (23), a artista aparece usando o Colar Ginga, criado pela artesã Amanda Monteiro, fundadora do Estúdio Presepada, marca manauara especializada em acessórios inspirados na floresta e na identidade amazônica. Veja:
A escolha da peça aconteceu após a equipe responsável pelo styling da cantora entrar em contato com a artesã em busca de acessórios específicos para compor os figurinos do projeto. O convite, contou Amanda em suas redes sociais, chegou enquanto ela participava de uma feira durante o Festival Folclórico de Parintins, momento em que praticamente todo o acervo da marca estava na ilha tupinambarana.
A artesã contou que soube da seleção da peça para o clipe com surpresa e entusiasmo, mas precisou manter sigilo durante todo o processo.
“Eu soube bem antes. A equipe da Anitta entrou em contato pedindo peças específicas. Desde aquela primeira mensagem fiquei com o coração apertado esperando o lançamento. Eles não contam onde as peças vão ser usadas para evitar qualquer vazamento. Eu só sabia que ela tinha escolhido o colar e um brinco vermelho, que ainda deve aparecer em outro momento. Quando a peça finalmente chegou às mãos da equipe de styling em São Paulo, senti que estava vivendo a oportunidade da minha vida”, declarou.
Por coincidência, uma única peça do Colar Ginga estava disponível em Manaus. A peça havia retornado ao ateliê após uma cliente desistir da compra, tornando possível que fosse enviada para a produção da artista.
Corrida contra o tempo para entregar a peça
A maior dificuldade surgiu após a confirmação da escolha do acessório. Com um cronograma apertado e as limitações logísticas na região Norte, Amanda precisou buscar alternativas para fazer o colar chegar a São Paulo dentro do prazo exigido pela produção.
“Foi muito difícil. Eu estava em Parintins participando da feira, com praticamente todo o estoque da loja lá, e precisava fazer essa peça chegar até quarta-feira pela manhã. Tentei todas as formas de envio, pesquisei transportadoras, Sedex, entrega expressa, mas nada garantia que chegaria a tempo. No fim, consegui entregar o colar para um amigo que saiu de Manaus rumo a São Paulo e levou a peça na bagagem. Se isso não tivesse dado certo, eu já estava decidida a comprar uma passagem de avião para não perder essa oportunidade”.
O Colar Ginga foi desenvolvido durante a temporada do Festival de Parintins. A criação reúne madeira, fibras, franjas e elementos naturais em uma proposta contemporânea inspirada nos movimentos corporais e nas cores da cultura amazônica, características que dialogaram com o conceito visual do novo projeto musical da cantora.
Amanda afirma que ainda está assimilando a repercussão alcançada pela marca poucos meses após sua criação.
“Eu ainda estou processando tudo o que estou sentindo. É uma sensação de dever cumprido e de felicidade por ter acreditado naquilo que me move. Abri oficialmente o Estúdio Presepada em fevereiro, mas essa paixão vem desde a infância. Sempre gostei de criar com as mãos e encontrei nas biojoias uma forma de transformar criatividade em profissão. Ter uma peça minha eternizada em um trabalho de alcance mundial é um marco que vai ficar para sempre”, revelou.
Biojoias podem ampliar a matriz econômica do Amazonas
Além da visibilidade conquistada pela marca, Amanda acredita que as biojoias representam uma oportunidade para ampliar a economia criativa no estado. Para ela, o Amazonas reúne matéria-prima, conhecimento tradicional e identidade cultural suficientes para transformar o segmento em uma importante matriz econômica regional, complementando atividades já consolidadas, como a Zona Franca de Manaus.
Segundo a artesã, ainda é necessário ampliar a divulgação do potencial criativo da região para o restante do país e do mundo, mostrando que a floresta também produz moda, design e arte de alto valor agregado.
“Eu acredito que as biojoias podem ser uma alternativa econômica muito importante para o Amazonas. O que precisa mudar é a forma como as pessoas enxergam a nossa região. O Amazonas é arte, é criatividade, é design. Precisamos colocar o estado na rota do turismo de arte, incentivar feiras e mostrar tudo o que é produzido aqui. Sempre que pessoas de fora conhecem as nossas biojoias ficam encantadas. Existe um potencial enorme que ainda precisa ser levado para o Brasil e para o mundo. O Amazonas não é só floresta”, defendeu.
Criado neste ano, o Estúdio Presepada nasceu da vontade de Amanda Monteiro de transformar uma paixão antiga em empreendimento. Antes disso, a artesã já produzia acessórios artesanalmente para complementar a renda, experiência que serviu de base para estruturar a marca.
A participação em um projeto de projeção internacional representa um dos primeiros grandes reconhecimentos do trabalho desenvolvido pela artista amazonense. Para ela, o momento também ajuda a abrir espaço para outros criadores da região e demonstra que produtos desenvolvidos com identidade amazônica podem alcançar mercados nacionais e internacionais sem abrir mão de sua origem.
Com o Colar Ginga integrando um dos figurinos de EQUILIBRIVM II, Amanda espera que a repercussão incentive novos olhares para o artesanato contemporâneo produzido na Amazônia e fortaleça o setor de biojoias como um segmento capaz de gerar renda, valorizar saberes tradicionais e diversificar a economia do estado.
Leia também: Arte indígena Karipuna do Amapá é usada por Anitta em novos clipes musicais

Arte indígena amazonense também integra o figurino de Anitta
O protagonismo amazonense no novo trabalho de Anitta não ficou restrito às biojoias do Estúdio Presepada. A cantora também aparece utilizando um chapéu confeccionado em fibra de tucum no clipe ‘Eu não sou santa’. O chapéu é integrante da coleção Muiraquitã, criada pelo artista indígena Maurício Duarte, do povo Kaixana.
O acessório foi desenvolvido por mulheres indígenas por meio do projeto Parentas que Fazem, iniciativa da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com mentoria de Maurício Duarte. A coleção foi apresentada durante um desfile em Nova York em 2025 e reúne peças produzidas a partir de técnicas tradicionais e matérias-primas amazônicas.
Após o lançamento, Maurício Duarte comemorou a escolha da peça em suas redes sociais.
