Parque Nacional do Jaú é o segundo maior da categoria no Brasil: mais de 2 milhões de hectares

Árvores grandiosas, rios espelhados, biodiversidade vasta e uma comunidade ativa fazem deste um parque responsável por proteger uma das maiores áreas de florestas úmidas no mundo.

Parque Nacional do Jaú. Foto: Marcelo85foto

Experiência transformadora. Grandiosidade impressionante. Conexão profunda com a natureza. Estas são algumas das expressões ouvidas com frequência por pessoas que visitaram o Parque Nacional do Jaú, no Amazonas, o segundo maior da categoria no Brasil, com mais de 2 milhões de hectares.

O tamanho, por si só, já colocaria esta como uma unidade de conservação a ser visitada no Brasil. Mas o Jaú ainda reserva muito mais. Dono de uma biodiversidade absolutamente superlativa, o parque é responsável por proteger uma das maiores áreas de florestas úmidas no mundo.

Leia também: Saiba o que são as Unidades de Conservação (UCs) e a importância delas para a Amazônia

Localizado no coração da Amazônia, a cerca de 3 horas de lancha da cidade de Novo Airão, o Parque Nacional do Jaú faz parte do Mosaico do Baixo Rio Negro, que abrange 11 unidades de conservação do estado do Amazonas.

A existência do Mosaico, inclusive, é representativa por envolver um dos grandes tesouros do Jaú: o envolvimento das comunidades locais em todos os processos, algo fundamental para a valorização da diversidade sociocultural e o desenvolvimento territorial.

Atualmente, cerca de 70 famílias vivem nas comunidades do Parque Nacional do Jaú — e são parte fundamental para que a visitação da unidade aconteça de maneira sustentável e regular, desde os barqueiros até a hospedagem.

A visitação do Parque Nacional do Jaú é um ótimo exemplo de como funciona o que o Instituto Semeia — organização que atua para incentivar a visitação nos parques do Brasil, fortalecer a gestão dessas unidades e apoiar o desenvolvimento socioeconômico das regiões onde estão inseridas — costuma chamar de “ciclo virtuoso” das Unidades de Conservação.

O ciclo virtuoso funciona com:

  • a visitação: que acontece com turistas demandando produtos e serviços da população local, que para isso precisam dos ativos naturais conservados;
  • a geração de renda: com as pessoas da região gerando impacto econômico na comunidade;
  • a conservação: com o turismo trazendo visibilidade para a necessidade de conservar o meio ambiente.

Parque Nacional do Jaú: a grandiosidade da Amazônia conservada

Árvores históricas gigantes, bacia hidrográfica do rio Jaú protegida e uma biodiversidade extremamente rica, habitat de diversos animais. Já na chegada, feita normalmente de barco, não é incomum que o visitante seja acompanhado por bandos de papagaios e outras aves enquanto navega pelos igapós.

Uma das particularidades do Jaú é a possibilidade de encontrar duas “Amazônias” diferentes: uma no período de cheia (normalmente de março a agosto) e outra no período de seca (entre setembro e fevereiro).

O local é o mesmo, mas a mudança no clima muda a realidade. Enquanto na cheia as trilhas aquáticas são o ponto alto, na seca é possível visitar as praias e avistar os petróglifos, parte do rico patrimônio arqueológico do parque.

parque nacional do jaú, no amazonas
Foto: Divulgação / FUNBIO

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A importância da conversação para a biodiversidade

Uma das mais importantes funções de uma unidade de conservação como o Parque Nacional do Jaú é conciliar e integrar a conservação da natureza e a recreação/ecoturismo para as pessoas. As pesquisas também fazem parte deste contexto. Uma delas dentro do Jaú é o Programa de Monitoramento de Quelônios de Água Doce, uma parceria do ICMBio com a WCS Brasil, e que tem o apoio de diversas organizações.

Com mais de uma década de existência, o projeto conta com um forte vínculo com as comunidades locais. Afinal de contas, a utilização de quelônios (tartarugas, jabutis e afins) como alimento é algo comum historicamente na região.

Como parte de todo o processo, o Programa de Monitoramento promove o monitoramento comunitário com participação ativa das famílias que vivem no Parque Nacional do Jaú. O sistema conta com cursos e treinamentos para monitores locais, incluindo acompanhamento de toda a temporada reprodutiva dos quelônios – da desova à soltura.

Os quelônios são um dos grupos de vertebrados mais ameaçados do mundo. De acordo com dados do Programa de Monitoramento, cerca de 54% das espécies classificadas se enquadram em alguma categoria de ameaça.

Atrativos e atividades

Viver o Parque Nacional do Jaú é passear pela floresta amazônica, seja por via terrestre ou por via aquática. Não por acaso o local é parte dos Caminhos do Rio Negro, que conta com pelo menos 630km de trilhas mapeadas, seja para serem feitas a pé ou por caiaques nos igapós.

Durante os passeios pela imensidão do parque, são diversas as possibilidades de encontros que vão fazer qualquer visitante ter uma excelente experiência. Veja a seguir algumas delas:

  • Observação da vida silvestre e contemplação da natureza: como o filme “Dias Perfeitos” nos ensina, o termo em japonês komorebi é a luz do sol filtrada pelas folhas das árvores, enquanto balançam contra o vento. Isso pode ser multiplicado pela milésima potência no Parque do Jaú;
  • A imensidão das árvores: de uma magnitude raras vezes vista, as árvores gigantescas da Amazônia se fazem presentes no Jaú. Das magistrais samaúmas até as milenares macacarecuias, que recentemente foram apontadas como as mais antigas do bioma, as possibilidades de encontro com árvores majestosas são inúmeras.
  • As praias na área do rio Negro: passeio específico para a época das secas, as praias de areia branca e água doce são uma das maravilhas do Parque Nacional do Jaú. Um convite para o relaxamento, com banhos memoráveis nas águas do rio Negro.
  • Banho e cachoeiras nos rios Jaú e Carabinani: também ideal para época de secas. O rio Carabinani é local de diversas pequenas corredeiras e cachoeiras, perfeitas para banho e contemplação.
  • Trilhas a pé ou de caiaque: como citamos anteriormente neste mesmo texto, os Caminhos do Rio Negro oferecem diversas oportunidades de trilhas. Entre as trilhas terrestres, destacam-se a trilha do Itaubal, com cerca de 3,5km de extensão, e a trilha dos Igapós do Carabinani, com cerca de 3km, e duas trilhas que levam a contato com árvores gigantes: a da Sumaúma da Enseada e a Sumaúma de Base
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