Foto: Divulgação/Instituto Mamirauá
O Instituto Mamirauá realiza, nos dias 29 e 30 de março, o Encontro Anual de Caminhos e Resultados. O evento será realizado em formato híbrido, com polos presenciais em Tefé (Amazonas) e Bragança (Pará), conectados por meio de videoconferência. Participantes e comunidades do Amapá acompanharão a programação de forma online, ampliando o intercâmbio entre os diferentes territórios de atuação dos projetos.
O encontro marca a conclusão do primeiro ano de implementação dos projetos e visa alinhar expectativas, compartilhar aprendizados e planejar, de forma participativa, as ações para o próximo ciclo.
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O objetivo central dos projetos no encontro é unir instituições e comunidades tradicionais para fortalecer, por meio de pesquisa científica, metodologias de manejo e conhecimentos ancestrais, a gestão de recursos naturais de ecossistemas de várzea, manguezal e outras áreas prioritárias para a conservação.
Dávila Corrêa, diretora de Manejo e Desenvolvimento do Instituto Mamirauá, destaca a relevância dos projetos para as comunidades no encontro.
“São territórios de grande riqueza biológica e estratégicos para a mitigação das mudanças climáticas. São também as comunidades tradicionais e indígenas amazônicas que mantêm esses ecossistemas de pé. Os projetos buscam valorizar e fortalecer esses modos de vida, em uma iniciativa construída a muitas mãos, que integra conhecimentos ancestrais e científicos, além de promover inovação e tecnologias sociais”, afirmou a diretoria.
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O Instituto Mamirauá é um centro de excelência em pesquisa aplicada vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O projeto Entre Águas Amazônicas é financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e conta com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no papel de agência implementadora. O projeto Sustenta Mangue é financiado pela Fundação Gordon e Betty Moore.
Encontro recebe projeto ‘Entre Águas Amazônicas’
Com o objetivo de conservar os ecossistemas de várzea e manguezal, que estão entre os mais ameaçados da Amazônia, o projeto Entre Águas Amazônicas busca fortalecer a gestão participativa e o desenvolvimento econômico sustentável, com a meta de beneficiar diretamente mais de 8.000 pessoas.
De acordo com as metas estabelecidas, a iniciativa prevê melhorar a gestão de 26 territórios — entre reservas extrativistas, florestas nacionais, reservas estaduais e outras áreas prioritárias para a conservação — que, somados, abrangem aproximadamente 4,8 milhões de hectares, uma área maior que a Suíça.
“Esses ecossistemas amazônicos, como a várzea e o manguezal, são altamente produtivos e, por isso, concentram um grande número de comunidades tradicionais e indígenas. Ao mesmo tempo, são territórios sob intensa pressão e diversas ameaças. O manejo de recursos naturais já se mostrou uma estratégia bem-sucedida de conservação aliada à geração de renda. Em grande parte, o projeto busca replicar e desenvolver novas metodologias de manejo de recursos como o pirarucu, no Amazonas, e o caranguejo, no Salgado Paraense”, explica Dávila.
Estão contemplados também o manejo florestal (Amapá), o manejo de jacaré, o manejo de agroecossistemas e iniciativas voltadas ao turismo de base comunitária (Amazonas). A proposta se constrói em parceria com as comunidades, fortalecendo práticas já existentes e criando novas oportunidades a partir da troca de saberes.
Nesse processo, a formação de jovens e lideranças ganha destaque, com percursos formativos, oficinas e espaços de aprendizagem contínua voltados à gestão dos territórios, ao manejo sustentável e à geração de renda. A iniciativa contribui ainda para o fortalecimento das condições de vida e das economias das comunidades locais, a partir do uso sustentável da biodiversidade.

O projeto Entre Águas Amazônicas também adota uma diretriz de equidade de gênero, garantindo que ao menos 50% do público beneficiado seja composto por mulheres, além de buscar estimular a participação e o protagonismo de jovens de comunidades.
Já o projeto Sustenta Mangue tem como foco a costa do Pará e o manejo sustentável do caranguejo e outros pescados, buscando promover um futuro mais sustentável e participativo para os manguezais amazônicos. A iniciativa enfrenta desafios como a sobre-exploração dos recursos naturais, a poluição e os impactos das mudanças climáticas, por meio de ações que incluem formação técnica, elaboração de planos de gestão e uso público, fortalecimento da governança local e monitoramento da biodiversidade e das pressões antrópicas.
Comunidades participantes
Durante o evento, participantes — entre representantes comunitários, parceiros e equipe do Instituto Mamirauá — irão apresentar os resultados do primeiro ano de implementação por meio de um painel expositivo que representará um ecossistema de áreas alagáveis e os manejos de recursos naturais e rodas de diálogo voltadas ao compartilhamento de aprendizados e desafios.
A programação inclui ainda a validação coletiva do Plano de Ação 2026, com a definição de estratégias e prioridades para ampliar o engajamento dos diferentes atores e garantir transparência na condução dos projetos, reforçando o compromisso com uma gestão participativa e sustentável nos territórios.
*Com informações do Instituto Mamirauá
