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Terça, 27 Outubro 2020

Desmatamento e fogo associados às mudanças climáticas podem transformar floresta amazônica em savanas, dizem pesquisadores

Amazonia

Após incêndios, seca ou desmatamento, as florestas amazônicas podem acabar se transformando permanentemente em áreas semelhantes às savanas. Em longo prazo, essa mudança pode afetar de forma significativa o clima em nível global. Um grupo de pesquisadores investiga esse fenômeno em Alter do Chão, no Oeste do Pará, intensamente afetada pelo fogo no ano de 2019, e em Manaus (AM).

Fumaça sobre a floresta. (Foto:Divulgação)

O estudo é conduzido pela Universidade de Michigan, em colaboração com pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Amazônia da Universidade Federal do Oeste do Pará (PPGRNA-Ufopa), Universidade do Arizona, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e Embrapa Amazônia Oriental. Pela Ufopa, participam os docentes Susán Aragon, José Mauro Moura e Rodrigo da Silva. Este mês, os primeiros resultados foram publicados na revista científica Ecosphere, no artigo "Reframing tropical savannization: linking changes in canopystructure to energy balance alterations that impact climate".


Os pesquisadores monitoraram as duas áreas usando a tecnologia do sistema LIDAR portátil e instalando torres temporárias acima do dossel das florestas para entender como diferentes históricos de distúrbios podem mudar as condições locais.

Em Alter do Chão, onde há presença de áreas de floresta não perturbada, floresta impactada por fogo e uma savana natural, secas e incêndios podem estar convertendo mais floresta em savana. Tanto a savana como a floresta de Alter do Chão foram fortemente impactadas pelos incêndios em 2019, e os pesquisadores estão começando a documentar os danos e mudanças futuras na floresta.

Em Manaus, investigam uma área de pesquisa do Projeto de Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais, que abriga floresta tropical madura, uma floresta com 25 anos de idade e uma área próxima semelhante a uma savana aberta, onde o desmatamento anterior era mantido pela aplicação anual de fogo pelos fazendeiros.

De acordo com o estudo, apesar das grandes diferenças nos distúrbios que criaram os gradientes florestais nesses locais, os impactos das mudanças nas florestas, na temperatura local e nos fatores relacionados que afetam a atmosfera – chamados de fluxos de calor – foram muito semelhantes.

Outra preocupação sinalizada pelos pesquisadores são as queimadas crescentes e os riscos que trazem à saúde das populações que atravessam a crise provocada pela pandemia de Covid-19.

Entre janeiro e agosto de 2020, 54.559 incêndios foram detectados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), os piores números registrados em uma década. Para as populações locais, a piora na qualidade do ar pode ter efeitos graves: a inalação de fumaça pode ocasionar inflamação dos pulmões e vias aéreas, o que pode ser fatal para aqueles já afetados pelo novo coronavírus.

Acesse aqui a matéria publicada pela Universidade de Michigan.

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