Atlas lançado na COP15 mostra rotas migratórias de aves vulneráveis das Américas

Ferramenta online mapeia rotas de 89 espécies de aves migratórias das Américas.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Uma ferramenta que mapeia rotas de migração, locais de parada e repouso mais importantes para 89 espécies de aves migratórias das Américas foi lançada, no dia 26 de março, na programação da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), em Campo Grande (MS).

Disponível online, o Atlas de Rotas Migratórias das Américas vai ajudar a identificar locais onde os esforços de governos e cooperação internacional são mais necessários.

“Em termos de políticas públicas, a gente consegue definir, com maior precisão, áreas geográficas que precisam de mais atenção para a conservação, para criação de áreas protegidas, públicas ou privadas”, explica o diretor de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Braulio Dias.

Leia também: COP15 discute relação de áreas úmidas e proteção de espécies migratórias

Christopher Wood, diretor do Centro de Estudos de Populações de Aves do Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell, participa do lançamento do Atlas de Rotas Migratórias das Américas - Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Braulio Dias, diretor do Departamento de Conservação e Biodiversidade do MMA, destacou a importância do Atlas de Rotas Migratórias das Américas. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O processo de licenciamento ambiental para empreendimentos como os de geração de energia com linhas de transmissão ou torres eólicas também será beneficiado com as informações disponibilizadas pela ferramenta, afirma Braulio Dias.

“Se a localização dessas linhas de transmissão e das torres eólicas não for muito bem-feita, pode resultar em alta mortalidade de aves e também de morcegos”, reforça.

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As áreas de concentração de aves (ACAs) podem ser visualizadas em um mapa interativo que demonstra, por espécie, a trajetória percorrida em cada época do ano. “Também tem o uso para a sociedade em geral. Quem gosta de aves, quer fazer uma atividade de turismo numa região, já pode consultar ali para saber que espécies são mais comuns em um local, onde procurar”, detalha o diretor do MMA.

Dados das aves migratórias

A base de dados faz uso de milhões de registros gerados por ciência-cidadã na plataforma eBird e deverá ser ampliada, chegando a 622 espécies que percorrem 56 países nas rotas migratórias das Américas, que se estendem do Ártico canadense à Patagônia chilena.

Um exemplo de ave catalogada pelo atlas é o pássaro conhecido como veste-amarela ou pássaro-preto-de-veste-amarela, que em sua jornada passa pelo Sul do Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. A espécie sofre com declínio acentuado da sua população e, por isso, integra a lista de espécies ameaçadas de extinção da Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS).

Christopher Wood, diretor do Centro de Estudos de Populações de Aves do Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell, participa do lançamento do Atlas de Rotas Migratórias das Américas - Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Christopher Wood, diretor do Centro de Estudos de Populações de Aves do Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell, participa do lançamento do Atlas de Rotas Migratórias das Américas. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

“Este atlas mostra o que é possível quando se reúne milhões de observações de aves, a partir da contribuição de pessoas de toda a América”, ressalta o diretor do Centro de Estudos de Populações de Aves do Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell, Christopher Wood, que participou da equipe de desenvolvimento da ferramenta.

O atlas é resultado de uma iniciativa do secretariado da CMS, em parceria com o Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos (USFWS).

Durante o lançamento, a secretária executiva da CMS, Amy Fraenkel destacou que o atlas reforça o compromisso compartilhado de fortalecer conectividade ecológica além fronteiras em um momento em que as espécies migratórias precisam de ações coordenadas.

*Com informações da Agência Brasil

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