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Quarta, 17 Agosto 2022

A Amazônia pode se tornar uma grande emissora de carbono?

Provavelmente você já deve ter ouvido a famosa frase "A Amazônia é o pulmão do mundo". O Portal Amazônia já revelou o mito por trás dessa afirmação.

O que acontece é que de fato a Amazônia possui capacidade para absorção de dióxido de carbono, um dos principais gases do efeito estufa. Contudo, desde o início do século XXI, a Amazônia já perdeu 30% da capacidade de reter esse gás. 

O Portal Amazônia responde se ela se tornou ou poderá se tornar uma potencial emissora do carbono. Confira:

Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Um relatório publicado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) já alertava para o crescimento das mudanças climáticas. O relatório apontou que planeta ficará 1,5ºC mais quente até 2040 - uma década antes do previsto. 

Além disso, o estudo publicado pela Nature divulgou que a Amazônia já emite mais dióxido de carbono que consegue absorver.

Já em 2022, alguns pesquisadores alertam para o fato de que se o desmatamento e degradação de áreas remanescentes de floresta nativa continuarem nos índices atuais, a capacidade de absorção de carbono da floresta pode chegar a zero.

Para se ter uma ideia, de janeiro a dezembro de 2021, foram destruídos 10.362 km² de mata nativa, o que equivale a metade do Estado de Sergipe.

Leia também: Desmatamento na Amazônia foi o maior dos últimos 10 anos em 2021, aponta estudo do Imazon

Degradação da floresta remanescente

Para além do desmatamento por si só, há uma preocupação na degradação de florestas remanescentes. Áreas remanescentes são conhecidas por serem florestas nativas, áreas ainda não aproveitadas pelo homem seja por qual for a finalidade. Além disso são longe da exposição excessiva a incêndios.

De acordo com a Fapesp, considerando a degradação por seca, a degradação por fogo, a degradação por corte seletivo de madeira e a degradação pelo chamado efeito de borda, de 4% a 38% da floresta remanescente já se encontra degradada, com emissões de CO2 equivalentes ou até maiores do que as das áreas desmatadas.

Diminuição de impactos 

Devido a esses fatores, pode-se ressaltar a importância de novos mecanismos de desenvolvimento sustentável da floresta.  Vale ressaltar que de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apenas no primeiro semestre de 2022, 3.971 quilômetros quadrados (km2) da Amazônia Legal foram destruídos. 

O desmatamento registrado em junho deste ano foi o maior para o mês desde que o instituto iniciou o monitoramento, em agosto de 2015. Aproximadamente 90% desse desflorestamento é desmatamento ilegal.

Os estudos mais consistentes mostram que conter o aquecimento global abaixo de 2º C, preferencialmente em até 1,5 ºC, comparativamente aos níveis pré-industriais, é a única maneira de evitar a catástrofe climática.

E essa orientação foi consignada pelo Acordo de Paris, que entrou em vigor no final de 2016. Passados mais de cinco anos, porém, os dados mostram que estamos indo para um aumento de 3º C, com uma notável irresponsabilidade de vários governos e a indiferença de boa parte da população.


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