2º Fórum ESG Amazônia debate oportunidades e custos para a Amazônia Legal

Com uma programação ampla, a primeira palestra do dia abordou a temática 'Agenda ESG - Custos ou Oportunidades para a Amazônia Brasileira', conduzida por Daniel Vargas.

Foto: Isabelle Lima/Portal Amazônia

A segunda edição do Fórum ESG Amazônia em Manaus (AM), realizada nesta sexta-feira (21), reúne especialistas com o objetivo de discutir pautas voltadas para a agenda ESG (ambiental, social e de governança) e tendências e desafios para a sustentabilidade corporativa na região.

Com uma programação ampla, a primeira palestra do dia abordou a temática ‘Agenda ESG – Custos ou Oportunidades para a Amazônia Brasileira’, conduzida pelo doutor e mestre em direito pela Universidade de Havard, Daniel Vargas, que também é especialista em governo e políticas públicas.

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Vargas dividiu os custos e oportunidades para a Amazônia Legal, dentro da agenda ESG, em cinco vertentes: agricultura, pecuária, transporte, indústria e comércio.

“Em relação aos campos de indústria e comércio, estes tem se tornado cada vez mais importantes na discussão climática e no debate ESG no mundo, porque, na verdade, são setores que cruzam os demais, que passam por todas as outras áreas de economia e que, portanto, se se movem numa direção mais verde, têm o potencial de gerar um impacto positivo sobre todos os demais”, afirmou Daniel.

Sobre os transportes, o especialista pontuou que nas últimas décadas houve uma certa mudança na mentalidade econômica dos países e empresas, devido à cobranças, seja de investidores, seja da sociedade civil.

“A corrida pela descarbonização dos transportes é quase sempre identificada com um esforço importante, mas limitado, que é entendido como a eletrificação. A Europa puxou essa discussão e construiu essa agenda que é referência no mundo. Ao longo dos últimos dez anos, a Europa estabeleceu regras e critérios que empurram toda a sua economia para eletrificar os transportes. Aprovou uma lei que diz que, a partir de 2035, nesse continente, nenhum carro a combustão pode ser produzido. Avançou dizendo, todas as empresas aqui agora se virem para acelerar a eletrificação do seu sistema sob pena de pagar multa. E isso criou, portanto, uma mudança na cadeia econômica na produção de carros no mundo”, alertou.

O pesquisador pontuou ainda que outra grande preocupação atual é responsabilizar empresas e pessoas pela emissão de gases do efeito estufa e o quanto isso impacta dependendo do âmbito que se é discutido.

“No comércio, a grande discussão é como estabelecer os critérios de transparência e responsabilidade pelas emissões de gases de efeito estufa. E esses critérios, outra vez, não caíram do céu. Eles foram estabelecidos ao longo dos últimos 15 anos, sobretudo sob a influência de um conjunto de órgãos científicos internacionais. Em 2018, na COP realizada na Polônia, o IPCC estabeleceu que o padrão de identificação de emissões e de atribuição das emissões a cada país dependerá de um critério, chamado princípio territorial, que na prática significa que cada empresa e cada país responde pelas emissões que acontecem no seu território”, destacou.

“Duas consequências nocivas surgem desse critério de estabelecimento e atribuição de responsabilidades. A primeira é que não importa o quanto de petróleo você tire do chão, desde que você mande para um segundo país. Não deveria surpreender a ninguém que nos últimos dois anos as COPs se realizaram em países que são grandes produtores de petróleo do mundo. Não deveria surpreender a ninguém que a Costa Rica, um exemplo típico de país preocupado com políticas ambientais, esteja agora discutindo a exploração de petróleo no seu oceano. Não deveria surpreender a ninguém que um país chamado Brasil também quer fazer o mesmo, porque os critérios internacionais de definição, de atribuição, de responsabilidade colocam o ônus por esse carbono no destino e não na produção”, completou, alertando sobre o processo atual.

O II Fórum ESG Amazônia é realizado pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) e pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA). Além das discussões, o evento apresenta cases de implementação do ESG por empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM), associadas ao CIEAM, destacando ações que promovem inovação e responsabilidade ambiental e social.

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