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Domingo, 03 Março 2024

Descubra o Carnaval selvagem na Amazônia: cinco animais que são uma explosão de cores e vida

Olá, entusiastas da natureza! Se você acha que o Carnaval é a festa mais colorida do ano, espere até conhecer os verdadeiros mestres da extravagância na Amazônia! 

Na floresta é possível observar um desfile de moda exuberante protagonizado por animais supercoloridos que vão deixar qualquer folião com inveja.

Preparado para conhecer cinco dessas estrelas da natureza?

Sapo-ponta-de-flecha

Sapo-ponta-de-flecha (Adelphobates quinquevitattus). Foto: Alexandre Almeida

Nossos sapos-ponta-de-flecha são verdadeiras obras de arte ambulantes. Supercoloridos e ocorrendo nas florestas tropicais, pertencem ao grupo dos Dendrobatídeos. São de tamanho pequeno, com a maioria das espécies com comprimento que varia de 1,5 a 3 cm quando adultos. 

Com suas cores vibrantes, esses pequenos anfíbios não só são um espetáculo para os olhos, mas também são conhecidos por sua pele com presença de toxinas, não à toa o nome sapo-ponta-de-flecha. 

Inclusive, o colorido vibrante dessas espécies, também é conhecido como aposematismo, um mecanismo de defesa que alerta os predadores sobre a presença de veneno. 

Eles desfilam pela floresta com tons que variam do amarelo ao vermelho, provando que a natureza pode ser tão ousada quanto uma escola de samba no auge do desfile. 

Galo-da-serra

Galo-da-serra (Rupicula rupicula). Foto: Almir Cândido de Almeida

Nenhuma festa está completa sem uma boa música e o galo-da-serra certamente concorda! Com suas plumagens exuberantes, essas aves estão sempre prontas para dançar ao ritmo da floresta. Quando se trata de se amostrar, principalmente para atrair parceiros reprodutivos, as aves dão um show (literalmente) a parte. 

Para encontrar um amor de carnaval, no reino animal, muitas espécies apelam para passos coreografados na tentativa de achar sua cara-metade e realizam elaboradas danças de acasalamento. É o caso por exemplo do galo-da-serra, um dos pássaros mais exuberantes da América do Sul. Os machos da espécie (Rupicola rupicola) possuem uma coloração laranja vibrante e atrai admiradores também pela forma com que o acasalamento ocorre na espécie.

Os machos formam os leques (palcos formados para exposições para as fêmeas) e se juntam na espera de encontrar uma parceira. Os machos se reúnem para uma exibição individual para as fêmeas (cada qual em um "palco" isolado). A exibição possui saltos e abertura de asas e após o término da apresentação, a ave volta para o galho. 

Depois do show, cada fêmea escolhe seu parceiro para a reprodução. Além disso, seu canto encantador ecoa pelas árvores, transformando a floresta em um verdadeiro carnaval de sons e cores.  

Jiboia arco-íris

Uma espécie do grupo das belas jiboias-arco-íris (Epicrates cenchria) com sua coloração furta-cor. Foto: Sérgio Marques Souza – Projeto Sisbiota

Deslizando elegantemente entre as árvores, as jiboias arco-íris são um dos grupos de serpentes mais fashion da Amazônia. São serpentes pertencentes ao gênero Epicrates, de tamanho médio, com cerca de 1,7 metros de comprimento. Elas se alimentam de pequenos roedores, lagartos e aves. 

Não são peçonhentas e uma de suas características é que exibem na pele uma paleta de cores deslumbrantes que lembram um arco-íris serpenteante. Imagine uma serpente que combina perfeitamente com qualquer fantasia de carnaval! Se ela pudesse participar, certamente seria a rainha do bloco. 

Borboleta azul

Borboleta azul (Morpho helenor). Foto: Adrian Hoskins

Se você pensou que as escolas de samba tinham as melhores fantasias, espere até ver a borboleta azul (Morpho helenor)! Nestas borboletas, encontradas em clima tropicais, os machos apresentam asas iridescentes que lhes dão uma aparência azul, que se destaca no verde da floresta quando estas borboletas podem ser admiradas voando ao longo dos igarapés. 

Em contraste, a parte inferior é marrom com pontos oculares utilizados para camuflagem de pássaros e insetos, semelhante com a coloração das fêmeas desse grupo de borboletas. 

Nessa espécie machos e fêmeas, além da coloração diferem nos hábitos. Os machos voam mais próximos de rios e na beira de florestas e fêmeas são encontradas dentro da mata e tem coloração menos notável. Na natureza alimentam-se de frutos maduros que caem das árvores e que estão em processos de fermentação. 

Essa deslumbrante borboleta não economiza na hora de mostrar suas asas azuis iridescentes, que parecem pintar o céu da Amazônia com cores celestialmente intensas e sua presença na floresta indica um ambiente saudável. Uma verdadeira diva do Carnaval selvagem. 

Lagartos papa-vento

Os lagartos machos do gênero Anolis apresentam como característica um “papo” que utilizam para atrair e impressionar as fêmeas, como ocorre nessa espécie, Anolis fuscoauratus, um dos lagartos papa-vento mais comuns na região Amazônica. Foto: Roberto Langstroth.

Os lagartos do gênero Anolis são conhecidos popularmente como papa-vento e quando se trata de abusar do colorido, esses animais não ficam só de papo. São animais arborícolas bastante carismáticos, com algumas espécies podendo alcançar até 25 cm de comprimento, e que se alimentam principalmente de artrópodes, como aranhas e pequenos besouros. 

Esses lagartinhos possuem uma característica em comum, os machos apresentam um "papo" supercolorido na região do pescoço que eles inflam para impressionar as fêmeas. As cores presentes nos papos mudam de espécie para espécies e além da função de atrair a fêmea, servem para que as fêmeas reconheçam os machos das suas espécies. 

Algumas espécies desse grupo, acharam que só o papo (olha aí um trocadilho) não era o suficiente para atrair a fêmea e desenvolveram características mais marcantes. É o caso da espécie Anolis phyllorhinus, o papa-vento narigudo, que além do papo colorido, tem também um nariz avantajado para completar a fantasia e vencer no quesito alegorias e adereços.

O lagarto papa-vento narigudo, Anolis phyllorhinus, com seu apêndice nasal. Foto: https://www.flickr.com/photos/uhetelespires/6841023131

É isso pessoal! Neste carnaval, convide esses animais extraordinários para o seu bloco e descubra como a natureza amazônica transforma a floresta em um espetáculo de cores e vida. Viva o Carnaval selvagem da Amazônia! Abraços de sucuri para vocês e até ao próximo texto com informações sobre a nossa exuberante fauna da amazônica! 

Sobre a autora

Luciana Frazão é pesquisadora na Universidade de Coimbra (Portugal), onde atua em estudos relacionados as Reservas da Biosfera da UNESCO, doutora em Biodiversidade e Conservação (Universidade Federal do Amazonas) e mestre em zoologia (Universidade Federal do Pará).

*O conteúdo é de responsabilidade da colunista

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