Dia Mundial da Água: relembre balneários em Manaus que hoje estão inacessíveis

Na capital amazonense são raros os igarapés ou balneários que ainda não sofreram com a contaminação da água.

Seja aos fins de semana ou feriados, a tradição de ir a cachoeiras, igarapés ou balneários sempre existiu no cotidiano do povo amazonense, sendo uma prática revigorante de conexão com a natureza. Esse hábito se tornou comum entre as décadas de 40 e 90, atravessando diversas gerações porque, em Manaus, existiam diversos ‘banhos’ que faziam sucesso.

Porém, essa tradição de reunir os familiares e amigos para ir ao balneário em um dia ensolarado, está se tornando cada vez mais distante. Na capital amazonense são raros os igarapés que ainda não sofreram com a contaminação da água do rio. Alguns igarapés e cachoeiras se transformaram em verdadeiros esgotos a céu aberto.

Dia Mundial da Água é comemorado em 22 de março e, com esse sentimento de nostalgia, o Portal Amazônia relembra quatro balneários populares, mas que com a degradação ambiental e poluição dos rios, hoje em dia se tornaram espaços inacessíveis para os banhistas. 

Tarumãzinho, 1970. Foto: Reprodução/Selvatur

Balneário do Tarumãzinho 

Dentre os ‘banhos’ antigos, um dos mais conhecidos era o Balneário do Tarumãzinho, localizado na Avenida do Turismo, bairro Tarumã. Formado por uma cachoeira natural, de águas geladas, o local era cercado por diversas árvores que possibilitavam um banho refrescante, em contato direto com a natureza. Com a degradação e crescimento de moradias ao redor da cachoeira, o local se tornou inacessível.

“Era um local muito bom, agradável, água geladinha, o igarapé era todo cercado de árvores. A cachoeira do Tarumã tinha água cristalina, as pedras eram limpas, muitas famílias frequentavam. Nesse tempo não tinha moradia por perto, até porque era um local distante. Lembro que eu ia pra lá pescar com um amigo meu e para irmos, a gente tinha que pegar um ônibus de manhã para ir e o ônibus da tarde pra voltar, se não a gente tinha que voltar a pé e era longe, naquela época. Com o tempo começaram a surgir bares, moradias, casas de show, e aí começou a poluição da água e se tornou aquilo que tá, só a espuma”,

contou um morador do bairro Tarumã, Sebastião, de 60 anos.

Foto: Reprodução/Instituto Durango Duarte

Balneário do Parque Dez

Considerado um dos mais populares durante a década de 40, o Balneário do Parque Dez recebia diversos manauaras. Com água natural e limpa, a nascente do rio vinha do Igarapé do Mindu. O espaço era amplo e contava com o igarapé, além de um zoológico com animais como araras e onças. Sendo assim, tornou-se um dos destinos de lazer favoritos para contemplar a Amazônia.

Na época, o prefeito Jorge Teixeira estava com planos de construir uma piscina olímpica e uma quadra de esportes no local. Foi quando em 1970 houve um declínio no local, e a água que antes era apropriada passou a sofrer contaminação. Essa contaminação acarretou em diversas consequências, levando os banhistas a adoecerem. O local ficava na atual Avenida Mário Ipiranga.

Foto: Reprodução/Instituto Durango Duarte

Ponte da Bolívia 

Com água refrescante e limpa, o Igarapé da Ponte da Bolívia se tornou um dos balneários mais conhecidos entre os banhistas manauaras. Localizado em área arborizada, a Ponte da Bolívia fica na Avenida Torquato Tapajós, no km 17. Com a idealização da estrada Manaus-Itacoatiara, AM-010, houve a necessidade de construção de pontes nos trechos entrecortados por igarapés. Com isso, a água do Igarapé da Ponte da Bolívia começou a ficar prejudicada e contaminada, afastando os banhistas.  

Foto: Reprodução/Manaus de Antigamente

Igarapé da Cervejaria Miranda Corrêa

Localizada no bairro São Raimundo, a Cervejaria Miranda Corrêa se tornou um dos principais atrativos de Manaus. A cervejaria ficava as margens do Rio Negro, com isso, muitos manauaras aproveitavam a água limpa para se refrescar em dias quentes. Com a contaminação da água, atualmente, o local não é recomendado para os banhistas. 

E aí? Que outros locais poderiam entrar nesta lista?

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