Mulheres mantém tradição da fabricação de chocolate a partir da produção orgânica do cacau em Tefé

Em uma área extensa de floresta protegida pelas próprias mulheres, o cultivo ocorre em sistemas agroflorestais, sem o uso de insumos sintéticos, integrados aos quintais produtivos.

Foto: Tácio Melo

Na Comunidade da Missão, em Tefé (AM), 22 mulheres mantêm viva a tradição da produção orgânica de cacau. A prática garante a produção de barras de chocolate e ovos de Páscoa de forma sustentável, valorizando saberes tradicionais e o manejo adequado da floresta. 

Em uma área extensa de floresta protegida pelas próprias mulheres, o cultivo ocorre em sistemas agroflorestais, sem o uso de insumos sintéticos, integrados aos quintais produtivos — um modelo que imita a dinâmica natural da floresta.

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Trata-se de uma produção orgânica e agroecológica, baseada em técnicas e práticas tradicionais sustentáveis que vem sendo fortalecidas e incentivadas pelo Instituto Mamirauá na comunidade desde 2020. 

“Através do assessoramento técnico, temos contribuído com o fortalecimento da produção orgânica, com cursos que envolvem a prática do manejo agroecológico de diversas espécies frutíferas naquela região, incluindo o cacau, como também acompanhamos as etapas de certificação e acesso às políticas públicas voltadas a essas iniciativas”, destacou Fernanda Viana, coordenadora do Programa de Manejo de Agroecossistemas do Instituto Mamirauá. 

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 A partir de 2019, as mulheres passaram a buscar o reconhecimento de seus produtos orgânicos e, em 2021, conquistaram a certificação, tornando-se o primeiro grupo da região de Tefé a alcançar a certificação orgânica. O grupo inicialmente se consolidou como Organização de Controle Social (OCS) e pouco tempo depois como Sistema Participativo de Garantia (SPG).

A conquista foi resultado de um processo que incluiu visitas de verificação da conformidade orgânica, visitas de pares e o preenchimento do Plano de Manejo Orgânico (PMO), etapa exigida para a certificação junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). 

O acesso às políticas públicas de alimentação conta com o apoio do Instituto Mamirauá, do IFAM e com contribuições de instituições como o SEBRAE, SEMPA, Prefeitura Municipal de Tefé, a Rede Maniva de Agroecologia (REMA) e a empresa Na’Kau que seguem fortalecendo e ampliando o acesso das mulheres a oportunidades e serviços. 

Foto: Tácio Melo

Produção do cacau na comunidade: chocolate sustentável 

A produção segue um processo cuidadoso que envolve todas as etapas do manejo do cacau, desde a poda e seleção dos frutos até a fermentação, secagem, torra e moagem das amêndoas. Na comunidade, cada produtora realiza o processamento em sua própria casa, utilizando fornos artesanais e moinhos manuais.

Um método de trabalho que mantém a qualidade e a identidade do produto, com técnicas que combinam conhecimentos tradicionais e formações técnicas adquiridas ao longo dos anos. 

“Esse trabalho vem das nossas mães, dos nossos antepassados. A gente aprendeu com elas a cuidar da terra, a produzir sem destruir e a valorizar o que é nosso. Hoje, com ajuda de parceiros e instituições, a gente continua fazendo com muito orgulho, porque sabe que é daqui que sai o alimento das nossas famílias e a nossa força”, afirma Bernadete Araújo, coordenadora do Grupo de Produção Orgânica da Comunidade. 

Atualmente, as mulheres produzem a barra de cacau, uma pasta obtida a partir da amêndoa do cacau torrado, que também serve de base para outros produtos derivados.

Além disso, elaboram diversas preparações a partir do chocolate, como bombons de castanha com chocolate, barras de chocolate e ovos de Páscoa. Tanto a barra de cacau quanto esses produtos são comercializados na própria comunidade e na cidade de Tefé, localizada a cerca de 8 quilômetros. 

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Mulheres mantém tradição da fabricação de chocolate a partir da produção orgânica do cacau em Tefé
Foto: Tácio Melo

Preparativos para a Páscoa 

Para o período da Páscoa, as produtoras adentram a floresta para colher o fruto no mês de dezembro e, a depender do clima, iniciam o processo de retirada das amêndoas para colocá-las para secagem no período do verão amazônico. É a partir dessa etapa que as mulheres avaliam a quantidade de produtos, barra de cacau e chocolates que serão destinados à venda. 

Para este ano, as mulheres apostam na grande venda de seus produtos, que têm ganhado vantagem sobre os produtos industrializados. Além de serem produtos orgânicos e totalmente artesanais, há uma grande diferença em relação aos chocolates industrializados — são ainda mais baratos e carregam carinho, história e o sabor da floresta. 

Foto: Tácio Melo

Além da comercialização, o chocolate na comunidade também passou a inspirar iniciativas culturais e lúdicas. Na ocasião, as mulheres irão realizar, junto a parcerias, a 1ª Caça aos Ovos de Páscoa da Comunidade da Missão, para crianças da comunidade, prevista para o dia 4 de abril, além da instalação de um estande para a venda de ovos de Páscoa. 

*Com informações do Instituto Mamirauá

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