10 grandes desastres que atingiram o Acre na última década

Enchentes, secas, queimadas, vendaval e terremoto fazem parte da lista. 

Enchente histórica, queimadas, desmatamento e terremoto. Desde 2013, o Acre tem sido assolado por desastres naturais e de exploração humana que impressionam com sua força e, principalmente, consequências. Confira os dez maiores registrados na última década:

Cheia histórica em 2015

O ano de 2015 foi um dos mais críticos para os moradores de Rio Branco, Brasileia, Assis Brasil, Epitaciolândia e Xapuri. Os moradores dessas cidades enfrentaram uma enchente histórica do Rio Acre e viram a água levar tudo que tinham construído ao longo da vida.

Em Rio Branco, a cheia chegou a desabrigar mais de 10,4 mil pessoas em 53 bairros. Porém, em torno de 87 mil pessoas foram afetadas diariamente pela enchente no total. Naquele ano, na capital, o manancial atingiu a marca de 18,40 metros, a maior da história do Estado, no dia 4 de março.

Pelo menos 53 bairros foram atingidos pela enchente histórica de 2015. Foto: Assis Lima/PRMB

Seca em Rio Branco

Pouco mais de um ano depois de uma enchente histórica, a população viveu uma das piores crises hídricas da história em 2016. Naquele ano, o rio chegou a 1,30 metro na capital Rio Branco, uma das menores marcas registradas desde 1971, ano em que o manancial começou a ser monitorado.

Acre passou por um período severo de estiagem em 2016. Foto: Aline Nascimento/g1 Acrce

Maior taxa de desmatamento

Dados divulgados pela Secretaria de Meio Ambiente e das Políticas Indígenas (Semapi) em 2021, mostraram que o desmatamento ilegal no Acre registrou a maior taxa dos últimos 18 anos. O estudo apontou, na época, que entre o período de 1º de janeiro a 31 de outubro de 2021 foram desmatados 871km² de florestas no Estado.

Entre janeiro e outubro de 2021, Acre teve 871km² de florestas desmatados. Foto: Reprodução/Arquivo PF-AC

Terremotos

Em 2015, foram registrados quatro terremotos no Acre, sendo a maioria em Tarauacá, interior do Estado. Um deles de magnitude 6,7. A cidade, inclusive, é a que mais registra terremotos e com grandes magnitudes em todo Estado.

Para o professor e doutor em geografia da Universidade Federal do Acre (Ufac), Waldemir Lima dos Santos, a explicação para esses eventos seria uma possível falha geológica porque o município fica dentro de uma grande depressão.

Prédio de igreja sofreu algumas fissuras após terremoto em Tarauacá em novembro de 2015. Foto: Divulgação/Defesa Civil

Seca no Bujari

Também no interior, a população da cidade do Bujari sofreu com a falta de água em 2017. O Igarapé Redenção, que abastece o reservatório da cidade, ficou com menos de um metro de água na época e deixou os moradores mais de um mês sem abastecimento.

A solução encontrada foi enviar caminhões-pipas de Rio Branco para garantir o abastecimento. Revoltados, os moradores fecharam a entrada da cidade em protesto. 

No ano seguinte, para evitar ficar sem água, o Departamento Estadual de Pavimentação e Saneamento (Depasa) reduziu a distribuição de água aos moradores.

Reservatório que abastece Bujari ficou quase seco em 2017. Foto: Clemerson Ribeiro/Saneacre

Ar irrespirável

A cortina de fumaça e poeira que cobriu o Acre em 2020 deixou muita gente com falta de ar e outros problemas de saúde. O principal fator para a poluição foram as queimadas registradas no Estado durante o período de seca.

Até o início de agosto daquele ano, segundo o Corpo de Bombeiro, foram contabilizadas mais de 2,6 mil ocorrências de incêndio em Rio Branco. O número de autuações por queimadas urbanas na capital acreana deu um salto de 88% no primeiro semestre de 2020 em relação ao mesmo período de 2019.

Moradores conviveram com fumaça das queimadas em 2020. Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

Desbarrancamento

Com a vazante do Rio Juruá, no interior do Acre, os prejuízos causados pela alagação causaram problemas para os moradores de Cruzeiro do Sul. Uma erosão levou parte do porto do bairro Remanso e ameaçou derrubar também os galpões. 

O rio levou a rampa de acesso e toda a estrada. A margem do rio ficava a mais de 50 metros dos galpões, mas, com o desbarrancamento, esses prédios foram interditados pelos bombeiros.

Desbarrancamento ameaça levar galpões em porto de Cruzeiro do Sul. Foto: Glédisson Albano/Rede Amazônica Acre

SOS Acre

Em 2021, o Acre voltou a ser assolado em grandes proporções pelas cheias dos rios Acre, Juruá, Envira, Iaco, Purus e outros. Dez cidades, entre elas a capital Rio Branco, ficaram inundadas e cerca de 130 mil pessoas em todo Estado foram afetadas de alguma forma.

Para ajudar os moradores desabrigados e desalojados pelas enchentes, foi criada a campanha SOS Acre e, assim, reforçar a arrecadação de alimentos, produtos de higiene, de limpeza, colchões, água portável, roupas e diversos outros materiais.

A campanha foi reforçada por artistas como o DJ Alok, a vencedora do BBB18, Gleici Damasceno, a diretora Glória Peres, Renê Silva, do Voz das Comunidades no Rio de Janeiro, Luciano Huck, Patrícia Pilar e diversos outros.

Acre já tem quase 130 mil pessoas atingidas pela cheia de rios na capital e no interior do Estado. Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

Vendavais

Os vendavais e tempestades também costumam a deixar grandes estragos no Acre. Em 2019, na cidade de Tarauacá, moradores registraram o vendaval arrancando telhas e atingindo um poste de energia elétrica. Com o impacto, os fios soltaram faíscas de fogo e fumaça. Ninguém se feriu.

Em Rio Branco, em 2021, um forte vendaval derrubou um pórtico que ficava em frente ao Parque Chico Mendes, na Rodovia AC-40, bairro Vila Acre. A estrutura atingiu um carro. Ninguém ficou ferido. O vento também derrubou placas de sinalização.

Também em Rio Branco, ano passado, um bebê de seis meses morreu após ser arremessado junto com o telhado de uma casa durante um forte vendaval no Ramal Novo Horizonte, no bairro Vila Acre. O bebê ainda não tinha sido registrado na época do acidente.

Telhas foram levadas pelo vento durante tempestade em Tarauacá. Foto: Reprodução

Seca recorde

A seca em Rio Branco continuou batendo recordes em 2022. No dia 2 de outubro do ano passado, o Rio Acre amanheceu com 1,25 metros. Essa passou a ser a menor cota histórica desde o início do monitoramento da bacia na capital, que foi em 1971.

Os moradores de comunidades que têm acesso a poço, que acabaram secando no período de estiagem, acabaram sofrendo ainda mais com a seca. A Defesa Civil Municipal usou carros-pipa para levar água potável para essas pessoas. Foram atendidas 23 comunidades rurais com o objetivo de amenizar os impactos. 

Rio Acre chegou a 1,25 metro em Rio Branco em outubro do ano passado. Foto: Iryá Rodrigues/g1 Acre

*Com informações da matéria escrita por Aline Nascimento, do g1 Acre

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