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Árvores mais velhas capturam mais carbono da atmosfera, afirma pesquisa

Pesquisa aponta que 10 anos após o corte seletivo da floresta, as árvores que sobrevivem à motosserra absorvem mais CO² do que as mais novas

Isaac Guerreiro

isaac.guerreiro@portalamazonia.com


   
Foto: Divulgação/O Eco
 
Árvores mais velhas em áreas de corte seletivo na Amazônia Legal e Internacional têm desempenho melhor que as mais novas em relação a captura de carbono da atmosfera. Essa foi a conclusão de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade da Guiana, na França, em parceria com órgãos brasileiros e peruanos como Instituto de Investigações da Amazônia Peruana e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A pesquisa avaliou durante 10 anos (entre 2002 e 2012) as mudanças em áreas de florestas não desmatadas e áreas que sofreram corte seletivo. Os pesquisadores analisaram mais de 113 áreas de floresta permanente e 13 áreas afetadas experimentalmente, em diferentes regiões da Amazônia. Após a análise dos dados, observou-se que, ao longo da primeira década após o corte, as árvores mais velhas que sobrevivem à motosserra absorvem mais CO² do que as mais novas.

Segundo a pesquisa, de 1999 a 2002 a extensão da exploração madeireira seletiva na Amazônia brasileira foi equivalente ao desmatamento no mesmo período. A situação resultou em emissões de mais de 90 milhões de toneladas de carbono por ano, que aumentaram as emissões antropogênicas de carbono em 25% em relação ao desmatamento sozinho.

Além disso a pesquisa aponta que a absorção de áreas afetadas por madeireiras é maior no Escudo das Guianas a oeste do que no sul da Amazônia. O solo pobre da região faz com que as árvores absorvam mais rapidamente os troncos e galhos caídos em decomposição. Já na região sul da Amazônia, o crescimento das árvores é afetado pela falta de água, provocado principalmente pelo período de estiagem amazônica.

Manejo Florestal

O manejo florestal é um conjunto de estudos e técnicas empregados para a retirada específica de árvores ou outros produtos, garantindo a cobertura florestal da área e reservando a maioria dos exemplares para a manutenção da biodiversidade. Segundo pesquisador do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), Mariano Cenamo, o manejo sustentável retira as árvores mais antigas dando espaço para que as mais jovens cresçam e possam ser retiradas entre 20 e 30 anos.

Para Mariano, o manejo, sem dúvida, emite mais gases do efeito estufa se comparado a florestas virgens, entretanto apresenta resultados muito diferentes se comparado a modalidade de corte seletivo. "O corte seletivo é realizado pelo madeireiro, que seleciona as madeiras mais valiosas economicamente, que são retiradas integralmente. Já no modelo de manejo sustentável, a proposta é utilizar técnicas para que a retirada de árvores seja feita com o mínimo impacto possível a floresta e aos estoques de carbono", afirma o pesquisador.   
Meio Ambiente

Árvores mais velhas capturam mais carbono da atmosfera, afirma pesquisa

Pesquisa aponta que 10 anos após o corte seletivo da floresta, as árvores que sobrevivem à motosserra absorvem mais CO² do que as mais novas


   
Foto: Divulgação/O Eco
 
Árvores mais velhas em áreas de corte seletivo na Amazônia Legal e Internacional têm desempenho melhor que as mais novas em relação a captura de carbono da atmosfera. Essa foi a conclusão de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade da Guiana, na França, em parceria com órgãos brasileiros e peruanos como Instituto de Investigações da Amazônia Peruana e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A pesquisa avaliou durante 10 anos (entre 2002 e 2012) as mudanças em áreas de florestas não desmatadas e áreas que sofreram corte seletivo. Os pesquisadores analisaram mais de 113 áreas de floresta permanente e 13 áreas afetadas experimentalmente, em diferentes regiões da Amazônia. Após a análise dos dados, observou-se que, ao longo da primeira década após o corte, as árvores mais velhas que sobrevivem à motosserra absorvem mais CO² do que as mais novas.

Segundo a pesquisa, de 1999 a 2002 a extensão da exploração madeireira seletiva na Amazônia brasileira foi equivalente ao desmatamento no mesmo período. A situação resultou em emissões de mais de 90 milhões de toneladas de carbono por ano, que aumentaram as emissões antropogênicas de carbono em 25% em relação ao desmatamento sozinho.

Além disso a pesquisa aponta que a absorção de áreas afetadas por madeireiras é maior no Escudo das Guianas a oeste do que no sul da Amazônia. O solo pobre da região faz com que as árvores absorvam mais rapidamente os troncos e galhos caídos em decomposição. Já na região sul da Amazônia, o crescimento das árvores é afetado pela falta de água, provocado principalmente pelo período de estiagem amazônica.

Manejo Florestal

O manejo florestal é um conjunto de estudos e técnicas empregados para a retirada específica de árvores ou outros produtos, garantindo a cobertura florestal da área e reservando a maioria dos exemplares para a manutenção da biodiversidade. Segundo pesquisador do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), Mariano Cenamo, o manejo sustentável retira as árvores mais antigas dando espaço para que as mais jovens cresçam e possam ser retiradas entre 20 e 30 anos.

Para Mariano, o manejo, sem dúvida, emite mais gases do efeito estufa se comparado a florestas virgens, entretanto apresenta resultados muito diferentes se comparado a modalidade de corte seletivo. "O corte seletivo é realizado pelo madeireiro, que seleciona as madeiras mais valiosas economicamente, que são retiradas integralmente. Já no modelo de manejo sustentável, a proposta é utilizar técnicas para que a retirada de árvores seja feita com o mínimo impacto possível a floresta e aos estoques de carbono", afirma o pesquisador.   

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