Parque Cemitério Soledade: patrimônio histórico é espaço vivo de cultura e aprendizado

Transformado em parque em 2023, o cemitério se tornou um espaço cultural. Segunda fase de restauração e reparo, entregue este ano, resultou na recuperação de 150 túmulos, mausoléus e espaços históricos.

Foto: Alexandre de Moraes/UFPA

A segunda etapa do projeto de conservação e restauro do Parque Cemitério Soledade, em Belém, foi entregue à população este ano em um trabalho conjunto entre a Universidade Federal do Pará (UFPA), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Secretaria de Cultura do Estado Pará.

Os trabalhos, conduzidos pelo Laboratório de Conservação, Restauração e Reabilitação (Lacore) e pela Faculdade de Conservação e Restauro da UFPA, resultaram na recuperação de 150 túmulos, mausoléus e espaços históricos remanescentes de irmandades, devolvendo à população um dos mais importantes marcos históricos da capital paraense.

O processo foi conduzido por equipes da UFPA sob a coordenação do professor Alexandre Loureiro, com a participação das professoras Rose Norat, Flávia Palácios e Thais Sanjad, além de técnicos e estudantes do faculdade de Conservação e Restauro. As atividades incluíram desde diagnósticos do estado de conservação, as recomendações técnicas de restauro e a execução dos trabalhos. A UFPA tem colaborado desde o início do projeto. Na primeira fase, concluída em 2023, cerca de 130 estruturas foram restauradas.

Leia também: Com mais de 400 túmulos, Cemitério da Soledade em Belém é transformado em parque

parque cemitério soledade
Foto: Alexandre de Moraes/UFPA

A cerimônia de assinatura referente à Etapa II da Restauração de Bens da Arquitetura Mortuária do Cemitério de Nossa Senhora da Soledade foi realizada no dia 30 de agosto, em frente à capela do Parque Cemitério, e reuniu o reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva; a vice-reitora da UFPA, Loiane Prado Verbicaro;  a superintendente do Iphan no Pará, Cristina Vasconcelos Nunes; o secretário-adjunto de Cultura do Pará, Bruno Chagas; o diretor-executivo da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp), Riberto Ferraz; e o coordenador da Segunda Etapa do Projeto de Restauro, professor Alexandre Máximo Silva Loureiro, que conduziu parte dos trabalhos de pesquisa e acompanhamento da obra. 

Para o reitor da UFPA, o projeto reafirma a relevância da Universidade na preservação do patrimônio cultural da Amazônia. “Este é um momento de grande alegria para nós. A UFPA trouxe sua expertise técnica, por meio do nosso Laboratório e dos cursos da área, para garantir a recuperação desse espaço histórico. É uma conquista para toda a sociedade e um legado para as futuras gerações. A Universidade permanece à disposição para continuar contribuindo com iniciativas que preservem a memória e a cultura do nosso povo”, destacou.

A superintendente do Iphan no Pará, Cristina Vasconcelos, comemorou a entrega.

“O Soledade representa muito mais que um cemitério. Aqui falamos de história, de contextualização, de patrimônio. O Cemitério da Soledade é um dos patrimônios mais representativos do nosso estado, pois evidencia um momento da história que precisamos trazer conosco e relembrar. Essa segunda etapa significa revitalizar a nossa história”, disse.

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“O Soledade faz parte de um contexto de transformação da cidade de Belém, e o compromisso que o governo do Estado vem assumindo nos últimos anos é de resgatar a memória e restaurar o nosso patrimônio”, complementou o secretário-adjunto de Estado de Cultura, Bruno Chagas.

A programação do evento incluiu aula pública com o historiador Michel Pinho, oficinas de conservação realizadas pelo Lacore, feira criativa e apresentação musical do Quinteto Caxangá. 

“Somente quem conhece o seu passado e reconhece a sua importância pode saber que o futuro precisa de memórias, sem elas não há histórias e se não há história nos tornamos objeto. Que o restauro desse lugar nos permita compreender melhor nossas próprias histórias”, saudou o diretor executivo da Fadesp.  

Foto: Alexandre de Moraes/UFPA

Restauro e conservação do parque

O coordenador do Lacore, Alexandre Loureiro, ressaltou a complexidade do trabalho e o orgulho pelo trabalho. “Enfrentamos desafios técnicos que exigiram precisão e planejamento. Juntamente com nossos estudantes, trabalhamos desde a catalogação de material fóssil, reestabelecimento de volumetrias perdidas, trabalho de réplicas. Ver o resultado final e saber que esse esforço contribui para a valorização cultural de Belém é extremamente gratificante destacou coordenador da Segunda Etapa do Projeto de Restauro.

Os trabalhos desta etapa incluíram a continuidade das ações de restauração e conservação de bens da arquitetura mortuária do Parque Cemitério da Soledade; de qualificação e formação de mão de obra especializada para a conservação e restauro de bens culturais e aquisição de equipamentos para as atividades de restauro. 

Como resultado das intervenções, a UFPA incentiva a produção científica, a divulgação do conhecimento produzido no estado do Pará, assim como estimula a valorização do patrimônio cultural, o fomento à indústria ao turismo e à economia regional.

*Com informações da UFPA

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