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Quinta, 13 Mai 2021

Contaminação de rios pode causar doença pela ingestão de tambaqui e outros peixes da Amazônia

Doença de Haff gera a destruição de fibras musculares esqueléticas e libera elementos de dentro das fibras no sangue

Aprenda a preparar tambaqui e pirarucu defumados

Confira o passo a passo da fusão entre duas iguarias regionais e a cozinha americana 

Aprenda a fazer costela de tambaqui ao molho de cupuaçu

Como acompanhamentos, você pode servir o peixe com arroz de castanha e uma salada simples.

Rondônia segue como principal produtor de tambaqui no país, diz IBGE

Em 2019 foram produzidas 40 mil toneladas de tambaqui no estado. Veja os municípios mais produtores.

Fácil e saboroso: aprenda a fazer caldeirada de tambaqui com pirão

O tambaqui é um dos peixes mais utilizados na gastronomia amazônida. Que tal surpreender aos familiares e preparar essa delícia regional?

Depois do pirarucu, quatro toneladas de tambaqui são vendidas na FAS, neste fim de semana

As vendas do pirarucu manejado oriundo da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá foram um sucesso nas últimas semanas em Manaus. Cerca de oito toneladas de pirarucu foram vendidas na sede da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), na Feira da FAS e na 41ª Feira de Exposição Agropecuária do Amazonas, a Expoagro. Agora, é a vez de outro peixe amazônico criado com métodos de manejo ganhar destaque: o tambaqui.



Nova espécie de tambaqui sem espinhas intramuscular é identificada na Amazônia

 
Rondônia é o maior produtor de peixes em cativeiro do Brasil, e, segundo dados da Associação de Criadores de Peixes do Estado de Rondônia (Acripar), a produção da safra 2017/2018 de peixes foi de 84,9 toneladas, dessas, cerca de 91% corresponde a produção do tambaqui. Um peixe que faz sucesso na culinária amazônica, seja assado, frito ou cozido, é sempre bem-vindo, mas pela quantidade de espinhas acaba sendo um desafio degustá-lo sem preocupação. Por acaso, uma produtora de alevinos (peixes recém saídos dos ovos) do Estado, descobriu uma nova espécie do tambaqui: os sem espinhas Y, aquela que fica na carne (intramuscular), e agora o prazer em apreciar o peixe pode mudar.
 

"O tambaqui sem espinhas Y foi encontrado casualmente por meio de um cliente, que queria uma nova safra de alevinos, assegurando que seria sem espinhas como do lote anterior. Eu duvidei e ele me convidou para ir ver os peixes. Ele assou 4 tambaquis, dois tinham espinhas e outros dois não, eu na hora comprei de volta os peixes dele, e tinham 134 ainda do lote", conta o engenheiro de pesca Jenner Menezes, da Biofish Aquicultura.
Tambaqui sem espinhas Y | Foto:Acervo Pessoal/Jenner Menezes

A saga para identificar os tambaquis sem espinhas começou em 2012, como conta o engenheiro Jenner. "Foi uma epopéia para conseguir um Raio-X, para radiografar os 134 peixes, ou então teria que levá-los à uma clínica radiológica. Era uma operação de guerra, ainda em 2012 e 2013. Depois de uns 6 meses eu consegui um veterinário que tava trazendo um Raio-X portátil para Rondônia, fui buscá-lo no aeroporto e ele nunca imaginou que ia radiografar peixes. De lá, identificamos 50 tambaquis sem espinhas", disse Jenner, ressaltando ser a formação do primeiro lote do peixe no mundo.
 

Com os tambaquis sem espinhas Y, Jenner procurou pesquisadores para o estudo do lote, e chegou até o geneticista professor doutor Alexandre Hildsorf, da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), que o acompanha nas pesquisas.
 

"O que eu tinha descoberto, com os tambaquis sem espinhas, era a materialização da teoria de pós-doutorado do Alexandre, que fala em espécies que perderiam as espinhas Y, que foi o caso dos peixes da família caracídeos, onde o tambaqui está inserido", conta.

CY - peixe normal / SY - peixe sem espinhas | Foto: Divulgação/Biofish Aquicultura

Os estudos foram iniciados, e, dos primeiros cruzamentos entre os tambaquis radiografados sem espinhas, nasceram de outras formas. "A descoberta é muito complexa, em alguns casos voltavam as espinhas, em outros só na calda, outros de um lado, outros sem espinhas, e com isso, estamos trabalhando tentando afinar para chegarmos a 100% de peixes sem espinhas", disse Jenner.


O Dr. Alexandre Hildsorf afirma que o desenvolvimento de variedades genéticas sem essas espinhas intermusculares seria uma verdadeira revolução na criação de algumas espécies de peixes. “Devemos lembrar que nem todas espécies de peixes tem estas espinhas. Por exemplo, tilápias, tucunarés e outros peixes dessas famílias (os ciclídeos) não as tem, assim como os bagres. Assim, a ausência dessas espinhas poderia impulsionar a aquicultura de várias espécies de peixes de nossas águas, tais como os Matrinchã, curimbatás, traíras e naturalmente o tambaqui e o pacu”, disse.


Hildsorf também conta que uma colaboração com o Laboratório de Genética de Organismos Aquáticos e Aquicultura  da Universidade de Mogi das Cruzes busca estudar os animais sem espinhas e tentar entender os mecanismos genéticos que controlam a ausência destas espinhas. “Desenvolvemos uma ferramenta de ultrassonografia para avalias os animais e publicamos 3 artigos em periódicos nacionais e internacionais sobre o tema”, explica.


Produção em massa


As pesquisas feitas por Jenner, através da Biofish, ainda demandam tempo, e, segundo o engenheiro, o avanço na descoberta melhoraria muito a cadeira de produção.


"O benefício de termos um lote de tambaquis sem espinhas é o fato mais importante para a piscicultura do Brasil, no momento. Essa espinha intramuscular é o principal entrave na produção em cadeia do tambaqui, e uma vez descoberto e planejado para produção massiva, teremos um filé sem espinhos com um melhor corte, em nível de frigorífico, uma redução no desperdício, onde se perde de 11 a 13% da carne com remoção de espinhas, sem falar em tempo, que economizaríamos com tempo e pessoal", ressalta Jenner.
Foto:Divulgação/Biofish Aquicultura
O lote dos 50 tambaquis sem espinhas Y está em observação, e, segundo Jenner, não há previsão para fornecimento dos peixes.


"Ainda não temos lotes puros sem espinhas para fornecer, além de termos mais um agravante, que é o tempo de maturação sexual do tambaqui, de 2 anos e meio a 3 anos, então na medida que você faz uma geração precisa esperar esse tempo para um novo teste. Uma pesquisa de médio a longo prazo e de benefícios enormes", disse Jenner.


Não há um valor ainda mensurado para preços dos alevinos sem espinhas, mas as pesquisas continuam em várias frentes.


A espinha Y do tambaqui


O geneticista professor doutor Alexandre Hildsorf explica que a presença dessas espinhas pode estar relacionada ao tipo de propulsão no meio aquático. “O que os estudiosos nesta área propõem é que a presença destas espinhas confere transmissão de força aos segmentos da musculatura e firmeza corporal. Contudo, os animais que temos hoje sem espinhas, aparentemente não apresentam nenhuma deformidade e incapacidade natatória. Como disse, outros peixes como os bagres não têm tias espinhas e não apresentam problemas”, finaliza.

Churrasco de tambaqui movimenta Esplanada dos Ministérios, em Brasília

A Esplanada dos Ministérios, na região central de Brasília, recebeu nessa quarta-feira (7) um churrasco de tambaqui para a divulgação do peixe amazônico. Cerca de 6 toneladas do peixe foram distribuídos a 4 mil visitantes que passaram pelo Festival Tambaqui da Amazônia. 

Rondônia promove Festival de Tambaqui da Amazônia, em Brasília

A Esplanada dos Ministérios, no Eixo Monumental em Brasília, será cenário para o maior churrasco de tambaqui assado na brasa do Brasil. O primeiro Festival de Tambaqui da Amazônia ocorrerá nesta quarta-feira (7), a partir das 10h, no bloco D.


A mobilização é do governo do Estado de Rondônia juntamente com o governo do Distrito Federal, governo federal, Associação dos Criadores de Peixes de Ariquemes e Região (Acripar), Sebrae e parceiros.


O Festival tem como objetivo mostrar a beleza, a grandeza e o sabor do tambaqui de Rondônia. Durante o festival, serão assadas e distribuídas 4 mil bandas de tambaquis para os participantes e interessados em conhecer o sabor do peixe rondoniense.

Foto:Daiane Mendonça/Governo de Rondônia


O secretário de Estado da Agricultura de Rondônia (Seagri), Evandro Padovani, destacou que esse será o maior churrasco de bandas de tambaqui do País e ajudará a divulgar a iguaria para  o Brasil e o mundo. “O evento tem a finalidade de promover uma ação positiva para fortalecer o consumo do pescado no Brasil e também abrir novos mercado para a cadeia do pescado de Rondônia,”  destaca Padovani.


Jorge Seif Junior, secretário de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SAP/MAPA) destacou no dia 4 de julho, em live via rede social juntamente com o presidente Jair Bolsonaro, da parceria dos governos do Estado de Rondônia, do Distrito Federal, MAPA e parceiros sobre a finalidade de divulgar o tambaqui. “O peixe amazônico tem suas propriedades, é um peixe 100% brasileiro, e muito brasileiros não o conhecem,” disse o secretário.


O  tambaqui é uma espécie nativa da Amazônia, e tem sido uma questão de interesse de pesquisadores e aquicultores devido à sua adaptação à produção intensiva, crescimento rápido, aceitação ao alimento industrial e o alto valor gastronômico de sua carne. É consumido na região Amazônica desde do século 19.


O governador do Estado de Rondônia, Marcos Rocha, destacou que serão 6 toneladas de peixe, que estão sendo levadas pelos nossos produtores, com o objetivo de apresentar à população de Brasília o nosso produto. “ Eles Estão acostumados sempre com outros pescados, e nós queremos levar lá o nosso tambaqui para que eles apreciem e aprovem,” destaca o governador.


Produção em Rondônia


Rondônia é o maior produtor de peixes nativos em cativeiro e o terceiro maior produtor do Brasil. A criação do tambaqui (Colossoma macropomum) se destaca como a principal espécie criada em cativeiro no estado. O sistema de produção de peixes na piscicultura rondoniense é constituído principalmente  por viveiros semi-intensivo, que consorcia alimento natural para os peixes, garantindo maior qualidade e reduzindo custos de produção.


“Além de não pressionar o meio ambiente na mesma intensidade que a exploração extrativista com fins comerciais e outros sistemas de produção, com densidade de estocagem maior que comprometem a qualidade dos efluentes gerados.  Pois possui mecanismos de controle da qualidade da água para proteger os efluentes no retorno da água ao curso natural do Rio,” esclarece Maria Mirtes Pinheiro, gerente de aquicultura e pesca da Seagri.

Foto:Daiane Mendonça/Governo de Rondônia
Historicamente a piscicultura teve seu desenvolvimento na agricultura familiar, por meio dos incentivos de hora máquinas do governo do Estado para a construção de tanques escavados. Na atualidade o Estado possui 4.308 empreendimentos cadastrados e licenciados exclusivamente para comercialização e produção, ocupando uma área de 15.810,26 hectares de espelho d’água, com uma projeção de produção de 95.534,37 toneladas ao ano, segundo dados de 2018 da Sedam. Conta com cerca de seis frigoríficos de peixes que garante qualidade dos produtos processados e exportados. Os estabelecimentos se dividem entre indústrias e agroindústrias familiares que atuam no ramo. Destes, dois estabelecimentos já possuem o Selo de Inspeção Estadual (SIE) e os demais o Selo de Inspeção Federal (SIF).


Nas exportações o peixe do estado de Rondônia segundo os dados do Comex Stat, sistema para consultas e extração de dados do comércio exterior brasileiro, do Ministério da Economia (ME), teve  início em 2017 com destino ao Vietnã. Em 2019, de janeiro a junho, já foram exportados mais 259 toneladas de peixe para o Peru, Bolívia e Estados.
“Estamos trabalhando para que a nossa cadeia produtiva, cadeia do Peixe, se expanda. Pois se a gente produzir mais conseguindo novos mercados a gente leva também o aumento dos empregos e renda aqui no estado. Esse é o grande objetivo. O objetivo é não mais ficar entregando peixe, mas ensinar a nossa população, a pescar, a crescer a se desenvolver,” explica Marcos Rocha governador do Estado de Rondônia.


Duas toneladas de tambaqui de manejo da Reserva Mamirauá serão vendidas neste sábado, em Manaus

Duas toneladas de tambaqui manejado da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Mamirauá, na região do Médio-Solimões, serão vendidas em Manaus neste sábado (13), na sede da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), na rua Álvaro Braga, 351, bairro Parque Dez, na Zona Centro-Sul da capital, das 7h às 16h, ou até acabar o estoque. Os preços vão variar de acordo com o tamanho do peixe, indo de R$ 9 a R$ 17 o quilo.


A ação, desenvolvida em parceria com a FAS, permite que a população de Manaus compre pescados manejados diretamente com os produtores, sem a participação de atravessadores ou distribuidores. A venda incentiva o manejo do peixe e gera renda às famílias pescadoras que vivem em comunidades ribeirinhas como as da RDS Mamirauá, uma Unidade de Conservação (UC) onde a FAS atua, em cooperação estratégica com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).
Foto:Divulgação

Os tambaquis de rio serão vendidos de acordo com o peso seguindo uma tabela de preços. Os peixes até 4,999 quilos serão vendidos a R$ 9 o quilo; os peixes de 5 a 6,999 quilos o preço pago será R$ 11/kg; de 7 a 10,999 quilos o valor será R$ 14/kg; e tambaquis com peso entre 11 e 15,999 quilos sairão por R$ 17/kg.


Atualmente, o manejo de peixes em Unidades de Conservação (UC) do Amazonas é uma das atividades mais importantes para gerar renda a comunidades ribeirinhas e desenvolver sustentavelmente as regiões. Todo o lucro arrecadado é revertido aos pescadores, estimulando o comércio justo e o empoderamento comunitário.


Os tambaquis são de rios e lagos na RDS Mamirauá, na zona rural de Fonte Boa, município a 678 quilômetros de Manaus, na região do Médio-Solimões, com autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), e também com apoio do Programa Bolsa Floresta (PBF), por meio do Fundo Amazônia/BNDES.





Duas toneladas de tambaqui manejado estarão à venda neste fim de semana, em Manaus

Duas toneladas de tambaqui manejado da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Mamirauá, na região do Médio-Solimões, serão vendidas a das partir das 8h deste sábado (15), em Manaus, na sede da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), na rua Álvaro Braga, número 351, bairro Parque Dez, na Zona Centro-Sul da capital. Os preços vão variar de acordo com o tamanho do peixe, indo de R$ 9 a R$ 17 o quilo.

Tambaqui em conserva já é uma realidade graças a pesquisadores da Ufam

Criada nos laboratórios da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Conserva de Tambaqui em lata foi apresentada durante a última edição do projeto Imprensa VIP, que visa aproximar a Universidade da imprensa. O produto é feito seguindo os métodos já conhecidos da Sardinha em Lata, mas trocando o azeite pelo molho de tucupi.
 
Foto:William Costa/Portal Amazônia

A inovação foi desenvolvida por alunos da FCA, e teve a coordenação do professor doutor Antonio José Inhamuns da Silva, que mostrou como a conserva é preparada.


"É necessário termos um tambaqui curumim, com cerca de 350 gramas, o ideal para fazermos o produto enlatado. O tambaqui precisa ser de viveiro, pois é sustentável, e, após limparmos ele, tirando cabeça, vísceras, escamas e nadadeiras, o cortamos em postas, como se fosse fazer um cozido. Com as postas cortadas, colocamos o tambaqui dentro da lata e adicionamos, nesse caso, o molho de tucupi, temperado a seu gosto, e lacramos a lata. Após isso, colocamos o produto no processo de esterilização, que fará o cozimento durante alguns minutos, e está pronto", conta o professor. 
Foto:William Costa/Portal Amazônia

Depois de pronto, o professor Inhamuns lembra que todo produto enlato precisa ficar 40 dias em observação antes do consumo, para verificar se não teve vazamento ou estufamento da lata.


"Depois dos 40 dias, se o enlatado não apresentar o vazamento ou estufamento, estará liberado para o consumo, que após aberto, o tambaqui no molho de tucupi pode ser esquentado normalmente antes do consumo. A validade desse é de 2 anos, não pelo produto, mas pela lata, que depois desse período pode apresentar ferrugem e comprometer o alimento", ressalta. 
Foto:William Costa/Portal Amazônia

Além do tambaqui curumim, outras espécies de peixes amazônicos podem ser enlatados, e com tipos de molhos diferentes, como já é feito com a sardinha. "A conserva do tambaqui é fruto de um de nossos projetos de pesquisa. Mas nossos testes mostram que podemos fazer com a matrinxã e com outros peixes também, além de verduras e legumes, e com molhos como de tomate, salmoura e tucupi", finalizou o professor.


A conserva de tambaqui em lata ainda não é comercializada, mas o projeto está disponível para a indústria que queira investir na ideia,  e desenvolver em maior escala. 
Foto:William Costa/Portal Amazônia

Cientistas da Embrapa identificam fase da diferenciação sexual de tambaquis

Pesquisadores da Embrapa identificaram em que fase ocorre a diferenciação sexual do tambaqui (Colossoma macropomum), principal peixe nativo cultivado no Brasil. A descoberta contribui para o desenvolvimento de tecnologias para impulsionar a produção.


A informação sobre a diferenciação sexual é importante para a obtenção de avanços com os quais cultivo dessa espécie ainda não conta, como a formação de população monossexo e a sexagem precoce de tambaqui, que estão sendo desenvolvidas pela Embrapa visando ao aumento da produção.


A população monossexo de tambaqui representaria maior ganho econômico para os piscicultores. A fêmea apresenta, aproximadamente, 20% a mais de peso em relação ao macho em estágio final de abate, a partir de dois quilos.
Foto: Siglia Souza/Embrapa

O peixe nasce com uma gônada bipotencial que pode se tornar ovário ou testículo. “Todo peixe nasce sem sexo definido, nossos estudos revelaram que o sexo do tambaqui se define na idade de um a dois meses quando o animal chega aos quatro centímetros e então começa a formar ovário ou testículo”, informa a pesquisadora da Embrapa Amazônia Ocidental (AM) Fernanda Loureiro Almeida O'Sullivan que lidera o projeto “Caracterização dos processos de determinação e diferenciação sexual de peixes nativos de importância econômica no Brasil”. Esse é um dos estudos realizados na Embrapa que buscam a formação de lotes monossexo de tambaqui.


Sexo se forma de um a dois meses de idade


Também estão sendo estudados fatores que influenciam na diferenciação sexual do tambaqui, não apenas genéticos, mas também ambientais. “Se nós quisermos produzir lotes monossexo sem o uso de hormônios, é fundamental conhecer o sistema de determinação sexual da espécie”, explica a pesquisadora.


A cientista acrescenta que conhecer esse sistema também é importante para estudos sobre evolução das espécies, para a biologia comparada e para a mitigação de efeitos de mudanças climáticas.


Sexagem precoce agrega valor


Além disso, descobrir o sistema de determinação sexual abre a possibilidade de sexar formas jovens de peixes, ou seja, identificar o sexo de cada peixe ainda pequeno, o que facilitaria os processos de seleção para melhoramento genético do tambaqui, formação de plantéis e comercialização de lotes específicos de cada sexo.


Foto:Fernando Goss/Embrapa


A pesquisadora explica que a identificação do sexo do peixe ainda na fase juvenil ajuda a agregar valor à produção. “Com um pedacinho de nadadeira você mandaria para o laboratório e saberia no dia seguinte se é macho ou fêmea e poderia vender formas jovens sexadas, que agregam muito valor”, informa Fernanda.


Atualmente, para formar um plantel, um grupo de animais selecionados de boa qualidade para a reprodução, é necessário esperar os peixes crescerem para identificar o número de machos ou fêmeas. Em criações de tambaqui, isso representa uma espera de quase três anos, gerando perdas econômicas, além de atraso no melhoramento genético.


Avanço na criação de peixes nativos


A sexagem precoce de peixes é uma técnica relativamente nova e utilizada em espécies de alto valor e rendimento zootécnico como, por exemplo, em peixes componentes de programas de melhoramento genético, principalmente na formação e reposição de plantéis. Fernanda explica que devido à dificuldade de identificar o sistema de determinação sexual em peixes (que varia de espécie para espécie), ainda não existe essa técnica de sexagem precoce para nenhuma espécie nativa brasileira.


A pesquisadora da Embrapa considera que o baixo conhecimento científico sobre a biologia das espécies nativas brasileiras e a falta de tecnologias específicas para elas contribui para o pouco aproveitamento dos peixes nativos nas criações.


A espécie mais cultivada pela piscicultura nacional é a tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus), de origem africana e uma das mais presentes nas criações em todo o mundo. Em segundo lugar em produção vem o tambaqui, da Bacia Amazônica, liderando entre as espécies nativas cultivadas. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2017 a produção nacional de tambaqui alcançou mais de 88,5 mil toneladas. 
Foto:Divulgação

Apesar de muitos peixes nativos serem de excelente qualidade, fácil cultivo e alto valor de mercado e apresentarem aceitação pelo consumidor, a participação das espécies nativas não chega a 50% da produção brasileira de pescado. Em comparação, a pesquisadora cita que no continente asiático, maior produtor de pescado do mundo, a participação de espécies nativas de lá em cultivos chega a 95%.


Participam do projeto pesquisadores e analistas de quatro Unidades da Embrapa: Amazônia Ocidental, Pesca e Aquicultura (TO), Tabuleiros Costeiros (SE) e Informática Agropecuária (SP), com a colaboração de pesquisadores de outras instituições brasileiras - como a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), Universidade Federal de Alfenas (Unifal), Centro de Aquicultura da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Caunesp), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e pesquisadores da Texas Tech University (TTU), nos Estados Unidos.


Outras espécies nativas na mira da pesquisa


No mesmo projeto de pesquisa da Embrapa estão sendo estudadas quatro espécies. Além do tambaqui e seus principais híbridos produzidos no Brasil (a tambatinga e o tambacu), o projeto também estuda o pirarucu e bagres de importância econômica no País, como o jundiá (Rhamdia quelen), a cachara (Pseudoplatystoma fasciatum) e seus híbridos. Nesse trabalho, os cientistas procuram gerar informações técnicas para o avanço da piscicultura brasileira com peixes nativos.





Documento traz orientações para melhorar a produção de tambaqui em tanques-rede

A publicação “Boas práticas para a produção de tambaqui em tanques-rede: da implantação à despesca”, lançada pela Embrapa Amapá, traz recomendações e dicas que abrangem desde a escolha do local de instalação, disposição dos tanques, infraestrutura da criação em tanques-rede, qualidade da água, cultivo, manejo alimentar e nutricional, manejo sanitário, até os cuidados a serem adotados durante a despesca.

Confira na íntegra o "Boas práticas para a produção de tambaqui em tanques-rede: da implantação à despesca"

O cultivo em tanque-rede é um sistema no qual os peixes são mantidos em estruturas flutuantes, compostas por uma armação rígida, revestida por redes que devem ser adequadas de acordo com a quantidade de produção. Os tanques-rede podem ser utilizados para a produção de peixes nas fases de alevinagem, recria e engorda, e têm em média tamanhos que variam de 6 a 50 metros cúbicos.

As estruturas permitem a livre circulação da água e podem ser instaladas em ambientes aquáticos como rios e lagos, por meio de flutuadores, em locais onde não há oscilação periódica no nível da água.
 
Foto: Roselany Correa/Divulgação Embrapa 
Com relação à escolha do local, é importante realizar um estudo da viabilidade técnica e econômica da atividade, além de um planejamento estratégico de produção, considerando fatores como tipo de produto e preço de comercialização (atacado e varejo); quantidade demandada pelo mercado; ciclo de cultivo e escala de produção) proximidade com o mercado consumidor (logística de escoamento da produção); capital de investimento e operacional (fonte de recursos); mão de obra qualificada (treinada).

“A questão de segurança da propriedade precisa ser levada em consideração, para evitar perdas devido aos furtos de peixes. Outros fatores que podem onerar a produção são grandes distâncias do mercado consumidor, inexistência de linhas de crédito e, principalmente, o manejo alimentar dos peixes”, recomendam os autores do Comunicado Técnico.

Conheça alguns peixes que não podem faltar na mesa do amazônida

A publicação é de autoria conjunta do pesquisador da Embrapa Amapá Marcos Tavares Dias e Carlos Alberto Silva, pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE); Roselany de Oliveira Corrêa, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental (Belém, PA); Heitor Martins Júnior, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental (Belém, PA); Eliane Tie Oba Yoshioka, pesquisadora da Embrapa Amapá; Jamile da Costa Araújo, pesquisadora da Embrapa Amapá; Laurindo André Rodrigues, Zootecnista, pesquisador da Embrapa Meio-Norte (Parnaíba, PI); e Fabiola Helena dos Santos Fogaça, pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro, RJ).

Tambaqui

O tambaqui é considerado o segundo maior peixe de escamas em água doce de da América do Sul, atrás apenas do pirarucu. Chega a medir 90 cm de comprimento e a pesar 30 kg. Muito apreciado pelas comunidades ribeirinhas e urbanas da Amazônia, nos últimos anos os estoques naturais sofreram redução e o cultivo da espécie tornou-se uma alternativa para a sobre-exploração.
 
Foto: William Costa/Portal Amazônia
Atualmente, o tambaqui é a espécie nativa mais cultivada no Brasil, estando presente em 24 dos 27 estados do Brasil. Quando cultivado em tanques-rede, alcança boa produtividade, indicando que é uma atividade promissora para a criação do tambaqui em todo o País.

Veja também: Mais de 90 espécies de peixes são identificadas na Amazônia

No estado do Amapá, é recente a prática do cultivo de peixes em tanques-rede. O pesquisador Marcos Tavares Dias acredita que, no estado, o cultivo reduzido de tambaqui em tanques-rede é devido às reduzidas inovações tecnológicas disponíveis e falta de mão-de-obra adequada, além da ausência de políticas públicas para esse setor produtivo. 

Descoberta de mutações genéticas em tambaqui garante prêmio a docente da Ufam

“É um trabalho multidisciplinar de grandes parcerias que coloca a nossa Ufam em destaque”, orgulha-se o professor Ribamar Nunes do Instituto de Natureza e Cultura da Universidade Federal do Amazonas (INC/Ufam), em Benjamin Constant, interior do Amazonas. O ‘Prêmio Capes de Tese 2018’ é o reconhecimento da relevância científica, econômica, ecológica e social da investigação, que associa mutações genéticas do tambaqui à existência de populações sem espinha ou à adaptação do peixe ao aumento da temperatura no planeta, que pode deixar as águas dos rios mais ácidas pela redução do nível de oxigênio.

A tese “Descoberta de SNP, construção de mapa genético de alta densidade e identificação de genes associados com adaptação climática e ausência da espinha intermuscular em tambaqui (Colossoma macropomum)” foi defendida no ano de 2017, sob a orientação do professor Luiz Lehmann Coutinho, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal e Pastagens da Universidade de São Paulo (USP/ESALQ). Além de receberem certificado e medalha, os vencedores serão agraciados com uma bolsa de pós-doutorado. A solenidade de reconhecimento será realizada no próximo dia 13 de dezembro.

Graduado em Zootecnia e em Biotecnologia pela Ufam, o então especialista em Biotecnologia ingressou como docente em 2009. “Entre no INC somente com a graduação, concluindo a pós a distância ainda enquanto lecionava. Depois do estágio probatório, obtive licença para sair e cursar a pós-graduação. Fiz a seleção da USP e comecei o mestrado em 2013. Lá, eu percebi a possibilidade de prosseguir com o tema no doutorado”, conta o professor José Ribamar.

E o doutorado veio antes do esperado. Durante os dois anos do mestrado, em caso de excelência acadêmica – com o conceito ‘A’ em todas as disciplinas – haveria a possibilidade de uma mudança de nível. Cumulativamente, seria necessário ainda ser aprovado no exame de proficiência com aproveitamento de pelo menos 80% e apresentar uma dissertação com todas as condições de ser continuada como tese. Apenas um ano e dois meses depois de iniciar o mestrado, o professor José Ribamar submeteu a proposta ao Programa e foi aprovado como doutorando, embora com a exigência de cumprir as disciplinas remanescentes do Mestrado.

“Em 2015, eu viajei para os Estados Unidos, durante um ano, como bolsista da Capes. Antes disso, a minha pesquisa era financiada pela Fapeam [Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas]”, lembra o docente, que sequer chegou a obter o título de mestre. A tese foi concluída em 2016, tendo sido defendida e depositada no ano seguinte. Enquanto ainda cursava o doutorado, ele publicou um artigo científico numa revista Qualis A1, periódico do grupo Nature. “Essa é a mesma revista que publicou a pesquisa sobre a relação entre o Zika Vírus e a Microcefalia”, compara o docente, ao mencionar a relevância cientifica do texto.
Foto: Divulgação
‘Made in Brazil’

De volta ao tambaqui, a escolha da espécie partiu do pressuposto de ainda haver poucos estudos sobre o peixe, sendo esta, inclusive, a primeira descoberta de mutações da espécie em larga escala. “Na verdade, quando eu ingressei no mestrado, o meu orientador queria trabalhar com uma técnica nova de descoberta de mutações, que são alterações no genoma de animais. Mas, naquele ponto, ainda não sabíamos com o quê exatamente iríamos trabalhar. Outra certeza que eu tinha era a de estudar alguma espécie de importância regional”, afirma o autor da melhor tese avaliada pela Capes.

Segundo ele, o tambaqui é a espécie nativa mais importante na cultura brasileira, não só do Amazonas. “A tilápia também é bastante consumida, mas foi uma espécie introduzida que acaba causando problemas ambientais”, acrescenta o docente do INC, cuja proposta foi trabalhar uma espécie nativa relevante economicamente. A princípio, nós não tínhamos material para extrair DNA do tambaqui e a parceria com o Inpa [Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia] foi essencial naquele momento.

Professor apresentou artigo em Congresso Internacional de Gentética, ocorrido em Foz do Iguaçu-PR. “Partimos quase do zero e avançamos rapidamente, tendo resultados como o mapa genético e as associações econômicas e ecológicas. Significa dizer que poderá ser produzido um peixe já sem espinha, por exemplo. Além disso, num cenário de mudança global, poderíamos continuar produzindo tambaqui com qualidade, antecipando geneticamente essas transformações e selecionando indivíduos adaptáveis”, justifica o professor Ribamar Nunes.

No estudo, foram analisadas populações presentes no Amazonas, além de outras introduzidas no Nordeste e no Sudeste do País na década de 1960. Inicialmente, foram identificadas mais de 200 mil mutações que poderiam ser utilizadas. Após a filtragem inicial, restaram ainda dezenas de mutações confiáveis para subsidiar o estudo.

Em seguida, foi desenvolvida uma base, ou seja, um mapa genético responsável por identificar onde estão essas mutações especificamente considerando cada parte do genoma. Aí então foi iniciado o levantamento das mutações que estariam ocasionando a perda de espinha do tambaqui e também aquelas que o ajudariam a se adaptar às mudanças climáticas.
Foto: Divulgação
Peixe sem espinha

A proposta inicial foi estabelecer a relação entre mutações genéticas no tambaqui. O grupo foi se fortalecendo com o tempo e surgiu a primeira questão-problema, como explica o pesquisador: “Inicialmente, o professor Alexandre Rios, da Universidade de Mogi das Cruzes, foi comunicado sobre a descoberta, por um produtor rural, de uma população de tambaquis que não produzia a espinha do miocepto ou intermuscular. E o que é isso? É uma espinha em forma de ‘Y’ que é cortada quando o peixe é ticado, no intuito de facilitar o consumo”.

Além de ser um problema de ordem econômica, pelo fato de que muito se dispensa do pescado ao retirar essa parte do tambaqui, essa espinha é a principal responsável pelo engasgamento. “Um estudo feito nos Estados Unidos mostra que, dentre as causas do engasgamento, a espinha de peixe assume o topo da lista. Interessante que a mutação [dos peixes que já nasceram sem a espinha] ocorreu naturalmente, sem qualquer introdução transgênica, tendo apenas sido descoberta”, explica o professor da Ufam.

Com relação aos peixes sem espinha, nós descobrimos 13 genes que estão relacionados, por exemplo, à produção e modificação óssea. Esses resultados foram apresentados num congresso na Austrália, despertando bastante interesse da comunidade científica. O resultado foi uma parceria proposta por uma universidade chinesa. Com isso, tivemos a possibilidade de fazer estudos mais detalhados da genética, através de um “desligamento” de cada um dos genes no animal, como se fosse um interruptor. Estamos ainda trabalhando nisso.

Resistência ao clima hostil

Em relação às mudanças climáticas, a grande contribuição partiu da professora Vera Val, do Inpa. “Nosso objetivo foi também estudar quais tipos de mutações poderiam ajudar na adaptação do tambaqui às mudanças climáticas. O aumento da temperatura reduz a oxigenação na água, e acidifica a água”, explica o autor da tese. Assim, neste ponto, as mutações que se pretendia identificar ajudariam a compreender como o tambaqui responderia ao possível aumento da temperatura: como continuar produzindo a espécie, mesmo nesse cenário de transformação ecológica que altera o seu ambiente?

Foram estudadas as diferenças entre variáveis atmosféricas, como temperatura, pressão atmosférica, luminosidade, nebulosidade. Um dos genes identificados, por exemplo, está  relacionado à resposta do peixe ao frio e ao calor.

“Assim, quanto à adaptabilidade ao ambiente mais ácido, encontramos várias mutações que estão em genes de grande importância econômica, ecológica e biológica para o tambaqui. Um deles regula a resposta da espécie numa baixa condição de oxigenação da água”, destaca o professor, ao relacionar as principais descobertas capazes de influir no melhoramento ou na seleção genética do tambaqui para uma resposta adequada às oscilações do clima global.

Confira a lista de vencedores

Conheça alguns peixes que não podem faltar na mesa do amazônida

Prato chefe da culinária amazônida, os peixes podem ser servidos fritos, cozidos, assados de brasa, de forno ou moqueado. De todas as formas o alimento é bem aceito na gastronomia da região.

Nas feiras, nos mercados e em todos os cantos se encontra uma variedade de peixes para serem consumidos.

Em Belém do Pará, segundo da Secretaria Municipal de Economia (Secon), a dourada, pescada branca e pescada amarela são os principais peixes consumidos na cidade.

Segundo o Instituto #Pesquisa365, o peixe preferido do manauara é o tambaqui, seguido pelo jaraqui e pacu, espécies que são facilmente encontrados nas feiras da cidade.

A equipe do Portal Amazônia esteve na feira Manaus Moderna e mostra algumas espécies que são as favoritas no Estado. 
Tambaqui | Foto: William Costa/Portal Amazônia
Jaraqui | Foto:William Costa/Portal Amazônia
Pacu | Foto: William Costa/Portal Amazônia
Matrinxã | Foto: William Costa/Portal Amazônia
Pirarucu | Foto: William Costa/Portal Amazônia

Peixes da Amazônia terão melhoramento genético

Um projeto da Universidade Federal Rural da Amazônia pode contribuir com a preservação e até mesmo ampliar a exportação de peixes.  Pesquisadores da universidade trabalham na criação de um banco de perfil genético, inicialmente de matrizes de tambaqui e pirarucu, para a criação de alevinos (peixes recém-saídos do ovo). O objetivo do projeto é o melhoramento genético de peixes da Amazônia.  O coordenador do projeto, Igor Hamoy, explica que os peixes serão mapeados e muitos deles receberão um chip para possibilitar o melhoramento genético para fins comerciais.  Os piscicultores terão um login e uma senha que avaliará, dentro do banco genético, as melhores possibilidades de produção do tambaqui e do pirarucu.  “Os peixes da Amazônia, quando comparados com animais como a tilápia, têm uma performance zootécnica menor. A tilápia é um animal que vem passando por melhoramento há mais de 20 anos. A solução não é criar tilápia na Amazônia, mas é melhorar geneticamente de nossos animais nativos, como o tambaqui, e esse projeto é um embrião disso”, destacou Igor Hamoy.  
Pirarucu  |  Foto: Divulgação
O coordenador do projeto acrescenta que o investimento na pesquisa sobre o perfil genético dos peixes vai fortalecer outros estudos da universidade.“Estamos comprando um sequenciador de DNA, um dos mais modernos que existe, em termos de equipamento. Também em termos de formação de recursos, neste projeto vai ter aluno de mestrado e do doutorado da Universidade Federal Rural da Amazônia e da UFPA – Universidade Federal do Pará -, colaboradora nossa.”O projeto do banco de perfil genético de peixes conta com financiamento de R$ 1 milhão, e as informações da pesquisa serão disponibilizadas gratuitamente na internet até 2019.

Consumo afeta tamanho e fartura do tambaqui em Manaus, afirma pesquisador

Foto: Jefferson Christofoletti/Embrapa
O biólogo e pesquisador da University Lancaster (Reino Unido), e da Universidade Federal de Lavras (MG), Daniel J. Tregidgo, passou oito meses convivendo com ribeirinhos do Rio Purus, interior de Manaus, no Amazonas. Além de conhecer a vida deles, experimentou diversos peixes, o que o fez voltar com muitos amigos, mas também preocupações. O peixe mais popular do Amazonas, o tambaqui, é cada vez mais difícil de ser capturado. E quando cai na rede, já não tem o mesmo tamanho de antes. As informações são do O Eco.

No artigo 'Rainforest metropolis casts 1,000-km defaunation shadowpublicado esta semana na 'Proceedings of the National Academy of Sciences' (PNAS), ele e outros autores demonstram que o consumo de tambaqui em Manaus causa efeitos na população de peixes a até mil quilômetros rio acima, no Purus. Entrevistas com 392 pescadores indicam que perto da cidade de Manaus tanto o tamanho do peixe quanto as taxas de captura caem pela metade.

Em regiões mais distantes do Rio Purus, o estudo registrou que, em média, os peixes capturados pesavam entre 19 e 24 quilos, enquanto mais perto da foz, no Rio Solimões, a média era de oito a 11 quilos. "Fico triste por vários motivos”, afirma Tregidgo. “Eu pessoalmente gosto de peixe e vi que os ribeirinhos não têm muitas fontes de renda. O tambaqui é muito importante para a renda deles. E como biólogo, todos querem que a população de peixes se recupere”, continuou.

Ele destaca que os resultados do estudo são importantes porque mostram os efeitos da urbanização sobre a floresta. E lembra que dois terços da biodiversidade do planeta está em áreas tropicais. Nestas regiões, o rápido aumento da população humana, a urbanização e mudanças econômicas estão levando a um aumento da demanda das cidades por alimentos.

De acordo com o biólogo, é dada bastante atenção à expansão de fazendas para a produção de carne, mas recursos de pesca e da vida selvagem também são importantes para milhões de pessoas que vivem nos trópicos.

Efeitos

Não há risco de extinção, ressalta o autor do artigo. Porém, a redução no tamanho afeta o consumo. Há efeitos também sobre a floresta: “O tambaqui grande pode dispersar sementes em distâncias maiores. Os menores não fazem um trabalho tão bom”.

O biólogo não vê a proibição da pesca como solução para o problema. De acordo com ele, isso criaria mais um problema para os pescadores. Para ele, o ideal seria aproveitar mais a diversidade dos peixes amazônicos e aumentar a variedade de espécies consumidas em Manaus. Apesar de ter algumas preferências, Tregidgo não indica especificamente outro peixe para o consumo, diz que o importante é variar.

“Os rios da Amazônia são muito produtivos e podem alimentar muita gente de um jeito sustentável”, explica. “Por exemplo, a gente anotou 80 espécies de peixes no estudo, que os ribeirinhos pegaram para vender e comer. Não acho que o povo dessa cidade deveria parar de comer seu peixe favorito [o tambaqui], mas deveria variar mais para comer mais tipos de peixes do que agora”, sugeriu.